Você está em ‘viral’

Você não leu Blink – decisão num piscar de olhos? Não leu Ponto da virada? Não leu Fora de Série? Não sabe nem quem é Malcolm Gladwell? Seus problemas acabaram. Abaixo estão 10 teorias super interessantes da pessoa mais influente do mundo dos negócios hoje.

1) A regra dos eleitos

Uma epidemia sempre começa com uma pessoa. Para ser mais realista, com algumas pessoas extremamente influentes.

Os eleitos (divididos em 3 tipos: comunicadores, experts e vendedores) são pessoas que exercem um  grande impacto em um grupo, espalhando ideias com uma facilidade que outros não possuem. Eles conhecem muitas pessoas, são inteligentes, cheios de conteúdo e muito articulados. Identificar quem são os eleitos dentro do seu mercado é um dos principais jeitos de fazer uma ideia colar. Pode ser um blog, uma coluna, aquele colega que sabe tudo sobre determinado assunto ou aquele outro que consegue vender qualquer coisa com a sua terrível lábia.

2) Os conectores

Pessoas extraordinárias que conectam outras pessoas e ideias. Eles conhecem muitas pessoas; se dão bem com todo mundo desde o faxineiro até presidente de empresa; combinam confiança, curiosidade e interesse com muita energia e entusiasmo pelo que faz. São acessíveis e fáceis de entender por qualquer pessoa, valorizando o que é valioso para elas.

Pode ser aquela pessoa que sempre organiza as confraternizações e une a equipe, um chefe expert em pessoas. O tipo de pessoa proativa e empática, mas que ninguém se sente desconfortável em ter por perto.

3) Fator de fixação

É a força da ideia. A capacidade que ela tem de ficar na cabeça depois de ser atingido por ela. “Existe uma forma simples de embalar uma informação que, nas devidas circunstâncias, a torna irresistível. Basta descobrir qual é.”

4) O poder do contexto

Não basta ter uma ideia boa o suficiente. Não basta ter pessoas influentes e habilidosas para conduzir essa ideia. Ainda assim, é preciso saber as condições ideias para dispará-la. O poder do contexto se refere ao ambiente, uma vez que as pessoas são influenciadas pelo ambiente a sua volta — e não adianta você dizer que não.

“Uma ideia pode existir durante anos e ‘de repente’ estourar e virar uma epidemia. Quando isto ocorre, esta ideia encontrou o seu ‘timing’, uma série de outros fatores desencadeou um ambiente que proporcionou a disseminação desta ideia. É a ideia certa, no momento certo, no lugar certo e com as pessoas corretas. Muitas boas ideias morreram cedo ou nem sequer vingaram, pois não conseguiram se enquadrar num contexto.”

5) Teoria das Fatias Finas

A ciência já comprovou que o nosso cérebro inconsciente detecta o perigo antes do consciente. Ou seja, sabemos de coisa antes mesmo de nos darmos conta que sabemos.

Como falei neste post, o cérebro lida com bilhões de informações, por isso ele precisa criar modelos mentais, comportamentos padrões que nos ajude a tomar decisões rápidas. As fatias finas são fragmentos de experiências passadas que o cérebro armazena e utiliza para lidar com situações posteriores, de forma rápida e quase automática. Essa teoria pode ajudar a explicar porque não vamos com a cara de uma pessoa ou não acreditamos em um negócio.

6) Paralisia analítica

Saiba reconhecer quando você já reuniu informação suficiente. Esta teoria pode ser explicada muito bem com uma frase memorável de um antigo professor meu da FGV: “excesso de informação é desinformação”.  Muita informação (dados, relatórios, análises, índices) gera confusão, atrapalha o foco de aspectos críticos e, em muitos casos, só servem para embasar decisões que já foram tomadas.

7) A porta trancada

O que queremos e o que somos são duas coisas diferentes. Talvez você queira ser mais saudável, mas você não para de pensar em McDonald’s. Talvez diga que beleza não é fundamental, desde que seja loira, sarada e de olhos verdes. Gladwell chama isso de “a porta trancada”, coisas que não queremos assumir, mas no fundo é o que pensamos. A solução? Trabalhe o inconsciente! Como fazer isso? Conhecendo pessoas novas, lendo coisas diferentes, visitando lugares inusitados, se expondo  e, então,  você mudará de verdade.

8) Sucesso com “s” de sorte

Se tem uma coisa que eu aprendi ao ler Outliers é que sorte pode ser determinante para o sucesso. Claro, inteligência, trabalho duro e ambição são extremamente importantes. Mas nascer no início do ano pode lhe fazer uma estrela do hockey no Canadá.

9) A 10.000 horas da perfeição

Você não precisa de talento. Ao invés, pratique 10.000 horas e você será tão bom em algo como Mozart no piano. Pouca gente sabe, mas quando os Beatles começaram a fazer sucesso, eles já tinham tocado mais do que a maioria das bandas toca durante toda a carreira. O que mostra que sucesso tem menos a ver com talento natural e mais com dedicação integral.

10) QI pra quê?

Bill Gates disse uma vez que provavelmente ele não teria chegado aonde chegou se tivesse nascido na Índia ou na China. Gladwell mostra que ter QI muito acima da média não influencia no sucesso, pior, atrapalha. O QI ajuda até certo ponto (130), acima disso outras coisas são mais importantes, como o apoio da família, a região em que nasceu, princípios e dedicação.

Fonte: The Business Insider e Wikipedia

Deixei a poeira baixar para falar de algo que quase todo blog brasileiro já falou. Mas falarei do meu jeito, do jeito que vocês estão acostumados a ler aqui no blog, tentando tirar alguma lição de um dos maiores fenômenos da internet de 2011.

