Você está em ‘mercado’

Edição abril/2011


  1. Walmart volta a comercializar armas em suas lojas nos EUA. [Link]
  2. Philips deixa de fabricar televisores. [Link]
  3. 85% dos comerciais japoneses usam pessoas famosas. Nos EUA, não passam de 25%.
  4. 55% dos brasileiros assistem filmes piratas. [Link]
  5. Um em quatro turistas vem ao Brasil a negócios. [Link]
  6. 15% dos donos de smartphones baixam pelo menos um app por mês. iPhone: 64%. [Link]
  7. Vendas de smartphones cresceram o dobro da de celulares no mundo. (72% contra 31%).
  8. Google implementa algoritmo que irá destacar ainda mais sites de boa qualidade (e prejudicar os de baixa). [Link]
  9. Apenas 26% dos brasileiros têm o hábito de comparar preço e juros. (fonte: GloboNews)
  10. Se o Brasil crescer 0,5% a mais nesta década, faltará profissionais qualificados. [Link]

(Extraído dos tweets publicados no mês de abril. Ainda não segue? Clique aqui.)

Edição fevereiro/2011


  1. O Google é maior no Brasil. Responsável por 92,15% de todas as buscas na internet.
  2. Brasil é o 4º país que mais vende computador. [Link]
  3. A Apple fica com 30% de toda assinatura de revista para iPad.
  4. Microsoft e Nokia se unem para disputar o mercado de smartphones.
  5. 45% dos universitários americanos não apresentam melhoria na escrita, raciocínio e pensamento crítico nos primeiros 2 anos de faculdade. Essa taxa cai para 36% após os 4 anos da graduação.
  6. Apenas 16% dos internautas produzem conteúdo em mídias sociais. [Link]
  7. Cadeiras confortáveis tornam as pessoas mais propensas a fechar negócio e pagarem mais. [Link]
  8. Empresas podem subornar clientes. [Link]
  9. Empresas com mais de 3 objetivos estratégicos têm desempenho inferior àquelas que tem até 3. [Link]
  10. China ultrapassa Japão e se torna a 2ª maior potência mundial.
  11. Classe D é maior que a B em termos de volume, representando 28% do total de transações.
  12. Pesquisa brasileira mostra que uma pessoa reclamando pode impactar outras 5000. [Link]
  13. Varejo brasileiro cresceu 7,5% em 2010. [Link]
  14. 26% dos apps são usados apenas uma vez. [Link]

(Extraído dos tweets publicados no mês de fevereiro. Ainda não segue? Clique aqui.)

Nordeste, o mapa da mina brasileiro

12 de fevereiro de 2011 • TEMAS: Negócios / / /

Já era de se esperar que com o aumento do poder de compra das famílias de baixa renda no Brasil uma região em especial se tornaria terreno fértil para empresas: o nordeste brasileiro. Dona de belezas naturais e principal destino de férias dos brasileiros, o nordeste tem suas particularidades também no mundo dos negócios como aposta um estudo da Nielsen que chamou de “a região que cresce mais rápido no país”.

Nos últimos anos, muitos brasileiros romperam a barreira do impossível.  Só de 2009 pra cá, a porcentagem de pessoas de baixa-renda no nordeste diminuiu de 67% para 64%. Era impossível ter um carro novo, estudar em faculdade privada, morar em casa própria, viajar de avião era coisa de rico, cruzeiros então… só em revista. Isso tudo deixou de ser sonho e tem virado a realidade de novas famílias brasileiras.

A mídia fala em carro, casa e viagens, mas certamente não foi apenas isso que mudou nos hábitos de compra das classes mais baixas. Se elas estão comprando bens caros de vez em quando, elas estão comprando mais produtos e serviços todos os dias.  É fato que o consumo na região nordeste vem crescendo, 8% por ano, mas talvez poucos saibam que esse crescimento é maior do que no restante do Brasil (6%). O que isso significa? Novas oportunidades para empresas e empreendedores. Em uma segunda análise, também significa que empresas que já estão no mercado precisam rever suas estratégias para se adaptar aos novos hábitos de consumo dos nordestinos nos anos seguintes.

