Você está em ‘Seth Godin’

A elite profissional

12 de maio de 2010 • TEMAS: Carreira / /

Por Seth Godin

Em um mundo em desenvolvimento, geralmente há uma divisão bem definida entre elites e as outras pessoas. Os elites têm mais dinheiro e/ou mais educação. Não é raro encontrar países muito pobres onde uma pequena parcela da população não é nada pobre. Às vezes, isso é uma condição não merecida, herdada ou adquirida tirando vantagens sobre os outros.

Independente disso, você não pode apenas dizer que é de elite e se tornar um. Na maioria das sociedades (incluindo a minha e provavelmente a sua), eu diria que a divisão é diferente. Há uma linha entre as pessoas que ativamente se engajam em novas idéias, ativamente buscam mudança, são ativamente engajadas…  e aquelas que aceitam o que lhes é dado e se matam trabalhando.

Isso começa na escola, claro, e então a diferença se acentua conforme crescemos. Algumas pessoas se esforçam para encontrar novos desafios ou se agarram com coisas apesar de discordarem. Elas procuram novas pessoas, novas oportunidades e saboreiam o desconforto que vem com o crescimento (e desafiam outras a experimentar o mesmo).

Talvez eu esteja me vangloriando (e você), mas eu acho que quase todo mundo que lê blogs como este fazem parte da elite. Não por causa do sobrenome ou classe social, mas por causa da escolha feita, da decisão tomada de se manter atento e engajado, de desafiar o status quo da sua escolha.

O número dos que se consideram elite tem explodido. Parte disso é em função da nossa habilidade de ganhar a vida trabalhando 14 por dia em condições precárias, a outra parte vem da facilidade com que encontramos e nos relacionamos com outros elites.

O desafio do nosso tempo talvez seja construir organizações e plataformas que estimulem e direcionem elites, onde quer que eles estejam. Além do mais, é de onde produtividade e mudanças nascem.

Uma vez que você assuma isso como uma missão, você economizará tempo e frustração na sua busca. Se alguém decide não ser parte da elite, acho difícil que você possa persuadi-lo a mudar de ideia. Por outro lado, o ciclo de descoberta, engajamento e entrega dos elites tendem a acelerar com o tempo, e você tem todas as ferramentas necessárias para ser parte disso – liderar, na verdade.

Artigo traduzido do original: “Are You an Elite?”

Isso não é pra mim

17 de março de 2010 • TEMAS: Comportamento / /

Por Seth Godin

Uma disciplina que vale à pena ter: ao dar um feedback, separe “isso não é pra mim” de “isso não é pra ninguém”.

Se alguém lhe mostrar um plano de negócios de uma estação de energia que usa tração mecânica para gerar eletricidade, é justo dizer “isso nunca irá funcionar, é impossível”.

Se alguém lhe mostrar um plano de negócios de uma rede de restaurantes de cachorros-quentes de sushi, é justo dizer “que nojento! Eu nunca iria lá”, mas não é sensato assumir que isso jamais funcionaria em lugar nenhum seja qual for o cenário.

Você pode dizer que não gosta de um livro, de um filme ou de um candidato à eleição. Mas sem informações adicionais, você não tem como dizer que nunca vai ser um sucesso, que os críticos não irão elogiar ou que o candidato nunca se elegerá.

Editores brilhantes e investidores de risco têm a habilidade de se empolgar com um projeto que não tem nada a ver com o gosto deles — eles criticam com base em suas experiências não egoísmo. Essa é uma habilidade muito valiosa, requer empatia, experiência e senso crítico, não alegações óbvias.

[Traduzido do original "Not For Me"]

Por Seth Godin

Algumas pessoas sentem medo de boas ideias. Ideias que fazem a diferença e contribuem de alguma forma. Boas ideias trazem mudança, isso é assustador!

Mas muitas pessoas sentem pavor de más ideias. Ideias que fazem parecermos idiotas ou que é desperdício de dinheiro ou tempo ou que estamos forçando a barra.

Pintores, músicos, empreendedores, escritores, quiropráticos, contadores  — nós todos falhamos muito mais do que acertamos. Falhamos ao fechar uma venda ou tocar uma nota. Falhamos ao transformar uma ideia em uma série de pinturas ou um tema para o estande em uma feira.

Mas nós acertamos muito mais do que pessoas que não têm ideias nenhuma.

Alguém me perguntou onde eu consigo tantas boas ideias, explicando que ele leva um ou dois meses pra ter apenas uma e eu parecia ter mais do que isso. Eu perguntei a ele quantas ideias ruins ele teve em um mês. Ele parou e disse: “nenhuma”.

