Você está em ‘liderança’

Elogiar faz parte.

Certo dia, um parceiro fazia seu trabalho na loja quando olhou pela janela e viu uma cliente habitual de pé ao lado de seu carro, visivelmente pertubada.  Ele saiu e perguntou à cliente se estava tudo bem, ela lhe disse que havia fechado o carro com as chaves dentro. Ele voltou para loja, pegou um telefone sem fio e a lista telefônica e preparou para a mulher sua bebida de costume. Voltando para à rua, disse-lhe que esperava que as coisas se arranjassem e lhe entregou a bebida, o telefone e o catálogo para que ela pudesse fazer os telefonemas que precisasse.

Amy, gerente regional, observou a cena e no dia seguinte escreveu um bilhete para esse parceiro, contou a história aos outros parceiros da loja e o parabenizou na frente do grupo. “Ela nem chegara a entrar na loja, mas ele percebeu sua necessidade. Ele tomou a iniciativa de sair, dar-lhe um acolhimento e reagir prontamente à situação”, comenta Amy.

Moral da história: Elogios são poderosos agentes motivacionais. Gerentes da Starbucks se esforçam para reconhecer as realizações dos parceiros, algo esquecido na grande maioria das empresas. Elogiam parceiros na frente dos outros e apreciam e estimulam o bom-humor e a alegria com que parceiros se tratam tanto dentro, como fora da loja.

Funcionário perdido“Vou providenciar isso e em seguida entro em contato”. Telefone desliga. “Então, Pedro, precisamos fazer essas alterações aqui pro cliente…”

O diálogo acima denuncia que a empresa está enferma. Afetada por um male tão pequeno (mas tão nocivo) capaz de comprometer toda equipe e o desempenho da empresa. A receita é simples: a menos que você trabalhe isolado e não tenha ninguém pra chamar de colega de trabalho, tenha cuidado ao usar a 1ª pessoa do singular.

Mesmo que você tenha realizado uma tarefa sozinho, evite dizer “eu fiz”. Principalmente se você for chefe de alguém. Uma coisa é você dizer e fazer e outra coisa é você dizer e os outros fazerem. Em ambos os casos, eu volto a dizer, evite usar o Eu! Hoje praticamente nada é feito por uma única pessoa, para se concluir é necessário que exista condições suficientes pra isso. E quem criou essas condições foi você também? Uma vez que o Eu tenha disseminado pela sua equipe, a equipe deixa de existir.

Joseph Michelli, consultor e fundador da Lessons for Success, disse uma vez que funcionários copiam os chefes. A verdade é que os colaboradores da empresa têm duas opções: eles copiam o chefe ou fazem justamente o contrário. Funcionários podem não seguir os chefes, mas todos seguem um bom líder.

Dizer “eu fiz”, “eu criei”, “eu vou resolver” “eu”, “eu”, “eu”… Só demonstra o quanto você e sua empresa não se importam com os colegas e a equipe. Até um detalhe como esse pode interferir no desempenho da empresa. A diferença entre um bom e um excepcional líder é a preocupação com os detalhes. Estimular o “nós” é um grande e importante detalhe a ser praticado.

O ser humano tem a incrível capacidade de criar conceitos e significados a partir de coisas tão pequenas. Você talvez não tenha se dado conta da presença do Eu no seu dia a dia, nunca é tarde pra melhorar. Agora se você está ciente do Eu, e praticamente anda de mãos dadas com ele, abandone-o ou ele será a única a pessoa que restará quando todas as outras se forem.

Olhando para dentro

Mary Champaine era uma gerente de uma loja da Starbucks que já recebera mais do que sua quota de problemas pessoais. O filho foi morto em um crime violento e o marido morreu de câncer. Ademais, antes de ir trabalhar na Starbucks, ela havia perdido o emprego em uma empresa que fora à falência. Apesar de toda a confusão pessoal, Mary tinha um comprometimento fora do comum com a equipe e sua loja. Durante uma greve de ônibus em Los Angeles, ela passava para pegar os funcionários e levá-los para o trabalho. Com o espírito de ser acolhedora e autêntica, ela estendeu esse serviço também aos clientes regulares.

Tendo notado que o prêmio da loteria da Califórnia estava acumulado em US$87 milhões, Mary conversou com sua equipe sobre a compra de bilhetes e recolheu $1 dólar de cada funcionário, com exceção de dois que não estavam trabalhando. De acordo com um artigo da Associated Press, Mary revelou: “Eu apenas procurei no fundo de minha bolsa e encontrei troco suficiente para incluir todos os funcionários. Nós aqui somos uma equipe”.

Inacreditavelmente, Mary ganhou o grande prêmio. De acordo com a lei da Califórnia, Mary tinha o direito de ficar com os US$87 milhões só pra ela, mas, para a surpresa de todos, Mary decidiu dividir o prêmio em partes iguais! Em entrevista à CNN, Mary ponderou: “Aqui na Starbucks, nós trabalhamos em equipe e apoiamos uns aos outros. Se eu tivesse ficado com todo o dinheiro, não seria parte da equipe e tudo pelo que tenho trabalhado equivaleria a nada”.

Apesar de saber que muitos poderiam deixar de trabalhar na Starbucks para abrir seus próprios negócios, Mary comentou que esperava que alguns ficassem pelo menos por um tempo. Como a funcionária Leah Coley atestou, “sem a Mary, isso não teria acontecido”.

