Você está em ‘inovação’

Moral da história: o que você está fazendo para chamar de seu? Fabricar é fácil, difícil é criar algo novo e único. E são esses que fazem a diferença.

Paris, começo do século XX, escritores, artistas, músicos e cientistas se reúnem para discussões acaloradas sobre diversos assuntos, de ciência à democracia. Vienna, rua Berggasse Nº19, um cara chamado Freud promove todas às quartas um encontro com médicos, filósofos e cientistas para discutir uma nova área que acabara de surgir, a psicanálise. Londres, século XVIII, Benjamin Franklin realiza um encontro do seu Club of Honest Whigs na London Coffeehouse para discutir novas ideias.

Essas reuniões eram uma espécie de protótipo do que chamamos hoje de brainstorming. Será que as empresas de hoje podem aprender algo com elas?

Boas ideias surgem de ambientes férteis onde pessoas diferentes colaboram na busca de um objetivo em comum. No caso dos cafés europeus, aprender, solucionar problemas, criar coisas novas ou simplesmente debater. Naturalmente, havia muita discussão, mas elas são partes importantes do processo de inovação, quando a colisão de ideias levam a novas possibilidades, às vezes ainda mais originais. Esses lugares eram tão ricos de conhecimento que funcionaram como laboratórios para o iluminismo e modernismo.

No final da década de 90, Martin Ruef, um professor de Stanford fez uma pesquisa para descobrir qual a relação entre inovação e diversidade. Ele descobriu que pessoas que tinham um networking horizontal, mais diversificado, eram 3 vezes mais criativas do que pessoas com networking vertical (unificado). Resultado similar foi encontrado por outro professor chamado Ronald Burt, que descobriu que funcionários de uma empresa tinham mais dificuldades em encontrar soluções quando compartilhavam informações com o seu próprio departamento do que quando compartilhavam primeiramente com colegas de outros departamentos.

Diversidade e interdisciplinaridade são tão importantes para a inovação que empresas como 3M e Apple estimulam a comunicação entre departamentos; e algumas grandes agências de propaganda contratam profissionais de áreas nada a ver com publicidade, como artistas, arquitetos e cientistas.

As reuniões de brainstorming das empresas já estão condenadas antes mesmo que os participantes tomem seus lugares. O principal motivo é a falta de diversidade. São sempre as mesmas pessoas – geralmente com perfis parecidos –, no mesmo lugar, no mesmo formato… isso não mata a criatividade, mas a acorrenta no pé da cadeira.

O motivo que tornava os encontros nos cafés europeus tão produtivos era justamente a falta de amarras. Ninguém estava preso a nada (como empresa), nem devia nada a ninguém (como chefe) e não havia pré-requisitos para participar (como ser contratado, currículo, etc). Ou seja, tudo que você precisava era ter ideias novas e bons argumentos.

Brainstorming é uma boa ferramenta, e como tal, deve ser bem manipulada para gerar resultados. Não há nada de errado com o “brain” em si, mas com a forma que ele acontece. Falta loucura, ruído, liberdade; tudo que os cafés de antigamente possuíam.

Procure convidar pessoas diferentes; se você é gestor, veja se você não causa desconforto na equipe; nunca leve a opinião do outro para o lado pessoal (isso é um veneno!); diga o objetivo e um ponto de partida, mas nunca o caminho. Opiniões e ideias precisam fluir naturalmente no ar. Dessa forma, elas irão colidir, se completar ou se transformar originando novas ideias que, caso contrário, nunca existiriam.

Na próxima vez que você fizer um brainstorming, não leve apenas o café, leve um pouco de loucura!

Você pode conhecer a 3M como a criadora do Post-It (sabia disso, certo?); mas ela também inventou a fita crepe e produz hoje mais de 55.000 produtos, de adesivos a produtos médicos e circuitos eletrônicos.

Figurinha carimbada nos rankings das empresas mais inovadoras do mundo, a 3M é um dos maiores exemplos de inovação da história. Em uma era onde inovação geralmente emana de empresas de TI como Apple e Amazon, a 3M é um exemplo não apenas por criar produtos de grande utilidade nas mais variadas áreas, mas por ser um exemplo há muitas décadas.

Qual o segredo do sucesso? Como a 3M conseguiu se manter uma das empresas mais inovadoras do mundo sem perder qualidade com as mudanças tecnológicas e de seus presidentes? Larry Wendling, VP de Pesquisa Corporativa, funcionário da 3M há 30 anos acha que sabe a resposta e a resumiu em 7 pilares que foi publicado há alguns anos na Business Week.

