Você está em ‘personalidades’

Há um mês vinha querendo falar sobre o fenômeno Avatar aqui no blog. Afinal, como um filme com personagens azuis estranhos sobre os quais quase ninguém sabia dizer de onde saíram conseguiu virar um fenômeno boca-a-boca, na mídia, no cinema e para toda  indústria? Apesar de algumas pesquisas breves, me senti despreparado para abordar o assunto, foi então que surgiu a ideia de convidar um amigo que entende muito mais de cinema do que eu. Ele topou o desafio e escreveu o ótimo artigo que vocês lerão a seguir.

Por Ricardo Maroja, publicitário e curioso sobre a indústria do entretenimento. (ricmajor@hotmail.com)

Avatar pode ser considerado apenas um filme, um dentre muitos se não fosse o mais rápido filme da história a superar $1 bilhão de dólares e o único a ultrapassar $2 bilhões de dólares. Deixando de ser apenas um filme para ser um divisor de águas, o filme Avatar criou novas regras para movimentar ainda mais uma indústria que estava sofrendo com a pirataria e com o crescimento de outras formas de entretenimento que proporcionam ao público novas experiências.

Mas neste post o que interessa agora não é a nova tecnologia em si, e sim como foi o planejamento e o momento certo em que ela foi aplicada, despertando um novo tipo de público para os cinemas.

O cinema sempre fascinou por suas histórias e produções bem executadas. Há alguns anos, isso era mais do que suficiente para que fizesse diversas pessoas saírem do conforto dos seus lares para enfrentarem gigantescas filas e aproveitarem o espetáculo, infelizmente foi esse “conforto” que viria a prejudicar toda indústria.

O avanço da tecnologia trouxe para o aconchego doméstico a experiência que só tínhamos em uma sala de cinema: home theaters, dvds, TVs de alta definição, internet e um monte de outros acessórios que só fizeram crescer a sensação de desconforto que era enfrentar todo o processo para se assistir um filme, ou seja não estava mais valendo à pena ir ao cinema.

A indústria cinematográfica é imensa, principalmente a americana, ela lucra bilhões, e com o passar do tempo desenvolveu mecanismos sazonais para tentar compreender o seu público e com isso aumentar o lucro, deixando ofuscada sua definição primordial de arte, virou claramente uma indústria.

O calendário se tornou o seu principal aliado, os filmes já não eram mais lançados a esmo, cada filme já era planejado para ser lançado em uma data específica, para, com isso, atingir um público também específico.

O crescimento desse mercado fez com que mais dinheiro fosse gasto demandando melhores profissionais e prazos cada vez mais curtos. Hoje em dia, existem fórmulas pré-definidas para a concepção de um filme, fórmulas essas que são indiretamente responsáveis pela queda do público nas salas de cinema. Os filmes estavam se tornando triviais, monótonos e repetitivos, o público cada vez mais debandava para outras áreas, uma grande fatia, por exemplo, foi perdida para o mercado de Games, que hoje lucra muito mais. [Curiosidade: a indústria dos games cresceu 52% entre 2005 e 2009. O crescimento estimado desse mercado é de 6% para 2010]

Como acontece com toda grande marca, ou serviço, chegou a hora do cinema se reinventar, ver onde estava errando, ou quais melhorias ele precisaria fazer para reaproximar-se do seu exigente público.

Por sorte, o cinema viu em um diretor a saída que estavam procurando, James Cameron. Comparado a outros diretores, Cameron tem um curto currículo, porém muito eficiente, raras são as produções em que participou que fracassaram na bilheteria. Coincidentemente (ou não), o diretor tem outro filme entre os 5 mais rentáveis da história – Titanic.

Trabalhar com o que gosta e dar o seu melhor são dicas muito usadas em qualquer ramo de negócios, aqui não foge a regra, Cameron sempre foi um diretor que esteve presente em todas as fases de produção da sua “empresa-filme”, dificilmente um diretor que age assim não colhe os merecidos frutos no fim. E o fato de Cameron englobar todos os setores numa produção não o exclui do principal que, na minha opinião, é onde a maioria dos diretores erra: o espectador.