Não adianta tentar entender o que fez o video “oração” alcançar 3 milhões de views em 10 dias para tentar repetir na próxima campanha da sua empresa ou agência. Mas a coisa alcançou proporções tão grandes que chegou uma hora que eu não aguentava mais ler frases parodiando a banda, do tipo “o melhor churrasquinho do bairro”, “a melhor agência da cidade”, de modo que eu até brinquei no Twitter: quer criar o seu viral, use a fórmula “o melhor [seu produto] da cidade”.

Provavelmente, A Banda Mais Bonita da Cidade não é  a banda mais bonita de Curitiba, mas foi assim que ela ficou conhecida no país inteiro. O clipe é claramente influenciado pelo videos dirigidos por Vincent Moon para a banda Beirut, e eles não escondem isso, nem a influência do som da banda Arcade Fire. Mas ela é autêntica, e autenticidade é uma das coisas que mais faltam no mundo hoje, seja na música ou no mercado.

Um dos principais motivos que levam jovens a montar bandas é a diversão, e se tem uma coisa que se pode ver muito bem no video é que as pessoas ali estão se divertindo. Esse era o objetivo deles — se divertirem– e isso faz deles a banda mais bonita de qualquer cidade. Qual o objetivo da sua empresa? Qual o objetivo da sua nova campanha,  sua marca ou do seu produto? Uma boa empresa não precisa ser a melhor em tudo, mas ela precisa ser a melhor em algo.

Autenticidade e paixão são dois ingredientes fundamentais para se criar “a melhor coisa da cidade”. A melhor loja, o melhor produto, o melhor bar, a melhor pipoca da cidade (que também é de Curitiba)… em síntese, a melhor experiência. Quando as pessoas compartilharam o clipe de “oração” em suas redes sociais, elas estavam compartilhando uma experiência diferente e agradável, algo que não se vê por aí todos os dias.

Acreditar que você pode ser dono da melhor coisa que tem na cidade deveria ser senso-comum, mas não é. A maioria dos empresários ou empreendedores ainda se contentam com conseguir pagar as contas no final do mês e tirar um bom lucro. De fato, essas empresas estão mais próximas de ser “A empresa mais estressante da cidade” do que qualquer outra coisa. Se você tem acompanhado o blog Pequeno Guru ou tem lido os livros de negócios lançados nos últimos anos, sabe o quanto isso é perigoso. Ser apenas mais um em meio a multidão é potencialmente suicida.

Ser o melhor da cidade é apenas o primeiro passo para um objetivo audacioso que se tornou possível com a globalização e a internet, o de ser o melhor do mundo. Mas isso é algo que começa dentro de você, antes de chegar ao mainstream.

Viral sem marketing

22 de dezembro de 2008 • TEMAS: Marketing / /

Buzz e viral são duas coisas que não saem da boca de marqueteiros e publicitários. Acrescente as mídias sociais e você terá a fórmula mágica para o sucesso instantâneo do seu produto (ou serviço). Como bom crítico que sou, tenho minhas ponderações quanto a eficiência dos virais como ferramenta de marketing. Corroborando com a minha opinião, Seth Godin escreveu sobre e separou o joio do trigo ao explicar o que é marketing,  o que é viral e quando os dois se unem para se tornar marketing viral. Eis a interessante definição:

“Marketing viral é uma idéia que se espalha — e enquanto ela está se espalhando, está ajudando a vender um negócio ou uma causa.”

Godin separa o marketing viral em dois tipos:

O primeiro nem parece com o viral que conhecemos e é na verdade uma espécie de buzz marketing, onde produto se auto-propaga num ciclo um tanto óbvio. Quanto mais é utilizado mais é visto, quanto mais visto mais é utilizado. É o tipo de produto/serviço que estimula as pessoas a usarem cada vez mais. Ex: YouTube.

O segundo é o viral como conhecemos, ele se espalha simplesmente porque as pessoas querem espalhá-lo. Mas neste caso, não é o produto em sei que se espalha, é alguma outra coisa. Ex: peças da campanha de Barack Obama.

Godin é geralmente um cara amigável com as palavras, mas desta vez foi um chato. Agora fico mais tranquilo ao respaldar minhas críticas nas dele e não dar uma de chato sozinho.

Virais geralmente são chatos e também perigosos. Se os consumidores perceberem a falta de autenticidade naquilo que está se espalhando, game over. Se o produto não tiver um algo a mais, game over e sem direito a continue. Você não vai sair espalhando algo que é ruim ou apenas “normal”, vai? As pessoas querem algo interessante pra comentar: um computador que você não precise de mouse, um celular sem teclas ou uma loja diferente da que você está acostumado. Milhões de pessoas querem ajudar  a vender o seu produto, mas não pense que elas farão isso sem ganhar nada. Como em qualquer comercial, eles querem um benefício. Qual a vantagem em espalhar a sua idéia pros meus amigos? O que eu ganho? Só porque é divertido?

Idéias divertidas, idiotas, bobas, engraçadas e afins não necessariamente ajudam vender. O YouTube está cheio de virais assim, mas quanto desses podem ser considerados realmente ações de marketing? Para Godin, a única maneira de você fazer seu produto espalhar é criar o seu produto para ser espalhado. Quando Steve Jobs idealizou o iPhone ele sabia do seu potencial, sabia que ia dar o que falar. Tinha como  não dar?

“Ser viral não é a parte difícil. Difícil é fazer o viral gerar algum valor e não apenas entretenimento para você e seu chefe”, disse o mestre Seth Godin.