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Quando eu soube que a mais badalada boate da Serra Gaúcha passaria a se chamar Pepsi Club eu só pude pensar: “que filhos-da-mãe espertos!” (da Pepsi) e, ao mesmo tempo, “que burrada!” (dos proprietários).

Eu poderia apresentar 50 motivos porque eu considero o Pepsi Club um erro — tanto pra Pepsi como para os empresários — mas não irei pois não sou o dono da verdade e tudo não passa de opinião pessoal. Então, vou me ater aos fatos.

Ontem, fui à festa de inauguração e a impressão que tive era que estava em um museu psicodélico da Pepsi. Da fachada com vidraças reluzentes em vermelho e azul às frases de impacto (aos moldes da nova campanha publicitária do refrigerante) na parede. Uma vez que você entra, você tem impressão está passando por uma lavagem cerebral (expressão que ouvi de colegas nos comentários do dia seguinte à festa). Tudo tem a logo, as cores ou as formas da Pepsi. É uma overdose de azul, de exposição de marca e telas LCD. Telas não faltam. Presente inclusive nos apertados banheiros.

Degraus são um problema, não requinte! Por favor, alguém diga isso aos arquitetos.

Se eu trabalhasse no marketing da Pepsi, eu estaria feliz com a conquista. A marca vem investido pesado no Rio Grande do Sul através do seu projeto Eu Amo Porto e do Pepsi On Stage, se fazendo presente na vida dos gaúchos como nenhuma outra. Vendo por esse lado, não é estranho ver porque a marca investiu 1,5 milhão de reais para transformar a melhor boate de uma das cidades mais desenvolvidas do Brasil em seu templo noturno.

Da perspectiva empresarial, o erro está em abandonar uma marca consolidada — uma espécie de “grife noturna” — para abraçar uma projeto que não é seu. Na minha opinião, Pepsi Club é um saco. Bonita, porém mal arquitetada, atendimento fraco, banheiros pequenos e com Pepsi suficiente para saturar até o mais fiel dos fãs de uma balada.

Ele não está tão afim de você Uma cena muito comum: você chega no cinema, olha para os vários cartazes de filmes que estão em exibição, você já se decidiu —e sua namorada também—. Você quer ver o novo filme do Vin Diesel e ela Jennifer Aniston. Ou você está decidido a assistir as novas velhas caretas do Jim Carrey, mas ela escolheu ver o Russell Crowe. Talvez fosse mais fácil se soubéssemos que o do Jim Carrey e o da Jennifer Aniston proporcionam mais que boas risadas, através da sua fórmula de entretenimento com um pouco de auto-ajuda. Se esses filmes fosse capaz de dar um estalo do tipo “ei da poltrona, acorda pra vida!”, você os assistiria?

Nas duas últimas semanas, assisti 2 comédias que me surpreenderam. Afinal, eu não espera que um filme de comédia possa ir além do “engraçado” e me ensinar algo. Há muitos filmes com lições enriquecedoras, mas a maioria é drama e extrair alguma lição depende do envolvimento e interpretação de cada um. Os 2 filmes que assisti são diferentes porque são leves e a “lição” é a mensagem principal.

O primeiro, “Ele não está tão a fim de você”,  é mais para as meninas —embora homens irão se identificar com muitas das situações. Baseado num best-seller —escrito por 2 roteiristas de Sex and the City— que vendeu mais de 2 milhões de cópias, o filme é um beliscão em todas as mulheres que ficam murmurando e imaginando porque o cara não telefonou pra ela depois de um agradável encontro (na opinião dela). O filme mostra personagens bem realistas como o casal que namora há 7 anos e ainda não se casaram, o casal de fachada, o cara que parece não ter sentimentos e outros. Qual é a mulher que não tem pelo menos uma amiga solteirona que tenta mas nunca consegue ter uma relação estável? Qual o homem que não tem um amigo que está velho demais pra bancar o garotão —mas ainda se acha?

150609_simsenhorEm “Sim senhor”, o caráter auto-ajuda do filme é mais evidente. Ele não é baseado em um livro de auto-ajuda, e sim no personagem que assiste um seminário de auto-ajuda. Um sujeito conformado com a vida, que foge de responsabilidades maiores utilizando a resposta mais segura de todas, o “não”. Carl não se importa de estar há 5 anos sem uma promoção, nunca fazer nada de novo e inventar desculpas para todos os convites que seus amigos lhe fazem. Ele está bem com a sua vida baseada em DVDs e 40h de trabalho semanais.  Tudo mundo quando um conhecido convida Carl para o seminário “Sim senhor” e faz um acordo com o palestrante de que dirá “sim” para tudo que lhe aparecer na frente. A partir daí, a vida de Carl muda para melhor. Ele toma aulas de coreano, aprende a pilotar, pega um porre com amigos e até aceita ir naquela festa alternativa que há tempos lhe dão o flyer.

