Você está em ‘tendências’

Se pudéssemos dar um “apelido”  à Geração Y (também chamada de geração do milênio), poderíamos chamar de a Geração Social. Nenhuma outra geração da história teve tantos amigos, interage e é tão influenciada pelos amigos como a galera de 18 a 34 anos (1977-1993). Essas pessoas adoram o convívio social, mesmo que boa parte dele agora seja feita de forma virtual.

Um relatório recente divulgado nos Estados Unidos revelou um pouco mais sobre os hábitos desse público que, aqui no Brasil, corresponde a cerca de 58 milhões de de pessoas. Uma coisa em especial saltou à minha mente quando o vi: a geração do milênio é a geração mais social que já existiu! De um modo geral, gostamos de fazer compras com alguém — amigos, namorada, pais — uma vez que comprar se tornou uma atividade muito mais social e prazerosa do que antigamente. Na verdade, precisamos da ajuda das pessoas para tomar quase qualquer decisão — 68% das pessoas consultam sua rede de influência antes de tomar uma decisão relevante. Experimente ir a um restaurante novo sem pedir a opinião de alguém.

Estamos sempre lendo o que os nossos amigos dizem e fazem, e muitas vezes é sobre marcas.  Todas as gerações usam redes sociais, o que difere é como elas usam. A Geração Y tem mais amigos, adere rapidamente às novas tecnologias e posta conteúdo com mais frequência; em outras palavras, ela é mais social. E ser mais social significa que ela ouve mais, fala mais e valoriza a opinião dos outros tanto quanto a sua. Esse é o principal motivo pelo qual as mídias sociais estão revolucionando os negócios. Entregue algo realmente bom e eles falarão para todos seus amigos. Decepcione um cliente e ele espalhará para toda cidade.

Algumas outras características apontadas pelo estudo:

  • Adoram recompensas e programas de fidelidade
  • Compram mais em lojas de conveniência
  • Preferem marcas com boa presença na internet e mobile
  • São fãs de lojas especializadas em comidas (como empórios)
  • Gostam de experimentar coisas diferentes como comidas exóticas e cardápios bem montados
  • Valorizam lugares amigáveis para crianças

Social é a palavra da vez não por fenômenos como Facebook, Google ou Twitter, mas porque a nova geração cresceu com o dinamismo da informática, tendo acesso a muito mais informações e atividades do que seus pais e avós tiveram, e por viver em um mundo mais livre com diversas culturas e hábitos. O boca a boca sempre foi importante, mas nunca teve tanto impacto (e alcance) como hoje. Da mesma forma, as pessoas estão valorizando e requisitando mais as opiniões dos outros.  Essa turma adora experimentar coisas novas e fará isso com amigos, postando fotos, videos e suas opiniões pessoais sobre tudo. Inclusive a sua empresa.

O futuro está na nuvem

13 de junho de 2011 • TEMAS: Digital / Negócios / / /

A primeira vez que eu ouvi falar em computação em nuvem foi quando me indicaram o livro do Marc Benioff, fundador da Salesforce.com, mas foi o título que atraiu a minha atenção: “de uma ideia a uma empresa de 1 bilhão de dólares”. Apesar do livro não ser tão bom quanto eu esperava (Benioff tinha grande capital e era amigo pessoal do todo poderoso Larry Elisson da Oracle),  serviu para me fazer entender a importância disso para os negócios do futuro.

De forma bem direta, computação em nuvem é qualquer aplicação que está em um servidor da web em vez de na rede da sua empresa ou no disco rígido do seu computador. O exemplo mais claro é o Google Docs ou o próprio Gmail. Dez anos atrás, você precisava de um software como o Outlook  ou Eudora se quisesse enviar e receber e-mails. Hoje, você nem precisa de um computador.

A nuvem já existe há anos, mas sempre foi mais limitada ao B2B. Em 2011, apostas audaciosas de mega corporações — como Google e seu Chromebook, Amazon e seu CloudDrive e Apple e seu iCloud–  deram início a uma nova era para computação em nuvem, aliás para toda a computação. Quem não sabia o que era era, agora vai precisar saber ou ficará nas nuvens (entenderam a piada?). A nuvem vai mudar a forma como eu e você usamos a informática e armazenamos arquivo. Na verdade, já mudou.

Recentemente, procurei um programa para criar mapas mentais. Após a busca, encontrei dois que me agradaram: um software que custava £300 e o outro de graça na web. Optei pela web, embora bem simples, é bem feito e me permite alterar no trabalho ou em casa . Esse é um exemplo simples de como a computação em nuvem está mudando o jogo. As pessoas não mais precisam salvar os arquivos e carregá-los em um pen-drive, basta criá-los e eles estarão em todo lugar. Nas nuvens!

A aposta da Apple

Steve Jobs saiu de sua licença médica para falar sobre o mais novo empreendimento da companhia, o iCloud. Isso mostra que a Apple está levando realmente a sério esse negócio de computação em nuvem. Na visão de Jobs, a longo prazo essa tecnologia pode levar a empresa a superar, pela primeira vez, a hegemonia do PC criado por Bill Gates. “Nós vamos rebaixar o PC e Mac… vamos mudar para o eixo digital, o centro da sua vida digital, dentro da nuvem”, disse na conferência realizada em São Francisco

No caso da Apple e seu iCloud, as coisas serão ainda mais fáceis. Uma foto tirada com o iPhone vai parar diretamente na nuvem. As músicas do iPod poderão ser ouvidas em qualquer outro dispositivo online do mundo. Da mesmo forma que os filmes que você comprou ou os documentos que criou. Dentro de alguns anos, talvez sua vida não esteja mais no seu computador, mas em todo o lugar. Esse é o plano da Apple.

