Você está em ‘vida corporativa’

Este é um dos assuntos mais comuns do mundo corporativo. Talvez você esteja passando por dificuldades ou tenha passado recentemente ou quer apenas se certificar de que não faz parte do grande número de chefes que são incompetentes, mas não sabem que são. Se nenhum desses é o seu caso, então apenas salve este post para uma consulta futura ou envie para um amigo. São grandes as chances de você precisar dele em algum momento da sua carreira.

Eu li um excelente artigo sobre na Harvard Business Review e resolvi traduzir para enviar a alguns amigos; achei que poderia ser útil também para os meus queridos leitores do blog e por isso estou compartilhando. Como o artigo é um pouco extenso e foi traduzido meio na pressa, preferi disponibilizá-lo para download em PDF. Assim você pode imprimir ou enviar para alguém com mais facilidade. Espero que ele lhe ajude nessa difícil missão.

Obs.: desculpem os possíveis erros de tradução e digitação, traduzi na correria.

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Paul e Peggy estão apresentando a sua ideia para o diretor de criação. Na verdade, a ideia é do Paul, que organiza o escritório para encenar melhor a sua ideia de um comercial de TV. Ao final, o diretor de criação faz alguns ajustes e Peggy complementa com outras sugestões que são prontamente aceitas por ele. Paul e Peggy saem da sala, Paul furioso reclama por ela sempre se meter nas suas ideias e que isso era sim uma competição para ele.

Essa é uma cena da série Mad Men e mostra bem o que acontece em algumas empresas. Profissionais que deveriam se aliar, se confrontam em busca da ideia perfeita — e de todo crédito. Vale ressaltar, que a série se passa na década de 60, e se isso algum dia foi tolerável, foi muito tempo atrás.

Quando o assunto é inovação e criatividade, não existe lógica. O todo geralmente resulta em algo muito maior que a soma das partes.  Steve Johnson tem uma teoria de que as melhores ideias nascem da união de pequenas ideias. Se você costuma fazer reuniões de brainstorming já deve ter passado por isso, você (acha que) tem uma boa ideia e alguém começa a dar sugestões que lhe fazem ver coisas que não tinha percebido. E, no final, você fica orgulhoso da sua ideia, mas sabe que sozinho ela não teria ficado tão boa.

Um dos TOP10 assuntos meus mais repetitivos é a falta de comunicação interna. As empresas esquecem que seus funcionários também são consumidores, também podem ser fontes de ideias e são uma base gratuita de pesquisa. Fóruns e blogs internos estão entre as minhas ferramentas preferidas de compartilhamento de ideias e feedbacks. Muito do que eu sei sobre informática, aprendi em fóruns quando era mais jovem. Infelizmente, eles caíram um pouco em desuso com a chegada das redes sociais. Mas ainda são uma das ferramentas mais interessantes disponíveis na web no que diz respeito à troca de conhecimento.

Estamos na era do coletivo.  Todo mundo tem acesso às mesmas  informações e, praticamente, às mesmas chances.  A diferença está nas cabeças que irão lidar com essas informações. Trabalhar sozinho só irá diminuir as chances de sucesso. Uma ideia não é nada sem ação, e como um mercado tão ágil assim, quem quer que trabalhe sozinho, dificilmente chegará a tempo. Parte do segredo é ter pessoas inteligentes e altamente capacitadas, mas elas também precisam ser capazes de se socializar, liderar e serem lideradas e, sobretudo, acreditar que resultados melhores são construídos quando construídos por várias pessoas. Veja ideias como filhos, você não os educa para você, mas para o mundo.

Particularmente, não gosto do termo “crítica construtiva”. Primeiro, porque a maioria das pessoas que criticam não o fazem de forma realmente construtiva. Segundo, porque se você trabalha com pessoas para uma empresa onde o sucesso depende do coletivo, deve estar preparado para receber críticas e dar críticas. Infelizmente, grande parte dos profissionais não estão preparados para nenhum nem outro.