Os dois filmes de comédia são despretensiosos e podem te fazer passar batido pelo cinema ou pela locadora, mas são filmes que realmente valem a pena porque pode te levar a pensar “e se eu fizesse algo diferente, pelo menos uma vez, do que costumo fazer?” e se eu simplesmente dissesse sim ao outro filme?

UPDATE: Mais um “filme auto-ajuda” que aconselho, desta vez um drama chamado  “One Week”.

Criança na frente da TVDe acordo com estudo da Mediamark Research, 46,3% das crianças entre seis e onze anos estão usando a internet para conferir os produtos que vêem na publicidade impressa ou na TV.

A pesquisa, feita com crianças americanas, sugere que 10,7 milhões de jovens consumidores acessam o endereço da empresa correspondente à publicidade pela internet.

Quanto maior a idade, maior o índice, sugere o estudo. Dos jovens entrevistados que visitam os sites depois de ler ou ouvir um anúncio, 40% deles têm entre 10 e 11 anos; 33% têm 8 ou 9 anos; e 25% possuem de 6 a 7 anos.

A maioria dos jovens acessa a internet todos os dias e não possui filtros de conteúdo do que podem acessar pelo computador. 41% das crianças já têm um endereço eletrônico próprio e 50% utilizam algum serviço de mensagens instantâneas.

Visto no ADNews

thumbnail do site The Green ProjectQuem conhece a marca de whisky Passport Scotch levanta a mão aí. Agora só quem já bebeu continua com ela levantada.

Como um grande amante de cerveja, não tenho muita credibilidade quando o assunto é whisky, mas tenho amigos e conheço pessoas que não resistem a um malte escocês. Para eles, whisky tem o codinome de “Johnny”. Whisky chamava meu pai, os jovens de hoje chamam de “red”, “black”, “johnny”, whatever, menos whisky.

Onde eu quero chegar é: como colocar a sua marca na cabeça das pessoas que nem sequer chamam o produto pelo seu tipo e sim pela marca concorrente? O Passport Scotch teve uma idéia, criar o The Green Project. Seguindo a “onda social”, o site é um portal de interação com tudo que a moçada curte hoje em dia; blogs, videos, fotos, baladas, podcasts, comunidade e whisky (mas não Johnny!). Para atrair visitantes, foi criado um game baseado na febre Guitar Hero. Vale destacar que o jogo Guitar Hero — e similares como Rock Band — se tornou uma espécie de karaokê mais moderno. Amigos se reúnem para jogar, beber leite e se divertir. Aproveitando-se dessa febre, o The Green Project tem um jogo similar, em que você é o DJ. Se você não entra no site pra blogar, ver fotos, conversar ou programar o final de semana, entra pra jogar.

Como todo o conteúdo é colaborativo — feito pelos usuários — o custo para empresa é muito baixo, por isso é uma boa idéia. Claro que não é suficiente pra derrotar o gigante Golias, mas isso vai criando empatia com a marca e melhorando a sua lembrança. Na próxima vez que você estiver na balada, com certeza vai olhar para a garrafa verde com outros olhos.

Briga de Mulher

26 de novembro de 2008 • TEMAS: Filosofando / Notícias / /

Mês passado chegou às bancas, a edição brasileira da revista Women’s Health, feita a partir de uma costela da tradicional Men’s Health — a revista definitiva do homem moderno. Ela realmente é a revista definitiva de nós homens. Antes dela, a leitura masculina se resumia a revistas como VIP e Playboy.

A Men’s Health, ao contrário das outras revistas masculinas, não estimula aquele homem barrigudo, sedentário que vive à base de batata frita, cerveja e usa elevador para ir ao 1° andar. Ela estimula o desejo de ser aquele homem atlético, saudável e bem-sucedido com as mulheres e os negócios. Qual é o homem que não deseja isso? Vai dizer que você adora carregar essa pochete pra cima e pra baixo? Mas chega de falar de homem, o post de hoje é sobre elas.

