Eu ainda não tenho um bom histórico de previsões, mas parece que acertei quando disse que o mercado de netbooks não iria longe. Agora, irei arriscar mais uma: 90% dos sites de compras coletiva de hoje morrerão dentro de 1 ano. [nota: segundo a Forrester Research, os tablets devem tirar os netbooks do mercado norte-americano dentro de 2 anos.]
Quando eu descobri o Groupon não dei muita bola até a Forbes denominá-la “A empresa com crescimento mais rápido da história”, que deve romper a barreira de $ 1 bilhão de dólares de faturamento em apenas dois anos. Foi depois de ler o artigo e visitar o site (Clube Urbano, no Brasil) que percebi a genialidade da ideia de um jovem de 29 anos.
Devido seu conceito simples e baixo investimento inicial, o mercado teve um boom de novos entrantes de forma sem precedentes. Já perdi as contas de contas de quantos sites de descontos coletivos diferentes eu vi nos últimos 2 meses (só no Brasil). Embora o modelo de negócios seja o mesmo, esses sites são muito inferiores ao original. Quando o Groupon lançou seu Clube Urbano no Brasil, ele trouxe experiência de outros países, portanto, não era apenas uma boa ideia, era uma empresa bem-sucedida que saiu na frente por ser o primeiro, ser inovador e possuir mais experiência. Já suas cópias vão na onda munidas apenas da ideia — que é boa, mas conhecida — sem acrescentar nada e com uma execução fraca . Em outras palavras, parabéns ao Groupon, eu os admiro; mas para quase todas as outras cópias brasileiras, vocês deviam rever seu modelo de negócio.
Na minha opinião, a única estratégia viável para quem quer entrar neste mercado hoje é segmentar, por região ou segmento de atuação. Ao invés de dominar o Brasil, que tal ficar só em um estado? Ou se especializar em saúde — com academias, lojas naturais, farmácias, restaurantes orgânicos? Mas as empresas não conseguem sequer segmentar suas ofertas, o que dirá segmentar a empresa. Por exemplo, eu já recebi ofertas de depilação. Se fosse ao menos de corte de cabelo…
Não há espaço para todos. É com base nessa premissa que o marketing se desenvolveu, a estratégia se tornou o cérebro de toda empresa e as marcas passaram a valer uma fortuna. Não vai ser diferente neste setor, como é confirmado pelo professor da Wharton School, Kartik Hosanagar, “para superar a concorrência, um site de compras em grupo precisa ter uma marca de respeito e boa reputação”.
Como lojas podem tirar vantagem
Tanto para as empresas de compra coletiva como para as pequenas e médias empresas que anunciam, é preciso haver uma estratégia por trás. Para quem vende, a estratégia ajudará a sobreviver neste mercado ultra-competitivo. Para quem contrata, a estratégia ajudará a não quebrar, uma vez que o lucro obtido das ofertas anunciadas nesses sites são irrisórios. É preciso saber o que está fazendo.
Para garantir o sucesso a longo-prazo, os sites de compra coletiva também precisam ajudar as lojas a crescerem. Caso contrário, elas anunciarão uma vez e depois nunca mais. Uma pesquisa mostrou que apenas 15% dos clientes que resgataram seus cupons, voltaram à loja depois. Ou seja, é preciso diferenciar quem só está atrás do desconto e quem está disposto a conhecer uma boa empresa.
De uma maneira geral, há 4 objetivos principais para uma empresa anunciar nesses sites:
- Atrair novos clientes
- Atrair novos públicos
- Divulgar novos produtos
- Mudar a opinião dos clientes acerca de um produto/serviço (que foi melhorado e merece uma segunda chance)
Como os sites podem sobreviver neste mercado
O mercado é como um campo de batalha, milhares surgem para disputar e, aos poucos, a maioria vai abandonando ou morrendo. Isso é ainda mais visível em mercados emergentes, por exemplo quando um surge um produto de grande sucesso e todo mundo quer tirar proveito. Aconteceu com os netbooks, vai acontecer com os tablets (2011 promete) e está acontecendo com os sites de compras coletivas.
O Groupon/Clube Urbano inventou um mercado, criou uma categoria, fazendo exatamente o que Al Ries e vários outros especialistas em marketing propõem. Isso garantiu uma enorme vantagem competitiva. O que os concorrentes podem fazer para compensar isso? Evitar ser uma marca “eu-também”, copiando o líder. E é exatamente isso que a maioria está fazendo.
Acredito que as empresas poderiam aumentar suas chances de sucesso se seguissem seu próprio caminho, como:
- Especializar-se em uma região ou ramo de atuação. Funcionando como um guia para os moradores daquela cidade, turista ou ávidos consumidores de determinados produtos
- Conhecer profundamente seus usuários, oferecendo ofertas específicas a partir do histórico de compra, sexo, idade e preferências
- Estimular o clima de comunidade. Gerando conteúdo útil, interagindo com os usuários e os premiando por isso.
- Ofertar coisas interessantes, não uma sobremesa em um restaurante que ninguém conhece.
[Baseado neste artigo da Wharton School]