Você está em ‘redes sociais’

Acredito que a maioria dos profissionais que trabalham com mídias sociais possuem uma visão superficial da coisa, a maioria acaba se focando em tecnologia em vez de comportamento. Não importa se usamos Facebook para compartilhar, MSN para conversar, Tumblr para blogar, Instagram para fotografar… Há alguns anos usávamos o Orkut, o mIRC, o Blogspot e o Fotolog para exatamente as mesmas coisas. O importante disso não é o que usamos, mas como usamos.

Marc Schiller, profissional e estudioso de internet há 15 anos, deu uma entrevista falando sobre as mudanças que ocorreram nos últimos anos na forma como nos relacionamos, compramos e, por que não, vendemos.

Como as coisas mudaram no marketing nos últimos 15 anos com o surgimento dessas novas tecnologias?

Eu sempre observo primeiro o comportamento e depois a tecnologia. Eu não acho que o Twitter, como empresa, cria a maneira de usar o Twitter. Isso vem do comportamento das pessoas que usam. As tecnologias vêm e vão, o que permanece é a necessidade fundamental de ser ouvido, de se expressar e encontrar uma audiência que abrace sua paixão e ponto-de-vista. A internet sempre foi uma maneira de ter as mesmas oportunidades da mídia de massa, quando não se tem acesso a ela. Para ser ouvido, basta falar.

Hoje, nós temos a mesma cultura, mas o que temos de diferente é a integração total. Antes, você tinha que ir a um website, sala de bate-papo, fórum e eles eram bastante separados. Agora eles estão todos conectados a um só. Também havia uma grande desconexão entre experiência online e offline, e tinha aquela história de ficar perdido no ciberespaço. Isso, na verdade, nunca aconteceu devido ao surgimento do celular e internet móvel. De fato, nós estamos tirando mais das nossas vidas e compartilhando online, em vez de curtir o menos o mundo real.

As ferramentas mudaram, mas o comportamento não. Eles só ficaram mais fortes e acessíveis a um número maior de pessoas.

E sobre os influenciadores? Como eles mudaram?

Certamente, há mais deles agora. Acesso a ferramentas como Twitter, Facebook e podcasts; esse novo mundo deu poder às pessoas.

A maior mudança é como consumimos mídia. Heavy users estão selecionando que tipo de informação os atinge. O que eles estão fazendo é pegando de várias fontes — família, amigos, celebridades, blogs, jornalistas, mídia tradicional, RSS — e basicamente construindo sua rede de influência. Se notícias ou informações não me atingirem, não importa. Porque eu organizei tão bem as coisas com as quais tenho contato que, se eu não ouvi sobre algo, é porque não é importante.

Esse comportamento é algo novo. Esta ideia de “the feed”, é como aparar as arestas; você adiciona coisas novas e não quer informação demais, então corta os galhos mortos. Você confere o seu feed, seja no Facebook, Twitter ou outro e mantém só as coisas que quer.

Por que as pessoas querem tanto se expressar e como marcas podem tirar proveito disso?

A maioria das pessoas não têm a segurança que eles têm no mundo real, e eu sei que isso soa dramático, mas 90% da população não tem a confirmação de que eles estão sendo ouvidos. Eu acho que o que faz as pessoas se expressarem online é a necessidade de confirmar que eles têm valor. A razão das pessoas escreverem nas paredes é para dizer: “ei, veja, eu estou aqui! Eu sou uma pessoa”.

O que as empresas precisam fazer é reconhecer essa necessidade, e ajudar a satisfazer essa necessidade. As marcas que conseguem se aproximar dos consumidores são aquelas que celebram a criatividade, a presença da audiência. Estamos constantemente procurando novas maneiras de fazer isso. No campo do cinema, a maioria das campanhas de marketing são uma via de mão única. Aqui estão as nossas estrelas, aqui está a nossa mensagem e nós estrearemos nesta sexta-feira. A maneira que nós fazemos digitalmente é fazer dos fãs o centro da nossa campanha. Mostrar que nós estamos aqui por causa deles, e colocar um espelho na frente de quem vai amar nossos filmes.

O objetivo não é usar as mídias sociais como canal de distribuição, mas como uma verdadeira comunidade em que as pessoas estão envolvidas e vestidas com o sucesso do nosso produto. Embora isso possa parecer meio óbvio, ainda não se tornou uma norma.

A digitalização de tudo está levando os consumidores a mudarem quem eles seguem?

