Você está em ‘grandes empresas’

Você pode não saber quem é ele, mas seu dedoe está em quase qualquer lugar do Brasil, Estados Unidos e alguns países da Europa. À frente da 4ª maior companhia de consumo do mundo — atrás apenas de Procter & Gamble, Nestlé e Coca-Cola — seu poder é capaz de influenciar o mercado, consumidores e grandes investidores. Ele é Carlos Brito, carioca de 50 anos, diretor-presidente da Anheuser-Busch InBev NV. Ufa, que nome comprido!

Esse nome é o resultado da fusão de 3 cervejarias gigantes. Confesso que tenho uma certa dificuldade em entender todas essas fusões.

Primeiro, havia a Ambev, a enorme cervejaria brasileira líder de mercado conhecida por abocanhar as maiores marcas de cerveja do Brasil (Brahma em 1989, Antarctica em 1999 e a gaúcha Polar) que foi comprada pela belga Interbrew em 2004. Juntas as duas formaram a Inbev dona de 14% do mercado global de cervejas cuja administração é brasileira, mas tem controle acionário belga. Quatro anos mais tarde, os principais acionistas da companhia junto com Brito se dedicaram a comprar a toda-poderosa Anheuser-Busch dona de muitas  marcas, dentre elas  Budweiser e Bud Light. Carlos Brito foi fundamental na negociação que culminou em um negócio de $52bilhões de dólares e na criação da mega-companhia de cerveja dona de 26% do consumo  mundial.

Carlos Brito, formado em engenharia pela UFRJ com MBA em Stanford, passou pela Shell e Mercedes antes de entrar na Brahma. Foi chefe da área de refrigerantes, depois diretor de vendas da unidade de cerveja. Antes de chegar a CEO da Inbev, ainda trabalhou como chefe de operações.

Hoje, como um dos maiores executivos do Brasil e o mais poderoso homem da cerveja do mundo (sonho de quase todo brasileiro), Carlos Brito tem um grande desafio nas mãos, recuperar o mercado perdido pelas americanas Budweiser e Bud Light que, embora sejam líderes de mercado, vem perdendo share há 21 anos. Brito que é muito reservado e é conhecido por uma gestão sem muitas regalias concedeu uma rara entrevista ao The Wall Street Journal que vocês podem ler a seguir.

Como o sr. vai mudar o marketing da Budweiser para reavivar a marca nos EUA?

Temos de melhorar a maneira como reforçamos os fundamentos da marca. Não temos enfatizado às pessoas que há um processo de fermentação diferente das outras cervejas que existem por aí. Faz anos que não falamos muito [do processo de envelhecimento com madeira de faia].

As cervejas populares dos EUA enfrentam problemas. O sr. acha que os problemas dessas megamarcas são de longo prazo?

Se você olhar a Bud Light, junto com a Bud Light Lime e a Bud Light Golden Wheat, verá que a marca ganhou mercado ano passado. Eu não acredito nessa teoria das megamarcas.

A economia [em crise] roubou muitos clientes nossos, e alguns deles passaram para marcas mais baratas. Por outro lado, é visível o interesse das pessoas nas marcas artesanais, mesmo em tempo de vagas magras. E temos muitas marcas nesse segmento. Será que podemos fazer um trabalho melhor nisso? Sim, claro.

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Confesso que às vezes fico saturado de ouvir falar em social media. No meio de tanta informação, fica difícil achar conteúdo consistente sobre como utilizar essas ferramentas para aumentar vendas, fortalecer marcas e estreitar laços com o consumidor. Segundo o iStrategy, empresas que investiram em redes sociais em 2009, aumentaram suas vendas em até 18% contra -6% da média do mercado.

No começo do boom das redes sociais –que começou lá nos Estados Unidos com o Facebook e depois explodiu com o Twitter–, os cases que tínhamos eram de micro e pequenas empresas que alavancaram suas vendas conquistando fãs através da internet. Isso porque pequenas empresas são mais ágeis, flexíveis e possuem verba limitadíssima de marketing. Podem experimentar mais e podem levar ideias à prática muito mais rápido que as grandes. Demorou algum tempo até que empresas maiores enxergassem esses canais como mídia — fato acelerado em função da crise econômica.

É raro, mas sempre que vejo cases ou dicas interessantes sobre social media & marketing procuro comentar aqui no Pequeno Guru. É o caso deste post e o objetivo da conferência iStrategy 2010 que acontecerá no 2º semestre em quatro cidades diferentes ao redor do mundo, onde os executivos de marketing mais poderosos do planeta explicarão o que suas empresas estão fazendo nas mídias sociais. Além de abordar outros assuntos como tendências de consumo, mensuração de capital social, criação e aplicação de novas formas de comunicação e como levar os internautas para sua loja.

Mas como as maiores empresas do mundo estão se comportando na internet? Afinal, rede social é coisa de empresa pequena ou as grandes, mesmo com suas verbas astronômicas de marketing, também podem obter bons resultados? O blog do iStrategy fez um panorama utilizando como base as 100 maiores empresas da lista da Fortune. [A título de curiosidade, apenas 3 empresas estão na América Latina, 48 na Europa, 29 nos EUA e 20 na Ásia.]

  • Das 100 maiores empresas, 33% possuem blog corporativo
  • 50% possuem canal no YouTube
  • 54% tem página no Facebook
  • 65% estão no Twitter
  • Empresas americanas são as que mais utilizam (exceto blogs)
  • Empresas asiáticas são as que menos utilizam (exceto blogs)
  • O canal preferido das empresas asiáticas são definitivamente os blogs
  • 21 empresas não utilizam nenhuma das ferramentas citadas
  • 20 empresas utilizam todas as quatro
  • Média de postagens: 27 tweets, 10 videos por mês, 3 posts por semana no Facebook e 7 por mês no blog

Com base nesses dados, percebemos que o Twitter é a ferramenta mais utilizada entre todas as redes sociais. Em um comportamento muito semelhante aos das pequenas empresas  1 ou 2 anos atrás. Mas se antes isso poderia ser encarado como “modinha” ou perda de tempo, ficou evidente de que essas ferramentas vieram pra ficar seja de que tamanho for a empresa.