Você está em ‘vida pessoal’

Tenha um pé atrás quando uma marca que investe pouco em publicidade começar a aparecer em todo lugar. É o caso do Santander, cujo investimento publicitário em 2010 é de R$ 150 milhões, maior do que a soma da verba do Banco Real e o do próprio Santander dois anos atrás, resultado da estratégia de consolidação da marca Santander e extinção da marca Banco Real — um dos melhores bancos que o Brasil já teve.

Eu sou cliente do Banco Real  há uns 8 anos. E não devo chegar ao meu 2º ano de correntista do Santander. Tive mais problemas em 1 ano do que tive em 8. Problemas como dinheiro sumindo da conta que ninguém sabe explicar, atendentes que ficam passando um pro outro sem resolver o problema, demora no atendimento e taxas abusivas. Para mim, a causa mortis é cultural.  O Banco Real, um banco brasileiro-holandês sempre pareceu ter o foco nas pessoas, ao contrário do espanhol Santander, onde respeito aos clientes praticamente inexiste. Clientes esses, que em muitos casos nem queriam estar ali, como eu.

O Santander é como um vilão grandalhão que vai engolindo os menores bonzinhos. Quando o banco espanhol comprou o Banespa, foi um “deus nos acuda”. Pelas histórias que ouvi, o Banespa era um daqueles bancos que você passa a vida toda nele, não porque não consegue sair, mas porque quer ficar. O Santander tirou isso de muita gente e até hoje tem processos trabalhistas correndo contra o banco espanhol. Com o Real não está sendo diferente, o grandalhão é rude com os clientes, agressivo na comunicação e está fazendo tudo sem se importar com nada ou ninguém. Demitiu 400 funcionários de uma tacada só quando comprou o Real.

Empresas que investem muito dinheiro em propaganda podem estar colocando sua credibilidade a prova,  veiculando mensagens vazias, uma vez que o serviço/produto não combinam com o discurso anunciado. Um grande problema do Santander é que o que vemos na mídia não reflete a realidade da empresa.  Como disse a diretora do sindicato e funcionária do Santander: “É uma situação inadmissível [demitir 400], principalmente para um banco em excelente situação no Brasil e no mundo, que anuncia ‘sinergias de integração que devem atingir R$ 2,7 bilhões’. Ou seja, para os banqueiros, brasileiros ou espanhóis, a fusão trará ganhos, mas para os bancários, pais e mães de família, sobra a tragédia do desemprego”.

Completementando o desabafo: não são apenas os bancários, pais e mães de família que estão sofrendo com a chegada do Santander, mas os clientes viúvos do Banco Real. A boa notícia: é que esses podem mudar facilmente, enquanto, para os ex-funcionários, infelizmente, a mudança é mais dolorosa.

Eu perguntei para algumas pessoas o que elas achavam do Santander e não ouvi uma única resposta positiva, inclusive aparecendo, mais de uma uma vez, a expressão “o pior banco do mundo”. Realmente não entendo o que há nessas empresas que parecem não se importar com a sua reputação. Acho que elas pensam que conseguem compensar aumentando a verba publicitária. Abaixo estão algumas opiniões extraídas do Twitter pra reforçar.

Como profissional de marketing e amante dessa área, fico triste quando vejo empresas admiráveis como o Banco Real sair do mercado, dando lugar a megacompanhias que não buscam solucionar os problemas dos seus clientes, tampouco tornar a vida das pessoas mais fáceis. Não sou contra fusões nem compartilho das críticas mirabolantes de pessoas anti-capitalismo. Acho que é possível unir interesses de investidores e executivos sem prejudicar os consumidores. Algo parecido com o que fez o Itaú com o Unibanco.

Assim como escrevo artigos dando exemplos de boas empresas, escrevi este artigo para mostrar o contrário. O Santander não é uma empresa que mereça ser vista como exemplo de marketing e, nunca, jamais, de CRM. É uma grande empresa multinacional que só visa numeros e que conseguiu destruir tudo que 2 grandes marcas brasileiras construíram nas últimas 2 décadas.