A aposta do Google

Além de Steve Jobs,  Eric Schmidt e Larry Page também querem mudar o mundo (de novo!) com o seu audacioso Chromebook. Mas de um jeito diferente, apostando na velocidade e produtividade.

Parecido com um netbook, mas sem sistema operacional (ao menos no conceito original); com tecnologia 3G, o aparelho inicia em apenas 8 segundos, a bateria dura 8 horas e tudo que você fizer nele, poderá ser acessado depois pelo seu celular ou qualquer outro computador. A princípio, achei algo surreal. Como um computador sem sistema operacional que precisa de internet pode dar certo? Com o 3G cada vez mais acessível, pontos de Wi-Fi gratuitos cada vez mais comuns e a computação em nuvem dominando boa parte dos programas que utilizamos… não é tão difícil ver que isso pode dar certo. Estou curioso!

Qual a importância disso para o meu negócio?

A nuvem já mudou a vida das pessoas sem elas saberem. Empresas como a Salesforce estão faturando milhões sem a maioria dos profissionais nem mesmo saber que algo assim existia.  Agora ela deve impactar os negócios, principalmente o mercado de música, filmes e softwares. De um modo geral, o principal atrativo da computação em nuvem para empresas é a economia, uma vez que é possível trocar certos programas (e suas caras licenças) por aplicações web geralmente gratuitas ou mais baratas que as convencionais. Além disso, não há necessidade de atualização de software ou mesmo de computadores. Isso sustenta outra tendência: a de que as pessoas passarão cada vez mais tempo conectadas.

Computação em nuvem já é uma realidade, mas também é uma forte tendência. Ninguém sabe se a iCloud irá deslanchar ou se o Chromebook vai vender bem. São apenas grandes apostas que, se derem certo, devem sacudir mais uma vez o mercado, mudando as regras do jogo mais uma vez.

O meio rádio em 2020

13 de abril de 2011 • TEMAS: Digital / Filosofando / / /

Quando o rádio foi transmitido pela primeira vez no Brasil, em 1922, David Ogilvy tinha 11 anos, Bill Bernbach também e Leo Burnett 20. O rádio não é a mídia mais antiga, tampouco ultrapassada, mas assim como o jornal ganhou cor, a televisão entrou em praticamente todos os lares do mundo e outdoors  passaram a se mexer, o rádio mudou. Não é mais aquela caixa preta onde se ouvia alguém falando sozinho e a mais prática maneira de escutar música.

Hoje, se você tem um iPod Classic é possível ter na palma da mão acervo suficiente para não repetir nenhuma música durante 110 dias sem parar. É possível escutar qualquer rádio do mundo no computador ou mesmo no celular, escutar música pelo videogame, TV via satélite ou DVD. Essas são apenas algumas das opções que as pessoas têm à disposição para não ouvir rádio.

De uma maneira geral, as pessoas escutam rádio por outros motivos, não pela música ou para se manter informado. Além disso, vivemos na era onde o poder está nas mãos do consumidor, o que significa que para a emissora ganhar um ouvinte, tem que ser quando ele quer, como ele quer e da maneira que ele quer. A emissora tem que envolver o ouvinte, oferecer coisas que outros meios não ofereçam e estar mais sintonizada nos seus ouvintes do que eles estão no rádio. Eles têm zilhares de opções, o rádio só tem uma.

Sou apaixonado por música e, consequentemente, já ouvi (e ainda ouço) bastante rádio. Além do mais, trabalho para duas emissoras no sul do Brasil. Do ponto de vista do marketing, da comunicação e de um amante de música, listei alguns pontos que considero cruciais para emissoras que quiserem sobreviver a esta década.

Rádio em cores
Quando eu trabalhava na rádio Cultura, tínhamos um programa aos sábados à tarde em que bandas faziam 1 hora de show ao vivo sem parar. Não apenas bandas locais se apresentavam, mas artistas nacionais que estavam pela cidade. Essa é uma das melhores coisas que se pode fazer. Na época, o YouTube não existir e “redes sociais” estavam longe de serem vistas como ferramentas de comunicação. Então, os shows não eram postados na internet, o que é algo muito poderoso hoje. Quantas pessoas usam o YouTube para ouvir música? Quais as chances que elas têm de encontrar um video ao vivo de boa qualidade da banda que ela gosta? Poucas. No entanto, várias rádios no mundo todo já estão fazendo isso (KEXP, 94/9 San Diego, BBC). No Brasil, a a Oi FM tem um canal exclusivo para bandas novas, a Oi Novo Som.

Espalhar câmeras pelo estúdio para que o ouvinte também veja — em vez de apenas ouvir — é uma forma de aproximar o público e uma boa ferramenta de interação. Para mim, essa é uma das maiores armas que o rádio tem à sua disposição hoje.

Rádio na internet
Isso era uma tendência 10 anos atrás. Hoje, é uma necessidade. Sabe-se que o hábito de ouvir rádio é algo pessoal e diferente de outras mídias eletrônicas. As pessoas costumam ouvir como pano de fundo, enquanto fazem algo. E o que as pessoas mais fazem hoje? Usam o computador. As possibilidades que a rádio online traz são inúmeras: espaço publicitário no player, maior interatividade com o ouvinte, praticidade (é mais fácil a pessoa ter um PC do que um rádio por perto), abrangência mundial, facilidade em medir audiência, maior argumento de vendas da mídia tradicional, dentre outras.

