Você está em ‘produtos’

Enfim, o mercado de tablets começa a ficar realmente interessante. Com praticamente 17 milhões de unidades vendidas em 2010 e a expectativa de vender 50 milhões em 2011, apenas 3 milhões dos tablets vendidos no ano passado não eram Apple.

Parece incrível, mas ninguém conseguiu prever que os tablets seriam o que os americanos chamam de “the next big thing”.  A empresa de Steve Jobs conseguiu dominar o mercado com uma facilidade invejável, fez o que todo grande estrategista de marketing quer: criar uma categoria, ser o primeiro (ou pelo menos ser percebido como tal). Dell, RIM, Samsung e outras ainda estão tentando correr atrás do tempo perdido, mas para quem entende um pouco de marketing sabe o quanto isso é difícil. A primeira a entrar no jogo — e com armamento pesado — foi a Samsung com seu Galaxy Tab.

Hoje, quem visitou as principais lojas virtuais brasileiras viu alguma propaganda do tablet da Samsung.  7 polegadas e rodando Android, o tablet da Samsung –que entrou no mercado no final do ano passado–  teve um destaque impressionante (impressionante também pelo preço R$300 mais caro que o líder de mercado).

Ainda é cedo para dizer se a Samsung conseguirá uma boa fatia do mercado de tablets como fez com celulares e televisores. A estimativa é que tenham sido vendidos quase 2 milhões de unidades em 2 meses, o que elevou a presença do sistema Android de 13% para 22% em apenas um mês. Sabemos que as empresas coreanas não são de brincadeira, assim como a Hyundai, a Samsung sempre chega de mansinho e consegue se estabelecer com produtos de alta qualidade, ótimo preço e grande volume de vendas.

Em 2011 não será diferente, a coreana vai investir 18% mais do que o ano passado, e parece que já conseguimos sentir aqui no mercado brasileiro. Vejam abaixo como a marca esteve presente nas principais lojas brasileiras.

Se tem uma coisa que eu odeio na tecnologia são fios. Eles comprometem a estética de qualquer ambiente, dificultam a limpeza e são capazes de deixar qualquer um louco quando se enrolam uns nos outros. Sendo assim sou ávido consumidor de produtos sem-fio. Daqueles que acreditam que uma das melhores invenções do homem foi o controle-remoto e que a vida não seria a mesma sem internet wireless e se os videogames ainda precisassem de cabos para plugar o controle. Internet discada e controles de videogame com fios, eu quero esquecer vocês!

Conforme tecnologia avança, alguns equipamentos eletrônicos vão perdendo o seu, aconteceu com o microfone, telefone, headset, transmissão de dados e até impressora. Um dos meus preferidos é o mouse sem-fio. Apesar de estar mais para luxo do que necessidade (já que usamos ele praticamente no mesmo lugar de sempre), o mouse sem-fio passou a ser quase indispensável quando o notebook se popularizou. Usar mouse com fio em um notebook é como plugar um cabo de rede para acessar à internet.

Há quem não se importe de usar o touchpad do notebook, eu não sou um desses, por isso comprei um mouse sem-fio — em 2008.  Na verdade, não comprei um mouse sem-fio, comprei um chuveiro elétrico, porque nunca vi um acessório tão pequeno consumir tanta energia. Consumia aproximadamente 2 pilhas AAA a cada 4 dias de uso leve. O preço de R$30,00 cobrado por uma das piores marcas que eu já vi (Bright) se revelou altíssimo com o passar do tempo.

Em dezembro de 2009, resolvi jogar fora e adquirir um mouse de R$250,00 da Logitech — reconhecidamente como uma das mais caras fabricantes de produtos de informática. O mouse era bonito, funcionava a laser 2.4ghz (sem aquela luzinha vermelha em baixo),  muito mais preciso, o receptor bluetooth era minúsculo e o alcance enorme. Apesar de todos esses diferenciais em relação à concorrência, foi uma coisa que me fez comprar quase instantâneamente: a promessa de que ele funcionaria 1 ano sem trocar as pilhas!