Agora, estou orfão, em busca de um banco que não queira só o meu dinheiro. Uma tarefa dificílima em uma época em que, cada vez mais, boas empresas desaparecem porque não acompanham o crescimento do mercado e acabam sendo abocanhadas por outras maiores. E o pesadelo continua com um Santander faminto por novas aquisições. Salve-se quem puder!

Você já deve ter visto esta cena: durante uma entrevista com uma banda sai a pergunta “quem influenciou vocês?”. Nesse momento, sai de tudo, mas quase sempre os clássicos Bob Marley, Beatles, Radiohead, Rolling Stones, Vinicíus de Moraes e Tom Jobim estão presentes, dependendo do estilo, claro. Nós somos influenciados o tempo todo e isso é fundamental para o nosso aprendizado.

Quem trabalha com criatividade, como publicitários e artistas, precisam de uma coisa chamada bagagem cultural. É muito comum pegar um livro de criação publicitária e ler os autores falando da importância de se ver, fazer e conhecer coisas diferentes, em outras palavras, de aumentar essa bagagem. No inglês, isso é chamado de background – o pano de fundo da sua vida. Washington Olivetto falou uma vez que sabia muito pouco sobre muita coisa. Carregamos esse background aonde quer que vamos e ele tem papel fundamental no resultado do nosso trabalho. De forma inconsciente, altera nossa percepção de mundo e nos abre mais possibilidades (ideias). É a bagagem cultural que nos ajuda a prever tendências e criar coisas realmente atraentes  e originais.

A influência propriamente dita, para mim, é um pouco diferente. Ao contrários dos músicos que se dizem influenciados por artistas que não conseguimos perceber, ela age de forma mais direta no nosso dia-a-dia. Influências são livros, professores, amigos, escritores, gurus e empreendedores que admiramos  tanto que incorporamos um pouco dos seus feitos ou conselhos ao nosso trabalho. De todos os livros que lemos, com sorte, uns 2 ou 3 viram influências para nós. Temos a tendência de agir com base naquele livro, não nos outros 100, esses viram bagagem cultural.

Dois blogs me  influenciaram muito a criar o Pequeno Guru : Seth Godin e Advertising for Peanuts. Ambos usavam uma linguagem um tanto filosófica que me deixava pensando mesmo depois de terminar de ler o artigo. De certa forma, é o que eu tento fazer aqui no PG até hoje. Na minha vida profissional, Al Ries é o mestre, costumo dizer  que quando crescer quero ser como ele. Já na vida pessoal, eu também tenho minhas influências. Obviamente, meus pais são a maior delas, mas tenho uma ou duas outras influências que também estão presentes em quase tudo que faço.

No processo de aprendizado, é importante ter “modelos” a seguir, alguém em quem se espelhar e uma obra para funcionar como guia. Geralmente, é aquele livro que você já leu 2, 3 vezes ou uma pessoa que admira muito. Influências não são regras, mas hábitos que você adotou para sua vida e que podem ser percebidas no seu modo de agir. Certamente, essas influências acabam tendo a sua cara, já que sua bagagem cultural também entra em ação. Resumindo tudo em uma frase, faça como Tom Peters disse, “aprenda com os melhores e depois adapte”.

Acredito que a maioria dos leitores deste blog não viveu na saudosa época em que curso universitário era a garantia de estabilidade financeira e, em muitos casos, do sucesso profissional. Essa foi uma época que eu também só ouvi falar.

Antes mesmo de entrar na faculdade de comunicação, eu sabia que aquilo seria só o começo de uma longa jornada de pós-graduações, mestrados e doutorados (eu pensava assim na época). O que eu não sabia era que, depois de 4 anos, eu iria sair sem saber uma profissão. Assim como um médico não sai da faculdade pronto pra clinicar, o diploma não me transformou em publicitário como num passe de mágica.

Algumas pessoas têm uma visão errada de pra que serve um curso de graduação. Ele não te ensina a fazer algo (eis porque existe vários profissionais não graduados, alguns muito bons), tampouco lhe garante um emprego, mas ele te dá a base para você dominar uma determinada área profissional. E essa base pode fazer toda a diferença.