Moral da história: Mary dificilmente teria a mesma atitude se trabalhasse em uma empresa que não se preocupasse tanto com as pessoas, sejam eles funcionários ou clientes. Embora a maioria dos gestos de consideração no trabalho não sejam tão extraordinários como esse, eles certamente podem fazer a diferença quando a direção da empresa valoriza (e prioriza) eles. A consideração e os líderes incentivam os funcionários a acrescentar um toque pessoal ao conceito. É nessa atmosfera de liderança que o comum pode se transformar em algo extraordinário.

Pensando como líder

18 de dezembro de 2008 • TEMAS: Carreira / Negócios / /

Tim Manners divulgou em seu site uma interessante pesquisa sobre a importância de se pensar como líder. Se você é publicitário e acha que escapou dessa, está enganado meu amigo, a pesquisa demonstra que as agências de publicidade têm papel fundamental nesse assunto antes tão restrito a gestores e executivos.

A expressão em inglês “thought-leader” — que aqui eu vou chamar de líder pensador pra facilitar — é designado àquelas pessoas visionárias, que pensam longe, e são reconhecidas por trazer idéias novas e promovê-las com entusiasmo e confiança.

Na última década, muito tem se pregado sobre liderança (82% disseram ter aumentado a pressão por liderança nos últimos 5-10 anos), mas esta pesquisa coloca em dados o que tantos abordam somente com palavras. Na penúltima edição da revista The Hub — na qual Tim é editor-chefe — , um executivo da Kimberly-Clark comentou: “nós estamos desafiando nossas agências a nos desafiar, se manter atuais e não apenas executores, mas também a exercer o papel de líder conosco”.

Até algum tempo atrás eu pensava que liderança fosse uma característica inata, se você é líder é lider desde criancinha, se você não é, não adianta tentar. Hoje, eu vejo mais como uma habilidade a ser desenvolvida. Quando criança, eu passava boa parte do tempo calado e com vergonha na presença de estranhos. Eu mudei, e hoje falo numa mesa lotada ou numa apresentação com a mesma empolgação que converso com amigos. Como disse Thoreau, “as coisas não mudam, nós mudamos”. Nem todo mundo é líder hoje, mas todos podem se tornar um.

Entre os pesquisados, apenas 45,6% dos pesquisados se consideram líderes, o restante não se considera ou se considera às vezes. Mas assim como não existe meio-tímido, não existe meio-líder. Ou seja, mais da metade dos pesquisados não se consideram líder numa época onde a demanda por líderes é enorme. Tenho uma leve impressão que isso é a oportunidade que todos esperam! O que você está esperando?

Mas o que faz uma pessoa se destacar como líder? Difícil dizer, mas arrisco dizer que começa com ambição pessoal e definição dos objetivos de vida. Como pode haver liderança quando não se sabe aonde quer chegar? Deixando essa complexa questão humana de lado, há uma série de medidas que as empresas podem tomar para estimular a liderança dos seus funcionários. Porém, as mais efetivas não envolvem dinheiro. Somente 1/4 dos entrevistados disseram que aumentos e benefícios estimulam o espírito de líderança dentro da empresa em que trabalham. A grande maioria disse que “reconhecimento pessoal” e a “cultura organizacional” são, de longe, os incentivos mais eficientes.

Quando perguntados sobre a importância do pensamento de líder para retenção de clientes nas agências de publicidade, apenas 3% respondeu “nenhuma”. E eu achando que como publicitário não tinha como ser líder…

O gráfico acima mostra uma das coisas mais interessantes da pesquisa: liderança é importante em praticamente tudo. Se existe algum desafio, por menor que seja, então um líder faz a diferença. Seja para gerar crescimento, construir identidade de marca, manter o bom retorno dos investimentos, fidelizar clientes e, acima de tudo e de todos, INOVAR. Inovação é uma linda palavra que muitas empresas adoram usar, mas poucas tem profissionais com colhões para correr o risco que a inovação demanda.

Ter líderes pensadores é fundamental para desempenhar isso. A questão é que nos dias de hoje, as empresas precisam disso tudo para sobreviver. Essa é a prova de que sem atitude de líder, empresas e profissionais estão fadados ao fracasso, ou na melhor das hipóteses, a cair na profunda vala da mediocridade. E eu temo imensamente ambos.

Veja a pesquisa completa aqui.

A hora de liderar

20 de outubro de 2008 • TEMAS: Carreira / Negócios / / /

Depois de falar sobre a hora certa de deixar o barco, como contar histórias e até uma espécie de auto-ajuda, Seth Godin lança seu novo livro para falar de liderança. Uma das qualidades mais cobiçadas nas empresas hoje em dia. TRIBES — We Need You To Lead Us (Nós Precisamos de Você para Nos Liderar) chegou às livrarias semana passada nos Estados Unidos. Pensei em comprar, mas essa vida de solteiro-morando-sozinho  me faz pensar duas vezes antes de comprar um livro importado.

Ainda bem que o BrandAutopsy compartilhou conosco suas primeiras impressões… e basta ler algumas linhas para se perceber que a hora de liderar é agora.

Liderança não começa sempre no topo, mas sempre afeta as pessoas do topo. De fato, a maioria das organizações estão esperando por alguém como você para liderá-los.”

Em outras palavras, se todo mundo pudesse fazer (ser um líder), eles não valeriam muito.

É desconfortável ficar em pé diante de estranhos.
É desconfortável propor uma idéia que pode falhar.
É desconfortável desafiar os padrões.
É desconfortável resistir à acomodação

Se você não está se sentindo desconfortável no seu trabalho no papel de um líder, é quase certo que você não atingiu todo seu potencial como um líder.

Liderança é uma escolha. Não fazer nada é uma escolha.”