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O Brasil ainda nem acredita que será sede de uma Copa do Mundo 64 anos depois, e o já seguram o coração (como diz o Galvão) para o anúncio da próxima sexta-feira, 2 de outubro. Rio de Janeiro ou Chicago para sede das Olimpíadas 2016?

Você gostaria que o Rio sediasse?

Bem, os moradores de Chicago não. Ao menos é essa a intenção do site Chicagoans for Rio 2016. No site, que descobri através de um amigo, diz:

“Seria animador sediar as olimpíadas aqui em Chicago. Mas sabe o que seria ainda melhor? Rio de Janeiro. Deixe o Rio sediar as Olimpíadas de 2016. Nós não nos importamos. Sério.”

A estratégia (sincera ou não) faz sentido. Qualquer evento dessa magnitude causa muito transtorno, embora aumente o volume de turistas e promova o nome da cidade. Chicago é a 3ª maior cidade norte-americana e não precisa dessa publicidade, tampouco aumentar número de turistas. Por outro lado, Rio de Janeiro é uma cidade turística e está sempre querendo atrair mais turistas, mas será que vale à pena?

Montreal, sede das Olimpíadas de 1976 demorou 30 anos para quitar as despesas feitas para receber o evento. Segundo o site, Chicago está cheia de dívidas e a população clama por mais segurança, emprego e infra-estrutura. Em Atenas, depois de 5 anos, 21 das 22 instalações construídas para o eventos não são utilizadas. Ou seja, definitivamente não é um bom momento para Chicago receber o caos de uma Olimpíadas.

Moradores de Chicago dizem que “não podem arcar com a cidade agora, mesmo sem Olimpíadas, por favor deem pro Rio”. Uau! Eu realmente gostei dessa iniciativa. É inteligente, bem-feita e usa um approach que tem se mostrado eficiente no marketing: a valorização do concorrente.

300509_futebol_clough Basta dar uma passada na seção de drama de uma videolocadora pra ver a quantidade de filmes sobre superação nos esportes. Técnicos durões, que no começo dão raiva, mas no final levam o timeco que nunca ganhou nem jogo de bairro a vencer o campeonato estadual ou nacional. Mark Ritson comentou sobre o filme The Damned United (que pela nota 8 no IMDB deve ser muito bom), que conta a história de Brian Clough e sua passagem relâmpago pelo time de futebol da cidade de Leeds. Brian era daqueles técnicos difíceis de engolir, mas conseguiu o feito inédito de levar outro time, o Nottingham Forest, à conquista do campeonatos Inglês, Liga Inglesa, Supercopa da Inglaterra, Copa do Campeões por dois anos consecutivos e Supercopa Européia. Tudo isso entre 1978 e 1980.

Em seu artigo, Ritson comentou 4 fundamentos que levaram Clough ao sucesso com o time de Nottingham: Manter as coisas simples, Escolher um inimigo e Engajamento. O 4° em específico me chamou atenção: O que você tem, não o que falta.

Se você for gastar seu expediente pensando o que seu concorrente faz de melhor, saiba que ele estará gastando o mesmo tempo para fazer ainda melhor e deixar você ainda mais pra trás. Da mesma forma, reclamar da incompetência dos funcionários não leva a lugar nenhum. Incompetente é aquele que gere um departamento sem conhecer todo o potencial—de seus funcionários. Eu aprendi que as pessoas são capazes de se superar quando recebem motivação na dose certa.

Brian Clough não gastava pensando coisas do tipo “ah, se eu tivesse um atacante bom de cabeça”… ele simplesmente trabalhava com o que tinha nas mãos. Detectava os pontos fortes e fracos de seus jogadores e trabalhava em cima disso. O próprio técnico diz: “Eu acreditava que podia tirar o máximo deles. Eu nunca fantasiava sobre o que faltava neles”.

Esse é um valioso conselho pra todo gestor e também para gerentes e analistas de marca e produto. Muitas empresas tem sérios problemas de auto-estima, se consideram inferior e por isso se comportam como inferior, utilizando estratégias “eu-também”—baixando os preços e tentando parecer o máximo com o concorrente. Acreditar que o seu produto pode ser bom o suficiente para disputar com uma Unilever é o primeiro passo para chegar lá.  Vemos isso o tempo todos em filmes —baseados em fatos reais—, o Nottingham Forest era um time da 2ª divisão que conseguiu ganhar do Real Madrid por 4 a 1.