É normal querer ser simpático e evitar ferir os sentimentos das pessoas. Dá para entender que alguém se sinta mal ao receber uma crítica. Mas isso não é aceitável e muito menos produtivo. Precisamos estar abertos às críticas, seja para dar ou receber. Não é fácil, mas precisamos implantar a cultura da crítica na nossa empresa e na nossa carreira. Como diz o consultor Peter Bregman:

Dar feedback às pessoas é um ato de confiança e segurança. Isso demonstra que você acredita na habilidade de mudar da pessoa, que ela irá usar a informação para se tornar melhor, e que você acredita em seu potencial.

A crítica é a melhor — em muitos casos a única–  maneira de enxergar os nossos pontos cegos,  aqueles defeitos que não sabíamos que tínhamos ou víamos de maneira distorcida da realidade. Todo mundo tem ponto cego. Estamos sempre tão focados em certas coisas (carreira, filhos, cursos, dificuldades) que acabamos descuidando de coisas aparentemente triviais. Ter alguém que lhe diga que você é muito fechado, ou não se veste de maneira adequada, ou que você fala demais nas reuniões; é valioso. O problema é que as pessoas só costumam falar isso em três situações: 1) Quando é seu chefe; 2) A situação está insustentável; 3) Quando é seu amigo. E, mesmo assim, chefes e amigos costumam adiar até ficar insustentável.

Mas nem sempre a situação é tão ruim assim. Aquele seu colega que envia “e-mails descontraídos” para o pessoal do escritório não vai ser demitido por isso. Aquela sua colega que só fala em festa não vai ser demitida por ser baladeira. Apenas pega mal, e talvez eles nem estejam cientes do impacto negativo disso porque nunca ninguém falou.

Mesmo quando o problema afeta à empresa e foge do contexto particular, as pessoas não gostam de criticar. Quantas e quantas vezes eu vi e ouvi histórias de pessoas que não abriam à boca em reuniões, mas criticavam ao colocar o pé para fora da sala. O pior é que essas críticas poderiam ajudar à empresa e à equipe a criar algo melhor, mas as pessoas não falam; seja por não se sentir confortável, por não querer ofender o trabalho do colega ou mesmo porque não vai com a cara dele. Existe uma coisa pior do que criticar: ver algo fracassar e não fazer nada.

Eu não sou a melhor pessoa do mundo para receber críticas, e tenho minhas dúvidas se alguém realmente se sente bem ao recebê-las, mas a diferença está na habilidade de lidar com elas. Eu sou uma pessoa muito crítica, não do tipo que sai apontando os defeitos dos outros, mas do tipo que tem sempre uma opinião sobre algum assunto. Às vezes eu espero as pessoas pedirem minha opinião, às vezes eu dou minha opinião sem ser solicitado, mas nunca dou minha opinião se não percebo o mínimo de abertura da outra parte. Porque ela provavelmente não irá receber bem. De qualquer forma, é algo que requer vigilância. Se é para o bem da empresa e o se o seu trabalho também está em jogo, faça!

Mas faça com jeitinho, e aqui vão algumas dicas de um especialista:

  1. Peça permissão. Antes de sair metralhando, pergunte “posso dar minha opinião?”. Isso irá preparar a pessoa para receber uma crítica ou elogio, e evitará ser pego de surpresa.
  2. Não rodeie. Ultrapassada a barreira de abrir a boca, seja claro e não floreie com elogios.  Concentre-se no problema, não na pessoa. Começar uma crítica citando os pontos positivos irá minimizar a importância da crítica.
  3. Faça com frequência: Não criticar nunca tem outro problema, quando se faz, a crítica parece mais negativa. O ideal é criar a cultura do feedback, em que as pessoas sintam-se livres para dar suas opiniões uns para os outros sem se ofender ou levar para o lado pessoal.

Em algum momento, crítica se tornou sinal de algo nocivo, assustador e pessoal. As pessoas até passaram a chamar de  “crítica construtiva” quando ela parece mais positiva. Fato é que toda crítica deve ser bem-vinda, pois em muitos casos é a única maneira de melhorar o nosso trabalho e as nossas atitudes.

O grande problema da crítica está em quem critica. Precisamos aprender a criticar. O modo e a intenção com que se faz deve ser nobre.  Gentileza e bom-senso são qualidades que se traz de casa. Sinceramente, não acredito que ninguém critique com a intenção de machucar, mas se existir alguém assim na sua empresa, aí o problema é outro: RH.

