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Depois de “O Melhor do Mundo”, “Vaca Roxa”, “Todo Marqueteiro É Mentiroso” e “Tribes”, Seth Godin lança seu novo livro chamado “Linchpin”, no qual relaciona marketing com a arte e vida profissional com a vida de um artista. Jackie Huba, autora do blog The Church of the Customer e de 2 livros, entrevistou o carequinha mais famoso do marketing e essa entrevista você lê traduzida aqui.

O que é um linchpin e por que é importante se tornar um?
Um linchpin é uma parte que você não pode viver sem, é o que faz a diferença. Em toda organização existe um (ou vários). Ele pode ser o grande inventor que criou o impossível, porém é mais provável que seja um grande e prestigiado vendedor ou atendente que cria uma conexão, ou um marqueteiro que sabe como contar uma história que se espalha.

Em um mundo pós-fábricas, montar uma linha de produção não é tão importante. Estocar, apertar botões, ler o manual… esses papéis são facilmente substituíveis, papéis em que nem o trabalhador nem a organização ganham (margem) o bastante por isso. Se você quer um emprego satisfatório e seguro, então,  você precisa descobrir como fazer o inesperado, fazer o que realmente importa e criar interações com as pessoas.

Você fala sobre linchpins serem artistas. Qual a diferença entre um profissional de marketing convencional e um que pensa como um artista? Você pode dar um exemplo de um marqueteiro que seja um artista?
Arte, pela minha definição, não tem nada a ver com pintura e tudo a ver com conectar pessoas de um modo generoso fazendo com que a mudança aconteça. Um diretor de cinema faz arte quando ele faz o público chorar. Um designer de produto faz arte quando o modo de usar é melhor do que precisava ser, mais eficiante e até prazerosa.

Profissionais de marketing podem encontrar livros, manuais e PDFs que expliquem direitinho como seguir as regras. Isso é fácil e particularmente nada valioso. Um profissional de marketing se torna um artista quando luta por uma causa, faz o inesperado ou arrisca e faz a diferença.

Eu poderia argumentar que vocês [do blog Church of Customer Blog] fazem arte quando se levantam para falar sobre o conceito do 1%. Ou que Isaac Biz Stone  foi um artista quando descobriu como fazer o Twitter [do qual ele é co-fundador] ser usado de forma massiva. Ou Scott Monty, na Ford, fez com que um carro atravessasse os coquetéis da AutoWeek para entrevistar especialistas em social media. A segunda vez que alguém faz algo é cópia. A primeira é arte.

Nós entendemos como funciona o conceito de “trabalho físico”, mas você enfatizou a importância do “trabalho emocional”. O que você quis dizer, poderia nos dar um exemplo?
Eu não sei sobre você, mas eu não tenho feito trabalho físico há muito tempo. Talvez redigir.

Trabalho emocional é o ato de sorrir quando você está assustado ou pegar um avião quando você está exausto. É sonhar quando você não sente que está sonhando, se importar com o outro quando ele está agindo como um idiota. Trabalho emocional é trabalhar com seu coração, com alma e com seus sentimentos. Nós costumamos achar que isso é fácil, mas não é.  Por outro lado, é muito importante.

Nós amamos a frase “quanto mais fácil de quantificar, menor é o valor”. Você pode nos dizer por que isso é verdade?
Se você pode quantificar, então provavelmente alguém soube como tornar isso normal, comum. E se alguém pode transformar isso em algo normal, alguém sempre poderá fazer isso mais barato do que você pode.

Por outro lado, o que é valioso e custa caro não pode ser quantificado. Coisas como prazer, segurança ou felicidade não são fáceis de mensurar, isso é arte, e arte sempre vale mais do que as pessoas acham que vale.

Nós medimos o quantificável porque nós podemos. Mas nós devemos criar o inquantificável porque é raro.

Nosso cérebro teimoso nos diz “cala a boca. não levante. não fale pra todos ouvirem. se esconda”. Se você quer ser um linchpin, como nós silenciamos essa parte do nosso cérebro?
Steve Pressfield chama isso de resistência. A voz na sua cabeça que destrói a arte. Há várias maneiras de destruí-la. Você pode distraí-la. Forçá-la. Enganá-la. Seduzí-la com pequenos passos. Eu não estou certo qual a melhor técnica, mas eu tenho certeza absoluta que isso precisa ser feito. Meu livro tem apenas um objetivo: fazer você se comprometer com essa tarefa.