Nós precisamos trabalhar mais duro agora para assegurar que eles continuem comprometidos. Ao final do dia, é escolha, e a quantidade de escolhas que você tem agora significa que precisa usar seu tempo com sabedoria. No passado, nós não podíamos ser muito arrogantes, haviam apenas três canais de TV para assistir. Agora, existem 5.000 e mais a internet. Eu não acho que a audiência esteja mais instável, eu acho que a audiência consegue discernir melhor hoje e abandonar mais facilmente o que ela não gosta.

Pequenas empresas que não podem arcar com propaganda tradicional podem contar apenas com as mídias sociais para fazer marketing?

Mais e mais, a resposta é sim. Eu penso que eles precisam de um bom produto, comprometimento e paixão. Dinheiro não pode comprar paixão, e essa é a mais poderosa arma do marketing. Eu quero criar um ambiente que gere paixão, e então amplificar essa paixão. Pequenos negócios são mais comprometidos com seus produtos e clientes do que qualquer outra, e eu acho que quanto mais eles refletirem os seus valores e cultura, mais pessoas irão responder e fazer parte disso.

Como profissionais de marketing, nós precisamos contar histórias. Se nós documentarmos a nossa jornada e as pessoas vierem juntos nessa jornada, o comprometimento que eles terão será gigantesco. A chave é criar uma narrativa e deixar as pessoas fazerem parte dela. Deixar elas realmente afetarem a narrativa. E isso é o que social media marketing é; criar uma narrativa que qualquer pessoa possa participar. Como toda grande narrativa, há tramas, reviravoltas e coisas inesperadas. E se você fizer bem feito, sua audiência virá junto e vestindo a camisa do seu sucesso.

Este post é bem básico. Há grandes chances de você já conhecer todos, mas o mercado é formado por pessoas heterogêneas (graças a Deus!) que precisam falar a mesma língua. Se você já está por dentro dos termos, tente utilizar como material de consulta na busca por oportunidades ou melhorias.

Os 25 termos foram listados pelo Social Media Today, mas enquanto o site os define dentro da esfera de mídias sociais, eu amplio o foco os aplico dentro do novo marketing — mais digital, envolvendo e humano. Vamos à aula de hoje.

1. Viral: qualquer coisa compartilhada na rede capaz de atravessar rapidamente diversos canais. Ex: vídeos YouTube.

2. Plataforma: Um sistema que administra conteúdo. Ex: WordPress como gestão de conteúdo de blogs e até sites.

3. Autenticidade: usado para descrever “pessoas reais” atrás posts em blogs e outros perfis sociais.

4. Influência: Os famosos “formadores de opiniões” são conhecidos, na rede, como “influenciadores”. Pessoas capazes de atingir e influenciar milhares ou milhões de pessoas que se identificam com suas opiniões.

5. B2B: Business to Business. O comprador é uma empresa.

6. B2C: Business to Consumer. O comprador é uma pessoa.

7. Hashtag: sabe aquele jogo-da-velha no Twitter? Elas ajudam a monitorar ações e assuntos, agrupando os tweets que utilizaram uma determinada hashtag.

8. Transparência: usuários esperam participar de conversas com marcas e pessoas, elas esperam que a outra parte seja honesta e confiável. Nos negócios, considere transparência como comportamento mais humano — e menos impessoal.

9. Sinergia: indivíduos e corporações trabalhando em conjunto em busca de um objetivo em comum bom para todos. Exemplo: Visa e Mastercard se unindo para criar sistema de pagamento via celular.

10. Web 2.0: A segunda geração da web onde qualquer pessoa podem blogar e interagir sem precisar de conhecimento ou treinamento.

11. Trending: usado no Twitter para algo que é popular no momento. (obs.: trending também significa tendência, e estar de olho nas tendências em um mundo dinâmico como o atual é vital para o sucesso das empresas.)

12. SEO (Search Engine Optimization): Processo de organização de um site para que ele tenha melhor chance de aparecer no topo dos sites de buscas.

13. E-book: Livro publicado em formato digital.

14. Wiki: páginas de consulta para pesquisas. São simples e todo seu conteúdo é editado por usuários.

15. Blog: esqueça diário pessoal. É um site atualizado frequentemente por uma pessoa ou grupo de indivíduos. Caracterizado pelo compartilhamento de informações e, sobretudo, opinião pessoal.