Moral da história: Deixe as pessoas fazerem o trabalho para qual elas são pagas. O trabalho da empresa é contratar os melhores e fornecer as condições necessárias para eles desempenharem o seu trabalho, não refazer ou contestar. Esse é um dos segredos das empresas de sucesso.

Um dos requisitos para marcar seu nome na história é criar obras atemporais. Lições que não se percam no tempo, sejam transmitidas de gerações a gerações e nunca fiquem velhas o bastante a ponto de não gerar mais interesse. A nossa história está cheia de Grandes Nomes,  nomes que se tornaram símbolos de uma sabedoria quase de outro plano. Alguns gênios (outros nem tanto) cujos trabalhos e o tempo os tornaram extraordinários, inspirando milhões de pessoas muitos séculos depois.

E se os grandes nomes da história, especialmente filósofos, fossem homens de negócios ou professores universitários, que lições eles teriam deixado para nós? Retirei algumas das suas frases mais interessantes e tentei aplicá-las no contexto da carreira profissional e das empresas. É um hábito meu que já faço há algum tempo, a vida pessoal e profissional andam juntas e acredito que a sabedoria, em essência, pouco mudou nos últimos 500 ou 1000 anos.


Eis uma conversa que todo pai deveria ter com o seu filho antes do primeiro emprego:  “Meu filho, você vai encontrar muita gente arrogante, pretensiosa e que acham que sabe mais do que você. Alguns deles saberão, mas isso não os tornam melhores do que você”.

Para se dar bem no mundo corporativo, é preciso ter bom-senso, se conhecer muito bem e saber lidar com todo tipo de gente. Esteja preparado para perder uma promoção para alguém menos talentoso do que você ou não conseguir o emprego menos sendo o mais qualificado. Não basta você ser o melhor, é preciso parecer o melhor. Seja humilde, confiante, dedicado e tenha princípios. Cada vez mais, as empresas buscam pessoas com valores além de um bom currículo.

Troque  governante por líder e governado por liderado e teremos uma lição de liderança de 2.300 anos. Ainda muito se discute se a habilidade de liderar é algo nato ou pode ser desenvolvida. A minha opinião é que ninguém nasce líder, e sim desenvolve uma série de habilidades — muitas delas emocionais –  ao longo da infância, adolescência e começo da vida adulta. Quando a pessoa entra em uma empresa ela já possui ou não esse conjunto de habilidades/características do bom líder. Pode ser desenvolvida depois? Sim, porém é difícil já que a sua personalidade está praticamente 100%  definida.

Eu acredito piamente que as pessoas  dão mais valor e são mais humildes quando começam de baixo. Essas pessoas costumam conhecer diferentes perspectivas (ao invés de apenas ler sobre elas), ter mais problemas (logo, aprendem a lidar melhor com eles) e a se esforçar mais.

O seu estilo de liderança virá do resultado de boas e más experiências que você teve na sua carreira e na sua vida. Ser escoteiro quando criança, ter que obedecer os mais velhos, começar uma arte-marcial como faixa-branca, ser estagiário antes de contratado … todas essas experiências como “governado” irão lhe tornar um líder melhor, quando chegar a hora.

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Ninguém está imune às tensões do trabalho: é inevitável ter algumas conversas incômodas com colegas ou clientes. Aqui estão três jeitos para conseguir um resultado positivo, não importando quão difíceis as coisas estejam:

  1. Seja civilizado. Não torne a conversa em um combate, onde existe um vencedor e um perdedor. Todos saem perdendo quando a discussão fica ácida.
  2. Não ensaie. Quando você sabe que as coisas não vão ser fáceis, é tentador praticar o que você irá dizer. Mas é uma conversa — não uma apresentação. Ao invés, saiba o seu lugar e esteja aberto o suficiente para ouvir e reagir.
  3. Evite assumir coisas. Você não tem acesso às intenções de ninguém exceto as suas próprias. Não assuma que você sabe o que a outra parte está pensando ou de onde ela vem. Ao invés, peça pela sua perspectiva.