Business meetingNegociação é um curso que todo mundo deveria fazer. Sem compromisso. Embora eu seja consideravelmente bom em argumentar, me considero fraco em ajustar interesses para chegar a um ganho mútuo das partes — um win-win, onde ambos os lados saem ganhando. Acho negociação algo importante para qualquer profissional, cedo ou tarde você irá precisar.

Javier Martinez Rodrigo é autor do livro “O Caminho da Negociação” e negociador experiente. Na entrevista a seguir, Javier dá dicas importantes para se sair bem em qualquer encontro com cliente, utilizando técnicas de vendas sem comprometer a relação com o cliente.

A realização de um acordo comercial é fruto da reflexão ou do talento inato de um profissional da área capaz de improvisar?

No meu ponto de vista, e com base nos anos de experiência em coaching e formação de profissionais, estou convencido de que “o negociador não só nasce negociador, como também se faz negociador”. É verdade que há pessoas que parecem ter nascido para isso e que o “talento inato” de um profissional capaz de improvisar, por exemplo, pode evitar situações de impasse ou de ruptura durante as negociações. Contudo, uma negociação inteligente, capaz de obter os melhores “resultados possíveis”, tendo em conta que tais resultados serão vantajosos para ambos os lados, é fruto da reflexão, da análise e da prática habitual de diversas técnicas e métodos que podem ser aprendidos e praticados. Não devemos nos esquecer de que uma negociação eficaz consiste em 10% de técnica e em 90% de atitude.

Quais são as fases de uma negociação?

Resumidamente, podemos dizer que há três fases em uma negociação: preparação, desenvolvimento e conclusão.

A fase de negociação, ou tudo aquilo que fazemos antes de chegarmos à mesa de negociação, se refletirá em nosso comportamento no momento de negociar. É preciso que fique claro que chegar à mesa de negociação mal preparado fará com que o profissional apenas reaja diante dos acontecimentos, sem condições de influenciá-los.

Dentre as informações necessárias, vale ressaltar a fixação de objetivos e a satisfação de necessidades a serem obtidas pela negociação, possíveis riscos, a repercussão de cada uma das alternativas previstas (até mesmo a falta de acordo), definição das bases mínimas e máximas de negociação, os pontos de ruptura, local e agenda desejados etc.

Gostaria de chamar a atenção para dois erros muito comuns que costumamos cometer quando não temos consciência do ponto de ruptura ou o ignoramos: em primeiro lugar, deixar de fechar operações que estejam dentro dos limites aceitáveis pela empresa e, em segundo lugar, ceder mais do que seria aconselhável. Com esses dois exemplos, creio que posso traduzir a importância da fase de preparação.

A segunda fase vai desde o momento em que nos sentamos à mesa para negociar até o momento das deliberações finais, com ou sem acordo. Nesta etapa, não é conveniente precipitar os acontecimentos. É preferível que as ideias amadureçam. De modo geral, eu diria que não deve haver falhas na hora de apresentar o posicionamento das partes. É preciso também muita coerência na hora de negociar as opções, procurando sempre uma estratégia vantajosa para os dois lados. Nunca devemos reagir à pressão ou à ameaça da outra parte oferecendo concessões.

Por fim, não devemos negligenciar a pós-negociação ou o encerramento, fase que deve deixar em aberto, ou que permite, o surgimento de novas oportunidades de cooperação.

Qual a importância da linguagem não verbal? Que aspectos devem merecer maior cuidado (cruzar ou não os braços, as pernas, olhar nos olhos etc.)?

A linguagem não-verbal é sem dúvida alguma muito importante na etapa de negociação. Não devemos nos esquecer de que mais de 80% da comunicação entre as partes se dá no plano não-verbal.

Os aspectos que requerem mais atenção são os que reforçam nossa tranquilidade interior. O que nos leva a ficar mais calmos durante uma negociação? Não deixar nada ao acaso, tratar exaustivamente do assunto em pauta, agir com sinceridade e objetividade, manter um comportamento desapaixonado e positivo desejoso de vencer mas querendo que outros também vençam conosco.

Essa tranquilidade interior fará com que manifestemos em nossa linguagem não-verbal tudo de positivo que trazemos dentro de nós. Não se pode controlar facilmente o que não se sente, e se tentamos fazê-lo em tais circunstâncias, nossa linguagem não-verbal será contraditória e isso é fácil de perceber.