16. CGU (conteúdo Gerado pelo Usuário): qualquer coisa gerado por pessoas comuns.

17. Tweeps / Tweeple: Twitter + People. Pessoas são importante, certo?

18. Microblogging: postagens curtas em perfis sociais. Ex: Status do Facebook e Twitter.

19. Algoritmo: na linguagem da web, é o sistema (programação) que sugere as páginas de uma pesquisa.

20. Widget: são pequenas aplicações utilizadas em sites. Ex: a nuvem de temas do Pequeno Guru (lateral do blog).

21. Apps: qualquer programa utilizado em smartphones e tablets.

22. Meme: uma espécie de viral cultural geralmente compreendido dentro de um grupo restrito. Ao contrário dos “virais” que costumam ser vídeos, os memes surgem em praticamente qualquer formato.

23. Engajamento: envolver os usuários dentro de um contexto e aproveitar para criar diálogos e estreitar relações.

24. Tráfego: a métrica mais comum da internet, refere-se a quantidade de visitantes de um site. Pode levar a interpretações equivocadas, uma vez que quantidade nada tem a ver com qualidade. defina o que é mais importante para sua empresa, tráfego ou engajamento.

25. Tag: palavras-chave que classificam conteúdo, ajudando em sua organização.

Usar mídias sociais como ferramentas de marketing tem mais a ver com entender o ser-humano do que entender de tecnologia. É por isso que a maioria das empresas falham ao utilizá-las e a pressão do alto escalão das empresas  tem estado cada vez maior  sobre o departamento de marketing que, muitas vezes,  não consegue gerar resultados palpáveis para a empresa.

Se você quer realmente colher os frutos das mídias sociais — conquistar novos clientes, solucionar problemas, transformar feedbacks em inovação, etc– é preciso compreender melhor como as pessoas usam, por que usam, quais seus anseios, motivações e influências.

Além de marketing, eu sou apaixonado por história, e fico fascinado toda vez que vejo coisas de 50, 100 anos fazerem sentido hoje. Uma coisa que eu percebi é que de todas as coisas, A que menos muda é a natureza humana. Séculos são necessários para ocorrer mudanças consideráveis no aspecto humano da civilização.  Claro que a Geração Y é diferente dos baby boomers, porém a maior parte das suas diferenças estão nos hábitos, não nas necessidades humanas.

Deixando o papo antropológico de lado, o trabalho de muitas pessoas do século passado continuam inspirando os profissionais de hoje. É o caso de Ernest Dichter, considerado o pai da motivação. Ernest foi um dos primeiros psicólogos a realizar pesquisas sobre comportamento do consumidor, publicando 17 livros e exercendo grande influência na indústria da propaganda do século 20.

Em 1966, Ernest publicou uma pesquisa sobre influência e relacionamento interpessoal que tem tudo a ver com as redes sociais hoje. O estudo cita 3 grandes descobertas que podem ser considerados a base para o uso eficiente das redes sociais hoje.

DESCOBERTA 1

As 4 motivações que levam pessoas a falar sobre marcas:

  1. Envolvimento com o produto (33% dos casos): o produto é único e/ou gera uma experiência nova e prazerosa que merece ser compartilhada.
  2. Envolvimento pessoal (24%): conheço o produto e gostaria de falar a respeito, expressar minhas opiniões, meu conhecimento ou informações que só eu sei — ou poucos sabem.
  3. Envolvimento com os outros (20%): expressar cuidado e ajuda com o próximo, geralmente amigos, colegas e familiares. Por exemplo, sugerir produtos que eu sei que aquela pessoa se interessa.
  4. Envolvimento com a mensagem (20%): o conteúdo é tão interessante, bem feito, engraçado, tocante ou único que merece ser compartilhado.

DESCOBERTA 2

Para as pessoas acreditarem em algo, é preciso que a empresa — ou a pessoa — tenha credibilidade. Ninguém irá repassar uma informação de quem não confia, é preciso ter experiência naquele assunto. Além disso, parta do princípio que os consumidores são céticos, porque eles são. Se na década de 60, quando Ernest fez a pesquisa, eles já duvidavam se era “papo de vendedor” ou estavam tentando ajudar, imagine agora. Empresas precisam parecer sinceras, honestas e passar a imagem de que realmente querem ajudar seus consumidores e não apenas vender mais um produto ou serviço.

Entender isso nos leva a algo muito falado nos dias de hoje: a criação de diálogo com os consumidores. Empresas precisam construir canais de conversa com o consumidor, gerar conteúdo, dar aos consumidores o que falar e deixar que eles cuidem do. Ninguém é mais confiável para uma pessoa do que um semelhante.

