A campanha presidencial deste ano será diferente das que costumamos ver. Quer dizer, ainda veremos 2 candidatos dominando quase 90% do tempo, o candidato do governo atual mostrando as ações dos últimos 4 anos e os adversários apontando os erros. Nesse aspecto, a campanha presidencial será igual a todas as outras. Mas do ponto de vista da comunicação, não. Duas coisas parecem ter mudado tudo: a ascenção das redes sociais e a vitória de Barack Obama.
A campanha de Obama será exemplo durante muitos anos e, sem dúvida alguma, inspirou o planejamento das campanhas políticas deste ano. Contudo, o impacto não é o mesmo porque o Brasil não é os Estados Unidos. Qualquer candidato americano à presidência tem duas grandes dificuldades: 1) convencer os eleitores a votar nele; 2) convencer os eleitores a irem votar. Lá, intenção de voto e voto não são a mesma coisa. Obama foi tão bem-sucedido, que não apenas obteve mais votos que sua adversária, mas levou o maior número de americanos às urnas em toda história dos EUA, 66% (dos eleitores). Também foi o candidato que mais recebeu doações: $640 milhões.
Não é segredo pra ninguém que Obama foi um marco eleitoral nos Estados Unidos em vários aspectos. Mas será que o case Obama pode ajudar algum candidato brasileiro a se dar bem nessas eleições?
O Brasileiro é viciado em internet e o que mais usa redes sociais no mundo. Teoricamente, os candidatos brasileiros têm tudo para colher grandes resultados das redes sociais. Mas o Brasil é um país heterogêneo e o voto obrigatório torna as coisas mais difíceis. Com 135 milhões eleitores, a maior rede social do Brasil, o Orkut, tem “apenas” 26 milhões de usuários. Incluindo menores de 16 anos e contas fakes — que não são poucas. Já o Twitter, uma das mais fortes ferramentas sociais de um candidato, é acessado por 15% dos internautas brasileiros — 3,7% do eleitorado brasileiro. Número expressivo, já que nos Estados Unidos são 11%.
Os números otimistas e o hábito de consumo agressivo do internauta brasileiro levou os chefes de campanha dos 3 principais candidatos à presidência do Brasil a dedicar mais atenção (e recursos) à campanha virtual. Acompanho o uso da internet por parte dos políticos há pelo menos 4 anos, sempre achei um excelente canal de comunicação com o eleitor. Mas parece que só agora, em 2010, a coisa ficou profissional.
Internet como arma
O site do candidato deixou de ser algo obrigatório para ser algo útil. Fiquei impressionado com a beleza e os recursos oferecidos nos sites dos principais candidatos à presidência. Notícias atualizadas várias vezes por dia, newsletter, videos, fotos, propostas, biografia, redes sociais, blogs, envio kits da campanha e até um game estão sendo usados para aproximar o leitor do candidato. Algo que só costumava acontecer quando eles visitavam bairros, dando abraços e apertos de mão uma vez a cada quatro anos.
Ao todo, Dilma, Serra e Marina possuem mais de 700 mil seguidores no Twitter, mais algumas dezenas de milhares no Facebook e Orkut. Flickr e YouTube também estão sendo usados. O gráfico abaixo demonstra melhor o que cada um está usando.

A internet permite que qualquer o candidato — com pouco tempo de espaço eleitoral no rádio e TV– possa mostrar seu programa de governo e falar sobre todos os assuntos que antes o tempo escasso não lhe permitia. Marina Silva sabe disso e é a que parece estar usando melhor as chamadas mídias sociais. De aplicativos do Facebook à cartilhas práticas como “43 razões pra votar em Marina”, além de criar outros sites como o “Movimento Marina” e o game “Um Mundo”. Marina também pede doações e o suporte dos milhões de internautas brasileiros — ao famoso estilo Obama.
Nunca um candidato com pouco espaço na propaganda eleitoral conseguiu chegar ao 2º turno, porque política é comunicação em massa e engajamento; quem não era ouvido, literalmente não era lembrado e não recebia votos. Esta é a 1ª eleição em que candidatos “menores” tem alguma chance de chegar à Brasília. A briga é árdua e envolve uma série de fatores que vão além da mídia — como ideologia, carisma e confiança. Talvez as coisas continuem como sempre foram, talvez mude pra melhor. Mas assim como a internet mudou as nossas vidas, ela está mudando a vida deles.
NOTA: Este artigo não tem intenção de promover ou denegrir nenhum candidato. O objetivo é apenas de marketing e comunicação, não político. Comentários considerados “pesados” serão deletados.

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Como dizia um professor meu: “de futebol e propaganda todo mundo entende”. É verdade. O brasileiro adora comercial. Algo atípico se comparado aos nossos amigos do velho mundo, como os britânicos.
A reputação é para um jornal o que a segurança é para os carros. a coisa mais importante do negócio. Aonde foi parar a reputação deste jornal?

