Você está em ‘Televisão’

Como dizia um professor meu: “de futebol e propaganda todo mundo entende”. É verdade. O brasileiro adora comercial. Algo atípico se comparado aos nossos amigos do velho mundo, como os britânicos.

Os ingleses detestam propaganda. Não é à toa que product placement é proibido lá. O argumento é que pode ser difícil separar o conteúdo editorial do publicitário, e isso deve estar bem claro pro telespectador. Propaganda deve parecer propaganda e conteúdo deve parecer conteúdo. Outro argumento é que faz tempo que a TV vem perdendo mercado para internet, então as emissoras, numa tentativa de de proteger seu produto, consideram o product placement uma desvalorização dos breaks e seus anunciantes. De qualquer forma é desnecessário comparar o Brasil com a Inglaterra  quando o assunto é mídia. Eles são a nação mais evoluída no  uso da internet — destinando quase a mesma verba publicitária para TV e internet.

Hoje, foi divulgada uma pesquisa mundial sobre como as pessoas veem a propaganda e adivinhem? O que já sabíamos. Brasileiro adora propaganda. Segundo a Synovate, “apenas” 43% dos brasileiros consideram exagerada a quantidade de comerciais na TV. Na Espanha, por exemplo, esse número é de 88%.

Mais de 2/3 dos 8,5 mil entrevistados em 11 países disseram haver comerciais demais na TV. Em contrapartida, apenas 39% reclamaram da quantidade de publicidade na internet. [Eles não devem conhecer os blogs brasileiros...]

Em nível global, 87% das pessoas costumam “fugir” dos comerciais em mídias convencionais, isto é rádio e TV. Ou seja, utilizam sua arma mais poderosa contra os anunciantes, o controle-remoto.

190609_andy_theoffice Uma das cenas mais engraçadas da série The Office na minha  opinião é uma em que o pessoal da Dunder Mifflin —uma empresa de papéis—estão discutindo qual o melhor comercial de todos os tempos e o Andy começa a cantar um jingle, mas esquece a parte principal, qual é o produto. Imagine a cena:

Andy: “Me dá um tempo… me dá um tempo… [canta balançando a cabeça e estalando os dedos] Me dá um pedaço daquela… [pausa] … esqueci completamente, como é mesmo?…  Me dá um pedaço daquele… tan-tan-tan [estalando os dedos] Me…. calda de maçã?”

Jim: “Me dá um pedaço daquela calda de maçã? Não, acho que não.”

Andy: “…pedaço daquele carro Chrysler?”

Jim: “Nope.”

Andy: “…creme de futebol. Aaarrrgh!”

Em quase todo filme ou programa de TV, jingles são citados como algo ridiculamente engraçados, clássicos e grudentos. Isso é o que a maioria das pessoas pensam sobre jingles e, generalizando um pouco, propaganda de uma forma geral. Peça pra um familiar lhe dizer um comercial de que gosta, há grandes chances de ele cantarolar uma música, talvez um jingle. Porque é isso que vem à cabeça quando não-publicitários, principalmente os mais velhos, pensam quando você diz “propaganda”. Agora peça pra ele dizer qual o produto estava sendo anunciado e se ele costumava comprá-lo. Provavelmente, era apenas uma musiquinha legal… nada de mais.

Recentemente, descobriu-se que o toque padrão dos celulares Nokia desperta a algo negativo. Veja, é o toque mais conhecido do mundo e lembrado. lembrado e caté cantado por 41% dos Porém, as pessoas associam a algo incômodo. Esse exemplo é apenas para mostrar que ser o mais lembrado nem sempre é bom.

Eu nunca neguei que jingles grudam. Mas tenho dificuldade em acreditar que eles vendam, pelo simples fato da música tirar a atenção da mensagem.

Vocês sabiam que anúncios que fazem alusão ao sexo são menos lembrados que outros sem conotação sexual? Isso porque o sexo rouba a cena, atraindo toda a atração para si. E mais, sabiam que usar celebridades em comerciais não ajudam a gravar a marca e, talvez, até atrapalhem? É muito mais fácil você lembrar de uma novela da Suzana Vieira do que a marca do xarope que ela está vendendo na TV atualmente. A atriz Charlize Theron já estrelou comerciais de perfumes, mas você lembra de algum? Eu só consigo lembrar dos filmes Aeon Flux e Monster. Assim como a melodia dos jingles, a fama atrapalha a transmissão da mensagem, inundando a nossa mente com informações subsconscientes do tipo: qual filme que a atriz fez, qual o principalgênero, se já ganhou um Oscar, qual o seu filme preferido, quais os últimos boatos a respeito dela… No caso do jingle, quando o ouvimos um jingle, estamos mais preocupados em cantar (ou em não cantar) do que em entender a letra. Consequentemente, nos lembramos mais facilmente da melodia do que da marca ou produto citado na letra.  Quando você pensar se jingle realmente vale à pena, lembre-se do Andy…

P.S.: Achei uma versão no YouTube da cena que mencionei. É editada com cenas do comercial original e perdeu um pouco a graça, mas vale a pena ver.

Na nova temporada de 24 horas, que estreou nos Estados Unidos no mês passado, a UCT deu lugar ao FBI, e parece que lá o Windows Vista comanda. Nas temporadas anteriores, não lembro de ter visto o uso de algum sistema operacional familiar na tela dos computadores da UCT, posso estar enganado, mas acho que Dell e Windows investiram legal pra aparecer de tal maneira em uma das séries de maior audiência da Fox. (Se alguém puder esclarecer, só deixar um comentário.)

