Você está em ‘gurus’

Se na Bíblia existissem 10 mandamentos para o sucesso do homem, tanto pessoal como profissional, seriam mais ou menos assim:

I

Trabalharás cada dia, como se disto dependesse a sua vida.

II

Aprende que, com paciência, poderás controlar o teu destino.

III

Planeja tua rota com cuidado ou ficarás à deriva para sempre.

IV

Prepara-te para a escuridão, enquanto viajas à luz do sol.

VI

Tenhas consciência de que seu plano não é nada mais que um sonho indolente, enquanto não se puser de pé e lutar.

VII

Afastas a teia de aranha da tua mente, antes que sejas aprisionado por ela.

VIII

Suaviza a tua carga se pretendes chegar ao teu destino.

IX

Nunca esqueça que o agora é sempre mais tarde do que pensas.

X

Jamais procures ser diferente do que és.

[Extraído do livro "O Maior Sucesso do Mundo", de OG Mandino]

Dois meses depois da morte de um dos maiores especialistas em estratégia corporativa do mundo, C.K.Prahalad, um grupo ambientalista — formado por várias empresas de tecnologia — lançou, esta semana, o 1º prêmio em sua homenagem. O objetivo é tornar o Vale do Silício a região referência em tecnologia verde e ideias ambientalmente corretas.

Notícia no mundo inteiro nesta segunda-feira, o primeiro vencedor é o presidente do Walmart Brasil, Héctor Núñez (que não é brasileiro ) pelo empenho em assegurar que seus fornecedores produzam de forma ambientalmente responsável.

C. K. Prahalad foi (e continuará sendo) um dos semi-deuses da Administração – ao lado de Peter Drucker, Michael Porter, Philip Kotler e outros. Foi eleito o homem mais influente do mundo dos negócios em 2009 e uma de suas obras está entre as 10 mais importantes da história, segundo Harvard. Ficou muito conhecido no começo da década de 90 pelo seu conceito de competência central, aquela velha árvore usada na sala de aula onde o tronco é a estratégia-chave da empresa e os ramos são segmentos, produtos e serviços. Também foi o primeiro a defender que vender para as classes mais pobres era um mercado lucrativo. Prahalad era doutor em administração por Harvard e professor da Universidade de Michigan. Seu livro “Competindo pelo Futuro” é leitura obrigatória para todo executivo até hoje. O último livro lançado foi em 2008, chamado “A Nova Era da Inovação”.

A cerimônia de entrega do prêmio acontecerá em um fórum ecológico em São Francisco, na Califórnia, onde empresas gigantes (como Microsoft, Coca-Cola e GE) discutem estratégias e novidades relacionadas ao meio-ambiente e negócios. O 1º C. K. Prahalad Global Sustainability Leadership Award deve premiar, todos os anos, a empresa que melhor unir inovação com sustentabilidade.

Fonte: WSJ

O óbvio

12 de março de 2010 • TEMAS: Marketing / /

Às vezes, é possível conseguir um grande feito fazendo algo tão pequeno, tão insigificante — para nós — que ficamos surpresos. Os americanos usam a expressão no-brainer para descrever algo que fazemos sem nos darmos conta de tão fácil ou óbvio que é. O óbvio é assim, uma espécie de modo automático de pensamento. Acontece que o marketing trabalha com pessoas, e o consumidor talvez seja o mais heterogêneo grupo que existe. Um bom marqueteiro entende isso, conhece o seu produto, mas conhece muito mais o público.

Max Gehringer tem uma história para nós, contada no seu livro “Pergunte ao Max”:

Trabalhava em uma empresa que produzia batatinhas fritas. Tínhamos uma liderança enorme e folgada, coisa de 70% do mercado. Um dia, um concorrente escreveu no pacotinho de batata dele: “Não contém colesterol”. Uma semana depois, nossos gerentes começaram a ligar, perguntando se também iríamos eliminar o colesterol de nosso produto. Respondi a eles que nossa batata não tinha colesterol. Era óbvio. Batatas são fritas em óleo vegetal, e óleo vegetal não tem colesterol. Só gordura de origem  animal tem colesterol. Mas o que era óbvio para mim, não era óbvio para o consumidor. As vendas começaram a cair, até que me rendi ao óbvio. Pedi para escrever bem grande no pacotinho: “Totalmente sem colesterol”. As vendas voltaram ao normal. Houve até consumidor que escreveu elogiando o “novo sabor” da batatinha. Aprendi que, nas empresas, boa parte dos mal-entendidos ocorre porque a gente esquece de repetir o óbvio.