Tudo começa com conhecer o mercado e aqui vai  um breve perfil da região:

  • São 54 milhões de pessoas que gastam mais do que todo o Chile
  • Vivem em famílias de cerca de 4-5 pessoas
  • 64% são considerados de baixa renda
  • São mais fiéis, e tendem a comprar nas mesmas lojas, seja varejo ou atacado
  • Marcas locais são fortes

Esse último me chamou muita atenção. Embora marcas locais tenham a vantagem de gerar maior identificação com os consumidores apropriando-se de elementos culturais e da tradição, elas costumam ser mal administradas o que abre brechas para grandes marcas nacionais abocanharem seu mercado. A questão é que no nordeste não é bem assim. Das 12 categorias pesquisadas pela Nielsen, 7 são lideradas por marcas locais.  Algumas com uma larga vantagem como leite em pó, água mineral e biscoito — que chegam a 9 vezes mais que marcas nacionais. Por exemplo, cerveja e refrigerante que são categorias ultra-competitivas e onde é difícil ganhar mercado, as marcas locais perdem por apenas 2% e 5%, respectivamente.

Vale ressaltar que  “marca regional” é algo que só existe naquele local. Não significa que seu fabricante seja da região, ele pode ser, mas também pode ser uma Unilever criando ou adaptando um produto específico para as necessidades ou preferências dos consumidores daquela região.

Não é de hoje que se fala do crescimento do mercado de lojas/produtos populares.  Algo em torno de 84% do dinheiro que circula no mercado brasileiro vem dos bolsos das classes C, D e E. O Nordeste é uma região onde essas classes predominam e eles têm cada vez mais dinheiro no bolso disposto a gastar em uma empresa que valorize a sua cultura, suas tradições, os respeite e, obviamente, ofereça algo de qualidade.

Edição dezembro/janeiro

  1. iPad brasileiro é o mais caro de 32 países. [link]
  2. Mercado de tablets deve crescer 418% em dois anos. [link]
  3. 9% das pessoas leem notícias através do meio digital.  39% mídia tradicional.  36% nos dois. [link]
  4. VISA começa a utilizar GPS para diminuir fraude na Europa. [link]
  5. Endereços IP de sites de internet podem acabar este mês. [link]
  6. Cerca de 55% da imagem de uma pessoa é atribuída à sua aparência, 37% a voz e 8% ao que ela diz.
  7. A Starbucks muda de logo e apesar de ter fechado várias lojas 3 anos atrás, o número saltou de 15000 para 17000.
  8. Nintendo DS ultrapassa Playstation 2 e é o videogame mais vendido da história.
  9. China deve superar o Japão em investimento em P&D. [link]
  10. Hotéis do Rio de Janeiro tiveram lotação de 96% no final de ano. (a menos de 4 anos da Copa)
  11. Samsung aumentará investimentos em 18% neste ano.
  12. A atual logo da IBM tem 38 anos.
  13. 2º maior executivo da Apple ganha US$52 milhões de bônus de final de ano.
  14. Segunda uma pesquisa em restaurantes, apenas 2,6% dos gerentes aparecem para resolver problema de clientes.
  15. Baixo nível de glicose no cérebro diminui concentração e foco.
  16. O brasileiro paga 61 impostos diferentes. [link]
  17. São Paulo é eleita uma das 12 cidades que mais influenciam o mundo. [link]

(Extraído dos tweets do Pequeno Guru publicados em novembro.  Saiba em primeira mão: @pequenoguru.)

Se você está por fora do mercado de games atual, saiba que videogames não são mais aquelas caixas de plástico que se conectavam à TV, era comandado por 2 controles de poucos botões e os jogos, de aparência infantil, eram curtos e simples. As coisas mudaram muito desde então. Quero dizer, ainda é feito de plástico e ainda se liga à tv, mas são as únicas semelhanças com aquele brinquedinho de criança chamado videogame.

Hoje, está mais para o que a Microsoft chamou de “centro de entretenimento”. Eles armazenam músicas e videos, possuem alto poder de processamento (já foram usados pela ciência), dispositivo Wi-Fi, baixam filmes via NetFlix, acessam Twitter, Facebook e MSN. Não é à toa que empresas de fora da indústria de games resolveram entrar nesse mercado. O sucesso do PlayStation tem salvo a Sony de resultados negativos. O mercado ficou muito mais maduro, criando nichos de mercado e necessitando de uma estratégia realmente sólida para obter sucesso em um mercado tão caro como esse. O Nintendo Wii fez adultos e mulheres que nunca foram fãs de games terem um no rack da sala. O Kinect, da Microsoft, se tornou o gadget vendido mais rapidamente da história. Em 2007, a indústria de games superou a de cinema e, no Japão, superou até a automobilística. Isso sem o gigantesco mercado da China, onde games atualmente são proibidos. É quase impossível imaginar o quanto esse mercado crescerá quando a China legalizar videogames por lá.