[Extraído da newsletter "Management Tip of the Day", publicado pela Harvard Business Review]

Se você pudesse voltar no tempo cinco anos atrás e dar um conselho a você mesmo, mais jovem e inexperiente, qual conselho daria? Este é o conselho que eu gostaria de ter escutado quando estava na universidade: Trabalhe em uma empresa de referência nacional desde cedo.

“Como se fosse fácil” você pode estar pensando. Não é. Mas se você definir isso como objetivo de vida e se focar para conseguir, você vai conseguir. Esse é o objetivo mais importante da sua carreira (a menos que você esteja na área da saúde). Não é passar no vestibular nem ser graduado com honras. Isso é bom, mas a melhor coisa que você pode fazer para a sua carreira é colocar uma grande empresa no seu currículo. Pesquisas indicam que experiência profissional é a primeira coisa que os chefes olham na hora de contratar.

As duas melhores maneiras para um jovem de 20 e poucos anos conseguir entrar em uma grande empresa é através de programa de trainee ou estágio. Toda grande empresa têm programas estruturados para ambos, mas a gente sabe que a concorrência é assustadora. Os programais mais concorridos, como o da Unilever, chega a ter 48 mil candidatos e esse número não para de crescer (na minha época era 30.000). Para se ter uma ideia, o vestibular da Fuvest 2011 teve 139 mil inscritos. A diferença: Fuvest tem 10 mil vagas, a Unilever 200.

Isso significa que você tem que se preparar. Eu só comecei a participar de seleção para trainees quando me formei. Achava que era uma boa oportunidade, não a melhor de todas. Além disso, meu inglês não era fluente. Não cometa esses erros, se você tem um bom inglês, mas não é fluente, vá em frente. O próprio Max Gehringer já confirmou que, na maioria dos casos, o inglês fluente é apenas um grande filtro. Inscrevi-me em alguns, na maioria não passei da 1ª etapa por ir mal nos problemas de matemática. Ora, eu havia acabado de me formar em comunicação! Pensei em fazer aulas particulares, mas nessa época eu já estava formado há 1 ano, e a maioria dos programas de trainee são limitados aos graduados nos últimos 2 anos.

Em um dos dois únicos processos que consegui ir para as etapas finais (não havia problemas de matemática), conheci um cara que me contou um pouco da sua história com trainees. Ele era engenheiro, havia morado nos EUA (logo, matemática e inglês não eram problemas), mas o que mais me chamou atenção e algo que não esqueço até hoje foi quando ele me disse: “eu estou cansado de participar de dinâmicas, já participei de muitos e se eu não passar neste, acho que não vou tentar outro”. Nessa hora eu percebi que não tinha chances. Como um publicitário quase sem experiência em processos seletivos conseguiria superar ele? Tempos depois, descobri que ele havia sido um dos 30 trainees da Natura. Merecido!

A lição que eu extraí é mais importante para quem está começando do que para quem já está no mercado (e olha que eu não sou nada velho!): prepare-se para o que vai enfrentar! Assim como você deve saber física para entrar em uma boa faculdade de marketing, você precisa estudar o que as empresas querem, conhecer suas fraquezas e trabalhar nisso para aumentar as suas chances. Se o seu inglês não é lá so good, faça um intensivo; se você não é bom em matemática, contrate um professor; se você não fala bem em público, faça um curso,  socialize, leia livros e se esforce! Participe de quantos programas de trainee puder antes mesmo de se formar. Em outras palavras, coloque isso no topo das suas prioridades, ninguém vai pedir qual foi a nota da sua monografia durante uma entrevista.

Mesmo que o seu sonho não seja se tornar presidente de uma empresa, ou ocupar um cargo executivo, busque esse emprego com todas as suas forças. O aprendizado é enorme, você terá um plano de carreira, coaching e mentoring de graça e o seu currículo vai brilhar no escuro.

Este é o conselho que gostaria de recebido quando tinha 21 anos e como, por mais dedicado que você seja, jamais conseguirá voltar no tempo, compartilho com vocês que ainda não se graduaram. Para aqueles, que como eu, já se formaram há algum tempo, saibam que persistência é um dos principais ingredientes do sucesso, e não se deixe abalar. Costumo dizer que trainee é um atalho que lhe leva mais rápido e fácil ao sucesso, mas você sempre poderá pegar o caminho principal e, com paciência, também chegará lá.