Rádio no celular
Embora muitos celulares ofereçam a função de rádio FM e, recentemente, o iPod tenha se entregado ao recurso; ouvir rádio pelo celular via apps traz uma nova gama de possibilidades. Esta sim é uma forte tendência desta década.

Se antes era possível escutar qualquer rádio do mundo, agora é possível escutar qualquer rádio do mundo em qualquer lugar e a qualquer hora. Ainda é cedo pra dizer, mas com a popularização do 3G (e a chegada do 4G), realmente acredito que as pessoas voltarão a ouvir mais rádio nos próximos anos, mas qual será vai depender das emissoras conseguirem manter relevância.

Maior presença no dia-a-dia e na comunidade
Um das principais vantagens competitivas do rádio é que ela é a mídia mais próxima do espectador. Em nenhum outro canal, as pessoas participam tanto, sugerem, falam e escutam informações sobre onde vivem. E essa vantagem deve ser exaustivamente explorada. A força do rádio vem do seu regionalismo e forte apelo local. Na propaganda, é uma ferramenta tática e ágil. É preciso ter isso em mente.

Eventos realizados pela rádio também aproximam muito o público da rádio, e tem se provado uma ótima maneira para empresas fortalecerem suas marcas.

Menos propaganda
Eu sei o quanto isso é difícil, mas sei o quanto isso é necessário. As pessoas ouvem rádio porque querem ouvir música (ou se manter informadas), mas elas não precisam escutar a rádio para isso. iPods, celulares, mp3 players e sites de músicas estão acessíveis a todos. Ainda tem muita gente que gosta de ouvir rádio, só é preciso convence-los de que ele mudou.

Assim como as plataformas estão mudando, o faturamento também está. Ter programas “com 1 hora só de música” é bacana, mas não é suficiente. É preciso diminuir os breaks comerciais para uma freqüência tolerável. É verdade que isso pode afetar o faturamento da rádio, mas esse é o preço pago para se manter relevante para o ouvinte. Algumas soluções para diminuir os breaks sem perder dinheiro, é estimular merchandising dentro dos programas, criar programas especiais patrocinados e unificar metas online e tradicional (perde-se receita no rádio e ganha na internet).

Segmentação
Sou fã assumido da Energia FM de São Paulo. Não apenas porque aprecio música eletrônica, mas porque eles conseguiram criar uma das rádios mais bem-sucedidas do Brasil focando em um nicho de mercado, como a Kiss FM no Rock e a CBN em notícias.

Nos últimos anos, especialistas de marketing chegaram a uma conclusão: a segmentação demográfica não funciona mais como antigamente, é preciso definir seu público-alvo com base em estilo de vida, gostos ou, como social marketers costumam chamar, “tribos”. As rádios que mais crescerão nos próximos anos serão as que melhor conseguirem se encaixar dentro dessas tribos.

Em 2020: Emissoras com marcas fortes parecerão menos como o rádio e estarão em todos os lugares, com fortíssimo apelo local, canal aberto de comunicação com seus ouvintes e alimentando uma imagem forte e autêntica.

Pouco mais de duas semanas de férias e o resultado são mais de 2.400 feeds para ler e uma grande questão para responder: O que publicar no primeiro post do ano? Sem uma grande ideia, aos poucos comecei a ler os feeds (não todos inteiros, óbvio) e a fazer algumas anotações. O resultado dessas anotações –somadas a alguns insights meus que tive ao longo dos últimos meses–  se tornou este post, com algumas das principais informações, tendências, novidades e mudanças que deve marcar o mercado brasileiro em 2011.

Nem tudo que você precisa saber para ser bem-sucedido este ano está aqui, mas é um bom começo. Empresas precisarão ficar atentas (e você como profissional também) a essas mudanças que já estão ocorrendo há algum tempo se quiserem chegar a 2012 tão otimistas como agora.

Brasileiros com dinheiro no bolso.

Quase todos os meses de 2010 eu lia a seguinte notícia no InfoMoney: “inadimplência diminui e bate record”. O brasileiro tem conseguido quitar suas dívidas em função do cenário econômico brasileiro extremamente positivo . Com baixo desemprego, menos burocracia para abrir empresas e dólar barato, o brasileiro pode fazer hoje o que nunca pode. Viajar de avião, comprar carro 0km, utilizar produtos importados e até fazer cruzeiros. Com o brasileiro cheio da grana, tudo que as empresas precisam fazer é investir neles.

O ano do empreendedorismo

Com o brasileiro cheio da grana e nome limpo na praça, enfim o sonho de ter o próprio negócio fica mais próximo. Não só o Brasil registrou o ano com menor taxa de inadimplência desde 2005, como o BNDES liberou quase o dobro de crédito em comparação ao ano anterior. R$ 41 bilhões só para as MPMEs (Micro Pequenas e Médias empresas).

A gente sabe que o mercado é movido pela concorrência, isso é bom para a indústria, é bom para o país e melhor ainda para o consumidor. O problema disso é que empresas preguiçosas não terão vez em um mercado mais competitivo. Será preciso um esforço ainda maior por parte das empresas para conquistarem novos clientes e reterem os seus atuais.

Sites de compra coletiva: futuro incerto

Essa é a conclusão do MIT Entrepreneurship Center e da Sloan School of Management que todos os anos viajam para o Vale do Silício em busca de quais serão as novas tendências do novo ano. Segundo os especialistas das duas instituições, assim como ninguém previu seu enorme fenômeno em 2010, ninguém deve prever aonde isso vai parar. E olha que eles estavam se referindo ao Groupon, a empresa pioneira, imagine as outras “eu-tambem” por aí.