Com o amadurecimento da indústria e entrada de mega-corporações nesse mercado, um novo perfil de consumo ocupou lugar. Enquanto antigamente o público era basicamente composto de crianças e jovens, hoje não há barreiras. Seja na sala de casa, no smartphone ou em um notebook, centenas de milhões de pessoas estão jogando. Mas será que videogames são mero entretenimento vitual ou podem nos ajudar a lidar com problemas na vida real?

Uma das poucas lembranças que tenho da minha infância é de jogar Pitfall no Atari com a minha irmã e morrendo 200 vezes antes de passar de uma fase. Eu não sabia, mas 20 anos depois eu ainda estaria jogando videogame. Não mais com a minha irmã, mas com a namorada, colegas de trabalho e até com pessoas que eu nem conheço — via internet. Não depois da escola, mas depois do trabalho. E ao invés de algumas horas por dia, apenas algumas horas por semana. Com videogames tão presentes na minha vida desde criança, eu comecei a me perguntar se eles tiveram alguma participação no meu desenvolvimento pessoal. Nunca tive certeza, mas de um tempo para cá mais indícios têm surgido para sustentar essa teoria.

No começo da minha adolescência, eu me viciei em um jogo de estratégia chamado Age of Empires. Não demorou muito até eu me interessar por idade medieval, civilizações antigas e grandes batalhas. De lá pra cá, vieram Age of Empires 2, Age of Empires 3, Medieval Total War e outros como SimCity (onde você tem que gerir uma cidade). Na faculdade, conheci o verdadeiro lado da estratégia. Coincidência ou não, essa é uma das áreas que mais me fascina. Sempre achei o máximo ser responsável pelo futuro de uma cidade, um povo ou uma vida. Ainda hoje, meus games favoritos são os que oferecem a maior liberdade possível.

O que a ciência diz

Recentemente, cientistas descobriram que jogar Tetris aumenta a massa cinzenta do cérebro, especificamente o córtex central — responsável pelo planejamento de movimentos complexos e coordenados, bem como pela integração multisensorial entre visão, tato, audição e informação fisiológicas internas. Existem uma porção de jogos estilo Tetris, que estimulam várias áreas do cérebro, deixando você mais “afiado” em certas coisas.

Para tentar responder essa questão e aprender a utilizar os videogames a nosso favor, Jane McGonigal lançou o livro “Reality Is Broken”. Jane diz que psicólogos chamam de “recompensas intrísecas” as habilidades que as pessoas desenvolvem ao jogar games. Como uma melhor capacidade de planejamento ou coordenação motora. A autora defende também a ideia de que os gamers lidam melhor com o fracasso, pois estão acostumados a lidar com eles no mundo virtual (quem tem mais de 25 anos sabe que alguns jogos de antigamente eram quase impossíveis). Além disso, gamers têm mais probabilidade de persistirem em busca de seus objetivos de vida e são mais resilientes.

Abaixo um trecho do artigo da autora publicado no The Washington Post:

“Quando nós jogamos, temos um senso urgente de otimismo. Nós acreditamos do fundo do coração que estamos preparados para qualquer desafio, e nos tornamos fortemente resilientes ao se deparar com o fracasso. Pesquisas mostram que gamers passam em média 80% do tempo fracassando no mundo dos games, e em vez de desistir, eles persistem na dificuldade e usam  o feedback do jogo para melhorar. Com alguma dedicação, nós podemos aprender a aplicar esta resiliência aos desafios do mundo real que encontramos.”

Definitivamente, videogame não é coisa de criança. É um mercado consolidado e que rende bilhões de dólares todos os anos, gera milhões de empregos direta e indiretamente, e ajuda a economia a crescer. Assim como beber vinho, jogar videogame é uma daquelas coisas que requer moderação para se obter o benefício. Rola muita polêmica sobre a influência dos jogos violentos em certas pessoas. Não cabe essa discussão aqui. Mas assim como o vinho que você bebe e a comida que você come, é preciso saber escolher e ter a cabeça no lugar.