A linguagem não-verbal positiva se manifesta quando inclinamos o tronco para frente, quando sorrimos e nos movimentamos com firmeza, “lentamente”, sem tique nervoso algum, quando assentimos com a cabeça ao ouvir nosso interlocutor deixando claro para ele que o estamos escutando, entendendo e compreendendo.
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Entrevista com Daniel Pink, por OprahDaniel Pink — articulista, palestrante e escritor — concedeu uma excelente entrevista à Oprah Winfrey, sobre seu livro “A Whole New Mind” (”Uma Mente Completamente Nova”, em tradução livre). Pink fala sobre um tema que está muito na moda, o cérebro humano nos negócios, mas o ponto-chave dos seus argumentos é o de valorizar as poucas coisas coisas que as máquinas e a mão-de-obra barata não podem tirar de você: a sua habilidade criativa e emocional.

Vamos começar com a audaciosa afirmação da capa: Por que o lado-direito vai comandar o futuro?
Em muitas profissões, o que costumava importar eram habilidades associadas ao lado esquerdo: linear, sequencial, do tipo de fazer planilhas. Isso ainda é importante, mas não é suficiente.
O que é importante agora são as características do hemisfério direito do cérebro: arte, empatia, inventividade e visão macro. Essas habilidades se tornaram prioritárias em todas as áreas dos negócios

Isso significa que pessoas lado-esquerdo vão perder sua utilidade?
Não necessariamente — mas significa que as pessoas como eu têm algum trabalho a fazer. Eu costumava ser extremamente lado-esquerdo; meu instinto era desenhar um gráfico em vez de uma imagem. Estou tentando deixar meu lado direito do cérebro em forma. Eu realmente acho que aprimorar as habilidades do lado-direito tem potencial pra nos tornar profundamente melhor.

Você escreve que depois de atravessarmos a era da agricultura, a era industrial e informacional, nós entramos na era conceitual, na qual criadores e simpatizantes irão liderar. Como, o que você chama de os três As  abundância, automação e Ásia—, nos conduziu para essa nova era?
Da mesma forma que as máquinas substituíram nossos corpos em certos trabalhos, o software está substituindo nossos lados-direito do cérebro com o trabalho sequencial e lógico. E isso nos leva à Ásia, de onde esse trabalho tem vindo. Na Ásia, você tem dezenas de milhões de pessoas que pode fazer nossas tarefas rotineiras como programação. Rotina é o trabalho que você pode reduzir a uma planilha, um script, uma fórmula, uma série de passos que têm a resposta certa.

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twitter_marketing_estrategiaApesar de ser publiciário de formação, segui um caminho mais voltado ao marketing estratégico. O fato é que publicitários e marqueteiros costumam se focar em coisas diferentes. Enquanto publicitários se focam na mensagem de venda e na criatividade, marqueteiros estão sempre pensando em como ter melhores resultados gastando menos. Resultados e ROI são duas coisas que não saem da nossa cabeça. Logo, o alto custo da publicidade levou as empresas a pensarem em algo com retorno maior. Uma estratégia melhor.

A loja de departamentos Express é uma das empresas que investem pouco em publicidade, destinando a maior parte da sua verba às malas-diretas e merchandising. Ou seja, uma estratégia direta com o consumidor. E existe alguma alguma ferramenta social mais direta que o Twitter?

Lisa Gavales, VP de marketing da Express falou sobre a estratégia da empresa no Twitter em uma entrevista concedida ao Ad Age.

Você é a responsável por levar a Express para o Twitter. Você enfrentou muita resistência da administração?

Muitos dos executivos do comitê não sabia o que era Twitter. Meu chefe (CEO da empresa) disse: “como você saberá que não é a concorrência que está nos seguindo?”. Com o consumidor em mente, isso não era um problema, mas nós conversamos sobre não revelar informações, cedo demais, que o concorrente possa usar contra nós. Eu sou muito cuidadosa com a maneira que digo as coisas. Hoje, temos executivos do comitê no Twitter e eu acho que eles estão empolgados com o fato de termos tantos seguidores. Eles estão dando sugestões dizendo “Ei, nós devíamos twittar isso!”

A Express está fazendo algo um tanto único, utilizando maneiras não convencionais de mostrar que a empresa está no Twitter, como colocar em notas fiscais “siga nossa CMO no Twitter”. Como vocês chegaram à essa decisão? Vocês acham que os consumidores sabem o que é um CMO?

Na Express, o departamento de marketing controla a mensagem do rodapé das notas fiscais. Eu estava no Twitter cerca de 4 semanas e percebi que nós tínhamos algo bom nas mãos. Nós colocamos no rodapé de cada e-mail, no nosso perfil do Facebook e no rodapé do nosso site, além de cada nota fiscal.