1. Altos investimentos; inovação custa dinheiro.

Assim como uma boa formação, importante para o sucesso profissional,  demanda dinheiro; empresas precisam investir em pesquisa se quiserem criar produtos relevantes e fortalecerem suas marcas. Em 2005, a 3M investiu 6% de todo seu faturamento em P&D, uma quantia de $1,24 bilhão de dólares. Note que estamos falando de uma empresa manufatureira, um segmento que não costuma ter altas taxas de inovação. Mesmo em época de crise, a 3M lança pelo menos 1.000 produtos por ano. Para Larry, essa é a chave do sucesso, “crescimento orgânico e novos produtos é o que move uma empresa inovadora”.

2. Cultura organizacional é importante.

Não sei se proposital ou não, a média de tempo do CEO no cargo é de 5 anos, e foi assim nas últimas 4 décadas. Ou seja, a fonte de inovação da 3M não vem de uma pessoa, mas das milhares de pessoas que compartilham da mesma filosofia deixada por William McKnight, o mais importante presidente da 3M –  e o último a ficar mais de 10 anos no cargo (37 para ser mais exato). Os novatos conhecem as histórias de como foram criados velhos produtos, sentem orgulho, falam sobre elas e vivem em um clima de autonomia e inspiração criado muitas décadas atrás.

3. Conhecimento vasto em diversas áreas.

Como a tecnologia por trás de lentes de óculos ajudou os cientistas da 3M a criar abrasivos mais duradouros, placas de trânsito mais reflexivas e luvas de golfe com maior atrito sem precisar apertar mais? Não sei como, mas ajudou. A empresa acredita que conhecer bem diversas tecnologias ajuda a resolver problemas que apenas uma especialidade não conseguiria — a velha e boa interdisciplinariedade. Por isso, ela possui profissionais que dominam, pelo menos, 42 tecnologias diferentes.

4. Integração.

Se Steven Johnson e seu conceito de “slow hunch” (que diz que grandes ideias são concebidas pela metade e é preciso de tempo ou de outra pessoa para completá-la) estiver correto, então esse é o segredo da 3M. De fato, Larry considera a conversa a arma secreta da sua empresa. A 3M estimula o networking tanto formal quanto informal; realizando simpósios onde os cientistas podem ver o trabalho dos outros e através de uma estrutura onde eles podem se conhecer melhor e descobrir para quem podem ligar quando tiverem alguma dúvida ou precisarem formar uma equipe.

5. Premiação.

Na 3M é possível continuar crescendo na empresa sem precisar se tornar gestor. Isso é fantástico! Porque a gente sabe que um profissional pode ser um grande especialista e um péssimo gestor. Veteranos se tornam 3Mers, enquanto centenas de outros funcionários têm a chance de serem indicados e selecionados por colegas para concorrerem a prêmios em um grande evento anual.  Os 20 melhores ganham uma viagem de 4 dias com suas esposas/esposos com tudo pago.

6. Avaliação.

Inovação custa dinheiro, por isso é preciso analisar os resultados. A empresa calcula quanto de receita está vindo dos produtos lançados nos últimos 4 anos e compara com o montante investido. Isso ajuda a ver se o dinheiro está sendo investido da forma apropriada e quais laboratórios — ao redor do mundo — estão se saindo melhor.

7. Gaste tempo com consumidores.

Funcionários sabem da importância de alinhar suas pesquisas às necessidades dos consumidores. Não são cientistas loucos querendo inventar coisas que satisfaçam seu próprio ego. A 3M se tornou a empresa que é hoje por criar produtos relevantes — enquanto milhares de outras fracassaram. O Post-It Photo Paper surgiu da percepção de que as pessoas tiram um monte de fotos que são difíceis de encontrar no computador ou no fundo do armário. Por que não uma foto que pode ser colada em qualquer lugar? Bingo!

O próprio Larry sabe que cada empresa tem seu próprio jeito de gerar inovação, e diz que isso foi o que funcionou na 3M. No entanto, o grande pesquisador acredita que esses 7 pilares da inovação podem ajudar qualquer empresa a inovar mais. E eu também.

Este é o tipo de coisa que só se vê fora do Brasil.  Loja de ideias, sério? Apesar de não ter fins lucrativos e não ser uma loja propriamente dita, o conceito é muito interessante.