A Men’s Health trouxe algo diferente para o público masculino. Por outro lado, a Women’s Health está trazendo praticamente o mesmo conteúdo que as revistas Corpo-a-Corpo, Saúde e Boa Forma já fazem há anos! Mercadologicamente falando, o desafio vai ser muito maior. Os esforços de marketing terão que ser muito mais intensos para fazer a Women’s Health ganhar um espaço entre o público feminino. A vantagem, é que boa parte dessa briga de mercado acontece em família. A revista Women’s Health está sendo lançada pela editora Abril, a mesma das revistas Boa Forma e Saúde. Dessa forma, o trabalho fica mais fácil posicionar as revistas para nichos diferentes e evitar que elas concorram diretamente. Uma coisa é certa: nenhuma outra revista ensina como ganhar barriga de tanquinho em 7 dias.

A televisão brasileira está mudando, e não estou me referindo à qualidade dos programas. Muitos apresentadores estão perdendo o velho hábito de fazer dos outros canais, um pecado tão grande que não pode ser mencionado no ar. Isso pareceu mudar com a chegada do Pânico na TV e seu contrato com a RedeTV que dava total liberdade para Emílio e sua turma fazer o que bem entendessem. Eles vendiam a Jovem Pan na TV e a RedeTV na Jovem Pan. E eu não tenho dúvida que essa estratégia foi fundamental para o sucesso deles na telinha. Não havia outra maneira de dizer para os ouvintes que agora eles estavam na TV, a não ser falando — óbvio, não?. Agora, a mesma liberdade pode ser notada em programas como o do gay Raul Gil, Silvio Santos, CQC e até na queridinha Maísa.

Eu vejo isso como um indício de engagement marketing na televisão. Embora o conceito de marketing colaborativo seja construído da relação empresa-cliente; Raul Gil, Silvio, Santos, Maísa e Pânico na TV estão colaborando entre si. Não exatamente gerando conteúdo, mas participando de discussões ao invés de fingir que elas não existem e, claro, gerando resultado positivo para seus programas e na boca do povo. Por exemplo, Silvio Santos perguntando para Maísa se ela assiste o Pânico, Raul Gil falando sobre o Silvio Santos tê-lo chamado de gay, o TOP 5 do CQC que pega trechos de programas de canais… e por aí vai. Como eu disse no início, não estou falando de qualidade, mas de um novo jeito de fazer programas de televisão.

O público Pânico é o mesmo do Raul Gil? Abordando tanta política, o CQC consegue atingir as classes mais baixas, que por sua vez adoram Silvio Santos e Raul Gil? A Maísa teria se tornado um sucesso se não fosse pelo CQC e a paródia Malisa, do Pãnico? Todas essas perguntas são facilmente respondidas ao reparar a liberdade de expressão que esses apresentadores conquistaram. Enquanto muitos outros continuam presos numa ilha chamada Projac.

It’s Delicious !

22 de outubro de 2008 • TEMAS: Marcas / Tecnologia / /

Somente há pouco tempo descobri a maravilha que é o Delicious (antes chamado de del.icio.us). Percebi que sou preguiçoso pra conhecer novas ferramentas.  A maioria de nós somos assim, os consumidores de uma maneira geral são assim. Se o Novo requer um pouco de atenção, nós deixamos pra depois. Até perceber que aquilo é realmente útil e interessante.

Comigo foi assim no Orkut, no Last.fm, no StumbleUpon, no Twitter. Em todos, me cadastrei logo no começo pra ver como era e depois esqueci. Só vim começar a usar mesmo, depois de algum tempo quando descobri como tirar proveito deles — no caso do Twitter, até hoje não descobri.

De todas essas ferramentas (gosto de chamar assim, mas se preferirem: social medias ou redes de relacionamento), a campeã de utilidade é o Delicious. Entre as que citei, a única que não conseguirei viver sem daqui pra frente. E qual o objetivo de uma marca senão alcançar esse patamar na mente das pessoas? Bem, o Delicious já é uma marca de valor há algum tempo. No final de 2005 foi vendida para o Yahoo! por algo em torno de 20 milhões de dólares. Na época, o site possuía mais de 300.000 membros.

