Você está em ‘Pesquisas’

Há vários motivos para uma empresa não dar certo, mas acredito que um dos maiores é investir nas coisas erradas. Vamos pegar uma loja como exemplo. O empreendedor ingênuo provavelmente destinará parte do seu investimento inicial à publicidade. Em muitos casos, a grana é tão curta que o efeito é negativo. Agência nada criativa, economia na hora de produzir o material, veiculação no pior horário porque é a mais barata. Tudo isso pra dizer que anuncia. Isso é um exemplo de mau investimento.

Publicidade é pra quem tem dinheiro. Se você não tem ou tem pouco, que é o caso da grande maioria das empresas brasileiras, invista em treinamento. Gaste mais tempo selecionando seus funcionários e dê melhores benefícios que o concorrente.

Recentemente, a Disney encomendou uma pesquisa pra saber o que faz as pessoas não comprarem um produto ou serviço. Em outras palavras, se você entrou naquela loja pra comprar, por que não comprou? O resultado foi na verdade um alerta vermelho:

  • 9% porque morreram ou mudaram para um lugar onde não existe produto;
  • 9% por encontrar similares com preço melhor;
  • 14% por problemas de qualidade com o produto;
  • 68% porque foram mal atendidos pelos vendedores.

É perfeitamente normal deixar de vender porque você não está naquele mercado, porque a concorrência vende mais barato ou até mesmo porque você teve problemas técnicos, pra isso serve SAC e assistência técnica. Porém, é inadmissível que você deixe de vender porque seus vendedores não sabem vender.

Não adianta o gerente ter as obras de Jeffrey Gitomer na cabeceira da cama, ir a palestras do Luppa e dizer “vamos lá pessoal” se seus funcionários nunca leram ou ouviram nada sobre vendas, isto é, nunca foram treinados.

Estamos na era do boca a boca, em que mais de 80% das pessoas confiam na opinião de um colega sobre um produto ou serviço e menos de 30% acreditam no que ouvem no rádio ou TV. Outro problema: é que um cliente insatisfeito fala mal para cerca de 22 pessoas e um satisfeito para apenas 8.

Agora eu pergunto: faz sentido investir em propaganda quando você tem funcionários que não tratam bem os clientes?

A cena se repete a cada vez que vou a um novo restaurante. Sento, peço uma cerveja cara e começo a formar as primeiras opiniões sobre o lugar. A cerveja chega e eu começo o meu árduo processo de escolha do prato. Se não fosse pelo fato de eu não comer carne vermelha, eu talvez jamais conseguisse decidir diante de tantas opções. Tenho certeza não sou o único assim. E, provavelmente, todos nós somos de  uma forma ou de outra influenciado pelo número de opções que temos ao tentar comprar algo.

Uma pesquisa realizada por acadêmicos das universidades da Califórnia, Wharton e Stanford mostrou que quando o numero de opções é grande, as pessoas tendem a tomar decisões mais “corretas” — que podem justificar facilmente.  Se pararmos pra pensar, isso tem lógica. Muitas vezes, cansado de folhear o cardápio eu acabo pedindo algo semelhante que estou acostumado a pedir em outro restaurante.

Gordura X light
A primeira parte da pesquisa consistiu em mostrar dois tipos de sorvetes. Um normal e outro light. 20% dos participantes optaram pela opção “mais saudável”. Posteriormente, fizeram a mesma pesquisa agora com 10 tipos de sorvetes, sendo metade considerada light. Diante de 5 vezes mais opções, a quantidade de pessoas que optaram pelo sabor light quase dobrou — chegando a 37%.

Na segunda parte da pesquisa envolvendo opções saudáveis e outras nem tanto, foram oferecidos em cantos distintos de uma sala duas mesas com frutas e assados. Numa das mesas haviam apenas 2 opções de cada. Na outra, as opções eram 3x maior. Dentre elas maçãs vermelhas, pêras, tangerinas, muffins de banana, crossaints e biscoitos. O que vocês acham que aconteceu? As pessoas pegaram mais frutas das mesa com mais ou menos opções?

O caso dos sorvetes se repitiu. 76% das pessoas que tiveram mais opções acabaram pegando uma fruta. Na mesa com apenas 2 opções, esse número foi de 55%.

