Você está em ‘segmentação’

Os três assuntos mais falados no mundo do marketing globalmente são: internet (social media + e-business), classe C e poder de consumo da mulher. Quando dois desses assuntos se envolvem, imagine a importância disso para as as empresas. ENORME!

Historicamente, a mulher sempre influenciou compras, apesar de quase todos produtos terem sua comunicação voltada para eles. Porém, elas sempre tiveram baixo poder de compra. Esse ciclo onde elas atuavam basicamente como influenciadoras de compra, mudou. Uma vez que as mulheres estão mais independentes e ocupando lugares que não costumavam ocupar; elas estão comprando mais e falando mais ainda. Apesar dos homens terem se tornado mais independentes no quesito compra, ainda precisamos delas.

Mas elas não precisam de nós. E as empresas precisam entender como é a mulher século XXI. Entre os avassaladores números das redes sociais, está escondido um fato pouco notado pelos profissionais de marketing digital: a importância da mulher. Elas deixaram de ser coadjuvantes para ocupar um papel tão importante ou mais do que os homens quando se trata de consumo.

Pelo fato da mulher passar 30% mais tempo em redes sociais do que os homens e ser a que mais acessa pelo celular, as empresas talvez devam reavaliar suas ações. Elas já são a maioria em várias lojas virtuais americanas, a maioria no Facebook, a maioria no Twitter e 3 em cada 4 usuários registrados no Groupon são do sexo feminino.  Segundo o US Census Bureau, elas estão por trás de 80% de todo o dinheiro gasto com compras: um valor de cerca de $ 5 trilhões de dólares.

Acredito que as mulheres vão dominar ainda mais a internet. Talvez pelo caráter protetor da mulher  e de se expor menos aos riscos, os early adopters costumam ser, na sua maioria, homens. Ou seja, os homens foram os primeiros a comprar pela internet, a pesquisar usando sites e a comprar pelo celular. Mas uma vez que isso tenha se tornado algo comum — algo seguro –,  as mulheres passam a dominar. Afinal, elas adoram comprar! Outra característica clássica das mulheres: elas são mais sociáveis que os homens. Logo, tem maior tendência a dar sua opinião e espalhar  mensagens.

As mulheres respondem por 62% da atividade do Facebook – mensagens, updates e comentários. E, se você possui ou administra uma página lá, vai gostar de saber que 71% de toda atividade gerada em páginas de fãs vem de mulheres. Além disso:

  • Mulheres têm, em média, 8% mais amigos em redes sociais que os homens
  • 60% dos “donos de fazendinhas” são mulheres (usuários registrados nos games da Zynga)
  • Em termos de visitantes, elas são a maioria no: Facebook, Twitter, Del.icio.us, Flickr, Myspace, Bebo, Classmates e Yelp (eles apenas no Digg)

Se você, de alguma forma, trabalha com marketing digital deve ter em mente que agradar as mulheres na web é um dos segredos do sucesso online. Principalmente se forem mães; um estudo da Nielsen mostrou que elas são muito engajadas em redes sociais e compram bastante online, mas prestam menos atenção a comerciais — e mais na história.

De uma maneira geral, as mulheres falam mais, exercem grande influência online e já são grande compradoras virtuais (de 2009 para 2010, o número de mulheres que compraram pela internet saltou de 10% para 18%). Elas devem receber maior atenção também por parte da estratégia, colocando mulheres em cargos importantes, criando mais ações e produtos para o público feminino, ampliando, assim, não só as vendas, mas principalmente o boca-a-boca. Em uma época onde relacionamento social dita as regras, é melhor você deixar elas comandarem essa relação.