Mesmo sem acreditar totalmente, eu achava que ainda estaria no lucro se ele durasse ao menos 4 meses. Este mês, completa 1 ano que eu estou utilizando. Um ano sem trocar de pilhas, sem desligar e sem me preocupar. O que todo consumidor quer é não se preocupar.

O mercado está tão selvagem, tão intensamente competitivo, os consumidores estão estressados, implorando por empresas que facilitem suas vidas e isso acontece com uma frequência tão baixa. Ficamos felizes quando o produto ou o serviço é exatamente como esperávamos que fosse, isso prova o quanto as pessoas esperam pouco das empresas. Quando foi a última vez que um produto superou suas expectativas? Porque a penúltima vez que isso aconteceu eu já esqueci.

Thomas Edison foi um dos caras mais incríveis que humanidade já teve. Não somente porque ele inventou o telefone, a lâmpada incandescente, patenteou milhares de invenções e abriu 6 empresas que hoje estão avaliadas em mais de $1 trilhão de dólares. Mas, principalmente, porque Edison tinha além de um talento incrível, visão de mercado. Ele entendia 150 anos atrás que algo só tem valor se for útil. E é essa utilidade que transforma uma invenção em um produto de sucesso. Talvez esse seja o motivo que tornou Edison diferente de muitos outros inventores de sua época. Suas invenções não eram apenas “bacanas”, eram do tipo que as pessoas não conseguiam viver sem.

Para estimular a inovação nos negócios, existe o Edison Awards. O prêmio homenageia produtos que estão no mercado e são sinônimos de inovação, úteis e também sucesso de vendas. Os critérios de escolha seguem os princípios e ensinamentos de Edison. Selecionei alguns das edições 2009 e 2010 que valem à pena conferir. Reparem como as ideias são simples, mas muito poderosas.

Empresa: 3M
Produto: Pocket Projector
O que faz: Como o nome já diz, o pequeno aparelho projeta imagens na TV.
Porque é inovador: Já viram o tamanho de um projetor? E o quão ruim é mostrar a tela do notebook para todos numa reunião?

Empresa: General Mills
Produto: Betty Crocker – Mixes
O que é: Linha de produtos sem glútem que incluem biscoitos, salgadinhos, bolos e produtos congelados.
Porque é inovador: Existem milhares de marcas de alimentos, nenhuma havia pensado em lançar produtos especialmente para pessoas celíacas ou com intolerância ao glúten.

Empresa: CarMD
Produto: CarMD Handheld Car Tester e Software Kit
Porque é inovador: Pela primeira vez, pessoas que não entendem nada de mecânica podem descobrir sozinhas onde está o problema ou se está na hora de fazer alguma manutenção. Basta conectar no carro e depois no computador para obter informações.

Empresa: Apple e Google (Android)
Produto: iPhone e celulares Android [o iPhone ficou em 1º e o Android em 2º]
Porque é inovador: Basta dizer que esses 2 produtos revolucionaram o mercado dos celulares e, pela primeira vez, conseguiram ameaçar a liderança do BlackBerry.

Empresa: Amazon.com
Produto: Kindle 2
Porque é inovador: Um aparelho que armazena mais de 1000 livros, cuja bateria dura semanas, baixa livros em qualquer através da rede 3G e tem apenas 1cm de espessura com 290 gramas, é ou não é inovador?

Empresa: Apple
Produto: MacBook Air
Porque é inovador: Thomas Edison acreditava que inovação residia não apenas no mundo da tecnologia, mas no mundo do design. Ele se focava em criar produtos que se encaixassem ao estilo de vida das pessoas e sem prejudicar a alta performance. O MacBook Air manteve o desempenho mesmo sendo um laptop ultra-fino e leve.

Empresa: -
“Produto”: Campanha do Obama
Porque é inovador: Edison acreditava que inovação era uma força social. Poucos políticos na história da humanidade engajou tantas pessoas como Barack Obama, o carismático líder e primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Obama foi o primeiro a usar toda a força da internet na sua campanha eleitoral. Resultado: não apenas ganhou,  mas levou o maior número de americano às urnas até hoje.