Vontade X necessidade
Para saber se esse comportamento se repete em outras áreas, os pesquisadores analisaram o processo de escolha entre MP3 players e impressoras. Suponhamos que você precisasse comprar uma impressora porque a sua está mais velha que a roda. Mas você também quer um iPod pra acompanhá-lo nas suas caminhadas matinais. Será que a quantidade de opções uma loja oferece pode influenciar a sua escolha por apenas um dos dois? Se sim, como?

A diferença neste caso é gritante. Os participantes que tiveram que escolher entre 2 impressoras e 2 mp3 players, acabaram escolhendo o player em 89% dos casos. Porém, quando se tinha 6 modelos diferentes de impressoras e 6 de mp3 players. A escolha pela impressora aconteceu em metade dos casos. Diante desse resultado, os pesquisadores então aumentaram o número de modelos de mp3, na esperança que esse resultado mudasse. Pasmem, mesmo com número maior de mp3 players à disposição, as pessoas preferiram ainda mais a impressora. Ou seja, a opção mais fácil de justificar.

“Escolher dentre uma variedade muito grande tende a aumentar a dificuldade da escolha e, consequentemente, pode levar o consumidor a confiar mais em justificativas aceitáveis na hora de escolher”, observam os autores no estudo publicado na edição de 2009 do Journal of Consumer Research. Jonah Berger, um dos pesquisadores e professor de marketing, complementa: “Como resultado, defendemos que escolher dentre uma variedade grande pode levar o consumidor a fazer escolhas fáceis de justificar”.

Em entrevistas posteriores, descobriu-se que aquelas pessoas que tinham feito escolhas “menos corretas” costumavam se queixar mais. Em outras palavras, as que tinham escolhido os crossaints e os mp3 players sentiam-se mais culpadas do que àquelas que optaram por frutas e impressoras.

Contudo, há outros fatores que influenciam as decisões de compra e devem ser ponderadas ao avaliar o estudo. Como os próprios pesquisadores relataram, se uma opção se destaca das demais (por exemplo uma forte preferência do consumidor ou muita publicidade), o número de opções pouco importa.

Bacana! Mas no que isso me ajudaria a administrar o meu negócio?
Recapitulando, o estudo diz que quando o número de opções é grande o suficiente pra dificultar a decisão, as mais justificáveis são as que levam vantagem.  Na formulação do portifólio de produtos, na localização de uma nova loja ou sempre que as opções forem vastas e semelhantes entre si, as socialmente, organicamente ou politicamente “corretas” levam vantagem.

O carro mais econômico, o sanduíche natural, o filme premiado…  são as melhores opções e nós sabemos disso, mas aos poucos a ciência e o marketing vão descobrindo porquê nem sempre tomamos a melhor decisão.

Fonte: Wharton

Como dizia um professor meu: “de futebol e propaganda todo mundo entende”. É verdade. O brasileiro adora comercial. Algo atípico se comparado aos nossos amigos do velho mundo, como os britânicos.

Os ingleses detestam propaganda. Não é à toa que product placement é proibido lá. O argumento é que pode ser difícil separar o conteúdo editorial do publicitário, e isso deve estar bem claro pro telespectador. Propaganda deve parecer propaganda e conteúdo deve parecer conteúdo. Outro argumento é que faz tempo que a TV vem perdendo mercado para internet, então as emissoras, numa tentativa de de proteger seu produto, consideram o product placement uma desvalorização dos breaks e seus anunciantes. De qualquer forma é desnecessário comparar o Brasil com a Inglaterra  quando o assunto é mídia. Eles são a nação mais evoluída no  uso da internet — destinando quase a mesma verba publicitária para TV e internet.

Hoje, foi divulgada uma pesquisa mundial sobre como as pessoas veem a propaganda e adivinhem? O que já sabíamos. Brasileiro adora propaganda. Segundo a Synovate, “apenas” 43% dos brasileiros consideram exagerada a quantidade de comerciais na TV. Na Espanha, por exemplo, esse número é de 88%.

Mais de 2/3 dos 8,5 mil entrevistados em 11 países disseram haver comerciais demais na TV. Em contrapartida, apenas 39% reclamaram da quantidade de publicidade na internet. [Eles não devem conhecer os blogs brasileiros...]