Só no Brasil, surgiram mais de 400 em 2010, segundo o site Dsconto. Uma coisa é quase certa: boa parte desses sites não chegarão a 2012. A chave da sobrevivência é a segmentação. Sites que conseguirem se vincular a cidades terão grandes chances de se dar bem em 2011. Para os anunciantes, muito cuidado para não sacrificar o lucro na esperança de obter grande exposição. Tudo deve ser avaliado, mensurado e ser coerente com o objetivo que a empresa deseja alcançar.

Propaganda melhor e mais barata

Nos últimos anos, o meio televisão vem perdendo espaço nas grandes verbas publicitárias. São tantas opções que é contraintuitivo investir apenas em Rádio e TV. Tendência forte na Inglaterra e Estados Unidos nos anos anteriores, 2011 deve ser o ano em que mais isso será sentido.  O Brasil tem hoje mais de 9 milhões de assinantes de TV paga (sem contar os que não pagam, mas assistem). 25% mais do que em 2009. Isso significa que tv fechada não é mais privilégio da elite, tornando-se um veículo mais eficiente e barato. Além disso, os holofotes estão voltados para redes sociais, buzz, boca a boca, ambient marketing e outras modalidades baratas e de alto retorno.

Internet mais importante do que nunca

Ainda tem muito empresário achando que internet nos negócios se resume a ter um site e enviar alguns emails. Empresas assim vão precisar abrir os olhos em 2011 ou estarão em sérios apuros. Na melhor das hipóteses: elas perderão grandes oportunidades. Mas qual empresa consegue perder grandes oportunidades e não ficar em apuros?

Um dado assustador: 11% dos celulares no Brasil terminaram o ano conectados na internet. Pra mim, isso é algo impressionante! Outro dado relevante: banda larga cresceu 71% em 2010. Em grande parte, por causa da cobertura 3G, mas também porque os brasileiros puderam assinar a internet por um preço mais em conta e adquirir computadores com uma facilidade ainda maior que os anos anteriores. Mesmo com a internet já fazendo da parte da vida do brasileiro médio, o Governo anunciou a criação da Secretaria de Inclusão Digital. Logo, nenhuma empresa conseguira falar com seus consumidores se não estiver usando a internet.

O futuro é o celular

Já no natal de 2010, 1/3 dos britânicos compraram algo via celular. Tá certo que os caras são apressadinhos, mas logo vai chegar o dia em que isso acontecerá no Brasil.

Eu já disse que 11% dos celulares no Brasil estão conectados na internet? Bem, isso foi em 2010. Economia é algo interessante, você começa barateando os smartphones, então aumenta a demanda por internet móvel, e como o brasileiro tem emprego e crédito, logo ele está conectado 24h por dia.  Brasileiro é louco por celular, louco por internet, a combinação disso é uma oportunidade fantástica para as empresas falarem com esses consumidores!

Mobile marketing, apps (eleita a palavra do ano de 2010), QR code e outros termos relacionados estarão cada vez mais presentes nas estratégias de marketing de empresas e agências que quiserem atingir em cheio o seu público.

Tablet, você vai ter o seu

Faz uns 2 anos que os principais sites vem criando conteúdo exclusivo para celular. Este ano, isso começará a acontecer com os tablets (na verdade, já começou) –  gadgets do tamanho de um papel, touchscreen e que todo mundo sonha em ter um.  15,7 milhões de tablets vendidos em 2010 mesmo com pouco players no mercado. RIM, Dell e praticamente toda empresa de eletrônicos devem lançar o seu em 2011. A estimativa é que esse mercado cresça 418% em 2 anos e até 2015 um em cada três americanos tenha o seu. Assim com no celular, isso cria um mar de oportunidades em vários segmentos.

Apple ficará ainda mais falada

Desculpa aos fãs da marca, mas tem horas que não aguento ouvir falar de iPhone, iPad e Steve Jobs. No entanto, dá pra entender a mania. As duas tendências acima (que deverão bombar em 2011) foram originadas direta ou indiretamente pelos produtos Apple e quem as idealizou? Steve Jobs. Não é de se estranhar que o cara seja citado em quase toda palestra ou artigo sobre inovação. É melhor você se acostumar. (Eu to tentando.)

O que ainda não será a bola da vez.

Estes são palpites meus. Mas eu acredito fortemente que 2011 não será o ano dos e-books, das supertevês (3D e conectadas na internet) e compras via celular.

O primeiro porque nenhuma grande livraria brasileira lançou um reader próprio (algo que aconteceu com Amazon e Barnes & Nobles que começaram a vender mais livros digitais do que físicos depois de lançarem seus dispositivos). O segundo, porque essas TVs ainda são muito caras e o Brasil ainda não dispõe de empresas que ofereçam este serviço.  O terceiro, compras virtuais sempre foram um tabu pro brasileiro, por natureza eles não são ousados, tampouco early adopters. Visa e MasterCard têm tentado jeito de tornar o celular uma máquina de cartão portátil. Nenhuma com grande sucesso por enquanto.