Empresa: Pulse
Produto: Livescribe Pulse SmartPen
Porque é inovador: Se no futuro as pessoas ainda usarem canetas para escrever, serão SmartPens. A caneta criada pela Pulse grava áudio (inclusive à distância), reproduz áudio; ou seja, você pode gravar e anotar o que o professor está dizendo, se ficar pra trás, é só apertar o play. Além disso, tem uma câmera infra-vermelha que promete gravar tudo que é escrito no papel. Impressionante!

Empresa: Tide (Ace no Brasil)
Produto: To Go
Porque é inovador: No seu horário de almoço você tem o azar de respingar um suculento molho de tomate na camisa. Não tem como ir em casa, o que faz? Basta tirar o Tide To Go do bolso e passar na mancha. Parece mentira, mas as opiniões de quem usou são bastante positivas. É o tipo do produto que as pessoas duvidam que funcione, mas se funcionar, ficam maravilhadas. E o Tide To Go parece cumprir sua promessa.

Empresa: Nintendo
Produto: Wii Fit
Porque é inovador: O Wii trouxe a diversão casual de volta aos games. O Wii Fit trouxe a saúde para dentro dos games pela 1ª vez. As pessoas sempre jogaram videogames sentadas num sofá, onde a única parte do corpo exercitada eram os dedos. No Wii Fit todo o corpo é usado e você pode praticar exercícios de maneira muito mais divertida. Podia ser um fracasso, mas o Wii Fit ajudou muitas pessoas a perderem peso ou ao menos tirarem a imagem de que videogames é coisa de sedentário.

Quem quiser conhecer os outros premiados: edição 2009 / edição 2010

A embalagem armadilha

10 de agosto de 2010 • TEMAS: Marcas / Marketing / /

26 gramas de goma de mascar sabor menta, sem açúcar, em embalagem moderna estilo “carteira”, nas cores preto e azul com 14 unidades por R$5,00. Essa é a descrição do Mentos Aqua Kiss (Slabs), mas bem poderia ser do Trident Global Connections.

Ele é maior do que a versão original, o sabor refrescante dura horas na boca, o preço é um pouco alto, mas o custo-benefício talvez compense. No entanto, com tantas semelhanças entre os dois produtos, uma coisa deveria ser diferente: a embalagem.

Não conhecia a goma de mascar Mentos Aqua Kiss até pegar um na saída de um restaurante achando que era Trident. Me impressionei com a semelhança porque já conhecia o Global Connections. Alguns dias depois, comprei os 2 e distribuí aqui na empresa, a reação não foi diferente.

Para o marketing, o design tem basicamente dois objetivos: diferencial e funcional. Durante muito tempo (e até hoje tem que pense assim), o design foi visto como algo puramente estético e nunca esteve entre as prioridades das empresas. Sua função era pra dar um aspecto legal ao produto. Hoje, design vai além da estética e se tornou algo funcional. Em casos extremos, o design carrega a alma da marca (como o branco da Apple ou a sofisticação da Lacoste). Caprichar no design é a melhor maneira de diferenciar o seu produto da concorrência. Através de um bom design, é possível fazer um produto ser reconhecido com uma simples olhada ou toque. Até hoje, toda vez que vejo uma lata de 250ml, penso em Red Bull; pode ser o concorrente Burn (que nem sequer usa as mesmas cores) ou até mesmo outro tipo como a Skol. Esse é um dos melhores exemplos de como o design pode ajudar a fixar uma marca.

Quando o consumidor tem contato com um produto, antes de enxergar a marca, ele já viu o formato da embalagem, suas cores e até o material em que é feito. Você pode aumentar a logo, é verdade, mas é melhor aprimorar o design.