E aí, como você pôde ver, está o problema.

[Artigo traduzido do original "Fear of bad ideas"]

Foi com essa frase de Seth Godin que começa o must-read eBook “What Matters Now” — insights dos 70 mais influentes blogueiros e pensadores de marketing da atualidade — que irá fazer do seu 2010 melhor que 2009.

Na frase, Godin se referia ao mundo digital, mas ela se encaixa perfeitamente ao cotidiano real.

Como o milenar ensinamento bíblico, “faça o bem e Deus te dará em dobro” ou o maternal “não faça para os outros o que você não gostaria que fizessem a você”, quanto mais você oferece aos seus clientes em forma de cordialidade, respeito e satisfação, mais você recebe em forma de novas compras, boca a boca positivo, consideração e, quem sabe, fidelidade.

Mas isso não vale apenas para algo abstrato. Vale para coisas concretas como brinde de final de ano.

Empresas veem como custo aquela garrafa de vinho enviada para os melhores clientes depois de um ano cheio de pedidos. Os clientes menores, nem uma caneta recebem. Em 2010, as empresas precisam entender que não é o brinde que está em jogo, é o carinho e a atenção nele simbolizado. Assim como não é o bom atendimento que nos faz voltar à loja, mas o sorriso sincero no rosto do vendedor. O pior é que isso não tem custo nenhum.

Por Seth Godin

É os dois, e esse é o problema.

Alguns marqueteiros são cientistas. Eles testam e avaliam. Eles fazem matemática. Eles entendem o impacto do gasto em um mercado, num determinado tempo com uma certa mensagem. Eles entendem os dados e encontram a verdade.

Esse tipo de marketing funciona quando funciona, mas geralmente não funciona. Isso porque lidamos com humanos, a carta mais selvagem do sistema.

Outros marqueteiros são artistas. Eles inspiram, desafiam e conectam. Esses profissionais começam de um rascunho, criando movimentos, contando piadas e surpreendendo as pessoas. Cientistas não são bons nisso.

O problema é causado por duas coisas:

1. Observadores ficam confusos. Qual deles nós somos? Quando somos artistas certas vezes e cientistas noutras, há chance de parecermos charlatões, porque associamos resultados científicos com esforços artísticos.

2. Nós ficamos confusos. Se você não sabe se está trabalhando num projeto científico ou artístico, provavelmente irá enfatizar os elementos errados. Se você for estudar marketing e o professor agir com ar de superioridade como se estiver ensinando ciência, você perderá um bom tempo aplicando taxonomia e hipóteses a algo que é essencialmente uma questão de colhões [desculpem a palavra, não consegui traduzir de outra forma]. E vice-versa.

Nós precisamos dos dois chapéus, o do cientista e o do artista. Você pode usar apenas um por vez —e esse é o motivo pelo qual eu não digo que precisamos de luvas.

Defina que tipo de marketing você vai fazer hoje e vá fazer isso.

Artigo traduzido do original: “Is marketing an art or a science?”

Todo marqueteiro mentiroso

Na verdade, o título deste post é “Porque você deveria ler Todo Marqueteiro É Mentiroso”. Eu menti, admito. Talvez eu seja realmente um mentiroso, mas você também é. Essa é a premisa deste livro.

O livro talvez superestime o conceito de “contar histórias” ou o tão falado “storytelling”, mas eu acho que se você consegue extrair pelo menos um conceito importante de um livro, vale a pena ler. E o conceito que Godin aborda nesse livro é, como ele diz, a real essencial do marketing hoje.

As empresas mentem, você acredita e reconta a mentira pra si mesmo, e ainda espalha essa mentiras para amigos. É uma mentira que faz as pessoas se sentirem bem, onde quem ganha não é só a empresa, mas principalmente os consumidores. As empresas que contam mentiras egoístas tendem a cair rapidamente, ainda mais na era das redes sociais.

Talvez eu não consiga transmitir bem a idéia do livro em um simples post — demorei 100 páginas pra entender de verdade —, por isso vou me ater no conceito fundamental do livro que é a visão de mundo e enquadramento.

Visão de mundo:  regras, crenças, valores e preconceitos que influenciam sua experiência diante de uma determinada situação.

Enquadramento: é o elemento de uma história que reforça a visão de mundo que a pessoa já possui.

Todas as pessoas possuem visões de mundo, mas as empresas não devem tentar mudá-las. Elas não têm tempo nem dinheiro pra isso. Por isso, encontram uma boa história e coerente história para reforçar suas crenças e superstições. 

