Se você estiver querendo fazer um curso de Excel sem gastar um tostão, uma rápida busca no Google lhe garante uma boa apostila em PDF, do mesmo nível — ou melhor — que as oferecidas em várias escolas pagas. Você também pode pagar R$29,90 e fazer um curso online, sem professor, na Saraiva. Qual o melhor?
A maioria das pessoas diriam que é o da Saraiva. Mas será? O preço costuma aumentar a nossa percepção de qualidade de um produto ou serviço, querendo ou não, inconsciente ou não, costumamos valorizar mais algo pago do que algo gratuito. Seth Godin propôs uma valiosa (e gratuita) reflexão:
- Você não estaria confundindo o que paga com o que recebe?
- Você não está mais disposto a usar algo que você pagou um monte para obter?
Eu acredito que houve uma época em que preço era sinônimo de qualidade. Uma camisa de R$200 era mais resistente e moderna que uma de R$60 ou que toda faculdade cara, possuía ensino de qualidade. Naquela época, marcas fortes possuíam qualidade que as separavam de marcas populares de forma clara e visível. Isso mudou com a expansão da mão de obra barata, difusão da tecnologia, educação mais acessível e capital abundante. Hoje, preço está mais para estratégia do que para o produto em si.
Na era dos ebooks, blogs e redes sociais é inadmissível que profissionais coloquem deixem suas carreiras exclusivamente a cargo de faculdades e empresas. Ebooks e blogs oferecem conhecimento gratuito (e de alta qualidade), blogs também são ótimos para marketing pessoal, assim como redes sociais são para networking e relacionamento com os clientes.
Certamente, eu seria outro profissional diferente se não lesse blogs. Eu digo sem medo de exagerar que eles me ensinaram tanto quanto alguns livros e professores. Mais do que um punhado de conceitos ou notícias, os blogs me ensinaram a analisar e refletir — habilidades cruciais e raras hoje em dia.
Mas blogs são gratuitos.
Por isso, eles são menos valorizados do que uma coluna na Veja ou Exame. Ainda que hajam profissionais quase tão qualificados como eles blogando (e eu não vou nem entrar no assunto liberdade editorial).
Devemos parar de achar que se é grátis, não é bem feito. Porque, justamente, estamos na Era do Free. O melhor livro de produtividade que eu já li é grátis, o melhor serviço de e-mail da web é grátis, grandes especialistas em carreira, vendas e neuromarketing blogam de graça, e dezenas de serviços de alta qualidade tem versões gratuitas que são tão boas como as pagas (Grooveshark, Evernote, Drop Box, Google Docs).
Em muitos casos, optamos pela versão gratuita quando não temos opção de pagar. Ou, às vezes, até pegamos algo grátis, mas não damos tanta atenção como se tivéssemos pago por aquilo (quem gosta de jogar dinheiro fora?). O que eu proponho (e acredito que é o que Seth Godin queria quando fez aquelas duas perguntas) é que devemos ter senso crítico com tudo, seja uma consultoria paga ou um artigo enviado grátis por e-mail.
Pago ou não, um mal conselho é sempre um mal conselho e irá lhe levar a decisões ruins; um bom produto é sempre um bom produto e poderá lhe render alguma economia se você analisar suas características e reputação, em vez de preço. Não estamos mais na era do “de graça até injeção na testa”, onde tudo que é de graça é ruim, estamos na era do “de graça só injeção no braço e desde que resolva meus problemas”.




Enquanto tomava meu nada pequeno caneco de café, hoje pela manhã, assisti meio episódio de