DESCOBERTA 3

Cerca de 80% de todas as compras tem alguma influência de outra pessoa. Esse número pouco mudou nos dias de hoje. É importante dizer que a pesquisa foi realizada quando a TV ainda era um meio confiável e acessível para poucas empresas. Com a popularização, os veículos em geral perderam credibilidade, aumentando ainda mais a importância das recomendações.

Vale ressaltar a idade dessa pesquisa: 45 anos. É ainda mais fascinante ver como funciona algo descoberto antes da maioria dos conceitos e técnicas de marketing. Acredito que esses sejam os fundamentos do uso das mídias sociais. Não é segredo, possivelmente a maioria de vocês já viu pelo menos algum deles por aí, o segredo que nem você (nem eu) sabia era que um tiozinho cabeça branca já sabia de tudo isso quase 50 anos atrás.

[Baseado neste artigo da HBR]

Na era das redes sociais é muito importante reforçar a importância do marketing tradicional e das interações físicas. Nos últimos anos, a opinião dos consumidores ganhou uma importância para o marketing graças ao seu poder de disseminação; termos como buzz e viral caíram nas graças do marketing porque nunca na história da humanidade uma informação atingiu tantas pessoas em tão pouco tempo. Algo que alcançou seu ápice com a popularização das redes sociais. No entanto, a maioria das pessoas continuam falando (bem ou mal) de empresas utilizando ferramentas do século passado.

A pesquisa realizada pela publicação Colloquy, especializada em lealdade de marca, mostra que 84% dos americanos falam sobre marcas com outras pessoas cara a cara, em segundo lugar está o e-mail e em 3º e 4º lugares estão os telefones fixos e o celulares, respectivamente.

Esses dados mudam consideravelmente quando analisamos só os jovens de 18 a 25 anos, onde o e-mail dá lugar ao celular (70%)  e o telefone fixo dá lugar às redes sociais (58%).

Dessa forma, podemos considerar que uma boa campanha digital — que é compartilhada muitas vezes na internet — é comentada milhares de outras vezes em mesas de bar e conversas por telefone, como antigamente. O problema é que as pessoas não falam só bem, e o mesmo vale para clientes insatisfeitos que “xingam muito no Twitter” que, com certeza, irão xingar ainda mais para parentes, colegas de trabalho e amigos.

Na próxima vez que alguém disser que as redes sociais são onde as pessoas mais falam sobre marcas, você terá argumentos para dizer que ele está errado. Mesmo os mais novos integrantes da Geração Y falam mais do que escrevem, isso não mudou; o que mudou foi a capacidade de disseminação assustadora que as novas tecnologias trouxeram. Mesmo assim, não seja moderninho demais para subestimar o poder de uma conversa cara a cara.

[Veja o gráfico completo aqui.]

Observe o que as pessoas curtem no Facebook e você terá uma boa ideia dos gostos, interesses e talvez até sobre a personalidade delas. Não podemos ignorar o poder social do curtir: curtimos para agradar o outro, para se inserir em um diálogo ou grupo ou porque gostamos de verdade — e queremos que os outros saibam. Em outras palavras, seja o que quer que você curta, você o faz para estabelecer uma conexão social.

As pessoas curtem coisas que gostam e fazem parte do seu dia-a-dia; músicas, programas de tv, filmes, vídeos, postagens de amigos e etc. No meio desse “etc” estão as marcas. Quer você goste ou não, marcas fazem parte da vida. Então, as pessoas também curtem empresas, mas o que isso significa? Curtir uma empresa no Facebook — para 25% dos usuários americanos — não significa ser fã ou advogado da marca.

Uma pesquisa realizada em junho procurou desvendar o significado de um fã (Facebook), seguidor (Twitter) e assinante (RSS) para a empresa. E mais, porque eles se tornam e o que esperam disso.