Sem levar em consideração algumas pequenas diferenças internas, a marca Trident leva vantagem porque tem o posicionamento mais forte. A marca preencheu este  espaço na mente de milhares de pessoas. Quando eu penso em goma de mascar, penso em Trident. O que o Mentos (marca de balas) deveria fazer era criar uma embalagem totalmente diferente. Talvez colorida e alegre como a marca-mãe ou apenas em uma única versão diferente dessa e com 18 unidades. O design é legal e original.  Disputar com a marca líder usando a mesma estratégia da líder não é muito inteligente. Seja qual for o objetivo, acho que muita gente ainda vai levar Trident por Mentos.

O iPhone em números

18 de março de 2010 • TEMAS: Digital / / / /

A Revista Arkade fez um excelente infográfico sobre o celular mais bem-sucedido da história. Ele não apenas é o celular mais vendido dos EUA, como também o smartphone mais vendido no Japão e sonho de consumo em todo o mundo. A imagem deixa claro que o aparelho não é só um bem de consumo, é um xodó. As pessoas o amam como se fosse da família. Acho que o marketing pode aprender um pouco com esse fenômeno.

O tiro certeiro da AmBev

15 de janeiro de 2010 • TEMAS: Marcas / Negócios / / /

Viagem de final de ano para visitar a família é sempre repleto de abraços, reencontros com velhos amigos,  muitos abraços, brincadeiras com sobrinhos, histórias, novidades, além do saboroso peru natalino, lasanha da mãe e estouro de espumante no dia 31.  Mas desta vez as férias contaram com uma novidade: Brahma Fresh.

Se você mora no sul ou sudeste, provavelmente nunca ouviu falar dessa cerveja. Ela surgiu em julho de 2007 na Bahia e nos dois anos seguintes invadiu outros 13 estados do norte e nordeste brasileiro. Segundo a AmBev, a criação da Brahma Fresh exigiu 1 ano e meio de pesquisas e o resultado foi uma cerveja leve, suave e refrescante (Fresh!).

Tendo um cunhado gerente da AmBev, foi difícil beber outra coisa, senão Brahma Fresh, entre uma ou outra Bohemia.

A cerveja foi realmente uma tacada de mestre da AmBev para competir com cervejas mais baratas como Nova Schin e Kaiser. Em junho de 2007 – antes da Brahma Fresh ser lançada –, a Nova Schin possuía cerca de 42% de mercado na Bahia, número que talvez fosse ainda maior em outros estados do norte e nordeste, onde a Nova Schin é muito forte e altamente competitiva em função do seu baixo preço.

O que pude ver na minha viagem é que, em menos de 2 anos, a Brahma Fresh dominou Belém do Pará. Onde antes era domínio absoluto da Nova Schin, a nova cerveja da AmBev deu um empurrão na concorrência e conquistou espaço considerável nas mesas de bares e em gôndolas de supermercado.

Mesmo custando cerca de R$1,38 a lata contra R$1,17 da Nova Schin, a Brahma Fresh parece assustar a concorrente comumente conhecida como “Água Schin”. Embora a Brahma seja a 2ª cerveja mais vendida do Brasil e uma das 10 mais vendidas do mundo, vende pouco fora do eixo Rio-São Paulo. Sendo assim, a Brahma Fresh veio para preencher essa lacuna, reforçando a marca-mãe e competindo num mercado novo.

A prova mais clara de que a Brahma Fresh veio competir diretamente com a Nova Schin é a estratégia de patrocínio de festas, algo raro de ver até então com produtos da AmBev. Pude ver a Brahma Fresh, em Belém, patrocinando “festas de aparelhagem” (festas de bairro ao estilo calypso voltadas para o público C e D).

Quando parecia que a guerra das cervejas não poderia ficar mais acirrada, surge um novo competidor pra esquentar ainda mais as coisas. Eis a importância de fortalecer a marca sempre, a única maneira de garantir o seu futuro. A batalha vai ser boa:  agressividade da Schin X simpática marca da Brahma. O único problema é que para tomar uma Fresh só nas férias no norte-nordeste.

A cervejaria Heineken anunciou na segunda-feira que comprará as operações de cerveja da mexicana Femsa por 3,8 bilhões de euros (5,44 bilhões de dólares), em uma transação toda em ações que dará ao grupo holandês uma posição de liderança em mercados emergentes da América Latina.