Todo mundo sabe o que é um CEO, mas CMO nem tanto. (…) Mas eu acho que não é muito importante saber qual a função exata daquela pessoa e sim saber que os consumidores podem se comunicar com alguém de dentro da empresa. Twitter não é ouvir a empresa, é ouvir alguém de dentro da empresa.

Quem você segue?
Eu sigo outros executivos de marketing, como o CMO da Best Buy. Sigo jornais, publicações de negócios e alguns da elite do Twitter. Eu também sigo pessoas divertidas como Ashton Kutcher ou Pete Wentz. E, claro, eu sigo clientes que falam sobre a Express – principalmente aqueles que falam muito sobre a empresa e possuem muitos seguidores – só pra ver se nós estamos alinhados com o que eles consideram importantes.

Diferente de outros marqueteiros, você responde pessoalmente os tweets de clientes. Qual é a sua estratégia pessoal  e como isso combina com o marketing da Express de uma maneira geral?
Eu obviamente estou no Twitter como diretora de marketing, não como Lisa. Nosso consumidor está usando todos os tipos de mídia que não tínhamos antes e o meu objetivo é atingí-los. Meu principal objetivo é tentar explicar pro público as coisas legais da Express, o que estamos fazendo e que você não sabe a menos que esteja vivendo e respirando a marca todo dia… o fato das lojas estarem em Coachella e estarmos fazendo um ensaio de fotos em Nova Iorque… se há uma grande promoção, eu posto. Se eu sou uma garota que compra na Express, eu vou querer saber que Jessica Alba está usando a mesma roupa que comprei ou que Miley Cyrus está na loja – isso é o que eu quero saber. Meu trabalho é fazer os clientes da Express se sentirem ótimos com a marca.

Com o Twitter atingindo a massa – especialmente agora que a Oprah aderiu – você se preocupa com o fato de que isso exigirá muito mais de você pra responder a cada tweet?
Eu acho que eu tenho algo alavancável em um relativo curto-prazo. Se me perguntam algo fácil como “você tem um jeans velho?”, eu posso responder. 140 caracteres me custam 15 segundos, então eu vou em frente. Há 4 ou 5 pessoas na minha equipe para quem eu repasso algumas perguntas de clientes. Se chegar a um ponto onde recebo 1000 perguntas por dia, eu precisarei de uma estratégia diferente, mas ainda não chegamos lá, e eu espero resolver isso até lá.

Novo logo Kraft Foods | Ceu de Inverno blog
Na terça-feira, a Kraft Foods anunciou o seu novo logotipo. O detalhe é que esse logo será usado apenas de forma institucional e não aparecerá nas embalagens dos produtos. A CMO (Chief Marketing Officer) Mary Beth West explica o porquê disso, e outras coisas, em uma entrevista.

O que é exatamente esse novo logo e identidade corporativa para a Kraft?
Para nós, é uma grande oportunidade de definir, unir e inspirar nossos funcionários em torno de um único propósito e definir valores e comportamentos gerais, e também criar a oportunidade de termos um propósito claro, uma razão para acordarmos todas as manhãs.

Como a idéia desse novo logo surgiu? Por que criar um novo logo e nova identidade corporativa afinal?
Esse foi um passo muito lógico no processo de mudança que está ocorrendo na empresa, enquanto nós moldamos uma nova Kraft Foods e crescemos para nos tornar a primeiro da fila em termos de desempenho corporativo. A jornada que percorremos foi totalmente colaborativa. Uma combinação do que captamos de funcionários e consumidores, além de uma aprofundada observação dentro e fora das grandes empresas.

E por que enfatizar o “delicioso”? Vocês podiam ter escolhido qualquer coisa.
Nós acreditamos no nosso portifólio e no nosso posicionamento como a 2ª maior empresa de alimentos do mundo que você não pode chamar nenhuma outra empresa dessa forma. Acreditamos também que isso irá nos ajudar nas decisões daqui pra frente.
Nós amamos o fato de “delicioso” servir em vários níveis. Não apenas sobre a nossa comida ou o sabor delas. Isso, claro, vem primeiro, mas também pelas receitas e as diferentes formas que nós as oferecemos para todos os estilos de vida.

Por que separar a Kraft empresa da identidade de marca?
No final do processo (quando decidimos o slogan), “Faça o Hoje Gostoso”, nós olhamos para nossa identidade institucional…nós sentimos que havia uma oportunidade de reinventá-la e tinha que ser em uma representação visual do slogan faça o hoje gostoso.