A maioria das pessoas não curte uma empresa porque ela é o máximo (sonho de todo marketing). Eles querem algo em troca (sobretudo, os mais velhos — jovens estão mais dispostos a curtir como forma de expressão). 58% dos pesquisados esperam receber descontos, ofertas exclusivas, conteúdo exclusivo ou promoções. Um número também alto de pessoas (47%) querem, pelo menos, receber notícias e atualizações da empresa ou personalidade curtida. Além disso:

  • 38% esperam poder compartilhar o conteúdo com amigos;
  • 28%  querem interagir com o autor da página;
  • 36% esperam conteúdo relevante com base nas informações do seu perfil;

Mas tão importante quanto saber por que as pessoas curtem ou seguem uma empresa é saber por que elas não fazem. Profissionais de marketing tendem a pensar  que criam coisas tão bacanas que todos deveriam compartilhar em suas redes sociais, mostrar aos parentes e salvar no celular. Lembram do egomarketing? Consumidores acham o contrário. Então, se você tiver que escolher uma única informação deixe post para gravar, escolha a seguir:

  • 54% tem medo de ser bombardeado com mensagens ou propaganda;
  • 45% não querem fornecer informações pessoais (do perfil);
  • 31% não querem ver conteúdo da empresa misturado com os dos seus amigos no mural;
  • 23% não vê benefícios em curtir;
  • 4% não entendem o que significa curtir.

(Clique para ampliar)

Abaixo a timeline com algumas modificações (retirei os menos relevantes e acrescentei uns novos)

  • 1839 – Colar cartazes em propriedades privadas é proibido em Londres
  • 1864 – Os primeiros registros do uso do telégrafo para enviar mensagens não-solicitadas em massa
  • 1867 – São alugados os primeiros outdoors
  • 1880 – São registradas as primeiras marcas como forma de branding
  • 1905 – University of Pennsylvania abre o curso de “The Marketing of Products”
  • 1922 – Inicia propaganda no rádio
  • 1941 – Primeira propaganda na TV vai ao ar
  • 1950 – Acontece a sistematização do telemarketing
  • 1970 – O e-commerce é inventado
  • 80′s - Surgimento do CRM e database marketing
  • 1984 – Aparecimento do marketing de guerrilha
  • 1985 – Computador passa a ser usado para criar anúncios impressos
  • 1990 – CRM e Comunicação Integrada são usados massivamente nos planejamentos de marketing
  • 1991 – Comunicação Integrada entra para o currículo acadêmico
  • 1995 - AltaVista e Yahoo lançam sistemas de busca
  • 1996 – Primeiros virais são detectados
  • 1998 – Google e MSN são lançados
  • 1999 - Primeiro site de análises dos consumidores é criado
  • 2002 - Site de compartilhamento de fotos SmugMug abre espaço para sites como Flickr e Photobucket
  • 2003 - MySpace e WordPress são lançados
  • 2004 – Facebook, Orkut e Digg são lançados
  • 2005 – YouTube e Vimeo são lançados
  • 2006 – Twitter é criado
  • 2008 – Groupon é criado

Fonte: Marketing Pilgrim

Pare para pensar: as empresas usam redes sociais por isso precisam de uma estratégia ou possuem uma estratégia e por isso usam redes sociais? Mídias sociais como o próprio nome diz é uma mídia; e uma mídia é um canal, um meio de comunicação que é ou não utilizado dependendo dos objetivos e da estratégia da empresa.

O Febreze é um produto que acabou de alcançar US$ 1 bilhão em vendas sem usar nada de mídias sociais. Com certeza, a Procter&Gamble tem uma estratégia para o produto ou esse marco não chegaria nem perto de ser alcançado. Nenhum produto ou marca sobrevive sem uma estratégia, mas o Febreze provou que sobrevive sem mídias sociais.

Antony Young,  CEO da Optimedia dos EUA, define mídias sociais como “um conjunto de tecnologias ou táticas que nos permitem elevar e amplificar marcas e sua comunicação de marketing”.

Mídia social não é uma estratégia, é uma avenida. Young também disse isso, e eu adorei esse termo “avenida” ou “passarela”. O objetivo de um Twitter corporativo ou uma página personalizada no Facebook ou um blog temático é levar os consumidores para algum lugar. É tático, não estratégico. O destino desses canais pode ser a página de um produto,  o comercial de uma campanha, um hotsite interativo, um caminho mais fácil de falar com a empresa, seja o que for, o destino final não é chegar ali e pronto; ganhar um seguidor ou fã. O objetivo das mídias e redes sociais é levar os consumidores para algum lugar. E esse lugar é a estratégia da empresa que irá dizer.

