Você está em ‘empreendedorismo’

Boa parte das pessoas veem em abrir seu próprio negócio a saída para escapar dos chefes malas, rotinas corporativas, promoções frustradas  e cheque-especial. Para essas pessoas, ter sua própria empresa é o modelo de vida ideal,  um sonho muitas vezes inatingível.

Isso porque criou-se uma série de mitos de que, para abrir um negócio, é preciso muito conhecimento, dinheiro e uma série de outras coisas exclusivas de seres extraordinários que nós, pobres mortais, não dispomos. Errado! Paixão e determinação são duas coisas talvez mais indispensáveis na hora de virar patrão. Se você ama o que faz (o que sua empresa vai fazer) e é uma pessoa determinada e dedicada, vá fundo! E não deixe nenhum dos 7 mitos a seguir lhe impedir.

MITO 1:  É preciso muito dinheiro.

Este é certamente o maior mito sobre empreendedorismo que existe. Como tudo na vida, se você tem dinheiro as coisas se tornam mais fáceis. É fácil virar empresário se você tem dinheiro pra comprar uma franquia. Ou para alugar um ponto em um shopping center ou pode investir milhares de reais por mês em marketing. Esse é o caminho fácil, mas não o único.

Se você não pode seguir a trilha na mata, leve um facão e faça seu próprio caminho. Com muito suor, vontade e determinação quem sabe você não consegue abrir algum negócio com meros  100 reais?

17% de todos os novos negócios abrem as portas com menos de $5000 de investimento. E quantas histórias já ouvimos de empresas que começaram com uma portinha e sem nenhum funcionário? Nos Estados Unidos, das empresas que faturam mais de $1 milhão por ano, 72% começaram com investimentos de no máximo $50 mil. Isso significa que, se você acredita realmente em um negócio, venda seu carro e ponha em prática.

MITO 2:  É preciso uma grande ideia.

Vender revistas e livros é algo pra lá de manjado e ainda assim um grande negócio se bem administrado. Como é o caso da livraria Newstime, de Belém do Pará.

Quem for hoje a um shopping em Belém, verá uma grande e agradável livraria chamada Newstime, mas nem sempre foi assim. Ela começou como uma banca de revista, depois virou um pequeno quiosque no meio do shopping, e só então, abriu sua primeira (grande) loja  — chegando a ter 2 lojas em um mesmo shopping. Tudo isso vendendo pedaços de papel com tinta. Uma ideia que não podemos chamar de original.

Uma ideia original ajuda bastante, mas ela é apenas um dos fatores de sucesso de uma nova empresa. Existe uma infinidade de produtos e serviços no mercado; é possível melhorar um já existente, focar-se em públicos diferentes. Muitas empresas de sucesso lançaram no Brasil algo que já existia lá fora. As possibilidades são enormes, e uma ideia original e inovadora é só uma delas.

MITO 3: É preciso estudar muito.

Visão, intuição e trabalho duro não se aprende em nenhum  MBA. E hoje isso é cada vez mais importante. É aquela velha diferença entre sabedoria e inteligência. Uma pessoa pode ficar inteligente indo à faculdade, mas sabedoria vem com o tempo e dedicação.

Um curso do Sebrae e alguns livros talvez seja tudo que você precise.  Saiba que Michael Dell, Bill Gates, Steve Jobs, John Mackey (Whole Foods Inc.) e um grande número de empresários brasileiros abriram suas empresas sem terminar um curso de graduação.

MITO 4: É preciso um plano de negócios detalhado.

É bom, mas um tanto desnecessário. Um plano simples, com informações básicas acerca do mercado e objetivos e da empresa seja suficiente. Enquanto você está sentado  montando o “superplano de negócios” o mercado está mudando e empresas estão crescendo. Ao invés, monte um plano simples, abra sua empresa e vá atualizando conforme sua empresa evolui.

MITO 5:  Lucro só depois de 5 anos.

Costumamos ouvir que uma empresa leva de 3 a 5 anos para pagar o investimento e começar a dar lucro. O que não é bem verdade. Tudo depende de quanto é o investimento. Se baixo e bem administrado, mais rápido se obtém retorno sobre o investimento e você começa a ganhar dinheiro.

MITO 6: É preciso um nome fantástico.