[Leia a entrevista na íntegra, em inglês]

Marcas não são tão importantes quanto o produto, foi o argumento dado por Marian Salzman numa entrevista. Marian é autora dos livros Buzz, a Era do Marketing Viral e SIGA, as Tendências Que Regerão As Vidas no Futuro.

Confesso que fiquei um pouco chocado com a afirmação de Marian, mas parando pra pensar melhor, ela tem toda a razão. Nenhuma marca consegue sobreviver hoje só à base de promessas. À longo prazo, nem a melhor equipe de marketing do mundo consegue compensar maus produtos. Para Marian, é o produto que faz a marca, citando o exemplo da Apple que até meados de 90 era uma marca medíocre porque seus produtos eram medíocres. A revolução da Apple aconteceu quando ela desenvolveu produtos únicos e de alta qualidade como o iPod, iMac, iTunes e iPhone. O sucesso de hoje está na entrega, não na promessa.

Na minha opinião, o que Marian disse só reforça o movimento contra a milagrosa publicidade, ou seja, anunciar não é mais sinônimo de vendas. Os consumidores não são mais inocentes como 20, 30 anos atrás. Se você não entrega o que promete (e ele espera que você faça), sua marca não irá te salvar. Quer um exemplo? Motorola. Tão admirada no começo da era dos celulares hoje enfrenta sérios problemas com uma linha de produtos fraca e a perda progressiva de market-share (de 13,1% em 2007 para 8,5% em 2008). Isso resultou na saída do seu presidente Ed Zander e numa luta interminável para reconquistar sua época de ouro.

As marcas são como barricadas, você sabe que ela aguenta a pressão em momentos de crise, só não sabe por quanto tempo.

Vincent  FerrariMuitos de vocês já devem ter ouvido falar de Vincent Ferrari, ou pelo menos, devem ter ouvido ele falar — ao telefone — com um atendente do provedor AOL, numa conversa gravada que rodou os Estados Unidos inteiro em programas de TV, internet e emissoras rádios. Vincent ficou famoso (apareceu na NBC, CNN, FOX, NY Times) por gravar sua tentativa de cancelamento de um serviço. Algo que acontece todos os dias com a gente, mas Vincent é um cara chato, colocou na internet os quase 4 minutos de conversa com o funcionário da AOL, num total de 21 minutos de ligação. (Se você ainda não ouviu, clique aqui, em inglês. E ler em português clicando aqui.) O funcionário, claro, foi demitido pela empresa assim que o caso se alastrou. Pobre funcionário que paga o preço do mal treinamento que recebeu.

Abaixo, está uma entrevista de um cliente insatisfeito que poderia ser eu ou você.

Quantos dias após a ligação para AOL, sua experiência foi transformada em uma notícia nacional?
Vicent Ferrari: Levei cerca de uma semana para subir o post acompanhado da gravação, e rapidamente ele entrou num processo viral da net. No final de semana, o caso já era tema de uma matéria no The New York Times, e a partir daí foi uma loucura. Até então eu não tinha idéia da repercussão.

Qual era sua motivação quando decidiu publicar a gravação na web? Acha que os consumidores têm noção de seu poder?
Vicent Ferrari: Na realidade, eu postei por gaiatice. Achei que outros iriam achar aquela experiência engraçada. Talvez não achasse que tivesse tanto poder. Hoje vejo que nós consumidores não temos noção de nosso poder. E vejo também que não precisamos nos “conformar” com  um serviço ruim só porque as empresas têm mais dinheiro que nós.

Seu nome virou sinônimo de “consumidor que não atura um serviço ruim”. O que pensa disso?
Vicent Ferrari: Por um lado chega a ser engraçado. Tenho amigos que frente a algum problema com uma empresa citam que me conhecem e que se não tiverem seu problema resolvido agirão da mesma forma que eu, publicando tudo na web. Estranhamente, parece funcionar em todos os casos. Não me considero uma celebridade, mas estaria mentindo se dissesse que não estou “curtindo” o fato do meu nome ser tão reconhecido.

Normalmente você é um “consumidor bravo”? O que faz você elogiar uma empresa?
Vicent Ferrari: Não sou briguento, na maioria dos casos. Sou do tipo que dá boas gorjetas e aquele que aceita calado um mau serviço mas que depois nunca mais volta.  O caso com a AOL foi uma total exceção em relação a como reajo a péssimos serviços.