Eu costumo dizer que se os marqueteiros pudessem ter um superpoder seria o de ler a mente dos consumidores. Isso porque é o que eles vem tentando fazer há 40 anos quando começaram a usar largamente pesquisas de mercado, grupos de foco e dados demográficos. E durante 30 anos, isso foi basicamente tudo que aconteceu no campo de comportamento do consumidor.
Com o aumento da competitividade e um mercado cada vez mais nocivo às empresas, as coisas precisavam evoluir. Assim com o marketing evoluiu com técnicas mais detalhadas e novas modalidades surgiram como o SEO, viral e brand equity; as pesquisas de mercado ultrapassaram as fronteiras do marketing e chegaram à ciência. Não que pesquisa não seja uma ciência, mas falo na definição comum de ciência. Principalmente a partir de 2000, a quantidade de material voltada para os negócios publicados por neurocientistas, psicólogos e professores aumentou consideravelmente. Livros e pesquisas trouxeram uma outra perspectiva para o marketing, com novos conceitos que podem ajudar às empresas a entender os consumidores, ou ao menos chegarem perto disso.
Um desses livros é o “You Are What You Choose”, escrito por dois professores de ciência política e economia da Duke University, o livro traz um conceito realmente interessante sobre como as pessoas decidem, escolhem e até mesmo vivem.
Você é o que você compra
Toda pessoa possui hábitos, e as características pessoais (personalidade, cultura, etc) estão por trás desses hábitos. Logo, conhecer seus clientes em potencial é fundamental para obter sucesso. Mas saber quanto ele ganha, sua idade, cor, sexo já não é suficiente. É preciso conhecer além disso. Pesquisas atuais têm utilizado além dessas informações básicas, informações sobre hábitos — de consumo ou não. E os especialistas nunca foram tão bons em cruzar dados. Mas DeMarchi e Hamilton criaram um novo jeito de ir ainda mais fundo nesse “conhecer”, tentando “prever” o comportamento de consumidores a partir de traços da personalidade.
Hoje, as empresas que posicionam seus produtos puramente em classe social ou idade não conseguem criar vínculos fortes com os seus consumidores. As pessoas usam marcas que combinem com o seu estilo de vida, sua filosofia e conquistem sua simpatia. Por essa razão, marcas que possuem uma identidade definida (leia-se personalidade), atraem grande número de fãs.
Descobrir a personalidade de alguém pode ajudar você a saber o que a agrada e o que não. Mas como tornar um assunto complexo como personalidade, algo simples e útil para o marketing? Através de 6 traços da personalidade. Não é um Carl Jung, mas eles dão uma boa ideia de quem são seus consumidores.
- Tempo: vive o hoje ou se preocupa com o amanhã?

- Altruísmo: pensa no bem-estar do próximo ou é individualista?
- Risco: evita ou enfrenta?
- Eu-Também: É influenciado pela opinião dos outros (moda, status). Geralmente, pessoas com alto fator “eu-também” usam marcas famosas, conversam bastante e conhecem muitas pessoas.
- Fidelidade (tradução mais próxima do original “Stickiness”): Cria vínculos facilmente ou experimenta várias opções antes de escolher?
- Informação: É uma pessoa bem informada ou não? (não confundir com grau de instrução, e sim hábito de ler ou obter conhecimento.)
Para cada um dos 6 traços acima, existem somente duas opções: é ou não é. Não existe uma pessoa meio-altruísta, meio-fiel ou que goste mais ou menos de ler livros. Um teste na internet define como você é em cada um desses aspectos. (Achei um tanto superficial.)
Embora os professores tenham criado um teste, ele é o que menos importa. As empresas devem criar seus próprios testes para descobrir como seus consumidores pensam sobre: risco, tempo, altruísmo, eu-também, fidelidade e informação.
Por exemplo, apenas marcas fortes e conhecidas costumam atrair pessoas com alto fator “eu-também”. Da mesma forma, não adianta prometer um mundo melhor amanhã (consciência ambiental é um caso) para pessoas que pouco valorizam o futuro. Ao invés disso, dê soluções rápidas para os problemas de hoje.
Prevendo o comportamento do consumidor
Dados demográficos, microtargeting e traits são três ferramentas que sozinhas não servem para muita coisa, mas que, quando combinadas, oferecem provas fantásticas sobre como as pessoas consomem. DeMarchi e Hamilton provaram em suas várias pesquisas que os 3 juntos tiveram uma taxa de acerto entre 70% e 90% das pessoas. Em alguns casos, demográficos + microtargeting funcionava melhor em outros TRAITS funcionavam melhor. Mas os três juntos quase sempre renderam resultados impressionantes. Quase como ter um superpoder!


A administração impediu a autonomia quando instituiu a figura do chefe. A coisa está tão feia, que a administração precisou criar um outro nome para chefe, o líder. Ambos precisam de resultados, mas os artifícios que utilizam são diferentes. O chefe usa a obediência, o líder usa engajamento.
David cita uma ideia louca que teve em 1983, ele chamou sua professora de economia e disse que tinha algo lhe incomodando, era um modelo de negócios um tanto estranho mas que ele acreditava muito: fazer um monte de pessoas altamente qualificadas, ao redor do mundo, trabalharem cerca de 20h-30h em um projeto sem receber 1 centavo. E o resultado do projeto não seria comercializado, mas distribuído também de graça. A professora quase enfartou.
Mais e mais empresas tentam ter um propósito. Trabalhar em uma empresa que sabe o que quer (sem ser lucro) e onde quer chegar, faz as pessoas trabalharem melhor e mais do que isso, faz as pessoas quererem trabalhar lá. Pink diz uma frase espetacular, um pouco difícil de traduzir, mas vou tentar:



A pergunta
Eu sei que maus clientes não leem blogs, se é que leem alguma coisa. E embora eu ache que as agências de propaganda também tem sua parte de culpa nisso, maus clientes são um saco.