Esse é o motivo pelo qual compramos roupas de marca, jantamos em restaurantes caros, pagamos o triplo do preço em produtos orgânicos e os perfumes franceses são os melhores do mundo. Porque que eles contaram uma história mentira e nós acreditamos. É a mentira que nós contamos para nós mesmos que nos faz acreditar que um Macbook é muito superior a um Vostro quando nem sempre é verdade e o preço, sempre muito superior. As pessoas acreditam e ponto, se elas são felizes assim e não estão sendo alvo da mera ganância das empresas, tudo bem. Não é esconder a verdade e torcer para que elas não descubram, é privilegiar a história em vez dos fatos e, principalmente, ser autêntico.  

As pessoas mais do que nunca compram o que desejam, não o que precisam. Hoje, felizmente, quase todo mundo tem o que precisa, mas muitas ainda têm que suar pra comprar o que deseja. A história que você vai contar é o que vai gerar ou não o desejo das pessoas com o seu produto.

De uma maneira geral, o livro nos deixa com a certeza de que entre o que dizemos e fazemos há uma inexplicável discrepância ou  uma grande mentira.

Por Seth Godin

[NOTA: O título original deste artigo usa o termo "publicity", que não é a publicidade que conhecemos, essa é advertising. Então, para não confundir, traduzi como "publicitação", ou seja, tornar algo público]

A maioria das empresas de RP fazem publicitação, não RP.

Publicitar é a ação de conseguir um espaço. É conseguir mídia não-paga pra chamar atenção, te promover, apontar pra você, veicular uma foto, criar uma comoção. Às vezes publicitar é útil, e boa publicitação é sempre bom para o ego. Mas não é RP.

RP é a elaboração estratégica da sua história. É uma análise focada das suas interações, táticas, produtos e pricing que, quando combinados, determinam como e o quê as pessoas falam de você.

Regis McKenna foi um grande RP. Sim, ele colocou Steve Jobs e o Mac na capa de mais de 30 revistas no ano de seu lançamento. Isso foi apenas publicização. O mais importante disso foi a elaboração da história do Mac (e claro, a história de Steve Jobs).

Se você enviar press-release maçante, seus esforços de publicitação provavelmente irão fracassar, mas o pior é que seu RP já fracassou.

Uma empresa de publicitação irá lhe contar histórias de como eles conseguiram uma capa pra determinado cliente. Uma empresa de RP irá falar sobre storytelling, ser notável e se espalhar. Eles podem até sugerir que você não se preocupe em conseguir uma matéria ou despachar press-releases.

Na minha experiência, algumas pessoas têm problema de publicitação, mas quase todo mundo tem problema de relações públicas. Você precisa resolver o primeiro antes e depois trabalhar com uma ótima empresa de RP, mas isso não acontecerá se você não lhes der a liberdade e o acesso que eles precisam para trabalhar, com você, a sua história.

Texto original

Por Seth Godin

Uma amiga fez um anúncio no Craiglist procurando por uma secretária do lar.

Três interessantes currículos se destacaram. Minha amiga googleou cada um dos nomes.

O primeiro levou a uma página do MySpace onde havia a foto da candidata bebendo cerveja num funil. Na parte de hobbies, a primeira fase dizia: “beber com os amigos”.

O segundo nome levou a um blog pessoal (realmente bom). O post mais recente dizia algo como “Eu me candidatei a um tipo de trabalho serviçal que está abaixo de mim e eu estou me sentindo desconfortável com isso. Eu com certeza o deixarei no minuto que eu vender alguns quadros.”

E o terceiro? Havia seis resultados, o sexto era da polícial local indicando que o candidato havia sido preso, dois anos antes, por furtar uma loja.

Três por três. O Google nunca esquece.

Claro, você não tem que ser bêbado, ladrão ou fracassado amargurado pra perder uma chance de emprego precocemente. Tudo que você faz agora acaba ficando na sua ficha permanente. O melhor plano é sobrecarregar o Google com uma longa lista de coisas boas e sempre agir como se você estivesse sendo filmado, porque você está.

Viral sem marketing

22 de dezembro de 2008 • TEMAS: Marketing / /

Buzz e viral são duas coisas que não saem da boca de marqueteiros e publicitários. Acrescente as mídias sociais e você terá a fórmula mágica para o sucesso instantâneo do seu produto (ou serviço). Como bom crítico que sou, tenho minhas ponderações quanto a eficiência dos virais como ferramenta de marketing. Corroborando com a minha opinião, Seth Godin escreveu sobre e separou o joio do trigo ao explicar o que é marketing,  o que é viral e quando os dois se unem para se tornar marketing viral. Eis a interessante definição:

“Marketing viral é uma idéia que se espalha — e enquanto ela está se espalhando, está ajudando a vender um negócio ou uma causa.”

