Muitos pais para justificar para seus filhos que não vão lhe dar o que pediram dizem “meu filho, você não pode ter tudo sempre”. E essa realidade chega à vida adulta com a mesma força. Os melhores alunos acabam tendo que abrir mão de muitas festas para ficar estudando. Já os que dão preferência para a vida noturna, sentem o impacto no desempenho acadêmico. Nos negócios também é assim, o produto perfeito não existe, as pessoas quase sempre abrem mão de alguma coisa ao escolher qual comprar. Geralmente, é uma destas 3 coisas: preço, qualidade ou rapidez.
Eu sempre acreditei nisso e sempre duvidei de marcas que ofereciam tudo. Boas empresas entendem que o produto perfeito não existe e que os consumidores definem prioridades para cada compra, e são essas prioridades que elas precisam satisfazer.
O autor do blog Re:Focus chamou isso de “A lei dos 2/3”. Uma regrinha simples que coloca no papel o que toda empresa devia ter em mente.
Entre qualidade, preço e rapidez; escolha dois. Isso serve para clientes e empresas.
Pense em um restaurante. Se você está sem tempo, um café é uma ótima opção já que é rápido, e provavelmente mais barato . Se você vai comemorar 5 anos de namoro, é bom levar a patroa em um bom restaurante, o que significa que talvez seja preciso abrir mão da rapidez (e esperar numa fila) em busca de alta qualidade e talvez um bom preço. [NOTA: preço é sempre muito relativo, mas em marketing, o que define se é o preço é bom são os concorrentes. Um restaurante de luxo não concorre com um por kilo.]
As duas combinações mais comuns no mercado são: preço/rapidez e qualidade/rapidez. Assim como fazer rápido diminui a qualidade (e consequentemente o custo), às vezes é necessário pagar mais caro para se ter na hora. Em marketing, rapidez e conveniência estão sempre embutidos no valor do produto.
Vender preço/qualidade sempre me pareceu uma heresia. No entanto, embora seja muito raro, é possível manter os dois lá em cima, desde que a empresa sacrifique seu retorno financeiro. Entregar qualidade a um bom preço faz com que o tempo de retorno do investimento seja muito mais demorado. Eis porque poucas empresas optam por essa estratégia. Investir em qualidade é caro, manter a qualidade é caro, fazer isso e manter o preço competitivo parece loucura. Porém, possível.
Como cliente, duvide de empresas que ofereçam bom produto, a um bom preço e ainda rápido (ou fácil de achar). Em 99% dos casos, isso não é verdade. Como empresário, profissional de marketing ou publicitário, trabalhe — no máximo — 2 benefícios desses benefícios. Não só a marca ganhará com isso, mas as vendas aumentarão, uma vez que as ofertas soarão mais críveis e as chances do propósito da marca fixar na mente do consumidor ser bem maior.
Vendas são realizadas devido a uma combinação de fatores. Quando uma empresa se encaixa aos anseios e as circunstâncias do consumidor, ela fecha uma venda. Isso quer dizer que alguém pode ser um cliente assíduo de uma loja e ir a outra porque estava mais perto ou qualquer outro motivo mesmo que seja mais cara ou menos confortável. O que os consumidores precisam saber é o que a empresa oferece de melhor. Qualidade, preço ou rapidez? 1 é ótimo, 2 é bom, 3 é definitivamente demais.
Abrir mão das coisas faz parte da vida praticamente desde criança. As pessoas aprenderam a conviver com isso e estão dispostas a pagar mais ou menos dependendo do que está em jogo. Mas não pagarão por algo que elas não acreditam.
“A maioria das pessoas pensam que somos apenas uma empresa de impressora”, diz Michael Mendenhall, diretor de marketing da HP. Esse é o motivo que fez a HP lançar uma nova campanha institucional, de acordo com o The Wall Street Journal, “para deixar clara sua posição de empresa de tecnologia sem fronteiras”.
Se o maior preço fosse compensado por um ótimo atendimento que resolvesse os problemas do consumidor, um ambiente imersivo e limpo, produtos de alta qualidade, muitos dos quais, só você comercializa? Valeria a pena, não valeria?
Durante um ano, estive envolvido com a comunicação da Kia Motors e por consequência em seus concorrentes também, mais especificamente a Hyundai (ignorem o fato da Kia pertencer à Hyundai, pois são marcas administradas separadamente).
Marketing é guerra meus amigos. Hoje, a maioria de vocês já devem ter percebido disso. Uma vez que a maioria de vocês são familiarizados com “Marketing de Guerra”, o livro que escrevi com meu ex-parceiro Al Ries sobre estratégia e táticas que podem ser implementadas na linha de frente do marketing. Com ajuda do general prussiano Karl von Clausewitz, conhecemos muitas das coisas que marqueteiros enfrentam no campo de batalha. Eu ofereço uma breve recapitulação em alguns dos pontos mais importantes para você enfrentar um motim.
Este é um assunto basicamente de estratégia de preço, em que você estrutura seu mix de produtos para lhe render não apenas lucro, mas uma maior participação de mercado. Este também é assunto do branding, afinal, produtos possuem marcas.
Em algum momento o mercado se tornou uma grande Torre de Babel. Onde cada um tem seu próprio dialeto e entende como pode. Pensando bem, acho que está mais para uma grande Sodoma & Gomorra, onde ninguém é de ninguém. Agências de publicidade criando sites, empresas de design criando anúncios, birôs criando logomarcas. Todos achando legal essa brincadeira de mexe no meu que eu mexo no seu.