[Baseado no artigo "Why Women Rule the Internet"]

Loja nerd

Eu não saberia quantificar, mas a quantidade de brasileiros nerds no Brasil é gigante! Não aquele nerd que estávamos acostumados, do tipo mostrado em “The Big Bang Theory”, geralmente um CDF bobão, mas um tipo moderno de nerd. Esses “novos nerds” evoluíram daquele nerd padrão. Como mostra a divertida imagem ao lado (clique para ampliar).  O perfil geralmente é de jovens entre  15 e 30 anos, de classe AB, que gostam de bandas diferentes, camisetas descoladas e programas de TV atípicos. Juntos, eles formam  uma das mais leais e curiosas tribos.

Diante desse cenário, explorar esse mercado parece algo muito promissor. No Brasil, Já existem festas e outros eventos voltados pra esse público, vários sites de camisetas apareceram, uma ou outra loja de action-figures, mas nenhuma grande loja virtual com produtos de vários tipos para esse público.

Recentemente, comprei na ThinkGeek, uma das maiores lojas do segmento nos Estados Unidos. Junto com o pedido, recebi um fascinante catálogo e  percebi o potencial que o Brasil tem para uma loja como essa.

Como Seria?

Pela alta segmentação de mercado, é mais indicado que seja uma loja virtual. Podendo abranger também uma loja física, desde que em uma grande capital e dentro de um shopping center AB. Seria importante ter um bom estoque e contemplar diversas categorias como bonecos, puzzles, gadgets, camisetas, coisas de escritório, casa e pets. O acervo da ThinkGeek não é tão grande assim, mas os produtos encantam até quem não se considera nerd.

Alguns produtos são úteis (como gancho de parede em formato de estrela ninja) outros são meros itens de decoração. O importante é oferecer ambos para atingir diversos públicos. Embora seja voltada para um público AB, isso é mais por questões comportamentais do que financeiras, os  preços devem variar para caber no bolso de qualquer tipo de cliente. Gastar R$200,00 em um sabre de luz é para quem realmente é fã (nerd). Mas talvez uma patricinha se interesse por uma luminária em formato de pote de geléia que custa R$25,00 ou uma mãe queira levar uma bola que muda de cor para sua cachorrinha.

O investimento pesado ficaria para publicidade, com forte uso de redes sociais (que é praticamente de graça). Uma excelente loja virtual seria fundamental, custa caro, mas muito menos do que a loja física. Número de funcionários reduzido, porém extremamente atenciosos e que conheçam o público. O mais difícil seria estabelecer uma boa relação com fornecedores (a maioria no exterior) e estudar bem sobre importação.

Pode parecer um negócio arriscado. Mas milhares de brasileiros ficariam loucos para ver algo assim por aqui. Esse público não para de crescer, são ávidos consumidores de produtos raros e diferentes.

Por Al Ries

Existe a chave e a fechadura, o parafuso e a porca, o botão e o buraco. Da mesma forma, existe o posicionamento e o espaço na mente que o marketing tenta preencher.

Exceto, é claro, que muitos profissionais de marketing esqueceram da existência desse espaços na mente dos consumidores

O que é estranho. Se existe uma constante nas conversas sobre qual é a função do marketing, é a seguinte: o dono de toda marca é o consumidor.

Teoricamente, guardar algo na mente não é diferente de preencher um espaço na sua casa ou apartamento. Roupas no armário. Livros na estante. Comida na geladeira. Carro na garagem.

Hoje, nós conhecemos muitas marcas famosas sem espaço na mente pra colocá-las.

O que é a Dell?

Em uma palavra: “compra direta”.

“Direto da Dell – estratégias que revolucionaram uma indústriaé o título do livro do Michael Dell.

Há algumas poucas empresas com histórias mais interessantes que a da Dell. Na década de 90, tinha a melhor perfomance na bolsa de valores. Em 2001, a Dell era a maior vendedora de computadores do mundo, com 13,3% do mercado. Em 2005, chegou a 16,8%. Então, as coisas começaram a piorar. Caiu para 15,9% no ano seguinte até chegar aos 12,2% no ano passado. Era uma vez um líder de mercado que hoje está na 3ª posição. A margem de lucro também caiu terrivelmente de 6,4% para 2,7%.