Idealizada por dois artistas americanos do Brooklyn, a Idea Store podia ser conferida em uma feira de arte que aconteceu em Washington DC, a (e)merge. De um jeito encantadoramente simples, você podia comprar qualquer ideia por 2 centavos de dólar e oferecer a sua por 1 centavo. Os assuntos eram variados e iam dos tradicionais como moda, arte, tecnologia e comida até outros mais abstratos como bom-senso, moralidade, histórias e justiça.


Soube desta “loja” enquanto lia o livro do Steven Johnson, Where Good Ideas Come From,  onde ele explica científicamente como ideias são criadas a partir de várias partes, de diferentes experiências e interações com o ambiente e pessoas. A melhor maneira de ter uma boa ideia não é ficar sentado olhando para o teto com um pedaço de papel e caneta. A melhor maneira de ter uma boa ideia é encontrar as várias pecinhas que a compõe. Onde elas estão? esse é o problema.

Créditos: Daniel Pink Blog

Talvez o mais disruptivo homem de negócios do mundo. Conselhos valiosos para quem quer romper barreiras, fazer diferente e encarar a vida como uma grande e desafiadora aventura.

Os fundadores do Google Sergey Brin e Larry Page não foram inovadores, eles foram “melhoradores” (Tweakers). Quem disse isso foi um dos caras mais influentes dos negócios hoje, Malcolm Gladwell, em sua palestra no Cannes Lions deste ano.

Quem usou o AltaVista ou Yahoo! para procurar algo na internet dos anos 2000, deve lembrar da diferença de desempenho ao comparar com o Google. Brin e Page não foram os primeiros nem os segundos a criarem um buscador de internet, mas eles criaram o melhor de todos. Algo que dificilmente teriam conseguido se os outros já não estivessem no jogo. Entre os assuntos que mais se fala em artigos, livros e palestras hoje em dia está a capacidade de melhorar algo. De pegar uma ideia que não deu certo, aprender com seus erros e tentar de novo –  e melhor. Ou algo que está dando certo, e criar algo melhor ainda e revolucionar o mercado. No entanto, ainda há um forte paradigma a ser quebrado. O de que todas as empresas precisam ser inovadoras. Aliás, eu não sei se isso é um paradigma ou um paradoxo.

Paradigma: as empresas querem ser inovadoras e criar produtos originais.

Parodoxo: as empresas resistem às mudanças e rejeitam ideias revolucionárias demais, e acabam investindo em coisas que já existem no mercado.

Poucas empresas agem como tweakers — melhorando ao extremo algo já criado. Ou as empresas criam algo 100% novo e dá errado ou elas criam algo 100% copiado e dá errado. O problema com o novo é que as chances do primeiro errar são enormes, além disso é preciso vencer o medo dos consumidores e educá-los. Quem entra no mercado depois — como Gladwell defende — se depara com um mercado já preparado, conhecendo os erros do concorrente (e daquela tecnologia ou processo) e uma demanda latente. Como um novo produto encontra muita resistência, ele geralmente é consumido pelos famosos early adopters, enquanto a “massa” dos consumidores aguardam até o mercado ganhar forma para aderir a ele.

Gladwell citou Xerox, Lycos, AltaVista, Friendster, MySpace e até Apple para sustentar a sua ideia de que “chegar atrasado” em um mercado é algo bom. Quem vem depois têm a vantagem de aprender com os erros dos outros, “você não tem que ser inovador para ser um bom empreendedor. Você pode pegar algo e fazer melhor”, disse.

Na minha opinião, uma das melhores empresas tweaker é a Microsoft. Eu acho que ela não foi a 1ª em nada. Até mesmo o sistema que veio a se tornar o Windows, foi comprado por Bill Gates que o melhorou antes de oferecer à IBM e começar a escrever o nome da Microsoft na história. Seu videogame comeu poeira do líder PlayStation 2 até superá-lo em vendas na geração seguinte, além de criar o aparelho que vendeu mais rápido da história — que podemos considerar um Wii sem controle. Recentemente, a empresa entrou em uma nova briga de peso-pesado: smartphones.  Seu Windows Phone ainda é subestimado, mas as previsões dizem que deve quadruplicar seu market-share até 2015, superando BlackBerry e até o iPhone.