Moral da história: na verdade, esta tira não tem uma moral. É apenas muito engraçada. Mas ela é engraçada por que acontece ou ela é engraçada por que é exagerada? Fica a questão.

De tudo que se ouviu no Brasil sobre a Crise que atingiu os Estados Unidos em 2007/2008, nada chegou perto da realidade. É o que mostra o excelente filme “The Company Men”. A crise que dizem os especialistas ter começado no ramo imobiliário (muito forte nos EUA) pela grande facilidade com que se concedia crédito; atingiu todo o país, afetou todos os setores da economia e elevou a taxa de desemprego para um nível maior que a de países subdesenvolvidos.

Você pode ser o jovem mais talentoso da empresa, o mais antigo executivo ou amigo pessoal do presidente; isso não lhe garante segurança.

Eu comecei a blogar em 2008 e lembro da quantidade de artigos que via sobre carreira, desemprego, networking, recomeço e coisas do tipo. Em uma grande crise como essa, ninguém está seguro. Até presidentes e CEOs podem cair se não souberem satisfazer os acionistas. Para evitar que isso aconteça, muitos vestem a camisa dos acionistas e jogam contra seus funcionários, preferindo diminuir custos de pessoal do que de novos empreendimentos ou algumas operações. Isso culminou em uma grande revolta do povo americano, quando os ganhos anuais de vários executivos foram divulgados; mostrando valores maiores do que antes. Ou seja, alguns ganhavam fortunas enquanto muitos estavam vendendo tudo que tinham. Mas como o filme faz questão de enfatizar um pensamento comum de alguns homens de negócios: “são negócios, não caridade”.

Milhares de pessoas eram demitidas das empresas de uma vez só, sem um critério definido e, às vezes, até sem o conhecimento do seu superior direto. Como o volume de pessoas era muito grande, as empresas criavam “departamentos” onde os ex-funcionários poderiam trabalhar em busca de uma nova colocação profissional, incluindo cursos e salário por um tempo determinado. O problema é que a maioria não conseguia um novo emprego nesse. Quem não era altamente qualificado tinha poucas chances e  os  que tinham ótimos currículo precisavam se submeter a salários bem menores — o que sua falta de humildade não permitia. Um diálogo do filme que ilustra bem a arrogância desses profissionais, entre o protagonista Ben Affleck e sua esposa:

— Preciso parecer bem-sucedido. Não posso parecer como qualquer idiota com currículo.

— Você é um idiota com currículo!

A lição

Ser demitido é capaz de levar a auto-estima ao nível mais baixo possível.  Quando é de uma empresa na qual você  dedicou 10 anos da sua vida, é difícil se reerguer, principalmente se você é um alto executivo. Mesmo sem emprego, esses profissionais insistem em viver uma vida que não é mais real, por isso escondem da família (o quanto podem), dos amigos e vizinhos, continuam frequentando os mesmos lugares, consumindo os mesmos produtos e sem cortar gastos domésticos.

Términos geram medo porque marcam o início de uma nova etapa. E mudanças geram medo. Nem tudo é sobre dinheiro, o recomeço é algo realmente assustador. Mas ele faz parte da vida. Querendo ou não, você será forçado a mudar várias vezes durante a sua vida adulta. Esse número aumenta consideravelmente se você está no mundo dos negócios. 4 anos atrás eu não tinha um blog, era recém-formado, morava em outro estado na casa dos pais e ainda era um garotão.  Mudar para mim significa evoluir, se o ano acaba sem pelo menos duas pequenas mudanças, sinto que não me esforcei o suficiente.

Economistas acreditam que crises tornam os consumidores melhores, fortalecem marcas e que são o melhor momento para inovar (embora não pareça). Nunca li nada sobre como crises podem melhorar a carreira, mas uma vez que é preciso um esforço colossal para se manter no mercado, isso é algo evidente. Acontece que em uma forte crise, um bom currículo, networking e auto-confiança não são suficientes, é preciso ter também muita humildade, insistência e fé. Mas acima de tudo existe uma coisa ainda mais valiosa: coragem para recomeçar.

