Você está em ‘personalidade’

Lembro vagamente de alguém ter me pedido pra escrever sobre marketing pessoal algum tempo atrás. Se você costuma ler o blog com frequência, sabe que esse assunto não é apenas raro, como nunca apareceu por aqui. Da mesma forma que, se você costuma ler o blog com frequência, sabe que eu escrevo muito sobre desenvolvimento profissional. Porque na minha opinião as duas coisas andam juntas.

As pessoas que estão muito preocupadas em melhorar seu marketing pessoal talvez tenham deixado passar algumas lições básicas de educação, valores, ética e trabalho em equipe. Ou talvez não, elas são educadas, éticas e sociáveis; mas lhe faltem sonhos, ambição e determinação que lhe motivem a ser as melhores naquilo que fazem. O objetivo do marketing pessoal é fazer você um profissional admirável, facilmente “comprável” pelas empresas — e pelos colegas.

Ao meu ver, a maior dificuldade não está na formação profissional. O mercado está cheio de graduados, pós-graduados, com MBA e fluência em idiomas. A maior dificuldade está em encontrar isso tudo em uma pessoa ética, transparente, simpática, acessível e aberta a opiniões. E mais difícil ainda, quando se procura atributos como intuição, criatividade e pró-atividade.

Ou seja, marketing pessoal é simplesmente uma questão de juntar qualidades pessoais, profissionais e bônus. (onde “bônus” é o que torna você diferente dos outros. Importante: ônus não é bônus!)

Eis as 10 principais características que o famoso consultor Max Gehringer considera importante em qualquer organização:

  • Liderança, confiança, visão, equipe, maturidade, integridade, visibilidade, empatia, otimismo e paciência.

As características profissionais tendem ser mais fáceis de desenvolver — liderança, visão, equipe — já as pessoais costumam ser mais difíceis. Paciência, otimismo, maturidade são resultados de uma quantidade incontável de variáveis na qual uma pessoa se depara até a vida adulta. Aqui entra uma boa dose de psicologia, mas acho que não é o que você quer ler agora… O importante é ter consciência do que afeta o seu marketing pessoal (e a sua imagem dentro da empresa).

Se tem uma coisa difícil nessa vida, é mudar a si próprio. Perceber os próprios erros é um grande passo, mas e depois? O que fazer quando se está certo de que é precisa mudar?

Guy Kawasaki –um dos nomes mais proeminentes da internet, admirado por muitos, pelas sábias palavras que escreve e seu jeito descontraído como empreendedor– talvez possa nos indicar o caminho. Em seu livro “A Arte do Começo”, Kawasaki nos ensina 4 lições básicas aplicáveis seja na carreira profissional ou em um novo negócio.

  1. Trabalhe por algo, não por dinheiro: Qual seu objetivo profissional? Todo mundo já ouviu algum dia que dinheiro é consequência. Acredite nisso e trabalhe para alcançar seus objetivos, não para engordar a conta bancária. [leia artigo complementar]
  2. Seja expert em algo: Onde tem marketing, deve ter posicionamento. Algo em que você seja reconhecido por dominar. Não uma ferramenta (ex: sou bom em Excel), mas um campo (ex: sou bom em desenvolvimento de produto). O objetivo aqui é ser excelente em algo, não bom em tudo.
  3. Faça bons amigos: É bobagem pensar que você vai chegar a algum lugar sozinho. Embora seja mais fácil você conseguir um emprego através de conhecidos, amigos são fundamentais tanto na vida pessoal como profissional. Reserve algum tempo pra cultivar as relações, com ex-colegas e atuais. A vida é feita de pessoas, sua carreira também.
  4. Seja forte: Uma das certezas da carreira profissional é que você vai escutar muito mais não do que sim. E aqui entra a importância de se ter objetivos claros. Quanto maior o sucesso, maior sua visibilidade, maior o número de pessoas que falarão de você e, como consequência, as críticas aumentam exponencialmente. Não aceite “não” como resposta, ao invés disso, acredite em você e veja como um “futuro sim”.

É possível que este seja o primeiro e último artigo sobre marketing pessoal que você vai ver aqui no blog. Porque se você está comprometido com o seu auto-desenvolvimento, você já está  fazendo seu marketing pessoal.

Quando ajuda um colega de trabalho, quando toma iniciativa, quando faz algo que não é tarefa sua, quando faz um curso, quando se auto-avalia, quando responde e-mails (ao invés de procrastiná-los)…  marketing pessoal é simples como a frase de Gehringer: “é a habilidade que um funcionário tem de aparecer, sem ser chato. E  de conseguir a simpatia da chefia, sem ser puxa-saco”.

Todos os anos, mais 700 mil jovens entram no mercado de trabalho para disputar 2 milhões de empregos — isso quando a economia vai bem, como 2010. A batalha pelo emprego ideal é tão selvagem que ou você está desempregado (8% da população) ou está infeliz. Uma pesquisa já antiga, de 2006, apontou que 42% das pessoas estão insatisfeitas com seu trabalho, e isso é ainda pior nas empresas de pequeno porte, 71%.