Vale ressaltar, que ser o primeiro da categoria o é uma enorme vantagem competitiva. Al Ries sempre disse isso e acho que nem mesmo Malcolm Gladwell discorda, mas ao olharmos para o passado, vemos que as empresas  líderes de mercado hoje não foram, de um modo geral, as que criaram a categoria. Mais por incompetência delas do que por mérito dos outros. Quem chega depois, sempre se esforça mais justamente por estar “atrasado”.

O mercado precisa de tweakers, profissionais e empresas com capacidade de pegar algo e melhorá-lo 100 vezes. Com sorte, uma empresa assim será percebida como a número 1, porque logo ninguém irá lembrar quem foi o primeiro. No final das contas, ninguém liga para o primeiro, as pessoas ligam para o melhor.

Inovação é quantidade

16 de junho de 2011 • TEMAS: Negócios / /

Qual empresa vem à sua cabeça quando pensa em inovação? Meu palpite: Apple, Google, Toyota ou 3M. Essas empresas estão fundamentadas na cultura da inovação, permitindo que seus funcionários contribuam com o máximo de ideias que conseguirem através de um ambiente acolhedor, divertido, inspirador e cheio de autonomia. No entanto, se fossemos eleger as empresas mais inovadoras de todos os tempos, as empresas citadas não estariam no TOP 15. Ao menos, segundo o Business Insider.

Para ser considerada uma das empresas mais inovadoras da história, é preciso que suas invenções realmente tenham gerado um enorme impacto na sociedade ou na indústria, e não apenas uma vez. Não existe fórmula para criar uma empresa inovadora, mas empresas invadoras têm algo em comum: um inacreditável volume de ideias. Essas ideias geram patentes que, com sorte, irão resultar em algum novo produto e, com raridade, revolucionar o mercado.

Se somarmos o número de patentes da General Electric e da IBM no mundo todo, chegamos a 1,5 milhão de patentes. Para se ter uma ideia, em 2009 (ano de crise) a Toyota registrou 1.000 patentes no mundo, mais do que todas as empresas brasileiras juntas! E não foi apenas a Toyota que ganhou do Brasil; Motorola, Microsoft, DuPont, LG e Panasonic também. Fato é que, quando se trata de inovação e criatividade, volume importa. Ao bom e velho estilo Thomas Edison: 1% inspiração e 99% transpiração.

As empresas mais inovadoras do mundo engavetam mais ideias por ano do que a maioria das empresas teriam durante toda sua vida. É preciso ter muitas ideias, muitas ideias ruins para se chegar a uma com razoável potencial. Não existe atalhos! Segundo o criador do Post-It, “é preciso passar por 5000, 6000 ideias para encontrar uma boa para os negócios”. E dentre as que dão certo, apenas algumas mudam o mundo.  Abaixo, estão algumas dessas raras ideias lançadas por empresas altamente inovadoras. Algumas eu nem sabia quem havia inventado, espero que você também não :)

O trabalho de Steve Jobs

31 de maio de 2011 • TEMAS: Digital / Negócios / / /

O veterano engenheiro da Apple Mike Evangelist uma vez foi encarregado de liderar a equipe de design de um programa para gravar DVDs do Mac. Seu time desenvolveu dúzias de esboços altamente sofisticados e os reuniu numa apresentação para Steve Jobs. A seguir, Mike descreve o que aconteceu: “Ele pegou uma caneta piloto e foi para o quadro branco. Desenhou um retângulo e disse ‘aqui está a nova aplicação’. Tem uma janela. Você arrasta o seu video para a janela, então clica no botão BURN. Só isso. Isso é o que vamos fazer.”

Mais:

1. Toda as segundas-feiras, Steve Jobs avalia(va) cada produto na fase de desenvolvimento.
2. Uma vez, ele pediu que uma amostra do mármore que seria usado em uma Apple Store fosse enviado primeiro para ele.

Poderíamos dizer que ele pratica o que se chama de micromanagement, ou em uma linguagem mais popular: centralização. Isso poderia ser um problema se Steve Jobs não fosse Steve Jobs. Fato é que design (leia-se: mais do que estética, usabilidade) é o que faz da Apple única, e é preciso ser bastante chato para assegurar que os consumidores tenham o que esperam –  e da Apple, todo mundo espera algo fantástico.

Quando você tira uma empresa à beira da falência e a coloca no topo dos negócios, cria empresas como NeXT e Pixar… acho que tem o direito de ser um pouco concentrador. Na verdade, esse é o seu trabalho.

