Você está em ‘Seth Godin’

Valeu a pena?

16 de novembro de 2011 • TEMAS: Filosofando /

Com a semana começando na quarta-feira devido ao feriadão e estando um dia atrasado para enviar a minha apresentação para o TEDx, receio não conseguir escrever novos artigos, então deixo mais um excepcional post de reflexão do guru mais comentado da internet, Seth Godin.

Essa é uma pergunta que você ouve um monte. “Valeu a pena?” Mesmo sem saber a que se refere, costumamos dizer “a chegada valeu a jornada? O esforço valeu a recompensa?”

O lance com o esforço é que o esforço já é a própria recompensa se você permitir que seja. Então, a resposta pode ser sempre “sim” se você deixar.

Uma das características da era industrial é a dependência de fatores motivacionais externos.

Ir trabalhar na hora ou o chefe ficará bravo. Pegue pesado no trabalho e o chefe lhe dará uma promoção. Se você é pago por trabalho finalizado, então o seu contra-cheque fica maior se você trabalha mais.

Essa concepção é capturada do modelo de Vince Lombardi, famoso técnico de futebol americano. Claro que existem times que pagam mais de um milhão de dólares por ano ao seu técnico, claro que nós precisamos desses ícones no capacete — ou como conseguiríamos que nossos jogadores dessem o melhor de si?

Eu fiquei um tempo olhando para uma foto da Cornell University onde um grupo de esgrimistas homens praticavam com a equipe feminina. Obviamente, eles não podem competir entre si. Fiquei pensando o que motivava esses esgrimistas. Eles estão fazendo isso por medo do técnico ou de serem dispensados? O desempenho deles seria melhor dessa forma?

A natureza do nosso novo sistema econômico (o qual não suporta o típico trabalho previsível das fábricas) é que fatores motivacionais externos são, de longe, menos eficientes. Se você esta buscando um grande salário, você não o encontrará na sua frente. Se você depende de elogios e agradecimentos dos seus seguidores do Twitter, então você está numa estrada bastante tortuosa.

De fato, o mundo está cada vez mais alinhado em favor daqueles que encontram motivação interna, daqueles que estariam fazendo o que fazem mesmo se não estivessem no emprego em que estão. Ao passo que o trabalho vira projeto, os líderes que precisamos são aqueles que saboreiam o projeto, que se jogam com o forte impulso que nenhum técnico seria capaz de dar.

[Artigo traduzido do original "Dependency On External Motivation".]

Quem é Seth Godin

Sou um autor, empreendedor e uma pessoa que começa coisas.

O que significa essa expressão Poke the Box?

Conformismo costumava ser crucial para se encaixar, não para se destacar. Obediência costumava ser o coração de toda organização bem-sucedida, de toda carreira de sucesso. O motivo? Todos nós trabalhamos para o sistema, na fábrica, fazemos o que nos falaram para fazer. Agora, no entanto, obediência não é mais uma vantagem competitiva.

Poke the Box é sobre produzir faíscas que vão produzir coisas para nossas vidas. Precisamos nos acotovelar em meio ao conformismo em direção a ingenuidade. Em direção a responder perguntas que nós não sabemos as respostas. Mesmo que falhemos, como eu falhei muitas vezes na minha vida, nós aprendemos o que não fazer por experiência e fazemos algo novo.

Isso não é a mesma coisa de encarar o risco. De fato, a coisa mais arriscada que nós podemos fazer é não fazer nada.

Eu tenho tido uma extraordinária carreira, criei uma dúzia de bestsellers, iniciei empresas na internet e dei palestras no mundo todo. A principal coisa que eu trago para os projetos que assumo não é o talento acima da média nem trabalhar mais horas que a maioria. Minha contribuição é me dispor a bisbilhotar (to poke), a começar, afinar o projeto para que ele atravesse a porta.

O que eu aprenderei lendo Poke the Box?

Esperançosamente, espero que você aprenda muito, mas faça mais. Comece a pensar sobre algo que você tenha tomado iniciativa e que realmente significou algo para você, sua equipe, sua família. Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Como se sentiu?

Não há instruções passo a passo ou como fazer no livro. Ao invés, você encontrará uma série de camadas, uma fundação para realizar uma nova abordagem no trabalho. Ao invés de aprender a ser mais complacente, eu quero empurrar você para que tome a iniciativa.

Por que você escreveu este livro?

Eu fui felizardo o suficiente por escutar quase meio milhão de pessoas ao longo dos anos, de conversas com CEOs, presidentes e clientes ao redor do mundo. E todos eles me disseram exatamente a mesma coisa: É da força motivadora que ele precisam, da pessoa que irá sacudir as coisas e movê-las adiante.