Seguindo a estratégia

Quando o assunto é mídia social, a maioria das empresas agem antes de pensar. Primeiro, elas criam uma conta para, só então, decidir como irão usá-la. Isso acontece por três motivos: 1) O concorrente está lá; 2) Todo mundo está falando a respeito; 3) Medo de parecer uma empresa atrasada. Essas empresas não percebem que pior do que não utilizar, é utilizar de forma errada. Tuitar ou blogar uma vez por mês, usar linguagem inadequada, criar um perfil em vez de uma página no Facebook, não gerar conteúdo relevante, não analisar os dados oriundos dessas mídias, etc.  Antes de clicar em “criar conta”, é preciso ter muito claro se ela faz sentido para a estratégia da empresa. Qual o retorno aquela mídia trará para a empresa? É isso que a empresa realmente quer? Se sim, pode clicar.

Após criar a conta, a gestão dela é igualmente importante. Tirada a dúvida se aquela tecnologia irá realmente ajudar a empresa a atingir seus objetivos, hora de assegurar que isso realmente aconteça, e aconteça de forma autêntica e obedecendo os valores e a cultura da empresa antes de tudo. A partir daí, se a empresa vai utilizar para aumentar vendas, prestar suporte técnico, lançar novo produto, divulgar informações institucionais ou seja lá o que for, é algo particular.

Mídias sociais é uma ferramenta de marketing que tem ajudado muitas empresas a se manterem relevantes e crescerem, mas tem muita bobagem rolando por aí. Não é à toa que 73% dos CEOs acham que os profissionais de marketing falham em entregar resultados sólidos para a empresa. Isso é assustador, mas a gente sabe que marketing não se trata de números, tem muito de “ser humano” em jogo. No entanto, marketing também é negócios, e também é sobre números.

Gerar buzz não é necessariamente sucesso, marcar presença nas redes não garante a uma empresa o título de engajada. Mídias sociais são excelentes ferramentas, mas elas não são o início nem o fim, são o meio.

Os três assuntos mais falados no mundo do marketing globalmente são: internet (social media + e-business), classe C e poder de consumo da mulher. Quando dois desses assuntos se envolvem, imagine a importância disso para as as empresas. ENORME!

Historicamente, a mulher sempre influenciou compras, apesar de quase todos produtos terem sua comunicação voltada para eles. Porém, elas sempre tiveram baixo poder de compra. Esse ciclo onde elas atuavam basicamente como influenciadoras de compra, mudou. Uma vez que as mulheres estão mais independentes e ocupando lugares que não costumavam ocupar; elas estão comprando mais e falando mais ainda. Apesar dos homens terem se tornado mais independentes no quesito compra, ainda precisamos delas.

Mas elas não precisam de nós. E as empresas precisam entender como é a mulher século XXI. Entre os avassaladores números das redes sociais, está escondido um fato pouco notado pelos profissionais de marketing digital: a importância da mulher. Elas deixaram de ser coadjuvantes para ocupar um papel tão importante ou mais do que os homens quando se trata de consumo.

Pelo fato da mulher passar 30% mais tempo em redes sociais do que os homens e ser a que mais acessa pelo celular, as empresas talvez devam reavaliar suas ações. Elas já são a maioria em várias lojas virtuais americanas, a maioria no Facebook, a maioria no Twitter e 3 em cada 4 usuários registrados no Groupon são do sexo feminino.  Segundo o US Census Bureau, elas estão por trás de 80% de todo o dinheiro gasto com compras: um valor de cerca de $ 5 trilhões de dólares.

Acredito que as mulheres vão dominar ainda mais a internet. Talvez pelo caráter protetor da mulher  e de se expor menos aos riscos, os early adopters costumam ser, na sua maioria, homens. Ou seja, os homens foram os primeiros a comprar pela internet, a pesquisar usando sites e a comprar pelo celular. Mas uma vez que isso tenha se tornado algo comum — algo seguro –,  as mulheres passam a dominar. Afinal, elas adoram comprar! Outra característica clássica das mulheres: elas são mais sociáveis que os homens. Logo, tem maior tendência a dar sua opinião e espalhar  mensagens.

As mulheres respondem por 62% da atividade do Facebook – mensagens, updates e comentários. E, se você possui ou administra uma página lá, vai gostar de saber que 71% de toda atividade gerada em páginas de fãs vem de mulheres. Além disso:

  • Mulheres têm, em média, 8% mais amigos em redes sociais que os homens
  • 60% dos “donos de fazendinhas” são mulheres (usuários registrados nos games da Zynga)
  • Em termos de visitantes, elas são a maioria no: Facebook, Twitter, Del.icio.us, Flickr, Myspace, Bebo, Classmates e Yelp (eles apenas no Digg)

Se você, de alguma forma, trabalha com marketing digital deve ter em mente que agradar as mulheres na web é um dos segredos do sucesso online. Principalmente se forem mães; um estudo da Nielsen mostrou que elas são muito engajadas em redes sociais e compram bastante online, mas prestam menos atenção a comerciais — e mais na história.