Este post contém trechos do artigo: “Why Apple Is Doomed”

Habilidade não é nada sem oportunidade”, disse Napoleão Bonaparte refletindo sobre estratégia. E o que é uma oportunidade sem ter tempo e a visão necessária para enxergá-la? Ela pode ser a salvação de uma empresa, a consolidação de uma marca, gerar muito lucro,  criar uma nova categoria ou tendência, etc; em uma palavra, oportunidade significa sucesso em potencial.

Certamente, nem toda oportunidade gera sucesso, mas todo sucesso vem de uma oportunidade. Partindo dessa premissa, é de se imaginar que as empresas possuam uma equipe para desenvolver novas ideias e disseminar a cultura da inovação. Exceto pelo fato de que isso não acontece, e na maioria das empresas é melhor você ficar na sua se não quiser ser mal visto.

Harvey Mackay é um dos executivos mais experientes dos Estados Unidos, ele conhece pessoas e estilos gerenciais como poucos, e eu acredito quando ele diz que hoje ninguém pensa nas empresas. Na verdade, não é de hoje, sempre foi assim e, embora acredite que esteja mudando, a velocidade está muito aquém do necessário. Harvey sugere algo inusitado: quando você ver algum funcionário seu olhando para a parede, pare e o elogie; porque ele está pensando. Claro que ele pode estar pensando na balada do dia anterior ou analisando as estatísticas do seu time no Brasileirão, mas não importa, isso demonstra que a empresa valoriza ideias. E ninguém tem as melhores ideias se tiver o tempo todo atolado de serviço.

Sua empresa está mais preocupada em realizar tarefas rotineiras ou em enxergar oportunidades? Tarefas diárias como metas, planilhas, reuniões, planos de ação e responder e-mails é o básico, é preciso fazer ou a empresa não chega ao mês seguinte. Criar ideias, iniciar projetos e visualizar oportunidades é o futuro, são apostas que não costumam trazer resultados a curto-prazo (por isso, poucos fazem). A justificativa de muitos gerentes é que não há tempo para isso, mas se você não tiver tempo para isso hoje, terá todo o tempo do mundo quando for demitido.

Estima-se que o ser-humano usa de 2% a 10% da região do cérebro responsável pelos pensamentos, ideias e emoções. Ou seja, as pessoas passam 98% do dia em atividades que não utilizam a maior capacidade humana: pensar. Batizada de “região executiva”, o córtex pré-frontal é o que difere um profissional comum de um talentoso — e basicamente o que faz a diferença hoje. Os cargos mais bem pagos são aqueles exigem adaptabilidade, criatividade, capacidade de análise e domínio das emoções. Tem cada vez menos espaço no mercado para profissionais e empresas “ligados no automático”.

Talvez a questão seja um pouco mais complexa, não é uma simples questão de dar tempo para os funcionários pensarem e contribuirem com ideias. A maioria das pessoas foram programadas para realizar tarefas específicas, culpa da baixa qualidade do nosso ensino, da sociedade e, claro, das próprias empresas. É preciso ensiná-las, oferecer incentivos e ser específico.

Seja você um gestor, empresário ou um jovem profissional lutando pelo seu sucesso, seu trabalho é pensar,  fazer as pessoas contribuirem e espalhar a cultura de que elas são pagas para isso, mesmo que não esteja em contrato nenhum, mesmo que ninguém tenha falado para fazer. Criar uma equipe para pesquisar tendências e compartilhar com os colegas; pedir que os funcionários tragam pelo menos uma ideia para o coffee break quinzenal e  agradecer todas as sugestões enviadas por e-mail por mais inocentes que sejam, são apenas algumas providências que se pode tomar para estimular isso. Ninguém mais é bem pago para fazer algo que qualquer pessoa faz, o mundo não é mais dos fortes, e sim dos inteligentes.

Thomas Edison foi um dos caras mais incríveis que humanidade já teve. Não somente porque ele inventou o telefone, a lâmpada incandescente, patenteou milhares de invenções e abriu 6 empresas que hoje estão avaliadas em mais de $1 trilhão de dólares. Mas, principalmente, porque Edison tinha além de um talento incrível, visão de mercado. Ele entendia 150 anos atrás que algo só tem valor se for útil. E é essa utilidade que transforma uma invenção em um produto de sucesso. Talvez esse seja o motivo que tornou Edison diferente de muitos outros inventores de sua época. Suas invenções não eram apenas “bacanas”, eram do tipo que as pessoas não conseguiam viver sem.