As ações da Heineken, que abriram em baixa, rapidamente inverteram o sinal e subiam 3,6 por cento às 8h (horário de Brasília).

O acordo já era esperado depois que a SABMiller desistiu de um leilão dos ativos da Femsa.

A Femsa informou em outubro que buscava opções para suas operações com cerveja, que ocupam a segunda posição no México. A Femsa também ocupa a quarta posição no mercado brasileiro de cerveja.

Após uma série de transações, a Heineken afirmou que a Femsa será a segunda maior acionista do grupo. A companhia terá 12,5 por cento da Heineken e 14,9 por cento de participação na Heineken Holding, essas fatias compõem uma presença econômica de 20 por cento no grupo.

A Femsa também terá o direito de indicar dois membros não executivos para o conselho de administração.

“O acordo com a Femsa é estratégico para a Heineken”, escreveu a SNS Securities em relatório. Entretanto, com uma relação de 11 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), a SNS também considerou que a operação “não foi barata”.

“A Heineken está consolidando sua posição. Não haverá uma emissão de ações e somente uma pequena diluição para os acionistras.”

FONTE: AdNews e Reuters

Muitas pessoas dizem que não há certo ou errado nos negócios. Por consequência, não existe uma estratégia certa ou errada, boa ou ruim. Uma estratégia é sempre uma estratégia, tudo que podemos fazer é especular, expor opiniões, impressões e debater antes de testá-la (dando a cara à tapa). Como decidir entre diferenciação ou custos, popular ou luxo, mercado local ou nacional, diferencial na logística, na apresentação ou atendimento? loja virtual ou apenas física ou ambas? São  muitas opções e a decisão desses e muitos outros aspectos compõem a sua estratégia, cujo objetivo é levar a sua empresa aos resultados esperados.

Quem sou eu pra dizer que algo está errado, mas eu gostaria de expor meu ponto de vista, tomando como exemplo as universidades/faculdades.

Durante décadas, no Brasil, formou-se a percepção de que educação infantil e média de qualidade é a paga e que, se você quiser obter sucesso profissional, deve obter um diploma em uma universidade pública. Curiosamente, esse é o inverso da realidade norte-americana e de muitos outros países. A missão de uma univerisade pública é ensinar, não importa sob quais condições. Lá estão os melhores professores (que por amor, aceitam receber salários baixos), as melhores oportunidades e, claro, a maior quantidade de bons e esforçados alunos. Do outro lado, estão as universidades privadas –quase sempre a 2ª opção do estudante– com seus prédios belos e bem conservados, equipamentos de última geração e uma coisa que a pública não tem: badalação.

A estratégia do ensino público é a qualidade. A do ensino privado é o status ou inclusão social. “Se todos meus amigos vão pra lá, eu também quero ir”. Convenhamos, são poucos jovens de 17, 18 anos que não pensam assim. Outro caso comum é o do desejo (ou a necessidade) pelo diploma, que faz milhares de pessoas todos os anos optarem por uma  universidade qualquer, mas que podem pagar.

Estou generalizando, mas é mais ou menos essa a nossa realidade. Faculdades viraram máquinas de fazer dinheiro. O bom ensino deu lugar ao bom atendimento, os livros deram lugar às apostilas com slides de Powerpoint, os debates deram lugares aos odiosos trabalhos em grupo (que só um faz). O aluno virou cliente e as instituições sentem-se obrigadas a não reprovar o aluno desde que ele esteja em dia com as mensalidades.

Certamente há exceções.  E nelas, uma boa estratégia por trás. Universidades de prestígio anunciam menos, porque estão mais preocupadas com o ensino do que com propaganda. Elas cobram a mais por isso, porque os professores são melhores, mais competentes e têm didática. Quem faz uma boa universidade são os professores, não a direção.