Um líder de mercado perder sua posição é algo raro. A Duracell já perdeu alguma vez sua posição? A Visa deixou de ser líder mesmo com a forte campanha da Mastercard? O iPhone conseguiu tirar a liderança do BlackBerry?

Líderes raramente perdem a briga para um produto superior ou marketing mais pesado. Líderes geralmente perdem quando tomam decisões estratégicas de marketing erradas.

O que é a Dell? Costumava ser computadores pessoais vendidos diretamente, sem revendas. Um largo espaço na mente desenvolvido pela brilhante estratégia da Dell que oferecia preços acessíveis e máquinas que atendiam as necessidades de cada cliente.

Não hoje. Mas em 1997, a Dell criou um departamento de vendas encarregado de vender diretamente para lojas de varejo, como Walmart e outras grandes redes.

E não apenas computadores. Em 2003, a Dell começou a vender TVs LCD, PDAs, impressoras e MP3 players. Tudo com a logo da Dell. A empresa até chegou a abrir uma loja de música digital.

Essa expansão teve o suporte de um massivo investimento em mídia, $3,1 bilhão. Mais do que o Walmart, HP e Coca-Cola. Mesmo com toda a publicidade, em 2009 apenas 19% do faturamento veio dos consumidores.

O que é a Dell hoje? Uma empresa em apuros que perdeu o seu espaço na mente e ainda não abriu um novo.

O que é a HP?

Em uma palavra: “impressora”.

Hewlett-Packard foi a primeira impressora de mesa à laser e hoje tem em torno de 40% do mercado de impressoras.

“A maioria das pessoas pensam que somos apenas uma empresa de impressora”, diz Michael Mendenhall, diretor de marketing da HP. Esse é o motivo que fez a HP lançar uma nova campanha institucional, de acordo com o The Wall Street Journal, “para deixar clara sua posição de empresa de tecnologia sem fronteiras”.

Além da liderança no mercado de impressoras, a HP é hoje a Nº1 em computadores com 19,8% do mercado mundial. Até quando isso vai durar é outro assunto.

Compaq era a Nº1 até ser comprada pela HP. Essa aquisição e a queda da Dell deixou espaço para a HP preencher.

Da mesma forma que a Dell, a HP tem estado ocupada expandindo seu mercado de serviços e lançando sua TV e smartphone.

Segundo a Fortune, o CEO Mark Hurd está “empurrando o conceito de que os consumidores não precisam parar pra acessar o computador, imprimir e satisfazer outras necessidades tecnológicas”. Já a Forbes estampa na capa outra matéria chamada: “Ele quer tudo”.

O que isso parece pra você? Pra mim, lembra a IBM da década de 80.

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#4 Nicho é um grande mercado

No último final de semana, assisti o novo clipe de uma banda que a maioria nunca ouviu falar. Pendulum é hoje o nº1 do drum’n bass do mundo, o que mais vendeu discos e um sucesso estrondoso nas rádios inglesas. Lembro que fez um grande sucesso no Reino Unido alguns anos atrás e só não passou despercebido pelos brasileiros devido à sua apresentação no Skol Beats 2008. Agora em 2010, eles estão lançando seu 3º álbum em um super show que já foi chamado de “O Maior Show da Terra”.