Estático não é um estado aceitável. O status quo não é mais algo que queremos no trabalho ou na política ou em qualquer organização que nos importamos.

O mercado está a espera de pessoas que deem um passo a frente. Eu escrevi o livro para essas pessoas, pessoas que têm hesitado antes de pular.

Por que você resolveu criar o The Domino Project?

The Domino Project é minha última tentativa de “poking”. É uma editora independente fundada por mim e subsidiada pela Amazon. Essa é uma oportunidade de publicar manifestos de ideias, comprometida com os leitores, em vez de amiga da livraria. O nome veio do efeito dominó — onde uma ideia poderosa se espalha em linha, de pessoa para pessoa.

Eu tenho dois objetivos audaciosos: eu quero mudar as pessoas que leem (não o suficiente) e quero mudar a maneira como livros são publicados (difíceis de de encontrar e espalhar). Honestamente, acredito um livro é capaz de mudar a mente como nenhuma outra coisa no mundo, e esse é o nosso foco. Ajudar todo mundo a fazer o trabalho que se orgulha e fazer a diferença.

[Extraído da Amazon.com]

Quer ficar louco, leia os comentários do Twitter depois que você fizer uma apresentação, mesmo que tenha sido para 10 pessoas. Você não disse o que eles afirmam que você disse. Você não quis dizer o que eles afirmam  que você quis.

Ou leia os comentários de qualquer post em um blog ou video do YouTube. As pessoas que viram o mesmo que você viu ou leram o mesmo que você leu não entenderam absolutamente nada. (Ou você não entendeu.)

Nós consideramos a escrita e a comunicação verbal meios eficientes e claros. Não é nenhum nem outro. Se a taxa de transmissão de um cabo HDMI é 340MHz, eu acho que a taxa de transmissão de um discurso é muito, muito menor. Sim, há uma grande quantidade de informação transmitida por você, através do seu estilo, da sua confiança, mas não, eu não acho que os humanos sejam tão bons em entender todos os detalhes.

Planeje para ser mal-compreendido. Repita as coisas. Quando você não estiver certo de que está sendo entendido, repita.

[Traduzido do original "You Will Be Misunderstood"]

Por que trabalhamos

23 de novembro de 2010 • TEMAS: Carreira / Filosofando / /

Se marketing fosse uma filosofia, Seth Godin seria Sócrates. Anos acompanhando e ainda me impressiono pela capacidade dele de nos fazer pensar sobre algo que já deveríamos ter pensado, mas nunca fizemos. Afinal, por que realmente trabalhamos?

  1. Por dinheiro;
  2. Para ser desafiado;
  3. Pelo prazer que o trabalho proporciona;
  4. Pelo impacto que causa no mundo;
  5. Para construir uma reputação na comunidade;
  6. Para resolver problemas interessantes;
  7. Para se sentir parte de um grupo e de experienciar uma missão;
  8. Para ser apreciado.

Pergunta: por que nós sempre nos focamos no primeiro? Todos esses estão presentes sempre que pensamos em trabalho.

Fonte: “Reasons to Work”

Mentores e heróis

15 de outubro de 2010 • TEMAS: Carreira / Filosofando / /

Mentores fornecem dicas sob medida. Eles possuem um interesse particular em você. É customizado, raro e caro.

Heróis vivem suas vidas em público. Transmitem seu próprio modelo através da mídia para qualquer um que queira olhar.

Essa é a definição de Seth Godin em um post iluminado. Quem nunca quis ter um mentor? Eu sempre quis. E várias vezes li sobre a incrível contribuição que eles proporcionam a vida de qualquer pessoa que tenha a oportunidade de ter um. Alguém como Mestre Miyagi, Ken Carter ou quase qualquer pesquisador acadêmico.

Na ausência de um, procurei aprender com os melhores do mundo. Mesmo que fosse através de livros, entrevistas, artigos e cases. Mas ainda assim, sempre quis ter um mentor. Pelo menos até ler Seth Godin falar que está tudo bem se você não tem um, você ainda pode ter um herói (ou uns).

Para todas as pessoas que usam como desculpa de seu insucesso o fato que, por exemplo, Jeff Bezos não será seu mentor, há muitas que percebem que o exemplo dele é o suficiente. Como uma roupa feita sob medida, mentores são ótimos se você puder encontrar ou arcar com um. Mas para o resto de nós, heróis dão conta do recado.