Quando eu penso o que aprendi na Universidade, chego a três coisas que foram fundamentais para formar o profissional que sou hoje.

A primeira é que na Universidade você descobre o leque de opções de uma determinada área profissional. Esse leque te mostra as diversas atividades envolvidas  e te ensina o básico de cada uma que vai compor um profissional completo. Sem a Universidade, eu talvez não descobrisse minha paixão por branding (que acabou evoluindo mais para parte de estratégia). Mesmo em um curso de publicidade, você pode descobrir que a sua praia não é agência de propaganda.

A segunda parte eu chamo de: desenvolvimento de habilidades. Essa parte é crucial, se na primeira você descobre o que gosta, nessa você analisa se têm aptidão pra coisa. E se não tiver, desenvolve. Eu sempre escrevi razoavelmente bem, mas o volume de trabalhos e aulas de português fizeram muita diferença. Além disso, uma coisa eu devo totalmente aos anos de faculdade: a habilidade de falar em público e expor minhas próprias ideias. Debates e apresentações me ajudaram a desenvolver esse lado que era ruim, e hoje eu adoro falar em público. Resumindo, você cresce em áreas que era bom e descobre outras que nem sabia que possuía.

A terceira e mais condenada é: você se diverte. Embora a maioria dos universitários se concentrem mais nessa parte do que nas outras duas, ela é um barato! Como se fosse os últimos anos que se tem pra aproveitar a vida antes dela se tornar séria demais. A Universidade sempre renderá boas lembranças, ótimas histórias e amizades duradouras. Você acaba conhecendo muita gente (e os conhecidos são muito importante para o networking), construindo relações com professores, viajando e trocando muita informação que se transformará em bagagem cultural. Os benefícios disso ainda são meio nebulosos, mas com a  “intuição” e “criatividade” recebendo tanta atenção da mídia e especialistas, o simples fato de viver a vida pode ser muito útil na sua profissão.

Ter um diploma, um curso de graduação, uma faculdade ou como quiser chamar, de fato, não é o que importa. O que importa hoje é o que você tira dos anos que passou lá. Quais habilidade desenvolve, o que descobre e o quanto vive. Aprender a fazer mesmo você só aprende quando a hora chegar, no dia-a-dia, cercado de profissionais, com o supervisor na sua cola, o chefe cobrando, lendo, fazendo cursos. Graduação é como um prólogo, a vida profissional começa no momento em que você sai da universidade.

12 lições que toda criança deveria aprender dos pais:

Fonte: The Wall Street Journal

O melhor profissional

29 de março de 2010 • TEMAS: Filosofando /

Às vezes, eu tenho dificuldades em descrever sobre o que é o meu blog. Eu falo sobre marketing, gestão, comportamento, economia, design, já falei muito sobre propaganda e redação publicitária, e um pouco de auto-ajuda.  Penso se não estou desvirtuando o assunto do blog falando de outras coisas senão marketing.

Então, eu me lembro do velho objetivo que eu tinha quando criei o blog: ajudar as pessoas a se tornarem melhores profissionais contando minhas experiências. E eu acredito que os melhores profissionais são aqueles mais felizes e bem-resolvidos na sua vida pessoal. Sendo assim, o Pequeno Guru não é um blog sobre marketing, é um blog sobre se tornar uma pessoa melhor que tem o bônus de ainda se tornar um profissional melhor.

Nos últimos anos, eu adquiri um enorme interesse pelas causas sociais, virei ativista online da Avaaz, praticamente aboli carne das minhas refeições, aos poucos estou deixando de comprar produtos que usam ou testam animais e virei simpatizante de ONGs como Oxfam e WWF. Também comecei a cuidar mais do corpo e da mente, fazendo o possível para me dedicar só as coisas que me fazem bem (como evitar remédios, ler mais livros e curtir mais a natureza). Isso tem me ajudado a manter o foco nos meus objetivos e a resolver os problemas. E, ao contrário do que se imagina –essas questões sociais por vezes vistas como “radicais”– não atrapalham em nada minha visão de marketing. Eu quero que as empresas vendam mais, porém de forma mais consciente e sem enganar o consumidor. Como eu digo, “marketing não é vender geladeira para eskimó, é vender a melhor lenha para quem sente frio”.