Mas o que realmente me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas que já assistiram o clipe da nova música de trabalho, “Watercolour”. No YouTube, o clipe  já foi assistido 1.098.164 vezes (enquanto você lê este post, o número já deve ter aumentado bastante). Veja bem, mais de 1 milhão de views em menos de 2 meses de uma banda que está longe de ser mainstream . Só a título de curiosidade, fiz uma comparação entre Pendulum e  Jack Johnson, um artista mundialmente conhecido e definitivamente mainstream. Jack Johnson lançou seu novo clipe alguns dias depois, então para comparar dividi o número total de views pelo número de dias e o resultado que obtive foi o seguinte:

  • Pendulum: 20.720 views por dia
  • Jack Johnson: 31.200 views por dia

Jack Johnson já lançou 5 discos e ficou 213 semanas no topo das listas dos Mais Vendidos no Reino Unido, Pendulum que parte para o seu 3º disco, ficou “apenas” 30 semanas. O que me espantou nos mais de 1 milhão de pessoas que assistiram o clipe “Watercolour” é que eu já conhecia a banda e sua fama, mas pensava que poderia ser uma banda da moda, justificada pela paixão dos ingleses pelo drum’n bass. De fato, eles adoram esse estilo de música eletrônica, mas definitivamente a banda veio pra ficar.

Assim como nos negócios, na música você tem que conquistar um território. Bandas que conseguem criar um estilo próprio e, mais do que isso, fazer os fãs acreditarem nisso encontrarão o sucesso (lembre-se que posicionamento é o que está na mente do consumidor, não no seu plano de marketing). Elvis Presley, Beatles, Madonna, Ray Charles, Johnny Cash, B.B. King (e os mais recentes The Strokes e Arctic Monkeys) todos eles deixaram sua marca como quem diz “este tipo estilo é meu, todos os outros são cópias”. O problema é que eles viveram em uma época onde não havia outra opção senão ser o melhor. Hoje, o conceito de melhor deixou de ser absoluto e o mercado se tornou um campo de guerra com inúmeras frentes de batalha. Poucos conseguem se sobressair, e aqueles que o fazem transmitem uma lição: agrade o seu pequeno público e logo eles se tornarão muitos.

Quem entende um pouco de computadores sabe que a Intel é líder absoluta de mercado. Seus processadores Pentium, Core 2 Duo e os recentes “i” sempre foram o que há de melhor em processamento. Por outro lado, o irmão pobre Celeron não só é uma opção barata, como é uma opção ruim, sendo muitas vezes pior que o seu corrente AMD. Celeron continua tão viva quanto os outros e talvez seja a marca mais trabalhada dentro da Intel. Bem, ela é uma marca de combate (em inglês, fighter brand).

Uma marca de combate é uma marca criada pra impedir que consumidores deixem você por causa do preço. Ou mesmo trazer de volta aqueles trocaram de marca em busca de uma opção mais viável finaceiramente.

Quando a coisa está feia, uma empresa tem três opções: 1) Baixar o preço, e assim prejudicar a imagem da marca; 2) Manter o preço, na esperança de que consumidores voltem a comprar depois; 3) Lançar uma nova marca.

Gestão de marcas é talvez a atividade mais difícil dentro do marketing hoje. É muito fácil sentir-se tentado em lançar novos produtos com o mesmo nome (extensões) ou criar um novo para tentar abocanhar um pedaço maior de mercado. Livros de branding mostram que há quase tanta vantagem como desvantagem ao alongar uma marca, portanto, deve ser feito cuidadosamente  alinhada à estratégia da marca-mãe e da empresa como um todo. Lançar uma marca nova, com outro nome, aparentemente oferece menos riscos.

No Brasil, um ótimo exemplo de marca de combate é a Brahma Fresh, presente nas regiões norte e nordeste do país. Criada pela Ambev em 2008, o objetivo era impedir o avanço da Nova Schin — uma cerveja mais barata que vinha ganhando market-share rapidamente nessas regiões.

O perigo está ao lado
Marca de combate é uma boa estratégia e funciona bem contra o avanço da concorrência. Mas é como se você tivesse 2 filhos em casa. Eles vão brigar, durante um tempo, se você não souber administrar.