Se você é um jovem profissional como eu, provavelmente sua bagagem literária traz nomes como Jack Welch, Chris Anderson, Al Ries, W. Chan Kin & Renee Mauborgne, Paco Underhill, Seth Godin, Malcom Gladwell, Stephen Covey e outros. Todos revolucionaram o mundo dos negócios recentemente com algum conceito moderno como A Cauda Longa ou o Oceano Azul ou Vaca Roxa ou buzz marketing.

Um outro grupo all-stars dos negócios é composto por Michael Porter, Philip Kotler, Peter Druker, Theodore Levitt e C.K. Pralahad. Esses são os maiores gurus que o mundo corporativo já viu, cuja contribuição para as empresas é inestimável. Eles são hoje, o que os autores modernos serão amanhã.

Todo grande guru já teve um artigo publicado na Harvard Business Review possivelmente a revista de administração mais antiga do mundo. Fundada em 1922, a publicação trouxe ensaios que viriam mudar o mundo em livros, palestras e em universidades ao redor do globo.

A Harvard Business Review colocou à venda uma edição especial com os 10 Mais Importantes Artigos da História. Segundo Harvard, se tudo que você pudesse ler fossem 10 artigos, que sejam estes:

1) “Meeting the Challenge of Disruptive Change” (Conhecendo o Desafio da Mudança Disruptiva), por Clayton M. Christensen e Michael Overdorf. Explica porque tão poucas empresas conseguem inovar e ser bem-sucedidas.

2) “Competing on Analytics” (Competindo com Análises) por Thomas H. Davenport. Explica como usar dados e análises para saber o que os consumidores querem,  quanto eles estão dispostos a pagar e o que os torna leal.

3) “Managing Oneself” (Administrando a Si Mesmo), por Peter F. Drucker. Nos encoraja a ir a fundo dentro de nós, respondendo perguntas como “quais são os nossos pontos fortes” e “qual é o meu lugar?”.

4) “What Makes A Leader?” (O que torna um líder?), por Daniel Goleman. Nada de QI ou habilidades técnicas, mas inteligência emocional.

5) “Putting the Balanced Scorecard to Work” (Colocando o BSC pra Funcionar), por Robert S. Kaplan e David P. Norton. Passo-a-passo com exemplos reais de empresas que usam o balanced scorecard pra avaliar desempenho e definir estratégia.

6) “Innovation: The Classic Traps” (Inovação: Armadilhas Clássicas), por Rosabeth Moss Kanter. Lições extraídas de inovações que deram errado no passado.

7) “Leading Change: Why Transformation Efforts Fail” (Liderando a Mudança: Porque Esforços de Transformação Falham), por John P. Kotter. Transformação é um processo não um evento. Leva anos, não semanas e não se pode pular nenhuma etapa.

8) “Marketing Myopia” (Miopia de Marketing), por Theodore Levitt. O artigo que deu origem à bíblia do marketing escrito por Kotler fez os gestores refletirem: “qual é o meu negócio?”. Em outras palavras, definir o foco.

9) “What Is Strategy?” (O Que É Estratégia?), por Michael Porter. A concorrência pode facilmente copiar a sua eficiência operacional, mas eles não podem copiar seu posicionamento estratégico — o que distingue você dos demais.

10) “The Core Competence of the Corporation” (As Competências Essenciais de uma Corporação), por C.K. Prahalad and Gary Hamel. Apresentou didaticamente o conceito da árvore como estrutura organizacional. O tronco e os galhos são os produtos carro-chefe da companhia, os ramos são as unidades de negócios, as folhas frutos são os produtos finais. Cultivar de modo a manter o tronco e os galhos fortes  são as competências essenciais de toda empresa.

NOTA: A tradução entre parênteses são de minha autoria e pode não coincidir com as versão brasileira.

Qual o básico do branding?