O bom disso é que qualquer um pode ser seu herói e ele nem precisa aceitar isso. Você também pode ter mais de um herói, um para cada área. Você norteia suas ações nas lições dessas pessoas e elas os ajudarão a tomar decisões e manter seus passos no caminho certo. Eu posso nunca ter tido um mentor, mas minha vida é cheia de heróis que têm me ensinado tanto quanto. Seth é um deles.

A elite profissional

12 de maio de 2010 • TEMAS: Carreira / /

Por Seth Godin

Em um mundo em desenvolvimento, geralmente há uma divisão bem definida entre elites e as outras pessoas. Os elites têm mais dinheiro e/ou mais educação. Não é raro encontrar países muito pobres onde uma pequena parcela da população não é nada pobre. Às vezes, isso é uma condição não merecida, herdada ou adquirida tirando vantagens sobre os outros.

Independente disso, você não pode apenas dizer que é de elite e se tornar um. Na maioria das sociedades (incluindo a minha e provavelmente a sua), eu diria que a divisão é diferente. Há uma linha entre as pessoas que ativamente se engajam em novas idéias, ativamente buscam mudança, são ativamente engajadas…  e aquelas que aceitam o que lhes é dado e se matam trabalhando.

Isso começa na escola, claro, e então a diferença se acentua conforme crescemos. Algumas pessoas se esforçam para encontrar novos desafios ou se agarram com coisas apesar de discordarem. Elas procuram novas pessoas, novas oportunidades e saboreiam o desconforto que vem com o crescimento (e desafiam outras a experimentar o mesmo).

Talvez eu esteja me vangloriando (e você), mas eu acho que quase todo mundo que lê blogs como este fazem parte da elite. Não por causa do sobrenome ou classe social, mas por causa da escolha feita, da decisão tomada de se manter atento e engajado, de desafiar o status quo da sua escolha.

O número dos que se consideram elite tem explodido. Parte disso é em função da nossa habilidade de ganhar a vida trabalhando 14 por dia em condições precárias, a outra parte vem da facilidade com que encontramos e nos relacionamos com outros elites.

O desafio do nosso tempo talvez seja construir organizações e plataformas que estimulem e direcionem elites, onde quer que eles estejam. Além do mais, é de onde produtividade e mudanças nascem.

Uma vez que você assuma isso como uma missão, você economizará tempo e frustração na sua busca. Se alguém decide não ser parte da elite, acho difícil que você possa persuadi-lo a mudar de ideia. Por outro lado, o ciclo de descoberta, engajamento e entrega dos elites tendem a acelerar com o tempo, e você tem todas as ferramentas necessárias para ser parte disso – liderar, na verdade.

Artigo traduzido do original: “Are You an Elite?”

Sem novos clientes

4 de maio de 2010 • TEMAS: Filosofando / / / /

Brilhante como de costume, Seth Godin levantou um ponto importante para a nossa reflexão. E se não houvessem mais novos clientes disponíveis no mercado? Se, de repente, fosse impossível atrair novos compradores, novos leitores, novos doadores,  novos funcionários… como você trataria aqueles que já tem? Como investiria seu dinheiro?

A questão principal é aquela abordada aqui no blog inúmeras vezes: um cliente atual vale mais do que um novo, e muito mais do que tentar reconquistá-lo. Cultive relacionamentos com clientes, trate bem os funcionários, esqueça daquela relação profissional fria e distante da época de duas décadas atrás.

E se tentarmos agir como se não houvesse mais novos clientes, começando hoje?

Isso não é pra mim

17 de março de 2010 • TEMAS: Comportamento / /

Por Seth Godin

Uma disciplina que vale à pena ter: ao dar um feedback, separe “isso não é pra mim” de “isso não é pra ninguém”.

Se alguém lhe mostrar um plano de negócios de uma estação de energia que usa tração mecânica para gerar eletricidade, é justo dizer “isso nunca irá funcionar, é impossível”.

Se alguém lhe mostrar um plano de negócios de uma rede de restaurantes de cachorros-quentes de sushi, é justo dizer “que nojento! Eu nunca iria lá”, mas não é sensato assumir que isso jamais funcionaria em lugar nenhum seja qual for o cenário.

Você pode dizer que não gosta de um livro, de um filme ou de um candidato à eleição. Mas sem informações adicionais, você não tem como dizer que nunca vai ser um sucesso, que os críticos não irão elogiar ou que o candidato nunca se elegerá.

Editores brilhantes e investidores de risco têm a habilidade de se empolgar com um projeto que não tem nada a ver com o gosto deles — eles criticam com base em suas experiências não egoísmo. Essa é uma habilidade muito valiosa, requer empatia, experiência e senso crítico, não alegações óbvias.