Mark Ritson, uma das maiores autoridades em marketing da Inglaterra, defende que fighter brands infligem pouco dano nos concorrentes e grandes danos colaterais às empresas que praticam. Canibalização é o maior deles. Uma vez que o consumidor experimente a alternativa barata, as chances são grandes dele continuar comprando aquele. Afinal, é “Intel Inside”, é Brahma…

Outro grande perigo é a alocação de recursos, não só financeiros, mas humanos também para gerir cada marca. Você não vê empresas contratando muitos profissionais antes de lançar novos produtos, porque eles são realocados de um para o outro, ou na pior hipótese, trabalham para os dois. Talvez “marca de combate” ou “fighter brand” sejam nomes oportunos porque é quase certo que elas causem dano. O cuidado é para que seja no concorrente, não na própria empresa.

Inspirado em: “Fighter Brand Strategy – Cure For Low-Priced Threats?”

11. Aumente o preço ao longo do tempo para aumentar sua demanda.
Nos anos 50, Krug era uma das menores e mais prestigiadas produtoras de champagne do mundo. Era consumida por personalidades e grandes artistas da época, especialmente na Grã-Bretanha. Möet & Chandon, uma grande vinícola percebeu a oportunidade e lançou Dom Pérignon, custando 3 vezes mais que o Krug. Se não bastasse, uma remessa foi enviada à Rainha da Inglaterra e James Bond só bebia Dom Pérignon em seu primeiro filme. Uau, que pancada.

Krug fez o que toda empresa em desvantagem (de recursos) faria, agiu inteligentemente. Ao contrário da “falsa escassez” do Dom Pérignon, induzida pelo seu alto-preço, a pequena vinícola levou ainda mais a sério seu produto, tornando-o ainda mais raro.  Essa autenticidade levou 10 anos pra ser construída, a Krug então tinha uma  história pra contar. O preço da garrafa foi de $19 para $100 nesse tempo. Além disso, Clos Du Mesnil foi criado. Um champagne raríssimo feito com as uvas de uma pequena parte da plantação. Levou 10 anos para preparar o solo, torná-lo fértil e fazer a colheita. Hoje, uma garrafa de Clos Du Mesnil ultrapassa $700 dólares.

Se você começa a se preocupar com a relação preço e demanda, então você não está no mercado de luxo. Apenas elevando preços, criando uma história e reinvestindo as altas margens é que você se manterá no hall das marcas mais desejadas do mundo.

12. O preço presumido deve ser sempre maior que o preço real.
Não sei se já aconteceu com vocês, você abre os Classificados à procura de um apartamento médio para alugar ou mesmo um produto qualquer e o proprietário não menciona valor. Você folheia mais um pouco e se depara com um anúncio de uma concessionária vendendo um Mercedes SLK por R$149.000.

No mundo do luxo, não se menciona preço. Porque é necessário que as pessoas achem que ele é mais caro do que realmente é, de forma a aumentar o status de quem o possuir. Como acontece em um mercado tradicional? Exatamente o oposto. A maioria dos clientes não se interessariam pelo seu produto se soubessem seu preço real, então o que você faz? O enconde sob parcelas e promoções, dando a impressão de que é menor. No luxo isso não acontece, quanto mais caro (e inacessível) as pessoas acharem que é, melhor. Por isso, essa é a nossa 12ª anti-lei do marketing.

13. Luxo dita preço. Preço não dita luxo.
Esqueça tudo que você sabe sobre pricing e costing. O preço de um objeto de luxo excede qualquer razão ou análise de mercado. No luxo, primeiro você cria o produto e depois vê a que preço irá vender, quanto mais as pessoas admirarem e verem como algo luxuoso (e não apenas seu público-alvo), maior será o preço que você poderá trabalhar.

Isso vai de contra a duas leis do marketing: 1) A que analisa o quanto as pessoas estão dispostas a pagar; 2) A lei da oferta e procura, que diz que o preço varia de acordo com a demanda.