Apesar do futebol americano ser praticado muito pouco fora dos Estados Unidos, o mercado publicitário do mundo todo se volta para o campeonato nacional. Especificamente a final do campeonato, cujo espaço publicitário é o mais caro do mundo. Por isso, todos os anos em fevereiro, os publicitários ficam de olho nos comerciais que julga-se ser o ápice da criatividade global.

Considerando que o mercado publicitário mudou mais nos últimos 10 anos do que nos 20 anteriores e que a TV aberta vem perdendo espaço a cada dia, isso torna o Super Bowl um evento ainda mais interessante. Por isso, resolvi listar algumas curiosidades do programa/evento mais assistido na história da televisão mundial.

  1. Nos últimos 10 anos, o tempo de publicidade em cada jogo aumentou 27%
  2. Na última edição do Super Bowl foram veiculados 104 comerciais, contra 82 em 2001.
  3. Em 2001, um jogo tinha aproximadamente 40 minutos de comerciais (uma partida dura 60 minutos não-corridos). Em 2010, a final do Super Bowl  teve 47 minutos e 50 segundos de propaganda.
  4. Quem assistiu os 10 últimos Super Bowl assistiu um total de 425 minutos de comercial.
  5. Em 2001, uma inserção de 30s custava cerca de $2,2 milhões. Em 2009, o preço chegou a $3 milhões.
  6. O mercado automobilístico é o que mais anuncia. Seguido por cerveja, refrigerante e filmes.
  7. O maior anunciante é a Anheuser-Busch. Entre 2001 e 2010, a mega-companhia de cerveja já investiu $235 milhões de dólares.
  8. Os jogos também contribuem para a audiência da emissora. O episódio de Friends com maior audiência entre os 236 gravados foi “Aquele depois do Super Bowl”, exibido pela 1ª vez no dia 28 de janeiro, logo após a final do famoso campeonato.

Fonte: BrandWeek

Edição agosto/setembro

1. Cada cota de patrocínio da Fórmula 1 na Rede Globo custa R$ 59,8 milhões. Foram vendidas 6.

2. 16% dos usuários de redes sociais são responsáveis por 80% de todas as mensagens sobre produtos e serviços nas redes.

3. A 3M  lança mais de 1000 produtos por ano e fatura $23 bilhões de dólares. [Link]

4. O Audi A6 e a linha 5 da BMW tiveram que sofrer modificações consideráveis para se adaptar ao gosto do consumidor chinês.

5. 26% das empresas brasileiras bloqueiam acesso às redes sociais. [Link]

6. Um brasileiro com diploma superior lê 8 livros por ano. Um com ensino médio lê 4.

7. 80% da turma 2010 do MBA  do IESE, a melhor escola de negócios do mundo, é estrangeira.

8. Brasil é o 2º país mais lento na hora de se abrir uma empresa. 135º do ranking. [Link]

9. Consumidores expõem 500 bilhões de opiniões na internet sobre produtos/serviços a cada ano.

10. iPhone 4 custa $187,51 para ser fabricado. [Link]

11. Toyota vai entrar no  mercado “popular”. [Link]

12. Cerca de 6,3 milhões de profissionais se formam por ano na China.

13. Jack Welch tem 1,3 milhão de seguidores, mais do que todos os perfis da GM juntos.

14. Dinheiro só não traz mais felicidade do que a fé. [Link]

15. A Ford já foi dona das marcas Jaguar, Land Rover e Volvo. Vendeu todas nos últimos 3 anos.

16. Marketing fraco pode ser a causa do declínio da indústria japonesa de games. [Link]

17. A biografia completa do Walt Disney tem quase 1000 páginas.

18. 61% dos homens e 70% das mulheres perdem o respeito pelo seu chefe quando ele tem um caso com alguém da empresa. [Link]

19. Circulação de jornais impressos deve crescer nos próximos 5 anos. [Link]

20. A melhor universidade americana não é Harvard, Princeton, Stanford nem Yale. [Link]

21. E-commerce cresceu 40% no 1º semestre de 2010! [Link]

22. Quando Steve Jobs comprou a Pixar, seu objetivo não era entrar para indústria do cinema, era computação gráfica corporativa (B2B).

