Você está em ‘filmes’

300509_futebol_clough Basta dar uma passada na seção de drama de uma videolocadora pra ver a quantidade de filmes sobre superação nos esportes. Técnicos durões, que no começo dão raiva, mas no final levam o timeco que nunca ganhou nem jogo de bairro a vencer o campeonato estadual ou nacional. Mark Ritson comentou sobre o filme The Damned United (que pela nota 8 no IMDB deve ser muito bom), que conta a história de Brian Clough e sua passagem relâmpago pelo time de futebol da cidade de Leeds. Brian era daqueles técnicos difíceis de engolir, mas conseguiu o feito inédito de levar outro time, o Nottingham Forest, à conquista do campeonatos Inglês, Liga Inglesa, Supercopa da Inglaterra, Copa do Campeões por dois anos consecutivos e Supercopa Européia. Tudo isso entre 1978 e 1980.

Em seu artigo, Ritson comentou 4 fundamentos que levaram Clough ao sucesso com o time de Nottingham: Manter as coisas simples, Escolher um inimigo e Engajamento. O 4° em específico me chamou atenção: O que você tem, não o que falta.

Se você for gastar seu expediente pensando o que seu concorrente faz de melhor, saiba que ele estará gastando o mesmo tempo para fazer ainda melhor e deixar você ainda mais pra trás. Da mesma forma, reclamar da incompetência dos funcionários não leva a lugar nenhum. Incompetente é aquele que gere um departamento sem conhecer todo o potencial—de seus funcionários. Eu aprendi que as pessoas são capazes de se superar quando recebem motivação na dose certa.

Brian Clough não gastava pensando coisas do tipo “ah, se eu tivesse um atacante bom de cabeça”… ele simplesmente trabalhava com o que tinha nas mãos. Detectava os pontos fortes e fracos de seus jogadores e trabalhava em cima disso. O próprio técnico diz: “Eu acreditava que podia tirar o máximo deles. Eu nunca fantasiava sobre o que faltava neles”.

Esse é um valioso conselho pra todo gestor e também para gerentes e analistas de marca e produto. Muitas empresas tem sérios problemas de auto-estima, se consideram inferior e por isso se comportam como inferior, utilizando estratégias “eu-também”—baixando os preços e tentando parecer o máximo com o concorrente. Acreditar que o seu produto pode ser bom o suficiente para disputar com uma Unilever é o primeiro passo para chegar lá.  Vemos isso o tempo todos em filmes —baseados em fatos reais—, o Nottingham Forest era um time da 2ª divisão que conseguiu ganhar do Real Madrid por 4 a 1.

A bolha estoura de dentro

29 de setembro de 2008 • TEMAS: Carreira / /

Um filme que retrata as angústias e temores de forma visceral e incontida de um jovem executivo promissor. É assim que descrevo o filme August, com Josh Harnett. Achou minha descrição um tanto obscura — ou enfeitada? Então assista o filme.

Neste momento deixo de ser apenas crítico e me torno crítico DE cinema…

O filme não tem exatamente um enredo, ele tem cenário, personagens e um contexto interessantíssimo — além de palavrões. Tom Sterling junto com seu irmão, abriu um portal quando o negócio mais promissor do mundo era a internet, a famosa bolha da internet . Assim como muitas outras empresas entre 1996 e 2001, sua empresa cresceu rápido  e chegou a valer quase 400 milhões de dólares na Nasdaq — e assim como muitas dessas empresas, elas quebraram tão rápido quanto cresceram. A de Tom estava muito perto disso. O filme se passa em um momento crítico para os EUA, algumas semanas antes dos ataques de 11 de setembro e bem no meio da tempestade causada pelo estouro da bolha. Em outras palavras, o mercado estava um caos!

Tom é um jovem CEO de lábia e colhões de aço, conquistador e de pulso forte, ainda jovem experimentou o que é valer milhões. Seu talentoso irmão, junto com outros dois jovens executivos, compõem a parte prudente e profissional da empresa, que vinha enfrentando crises e mais crises com o declínio de suas fontes de renda, sem saber o que fazer, Tom enfrenta todos os tipos de dificuldades, profissionais e emocionais.

Daqui pra frente, o filme é inexplicável. Não necessariamente bom, mas vale assistir pelo contexto e diálogos interessantes. O que eu consegui extrair do filme é que assim como uma pessoa pode construir uma empresa, ela pode destruir. Atente para o seu jeito, seu comportamento, meça suas palavras; em suma, seja profissional. Você pode ter muito talento, mas ninguém está disposto a aturar sua arrogância em troca dele.