18 de fevereiro de 2010 • TEMAS: Marcas / / / /

O blog Branding Strategy Insider tem uma seção muito legal na qual os idealizadores do site –  especialistas na área – tiram dúvidas de marketing e branding dos leitores. Brad VanAuken autor do best-seller Brand Aid respondeu a uma pergunta muito pertinente de uma profissional de marketing de Wisconsin, nos EUA. Seja qual for o seu conhecimento sobre branding, vale à pena ler.

”Eu estou me preparando para explicar aos diretores de uma organização sem fins lucrativos (pastores) que branding é muito mais do que brochura, cartões de visita e papelaria. Branding é toda a experiência do usuário final (pessoas que procuram nossa igreja).

Você tem alguma outra explicação que demonstre os diferentes recursos utilizados no branding? (Atendimento ao consumidor, primeira experiência, próximas experiências, valor percebido). Os líderes não ouvem o que digo. Eles acham que estou apenas demonstrando minha opinião. Eu preciso de uma boa evidência ou fatos ou pesquisa que expliquem isso.”

Kristen, obrigado por perguntar. Uma marca é a fonte da promessa dos seus consumidores. Ela promete benefícios diferentes e relevantes, logo deve entregar a promessa com base nesses benefícios. Então, branding começa com a identidade de marca (nome, logo, slogan, cores, etc) e linha de comunicação, mas é reforçada o tempo todo a cada contato com a marca. A marca é a soma total de todas as experiências dos consumidores uma vez que elas estão enraizadas na mente do consumidor. Marcas podem oferecer uma grande variedade de benefícios: funcionais, emocionais, experienciais e pessoais. Meu palpite é que igreja se baseie nos três últimos.

Por definição, posicionamento de uma marca é definido com base nas marcas concorrentes, então sua igreja está competindo com outras igrejas locais da mesma denominação ou até de outras, e talvez até com programas transmitidos pela TV.

Em algum domingo, talvez ela concorra com uma ou duas horas a mais de sono, uma partida matinal de golf, uma xícara de café com jornal ou mesmo uma caminhada no parque. Eu recomendaria o livro “The Varieties Of Religious Experience: A Study In Human Nature” para entender os diferentes tipos de benefícios que igrejas entregam aos fiéis. Igrejas devem sustentar seu diferencial com base em uma em todas as promessas abaixo:

  • Esperança no futuro
  • Reafirmação
  • Força em momentos difíceis
  • Cura física, mental e espiritual
  • Fortalecimento de ser uma boa pessoa
  • Estimulação intelectual
  • Espaço de silêncio
  • Simpatia por pessoas que compartilham os mesmos valores
  • Uma ou duas horas de beleza (música, pinturas no teto, vidraças, etc)
  • Sensação de proximidade com Deus
  • Culpa
  • Reforçar: “eu sou uma boa pessoa”
  • Guilt
  • Medo do inferno
  • Sensação de cumprir com a obrigação
  • Sensação de inclusão
  • Auto-aprimoramento – desafiar-se a ser uma pessoa melhor
  • Aumentar a auto-estima – Sou amado por Deus
  • Visão mais abrangente do universo
  • Sensação de ordem no meio do caos
  • Sentir-se diferente dos outros
  • Sentir-se mais conectado com os outros
  • Sensação de bem-estar
  • Força pessoal
  • Compromisso em ajudar a comunidade (ou o mundo)
  • Conceito mais profundo de paz
  • Graça
  • Gratidão
  • Alegria
  • Constrição
  • Inspiração
  • Expansão
  • Sensação de missão ou de ter um propósito

Tudo depende de qual é o propósito da sua igreja e que benefícios são considerados os mais importantes.

Arte é o que você faz de melhor

25 de janeiro de 2010 • TEMAS: Filosofando / /

Interessante a definição de arte dada por Seth Godin: “Arte não tem anda a ver com tinta a óleo ou mármore. Arte é o que nós criamos quando estamos fazendo nosso melhor trabalho”. Na nossa vida, arte contém três elementos principais:

  1. Arte é feita por humanos.
  2. Arte é criada para ter um impacto, para mudar alguém.
  3. Arte é um dom. Você pode vender um souvenir, um quadro, um disco… mas a ideia em si é grátis, e essa generosidade é a parte mais importante de fazer arte.