Mas logo 2012 chega para mudar tudo de novo…

Previsões do varejo 2015

27 de outubro de 2010 • TEMAS: Negócios / / /

Realidade aumentada, QR Code, marketing olfativo, ofertas em tempo real no smartphone, essas são algumas das ferramentas que devem fazer parte do varejo em um futuro muito próximo. É o que a tecnologia oferece para melhorar a experiência do cliente no ponto-de-venda. Acredito que a tecnologia vai fazer com a loja o que fez com os canais de  distribuição. Esta década será uma verdadeira revolução na forma como as pessoas compram. Assim como a internet tirou as pessoas de dentro da loja — permitindo que elas comprassem de casa — essas tecnologias as levarão de volta para a loja.

Como será o varejo de 2015 é o que a Nielsen está tentando descobrir. Todd Hale, talvez um dos caras que mais entende de consumidor, no mundo todo, listou 10 previsões de como será o varejo de 2015. Como os hábitos de consumo têm se tornado cada vez mais universais, o Brasil acompanhará o que acontece lá fora. A única diferença é que todos os especialistas falam que o americano ficou mais contido, pesquisa e barganha mais do que antes. Mas essa é uma realidade mundial. As pessoas estão cada vez mais bem informadas e embora gastem mais hoje, querem pagar o menos possível por tudo.

  1. Grandes centros de compra e e-commerce continuarão dominando mercado.
  2. Supermercados de luxo e supermercados populares aumentarão sua participação de mercado.
  3. Pet-shops e lojas “estilo 1,99″ crescerão.
  4. Consolidação do varejo: os maiores ficarão ainda maiores.
  5. Smartphone será o principal meio de envolver o cliente com a loja.
  6. Formatos de loja irão evoluir: novos formatos, lojas menores, pop-up stores irão aumentar.
  7. Possibilidade de fechar a compra em qualquer ponto da loja.
  8. Quiosques dentro da loja, mídia social e hologramas irão interagir mais com os clientes.
  9. Não haverá mais barreira de compra ou consumo entre consumidores de diferentes nacionalidades e etnias.
  10. Pesquisas terão grandes impactos.

[Fonte: Nielsen]

Algum dia, não muito distante de hoje, você chegará no seu trabalho deixará a pasta na mesa, se servirá de um café bem quente e pegará seu jornal para ler. Não um maço de papel de 2kg, mas um dispositivo eletrônico de 1cm de espessura — provavelmente flexível — que automaticamente terá feito o download da edição mais recente do seu jornal favorito via rede 3G.

Eu nunca acreditei no fim dos jornais até ter um estalo no meio de uma reunião ao ouvir a frase “o jornal pode não existir mais em 10 ou 15 anos”. Esse não é um assunto exatamente novo, ouço isso desde antes de entrar na faculdade. Mas o estalo rapidamente inundou minha mente com imagens de pessoas lendo jornais em iPads, Kindles, Nooks e QUEs. Pela primeira vez, eu consegui enxergar o fim do jornal.

Não apenas o jornal que está ameaçado. Mas a mídia impressa e livros como um todo. No começo da semana, a loja virtual mais famosa do mundo, Amazon, anunciou que vendeu mais livros digitais do que capa-dura (formato padrão nos EUA). A proporção foi 180/100. Ou seja, pra cada 1 livro impresso, foram vendidos quase 2 em formato Kindle. E olha que o aparelho está longe de ser popular, estima-se que até 2009 tenham sido vendidos “apenas” 3 milhões. A título de comparação, o iPhone4 vendeu isso em 3 semanas.

Há exatamente três anos, ZERO era o número de readers no mercado. Eu me refiro a um bom reader, não protótipos fracassados. Os números de hoje são bem diferentes e ajudam a explicar porque só agora eu consegui ver a extinção do jornal de papel (e talvez revistas).

  • Kindle: 3 milhões vendidos em até 2009
  • Kindle DX (última versão lançada): ZERO em estoque 1 mês depois do lançamento
  • iPad: 1 milhão de unidades vendidas em 28 dias
  • Nook: 300 mil unidades é a quantidade aproximada que a livraria Barnes&Nobles deve ter vendido do seu leitor nos primeiros 4 meses de vida

Com a exceção do iPad, todos os outros leitores esgotaram seus estoques no lançamento. E só não aconteceu com o aparelho da Apple, porque a empresa de Steve Jobs sabe como se preparar para uma grande demanda .

Tablets (iPad) e readers (Kindle) estão prestes a entrar na vida das pessoas como mp3 players e notebooks fizeram anos atrás. É um grande mercado e empresas gigantes como Sony e Cisco estão se preparando para entrar na briga. O iPad tem se mostrado uma ótima ferramenta de trabalho e o Kindle uma verdadeira biblioteca. No entanto, eles são as estrelas do mercado, ainda são caros e possuem pouco conteúdo em português disponível. Mas isso está prestes a mudar.

Dentro de 10 ou 15 anos, todos nós teremos nossos próprios readers; cafés, consultórios e empresas disponibilizarão os aparelhos para uma leitura rápida e o papel não mais será um elemento essencial para a nossa vida. Da mesma forma que cartas viraram e-mails e documentos  saíram das pastas para dentro do computador. Isso não é o fim da indústria (embora seja o fim das bancas de revistas, sorry guys), o jornal não vai acabar, vai apenas mudar para um modelo que há muito tempo se fala, mas que nunca ninguém viu.

O futuro da publicidade

23 de julho de 2010 • TEMAS: Propaganda / /

Por John Winsor, publicitário que deixou o cargo de diretor executivo da Crispin, Porter + Bogusky para abrir sua própria agência, a Victor & Spoils. Focado em estratégia e inovação de produtos, escreveu os livros “Baked In” junto com Alex Bogusky e  “Flipped”.