Em nível global, 87% das pessoas costumam “fugir” dos comerciais em mídias convencionais, isto é rádio e TV. Ou seja, utilizam sua arma mais poderosa contra os anunciantes, o controle-remoto.

Ilusão no marketing

27 de julho de 2009 • TEMAS: Marketing / /

Por Jack Trout, um dos consultores de marketing mais prestigiados do mundo. Ficou conhecido pelos livros que escreveu com Al Ries, como Posicionamento — A Batalha Pela Sua Mente, As 22 Consagradas Leis do Marketing e Marketing de Guerra.

jack_trout A falha em compreender a simples verdade que o marketing é uma batalha de percepções, derruba milhares de empreendedores todos os anos.

Profissionais de marketing estão preocupados em fazer pesquisa e “adquirir fatos”. Eles analizam a situação pra ter certeza que a verdade está a seu favor. Então, eles adentram a arena do marketing, assegurados pelo seu conhecimento de que eles têm o melhor produto e que, sem dúvida, o melhor produto  irá vencer.

Isso é uma ilusão. Na realidade, não existe um objetivo. Não existe fatos. Não existe melhores produtos. Tudo que existe no mundo do marketing são percepções na mente dos consumidores e prospects. A percepção é a realidade. Tudo além disso é uma ilusão. Ponto final.

Artigo traduzido do original

Branding sensorial

Temos ouvido (e lido) cada vez mais falarem em branding sensorial — o uso de aromas, sons, texturas e outros recursos sensoriais  que melhoram a experiência do cliente com a marca ou o produtos. A pergunta é: isso realmente tem o poder de melhorar a percepção da marca e levar mais consumidores a preferirem um e não outro só com base nos sentidos?

Segundo o maior estudo de neuromarketing já feito a resposta é sim.

Você certamente já ouviu que o apelo emocional é o mais eficiente que existe. Fragrância e músicas trabalham justamente o emocional, funcionando como um grande atalho para lembranças e sensações. O seu dever é assegurar que essas lembranças e sensações sejam positivas, utilizando o aroma e o som certos.

Parece loucura, mas empresas de batatas chips pesquisam o “barulho perfeito” que irá fazer na nossa boca ao mastigarmos; lanchonetes instalam máquinas que disparam jatos com “cheiro de hambúrguer”; montadoras borrifam cheiro de couro em carros novos… parece loucura o que certas empresas, o pior é que funciona. Misteriosamente, ficamos com fome (ou achamos que sim) ao sentir um cheiro de frango na chapa. Para a maioria dos homens, o melhor cheiro do mundo é o de carro novo; poderíamos morar dentro dele enquanto o cheiro estiver lá. Podem ter certeza que se as empresas descobrirem o que o aroma é capaz de despertar nas pessoas, elas irão usar. O mesmo serve para a música.

O estudo mostrou que, embora sons e cheiros funcionem isoladamente, são mais eficazes quando experienciados junto do produto/marca. Nessa hora, fortalece-se o vínculo entre aquele aroma em particular e o produto, se o aroma despertar associações positivas e adequadas, as chances da pessoa levar o produto aumentam consideravelmente.

Uma loja de departamento dos Estados Unidos disse ter quase dobrado suas vendas do departamento feminino, quando exalou aroma de baunilha por todo o setor (baunilha é o aroma mais popular dos EUA e adorado pelas mulheres). Dois pesquisadores da Universidade de Leicester constataram que as vendas de vinhos de um hipermercado variava de acordo com a música. Nos dias em que tocava musica facilmente reconhecidas como francesas, os vinhos franceses vendiam mais; em contrapartida, o mesmo acontecia com os vinhos alemães e suas músicas.

Porém, não foi isso que mais me surpreendeu no estudo. Foi ver que associar a logo a um som é muito mais eficaz do que imaginamos. Parece um mero detalhe, mas aquele sonzinho que toca em todas as vinhetas da Intel mexe com a nossa cabeça. A combinação som + logo exige maior atividade do cérebro, esse esforço acaba aumentando o índice de lembrança e preferência da marca —desde que o som já não carregue uma associação negativa.