Aqui há um ponto importante, os vendedores precisam ser treinados para transmitir a aura da marca. Compartilhar o mistério, envolver o cliente e deixar o cliente à vontade para comprar — se quiser. Podemos relacionar isso com outra regra: a de forçar a venda. No luxo, o consumidor compra se quiser. Porque se ele não quiser, tem outros milhões querendo.

Há tempos, a indústria e o governo se esforçam para aumentar o parco consumo per capita de vinhos no Brasil. Por “n” motivos, jamais chegará a um nível satisfatório.

No Rio Grande do Sul –sobretudo nas cidades do interior– o vinho está em todo lugar, principalmente na mesa. Portanto, consumo de vinho não é um problema por aqui. O desafio é outro: aumentar o consumo de um produto altamente sazonal, o espumante

Duas semanas atrás fui a uma festa de música eletrônica de uma marca de vinhos e espumantes. Evento grande, bonito, bons DJs e o principal: espumante liberado. Uma boa estratégia. Se você quer aumentar o consumo entre os jovens, festa é uma das melhores maneiras. Mas não é o bastante. Afinal, o investimento é alto e o risco maior ainda.

Um dos maiores desafios do marketing é criar novos hábitos de consumo. Fazer as pessoas beberem um isotônico enquanto praticam exercícios, trocarem café por chá ou responder um e-mail através do celular. Felizmente para empresas desses segmentos não é muito difícil visto que não há um substituto direto para esses produtos. Não existe um hábito de consumir esses produtos regularmente. Ou seja, ainda não é muito normal –para maioria de nós– responder e-mails usando um celular ou beber Gatorade sempre que damos uma corrida no parque.

O que o mercado de espumantes encontra é justamente o contrário. Há hábitos de consumo já enraizados, no que diz respeito bebida alcoólica. Eu bebo cerveja 90% das vezes em que saio pra uma festa. Você pode beber whisky ou vodka. Mas beber brut (versão mais forte do espumante) está longe de fazer parte dos hábitos do público noturno.

O desafio é grande e proporcional à recompensa. Como Seth Godin explicou em seu livro The Dip, o conceito do vão (ver imagem) é aplicável ao desafio que as vinícolas estão enfrentando. Requer paciência, esforço, investimento.

Está dada a largada. A primeira marca que consegui superar o vão e entrar na mente do consumidor como “bebida alcoólica” e deixar de lado “bebida chique”, “cara demais” ou para “comemoração” colherá grandes resultados. De quebra, estimula todo o mercado aumentando o consumo do outras marcas também, mas esse um assunto para outra ocasião. E as vinícolas já têm desafios demais pra se preocupar…

Quando foi que as coisas se tornaram tão complicadas? Ora, nossos antepassados viviam da caça, eram nômades e não podiam fazer muito pra mudar isso. Ok, você pode dizer que essa é a ordem natural das coisas; a civilização evolui e a sociedade se torna cada vez mais complexa. Mas quão complexa ela ainda irá se tornar? E o que a sua ou a minha empresa tem a ver com isso?

Chegamos a um ponto em que opções demais, requinte demais, extravagância demais, coisas demais não mais importam. Cada vez mais pessoas têm percebido isso e se tornados adeptos da arte da simplicidade. Esse é o porquê de 144mil pessoas assinarem o site Zen Habits ou lerem a revista Vida Simples ou praticarem Yoga ou trekking. Este é o mercado da simplicidade.

Eu já tive o privilégio de morar em algumas cidades e conhecer muitas outras. Hoje, eu moro em uma das cidades mais limpas e bonitas que já conheci, mas cara, como eu sinto falta da simplicidade! Tudo é tão exagerado e voltado para altos padrões de exigência como se não existissem mais pessoas “simples” vivendo.