Talvez isso não seja importante pra você como é pra mim. Tudo bem. O que importa é ter a ideia central disso em mente:  todos devemos cuidar de nós mesmos. Largar aquela pessoa só nos faz sofrer, sair do emprego que só nos deixa estressado, voltar à faculdade para estudar o que sempre teve vontade, beber menos, passar mais tempo em casa, ter um animal de estimação, comer coisas saudáveis, etc. O que quer que seja, se não lhe faz bem, abandone.

Falar é mais fácil do que fazer, então gostaria de apresentar a vocês “A Filosofia do Pé Descalço”, uma metáfora boba mas que pode mudar a sua vida se bem compreendida e praticada. Os princípios a seguir são uma analogia entre andar descalço e a forma de se levar a vida  Lembra daquela sensação de caminhar na praia no final de tarde? É mais ou menos assim que você irá se sentir se levar a sério os princípios.  Eles podem ser aplicados em todos os aspectos da sua vida, só depende de você.

  • Leve: Quando estamos descalços, nos sentimos mais leves. Precisamos abrir mãos de certas coisas que nos passam uma “falsa segurança” em troca do prazer de se sentir leve.
  • Livre: Não tem preço podermos ir aonde queremos e a qualquer hora. As pessoas estão se prendendo cada vez mais cedo a pessoas, lugares, empregos…  Sentir-se livre é guiar seus próprios passos.
  • Nú: Sem sapatos, nos sentimos meio nús, e ficar nú em público é assustador! Fazer algo diferente também é assustador, mas uma vez que nos acostumamos, começa a ficar interessante. Não devemos nos sentir constrangido por fazer algo diferente, devíamos nos sentir envergonhado por ser igual a todo mundo.
  • Prazeroso: Só andando descalço pra sabermos onde estamos pisando. Notamos o perigo mais cedo e aproveitamos mais o que o mundo nos oferece. Precisamos aprender a apreciar cada momento da vida, até os não tão agradáveis como limpar a casa: Ligue o som no máximo!
  • Consciência: Sapatos são como uma barreira entre nós e o ambiente externo e, como toda barreira, dificulta a nossa percepção. Ficamos menos cientes do que estamos enfrentando, menos preparado para o futuro e pra piorar, até as coisas coisas boas acabam não sendo aproveitadas como deveriam.
  • Hoje: Descalço, prestamos mais atenção a cada momento. Segurança demais pode ser um problema, o medo nos deixa mais alerta e nos faz curtir cada momento como se fosse o último.
  • Não-conformismo: Talvez um dos maiores problemas de andar descalço não é a dor de pisar na areia quente, no piso gelado ou encontrar cacos de vidro, e sim a preocupação do que os outros vão pensar. Medo de que os outros achem que somos um mendigo, um rebelde ou maluco. As pessoas perdem mais tempo julgando os outros do que cuidando de si mesmo. O autor da Filosofia resumiu isso de forma inteligente: “eu aprendi a abraçar o não-conformismo, em saborear o gostinho de ser um pouco diferente, de ter orgulho de não ser uma das ovelhas. Não há nada de errado em ser alvo de certas condutas sociais, se for por uma boa causa”.
  • Não-consumismo: Mesmo como profissional de marketing, é possível defender o não-consumismo. A indústria de calçados iria odiar se todo mundo começasse a andar descalço por aí. A questão não é não consumir, mas consumir conscientemente. Há uma porção de marcas vendendo sapatos feitos de garrafas pet, fibra de plantas e restos de pneu. Essas empresas estão fazendo fortunas sem explorar o meio-ambiente e o ser-humano. Eu entendo que esse é o mais difícil passo a seguir dentre todos citados, mas qual a lógica de cobrar R$400 num tênis e não pagar um salário decente aos funcionários? Na minha opinião, o melhor profissional é também um ótimo consumidor.