Eu já li que nome não importa muito, também já li que um nome fantástico é importantíssimo pra uma marca. Bem, hoje acredito que nem um nem outro reflita a realidade. Um bom nome é importante. Nada de colocar seu sobrenome ou um clichê. Mas também não precisa passar noites em claro pensando no melhor nome do mundo. Pense em um, pergunte a algumas pessoas e divulgue ele como nunca.

MITO 7: Precisa ter ótima localização.

O Boticário só se tornou essa grande empresa que é porque seus dos não se deixaram abater pela falta de dinheiro pra alugar um bom ponto. Eles abriram a 1ª loja no aeroporto em uma época onde aeroportos não eram shopping centers.

Aluguéis altos são uma das maiores armadilhas em que uma empresa pode se meter. Você coloca sua empresa na mão do locador, e acaba aceitando valores mais altos para evitar o risco de ter que mudar de endereço. Sua empresa precisa realmente estar naquela esquina? Naquele bairro? Em um shopping? Provavelmente, você vai vender mais, é verdade. Mas o malabarismo para poder pagar as contas também vai ser grande.

Reparem que todos os mitos referem-se à supervalorização de certos aspectos que envolvem a abertura de uma empresa. Ainda que você não precise de muito dinheiro, é necessário algum dinheiro, alguma ideia e um plano de negócios enxuto. Eles são importantes, mas o que realmente fará a diferença é como sua empresa se comportará depois de abrir as portas.

Baseado neste artigo do San Francisco Chronicle.

Rede de restaurante vegetariano

O mundo tem pelo  500 milhões de vegetarianos. Um número que tende a aumentar com campanhas de ONGs como PETA e o crescimento de produtos naturais, orgânicos no combate à obesidade e doenças.  Alguns números pelo mundo:

  1. 3,3% dos americanos são vegetarianos. Ou seja, mais de 7 milhões de pessoas.
  2. A média européia é de aproximadamente 3% de vegetarianos.
  3. Cerca de 8,5% da população de Israel é vegetariana.
  4. A Índia tem o maior número de vegetarianos do mundo: 399 milhões.

Falando de Brasil, não existe muito estudo sobre isso. Mas vejamos alguns indícios que podem reforçar a ideia de que abrir restaurantes vegetarianos é uma boa ideia.

Segundo uma pesquisa do Instituto IPSOS, 28% dos brasileiros têm tentado comer menos carne. A comunidade no Orkut “Eu Queria Ser Vegetariano” tem 5.400 membros. E todas as comunidades sobre vegetarianismo ultrapassam 15.000 membros. Mas nem só de vegetarianos vive o mercado vegano. O público é muito maior.

Como seria
Pizzas, burritos, hamburguer de soja, panquecas, sucos diferentes, biscoitos e produtos-prontos (possibilidade de parceria com outras empresas) para o cliente levar para casa. Mmmmm…

Cada vez mais pessoas se preocupam com saúde e topariam abrir mão da carne em uma das refeições. Porque é saudável, além de ser uma atitude positiva com o mundo. Do ponto de vista de negócios, o negócio é viável pelo seguinte: a margem de lucro é maior que a dos outros restaurantes, custo baixo e preço mais alto. Mesmo assim, eles vivem lotados.

Spoleto, China In Box e Bonaparte são ótimos exemplos de restaurantes que conseguiram crescer usando a fórmula de “cozinha rápida” do fast-food ao requinte do à la carte. A ideia é criar um restaurante vegetariano assim. Estrutura enxuta (cada loja Spoleto não têm mais de 4 funcionários), ingredientes de qualidade e marca forte. Esse é o segredo.

OBS.: Esta é uma ideia pessoal, não conselho. Sabemos que para abrir um negócio é preciso estudar o mercado, entender o consumidor, analisar custos e montar um plano de negócios. Uma boa ideia é importante, mas trabalho duro  é determinante.

Aposto R$100,00 como a maioria das pessoas pensa que é impossível abrir um negócio com 100 reais.