Lojas não precisam ser tão chiques, restaurantes não precisam ser tão finos e bares não precisam ser tão badalados. Sempre existirá aqueles que procuram o oposto disso. Como em um restaurante vegetariano. Você já foi em um? Talvez você não goste da comida, não goste da decoração, mas é difícil não achar interessante esses lugares tão receptivos e aconchegantes. As pessoas parecem que são mais educadas, mais de bem com a vida e seu tamanho, geralmente pequeno, acaba nos deixando mais à vontade.

Uma semana no spa, um findi na chácara, acampar, pescar… quando as pessoas fazem isso elas estão exercitando a simplicidade. Algo difícil de encontrar na cidade. Comprar a fruta ao invés da caixa de suco, trocar o a esteira elétrica pela pavimentação dos parques, isso é uma espécie de busca pela simplicidade.

Quando uma empresa deixa de usar conservantes no seu produto ou disponibiliza um atendimento via chat — ao invés do habitual e-mail –  ela está exercitando a simplicidade. Talvez sem saber. facilitando o diálogo pro consumidor. Simplicidade nos negócios é realmente tão simples quanto parece. O problema é que as pessoas desaprenderam como ser simples.

Como em qualquer segmento, simplicidade não tem apelo para todos os públicos. Mas uma vez que você perceba o quão grande este mercado está se tornando…

A grande pergunta é: você saber ser simples?

Quando a Asus lançou seu Eee PC (o 1º netbook do mercado), dois anos atrás, eu imagino que ela tinha um objetivo muito claro, do tipo “criar um produto para o consumidor final”. [A ASUS sempre foi uma fabricante de componentes, ou seja B2B.] Muito antes de 2007, a Asus já era uma fabricante de hardware respeitável e sinônimo de qualidade quando se falava em placas-mãe. Basta dizer que se seu computador não tivesse uma placa-mãe ASUS, ele não era tão bom assim. De fato, a Asus acertou em cheio quando lançou o Eee PC — que o mundo todo viria batizar de netbooks.

Quando uma empresa lança um produto de sucesso, não necessariamente significa que esse mercado terá sucesso. A concorrência imita, isso faz parte do jogo, mas geralmente a nº1 é quem rege a orquestra.  No entanto, todos estão abocanhando uma considerável fatia desse mercado e a ASUS está perdendo mercado.  Nos EUA, ela ocupou o melhor lugar na mente dos consumidores, a de Nº1, e como só existe mais um lugar sobrando (segundo os ensinamentos de Al Ries), as demais marcas estão numa guerra selvagem. E o pior: canibalizando as já consolidadas vendas de laptops.

Em 2007, foi vendido somente 1 milhão de unidades. Esse número aumentou 14 vezes no ano passado e tende a dobrar em 2009. No entanto, eu acredito que esse número deva chegar ao limite mais rápido do que se imagina.

Os netbooks estão em algum lugar entre um celular e um laptop. Mas peraí, esse não é o mesmo lugar dos smartphones? Os smartphones cresceram 12,7% no primeiro trimestre deste ano, os netbooks 40% e laptops 22%, mas é difícil acreditar que as pessoas tenham os três. As pessoas compram smartphones porque querem receber e-mails, navegar na internet e abrir planilhas. Compram netbooks porque querem usar mensagens instantâneas, navegar por mais tempo na internet e usar recursos básicos de multimídia — mas também querem uma tela maior. Uma tela maior não é diferencial bastante pra sustentar esse mercado. Tanto smartphones como netbooks são computadores que eu chamo de “monotarefas”, ou sejam você usa uma coisa de cada vez.

Existe laptops de 12 pol. com duas ou três vezes mais potência e capacidade que os netbooks. Mas aí você pode pensar “são muito caros”. Sim, são. Mas quem realmente precisa de tanta mobilidade assim? Executivos, empresários, produtores… esses caras são o público de smartphones e laptops ultra-compactos. Não de netbooks.