Se não fosse por duas coisas, talvez eu nunca tivesse dado chance ao filme Amor Sem Escalas. Mas o fato dele estar concorrendo ao Oscar de melhor filme e ter sido indicado pelo Carlos Faccina despertou a curiosidade que eu precisava.

Pra começar, Amor Sem Escalas não é uma comédia romântica, de amor não tem nada. O título original é Up In The Air. O filme dirigido pelo diretor dos bem-sucedidos “Obrigado Por Fumar” e “Juno” retrata a realidade econômica norte-americana desde a chegada da crise do mercado imobiliário e suas consequências catastróficas para a economia mundial.

O filme gira em torno do desemprego, mas tem uma mensagem mais profunda. Bingham — o personagem do George Clooney — é um executivo responsável por demitir pessoas de empresas cujos chefes não têm coragem de fazer. Então, o filme é cheio daqueles discursos prontos de RH e reações inesperadas de funcionários demitidos. Aliás, muitos dos “atores” não são atores, são pessoas demitidas recentemente de verdade.

Como  muitos podem imaginar, Bingham é um cara frio que passa 320 dias do ano entre aeroportos, hotéis e empresas. Não pensa em ter família, tampouco filhos. Mas em vez de frieza, prefiro chamar de desapego.

Quem nunca conheceu uma pessoa que morreria se perdesse o emprego? Que sentiria vergonha de contar pra família e amigos que foi demitido? E que ficaria perdido ao levantar de manhã sem ter que ir pro trabalho?

Esse tipo de desapego é saudável e no decorrer do filme você percebe que o real trabalho de Bingham é mostrar às pessoas que deixar a empresa depois de 15 anos é uma oportunidade de retormar projetos, experimentar coisas novas e ir atrás de sonhos deixados para trás. Amor Sem Escalas é um filme sobre recomeço, sobre encontrar motivação para continuar a vida mesmo quando o maior de todos os medos vira realidade: o desemprego.

Para terminar, quero transcrever os minutos finais do filme com depoimentos de algumas pessoas reais:

Quando acordei, olhei pro lado e vi minha esposa, isso me deu motivação (…)  Não é sobre dinheiro. O dinheiro te mantém aquecido. Pagar suas contas de luz. Poder comprar um cobertor. Mas nada me mantém mais aquecida do que quando meu marido me abraça. Fazem com que eu me levante, que saia, que procure alguma coisa. Pois meus filhos são a minha motivação. Minha família (…) Esta noite, a maioria das pessoas chegará em casa com cães pulando e crianças gritando. As esposas perguntarão como foi o dia e à noite todos adormecerão. As estrelas sairão de seus esconderijos diurnos. E uma delas, a mais brilhante de todas, será a ponta da minha asa passando por cima.”

Nada mais oportuno do que começar 2010 falando de uma das coisas mais interessantes que descobri em 2009, o método 10-10-10.

Como a maioria das pessoas que descobrem o método, eu simpatizei desde o primeiro segundo , mais especificamente em abril do ano passado, ao ler um artigo sobre o novo livro da Suzy Welch. Terminei de ler e pensei “tenho que comprar”. Mas outras prioridades – literárias e financeiras – me fizeram adiar até o natal quando descobri a versão em português. Uma semana depois voltei à livraria para comprar uma outra cópia para a minha mãe.

O 10-10-10 é um conceito tão simples quanto poderoso, que nos ajuda a tomar a melhor decisão avaliando as conseqüências em 10 horas, 10 meses e 10 anos – entenda isso como curto, médio e longo prazo. Obviamente, o tempo 10 é apenas uma simbologia didática. Pode ser 2 dias, 15 meses e 6 anos ou o que melhor se enquadrar à sua realidade.

Uma das vantagens do 10-10-10 é sua versatilidade. É possível utilizá-lo em quase qualquer processo de decisão. Seja mudar de cidade, deixar o emprego, casar, fazer um curso ou demitir um funcionário.

Provavelmente, ao terminar de ler este post você conhecerá a essência do 10-10-10 e já poderá aplicá-lo na sua vida. Porém, só lendo o livro pra conhecer todo seu poder. Suzy ilustra muito bem o 10-10-10 com histórias e lições de vida emocionantes, engraçadas e enriquecedoras. Histórias de pessoas normais, com problemas normais, que conseguiram tomar as melhores decisões e conviverem melhor com elas após utilizar o método.