Fato ou não, o branding sensorial veio pra ficar. Em uma época onde somos bombardeados por  milhares de marcas todos os dias e 83% de todo o esforço das marcas são para atrair nossos olhos; seduzir o nariz e os ouvidos parece ser um caminho sábio. Ainda mais agora, sabendo como o nosso cérebro se comporta. Como diz aquele ditado: “em terra de cego, quem tem um olho é rei”,  problema é que no mercado todos tem olhos, mas nem todos podem ser rei.

Livro Buyology - A lógica do consumo O que nos impulsiona a comprar? O que nos faz escolher um determinado produto e não outro? O que os consumidores estão pensando? O que eles desejam? As respostas para essas perguntas estão no que o consultor global de marcas, Martin Lindstrom, batizou de a lógica do consumo ou Buyology, em inglês.

São pensamentos, sentimentos e desejos subconscientes que impulsionam as decisões de compra que tomamos em todos os dias de nossas vidas.

Meu interesse pelo livro veio de um artigo que dizia que “colocar salada nos cardápios aumenta venda de batatas fritas”. Em abril, eu caí na besteira de encomendar uma cópia importada. Mês passado, saiu a versão brasileira totalmente em português e por 1/3 do preço (Juliano está sorteando um em seu blog). Tudo bem, me dei mal, bola pra frente, porque o livro valeu cada centavo de dólar. Hoje, irei comentar sobre as minhas primeiras impressões desse audacioso projeto de Martin Lindstrom que envolveu milhões de dólares, professores, pesquisadores, 2081 pessoas, uma comissão de ética e demorou três anos pra ser concluído.

Com um prefácio escrito por nada menos que Paco Underhill –um dos primeiros a analisar a fundo o comportamento do consumidor no ponto-de-venda– o livro começa devagar e com linguagem de romance em vez de livro de marketing. Você entende quem é Martin Lindstrom, (um consultor dinamarquês com cara de garoto que passa somente 2 meses por ano em sua residência na Austrália e outros 10 viajando e aconselhando grandes marcas dos 5 continentes) e qual o seu objetivo. Ao contrário de Paco, Martin é um apaixonado por marcas.

O livro Buyology parte de uma premissa do próprio Paco Underhill: “o que as pessoas dizem e o que elas fazem são 2 coisas diferentes.”

Em 2007, foram gastos 12 bilhões de dólares em pesquisas de mercado só nos EUA, 21 novas marcas surgm a cada ano no mundo todo e a estatística mostra que, 8 em cada 10 novos produtos morrem nos 3 primeiros meses —no Japão são 9,7. Parece que pesquisas qualitativas, quantitativas e grupos de discussão não estão conseguindo descobrir o que o cliente realmente quer. Natural, o mundo não é mais como 40 anos atrás e o aumento do estresse levou as pessoas a tomarem decisão, cada vez menos, baseadas na razão.

Martin diz que o futuro do marketing está em unir pequisas qualitativas, quantitativas e neuromarketing. Essa união, levará ao ganho mútuo, onde empresas e clientes ficarão muito mais satisfeitos.

O primeiro capítulo (que você pode ler, em português, aqui) prepara o terreno para o que vem a seguir. Mas há umas coisas bem bacanas que aumentam o nosso interesse pelo assunto. Lindstrom comenta, em poucas páginas, que fumantes não são influenciados por advertências; eleitores são atraídos por “desgraças” e não apenas por mensagens otimistas; e mostra porque as pessoas preferem Coca mesmo admitindo que a Pepsi é mais saborosa. Definitivamente, você termina o 1° capítulo certo de que neuroimagem é uma das ferramentas mais valiosas que nós –empresas, políticos, economistas– temos nas mãos. Pra que perguntar para seus clientes se você pode perguntar diretamente para o cérebro dos seus clientes?

No 2° capítulo, Martin se propõe a responder —de uma vez por todas—, merchandising na TV funciona? E assim você inicia uma longa jornada para entender a lógica do consumo.

De fevereiro pra cá, a Apple caiu de 70 para 12,4 em valor percebido entre os consumidores de 18 a 34 anos, segundo o BrandIndex. Em contrapartida, a Microsoft saltou de quase zero para 46,2 nesse mesmo período. Mágica?