Também vejo universidades caras com ensino péssimo. Essas são as piores. Trocam infra-estrutura e tradição local por muito dinheiro. Por isso, suas verbas publicitárias são enormes. Porque não foi à base de sucesso profissional dos seus ex-alunos ou o boca a boca positivo dos stakeholders que seu nome foi construído, mas o alto investimento em infra-estrutura e em mídia.

Varejo
Mudando de segmento, vamos falar rápido de varejo. Por que 90% dos mercados têm que insistir em preços baixos quando é evidente que apenas um pode conquistar esse lugar? Essa não é uma das estratégias mais sábias, vocês hão de convir. Em se tratando de supermercados, há 2 exemplos que eu gosto de citar. O primeiro é a rede brasileira Zaffari, que segue a estratégia  premium. A outra é a americana Whole Foods (presente na Inglaterra também),  que diante das gigantes Sainsbury’s, Tesco e Walmart optou pela estratégia da alimentação saudável e tem colhido muitos frutos.

Produto
Até mesmo no ramo de agua mineral é possível usar uma estratégia diferente. Perrier é um case mundial e vende no mundo todo. Outro dia vi falar em uma água com vitaminas (mais sais mineiras e coisa do tipo), muitos podem pensar que isso é enganar o consumidor, mas não é.

Essa é uma decisão estratégica de como criar um produto de sucesso. De fato, a água Perrier é extraída de uma única fonte no sul da França, em uma região habitada pela 1ª vez pelos Romanos antes de Jesus Cristo. Certamente, a água com vitaminas possui vitaminas na sua composição. Ainda falando em água, um produto que tem crescido a cada ano vem dos Estados Unidos, ou seria melhor, do nordeste brasileiro. É a marca de água de coco Zico, uma marca criada por um norte-americano e fabricada no Brasil que cresceu 75% neste ano de 2009. Eu disse 75% !!!!

Enquanto alguns vendem água, outros vendem “pura água de coco do Brasil”. Isso prova que não há estratégia errada, há estratégia ruim. E muita!

#3 Várias versões do mesmo produto.

No  mundo, há dois tipos de clientes: os que barganham e os que não barganham. E para atender o segundo grupo, a indústria do entretenimento criou algo chamado deluxe edition. Seja em filmes, games ou música. Grandes obras costumam sair em várias versões.[ No Brasil, é raro ver edição especial de discos e games. Os filmes, infelizmente, estão indo pelo mesmo caminho.]

Geralmente, lá fora, os discos de grandes artistas já saem nas versões normal e deluxe. Mas vamos pegar como exemplo o fenômeno Lady Gaga, que recentemente foi chamada pela Forbes,  de “o novo modelo de negócios”.  Seu disco “The Fame” saiu em outubro de 2008 nos Estados Unidos. Em janeiro chegou ao Reino Unido, quase que instantaneamente se tornou um fenômeno e uma das mais tocadas da BBC Radio One. Lembro que não se ouvia outra coisa no começo do ano, na Inglaterra, tanto que resolvi dar uma chance para loira sexy e escutar o CD. Em março de 2009, não havia festa em Londres que não tocasse Poker Face.

Resultado:  7 singles, 1 vinil, 1 edição especial, 1 versão de luxo, 1 disco com remixes. Em apenas 1 ano, oriundos de apenas um produto.

A limited edition é uma versão especial quando o produto já deu o que tinha que dar. É uma versão melhorada da deluxe edition, suas poucas unidades explicam o maior preço.

Saindo da música, outro exemplo genial vem da indústria dos games. A Microsoft com o seu XBOX360 criou a série Platinum Hits.  Se um produto já deu o que tinha que dar e você não tem mais conteúdo para acrescentar, o que se faz? Muda a embalagem e vende como uma série especial. Essa é a Platinum Hits, que nada mais é que um mesmo jogo, porém, com uma capa cinza ao invés da verde. Dessa forma, o produto ganhar um ar mais novo, e afasta um pouco a imagem de “ultrapassado”.

Se você acha que seu produto (ou serviço) já deu o seu melhor. Talvez VOCÊ não tenha dado o seu melhor.