“Sem saber que era impossível, foi lá e fez”. Essa famosa frase do Cocteau pode ser balela para muitos, e essa crença diferencia empreendedores de pessoas comuns. A questão aqui não é fazer mágica pra achar um negócio cujo investimento não ultrapasse R$100 (não seja cabeça dura), a questão é que é possível começar um pequeno negócio a partir de muito pouco. Pode ser R$200, R$500, R$1000. E todo trabalhador tem condição de conseguir 1000 reais.

Um ano atrás eu escrevi sobre Chris Guillebeau, um sujeito que nunca gostou de ser empregado e passa a vida viajando e escrevendo sobre carreira e independência profissional. Chris se juntou à Pamela Slim — autora do livro Escape From Cubicle Nation (como escapar do seu trabalho e perseguir sua paixão)– num projeto interessantíssimo chamado $100 Business Forum. Eles e outros 149 empreendedores irão dar dicas e auxiliá-lo na montagem de um plano de negócios para por a ideia em prática. Infelizmente, o forum online é pago. Curiosamente, o preço é $100.

No mundo dos negócios não há uma regra que diz que para um negócio dar certo é preciso pagar caro. Investir num ponto, pagar funcionários e comprar equipamentos. Com uma ideia na mão, habilidade e determinação, você pode começar algo sozinho e com quase nada de dinheiro. Desde que você se livre desse mito estúpido de que para abrir um negócio é preciso de muito dinheiro.

Uns 10 anos atrás, as empresas começaram a perceber que a internet era um excelente canal de vendas, fácil, prático e barato. Agora, as empresas também estão vendo que ela é uma mídia fantástica. Segundo uma pesquisa, 86% das empresas disseram que pretendem investir mais em social media em 2010.

É possível eliminar gastos com marketing e diminuir despesas com vendas utilizando a internet. Chega até ser estranho ler hoje algumas histórias de grandes empresas que surgiram de vendas porta a porta, com dinheiro emprestado de amigos ou que fabricavam produtos em casa. Parece que tudo ficou mais difícil, que tudo mudou. Mas as coisas não mudam, apenas se transformam. Ainda é possível utilizar a velha receita de muito trabalho e pouco investimento.

O Japão tem um novo bilionário: Yoshikazu Tanaka, que carrega o título do mais jovem bilionário da Ásia. (fortuna conquistada sozinho, sem herança.)

Na posição de Nº18 entre os 40 mais ricos do Japão, Tanaka tem patrimônio estimado em $1.6 bilhões de dólares, quase o dobro da fortuna avaliada 1 ano atrás. Esse milagre se deu ao fato das ações de sua rede social, Gree, dobrarem nos últimos meses.

Depois de se graduar na Universidade de Nihon, Tanaka trabalhou na Sony até entrar na Rakuten, a loja online criada pelo 6º cara mais rico do Japão, Hiroshi Mikitani. Quando ele estava lá, ele criou a Gree só por diversão. Hoje, seu site tem 15 milhões de usuários (quase o dobro de 1 ano atrás) que compram roupas e acessórios para customizar seus avatares.

Tanaka nos faz lembrar mais uma vez que mesmo quando o mundo está passando por maus momentos, jovens empreendedores podem inovar e ficar rico. Ele é mais um da longa linha de magnatas da tecnologia, de Michael Dell a Bill Gates que construíram suas fortunas entre 20 e 30 anos de idade. Hoje, existem 8 pessoas que se tornaram bilionários antes dos 40 graças à tecnologia.

Desses 8, quatro são da China, três dos Estados Unidos e o Tanaka no Japão. Vários ficaram rico com jogos onlines e redes sociais, e todos ainda estão envolvidos nas empresas que criaram.

Para a maioria, como Tanaka, a empresa começou como um hobby e logo rendeu bilhões. O mais jovem desses 8 é Mark Zuckerberg, o já conhecido criador do Facebook. Mark entrou pra esse seleto grupo em 2008, aos 23 anos, tornando o mais jovem bilionário que o mundo já conheceu. Ele criou o site no seu 2º ano em Harvard apenas para seu campus, mas a rede logo se espalhou para outras faculdades e agora possui 350 milhões de membros. Largar Harvard rendeu a Zuckeberg uma fortuna de $2 bilhões que não para de crescer.

Esses empreendedores já alcançaram grande sucesso, mas eles ainda têm um longo caminho pela frente até alcançar Bill Gates, o homem mais rico do mundo.