Godin separa o marketing viral em dois tipos:

O primeiro nem parece com o viral que conhecemos e é na verdade uma espécie de buzz marketing, onde produto se auto-propaga num ciclo um tanto óbvio. Quanto mais é utilizado mais é visto, quanto mais visto mais é utilizado. É o tipo de produto/serviço que estimula as pessoas a usarem cada vez mais. Ex: YouTube.

O segundo é o viral como conhecemos, ele se espalha simplesmente porque as pessoas querem espalhá-lo. Mas neste caso, não é o produto em sei que se espalha, é alguma outra coisa. Ex: peças da campanha de Barack Obama.

Godin é geralmente um cara amigável com as palavras, mas desta vez foi um chato. Agora fico mais tranquilo ao respaldar minhas críticas nas dele e não dar uma de chato sozinho.

Virais geralmente são chatos e também perigosos. Se os consumidores perceberem a falta de autenticidade naquilo que está se espalhando, game over. Se o produto não tiver um algo a mais, game over e sem direito a continue. Você não vai sair espalhando algo que é ruim ou apenas “normal”, vai? As pessoas querem algo interessante pra comentar: um computador que você não precise de mouse, um celular sem teclas ou uma loja diferente da que você está acostumado. Milhões de pessoas querem ajudar  a vender o seu produto, mas não pense que elas farão isso sem ganhar nada. Como em qualquer comercial, eles querem um benefício. Qual a vantagem em espalhar a sua idéia pros meus amigos? O que eu ganho? Só porque é divertido?

Idéias divertidas, idiotas, bobas, engraçadas e afins não necessariamente ajudam vender. O YouTube está cheio de virais assim, mas quanto desses podem ser considerados realmente ações de marketing? Para Godin, a única maneira de você fazer seu produto espalhar é criar o seu produto para ser espalhado. Quando Steve Jobs idealizou o iPhone ele sabia do seu potencial, sabia que ia dar o que falar. Tinha como  não dar?

“Ser viral não é a parte difícil. Difícil é fazer o viral gerar algum valor e não apenas entretenimento para você e seu chefe”, disse o mestre Seth Godin.

A oportunidade da sua vida

1 de dezembro de 2008 • TEMAS: Carreira / /

Esta é a chance de passar seis meses ao lado de um dos maiores gurus de marketing da atualidade. Seth Godin.

Godin está organizando um projeto que promete trazer muito mais conhecimento para sua carreira do que a maioria dos MBAs. Preste atenção, eu disse “conhecimento”, não necessariamente resultado. Eu ficaria bastante indeciso se tivesse que escolher entre um diploma da Wharton School ou uma recomendação de Godin. Ao final da experiência (não sei se pode ser chamado de curso), você ganha um certificado e uma recomendação escrita por um dos caras que mais vende livros — de marketing — do mundo.

A experiência chamada MBA-Like (tradução informal: “tipo-MBA”) começa dia 19/01 e as inscrições vão até 14/12. O cronograma é mais ou menos assim:

  • Uma hora de discussão/debate
  • Quatro horas trabalhando nos projetos de Godin
  • Três horas trabalhando em seus próprios projetos
  • Cinco horas por dia vivendo, tomando notas, praticando e se relacionando

Eu confesso que daria tudo para passar um final de semana sequer com Seth Godin, esse cara é um visionário… mas infelizmente para mim é inviável. Espero que pra você não, veja só o que você precisa:

  • Primeiro de tudo, é preciso estar próximo ao escritório dele, em Nova Iorque
  • Você precisa ter inglês perfeito
  • Não pode fumar
  • Tem que ser inteligente e gente boa
  • Responder 9 questões. Entre elas: “o que você sabe?”, “o que você irá fazer com que aprendeu?” e “conte-me uma história real sobre mudar o mundo”

O que Godin procura?

  • Não importa sua idade ou profissão. Godin está interessado no que você fez, e mais importante, em como você fez
  • Pessoas brilhantes e carismáticas
  • Alguém cheio de paixão, empatia, pense rápido e aja mais rápido ainda
  • Que queira fazer algo que realmente valha à pena.
  • Godin não se preocupa se você (ainda) não sabe fazer uma planilha. Mas se você não faz questão de aprender o que não sabe, será um grande problema.

Se você quer tentar, vá em frente meu amigo. Leia todas as informações aqui e vá fundo. Mas como Godin disse, isso não é pra qualquer um. Se fosse, não valeria tanto.