Você está em ‘oportunidades’

Quem tem o hábito de almoçar fora de casa tem uma grande preocupação todos os meses: controlar gastos. Mesmo com vale refeição, acaba-se gastando além. Não é à toa que alimentação é a despesa nº1 de qualquer família (ou solteiro). Sendo assim, os restaurantes criam estratégias variadas para se adequarem ao bolso do freguês. Buffet a kg, buffet livre, com sobremesa, sem sobremesa, com grelhado, sem grelhado, com bebida incluída ou sem, preço  especial para vegetariano, etc.

Como fã de comida chinesa que sou (iniciado com estilo de vida China In Box), um restaurante se tornou o meu preferido: Lanchorien. Porém, não se trata apenas de comida (porque sim, a comida é excelente), mas uma das coisas que mais fascina é o modelo de negócios da família de imigrantes.

Pra começar, eles não são chineses (demorei a descobrir que eles são da Malásia) mas resolveram abrir um restaurante tipicamente chinês. Da música ao cardápio sem carne com muita fritura, legumes, soja e empanados de trigo. Tendo em vista que gaúchos são loucos por carne, era de se jurar que um restaurante assim fosse fracassar. Mas não foi o que aconteceu, eles crescem a cada ano, ampliando e incorporando novos produtos à sua lojinha de produtos naturais vindos do oriente.

A receita do sucesso não é segredo pra ninguém: cobrar pouco. No entanto, há concorrentes que cobram pouco e nunca crescem. Preço baixo é o ingrediente principal, mas isso não seria nada se não fosse autêntico. Nos últimos anos, trocentos restaurantes chineses abriram as portas e o Yakissoba se tornou mais uma paixão do brasileiro. O que aconteceu foi que todo dono de restaurante achou que bastava misturar Miojo com shoyu e alguns legumes pra abrir um restaurante chinês. Resultado: sem autenticidade o negócio não vai pra frente. Além disso, como todo mundo gosta de um yakissoba, o prato passou a ser oferecido em restaurantes japoneses, perdendo ainda mais autenticidade.

No Lanchorien, os funcionários são chineses (ok, malasianos, mas o que vale é a história), a música chinesa que lembra um jogo 8-bit, o buffet é diferente de tudo que você encontra em qualquer restaurante — até os que se dizem chineses — e o preço, claro, é extremamente convidativo. Além disso, há a simpatia única de um povo que veio a tentar a vida em outro lugar e a sensação de estar em casa apesar do grande espaço do restaurante — talvez pelo sofá situado próximo à entrada.

“Você não cria um produto para todos, cria para alguém”, li certa vez. Quem é o seu alguém? A receita que aprendemos aqui é: seja único e verdadeiro. Se você tem um restaurante vegetariano, venda comida vegetariana. Se você tem um restaurante chinês, venda comida chinesa e por aí vai. Concentre-se nisso e ofereça outros diferenciais (como preço, decoração, loja, etc) que você chegará lá.

Game tester o emprego perfeito

Quando criança, eu queria ser piloto de avião ou policial até eu descobrir que podia ser ambos — sem arriscar a minha vida — jogando videogame. Então, trabalhar jogando games passou a ser meu emprego dos sonhos, e assim foi durante muito tempo. Até eu cair na realidade e perceber que tudo não passava de um sonho mesmo, como ter super-poderes ou ser criança pro resto da vida.

Folheando o Zero Hora de ontem, vi o anúncio (acima) da Ubisoft contratando game tester em Porto Alegre. Por um minuto, me senti tão perto daquele sonho de infância. Mas a realidade resolveu atrapalhar novamente. O anúncio requisitava SVN, conhecimento básico em regressão, smoke usability, experiência em planos de teste, bug-track tools! Que raios é tudo isso? Tudo que a realidade me forneceu foi a paixão por games e boa comunicação em inglês. Isso deveria ser o bastante. Pelo visto, só nos meus sonhos mesmo…

A oportunidade da sua vida

1 de dezembro de 2008 • TEMAS: Carreira / /

Esta é a chance de passar seis meses ao lado de um dos maiores gurus de marketing da atualidade. Seth Godin.

Godin está organizando um projeto que promete trazer muito mais conhecimento para sua carreira do que a maioria dos MBAs. Preste atenção, eu disse “conhecimento”, não necessariamente resultado. Eu ficaria bastante indeciso se tivesse que escolher entre um diploma da Wharton School ou uma recomendação de Godin. Ao final da experiência (não sei se pode ser chamado de curso), você ganha um certificado e uma recomendação escrita por um dos caras que mais vende livros — de marketing — do mundo.

A experiência chamada MBA-Like (tradução informal: “tipo-MBA”) começa dia 19/01 e as inscrições vão até 14/12. O cronograma é mais ou menos assim:

  • Uma hora de discussão/debate
  • Quatro horas trabalhando nos projetos de Godin
  • Três horas trabalhando em seus próprios projetos
  • Cinco horas por dia vivendo, tomando notas, praticando e se relacionando

Eu confesso que daria tudo para passar um final de semana sequer com Seth Godin, esse cara é um visionário… mas infelizmente para mim é inviável. Espero que pra você não, veja só o que você precisa:

  • Primeiro de tudo, é preciso estar próximo ao escritório dele, em Nova Iorque
  • Você precisa ter inglês perfeito
  • Não pode fumar
  • Tem que ser inteligente e gente boa
  • Responder 9 questões. Entre elas: “o que você sabe?”, “o que você irá fazer com que aprendeu?” e “conte-me uma história real sobre mudar o mundo”

O que Godin procura?

  • Não importa sua idade ou profissão. Godin está interessado no que você fez, e mais importante, em como você fez
  • Pessoas brilhantes e carismáticas
  • Alguém cheio de paixão, empatia, pense rápido e aja mais rápido ainda
  • Que queira fazer algo que realmente valha à pena.
  • Godin não se preocupa se você (ainda) não sabe fazer uma planilha. Mas se você não faz questão de aprender o que não sabe, será um grande problema.

Se você quer tentar, vá em frente meu amigo. Leia todas as informações aqui e vá fundo. Mas como Godin disse, isso não é pra qualquer um. Se fosse, não valeria tanto.