23. Classe D supera Classe B em poder de consumo (28% contra 24%), mas Classe C continua liderando. [Link]

24. Além de Bill Gates e Warren Buffet, outros bilionários também deixarão suas fortunas de herança para filantropia. [Link]

25. Existem 2 tipos de touchscreen: capacitivo (iPhone) e resistivo (xing-ling).

26. Audiência do cinema 3D só caiu em 2010.

27. 27,8 milhões de brasileiros assistem TV fechada.

(Extraído dos meus tweets publicados nos meses de agosto e setembro.  Para saber em primeira mão, siga @pequenoguru.)

Sem novos clientes

4 de maio de 2010 • TEMAS: Filosofando / / / /

Brilhante como de costume, Seth Godin levantou um ponto importante para a nossa reflexão. E se não houvessem mais novos clientes disponíveis no mercado? Se, de repente, fosse impossível atrair novos compradores, novos leitores, novos doadores,  novos funcionários… como você trataria aqueles que já tem? Como investiria seu dinheiro?

A questão principal é aquela abordada aqui no blog inúmeras vezes: um cliente atual vale mais do que um novo, e muito mais do que tentar reconquistá-lo. Cultive relacionamentos com clientes, trate bem os funcionários, esqueça daquela relação profissional fria e distante da época de duas décadas atrás.

E se tentarmos agir como se não houvesse mais novos clientes, começando hoje?

Em algumas cidades pode-se presenciar um fenômeno muito claro de mudança de hábitos das pessoas: a sazonalidade. O inverno começa e uma série de coisas que as pessoas faziam 1 mês atrás são substituídos por outros. Seus hábitos de consumo também mudam drasticamente, o refrigerante agora divide espaço com os chás. A venda de cobertores, jaquetas, botas e  aquecedores vão às alturas. Dentro de alguns meses, as vendas desses produtos chegarão quase a zero e é preciso ter um modelo de negócios muito estruturado pra lidar com isso.

É óbvio que alguns produtos só vendem no inverno e outro só no verão. Assim como árvore de natal só vende no natal e ovos de páscoa só vendem  na… adivinhem? No entanto, estamos falando de hábitos de consumo, comportamento. Em outras palavras, de algo imprevisível. Algumas coisas são difíceis, outras são impossíveis (como vender aquecedor em janeiro). Vamos nos ater às possíveis, porém difíceis — como vender sorvete em julho.

Como vender sorvete em julho? Bem, primeiro se você está no ramo de sorvetes (ou em qualquer outro) é preciso parar de pensar em sorvete para pensar em administrar uma empresa saudável e de sucesso. Os tempos mudaram, hoje sorveterias vendem lanches, livrarias vendem videogames e agências de turismo têm aviões e navios. O difícil é navegar por outros mares sem esquecer-se do ponto de partida. É aqui que mora o perigo.

Em se tratando de sazonalidade, eu só vejo duas estratégias possíveis: 1) Ampliar portifólio; 2) Alcançar novos mercados.

Voltando ao exemplo da sorveteria –que eu particularmente adoro–, a opção mais óbvia seria vender lanches. Porém, isso a distanciaria da imagem de sorvetes. A ideia que mais me agrada é de vender sorvetes quentes e outros produtos limitados, educando os consumidores a tomarem sorvete no inverno,  misturando a frutas e biscoitos, como uma refeição leve. Segundo uma especialista do setor, o sorvete é visto como alimento em países como Estados Unidos e Argentina, sendo consumido em qualquer época do ano.

A 2ª estratégia é expandir para outras regiões, como norte e nordeste. Onde há verão 12 meses por ano. Em Belém do Pará, está a minha sorveteria favorita. Cerca de 50 sabores deixam o cliente sem saber o que pedir, felizmente é possível experimentar antes de escolher — o que não deixa a escolha mais fácil, acredite. Eu sempre me pergunto o que aquela maravilhosa sorveteria faz em um mercado tão restrito. Tive o prazer de entrevistar um dos sócios e pude perceber o por quê. Falta de visão. Soube que era possível experimentar no Rio e São Paulo, se o consumidor tivesse a sorte de encontrar um dos carrinhos da sorveteria, porque não há loja física.

A melhor forma de lidar com a sazonalidade é tendo uma mente aberta e sendo ousado. Lidar com a sazonalidade, geralmente, requer uma grande quantidade de energia. Mas é assim que a natureza lida com as dificuldades, gastando mais energia. Da mesma forma que o nosso corpo necessita de 25% mais calorias no inverno para se manter saudável, as empresas precisam se esforçar mais em mercados delicados como os sazonais.