De uma maneira geral, as mulheres falam mais, exercem grande influência online e já são grande compradoras virtuais (de 2009 para 2010, o número de mulheres que compraram pela internet saltou de 10% para 18%). Elas devem receber maior atenção também por parte da estratégia, colocando mulheres em cargos importantes, criando mais ações e produtos para o público feminino, ampliando, assim, não só as vendas, mas principalmente o boca-a-boca. Em uma época onde relacionamento social dita as regras, é melhor você deixar elas comandarem essa relação.

[Baseado no artigo "Why Women Rule the Internet"]

Antes da publicidade vem a comunicação. Você não pode ser um bom publicitário sem entender como as pessoas se comunicam nem um bom marqueteiro ou vendedor sem descobrir o que seus clientes querem ou gostam. É a premissa sobre o qual essas atividades estão estabelecidas. Esse é o motivo pelo qual um futuro publicitário estuda na faculdade matérias como: teorias da comunicação, filosofia, sociologia, cultura, pesquisa — e não apenas planejamento, mídia, design, criação.

Entender os processos da linguagem é vital para se comunicar eficazmente com diferentes tipos de público. Muitas pessoas acham que todo publicitário é comunicativo e criativo. Arrisco dizer que publicitário é uma das profissões menos compreendidas; nenhum pai deseja que seu filho curse a faculdade de comunicação para trabalhar em agência de propaganda. (E olha que a maioria nunca entrou em uma.) Há muita coisa por trás de planejamentos de mídia, comerciais engraçados e da criatividade per se. Ou pelo menos deveria haver.

Antes de pensar em propaganda, é preciso entender que ela existe desde muito antes dos Classificados serem inventados (onde a publicidade surgiu oficialmente); que antes do branding, senhores feudais marcavam suas mercadorias para não perdê-las no meio da concorrência; e que social networking já era algo vital para o sucesso desde a época de Benjamin Franklin. De novidade mesmo, apenas os processos e as opções, mas em teoria, tudo já existia muito antes do seu avô chutar a primeira bola.

Isso é algo que merece ainda mais atenção na era das redes sociais, que têm sido vistas como a nova galinha dos ovos de ouro da publicidade. Por estar em alta, todos falam nela, querem usá-la e descobrir a fórmula mágica da viralização. O problema é que enquanto novas métricas e metodologias surgem,  profissionais despreparados e campanhas sem sentido pipocam no mercado.

Entender de comunicação envolve saber que canal utilizar de acordo com a necessidade, o público e o objetivo. Significa saber que rede social é rede social e mídia traidicional é mídia tradicional, todas possuem pontos fortes e fracos e nenhuma faz milagre. É realmente preciso um bom planejamento, criatividade, conhecimento e execução impecável.

Os 4 tipos de comunicação

Seth Godin explicou bem os quatro tipos de comunicação utilizado pelas empresas e agências de propaganda e a conclusão que tiramos é que cada um é bem diferente do outro.

  • Você fala de si mesmo para pessoas que querem ouvi-lo e se importam com você.
  • Você paga para alguém carregar a sua mensagem de forma impessoal. (publicidade)
  • Você paga para alguém falar de você, alguém com autoridade e influência.  Costuma valer mais que propaganda, mais não gera demanda considerável. (RP)
  • Os outros falam de você espontaneamente — em blogs, twitter e redes sociais.  Ao contrário dos outros tipos, pode ser negativo e não se tem controle.

Não foi em um ou dois lugares que li sobre a falta de controle das novas mídias. Vários especialistas já destacaram a importância de se criar produtos e experiências memoráveis que mereçam ser espalhadas. Isso é tudo que você pode fazer. Isso é o principal a ser feito. Bill Bernbach já dizia que a propaganda fazia um mau produto fracassar depressa porque as pessoas saberiam que ele era ruim, mas ainda assim as pessoas precisavam comprá-lo. Hoje, basta um video no YouTube ou um post publicado em um blog de respeito (que será repassado) para as vendas caírem drasticamente. As pessoas estão falando mal de coisas que nunca compraram, sequer usaram. Comunicação é algo perigoso. E mortal quando não se sabe o que está fazendo.