Hoje, os grandes feitos da propaganda –em termos de resultado– são em cima de idéias simples, mas de grande valor pro consumidor. Foi o caso da Hyundai e agora o da Microsoft. Ambas disseram “ei, nós somos seu amigo e vamos te ajudar a comprar o que você realmente quer”. O que a Microsoft fez foi mostrar que você pode ter um excelente computador pagando cerca da metade do preço de um Macbook. Tudo bem que a campanha “laptop hunters” custou $300 milhões e foi desenvolvida pela agência mais badalada do ano, mas se não fosse a idéia simples e relevante, o Windows não teria aumentado sua preferência em 10% em apenas 2 meses.

A campanha mostrava consumidores procurando “o laptop perfeito” por até $1000 dólares e, se eles conseguissem encontrar um que se encaixasse perfeitamente ao que procuravam, sairia de graça. A “ideia genial” foi algo que faz parte do nosso cotidiano: o custo-benefício das coisas. Por que pagar tanto por um computador de qualidade semelhante? Nem mesmo o sistema operacional da Apple é tão superior como já foi um dia (sem brigas, pessoal).

Segundo Ted Marzilli, diretor do BrandIndex, a Microsoft afetou significativamente o público mais jovem — mais sensíveis a preço. “Apple fez um ótimo trabalho ao colocar a Microsoft na defensiva, fazendo parecer velho, pesado, difícil de usar e fora de moda.  Mas a Microsoft começou a se recuperar”, disse Marzilli à AdvertisingAge.

Apple VS Microsoft valor
O valor medido (ver gráfico ao lado) pelo BrandIndex mede se o consumidor acha que está pagando mais ou menos do que deveria. Se o saldo de respostas positivas for maior que o de negativas, a pontuação aumenta. Saltar de quase zero pra quase 46,2, significa que as pessoas aumentaram sua percepção de valor do (tantas vezes) injustiçado Windows. Significa que eles acham que pagaram o preço certo por um bom produto.

Enquanto o PC (e a Microsoft) comemora o alto prestígio conquistado entre os jovens, o público mais maduro e estabilizado entre 35 a 49 ano ainda prefere o Mac. Em março, quando a campanha “laptop hunters” foi ao ar e as curvas de valor se inverteram, a Microsoft ficou ligeiramente na frente. Hoje, os jovens continuam preferindo o bom e barato PC Dell, HP ou outro; enquanto quem tem mais grana, continua pagando mais pela Maçã.

Marketing boca a boca Desde que eu me entendo por gente ouço falar da importância do boca a boca na divulgação de algo. Na adolescência, lembro das festas em que convidávamos 10 pessoas e apareciam 30. Cada pessoa era um grande veículo, mesmo sem pedir que convidassem mais, as pessoas faziam. O boca a boca simplesmente foge do nosso controle, mas seu conteúdo não.

Até então, empresas e profissionais não sabiam o valor real, cientificamente falando, desse “tipo de propaganda”. Esta semana, a empresa de tecnologia wireless Satmetrix revelou sua pesquisa pioneira  sobre o assunto, e mostrou quanto custa um bom e um mau cliente para ela.

Estamos na era de gerar grandes experiências ao consumidor, nunca profissionais, livros e publicações falaram tanto em “experiência do consumidor”. Um conceito que alcançou a fama com a filosofia Starbucks. Richard Owen, CEO da Satmetrix sintetiza o assunto: “No clima econômico atual, empresas precisam se focar mais em entregar uma experiência superior que retém consumidores e cria o boca a boca positivo”. Ou seja, experiência do cliente = boca a boca.

Pouquíssimas empresas brasileiras parecem se preocupar em oferecer grande experiência ao consumidor. Isso resulta em quase nenhum buzz, a não ser o negativo. Lembro de um professor meu que dizia “uma pessoa elogia a marca para uma ou duas pessoas mais próximas, mas faz questão de falar mal para umas 7″. Tim Manners, no seu livro Relevance, cita várias empresas que estão diminuindo a verba publicitária e aumentando em ações que melhoram a experiência com a marca — Nike é uma delas.

