Você está em ‘Responsabilidade Social’

Marketing é realmente simples, descubra o que seus consumidores querem e entregue a eles. Eles estão querendo empresas responsáveis, mas quem está entregando isso?

Os consumidores não querem que empresas troquem o papel comum pelo reciclato, eles querem algo que faça  que impacte de forma significativa o mundo em que elas vivem. O mundo está precisando de ajuda, as pessoas estão precisando de ajuda; e elas estão de saco de cheio de empresas que só querem tirar mais dinheiro delas e interrompê-las em seus momentos de lazer. Os consumidores querem empresas com propósito, que as ajudem a tornar o mundo um lugar melhor, e que facilitem o dia-a-dia atribulado do século XXI.

Responsabilidade social não tem a ver somente com o meio-ambiente, tem a ver com o bem-estar das pessoas que nele vivem. Esse é o mito. O que os consumidores querem não são mais árvores plantadas ou plástico reciclado, são empresas que pensam com a cabeça, não com o bolso.

Criar sentido é basicamente melhorar a vida das pessoas, e essa mudança acontece em 2 esferas: individual e coletivo.

  • Individual: Facilitar a vida, fitness, saúde, auto-estima, felicidade, satisfação, finanças, aprender coisas novas, valores, inclusão social, ajudar os outros, conectividade, parecer bem, sentir bem, melhorar habilidades, etc.
  • Coletivo: Reciclagem, transparência, responsabilidade social, ética, problemas ambientais, economia, trabalhos, relações de trabalho, problemas sociais, condições de trabalho, etc.

Esse é um dos novos desafios das empresas de hoje. De assunto limitado a empresas envolvidas em questões ambientais a empresas em geral. Responsabilidade social é um dever de todos, e está cada vez mais presente na lista de “desejo” dos consumidores, é o que mostra uma recente pesquisa com 50.000 pessoas em 14 países.

Se você trabalha com marketing, vai precisar estar por dentro de assuntos como meio-ambiente, sustentabilidade e ética porque esses assuntos não mais estão separados do como os consumidores se relacionam com as marcas. Eles querem muito mais do que produtos de alta-qualidade com preços justos e atendimento humano.

85% dos consumidores esperam que empresas se envolvam ativamente com questões sociais; o que é mais alarmante, é que esse número cresceu 15% só no último ano. Mas quantas estão engajadas com um mundo melhor? Você se lembra de alguma? Pelo menos no Brasil, 58% dos brasileiros não conseguem se lembrar de uma marca associada a preservação do meio-ambiente. Ou seja, se alguma grande empresa está investindo pesado na construção de uma marca verde, provavelmente está fracassando.

Há quem diga que as empresas só fazem ações sociais para aparecer e, assim, lucrar. Isso é tão clichê quanto superficial. Não chamamos de “negócios” a toa, empresas precisam ganhar dinheiro para existir — ajudar a economia crescer, empregar funcionários e gerar renda. Eu não tenho dúvidas de que existem empresas autênticas dirigidas por pessoas que se importam e fazem o que podem para melhorar a vida de todos. Os consumidores estão atentos a isso, premiando marcas comprometidas e punindo as irresponsáveis. Metade deles disseram optar pelas marcas mais responsáveis e até que pagariam 10% mais por produtos fabricados de forma mais responsável. O CEO da Havas Media Intelligence resumiu muito bem com a seguinte frase:

“Hoje em dia, nós queremos muito mais das marcas do que apenas promessas e histórias”.

Vale notar que, para empresas colherem os benefícios, são necessárias medidas em diversas áreas da empresa, desde a escolha da matéria-prima até a forma de distribuição, passando por embalagem, qualidade de vida dos funcionários e ações na comunidade. O problema com o pensamento “socialmente responsável” é que se pensa em ações, programas, que geralmente acontecem isoladas de outras atividades da empresa. Para funcionar, é preciso que seja algo holístico, um propósito que mova todos na empresa e sirva como base para as decisões da empresa como um todo.

Responsabilidade social não é ter que fazer, é querer fazer. É assustador ver que apenas 1 pessoa em 5 acredita nas informações divulgadas por empresas acerca de ações sociais/ambientais que estão realizando. Some isso ao fato de que 72% acham que as empresas não se esforçam o suficiente para mudar as coisas, sendo que 85% delas gostariam que as empresas o fizessem.