Antes de tudo, acompanhar o mercado é seu passatempo. Cameron sabe o que o mercado almeja e sem delongas ele fornece, e ás vezes fornece até mais do que o público consumidor quer.

Usando a lógica dos seus grandes concorrentes como o mercado de games, Cameron enxergou que o público almejava uma maior interatividade, ou seja, se divertir mais com um filme. Grande parte do cacife que foi atribuído a Cameron foi gasto em pesquisa e desenvolvimento de uma nova tecnologia que permitisse essa interatividade, a tecnologia foi bem aceita, e causou uma revolução, pois filmes serão feitos muito mais rápidos como o mundo conectado em que vivemos nos acostumou.

Essa nova forma de assistir filmes continuará levando as pessoas ao cinema, pois ainda não é possível reproduzir em nossas residências.

A indústria do cinema demorou, mas evoluiu. Aprendeu com o mundo dos negócios em que a pressão que fatores externos exercem em nós, a concorrência acirrada e a própria vocação de se fazer algo que gosta, nos leva a descobrir novas oportunidades.

O Japão tem um novo bilionário: Yoshikazu Tanaka, que carrega o título do mais jovem bilionário da Ásia. (fortuna conquistada sozinho, sem herança.)

Na posição de Nº18 entre os 40 mais ricos do Japão, Tanaka tem patrimônio estimado em $1.6 bilhões de dólares, quase o dobro da fortuna avaliada 1 ano atrás. Esse milagre se deu ao fato das ações de sua rede social, Gree, dobrarem nos últimos meses.

Depois de se graduar na Universidade de Nihon, Tanaka trabalhou na Sony até entrar na Rakuten, a loja online criada pelo 6º cara mais rico do Japão, Hiroshi Mikitani. Quando ele estava lá, ele criou a Gree só por diversão. Hoje, seu site tem 15 milhões de usuários (quase o dobro de 1 ano atrás) que compram roupas e acessórios para customizar seus avatares.

Tanaka nos faz lembrar mais uma vez que mesmo quando o mundo está passando por maus momentos, jovens empreendedores podem inovar e ficar rico. Ele é mais um da longa linha de magnatas da tecnologia, de Michael Dell a Bill Gates que construíram suas fortunas entre 20 e 30 anos de idade. Hoje, existem 8 pessoas que se tornaram bilionários antes dos 40 graças à tecnologia.

Desses 8, quatro são da China, três dos Estados Unidos e o Tanaka no Japão. Vários ficaram rico com jogos onlines e redes sociais, e todos ainda estão envolvidos nas empresas que criaram.

Para a maioria, como Tanaka, a empresa começou como um hobby e logo rendeu bilhões. O mais jovem desses 8 é Mark Zuckerberg, o já conhecido criador do Facebook. Mark entrou pra esse seleto grupo em 2008, aos 23 anos, tornando o mais jovem bilionário que o mundo já conheceu. Ele criou o site no seu 2º ano em Harvard apenas para seu campus, mas a rede logo se espalhou para outras faculdades e agora possui 350 milhões de membros. Largar Harvard rendeu a Zuckeberg uma fortuna de $2 bilhões que não para de crescer.

Esses empreendedores já alcançaram grande sucesso, mas eles ainda têm um longo caminho pela frente até alcançar Bill Gates, o homem mais rico do mundo.

Em 1987, Gates foi declarado um bilionário na lista dos 400 homens mais ricos da América, com $1,25 bilhões. Alguns dias antes do seu 32º aniversário. Gates está na lista há mais de 20 anos, mas não foi assim para todo mundo.