O estilo nervoso de filmagem da série contribuiu para evidenciar ainda mais a marca Dell na cena em que 2 analistas do FBI tentam evitar o milhonésimo ataque terrorista aos Estados Unidos.Assistam a cena aqui e me digam se acharam normal ou exagerado.

Criança na frente da TVDe acordo com estudo da Mediamark Research, 46,3% das crianças entre seis e onze anos estão usando a internet para conferir os produtos que vêem na publicidade impressa ou na TV.

A pesquisa, feita com crianças americanas, sugere que 10,7 milhões de jovens consumidores acessam o endereço da empresa correspondente à publicidade pela internet.

Quanto maior a idade, maior o índice, sugere o estudo. Dos jovens entrevistados que visitam os sites depois de ler ou ouvir um anúncio, 40% deles têm entre 10 e 11 anos; 33% têm 8 ou 9 anos; e 25% possuem de 6 a 7 anos.

A maioria dos jovens acessa a internet todos os dias e não possui filtros de conteúdo do que podem acessar pelo computador. 41% das crianças já têm um endereço eletrônico próprio e 50% utilizam algum serviço de mensagens instantâneas.

Visto no ADNews

A televisão brasileira está mudando, e não estou me referindo à qualidade dos programas. Muitos apresentadores estão perdendo o velho hábito de fazer dos outros canais, um pecado tão grande que não pode ser mencionado no ar. Isso pareceu mudar com a chegada do Pânico na TV e seu contrato com a RedeTV que dava total liberdade para Emílio e sua turma fazer o que bem entendessem. Eles vendiam a Jovem Pan na TV e a RedeTV na Jovem Pan. E eu não tenho dúvida que essa estratégia foi fundamental para o sucesso deles na telinha. Não havia outra maneira de dizer para os ouvintes que agora eles estavam na TV, a não ser falando — óbvio, não?. Agora, a mesma liberdade pode ser notada em programas como o do gay Raul Gil, Silvio Santos, CQC e até na queridinha Maísa.

Eu vejo isso como um indício de engagement marketing na televisão. Embora o conceito de marketing colaborativo seja construído da relação empresa-cliente; Raul Gil, Silvio, Santos, Maísa e Pânico na TV estão colaborando entre si. Não exatamente gerando conteúdo, mas participando de discussões ao invés de fingir que elas não existem e, claro, gerando resultado positivo para seus programas e na boca do povo. Por exemplo, Silvio Santos perguntando para Maísa se ela assiste o Pânico, Raul Gil falando sobre o Silvio Santos tê-lo chamado de gay, o TOP 5 do CQC que pega trechos de programas de canais… e por aí vai. Como eu disse no início, não estou falando de qualidade, mas de um novo jeito de fazer programas de televisão.

O público Pânico é o mesmo do Raul Gil? Abordando tanta política, o CQC consegue atingir as classes mais baixas, que por sua vez adoram Silvio Santos e Raul Gil? A Maísa teria se tornado um sucesso se não fosse pelo CQC e a paródia Malisa, do Pãnico? Todas essas perguntas são facilmente respondidas ao reparar a liberdade de expressão que esses apresentadores conquistaram. Enquanto muitos outros continuam presos numa ilha chamada Projac.

“I love smoking”

20 de junho de 2008 • TEMAS: Propaganda / /

“Suponhamos que amanhã venha um besouro do tabaco e coma todos os Old Gold do planeta, você pararia de fumar?”

É com uma conversa inspiradora entre um garçom e um bem sucedido diretor de criação que o 1º episódio da série Mad Men inicia.

Há pouco tempo, Lucas Mendes – apresentador do programa Manhattan Connection que mora em Nova Iorque – deu uma entrevista ao Meio&Mensagem e, claro, o tema não poderia ser outro senão propaganda. Pergunta vai, respostas vêm, perguntam a ele se algum programa da TV norte-americana tem chamado sua atenção nos últimos tempos. Mendes comenta sobre Mad Men, uma interessante série sobre o mercado publicitário nova iorquino na década de 50. Nome pelo qual executivos do centro de Manhattan eram chamado naquela época.

Como bom curioso que sou, tratei de baixar alguns episódios da série, sem nem mesmo procurar entre a programação da minha TV a cabo. Mad Men é uma série interessante para publicitários e talvez nem tanto para aquelas pessoas dotadas de pouco sarcasmo e hedonismo. A série mostra o lado “pouco bonito” de redatores e diretores de arte que só querem saber de azarar as estagiárias da agência, mantêm vida dupla e não recusam um scotch às 4:30 da tarde. Eu não tenho nada a declarar, vamos mudar de assunto.

A série traz alguns pontos interessantes, além do bom (e mau) humor publicitário, como a desdém do diretor de criação diante de um trambolho chamado televisor; a angustiante busca pela idéia perfeita e outros embates, como que linha de comunicação seguir após pesquisas comprovarem o mal que o cigarro faz ao nosso organismo.

Voltando ao garçom, ele responde: “Eu iria encontrar uma saída, eu adoro fumar”.

Não é difícil vender algo que as pessoas adoram, mesmo que todos saibam o risco que estão correndo. Que fique claro que isso não é apologia ao fumo (eu não fumo), isso é publicidade.