Em outras palavras, conquistar o emprego ideal é quase como topar com uma maleta cheia de dólares. Exceto pelo fato que depende de você, não de sorte.

O que você está fazendo para conquistar essa preciosidade?

Milhares de jovens profissionais se inscrevem, todos os anos, em programas de trainee para concorrer a uma quantidade vagas que não enche sequer um auditório. Pior do que concurso público e o vestibular da FUVEST, é se tornar trainee em  uma grande empresa brasileira.

Obviamente, algumas pessoas não são tão ambiciosas assim. Mas até as menos ambiciosas desejam obter sucesso no que faz. Ser o melhor, inspirar outras, ser reconhecido, ter o maior salário, trabalhar no que gosta.

O que você está fazendo para ser um sucesso?

Você lê bastante? Viaja para lugares diferentes? Fica até mais tarde no trabalho para eliminar as pendências?  Mudaria de cidade em busca do seu sonho? Não tem medo de fazer o que os outros nunca fizeram? Tem um blog? Não tem, mas lê vários? Fala pelo menos  um idioma fluente? Dois?

Gosta de aprender coisas novas só pela curiosidade? É inteligente, mais do que isso, possui a tal inteligência emocional que tanto se fala? Você é uma pessoa chata, crítica e nunca distrata ninguém? Reconhece a ideia dos outros? É amigo de todos ou adora uma fofoca e acaba gastando seu tempo com esses venenos organizacionais?

Carlos Domingos falou em seu livro que os melhores talentos são imprevisíveis, impacientes e inquietos. Uma coisa eu tenho certeza, pessoas talentosas não são como todo mundo, não são pessoas comuns.

As pessoas mais bem-sucedidas do mundo são pessoas interessantes com algo a ensinar e muita vontade de aprender. Só se contentam com o melhor e nunca ficam no mesmo lugar fazendo a mesma coisa por muito tempo. Essas pessoas querem o mudar o mundo, mas se satisfazem se conseguirem mudar processos, pessoas, a empresa ou o cliente.

O sucesso requer um esforço gigante, contínuo, e a maioria das pessoas mal fazem o básico. Pessoas assim acabam eventualmente reclamando por não conseguir uma promoção, por estar com o mesmo salário há anos, botam a culpa no “queridinho do chefe” e justificam com a falta de tempo ou dinheiro por seu currículo estar ultrapassado.

“Mas eu não tenho tempo mesmo!” (Ou dinheiro)

Essa é a desculpa mais comum do mundo. Bem, a melhor resposta para esta desculpa eu li do Leo Babauta: Você é responsável pela sua vida!

Se você  não tiver tempo pra começar um projeto particular, fazer um curso, escrever ou qualquer outra coisa que pode fazer você um profissional melhor… Ok! Essa é a sua vida. Enquanto isso tem gente dormindo 5h por dia, chegando do curso as 23h. Trabalhando aos sábados. Morando longe da família. Estudando para provas de trainee. Lendo mais de 5 livros por ano. Resumindo, tem muita gente querendo ser uma pessoa melhor. Se você acha que já é bom o suficiente ou não tem tempo, tudo bem, talvez você não mereça o sucesso.

O oposto do marketing

24 de setembro de 2009 • TEMAS: Filosofando / Marketing / / /

Eu ouso dizer que mais ou menos 8 em cada 10 profissionais de qualquer empresa, no Brasil, tem uma compreensão muito básica do que é marketing. Algo semelhante acontece com o design (geralmente limitado a um layout bonitinho) e acontecia com a propaganda até alguns anos atrás. Isso é, de certa forma, aceitável dada a complexidade, profundidade e multidisciplinaridade que o marketing tem hoje. Basta dizer que hoje todo mundo faz marketing, seja de uma banca na feira, uma agência de turismo ou mesmo o seu próprio. O fato é que ter boas vendas não significa ter um bom marketing. E esse antagonismo que existe é o que eu chamo de oposto de marketing.

Quando o marketing começava a dar os primeiros passos –na década de 60–, vendas já tinha centenas senão milhares de anos. Embora seja uma espécie de irmãos siameses, vendas e marketing são um oposto um do outro. Enquanto um pensa em no curto-prazo o outro no longo-prazo; um pensa em metas, o outro em imagem de marca; um pensa em carteira de clientes o outro em market-share; um pensa na comissão o outro na satisfação, um pensa em vender a maior quantidade possível pelo menor preço o outro em vender o máximo possível só que pelo maior preço. Lembrança de marca, brand equity, alma, valor, proposição, posicionamento, quase nada disso existe no universo de vendas, que tende a passar por cima de tudo isso, se for necessário, para obter sucesso em uma negociação.

Com o passar dos anos, esses características da área vão se enraizando e os profissionais se tornando cada vez mais inclinado a pensar e agir daquele jeito.

O maior perigo que vendas pode causar ao marketing é a falta de limites. Um vendedor é capaz de fazer qualquer coisa pra fechar uma venda. Abandonar seus valores, ser antiético e o pior de tudo: não zelar pela marca da empresa em que trabalha.