Se você é uma pessoa impulsiva, que toma decisões pensando somente no hoje, na qual os únicos argumentos são o “eu quero” ou o “eu acho”. Você precisa do 10-10-10 mais do que todo mundo!

A pergunta
Todo processo de decisão deve começar com uma pergunta. Como exemplo, vou fazer o que Suzy Welch chama de “10-10-10 retrospectivo” – uma decisão já tomada tempos atrás como se fosse hoje.

Dois anos atrás eu me perguntei: “devo me mudar para Rio Grande do Sul?”. Tendo em vista que eu não conhecia ninguém e tinha amigos espalhados em vários outros estados do Brasil, era realmente uma decisão difícil a tomar.

  • No primeiro 10, de 10 dias: Seria muito difícil. Muita insegurança, solidão e sensação de desamparo. Sem amigos, nem ninguém com quem contar e ter que arrumar um lugar pra morar.
  • No segundo 10, de 10 meses: Continuaria sendo difícil, mas a essa altura eu provavelmente já estaria empregado e teria conhecido algumas pessoas. Já estaria morando em um lugar melhor. A saudade ainda estaria me matando, mas a sensação de “vitória”, de que tudo estava caminhando, me confortaria.
  • No terceiro 10, o de 10 anos: Seria maravilhoso. Eu provavelmente estaria realizado pessoalmente e profissionalmente. Com uma nova vida estabilizada, além de ter minha mãe por perto, já aposentada.

Outros cenários
Uma das razões da eficácia do 10-10-10 é que ele propõe o estudo de várias situações. Você deve considerar as várias conseqüências da sua decisão. Voltando ao exemplo, eu teria que fazer o 10-10-10 para o caso de eu não me mudar para o RS e continuar na minha cidade. Em resumo, eu seria frustrado para o resto da vida e dificilmente teria a chance de crescer profissionalmente.

Apenas avaliando os diversos cenários é que é possível tomar a melhor decisão e sentir-se bem com ela. Não há nada pior do que achar que fez a coisa errada, e o 10-10-10 ajuda você nisso.

A história que mudou muitas vidas
Suzy Welch surgiu com esse conceito 10 anos atrás em um momento de esgotamento fisíco e emocional. Com 4 filhos pequenos e uma agenda entre palestras e o trabalho na revista HBR, ela sabia que tinha que mudar.

Nos 7 anos seguintes, o conceito ficou restrito a amigos e colegas de trabalho. Até que Suzy escreveu em sua coluna no site da Oprah – em 2005. Para seu espanto, uma avalanche de e-mails lotou sua caixa de entrada e a partir daí não parou mais. Suzy foi coletando histórias, entrevistando pessoas, ensinando outras e colhendo feedbacks. O resultado veio em 2009 em 220 páginas.

Resumindo tudo
Se você tem pouco tempo para ler todo o post, então aqui vai um resumo:

O 10-10-10 é um método que lhe ajuda a tomar melhores decisões avaliando suas conseqüências em 10 horas (ou dias), 10 meses e 10 anos. “Devo sair deste relacionamento estagnado há 5 anos?”, “devo abrir meu próprio negócio?”. O método lhe ajuda a tomar essas e outras difíceis decisões.

No entanto, o livro não vai muito além disso. Apenas conta ótimas histórias de pessoas que resolveram problemas e tomaram melhores decisões utilizando o 10-10-10. O livro ajuda você a assimilar o conceito e utilizá-lo de forma mais eficaz e natural no seu dia-a-dia.

Tudo que você precisa saber é que suas decisões têm conseqüências, e as mais profundas são a longo-prazo. As pessoas costumam viver focadas no hoje e no amanhã e esquecem do futuro, eu vejo isso o tempo todo. O 10-10-10 combate isso e muitos outros problemas da decisão mal tomada. Seja usando o método da Suzy Welch ou não, todos nós precisamos decidir melhor. Aprender como deve ser uma prioridade na vida de todos nós.