Para estimular a inovação nos negócios, existe o Edison Awards. O prêmio homenageia produtos que estão no mercado e são sinônimos de inovação, úteis e também sucesso de vendas. Os critérios de escolha seguem os princípios e ensinamentos de Edison. Selecionei alguns das edições 2009 e 2010 que valem à pena conferir. Reparem como as ideias são simples, mas muito poderosas.

Empresa: 3M
Produto: Pocket Projector
O que faz: Como o nome já diz, o pequeno aparelho projeta imagens na TV.
Porque é inovador: Já viram o tamanho de um projetor? E o quão ruim é mostrar a tela do notebook para todos numa reunião?

Empresa: General Mills
Produto: Betty Crocker – Mixes
O que é: Linha de produtos sem glútem que incluem biscoitos, salgadinhos, bolos e produtos congelados.
Porque é inovador: Existem milhares de marcas de alimentos, nenhuma havia pensado em lançar produtos especialmente para pessoas celíacas ou com intolerância ao glúten.

Empresa: CarMD
Produto: CarMD Handheld Car Tester e Software Kit
Porque é inovador: Pela primeira vez, pessoas que não entendem nada de mecânica podem descobrir sozinhas onde está o problema ou se está na hora de fazer alguma manutenção. Basta conectar no carro e depois no computador para obter informações.

Empresa: Apple e Google (Android)
Produto: iPhone e celulares Android [o iPhone ficou em 1º e o Android em 2º]
Porque é inovador: Basta dizer que esses 2 produtos revolucionaram o mercado dos celulares e, pela primeira vez, conseguiram ameaçar a liderança do BlackBerry.

Empresa: Amazon.com
Produto: Kindle 2
Porque é inovador: Um aparelho que armazena mais de 1000 livros, cuja bateria dura semanas, baixa livros em qualquer através da rede 3G e tem apenas 1cm de espessura com 290 gramas, é ou não é inovador?

Empresa: Apple
Produto: MacBook Air
Porque é inovador: Thomas Edison acreditava que inovação residia não apenas no mundo da tecnologia, mas no mundo do design. Ele se focava em criar produtos que se encaixassem ao estilo de vida das pessoas e sem prejudicar a alta performance. O MacBook Air manteve o desempenho mesmo sendo um laptop ultra-fino e leve.

Empresa: -
“Produto”: Campanha do Obama
Porque é inovador: Edison acreditava que inovação era uma força social. Poucos políticos na história da humanidade engajou tantas pessoas como Barack Obama, o carismático líder e primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Obama foi o primeiro a usar toda a força da internet na sua campanha eleitoral. Resultado: não apenas ganhou,  mas levou o maior número de americano às urnas até hoje.

Empresa: Pulse
Produto: Livescribe Pulse SmartPen
Porque é inovador: Se no futuro as pessoas ainda usarem canetas para escrever, serão SmartPens. A caneta criada pela Pulse grava áudio (inclusive à distância), reproduz áudio; ou seja, você pode gravar e anotar o que o professor está dizendo, se ficar pra trás, é só apertar o play. Além disso, tem uma câmera infra-vermelha que promete gravar tudo que é escrito no papel. Impressionante!

Empresa: Tide (Ace no Brasil)
Produto: To Go
Porque é inovador: No seu horário de almoço você tem o azar de respingar um suculento molho de tomate na camisa. Não tem como ir em casa, o que faz? Basta tirar o Tide To Go do bolso e passar na mancha. Parece mentira, mas as opiniões de quem usou são bastante positivas. É o tipo do produto que as pessoas duvidam que funcione, mas se funcionar, ficam maravilhadas. E o Tide To Go parece cumprir sua promessa.

Empresa: Nintendo
Produto: Wii Fit
Porque é inovador: O Wii trouxe a diversão casual de volta aos games. O Wii Fit trouxe a saúde para dentro dos games pela 1ª vez. As pessoas sempre jogaram videogames sentadas num sofá, onde a única parte do corpo exercitada eram os dedos. No Wii Fit todo o corpo é usado e você pode praticar exercícios de maneira muito mais divertida. Podia ser um fracasso, mas o Wii Fit ajudou muitas pessoas a perderem peso ou ao menos tirarem a imagem de que videogames é coisa de sedentário.

Quem quiser conhecer os outros premiados: edição 2009 / edição 2010