Você não vê uma grande oportunidade aí? Uma oportunidade incrível de melhorar o mundo e ainda lucrar. Tem algo melhor do que isso?

Querido leitores, leiam este artigo sem pré-julgamentos, fiz questão de traduzi-lo na íntegra por achar que ele merece a leitura  e reflexão de todos, independente de qual dos dois você mais admira.

Apple é sem dúvida o estandarte de ouro do mundo tecnológico de hoje. Na verdade, é provavelmente o estandarte de ouro da indústria americana no momento. Seu design inovador, interface com usuário e ecosistema a transformaram em um titã em todo segmento que ela entrou. E está claro que Steve Jobs foi a causa do renascimento da Apple. No despertar da sua morte, a Harvard Business Review atestou sua grandiosidade — algo que eu também fiz. Ele era ótimo. Steve Jobs tem sido provavelmente o mais importante líder da nossa geração dos negócios. Mas ele não é o mais importante líder dos negócios. Enquanto Jobs deve ser o modelo que MBAs e designers industriais tentam imitar, eu não estou certo de que é ele quem devemos idolatrar. Essa honra deveria ser concedida a alguém que falamos cada vez menos, Bill Gates.

Tanto Steve como Bill causaram impactos imensuráveis no mundo. A Apple liderou a era dos computadores pessoais em vários aspectos. A Microsoft tornou possível uma geração de programadores aprenderem e se desenvolverem. A Apple parece ter dominado a arte de entregar produtos fantásticos. A Microsoft tem trabalhado diligentemente para tornar a corporação mais e mais eficiente. Independente do papel de cada uma, é impossível negar a contribuição das duas empresas. Cada um dos dois fundadores respeita profundamente a contribuição do outro.

No final da sua vida, Steve Jobs estava preocupado com a Apple. Como Walter Isaacson destacou: “A HP construiu uma grande empresa, e eles pensaram que haviam deixado em boas mãos. Mas agora ela está sendo desmembrada e destruída. Eu espero ter deixado um legado forte o bastante para que isso nunca aconteça à Apple”.

Bill Gates se afastou da Microsoft em 2006 e,apesar dos problemas que a empresa vinha enfrentando com a evolução do sistema móvel, ele passou a se dedicar a resolver os problemas do mundo, mesmo isso não gerando lucro ou fama. Bill dedicou seu talento a erradicação de doenças, melhoria dos padrões atuais e combate à desigualdade.

Desde 1994, a fundação Bill & Melinda Gates já acumulou fundos no valor superior a $31 bilhões de dólares para combater os maiores problemas globais. A fundação não apenas angariou fundos, ela já doou $25 bilhões. Esses números não são banais. Em 17 anos, a fundação levantou e destinou mais de 10% do valor de mercado da Apple. Enquanto desenvolver o mundo exige coisas como tratamento d’água, saúde básica e distribuição de cestas básicas, bilhões de seres humanos não têm acesso a recursos básicos.

Gandhi disse: “seja a mudança que você quer ver no mundo”, eu não duvido disso. Nos últimos anos, tanto Bill como Steve fizeram isso. Steve tornou o mundo mais bonito e fez bilhões de nós — com recursos — o amarem. Bill está construindo o mundo ideal, onde bilhões de nós — sem voz — serão impactados para sempre.

Ontem, eu li uma nota que Bill Gates escreveu para os membros de Harvard. Ela fala por si só.

Eu espero que vocês reflitam sobre o que têm feito com o talento e a energia de vocês. Eu espero que vocês avaliem a si próprio com base não apenas nas realizações profissionais, mas também como trabalham para diminuir as piores injustiças, como você trata as pessoas do outro lado do mundo que não têm nada a ver com você, exceto porque são humanos.

Essas não são palavras de um líder de negócios. Essas são palavras de um líder de pessoas. Essas são palavras de um ídolo.

Mesmo amando a Apple, eu abriria mão feliz do meu iPhone se isso fosse encher de comida os pratos de crianças famintas. Steve Jobs transformou sua empresa no líder da nova era da computação móvel; Bill Gates decidiu eliminar malária. Quem você acha que devemos colocar no pedestal para nossos filhos imitarem?

