Você está em ‘talento’

Todos os anos, mais 700 mil jovens entram no mercado de trabalho para disputar 2 milhões de empregos — isso quando a economia vai bem, como 2010. A batalha pelo emprego ideal é tão selvagem que ou você está desempregado (8% da população) ou está infeliz. Uma pesquisa já antiga, de 2006, apontou que 42% das pessoas estão insatisfeitas com seu trabalho, e isso é ainda pior nas empresas de pequeno porte, 71%.

Em outras palavras, conquistar o emprego ideal é quase como topar com uma maleta cheia de dólares. Exceto pelo fato que depende de você, não de sorte.

O que você está fazendo para conquistar essa preciosidade?

Milhares de jovens profissionais se inscrevem, todos os anos, em programas de trainee para concorrer a uma quantidade vagas que não enche sequer um auditório. Pior do que concurso público e o vestibular da FUVEST, é se tornar trainee em  uma grande empresa brasileira.

Obviamente, algumas pessoas não são tão ambiciosas assim. Mas até as menos ambiciosas desejam obter sucesso no que faz. Ser o melhor, inspirar outras, ser reconhecido, ter o maior salário, trabalhar no que gosta.

O que você está fazendo para ser um sucesso?

Você lê bastante? Viaja para lugares diferentes? Fica até mais tarde no trabalho para eliminar as pendências?  Mudaria de cidade em busca do seu sonho? Não tem medo de fazer o que os outros nunca fizeram? Tem um blog? Não tem, mas lê vários? Fala pelo menos  um idioma fluente? Dois?

Gosta de aprender coisas novas só pela curiosidade? É inteligente, mais do que isso, possui a tal inteligência emocional que tanto se fala? Você é uma pessoa chata, crítica e nunca distrata ninguém? Reconhece a ideia dos outros? É amigo de todos ou adora uma fofoca e acaba gastando seu tempo com esses venenos organizacionais?

Carlos Domingos falou em seu livro que os melhores talentos são imprevisíveis, impacientes e inquietos. Uma coisa eu tenho certeza, pessoas talentosas não são como todo mundo, não são pessoas comuns.

As pessoas mais bem-sucedidas do mundo são pessoas interessantes com algo a ensinar e muita vontade de aprender. Só se contentam com o melhor e nunca ficam no mesmo lugar fazendo a mesma coisa por muito tempo. Essas pessoas querem o mudar o mundo, mas se satisfazem se conseguirem mudar processos, pessoas, a empresa ou o cliente.

O sucesso requer um esforço gigante, contínuo, e a maioria das pessoas mal fazem o básico. Pessoas assim acabam eventualmente reclamando por não conseguir uma promoção, por estar com o mesmo salário há anos, botam a culpa no “queridinho do chefe” e justificam com a falta de tempo ou dinheiro por seu currículo estar ultrapassado.

“Mas eu não tenho tempo mesmo!” (Ou dinheiro)

Essa é a desculpa mais comum do mundo. Bem, a melhor resposta para esta desculpa eu li do Leo Babauta: Você é responsável pela sua vida!

Se você  não tiver tempo pra começar um projeto particular, fazer um curso, escrever ou qualquer outra coisa que pode fazer você um profissional melhor… Ok! Essa é a sua vida. Enquanto isso tem gente dormindo 5h por dia, chegando do curso as 23h. Trabalhando aos sábados. Morando longe da família. Estudando para provas de trainee. Lendo mais de 5 livros por ano. Resumindo, tem muita gente querendo ser uma pessoa melhor. Se você acha que já é bom o suficiente ou não tem tempo, tudo bem, talvez você não mereça o sucesso.

O talento de Rafa Nadal, tenista número 1 do mundo, estará nas salas de aula da escola de negócios IESE em vários países. “As lições que se podem aprender sobre a forma como Rafa Nadal administrou sua carreira esportiva ‘são universais’ e podem ser aplicadas tanto a presidentes de grandes empresas como a jovens profissionais que estão começando no mundo corporativo“, garante o autor do case e professor Santiago Álvarez de Mon. Abaixo estão 10 lições que estudantes, executivos e homens e mulheres de negócios podem tirar da história de sucesso de Rafa Nadal.

 1. Talento: Toda pessoa nasce com um talento diferente. O segredo está em escolher uma profissão que permita desenvolvê-lo. Embora o talento esteja marcado pela genética, é necessário adestrá-lo para que floresça com força. Rafa Nadal começou a jogar tênis com 5 anos, aos 7 ganhou seu primeiro campeonato, aos 12 foi eleito campeão da Europa em sua categoria e, aos 22, tornou-se o número um do mundo.

 
2. Caráter: o tenista espanhol é um exemplo de como um caráter forte e decidido pode impulsionar a carreira até o topo. Junto com o talento, o caráter é o segundo motor de uma dupla invencível.

 
3. Aprendizagem: No esporte, assim como na empresa, é preciso ter uma relação natural com o erro e estar disposto a se esforçar. Em Nadal, nem tudo é técnica, mas também controle mental e inquietação para aprender sempre. Até desbancar Federer como número um do mundo, o espanhol foi derrotado em várias ocasiões por seu rival.

 
4. Valores: Antes de chegar a ser o número um, foi preciso trabalhar valores como a humildade, para que houvesse raízes mais sólidas para encarar o sucesso, mas também para saber diferenciar a pessoa que está por trás do personagem esportivo e midiático.

 
5. Equipe: Um tenista é um exemplo de competidor solitário na quadra, mas há sempre uma equipe que o apóia. O treinador ou o empresário exercem o papel de assessores fora das quadras, mas uma vez iniciada a partida, a responsabilidade recai integralmente sobre o tenista, assim como ocorre com o executivo. Na solidão do poder, há sempre a companhia de alguém nas sombras.

 
6. Mentalidade positiva Há esportistas que perdem uma partida mesmo antes de jogá-la. O segredo está em ver o problema e convertê-lo em oportunidade, embora para isso, além de perspectiva, seja preciso também exercitar a força mental, para dar o melhor de si nos momentos mais difíceis.

 
7. Entorno: O entorno familiar é essencial não só na hora de lembrar a uma estrela midiática quem ela é e de onde vem, como também nos momentos de formação de sua personalidade.

 
8. Treinador Uma pessoa de talento pode ser a última a se dar conta do talento que tem. O trabalho de um bom treinador consiste em identificá-lo, selecioná-lo e adestrá-lo corretamente para que ele se desenvolva. No caso de Nadal, foi seu tio Tony quem descobriu o talento do garoto quando ele tinha apenas 3 anos, tornando-se posteriormente o treinador número um do mundo.

 
9. Pressão: A única forma de suportar a pressão de uma competição pesada é relativizar e saber que há algo mais a se ganhar além de um troféu.

 
10. Colaboradores: O risco de um alto executivo ou de um esportista de elite é o de se cercar de gente que só diz aquilo que ele quer ouvir.

Fonte: Wharton School