Jerry Yang e David Filo, os criadores do Yahoo! estavam com 30 e 32 anos, respectivamente, quando se tornaram bilionários em 1999. Com o estouro da bolha,  suas fortunas passaram a valer menos de 10% do que em 1999. Ambos voltaram à lista em 2003, mas jamais chegaram perto de rever os $6 bilhões de dólares que tinham no ano 2000.

Analisando hoje, quem está mais próximo de ser o próximo Bill Gates na verdade são 2… adivinhem.  Os criadores do Google é claro: Sergey Brin e Larry Page. Em março passado [quando saiu a última lista Forbes], eles eram os 26º mais ricos do mundo, com $12 bilhões cada. Perto do final de 2009, a dupla já possuía $15,3 bilhões.

Mesmo que esses jovens nerds não alcancem Gates, eles continuarão sendo os criadores das empresas que mudaram a maneira como socializamos, agimos e navegamos. Chen Tianqiao, o bilionário CEO da companhia chinesa Shanda Interactive, disse a Forbes em maio de 2005: “como empreendedor chinês, eu respeito Bill Gates, mas eu quero ser o Chen Tianqiao da China, não o Bill Gates da China”.

[Artigo traduzido do original publicado na Forbes]

Fonte: Silicon

# ERRATA: Eric Schmidt não é co-fundador do Google, apenas CEO. Fundadores são Larry Page e Sergey Brin. Obrigado, Sérgio, por detectar o erro. #

eric_schmidt A revista Fortune perguntou o seguinte a 22 das pessoas mais bem-sucedidas do mundo: “qual o melhor conselho que você já recebeu?” Algumas disseram que receberam ainda muito novo, do pai ou de algum parente, outros receberam recém-formados e há ainda aqueles que receberam —o que consideram o conselho mais importante das suas vidas— já maduro e experiente. Como Eric Schmidt, há 8 anos na presidência do Google.

Eu sempre me interessei em saber o que as pessoas de sucesso têm a dizer, o que elas fizeram que as tornaram tão importante? Em que são diferentes de mim? Vejamos agora o mais importante conselho do homem que não precisava de conselhos.

O conselho que levo comigo até hoje recebi de John Doerr [famoso investidor de empresas de tecnologia e membro do conselho do Google, Amazon e Sun], que em 2001 disse: “meu conselho pra você é ter um coach”. O coach que ele disse que eu devia ter era Bill Campbell [ex-VP de marketing da Apple e ex-CEO de 2 outras grandes empresas]. No começo, eu refutei o conselho, porque afinal de tudo, eu era presidente do Google. E tinha bastante experiência. Por que precisaria de coach? Estou fazendo algo errado? Meu argumento era: como um coach poderia me aconselhar se eu era a melhor pessoa do mundo no que eu faço? Mas não é isso que um coach faz. O coach não joga o jogo na mesma posição que você. Eles assiste e tenta tirar o melhor de você. Nos negócios, o coach [técnico, em português] não é repetitivo. O coach é alguém que olha pra algo com outros olhos —descrevendo pra você nas palavras dele— e discute como lidar com o problema.

Quando eu percebi que podia confiar nele, que ele podia me ajudar com uma outra perspectiva, eu decidi que era uma grande ideia. Quando há um conflito nos negócios, você tende a se fechar. O principal conselho de Bill tem sido dar um passo acima da outra pessoa no outro lado da mesa para ter uma visão mais ampla da situação. “Você está deixando isso incomodar você, não deixe!”, ele diz.

bill_devil_bernbach Se você não sabe quem foi William “Bill” Bernbach, talvez queira dar uma lida neste post. O criador de uma das maiores agências do mundo é, provavelmente, a maior inspiração dos publicitários nas últimas duas décadas. Poderia o maior nome da história da propaganda um criativo medíocre e um ser humano questionável?

Isso é o que diz a jornalista Doris Willens em seu livro “Nobody’s Perfect”. Doris trabalhou como relações públicas na DDB durante 18 anos e conviveu com Bill durante os 10 últimos anos dele na agência.