Ano passado, eu escrevi um artigo para a Business Week. Na época, o assunto era puramente retórico. Mas em conversas posteriores, ficou claro que a resposta era sonoro “NÃO”.

Aquilo me incentivou a deixar meu emprego como diretor executivo de estratégia e inovação na agência Crispin, Porter + Bogusky para ser co-fundador da Victors & Spoils, uma agência de publicidade baseada nos princípios de crowdsourcing. Agora, eu estou no centro da discussão sobre o futuro da publicidade, design e marketing.

Em 7 meses, nós tivemos a oportunidade de trabalhar com tudo, TV, rádio e gestão de marca, incluindo digital e social media, design de produto, design de serviço e design gráfico. Fizemos projetos para clientes como General Mills e Virgin, outros que não posso revelar do mercado financeiro, restaurantes fast-food e bens de consumo. Enquanto continuamos a explorar o desconhecido, aprendemos diariamente.

Aqui estão alguns dos mais importantes insights que adquirimos até agora:

O modelo está quebrado

Publicidade é uma questão de relacionamentos, e o coração da relação agência-cliente é confiança. Essa confiança tem se deteriorado devido à falta de transparência e, frequentemente, resistência à mudança. Nos últimos meses, passei  muito tempo com os diretores de marketing das maiores empresas dos Estados Unidos. O assunto é sério. Eles me contaram casos de agência cobrando $10.000 por segundo de edição de um vídeo que iria pro YouTube, $1.000 por uma lâmina de apresentação e $25.000 para banners de eventos; má-vontade em colaborar; e uma série de cobranças para bancar festas e viagens.

Em algum momento, as grandes agências se tornaram estilo de vida. Mas clientes, que querem o melhor trabalho criativo, não querem mais pagar por isso. E eles estão percebendo que não precisam. Agências inteligentes precisam adaptar seu modelo de negócios e rápido! Ou eles não terão a oportunidade de reconstruir essas relações.

O mundo é o seu departamento de criação

O sistema antigo em que agências empregam alguns times de criação tendo ideias para  atender a demanda de jobs simplesmente não faz sentido na era digital, onde ideias podem e devem vir de todo lugar. As ferramentas digitais podem ser usadas para dar estimular a criatividade sem fronteiras, e isso pode ser feito com o mínimo de infra-estrutura. É um vitória pro cliente, por obter ideias diversificadas. É uma vitória para os criativos, já que não são vinculados a contas específicas.

Escolha a plataforma certa

Colaboração em massa, co-criação e crowdsourcing estão se tornando veículos muito importantes para clientes que buscam engajar consumidores com suas marcas. Nossa última contagem, contabilizou mais de 100 plataformas crowdsourcing disponíveis algum tipo de trabalho de marketing ou design. Escolher a certa é a chave. Há diversos fatores pra se levar em conta,  como quem são, como se paga o talento ou como se lida com propriedade intelectual.  Muitas vezes, o sucesso só vem quando você desmembra um grande projeto em pequenas partes e usa diversas plataformas (com diferentes tipos de pessoas). Em geral, para se obter mais ideias, é melhor combinar pequenas plataformas privadas (conhecidas como “expertsourcing”) — onde todos envolvidos no projeto assinam um contrato de sigilo— com plataformas maiores (crowdsourcing).

Mantenha o envolvimento

Em qualquer cargo de liderança, a chave é se manter envolvido. É ainda mais crítico quando se trata de gerenciar pessoas à distância. Hoje em dia, ninguém mais precisa mudar pra cidade certa ou trabalhar na empresa certa pra participar. As pessoas podem trabalhar onde quiserem e o quanto quiserem. Ao reunir pessoas para um trabalho criativo, todo participante precisa de direção e feedback. É mais fácil dizer do que fazer. Mas esse é o grande motivo pelo qual as pessoas se envolvem – e gerir tanto as expectativas como as recompensas é o único jeito desse tipo de negócio dar certo no longo-prazo.

Ajude clientes a encarar o desafio da inovação

Clientes precisam de soluções que ajudem suas marcas engajarem consumidores e obter os resultados necessários para que levem a estratégia de marketing adiante. Entretanto, plataformas crowdsourcing têm se mostrado difíceis de administrar para muitos clientes. Em um projeto recente que criamos, recebemos 3300 designs. A quantidade de soluções possíveis que o projeto originou e o esforço para se manter dentro da estratégia da marca pode ser gigante. Critérios e direção criativa são a chave para ajudar clientes a inovar.

Um ano depois do artigo, a resposta continua sendo “não”. Tantas agências continuam sem fazer parte de uma nova realidade. Com o mundo cada vez mais conectado digitalmente, devíamos celebrar o fato de que ideias de marketing e publicidade estão vindo de todos os lugares. Para mim, é inspirador ver a evolução radical que a indústria está vivendo e ver mais pessoas fazendo parte do que uma vez foi uma grande “panelinha”. O novo mundo pode ser assustador para pessoas que ainda trabalham no modelo antigo. Nós entendemos isso. Mudança assusta. Mas a realidade também.

[Artigo traduzido do original "The Future of Advertising"]

Poucas coisas estão tão enraizadas no nosso modo de pensar como o “quanto mais, melhor”. O melhor supermercado é aquele que tem 20 marcas de sabão em pó (mesmo que eu sempre compre a mesma). O melhor shopping é o que tem mais lojas. A melhor festa é a que tem fila na porta. O melhor médico é o que só tem vaga para o  mês que vem. A melhor academia é a lotada. A melhor locadora de filmes é a que tem o maior acervo. De fato, esse último caso é verdade. Mas como a Blockbuster virou multinacional com um acervo tão enxuto?