[Traduzido do original "Not For Me"]

Depois de “O Melhor do Mundo”, “Vaca Roxa”, “Todo Marqueteiro É Mentiroso” e “Tribes”, Seth Godin lança seu novo livro chamado “Linchpin”, no qual relaciona marketing com a arte e vida profissional com a vida de um artista. Jackie Huba, autora do blog The Church of the Customer e de 2 livros, entrevistou o carequinha mais famoso do marketing e essa entrevista você lê traduzida aqui.

O que é um linchpin e por que é importante se tornar um?
Um linchpin é uma parte que você não pode viver sem, é o que faz a diferença. Em toda organização existe um (ou vários). Ele pode ser o grande inventor que criou o impossível, porém é mais provável que seja um grande e prestigiado vendedor ou atendente que cria uma conexão, ou um marqueteiro que sabe como contar uma história que se espalha.

Em um mundo pós-fábricas, montar uma linha de produção não é tão importante. Estocar, apertar botões, ler o manual… esses papéis são facilmente substituíveis, papéis em que nem o trabalhador nem a organização ganham (margem) o bastante por isso. Se você quer um emprego satisfatório e seguro, então,  você precisa descobrir como fazer o inesperado, fazer o que realmente importa e criar interações com as pessoas.

Você fala sobre linchpins serem artistas. Qual a diferença entre um profissional de marketing convencional e um que pensa como um artista? Você pode dar um exemplo de um marqueteiro que seja um artista?
Arte, pela minha definição, não tem nada a ver com pintura e tudo a ver com conectar pessoas de um modo generoso fazendo com que a mudança aconteça. Um diretor de cinema faz arte quando ele faz o público chorar. Um designer de produto faz arte quando o modo de usar é melhor do que precisava ser, mais eficiante e até prazerosa.

Profissionais de marketing podem encontrar livros, manuais e PDFs que expliquem direitinho como seguir as regras. Isso é fácil e particularmente nada valioso. Um profissional de marketing se torna um artista quando luta por uma causa, faz o inesperado ou arrisca e faz a diferença.

Eu poderia argumentar que vocês [do blog Church of Customer Blog] fazem arte quando se levantam para falar sobre o conceito do 1%. Ou que Isaac Biz Stone  foi um artista quando descobriu como fazer o Twitter [do qual ele é co-fundador] ser usado de forma massiva. Ou Scott Monty, na Ford, fez com que um carro atravessasse os coquetéis da AutoWeek para entrevistar especialistas em social media. A segunda vez que alguém faz algo é cópia. A primeira é arte.

Nós entendemos como funciona o conceito de “trabalho físico”, mas você enfatizou a importância do “trabalho emocional”. O que você quis dizer, poderia nos dar um exemplo?
Eu não sei sobre você, mas eu não tenho feito trabalho físico há muito tempo. Talvez redigir.

Trabalho emocional é o ato de sorrir quando você está assustado ou pegar um avião quando você está exausto. É sonhar quando você não sente que está sonhando, se importar com o outro quando ele está agindo como um idiota. Trabalho emocional é trabalhar com seu coração, com alma e com seus sentimentos. Nós costumamos achar que isso é fácil, mas não é.  Por outro lado, é muito importante.

Nós amamos a frase “quanto mais fácil de quantificar, menor é o valor”. Você pode nos dizer por que isso é verdade?
Se você pode quantificar, então provavelmente alguém soube como tornar isso normal, comum. E se alguém pode transformar isso em algo normal, alguém sempre poderá fazer isso mais barato do que você pode.

Por outro lado, o que é valioso e custa caro não pode ser quantificado. Coisas como prazer, segurança ou felicidade não são fáceis de mensurar, isso é arte, e arte sempre vale mais do que as pessoas acham que vale.

Nós medimos o quantificável porque nós podemos. Mas nós devemos criar o inquantificável porque é raro.

Nosso cérebro teimoso nos diz “cala a boca. não levante. não fale pra todos ouvirem. se esconda”. Se você quer ser um linchpin, como nós silenciamos essa parte do nosso cérebro?
Steve Pressfield chama isso de resistência. A voz na sua cabeça que destrói a arte. Há várias maneiras de destruí-la. Você pode distraí-la. Forçá-la. Enganá-la. Seduzí-la com pequenos passos. Eu não estou certo qual a melhor técnica, mas eu tenho certeza absoluta que isso precisa ser feito. Meu livro tem apenas um objetivo: fazer você se comprometer com essa tarefa.