Valor total do cliente

Afinal, quanto vale um cliente? Para a maioria das empresas, ele vale exatamente o que está na nota fiscal, o problema é que o valor das compras pode não compensar o quão mal ele irá falar de você assim que por os pés fora da loja. O estudo da Satmetrix mostra que o cliente pode ser um promotor —indica ou fala bem— ou um detrator —cliente que fala mal e não indica—. Entre um e outro, está o cliente médio, que representa apenas o valor da sua compra, já que não afasta nem atrai novos clientes. No entanto, um detrator anula todo o valor de um promotor (aquela história de vem 1 vão 7). Um detrator “custa” cerca de $2000 menos que um promotor, fazendo os cálculos, se você tem um cliente que gosta de você e outro que não gosta, você está com prejuízo de $300. Um promotor ganha para a empresa cerca de meio cliente, o detrator afasta 1,3. Em outras palavras antes de fazer o certo, procure não fazer absolutamente nada de errado.

Claro que isso é relativo e varia de empresa pra empresa. Por exemplo, detratores custam muito menos à Nokia do que para LG (celulares). Porque a Nokia tem um amplo histórico de boca a boca positivo e grande parte das pessoas recomendam celulares Nokia sem pensar duas vezes.

O grande mérito do estudo está em quantificar algo que aparentemente era incalculável. Criando uma equação do valor de compra com a capacidade de atrair ou afastar novos clientes. Isso é útil para todas as empresas —e não somente para a Satmetrix— pois ajuda a vislumbrar os novos caminhos que as estratégias de marketing podem (e devem) seguir.

É como Jackie Huba disse: “a melhor maneira de impedir o boca a boca negativo é falar menos e ouvir mais”.

Fake Steve era dono do blog The Secret Diary of Steve Jobs e se esforçou muito pra fazer dele sua fonte de renda. “Steve” postava de 10 a 20 vezes por dia, em qualquer lugar ou a qualquer hora, dentro do táxi ou no meio da madrugada. Fake Steve demorou, mas, enfim, aconteceu algo que o fez ver que ele nunca ficaria rico com seu blog. Em agosto de 2007, o The New York Times revelou sua identidade. Fake Steve era na verdade Dan Lyons, escritor e jornalista da Newsweek. Com a matéria, seu blog atingiu a marca de 1 milhão e meio de visitas num mês. Tanta visita não fez a conta bancária de Lyons engordar, os anúncios do Google — veiculados em seu blog via AdSense  —lhe renderam apenas $1.039,81. Embora a notoriedade tenha lhe rendido um contrato publicitário, Lyons nunca ganhou o suficiente pra deixar seu emprego. Isso levou dan a abandonar  O Diário Secreto de Steve Jobs e criar o blog do Dan Real.

A edição da semana que vem da Newsweek, trará um artigo de Dan chamado “Hora de Aposentar os Pijamas”. Nele, Dan cita o caso do TechCrunch, um dos mais famosos blogs de tecnologia do mundo, que recebe mais de 6 milhões de visitas por mês e até agora não encontrou ninguém que fizesse uma proposta interesante — algo em torno de $100 milhões. A matéria ainda cita a Gawker Media (dona do Gizmodo), que demitiu todos os escritores do site Valleywag deixando apenas um e o caso da Pajamas Media que fechou seu canal publicitário com a afirmação “foi um gastador de dinheiro por três anos”. Até aí nada de impressionante, afinal 2008 foi um ano complicado.

Quando o artigo começa a citar números, as coisas mpressionam. De acordo com o eMarketer, ano passado foram investidos apenas $411 milhões em publicidade em blogs nos Estados Unidos. Parece muito? Não quando se sabe que a publicidade online movimentou $23,7 bilhões e que toda a indústria da propaganda norte-americana  ($276.8 bilhões) é o equivalente ao PIB de Portugal e da Croácia juntos. Calcula-se que em 2012, anúncios em blogs resultarão em “apenas” $746 milhões, menos de 3% dos $32 bilhões do total gasto com publicidade na internet. Impressionante, não? De acordo com uma pesquisa do Technorati , um blogueiro que vende espaços publcitários ganha, em média, 5 mil dólares por ano.