Saber comunicar não é tagarelar, mas usar as palavras certas, no tom certo, com elementos visuais que reforcem ou complementem a mensagem, através do canal certo, com um objetivo em mente e sempre deixando espaço para o outro. Reveja seu conceito de comunicação e não confunda falar com comunicar.

Muita coisa tem se escrito sobre como redes sociais podem impulsionar os negócios, e muito pouco sobre tudo que já foi escrito foi dedicado ao que não fazer. Particularmente, considero o que não fazer tão ou mais importante quanto o que fazer. Em uma área onde (quase) tudo é possível como propaganda e marketing, é fundamental que haja um bom filtro. Esse filtro deve ser composto por experiência, senso crítico e alta capacidade de análise. Isso vale não apenas para redes sociais, mas para toda sua vida profissional. Reflita sobre tudo que você lê (incluindo este blog)e não assuma como uma verdade absoluta, pondere. E eu vou ilustrar isso com um exemplo.

Você está navegando pela internet quando cai em um blog que nunca viu  e lê um dos posts em que se sugere usar o Twitter para divulgar tudo que a empresa  faz, onde todos os funcionários estão falando, incluindo a implementação de um “Twitter interno” onde rolarão mensagens como “A Carol chegou com um carregamento de donuts. Eles estão na sala de suprimentos, enquanto durarem” ou “que as crianças não vejam isso… existe um site que captura sua própria letra e transforma em fonte”.  Então, você assume que aquilo é uma ótima coisa a se fazer só porque leu em um blog americano, teve 9 comentários e 217 reações na internet. Até ler um especialista falando que aquilo é besteira em um tom bastante indignado.

Foi exatamente isso que aconteceu. Jonathan Salem Baskin é um dos especialistas que eu mais gosto de ler na internet, um profissional com grande experiência, argumentos fortes e três livros publicados. E se ele falou que o post “Deploying Volunteer Marketing Armies with Internal Social Media” — citado no parágrafo de cima — não é marketing, então eu acredito nele. Baskin disse em seu blog que estava furioso e sentia vergonha de profissionais de marketing por serem tão crédulos; disse que não queria ofender o autor do post, mas que aquilo não é fazer negócios, não é ciência e nem mesmo racional. De fato, li post e achei muito exagerado. Fazer com que todo funcionário twitte a respeito de tudo que está acontecendo na empresa não vai tornar a empresa mais humana ou inovadora. Twitter, assim como qualquer outra rede social, é apenas uma ferramenta que não serve para nada sem uma boa estratégia.

Antes de sair usando Twitter ou Facebook feito louco para promover uma empresa, esqueça o burburinho das redes sociais e pense como um profissional de marketing. Tenha em mente os conselhos de um especialista:

Ninguém acorda querendo ouvir mais sobre marcas.

“Desculpe. Eu sei que a tecnologia torna possível, mas não significa que isso se tornou uma necessidade ou um desejo.”

“O mundo  não precisa mais de conteúdo. O seu desafio não é encontrar um jeito de produzir mais, e sim fazer o que você diz importar mais”

A massa não é exatamente confiável.

“A humanidade realmente não sabe (ou se importa) como gerir o seu negócio, então ‘a próxima grande ideia’ de que seus consumidores devem cuidar do seu design, da sua propaganda e propor novos processos, ou apenas falar de si próprio em vez dos seus produtos ou serviço… tem a ver com recompensa imediata. Não é estratégia de negócios.”

Estabelecer diálogos não é tão simples assim.

“Toda vez que alguem lhe disser ‘apenas comece a gerar conteúdo’ ou ‘crie uma conta e converse’, eles deviam ser convidados a se retirar”.

“A ideia de que você pode esquivar da responsabilidade pela sua marca é perigosamente atraente, mas é uma mentira. Respeitar os mecanismo da conversa um a um tem muito pouco a ver com lançar campanhas digitais que se espalham pela rede.”

Sua empresa tem que fazer algo de concreto para existir.

“Não confunda o meio com a mensagem e não confunda o buzz da conversa com o conteúdo do que está sendo discutido.”

“Grandes chances das mais celebradas campanhas sociais serem realmente as melhores, mais inteligentes, mais rápidas ou possuírem os produtos e serviços mais competitivos. Fazer bonito no digital geralmente significa grande realidade. Se não há nada de real ali, não passa de um grande barulho”