Com o estresse afetando 70% dos profissionais brasileiros e tendo correlação com as 6 principais causas de morte segundo a American Psychological Association, é um assunto que todos nós devemos incluir entre os tópicos de interesse porque afeta diretamente o seu desempenho profissional, sua saúde e vida social. Mas será que estresse é tão ruim assim?

A resposta é: sim. Contudo, já que ele está presente em quase todo ambiente de trabalho — em maior ou  menor escala — vamos tentar tirar algum proveito, e isso é possível.

Faz mais ou menos uns 3 anos desde que eu senti que havia alguma coisa de bom no estresse. Quando você trabalha em uma agência de propaganda e esta com o deadline apertado, a tensão é alta; todos esperam que você entregue algo incrível em tempo recorde. Depois, se considerando o maior publicitário da cidade e quiçá do mundo,  a criação volta ao criador com algumas “recomendações” mais ou menos assim: “o cliente não gostou”. Percebi que algumas vezes as ideias vinham mais rápidas conforme o prazo se aproximava ou dependendo do nível de exigência do cliente. Não era comum, mais acontecia.

Essa impressão continuou quando eu deixei de trabalhar em agências. Quanto mais trabalho eu tinha, mais produtivo eu me tornava. Desta vez, sem o excesso de retrabalho, o estresse parecia atuar mais ao meu favor. Ficou claro que dependendo de qual seja o nível de estresse (nada insuportável) ele pode dar um gás no desempenho profissional.

Eu não queria acreditar, sempre tive trabalhos estressantes e chefes do século retrasado que me tornei grande defensor da qualidade de vida no trabalho como catalisador de desempenho. Então, conheci o trabalho de 2 professores americanos — um de Harvard e outra de Yale (obs: as duas universidades são rivais). Eles queriam averiguar se estresse era uma questão de mentalidade, ou seja, se você ver o estresse como algo que pode ser positivo, irá colher frutos?

Analisando 380 gerentes, divididos em 2 grupos, onde metade assistiu um video de 3 minutos mostrando os problemas do estresse enquanto a outra metade assistiu um video mostrando os benefícios do estresse.

Benefícios do estresse: aumento de produtividade, melhora a memória, acelera a recuperação física depois de uma cirurgia,  torna as pessoas menos influenciáveis, facilita enxergar novas perspectivas, a se tornar bom em algo, aprofunda relacionamentos, faz as pessoas darem mais valor à vida, aumenta o senso de propósito e fortalece o que é prioridade.

O resultado foi que os gerentes que viram o video do estresse como algo que pode melhorar o desempenho,  passaram a usar o próprio estresse a seu favor, diminuindo o lado negativo,  e começaram a se sentir mais produtivos e dispostos. Também se queixaram menos de sintomas relacionados ao mal, como dores de cabeça, dores nas costas e cansaço. Em uma escala de produtividade que vai do 1 ao 4, esses profissionais subiram de 1.9 para 2.6. Satisfação com a vida também teve um aumento significativo.

Após os bons resultados, os professores Shawn Achor e Alia Crum criaram um programa com 200 profissionais cujo objetivo era mudar a maneira como eles viam o estresse e redireciona-lo para algo positivo. O processo teve um grande impacto na vida desses profissionais, melhorando sua saúde e a eficiência no trabalho — as duas coisas mais afetadas.

Repensando o estresse

  1. Ter consciência do estresse.
  2. Determinar as causas do estresse e o sentido por trás.
  3. Redirecionar o impacto do estresse para aumentar a produtividade por trás do sentido.

Uma coisa é certa: reclamar não ajuda em nada. Ao se deparar com o estresse, você pode lutar (bater de frente) ou fugir.  Porém, pesquisas sugerem uma terceira opção. Acho que parte disso é culpa dos livros, da mídia e da sociedade que estigmatizaram o estresse como o mal do século. Quanto mais livros, matérias e pesquisas como essas se espalharem, melhor vamos aprender a lidar com algo que já faz parte do no dia-a-dia e está presente em quase toda empresa do mundo.

[Baseado no artigo "Make Stress Work for You"]