Pouco mais de duas semanas de férias e o resultado são mais de 2.400 feeds para ler e uma grande questão para responder: O que publicar no primeiro post do ano? Sem uma grande ideia, aos poucos comecei a ler os feeds (não todos inteiros, óbvio) e a fazer algumas anotações. O resultado dessas anotações –somadas a alguns insights meus que tive ao longo dos últimos meses– se tornou este post, com algumas das principais informações, tendências, novidades e mudanças que deve marcar o mercado brasileiro em 2011.
Nem tudo que você precisa saber para ser bem-sucedido este ano está aqui, mas é um bom começo. Empresas precisarão ficar atentas (e você como profissional também) a essas mudanças que já estão ocorrendo há algum tempo se quiserem chegar a 2012 tão otimistas como agora.
Brasileiros com dinheiro no bolso.
Quase todos os meses de 2010 eu lia a seguinte notícia no InfoMoney: “inadimplência diminui e bate record”. O brasileiro tem conseguido quitar suas dívidas em função do cenário econômico brasileiro extremamente positivo . Com baixo desemprego, menos burocracia para abrir empresas e dólar barato, o brasileiro pode fazer hoje o que nunca pode. Viajar de avião, comprar carro 0km, utilizar produtos importados e até fazer cruzeiros. Com o brasileiro cheio da grana, tudo que as empresas precisam fazer é investir neles.
O ano do empreendedorismo
Com o brasileiro cheio da grana e nome limpo na praça, enfim o sonho de ter o próprio negócio fica mais próximo. Não só o Brasil registrou o ano com menor taxa de inadimplência desde 2005, como o BNDES liberou quase o dobro de crédito em comparação ao ano anterior. R$ 41 bilhões só para as MPMEs (Micro Pequenas e Médias empresas).
A gente sabe que o mercado é movido pela concorrência, isso é bom para a indústria, é bom para o país e melhor ainda para o consumidor. O problema disso é que empresas preguiçosas não terão vez em um mercado mais competitivo. Será preciso um esforço ainda maior por parte das empresas para conquistarem novos clientes e reterem os seus atuais.
Sites de compra coletiva: futuro incerto
Essa é a conclusão do MIT Entrepreneurship Center e da Sloan School of Management que todos os anos viajam para o Vale do Silício em busca de quais serão as novas tendências do novo ano. Segundo os especialistas das duas instituições, assim como ninguém previu seu enorme fenômeno em 2010, ninguém deve prever aonde isso vai parar. E olha que eles estavam se referindo ao Groupon, a empresa pioneira, imagine as outras “eu-tambem” por aí.
Só no Brasil, surgiram mais de 400 em 2010, segundo o site Dsconto. Uma coisa é quase certa: boa parte desses sites não chegarão a 2012. A chave da sobrevivência é a segmentação. Sites que conseguirem se vincular a cidades terão grandes chances de se dar bem em 2011. Para os anunciantes, muito cuidado para não sacrificar o lucro na esperança de obter grande exposição. Tudo deve ser avaliado, mensurado e ser coerente com o objetivo que a empresa deseja alcançar.
Propaganda melhor e mais barata
Nos últimos anos, o meio televisão vem perdendo espaço nas grandes verbas publicitárias. São tantas opções que é contraintuitivo investir apenas em Rádio e TV. Tendência forte na Inglaterra e Estados Unidos nos anos anteriores, 2011 deve ser o ano em que mais isso será sentido. O Brasil tem hoje mais de 9 milhões de assinantes de TV paga (sem contar os que não pagam, mas assistem). 25% mais do que em 2009. Isso significa que tv fechada não é mais privilégio da elite, tornando-se um veículo mais eficiente e barato. Além disso, os holofotes estão voltados para redes sociais, buzz, boca a boca, ambient marketing e outras modalidades baratas e de alto retorno.
Internet mais importante do que nunca
Ainda tem muito empresário achando que internet nos negócios se resume a ter um site e enviar alguns emails. Empresas assim vão precisar abrir os olhos em 2011 ou estarão em sérios apuros. Na melhor das hipóteses: elas perderão grandes oportunidades. Mas qual empresa consegue perder grandes oportunidades e não ficar em apuros?
Um dado assustador: 11% dos celulares no Brasil terminaram o ano conectados na internet. Pra mim, isso é algo impressionante! Outro dado relevante: banda larga cresceu 71% em 2010. Em grande parte, por causa da cobertura 3G, mas também porque os brasileiros puderam assinar a internet por um preço mais em conta e adquirir computadores com uma facilidade ainda maior que os anos anteriores. Mesmo com a internet já fazendo da parte da vida do brasileiro médio, o Governo anunciou a criação da Secretaria de Inclusão Digital. Logo, nenhuma empresa conseguira falar com seus consumidores se não estiver usando a internet.
O futuro é o celular
Já no natal de 2010, 1/3 dos britânicos compraram algo via celular. Tá certo que os caras são apressadinhos, mas logo vai chegar o dia em que isso acontecerá no Brasil.
Eu já disse que 11% dos celulares no Brasil estão conectados na internet? Bem, isso foi em 2010. Economia é algo interessante, você começa barateando os smartphones, então aumenta a demanda por internet móvel, e como o brasileiro tem emprego e crédito, logo ele está conectado 24h por dia. Brasileiro é louco por celular, louco por internet, a combinação disso é uma oportunidade fantástica para as empresas falarem com esses consumidores!
Mobile marketing, apps (eleita a palavra do ano de 2010), QR code e outros termos relacionados estarão cada vez mais presentes nas estratégias de marketing de empresas e agências que quiserem atingir em cheio o seu público.
Tablet, você vai ter o seu
Faz uns 2 anos que os principais sites vem criando conteúdo exclusivo para celular. Este ano, isso começará a acontecer com os tablets (na verdade, já começou) – gadgets do tamanho de um papel, touchscreen e que todo mundo sonha em ter um. 15,7 milhões de tablets vendidos em 2010 mesmo com pouco players no mercado. RIM, Dell e praticamente toda empresa de eletrônicos devem lançar o seu em 2011. A estimativa é que esse mercado cresça 418% em 2 anos e até 2015 um em cada três americanos tenha o seu. Assim com no celular, isso cria um mar de oportunidades em vários segmentos.
Apple ficará ainda mais falada
Desculpa aos fãs da marca, mas tem horas que não aguento ouvir falar de iPhone, iPad e Steve Jobs. No entanto, dá pra entender a mania. As duas tendências acima (que deverão bombar em 2011) foram originadas direta ou indiretamente pelos produtos Apple e quem as idealizou? Steve Jobs. Não é de se estranhar que o cara seja citado em quase toda palestra ou artigo sobre inovação. É melhor você se acostumar. (Eu to tentando.)
O que ainda não será a bola da vez.
Estes são palpites meus. Mas eu acredito fortemente que 2011 não será o ano dos e-books, das supertevês (3D e conectadas na internet) e compras via celular.
O primeiro porque nenhuma grande livraria brasileira lançou um reader próprio (algo que aconteceu com Amazon e Barnes & Nobles que começaram a vender mais livros digitais do que físicos depois de lançarem seus dispositivos). O segundo, porque essas TVs ainda são muito caras e o Brasil ainda não dispõe de empresas que ofereçam este serviço. O terceiro, compras virtuais sempre foram um tabu pro brasileiro, por natureza eles não são ousados, tampouco early adopters. Visa e MasterCard têm tentado jeito de tornar o celular uma máquina de cartão portátil. Nenhuma com grande sucesso por enquanto.
Mas logo 2012 chega para mudar tudo de novo…