Eu sei que maus clientes não leem blogs, se é que leem alguma coisa. E embora eu ache que as agências de propaganda também tem sua parte de culpa nisso, maus clientes são um saco.

David Ogilvy escreveu mais de 20 anos atrás sobre como ser um bom cliente, além de como ser um bom publicitário, é claro. Se você nunca leu, esta é a oportunidade. Porque o mercado, de maus clientes, já está saturado.


1. Selecione a agência certa em primeiro lugar.
2. Liberte a sua agência do medo.
3. Ajude a construir um briefing profundo e rico de informações.
4. Não dispute com a área de criação da sua agência. [caso contrário, pra que ter agência?]
5. Cozinhe lentamente a galinha dos ovos de ouro. (dê tempo e recursos suficientes para se fazer um bom trabalho. Criatividade é inimiga do tempo.)
6. Não reaproveite a sua propaganda em muitos meios nem durante muito tempo.
7. Permita que sua agência lucre e cresça.
8. Não barganhe com a sua agência, ou eles economizarão criatividade e dedicação.
9. Seja justo e encoraje a sinceridade.
10. Defina altos padrões.
11. Não perca tempo com pequenos problemas (volte-se para os sucessos e abandone os fracassos).
12. Tolere os prodígios.
13. Não economize. A maneira mais certa de se gastar muito dinheiro na propaganda é não gastando o suficiente para que o trabalho saia bem feito na 1ª vez.

Em vermelho, alguns nomes que eu gostaria de destacar.

# Name País Atividade
1 C.K. Prahalad India/EUA Acadêmico – University of Michigan
2 Malcolm Gladwell Canadá Colunista do New Yorker e escritor
3 Paul Krugman EUA Colunista do NY Times, Prêmio Nobel de economia, professor e escritor.
4 Steve Jobs EUA CEO da Apple
5 W Chan Kim & Renée Mauborgne Korea/EUA Acadêmicos – Insead. Autores de “A Estratégia do Oceano Azul”
6 Muhammad Yunus Bangladesh Economista e fundador do Grameen Bank
7 Bill Gates EUA Fundador da Microsoft e filántropo
8 Richard Branson Inglaterra Empresário e fundador da Virgin
9 Philip Kotler EUA Acadêmico – Northwestern University
10 Gary Hamel EUA Consultor e co-fundador do Mlab
11 Michael Porter EUA Acadêmico – Harvard
12 Ratan Tata India Chairman da Tata
13 Ram Charan India Coach executivo
14 Marshall Goldsmith EUA Coach executivo
15 S.Kris Gopalakrishnan India Co-fundador e CEO da Infosys
16 Howard Gardner EUA Acadêmico – Harvard
17 Jim Collins EUA Consultor
18 Lynda Gratton Inglaterra Acadêmico – London Business School
19 Tom Peters EUA Consultor e escritor
20 Jack Welch EUA Executivo aposentado
21 Eric Schmidt EUA CEO do Google
22 Joseph Stiglitz EUA Columbia Academic
23 Kjell Nordstrom & . Ridderstrale Suécia Palestrantes e acadêmicos
24 Vijay Govindarajan India/EUA Acadêmico residente na GE
25 Marcus Buckingham Inglaterra Palestrante
26 Richard D’Aveni EUA Acadêmico – Dartmouth
27 Rosabeth Moss Kanter EUA Acadêmico – Harvard
28 Clayton Christensen EUA Acadêmico – Harvard
29 Stephen Covey Inglaterra Palestrante e escritor
30 Thomas Friedman EUA Colunista New York Times
31 David Ulrich EUA Acadêmico – University of Michigan
32 Roger Martin Canadá Reitor da University of Toronto Business Information Centre
33 Henry Mintzberg Canadá Acadêmico – McGill
34 Daniel Goleman EUA Consultor e autor de “Inteligência Emocional”
35 Chris Anderson EUA Editor-chefe da Wired e autor de “Cauda Longa”
36 Warren Bennis EUA Acadêmico – University Southern California
37 Robert Kaplan&David Norton EUA Consultores
38 Jeff Immelt EUA CEO da General Electric
39 Don Tapscott Canadá Consultor
40 Nassim Taleb Líbano Acadêmico
41 John Kotter EUA Acadêmico – Harvard
42 Niall Ferguson Inglaterra Acadêmico da Harvard e Oxford
43 Charles Handy Irlanda Escritor
44 Rakesh Khurana India/EUA Acadêmico – Harvard
45 Manfred Kets De Vries Holanda Acadêmico – Insead
46 Tammy Erickson EUA Author and Consultant
47 Costas Markides Chipre Acadêmico – London Business School
48 Barbara Kellerman EUA Acadêmica – Harvard
49 Rob Goffee & Gareth Jones Inglaterra Acadêmicos
50 Jimmy Wales EUA Co-fundador do Wikipedia

