Você está em ‘futuro’

Previsões do varejo 2015

27 de outubro de 2010 • TEMAS: Negócios / / /

Realidade aumentada, QR Code, marketing olfativo, ofertas em tempo real no smartphone, essas são algumas das ferramentas que devem fazer parte do varejo em um futuro muito próximo. É o que a tecnologia oferece para melhorar a experiência do cliente no ponto-de-venda. Acredito que a tecnologia vai fazer com a loja o que fez com os canais de  distribuição. Esta década será uma verdadeira revolução na forma como as pessoas compram. Assim como a internet tirou as pessoas de dentro da loja — permitindo que elas comprassem de casa — essas tecnologias as levarão de volta para a loja.

Como será o varejo de 2015 é o que a Nielsen está tentando descobrir. Todd Hale, talvez um dos caras que mais entende de consumidor, no mundo todo, listou 10 previsões de como será o varejo de 2015. Como os hábitos de consumo têm se tornado cada vez mais universais, o Brasil acompanhará o que acontece lá fora. A única diferença é que todos os especialistas falam que o americano ficou mais contido, pesquisa e barganha mais do que antes. Mas essa é uma realidade mundial. As pessoas estão cada vez mais bem informadas e embora gastem mais hoje, querem pagar o menos possível por tudo.

  1. Grandes centros de compra e e-commerce continuarão dominando mercado.
  2. Supermercados de luxo e supermercados populares aumentarão sua participação de mercado.
  3. Pet-shops e lojas “estilo 1,99″ crescerão.
  4. Consolidação do varejo: os maiores ficarão ainda maiores.
  5. Smartphone será o principal meio de envolver o cliente com a loja.
  6. Formatos de loja irão evoluir: novos formatos, lojas menores, pop-up stores irão aumentar.
  7. Possibilidade de fechar a compra em qualquer ponto da loja.
  8. Quiosques dentro da loja, mídia social e hologramas irão interagir mais com os clientes.
  9. Não haverá mais barreira de compra ou consumo entre consumidores de diferentes nacionalidades e etnias.
  10. Pesquisas terão grandes impactos.

[Fonte: Nielsen]

Algum dia, não muito distante de hoje, você chegará no seu trabalho deixará a pasta na mesa, se servirá de um café bem quente e pegará seu jornal para ler. Não um maço de papel de 2kg, mas um dispositivo eletrônico de 1cm de espessura — provavelmente flexível — que automaticamente terá feito o download da edição mais recente do seu jornal favorito via rede 3G.

Eu nunca acreditei no fim dos jornais até ter um estalo no meio de uma reunião ao ouvir a frase “o jornal pode não existir mais em 10 ou 15 anos”. Esse não é um assunto exatamente novo, ouço isso desde antes de entrar na faculdade. Mas o estalo rapidamente inundou minha mente com imagens de pessoas lendo jornais em iPads, Kindles, Nooks e QUEs. Pela primeira vez, eu consegui enxergar o fim do jornal.

Não apenas o jornal que está ameaçado. Mas a mídia impressa e livros como um todo. No começo da semana, a loja virtual mais famosa do mundo, Amazon, anunciou que vendeu mais livros digitais do que capa-dura (formato padrão nos EUA). A proporção foi 180/100. Ou seja, pra cada 1 livro impresso, foram vendidos quase 2 em formato Kindle. E olha que o aparelho está longe de ser popular, estima-se que até 2009 tenham sido vendidos “apenas” 3 milhões. A título de comparação, o iPhone4 vendeu isso em 3 semanas.

Há exatamente três anos, ZERO era o número de readers no mercado. Eu me refiro a um bom reader, não protótipos fracassados. Os números de hoje são bem diferentes e ajudam a explicar porque só agora eu consegui ver a extinção do jornal de papel (e talvez revistas).

  • Kindle: 3 milhões vendidos em até 2009
  • Kindle DX (última versão lançada): ZERO em estoque 1 mês depois do lançamento
  • iPad: 1 milhão de unidades vendidas em 28 dias
  • Nook: 300 mil unidades é a quantidade aproximada que a livraria Barnes&Nobles deve ter vendido do seu leitor nos primeiros 4 meses de vida

Com a exceção do iPad, todos os outros leitores esgotaram seus estoques no lançamento. E só não aconteceu com o aparelho da Apple, porque a empresa de Steve Jobs sabe como se preparar para uma grande demanda .

Tablets (iPad) e readers (Kindle) estão prestes a entrar na vida das pessoas como mp3 players e notebooks fizeram anos atrás. É um grande mercado e empresas gigantes como Sony e Cisco estão se preparando para entrar na briga. O iPad tem se mostrado uma ótima ferramenta de trabalho e o Kindle uma verdadeira biblioteca. No entanto, eles são as estrelas do mercado, ainda são caros e possuem pouco conteúdo em português disponível. Mas isso está prestes a mudar.

Dentro de 10 ou 15 anos, todos nós teremos nossos próprios readers; cafés, consultórios e empresas disponibilizarão os aparelhos para uma leitura rápida e o papel não mais será um elemento essencial para a nossa vida. Da mesma forma que cartas viraram e-mails e documentos  saíram das pastas para dentro do computador. Isso não é o fim da indústria (embora seja o fim das bancas de revistas, sorry guys), o jornal não vai acabar, vai apenas mudar para um modelo que há muito tempo se fala, mas que nunca ninguém viu.