Eu não vejo qual o propósito de desmerecer Bill Bernbach, 27 anos após sua morte. Keith Reinhard (47° maior nome da propaganda) também acha isso e comentou: “Eu não trabalhei pessoalmente com Bill, mas meu sonho era construir uma rede mundial baseada nos princípios que ele expôs e articulou, inspirando tanta gente além de mim”.

Segundo Doris, Bill reciclava ideias e textos, não dava crédito às pessoas, também colocou seu filho pra administrar a folha de pagamento sem entender nada do assunto, não era lá um marido muito admirável e faleceu frustrado por não ter escrito um livro, como seu rival David Ogilvy. Na minha opinião, Doris tinha algum ressentimento com Bill, a seguinte afirmação me pareceu dura demais: “Eu espero que o livro não diminua sua importância em inspirar os profissionais criativos….embora possa acontecer”.

Dez anos após a morte de Bill, a AdAge publicou alguns artigos de Doris Willens sobre o assunto. O retorno foi incrível e os editores do jornal queriam mais. Porém, os anos se passaram e assunto perdeu sua importância; até a série de TV Mad Men —inspirada na DDB da década de 50 e 60—

ir ao ar. Como jornalista, Doris achou que essa era a hora e que a história e fatos eram valiosos demais para ficarem na gaveta. Ao contrário da TV, “eles eram pessoas fascinantes. Pessoas reais”, disse a ex-funcionária da DDB.

Posso dizer que Doris tem muita coragem, “São Bernbach” tem uma legião inestimável de devotos, incluindo o famoso redator Helmut Krone, George Lois e muitos muitos jovens criativos que estudaram a homônima campanha “Think Small” da Volkswagen.

A história prova que muitos dos grandes pensadores não tinham uma vida pessoal tão admirável como suas obras. Porém, o foco de Doris não é a vida pessoal, é justamente a profissional; ela questiona a capacidade profissional de Bernbach. Contudo, tanto Keith Reinhard como George Lois dizem que Bernbach não apenas era um redator fraco, como nem mesmo era redator.

Algumas pessoas são boas em vender, outras em produzir o que é vendido, outras em criar o que é produzido e algumas pessoas —do tipo mais raro—

são boas em motivar e inspirar todas as outras. Assim era Bill, ele não precisou ser um marido fiel, um administrador 100% eficaz, nem criar campanhas memoráveis para entrar para a história. Ele só precisou mudar a forma com que se fazia propaganda. George Lois (lendário diretor de arte e criador do termo “big idea”) deixa claro isso, além de colocar um ponto final na polêmica.

“Se você me perguntar se ele era um grande redator,  não mesmo. Eu não consigo lembrar de um único caso que ele tenha escrito algo grandioso. Eu tinha relação muito próxima com ele, não apenas profissional, e pela minha experiência eu posso dizer que ele nunca tentou escrever um anúncio. Eu ouvi ele soltar alguns títulos mas eles eram um tanto ruins. Mas isso não diminui sua reputação, porque ele criou a primeira grande agência de propaganda do mundo. E quando eu digo que ele era uma inspiração, eu quero dizer além de inspiração. Eu adorava ir a apresentações, com clientes, com ele. Era entusiasmante e visceral.”

290509_advertising_secrets  Eu estranhei quando vi um livro sobre redação publicitária escrito por alguém que não era exatamente um publicitário. Mas o título do seu livro (ao lado) havia me fisgado totalmente, o que indicava que ele era realmente bom com as palavras.

Como um empresário conseguiu escrever um incrível livro de redação publicitária? Sendo dono do negócio. 

Joseph Sugarman tinha uma vantagem em relação aos publicitários, ele tinha como medir precisamente o resultado dos seus anúncios. Já que vendia através de catálogos, sua única maneira de vender bem era criando anúncios extraordinários. Ou melhor, textos extraordinariamente persuasivos. Naquela época, a publicidade era guiada muito mais pela redação do que pelo visual, o que significa muito texto e pouca imagem. Talvez isso explique porque Joseph Sugarman passou a dominar a arte de escrever. Ele precisava vender produtos, que muitas vezes ninguém tinha ouvido falar, basicamente com as palavras, mas sem a vantagem de estar frente a frente com o potencial cliente. 