Fonte: Forbes e Crainer Dearlove consultoria

A hierarquia do sucesso

14 de setembro de 2009 • TEMAS: Comportamento / Filosofando / /

Por Seth Godin

Eu acho que é mais ou menos assim:

1. Atitude
2. Abordagem
3. Metas
4. Estratégia
5. Tática
6. Execução

Nós gastamos todo o tempo na execução. Use isto ao invés daquilo. Este serviço de hospedagem. Aquela cor. Este material ou aquela frequência de e-mail.

Boas notícias: ninguém nunca foi bem-sucedido por executar táticas aprendidas num livro para dummies.

Táticas lhe dizem o que executar. Elas são importantes, mas são sempre limitadas pela estratégia. Ela determina que táticas podem funcionar. Mas qual o papel da estratégia se suas metas não são claras ou são contraditórias?

Isso nos leva às duas primeiras (do topo da hierarquia), que por sinal nós nunca escutamos falar.

Abordagem determina como você encara o projeto (ou sua carreira). Você lê um monte de livros? Faz um monte de perguntas? Usa ciência e testes ou vai na fé? Você é um dominador? Você é um lifehacker? [lifehacker é um termo inglês difícil de traduzir, foi apresentado pela 1ª vez por um jornalista britânico em uma conferência em 2004. O termo refere-se a uma pessoa que consegue destrinchar uma montanha de informação em busca da solucão para seus problemas diários, geralmente utilizando a tecnologia, como e-mail e feeds.] Quando foi a última vez que você admitiu estar errado e mudou o rumo das coisas só pra corrigir o erro? Quase todo mundo tem um estilo, e se você escolher o errado, então nem toda a estratégia, tática e execução do mundo funcionará direito.

Na minha opinião, o mais importante de toda a hierarquia se chama atitude. Por que você está fazendo isso mesmo? Como está a sua disposição em lidar com as pessoas e problemas?

Mais algumas perguntas:
• Como você lida com fracasso?
• Quando desistir?
• Como você trata os concorrentes?
• Que tipo de personalidade você procura na hora de contratar algupem?
• O que você acha que vai funcionar? Por quê? Essa é uma escolha deliberada?
• Que tipo de decisão você toma quando ninguém está por perto?

Claro, você pode começar por baixo, focando-se na execução e credenciais. Ler um típico (ou freqüentar uma típica escola por 16 anos), parece que isso é o que você deve ter feito. Que desperdício.

Não é estranho que essas seis perguntas são tão importantes e quase ninguém nunca fala ou escreve sobre elas?

Se o topo da hierarquia é negligenciado, nenhuma tática brilhante ou execução perfeita irá ajudar você.

[ Artigo traduzido do original "The Hierarchy of Success" ]

Por Al Ries, um dos mais conhecidos consultores e escritores de marketing de todos os tempos.

Uma marca é a ponta de um iceberg. A profundidade e o tamanho do iceberg irá determinar quão forte a marca será.

O iceberg é a categoria. Se ela derreter, a marca derreterá também. Pegue a Kodak, por exemplo. Há apenas 8 anos, o rank da Interbrand mostrava a Kodak como a 16º mais valiosa do mundo, valendo $14.8 bilhões.

Desde então, a marca tem caído a cada ano no rank e em valor. Em 2008, a marca saiu do top 100, valendo menos de $3.3 bilhões. O que é a Kodak? É a melhor marca de filme fotográfico do mundo. Infelizmente, para a Kodak, esse iceberg já derreteu quase que totalmente com a passagem para o digital.

Anos atrás eu estava discutindo a situação com o diretor de marketing da Kodak. Não era segredo que a fotografia digital estava começando a substituir o filme. “Você terá que lançar uma segunda marca”, eu disse.