A matéria da Newsweek não deixa de citar alguns blogs que faturam milhões por ano, como o caso do Gizmodo (que bateu o recorde de 98 milhões de page views num mês), o Dooce que faturou perto de 1 milhão de dólares ano passado e do próprio TechCrunch, que não revelou seu faturamento em 2008, mas diz ter faturado muito mais que em 2007, quando embolsou $3 milhões.

Pensando como líder

18 de dezembro de 2008 • TEMAS: Carreira / Negócios / /

Tim Manners divulgou em seu site uma interessante pesquisa sobre a importância de se pensar como líder. Se você é publicitário e acha que escapou dessa, está enganado meu amigo, a pesquisa demonstra que as agências de publicidade têm papel fundamental nesse assunto antes tão restrito a gestores e executivos.

A expressão em inglês “thought-leader” — que aqui eu vou chamar de líder pensador pra facilitar — é designado àquelas pessoas visionárias, que pensam longe, e são reconhecidas por trazer idéias novas e promovê-las com entusiasmo e confiança.

Na última década, muito tem se pregado sobre liderança (82% disseram ter aumentado a pressão por liderança nos últimos 5-10 anos), mas esta pesquisa coloca em dados o que tantos abordam somente com palavras. Na penúltima edição da revista The Hub — na qual Tim é editor-chefe — , um executivo da Kimberly-Clark comentou: “nós estamos desafiando nossas agências a nos desafiar, se manter atuais e não apenas executores, mas também a exercer o papel de líder conosco”.

Até algum tempo atrás eu pensava que liderança fosse uma característica inata, se você é líder é lider desde criancinha, se você não é, não adianta tentar. Hoje, eu vejo mais como uma habilidade a ser desenvolvida. Quando criança, eu passava boa parte do tempo calado e com vergonha na presença de estranhos. Eu mudei, e hoje falo numa mesa lotada ou numa apresentação com a mesma empolgação que converso com amigos. Como disse Thoreau, “as coisas não mudam, nós mudamos”. Nem todo mundo é líder hoje, mas todos podem se tornar um.

Entre os pesquisados, apenas 45,6% dos pesquisados se consideram líderes, o restante não se considera ou se considera às vezes. Mas assim como não existe meio-tímido, não existe meio-líder. Ou seja, mais da metade dos pesquisados não se consideram líder numa época onde a demanda por líderes é enorme. Tenho uma leve impressão que isso é a oportunidade que todos esperam! O que você está esperando?

Mas o que faz uma pessoa se destacar como líder? Difícil dizer, mas arrisco dizer que começa com ambição pessoal e definição dos objetivos de vida. Como pode haver liderança quando não se sabe aonde quer chegar? Deixando essa complexa questão humana de lado, há uma série de medidas que as empresas podem tomar para estimular a liderança dos seus funcionários. Porém, as mais efetivas não envolvem dinheiro. Somente 1/4 dos entrevistados disseram que aumentos e benefícios estimulam o espírito de líderança dentro da empresa em que trabalham. A grande maioria disse que “reconhecimento pessoal” e a “cultura organizacional” são, de longe, os incentivos mais eficientes.

Quando perguntados sobre a importância do pensamento de líder para retenção de clientes nas agências de publicidade, apenas 3% respondeu “nenhuma”. E eu achando que como publicitário não tinha como ser líder…

O gráfico acima mostra uma das coisas mais interessantes da pesquisa: liderança é importante em praticamente tudo. Se existe algum desafio, por menor que seja, então um líder faz a diferença. Seja para gerar crescimento, construir identidade de marca, manter o bom retorno dos investimentos, fidelizar clientes e, acima de tudo e de todos, INOVAR. Inovação é uma linda palavra que muitas empresas adoram usar, mas poucas tem profissionais com colhões para correr o risco que a inovação demanda.

Ter líderes pensadores é fundamental para desempenhar isso. A questão é que nos dias de hoje, as empresas precisam disso tudo para sobreviver. Essa é a prova de que sem atitude de líder, empresas e profissionais estão fadados ao fracasso, ou na melhor das hipóteses, a cair na profunda vala da mediocridade. E eu temo imensamente ambos.

Veja a pesquisa completa aqui.