Pra entender um pouco mais sobre Joseph Sugarman, aqui vai algumas curiosidades:

  • Ele foi um dos primeiros a vender a calculadora de bolso, o relógio digital e o telefone sem-fio, ou seja, ele criou demanda para esses produtos
  • Seus anúncios levaram à venda de 20 milhões do óculos BluBlocker
  • Em 1979, foi eleito o Homem de Marketing Direto do Ano
  • Seus seminários e palestras estavam entre os mais caros dos Estados Unidos na década de 80. Chegando a custar $1000 por uma apresentação de 45 minutos
  • A sua empresa JS&A foi a primeira a utilizar o 0800 para pagamentos com cartão de crédito, mas a ideia só deslanchou quando outras empresas aderiram, um ano mais tarde
  • Ele está no Twitter: @JoeSugarman

290509_adweek_copywriting_handbookConheci seu trabalho no ano passado, quando tomei conta de uma cópia de Advertising Secrets of the Written Copy que peguei na biblioteca da universidade em que fazia um curso. Apesar de ser focado em textos longos, considerei seu conteúdo inestimável. Ao devolver o livro, quase pude sentir uma lágrima escorrendo… definitivamente, eu precisava ter o livro na minha estante! Mas ele era pesado, grande e não era vendido no Brasil.

Ontem, enquanto simulava a compra do livro pelo site da Amazon, percebi que havia outro livro de Joseph Sugarman, chamado “The Adweek Copywriting Handbook”. Procurei no Google e achei um e-book. Foi quando descobri que ambos são o mesmo livro! E resolvi colocar no blog.

Como não existe versão brasileira, não vejo problema em compartilhar com vocês o link para download que achei na internet.

Infância Bill GatesApós um comentário sarcástico durante uma discussão com a sua mãe em pleno jantar, o pai do jovem Bill coloca um ponto final com um copo d’água.  “Obrigado pelo banho, pai”, o garoto reclama. Essa fora uma das poucas vezes que (William) Bill Gates pai excedera sua personalidade calma.

No livro que saiu semana passada nos Estados Unidos, William Gates (que no alto dos seus 83 anos tem até perfil no Facebook) relata pela 1ª vez histórias de sua família e como seu filho parece ter adquirido um intelecto quase da noite para o dia — entre os 11 e 12 anos de idade.

O equilíbrio entre disciplina que sempre foi obrigado a ter e a liberdade precoce que logo teria, moldariam a personalidade vencedora de Bill. Se você concordar comigo que a melhor mãe é aquela chata, então Mary Gates era uma mãezona. Ela queria que o filho estivesse sempre bem vestido, fosse pontual, mantivesse o quarto organizado e que falasse com as visitas de casa. “Ela era a mais dedicada e tinha grandes expectativas de todos nós. Não apenas em notas, mas como nos comportávamos em público e quão sociáveis éramos”, diz Libby, irmã mais nova de Bill Gates. 

Aos 11 anos, o pequeno Bill floresceu intelectualmente, questionando os pais sobre relações internacionais, negócios e a natureza da vida. Essa foi a época em que começaram os grandes conflitos com a sua mãe, antes disso, Gates era uma família muito unida, sem discussões e movida a jogos como ping-pong, cartas e jogos de tabuleiro. Essa foi a época em que Bill Gates deixou de ser uma criança.

Logo começou a realizar atividades outdoor — acampar, escalar e andar pela mata — com o vizinho e seus dois filhos. Quem já mochilou, sabe a incontrolável sensação de liberdade que nos dá, imagine isso num esperto e astuto garoto de 12 anos. Os Gates afrouxaram as rédeas, dando mais liberdade e investindo no seu já inteligente filho, inclusive matriculando-o na escola privada Lakeside School, onde ele teve contato com computadores pela 1ª vez.