Felizmente, esse cenário está mudando e os ensinamentos do marketing têm chegado aos ouvidos dos vendedores. Todas essas palestras de vendas que temos vistos por aí pegam emprestado teorias já consolidadas no marketing há anos. Não é segredo, não é mistério, só é preciso abrir os olhos para ver que a melhor sensação do que fechar uma venda, é ter um produto que todos comentam e querem comprar.

Recebi um e-mail com uma ótima defesa do site 5brand, cuja proposta é você escolher 5 marcas que o definem. Já tinha ouvido falar do site, mas nunca me interessei. Após o e-mail, em menos de 5 minutos me cadastrei e escolhi minhas cinco marcas. Não escolhi necessariamente as que mais gosto, mas as que realmente digam algo sobre mim, meus hábitos e minha personalidade.

Estranhei ver o Twitter como a 10º marca que mais as pessoas se identificam. Eu tenho certeza que isso não é verdade. O que o Twitter diz sobre você? Que você fala pelos cotovelos? Pois bem, preferi fazer uma análise mais profunda, e acredito que essa seja o objetivo real do site. Vou falar por mim, o que as marcas escolhi tem a ver comigo e por que eu as escolhi. Convido a vocês a fazerem essa reflexão. Boba, sem muito propósito, mas só como exercício pra ver as coisas menos superficiais.

  • Last.fm. Eu escolheria iPod, mas uma vez que não sou tão fã do produto (pretendo comprar um Zune em breve) e para não conflitar com a Microsoft, escolho o Last.fm uma das melhores redes sociais já criadas na minha opinião. Lá tem todos os artistas que escutei nos últimos 3 anos, as músicas que mais ouvi, as que mais gosto, tudo quantificado quase com 100% de precisão.  Em outras palavras, meu Last.fm fala tudo sobre meu gosto musical. E eu respiro música.
  • Microsoft. Eu poderia dizer que escolhi a Microsoft porque admiro enormemente no que se tornou essa corporação e o trabalho de Bill Gates. Mas, não, não é por isso que a Microsoft me define. A Microsoft permeia a minha vida e a torna muito mais fácil há anos (tenho certeza que a da maioria de vocês também, no entanto pouquíssimos escolherão a marca…). Eu escrevo no Word, crio tabelas no Excel, apresentações no Powerpoint. Me divirto no XBOX360, converso pelo MSN, passo o dia quase todo usando Windows. Como a Microsoft poderia não me definir?
  • Hering. A marca que ocupa cerca de 1/4 do  meu guarda-roupa fala muito sobre meu estilo básico, casual, confortável e que não gosta de ter que pagar muito por uma peça de roupa. Sou simples como a Hering.
  • Timberland. É a marca que passa um pouco do meu estilo aventureiro, de alguém que saio do conforto da casa da mãe, pra morar só no outro lado do Brasil. Que gosta de fazer trilhas, caminhar, não importa de ter que dormir sem muito conforto, adora frio e contratempos. A Timberland é diferente de uma Adidas, ela diz muito mais sobre quem usa.
  • Eisenbahn. Claro que eu não poderia deixar de colocar uma marca de cerveja. A princípio havia colocado Heineken, mas a Eisenbahn é pra quem ama cerveja, enquanto a holandesa é mais comercial. A Eisenbahn demonstra que eu estou disposto a pagar a mais por uma cerveja e que eu aprecio todo o sabor da bebida milenar e não apenas a velha e comum pilsen. Em outras palavras, eu bebo mesmo!

O sucesso tem fórmula?

4 de janeiro de 2009 • TEMAS: Carreira / / /

Patrick Sweeney responde:

Você se conhece?

17 de julho de 2008 • TEMAS: Comportamento / /

Primeiro de tudo, o que você conhece sobre Carl Jung? Honestamente, eu não sei quase nada.

O que sei é que Carl Jung foi importantíssimo para o MBTI (Myers-Briggs Type Indicator), uma metodologia que divide a personalidade em 16 tipos. Uma maneira muito mais eficiente de definir você. Ou se eu disser que sou do signo de áries 3° decanato, você saberá como eu sou?

Agora se eu disser que sou INTJ (introvertido, intuitivo, racional, julgador), e você conhecer o método MBTI, terá mais chances de saber como sou, mesmo sem me conhecer.

É curiosa a discrepância entre como você acha que é e o que você realmente é. Será que você se conhece? Dando uma lida nos 16 tipos de personalidade, eu me considerei INTP (introvertido, intuitivo, racional e perceptivo), mas fiz um teste e apontou INTJ. Afinal, como eu sou? Confio no teste, confio no meu julgamento? Os dois tem a sua importância. O teste é uma baliza, serve para você não se considerar extrovertido quando na verdade é introvertido ou intuitivo quando, na verdade, é sensorial.

Eu me considero muito mais perceptivo do que julgador. Mas a discrepância entre INTJ e INTP é pequena e já que testes devem ser vistos como balizas e não como certezas, Jung e Myers-Briggs que me desculpem, mas a decisão final será minha.