[Artigo Original escrito por Maxwell Wessel e publicado pela BusinessWeek]

Eu sou vegetariano, e quando não estou lendo sobre carreira ou marketing, estou lendo sobre saúde e a indústria da carne. Apesar dessa indústria estar crescendo no mundo inteiro, uma outra corrente vem na contra mão dessa realidade; a de não-vegetarianos cada vez mais sensíveis à causa. Essas pessoas –e organizações– percebem que do jeito que está não pode ficar. É preciso voltar ao começo, voltar a tratar os animais como animais e não meros produtos. (50 anos atrás praticamente inexistiam fábricas, hoje 90% da carne vem delas)

Empresas como a rede de restaurantes Chipotle que lançou a campanha “Back to the Start”. Chipotle é uma das poucas empresas que se importam com a origem da carne que vende (como a Starbucks é com o seu café). Pode ser jogada de marketing, pode ser que nem toda carne venha do pequeno produtor como eles afirmam; mas não podemos negar que é uma atitude admirável.

Einstein disse que nada aumentaria mais as chances de sobrevivência do homem na Terra do que uma dieta vegetariana. Eu sempre achei que ele queria dizer que: o mundo vai entrar em colapso se continuarmos comendo tanta carne. Einstein morreu antes das fábricas engolirem os pequenos produtores, então não sei se era isso que ele queria dizer; mas ele era um gênio, não?(50% da água da China é usada para a produção de carne, sendo que a falta de água já é um problema iminente no país que continua crescendo como louco.)

A indústria da carne não existe para alimentar, existe para lucrar. Eu realmente não quero entrar nessa discussão aqui, o que eu quero dizer é que a velha fazendinha que  muitos de nossos avós tinham, deu lugar a enormes fabricam que só se importam com eficiência. O impacto disso é enorme para o planeta (causa número 1 do aquecimento global), para a sociedade (polui o solo, o ar, tira empregos) e para a saúde (altas doses de antibióticos).

Além da indústria da carne

Não é só a indústria alimentícia que precisa voltar às origens, empresas em geral precisam. São muitos os especialistas que defendem mais simplicidade no mundo corporativo. O excesso de impessoalidade, falta de ética, automatização, muitos números e poucas ideias. Muitos sistemas e pouco diálogo.

Na década de 80, nenhum produto era lançado antes de se fazer inúmeras pesquisas. Elas reinavam. Então, muitos produtos falharam, muitas empresas quebraram, veio Steve Jobs e mostrou que os consumidores nem sempre sabem o que querem e  se você acredita em uma ideia, tem que ir fundo!

Até os anos 2000, acreditava-se que um contra-cheque gordo era tudo que os funcionários queriam; então Google, Starbucks, Southwest Airlines e outras viraram cases globais de como um ambiente de trabalho agradável pode impactar os resultados financeiros positivamente.  Hoje, motivação é um dos assuntos mais palestrados no mundo.

A história nos ensina que quando algo fica grande demais, desmorona. Quando fica complexo demais, é necessário rever tudo e simplificar. Quando lucro é tudo que importa, alguém surge com uma história que mostra que valores são a coisa mais importante do mundo. E é aí que tudo começa de novo.

Obrigado por ler este post!

Aqui vai uma polêmica: o Brasil é do jeito que é por causa de pessoas como Eike Batista. Eike tem grandes lições a nos ensinar. É um empreendedor nato, tem uma excelente formação, é eficaz, traz retorno aos acionistas e suas empresas saíram do zero para bilhões em poucos anos. Mas tem uma coisa que não devemos aprender com ele:  seu senso de filantropia.

Há uma diferença gritante entre empreendedores como Eike Batista e Bill Gates, por exemplo. Ambos se tornaram os homens mais ricos do mundo a partir de quase nada (embora tenham vindo de família de classe média e tiveram bom estudo) e se tornaram exemplos a serem seguidos. Um doa bilhões o outro nem 1 centavo.