Na verdade não, o diretor respondeu. A Kodak vai muito além de filme, ela significa “confiança”. Confie na Kodak para filme fotográfico, confie na Kodak para fotografia digital. Isso parece fazer sentido. E a Kodak introduziu sua primeira câmera digital, a Kodak DCS, em 1991.

O fato é que todas as câmeras digitais (Sony, Nikon, Olympus, Pentax, Casio, etc.) são extensões de linha de outros icebergs. Há algo errado quando uma empresa chamada Fujifilm lança Fujifilm digital câmeras. Ninguém está pensando em categoria, todo mundo está pensando em marca. Como tirar vantagem da nossa já conhecida marca pra arrematar um pedaço deste novo iceberg?

A Eastman Kodak Company tem sido devastada pela sua orientação pra marca, comparando o passado com o presente. De 1995 a 2000, a Kodak vendeu $87,3 bilhões e tinha uma margem de lucro de 7,7%. De 2001 a 2006, as vendas foram de $80,4 bilhões e prejuízo de $296 milhões.

O objetivo de uma estratégia de marketing não é construir uma marca, mas dominar a categoria. Red Bull domina a categoria de energéticos. Starbucks domina a categoria de cafeterias de luxo. Google domina a categoria de busca. Whole Foods domina a categoria de comida orgânica. BlackBerry domina a categoria de e-mail sem fio.

Você se surpreende com o sucesso dessas marcas que foram todas criadas por novos empreendedores e não empresas consolidadas?
Você não deveria. Grandes empresas estão ocupadas queimando suas marcas enquanto empresários procuram meios de dominar novas categorias. Grandes empresas pensam em marcas, empresários em categorias.

Marcas são importantes, mas elas têm valor apenas até quando sua categoria for importante. Coca-Cola, por exemplo, a marca mais valiosa do mundo, mas o valor da marca tem caído. Valia $83,8 bilhões em 1999 e hoje vale $67,5 bilhões. Qual a explicação?

Não é a Coca-Cola não investe o suficiente em sua marca. Só nos EUA, a empresa gastou $334 milhões em publicidade no ano passado.
A marca da Coca está caindo em valor porque a categoria de cola está perdendo espaço no mercado de refrigerantes [veja a ascensão da H2OH e Aquarius no Brasil]. Lembre-se, o valor de uma marca está diretamente relacionada ao tamanho da categoria.

Quando o iceberg da categoria derrete, marcas derretem. Como a fotografia instantânea lentamente desapareceu, a Polaroid desapareceu.

A maioria das empresas são tão focadas em marca que a primeira coisa que pensam é “como eu salvo a minha marca?”. Para evitar sua extinção, Polaroid lançou protótipos de novos produtos como câmeras, filmes, impressoras, scaners, sistemas de segurança, videotapes, etc. Com o nome Polaroid, claro. Isso não adiantou e a empresa abriu falência em 2001 até ser comprada em 2005 pelo Petters Group.

Naquele ano, perguntaram para o novo presidente da Polaroid como a marca seria em 2010. Ele respondeu: “líder em aparelhos eletrônicos realmente bacanas que oferecem qualidade e valor”. Não existe iceberg no oceano chamado “aparelhos eletrônicos bacanas que oferecem qualidade e valor”. Então, essa nova empreitada não será mais bem sucedida do que foi a anterior.

Há 2 tipos de iceberg. O primeiro é pontiagudo e profundo. O segundo é largo e superficial. Enquanto o 2º tipo tem grande potencial de vendas, o 1º oferece maiores lucros e maior estabilidade de marca.
Marcas pontiagudas e profundas são quase invulneráveis a ataques competitivos. Além disso, elas geralmente têm lucros incríveis. Pense nos caríssimos relógios Rolex como um exemplo. Mas muitas outras marcas que entram nessa descrição:

• Hellmann’s em maionese
• Heinz em ketchup
• Tabasco em pimenta
• Gatorade em isotônicos
• Kleenex em lenços de papel
• Visa em cartão de crédito

Algum dia o iceberg da sua marca pode começar a derreter. E daí? Você sempre poderá olhar em volta em busca de um novo iceberg para dominar.

Com um novo nome, claro!

Traduzido do original “Category first, brand second”.