Para quem não sabe, o Delicious é um armazenador de favoritos, os famosos bookmarks. Você organiza seus sites preferidos através de tags, podendo compartilhá-los com qualquer pessoa. E qual o barato disso? Se tudo que você tem nos seus favoritos são 3 ou 4 sites que nunca acessa, você irá achar o Delicious sem sal. Se você tem dezenas de favoritos e morre de medo de dar um pau e perder todos da noite pro dia, o Delicious é a melhor coisa que existe. Além disso, ele é discreto — se integra ao Firefox e Explorer por meio de ícones e não de barras — e você tem todos os seus favoritos disponíveis em qualquer computador, onde quer que esteja.

Não é um barato? Corra! Crie logo o seu e me adicione!

A bolha estoura de dentro

29 de setembro de 2008 • TEMAS: Carreira / /

Um filme que retrata as angústias e temores de forma visceral e incontida de um jovem executivo promissor. É assim que descrevo o filme August, com Josh Harnett. Achou minha descrição um tanto obscura — ou enfeitada? Então assista o filme.

Neste momento deixo de ser apenas crítico e me torno crítico DE cinema…

O filme não tem exatamente um enredo, ele tem cenário, personagens e um contexto interessantíssimo — além de palavrões. Tom Sterling junto com seu irmão, abriu um portal quando o negócio mais promissor do mundo era a internet, a famosa bolha da internet . Assim como muitas outras empresas entre 1996 e 2001, sua empresa cresceu rápido  e chegou a valer quase 400 milhões de dólares na Nasdaq — e assim como muitas dessas empresas, elas quebraram tão rápido quanto cresceram. A de Tom estava muito perto disso. O filme se passa em um momento crítico para os EUA, algumas semanas antes dos ataques de 11 de setembro e bem no meio da tempestade causada pelo estouro da bolha. Em outras palavras, o mercado estava um caos!

Tom é um jovem CEO de lábia e colhões de aço, conquistador e de pulso forte, ainda jovem experimentou o que é valer milhões. Seu talentoso irmão, junto com outros dois jovens executivos, compõem a parte prudente e profissional da empresa, que vinha enfrentando crises e mais crises com o declínio de suas fontes de renda, sem saber o que fazer, Tom enfrenta todos os tipos de dificuldades, profissionais e emocionais.

Daqui pra frente, o filme é inexplicável. Não necessariamente bom, mas vale assistir pelo contexto e diálogos interessantes. O que eu consegui extrair do filme é que assim como uma pessoa pode construir uma empresa, ela pode destruir. Atente para o seu jeito, seu comportamento, meça suas palavras; em suma, seja profissional. Você pode ter muito talento, mas ninguém está disposto a aturar sua arrogância em troca dele.

“I love smoking”

20 de junho de 2008 • TEMAS: Propaganda / /

“Suponhamos que amanhã venha um besouro do tabaco e coma todos os Old Gold do planeta, você pararia de fumar?”

É com uma conversa inspiradora entre um garçom e um bem sucedido diretor de criação que o 1º episódio da série Mad Men inicia.

Há pouco tempo, Lucas Mendes – apresentador do programa Manhattan Connection que mora em Nova Iorque – deu uma entrevista ao Meio&Mensagem e, claro, o tema não poderia ser outro senão propaganda. Pergunta vai, respostas vêm, perguntam a ele se algum programa da TV norte-americana tem chamado sua atenção nos últimos tempos. Mendes comenta sobre Mad Men, uma interessante série sobre o mercado publicitário nova iorquino na década de 50. Nome pelo qual executivos do centro de Manhattan eram chamado naquela época.

Como bom curioso que sou, tratei de baixar alguns episódios da série, sem nem mesmo procurar entre a programação da minha TV a cabo. Mad Men é uma série interessante para publicitários e talvez nem tanto para aquelas pessoas dotadas de pouco sarcasmo e hedonismo. A série mostra o lado “pouco bonito” de redatores e diretores de arte que só querem saber de azarar as estagiárias da agência, mantêm vida dupla e não recusam um scotch às 4:30 da tarde. Eu não tenho nada a declarar, vamos mudar de assunto.

A série traz alguns pontos interessantes, além do bom (e mau) humor publicitário, como a desdém do diretor de criação diante de um trambolho chamado televisor; a angustiante busca pela idéia perfeita e outros embates, como que linha de comunicação seguir após pesquisas comprovarem o mal que o cigarro faz ao nosso organismo.

Voltando ao garçom, ele responde: “Eu iria encontrar uma saída, eu adoro fumar”.

Não é difícil vender algo que as pessoas adoram, mesmo que todos saibam o risco que estão correndo. Que fique claro que isso não é apologia ao fumo (eu não fumo), isso é publicidade.