Aos 13, Bill dormia fora de casa para usar os computadores na universidade de Washington. Foi questão de tempo para passar cada vez mais tempo longe de casa e experimentar novas experiências como morar em outra cidade pra estudar como ouvinte. Durante seu último ano,  Bill deu um tempo na escola para trabalhar como programador. Foi quando conheceu Paul Allen (co-fundador da Microsoft) — a título de curiosidade, Bill criou um dispositivo que contava o número de carros que passavam em determinados trechos da rodovia. Anos depois, Bill largaria Harvard  e passaria a trabalhar na garagem de sua casa, em outra cidade. Já com a Microsoft, Bill levou seu pai para uma reunião com o colega Steve Ballmer (atual CEO da Microsoft), o objetivo: persuadir Steve a largar a universidade também.

Sua mãe novamente teve um papel fundamental na vida de Bill Gates, foi a partir da insistência dela que surgiu a fundação Bill & Melinda Gates — onde pai e filho trabalham juntos hoje. Com tanto dinheiro, Mary insistia que o filho deveria “dar” parte da sua fortuna. No entanto, Bill dizia que devia se concentrar na Microsoft e que isso era coisa pra quando ele se aposentasse. Conforme a Microsoft crescia em Seattle, inúmeros pedidos de doações locais chegavam a Microsoft. O assunto ficou mais sério quando Mary Gates foi diagnosticada com um tipo raro de câncer. Durante o tratamento, Mary insistia sobre filantropia. A mãe de Bill Gates veio a falecer em 1994; uma semana depois, Bill destinou $100 milhões para criar a Bill & Melinda Gates Foundation — onde seu pai e sua esposa trabalharam desde o começo e se dedica em tempo integral hoje. Sua primeira doação foi de $80 mil para um programa local contra o câncer.

A lição

A vida do criador da Microsoft não foi muito diferente das de muitos de nós. Ele brigava com as irmãs, questionava ordens da mãe, não recebia muito carinho do pai — quase sempre ausente. Por outro lado, a família se mantinha unida, cobrava disciplina e estimulava o convívio social do pequeno Bill que parecia se interessar mais por livros do que por amigos. Mary Gates não queria ver seu filho estudando o dia todo, ela sabia que ele precisava adquirir boas habilidades sociais para ter uma vida de sucesso. Quando largou Harvard, seus pais ficaram apreensivos, mas ainda assim o apoiaram, apoio que continuou quando começou a trabalhar na garagem de sua casa e precisou da influência do pai, como advogado, para alavancar o negócio. Mary lembrava que o filho precisava ter sempre roupas limpas para reuniões e que, mesmo ocupado, devia arrumar um tempo para as reuniões de domingo com a família.

A história de Bill Gates mostra que não ele não teve uma educação militar, tampouco desregrada, ele era curioso, espertalhão e muito dedicado. O sucesso do homem mais rico do mundo foi um resultado de tudo disso, mas nada seria possível se ele não obtivesse um ingrediente fundamental: O apoio da família.

[Artigo baseado nesse outro publicado no The Wall Street Journal]

Maiores Homens de Negócios da História

Quem é empresário ou trabalha no alto da hierarquia de alguma empresa com certeza tem alguém em quem se espelha. Geralmente é algum pioneiro do setor, mas às vezes é o seu pai ou um antigo chefe. É sempre bom ter um “modelo” na profissão, Sam Walton no varejo, Walt Disney no mercado do entretenimento, Henry Ford no automobilístico, Leo Burnett na propaganda. Mas é muito melhor se você tiver vários modelos. Veja os 10 dos maiores homens de negócios do mundo e tente extrair algo da história deles, a maioria foi pioneira na forma de pensar e agir, o que é fundamental nos negócios em qualquer época.