O netbook não é um produto que já nasceu morto, ele tem seu espaço, mas exceto pela Asus, eu não acho que alguma marca conseguirá se consolidar nesse mercado de nicho. Talvez focando no público de baixa-renda. Mas o desempenho fraco –similar a um celular de última geração—não substitui um PC Desktop ou laptop. Tão logo os consumidores descubram que a tela minúscula, teclado mínimo e processamento medíocre é o mesmo dos celulares modernos e que não substituem o computador convencional, o segmento morrerá. O netbook é um produto muito pequeno para um mercado tão grande e com tantos monstros tecnológicos.

*UPDATE 1 *(08/12): Conheci 3 pessoas que possuem netbooks e 2 me disseram que jamais comprariam de novo. Também perguntei a algumas pessoas se elas comprariam e a grande maioria me disse “acho que não”.

**UPDATE2* (08/12): Encontrei uma utilidade. Vi bares e restaurantes agilizando seus processos através do uso de netbooks. Como acontecia com PDAs pouco tempo atrás.

Muitos meses atrás, Seth Godin me conquistou escrevendo um artigo chamado “Passion and Pop”, eu o salvei com o objetivo de dissecá-lo algum quando tivesse um blog. Meu blog já completou 1 ano e eu ainda não tinha feito isso. Chegou a hora.

O artigo me conquistou porque Seth disse — com muito mais autoridade–  o que já acreditava há tempos. Eu juro que não lembro que guru disse isso, mas uma marca tem apenas duas estratégias a seguir: ser a marca líder ou ser o oposto dela. Em uma visão abrangente, podemos dizer que isso significa que  só há 2 opções a considerar, ser branco ou preto. Ponto.

Pela primeira vez vivemos a era em que o mercado é muito mais perigoso para as grandes corporações do que para as pequenas e micro empresas. Agilidade, criatividade e maiores opções de financiamento garantem às empresas menores, crescimento maiores. Juntemos o fato de que só existe 2 opções e que o mercado é mais promissor aos menores e chegamos a conclusão que ser “alternativo” é uma GRANDE estratégia.

A maioria das pessoas gostam praticamente da mesma coisa, mas ainda há uma considerável fatia que não gosta dessa coisa e deseja algo diferente. Eles são  apaixonados e, frequentemente, tem alto poder aquisitivo ou uma grande capacidade de influenciar pessoas. Na outra ponta estão os “da moda”,  o tipo de pessoa que vai comer sushi no badalado restaurante X  mesmo sabendo que o Y é autenticamente japonês.

O “mercado alternativo” é menor, mas seu público tende a gastar mais e ser mais engajado. Aqui não é o número que importa, é a paixão. O que muitos empresários têm dificuldade de entender é que é possível ter uma empresa de sucesso — e lucrar — atendendo a minoria.

O “mercado de massa” é maior, porém, o gasto e a audiência por pessoa é menor. Aqui o que importa é a repercussão e lucro, paixão vem em terceiro plano — quando vem. Por ser a fatia mais gorda, é o que a maioria das empresas querem e a disputa é feroz.

A adoção de UM mercado deve ser clara e consistente, porque ambos são perigosos e é difícil encontrar um ponto no alto das curvas e muito fácil se tornar banal, sem graça ou irritante. Mas o pior de tudo é tentar agradar os dois. NX Zero e Moptop são bandas de rock de sucesso, mas em mercados distintos. Enquanto NX é uma banda altamente mainstream, aparece nos programas e eventos mais conhecidos, Moptop corre por fora em eventos e programas alternativos. Ambas estão com agendas lotadas e são muito conhecidas (no seu meio).

Gostaria que você terminasse de ler este artigo acreditando em duas coisas. Uma é mais básica e todos profissionais/estudantes de marketing estão carecas de saber: FOCO. Uma vez em bom lugar na curva, não tente mudar de posição. Você está exatamente aonde deveria estar. A outra coisa é que não se deixe levar pelas aparências, existe mercado nas minorias. É possível obter sucesso em um mercado menor, mas antes você precisa se apaixonar por ele.