Há uns três anos, li uma entrevista com o Carlos Slim. O primeiro a tirar o posto do homem mais rico do mundo de Bill Gates em quase uma década. Slim é um magnata das telecomunicações no México e é dono de muitas empresas, como NET e Claro, pra citar algumas. Voltando à entrevista, a repórter peguntava o que ele achava sobre responsabilidade social, se ele fazia algo e tal. O homem mais rico do mundo respondeu: “eu já ajudo empregando milhares de pessoas”. A pergunta é: quem está ajudando quem? Que escolha ele teria se não empregar pessoas, contratar robôs?

Eike Batista recentemente falou a mesma bobagem em uma entrevista concedida à Exame. Quando perguntado sobre o que ele iria fazer com sua fortuna de $27 bilhões de dólares, Eike respondeu mais ou  menos o seguinte “quando você cria empresas do zero, como são as minhas, você emprega muita gente… Essa é a minha contribuição com o meu país.” Em outro  momento Eike também diz que paga muito bem… Confesso que eu sempre admirei o Eike, mesmo antes da OSX (empresa de petróleo responsável por triplicar a fortuna de Eike), mas isso me fez pensar que o Brasil está mesmo lascado.

Enquanto o homem mais rico do Estados Unidos doa $3 bilhões por ano, Eike e Slim dão dinheiro em troca de trabalho.  Eike disse que prefere “dar a vara e ensinar a pescar”, contradizendo outra afirmação sua “só contrato os melhores”. Se ele contrata os melhores, alguém os ensinou a pescar, e não foi ele. Por que não investir em projetos de capacitação?

Enquanto Carlos Slim suga o México e a América Latina pagando salários medíocres, Warren Buffet planeja para onde vai sua fortuna de $44 bilhões após sua morte.

Todo mundo sabe que o Brasil não vai se tornar um país melhor só com a ajuda do Governo. Sem a iniciativa privada e a conscientização dos empresários, o Brasil vai demorar muito pra se tornar um país justo e que oferece oportunidade para a população. Desculpem-me se estou sendo idealista demais, mas fico triste quando vejo casos assim. Dizem que o que é dos outros é sempre melhor,  mas a culpa é toda nossa.

Aproveitando a “vibe” de responsabilidade em que estou, uma tirinha bem bacana satirizando o comportamento de muitos gestores. Tirando um pouco de exagero, isso é mais realidade do que ficção.

Um dos principais fatores que torna um bom jogador em um mestre é saber escolher o jogo certo e a hora de desistir. Ser idealista demais é um problema, te faz lutar causas perdidas, por mais bem intencionadas que essas podem ser.

O site Tappening.com é um bom exemplo disso. É um movimento que luta pela extinção das garrafas d´água. O principal argumento deles é que se você tem água potável saindo das suas torneiras, não há necessidade de consumir as engarrafadas. Faz sentido, mas não vai funcionar.

Você cria um movimento pela diminuição de consumo de água, funciona. Você cria um movimento pela não impressão de documentos nos escritórios, pode funcionar. Mas você cria um movimento para as pessoas deixarem de comprar água? Não vai funcionar. O preço é muito alto. Você está com sede, longe de casa, não conhece ninguém, irá bater na porta mais próxima e pedir um copo de água?

O mundo é de centro. A extrema esquerda e a extrema direita são minoria. Pessoas de centro dificilmente se comportam de maneira extrema, elas não pagam alto preço por um ideal, elas por natureza, procuram o equilíbrio. E deixar de beber água em garrafa é extremismo.

Uma das coisas boas na propaganda é a variedade de assuntos. Num dia você tem um novo cereal matinal, no outro uma campanha de agasalhos. Particularmente, a campanha de agasalhos me é muito mais atraente. Assim como grande parte das questões sociais. E esse é um tipo de comunicação que tenho visto muito, ultimamente. São criativas e impactantes como todas deveriam ser. Vejamos algumas delas.

Enquanto o Capitão Steeler não fornece água potável. Nós precisamos da sua ajuda. (UNICEF)

 

Trazendo a realidade das enchentes para a cidade. (casa construída em um lago de Buenos Aires)

 

Salve uma vida. Envie um caixão pra longe.

 

Vê como é fácil saciar a fome?

 

 

Sua ajuda significa um melhor lugar para dormir.