 

1.Henry Ford

Ao lado de nomes como Walt Disney, Thomas Watson e Bill gates, Henry Ford foi um dos homens mais inovadores da história. Não deve haver uma única pessoa no ramo dos negócios que não o conheça.

Ford fabricou um carro a preço mais acessível —graças ao seu avanço na linha de montagem—, pagava maiores salários, tinha alta produtividade e estava sempre a busca dos melhores mecânicos e engenheiros do país.

Maior feito: fazer as pessoas desejarem um carro.

Curiosidade: Henry era anti-semita.

2. J. P. Morgan

A maioria deve conhecer como o famoso banco de investimentos norte-americano. Mas quem foi John Pierpont Morgan? Ele foi provavelmente o maior investidor de todos os tempos e teve papel fundamental na indústria norte-americana. Morgan arranjou a fusão das 2 empresas que formaram a General Electric. Também negocious a fusão de outras empresas, principalmente no lucrativo ramo do aço.

Maior feito: salvar duas vezes os EUA da depressão econômica com dinheiro do próprio bolso. Ao todo, Morgan emprestou $65 milhões em ouro ao tesouro americano.

Curiosidade: Na época da Guerra Civil, Morgan comprava armas deterioradas por $3,50, as reformava e vendia pro exército por $22 cada.

3. Sam Walton

O fundador do império varejista Walmart possuia conceitos que podem parecer óbvios hoje em dia, só que 50 anos atrás não eles não eram tão óbvios assim. Walton levou um mercado de qualidade para os bairros, antes restritos aos pequenos mercados. Dentre várias outras pequenas inovações, Walton elaborou uma poderosa rede de distribuição que foi fundamental para a expansão da maior rede de varejo do mundo.

Maior feito: difundir o conceito de “preço baixo”, utilizado pela grande maioria dos supermercados no mundo todo.

Curiosidade: Sam Walton era um caipira durão, porém simples. Ele adorava cachorros e caminhonetes.

4. Alfred Sloan

Maior feito: Salvar a GM da falência com as suas inovações como: trabalhar o conceito de cada carro (e sua marca) como se fosse único e criar automóveis para diferentes tipos de pessoas. Sloan também leva crédito das mudanças anuais que ocorrem nos modelos dos carros a cada ano.

5. Lou Gerstner

Maior feito: Fazer a IBM lucrar $5.3 bilhões com a internet. Gerstner uniu unidades distantes e, com isso, aumentou o desempenho da companhia.

Curiosidade: Embora esteja aposentado, ainda é contratado da IBM, como consultor. Ganhando $2 milhões por ano até 2012, quando seu contrato vence.

6. John D. Rockefeller

Maior feito: Levantar um império petroleiro de $19 bilhões (valor atualizado), semelhante ao retratado no filme “Sangue Negro. Ainda no século XIX, Rockefeller usava táticas de hoje, pressionando, cortando gastos e comprando a concorrência.

7. Steve Jobs

Maior feito: Colocar a Apple de novo no jogo ao criar produtos como iPod e iPhone, que mudaram o mercado e a sociedade.

8. Jeff Bezos

Maior feito: Ensinar o mundo todo a vender pela internet através da Amazon.com. Bezos é conhecido pela sua audácia e propensão a jogadas de risco como dar Frete Grátis sacrificando parte da margem de lucros só pra aumentar market-share.

9. Andrew Carnegie

 Carnegie é conhecido como o barão do aço e do ferro, mas diferente de muitos da época, Carnegie era mais humano e se tornou um grande filantropo. Ele inspirou um dos primeiros livros de auto-ajuda da história, Think and Grow Rich, que já vende mais de 30 milhões de cópias desde 1937.

Maior feito: Doar a maior parte da sua fortuna de $1 bilhão de dólares para promover a paz e a educação.

10. Bill Gates

Maior feito: Mudar para sempre o mundo da informática, criando o software mais usado do mundo.