Uma grande pesquisa mostrou atendência do varejo em diminuir o número de produtos oferecidos. Não apenas para facilitar a vida do consumidor na hora de escolher qual comprar, mas para facilitar também a vida do varejista.

Downsizing é a palavra. Uma vez usada para denominar demissões em massa, agora downsizing vem sendo usado para descrever a estratégia de diminuição das marcas nas prateleiras. Entre 10 varejistas, 4 diminuíram o número de marcas em cerca de 5% no ano passado. Vale ressaltar, que isso é uma tendência, não uma regra. A prova disso é que 22% dos varejistas aumentaram seu portifólio em 3%, no entanto não dá pra saber se eles já possuíam marcas de mais –ainda assim aumentaram–, ou tinham marcas de menos. Ambos casos são um perigo.

Oferecer marcas demais é um problema porque: aumenta custos, dificulta o trabalho de armazenagem uma vez que é preciso cadastrar mais itens [saiba o que é SKU], “esgoelam” margem de lucro, tira espaço de produtos lucrativos e deixa o consumidor indeciso.

Oferecer marcas de menos também é um problema porque: como certa vez eu ouvi, ninguém vai duas vezes ao supermercado. Se necessário, as pessoas vão no mais distante, desde que tenha tudo que eles querem.

Segundo os próprios varejistas, as principais razões para fazer downsizing de marcas são:

  • 75% para melhorar a exposição  dos produtos
  • 71% para aperfeiçoar os processos de estocagem
  • 52% para aumentar lucros e diminuir custos
  • 48% ganhar espaço para trabalhar melhor as marcas próprias
  • 33% para ampliar alguns setores da loja
  • 4% porque os outros varejistas estão fazendo

Falando em marcas próprias, essas foram as únicas marcas que cresceram dentro dos supermercados em 2009. A quantidade dessas marcas aumentou 2% enquanto as marcas econômicas diminuíram 5% e as premium ficaram na mesma. Novos produtos também perderam 2% do seu espaço nas gôndolas. Não é segredo pra ninguém que as marcas próprias estão roubando espaço nas prateleiras, são as que melhor aliam qualidade com preço baixo. Eu odeio essa expressão, mas elas realmente costumam ter mais qualidade que as marcas barateiras e, por pertencerem ao próprio canal de venda, são oferecidas pro consumidor a um preço atraente.

A chave está em oferecer o mix certo de produtos para o SEU consumidor. Às vezes, os hábitos de compra variam de um bairro pro outro, de cidade, mas principalmente de posicionamento (se o supermercado tiver um). O certo é manter um olho nos hábitos de consumo e o outro no fluxo de caixa pra saber quais marcas dão lucro e quais a empresa pode abrir mão. Por exemplo, as pessoas costumam ser mais fiéis a marcas de limpeza e higiene pessoal do que alimentos (e isso dificilmente varia com a posição geográfica). Como consequência, três categorias diminuíram em 2009: biscoitos, água e shampoo.

O varejo desta década é um varejo ainda mais acirrado, onde apenas marcas com espaços no carrinho (e na mente) do cliente merecem estar na gôndola. As lojas devem ganhar mais espaço, dando mais espaço para ações promocionais e privilegiando seções especiais como padaria e horti-fruti. Boas marcas aparecerão ainda mais e as ruins irão desaparecer. Isso mostra que o varejo acompanha uma tendência de comportamento que fica mais evidente a cada ano, a de que as empresas existem para facilitar a vida do consumidor.

Devem oferecer tudo, onde “tudo” é o que ele quer, não o quanto couber na prateleira.

Você certamente já leu bastante sobre e-commerce, sobre varejo, como ganhar vendas, concorrência, mercado, consumo, pesquisas, etc. Aqui mesmo no blog já postei bastante coisa a respeito. Mas recentemente eu me dei conta de uma coisa: as lojas estão perdendo vendas para a internet! Até uns 2 anos atrás, o varejo (quando eu falar em varejo, estou falando de lojas físicas) não tinha muito com o que se preocupar com as lojas virtuais. Agora, essa concorrência indireta está mais direta do que nunca, e as lojas estão  sem dúvida alguma perdendo vendas.

Dia das Mães

Eu comecei a notar nisso quando vi em abril, a previsão de vendas do e-commerce para o dia das mães: 40%. Mesmo sendo incrivelmente alta, as lojas virtuais faturaram mais do que o previsto, totalizando R$625 milhões entre 25 de abril e 9 de maio, ou seja, 42%. Quando o assunto é varejo (loja física), temos uma discrepância. A previsão de vendas prevista pela Abrasce foi de 15%, já a da Alshop foi de 7%. Independente da previsão, o resultado é claro: o varejo não cresceu mais de 9%em 2010. (FCDL-SC: 7,5% / Alshop: 8% / CNDL: 9,43% / Serasa: 7,5%)

Só a título de  comparação, em 2009 a previsão de crescimento do e-commerce foi de 20% e do varejo 25%. Em outras palavras, o e-commerce dobrou e as lojas físicas caíram quase pela metade em apenas 1 ano. Vale ressaltar, que a Copa do Mundo teve papel importante nas vendas, mas não em onde comprar. Acredito que tanto as lojas virtuais como físicas ganharam com isso.

  • Segmentos em alta do período : roupas (sapatos e acessórios),  flores, celulares e eletrodomésticos.