Veja o restante da lista.

William “Bill” Bernbach foi para a publicidade o que Philip Kotler é para o marketing. Muito de vocês podem  não ter ouvido falar do seu nome completo, então eu lhes apresento o senhor Bernbach, o senhor “B” da agência mundialmente conhecida DDB.

“Não é o QUE você diz que estimula as pessoas, é COMO você diz”. Bernbach não inventou a publicidade, ele a recriou. Como a maioria dos grandes homens da história, Bill era um homem visionário, dono de argumentos poderosos — presunçosos para alguns — e que não se conformava com a mediocridade. Ele foi responsável pela revolução criativa da década de 60, criador da melhor campanha publicitária do século XX (Fusca)  e provavelmente o primeiro a unir redator e diretor de arte como uma dupla criativa — antes em departamentos separados .

Transcrevo abaixo um trecho do livro de Luke Sullivan sobre quem foi Bill Bernbach:

“A verdade não é verdade até que as pessoas acreditem em você e as pessoas não acreditarão em você se elas não souberem o que você está dizendo, e elas não saberão o que você está dizendo se elas não ouvirem você, e elas não ouvirão você se você não for interessante, e você não será interessante a menos que você diga coisas imaginativas, originais e frescas.”

Muita gente sabe que a década de 60 foi a década de ouro da publicidade. Mas pouca gente sabe que a década de 70 não. Marketing estratégico com suas pilhas de números foi, por um longo tempo, rival da publicidade. A chegada do conceito “posicionamento” criada por Al Ries levou a publicidade das empresas de volta a sem-graceira da década de 50. Empresas testavam campanhas antes de veicular, realizavam pesquisas e mais pesquisas na tentiva de posicionar o produto e deixaram de usar uma publicidade adequada. Os comerciais haviam perdido sua graça. Um exemplo do embate entre estratégia X publicidade é o do refrigerante 7UP: Na era das colas, ao invés dele ser posicionado como refrigerante claro com sabor de limão, ele automaticamente se tornou conhecido como “o não-cola”. Isso foi antes de Ries e seu conceito, a publicidade havia conseguido posicionar o 7UP com muito menos ou quase nenhum número. O que isso tem a ver com Bill? Uma década antes do termo posicionamento ser escrito pela 1ª vez, Bill disse: “você pode dizer a coisa certa sobre o produto e ninguém irá ouvir”. E bateu de frente contra a pesquisas e dados dizendo “quanto mais intelectual você fica, mais você perde as habilidades intuitivas que realmente tocam as pessoas”.

Bill Bernbach reiventou a publicidade, ensinou publicitários a ser mais do que meros vendedores anônimos. “A boa publicidade aumenta vendas, a grande publicidade constrói fábricas”. Bill batia de frente com a mediocridade 50 anos atrás, repudiando a publicidade meramente vendedora e sem brilho dizendo que isso era ruim para o cliente e para o mercado como um todo. Esse mal provavelmente nunca vai acabar, mas Bill parece ter deixado um legado contra a propaganda do “melhor e mais barato” e “ofertas imperdíveis”. Consumidores são espertos. Siga o exemplo deles.

Nunca é tarde para se mudar de área. Em época de crise, mudar pode ser o jeito de sobreviver. Sobre esse background, a sexagenária revista U.S. News & World Report indica 30 áreas em alta para o ano de 2009.

Você pode pensar “mas isso é nos Estados Unidos, não tem nada a ver com o Brasil”. De fato, mas vivemos em um mundo globalizado e muito do que acontece lá nos afeta. Claro que você não deve largar seu escritório para montar um consultório logo após ver a lista, mas é interessante cogitar outras possibilidades se sua carreira está em certa decadência. Quem quiser ler o texto em inglês, poderá conhecer um pouco de cada atividade e do mercado atual, além de ter uma noção se a realidade deles tem ou não semelhança com a nossa, no que diz respeito a área de interessa.