Dia dos Namorados

Para o dia dos namorados, o caso se repete. O e-commerce espera movimentar 43% mais dinheiro do que em 2009. No varejo, não achei nenhuma estimativa nacional, mas avaliando as previsões de vendas de instituições como Serasa, Sebrae e do Sindicatos de Lojistas, espera-se faturar de 7% a 15% (dependendo da região) mais do que em 2009.

Outro sinal de que o varejo está em alerta é a expectativa dos executivos. Segundo uma pesquisa do Serasa Experian, 46% deles acham que as vendas se manterão a mesma de 2009 ou cairão.

  • Segmentos em alta do período: celulares, roupas e acessórios, cosméticos, perfumes.

O que fazer?

Apesar do que os números mostram, eu não me preocuparia se estivesse no ramo do varejo. Porque os 2 negócios são de natureza diferentes. Por isso considero concorrência indireta. Se as pessoas estão deixando de comprar em lojas para comprar na internet, é por 2 motivos:

  1. Elas são ocupadas e apreciam a conveniência da internet
  2. Elas não estão satisfeitas com as lojas

Quem gosta de comprar na internet vai continuar comprando na internet (até que fique insatisfeito), não tem muito o que fazer, a não ser considerar abrir uma loja virtual. No entanto, todo mundo que compra na internet, de vez em quando entra em uma loja física, seja para pesquisar preços ou mesmo conhecer o produto (e depois comprar na internet), e essa é a grande chance do varejo encantar o cliente. O varejo está perdendo feio e vai continuar perdendo se não criar uma experiência realmente boa para o cliente na loja. Continuar fazendo o mesmo em uma época em que tudo é diferente é ficar sentado vendo o rival ultrapassar.

Apenas 10 anos se passaram para que pudéssemos vislumbrar um pouco de como será uma marca forte neste novo século. Enquanto as palavras-chave do século anterior foram inovação (na 1ª metade) e eficiência (na 2ª), neste século o envolvimento com o consumidor fala mais alto. Não esse que as empresas dizem que fazem, dizem que escutam e dizem que estão focadas no consumidor. No século 21, o consumidor precisará ter um papel ativo dentro da estratégia da empresa.

Dean Crutchfield, especialista em brand experience, escreveu um sensacional artigo que tocou nos principais pontos que uma marca precisa trabalhar para tornar o consumidor, o seu braço-direito.

Todo mundo está careca de saber que é preciso ouvir o cliente, mas é mais provável que os executivos das empresas sejam carecas por razões genéticas mesmo. Por ser algo relativamente novo, apenas os mais jovens profissionais têm consciência (e pra piorar, não são todos). Ainda é raro encontrar um executivo que veja valor na troca de experiências com o consumidor ou que queira investir em redes sociais. Eles ainda pensam como no século passado.

São muitas as empresas com “foco no consumidor”, mas são realmente raras as  que colocam o cliente no centro de tudo, como a Disney, onde isso é tão forte que CRM virou CMR (Customer-Managed-Relationship).  A marca do século 21 é preocupada com três aspectos que antes não era necessário:

  • Responsabilidade social. Embora a maioria só faça porque é legal, ter programas sociais perenes (e não sazonais) ajudam na construção de marcas fortes e podem até aumentar o faturamento. É o caso do Product Red, no qual empresas fabricam um produto onde parte da renda vai para o combate a AIDS na África. Recentemente, a Microsoft se tornou a 8ª marca mais confiável dos EUA, é inegável a influência da fundação Bill and Melinda Gates nesse feito, a ong do casal é o 2ª maior orgão filantrópico dos EUA.
  • Engajar o consumidor. A Starbucks criou o MyStarbucksIdea, a Dell o IdeaStorm e o eBay movimenta $1000 por segundo na maior comunidade de compra/venda do mundo. Esses todos são exemplos de como grandes empresas estão se esforçando pra se relacionar com o consumidor, ouvindo, respondendo, pedindo… ao invés de só atender o que eles pedem, essas empresas saem na frente criando demanda, dando a cara à tapa, não apenas reagindo.
  • Boca a boca. Quando eu disse que bom atendimento é a melhor propaganda eu fui ingênuo, a palavra-chave é brand experience que, claro, começa com o atendimento na loja, passa pelo uso do produto (e aí tudo conta, até a embalagem) e vai até a hora de resolver um problema. Segundo a consultoria McKinsey, 2/3 das transações econômicas mundiais é influenciado por recomendações pessoais. Ademais, 95% dos usuários de redes sociais acham que as empresas também deveriam estar nelas.

Essa é a conclusão que a maioria dos especialistas, como Dean, tiveram após 10 anos a virada do milênio. Algumas marcas investirão numa ou outra área, outras tentarão, mas a falta de autenticidade as farão fracasar e algumas poucas construírão marcas realmente fortes ao longo das próximas 9 décadas fazendo as 3 coisas citadas. O planeta precisa de você, você precisa do consumidor e o consumidor quer falar de você — se tiver motivos para isso.

As marcas mais fortes das últimas duas décadas “deram o que falar”, é o que se chama de storytelling. Criar uma história que as pessoas queiram espalhar. A internet multiplicou infinitamente o alcance dessas mensagens, segundo uma pesquisa da Bain & Co, a marca mais recomendada de um segmento cresce 2,5 vezes mais do que o próprio segmento.

Segundo Dean, o que parece trivial hoje pode se tornar a regra do jogo amanhã:

  1. Alinhe sua estratégia com a concorrência.
  2. Despreze o que a concorrência faz.
  3. Crie novas regras de mercado.