Em 1987, Gates foi declarado um bilionário na lista dos 400 homens mais ricos da América, com $1,25 bilhões. Alguns dias antes do seu 32º aniversário. Gates está na lista há mais de 20 anos, mas não foi assim para todo mundo.

Jerry Yang e David Filo, os criadores do Yahoo! estavam com 30 e 32 anos, respectivamente, quando se tornaram bilionários em 1999. Com o estouro da bolha,  suas fortunas passaram a valer menos de 10% do que em 1999. Ambos voltaram à lista em 2003, mas jamais chegaram perto de rever os $6 bilhões de dólares que tinham no ano 2000.

Analisando hoje, quem está mais próximo de ser o próximo Bill Gates na verdade são 2… adivinhem.  Os criadores do Google é claro: Sergey Brin e Larry Page. Em março passado [quando saiu a última lista Forbes], eles eram os 26º mais ricos do mundo, com $12 bilhões cada. Perto do final de 2009, a dupla já possuía $15,3 bilhões.

Mesmo que esses jovens nerds não alcancem Gates, eles continuarão sendo os criadores das empresas que mudaram a maneira como socializamos, agimos e navegamos. Chen Tianqiao, o bilionário CEO da companhia chinesa Shanda Interactive, disse a Forbes em maio de 2005: “como empreendedor chinês, eu respeito Bill Gates, mas eu quero ser o Chen Tianqiao da China, não o Bill Gates da China”.

[Artigo traduzido do original publicado na Forbes]

Assistindo uma entrevista do Fernando Dolabela no Manhatan Connection do último domingo, achei interessante abordar este tema inédito aqui no blog,  empreendedorismo interno, ou intrapreneurship.

Procurei em uns materiais e achei os 10 mandamentos do empreendedor interno. Vale a pena ler.

  1. Vá ao trabalho cada dia preparado para ser demitido.
  2. Contorne qualquer ordem que objetive interromper seu sonho.
  3. Se preciso, “carregue pianos” em seu projeto.
  4. Gaste muita saliva e sola de sapatos.
  5. Siga sua intuição sobre o pessoal, use apoio e trabalhe somente com os melhores.
  6. Não divulgue seus projetos. A publicidade atrai céticos, descrentes e resistentes.
  7. Nunca aposte numa corrida a menos que esteja participando dela.
  8. Lembre-se que é mais fácil pedir desculpas pelo insucesso do que permissão para tentar algo novo.
  9. Tenha metas ambiciosas, mas seja realista quanto aos meios que dispõe.
  10. Seja leal com todos. Não há conflito entre realização e consciência tranquila.

[Extraído do livro Intrapreneuring - Por que você não precisa deixar a organização para ser um empreendedor, de Gifford Pinchot III]

Não desanime quando o mercado estiver ruim. Por mais difícil que esteja, saiba que poderia ser muito pior. Você poderia ser um vendedor japonês na Europa logo após a 2ª Guerra Mundial.

Normalmente, as pessoas não gostam de vendedores. Estão sempre tentando empurrar mercadorias que nem sempre a gente quer. Os mais irritantes são os vendedores de porta em porta, em sua grande maioria invasivos e insistentes. Agora, imagine um vendedor de porta em porta japonês no período pós-guerra!

Ao lado de alemães e italianos, os japoneses eram apontados como os grandes responsáveis por todo o sofrimento, morte e destruição que assolavam o velho continente. Por isso, aonde ia, o vendedor Komashio era recebido com hostilidade, desconfiança e até ameaças.

Como desgraça pouca é bobagem, ele tentava vender rádios japoneses numa época em que eletrônicos orientais eram sinônimos de péssima qualidade. Então, por que Komashio não retornou a seu país? Simples: se na Europa estava ruim, no Japão estava ainda pior. O comércio de produtos estava praticamente parado, numa nação totalmente devastada. Para não ser obrigado a fechar as portas, o fabricante dos tais rádios portáteis decidiu enviar seus vendedores para mercados mundo afora. Mas, depois de meses de tentativas frustradas em território europeu, Komashio não havia vendido um único aparelho.

Certo dia, em Hamburgo, ao oferecer os rádios a uma loja de pianos, o japonês escutou do proprietário:

— Não estou interessado. Só trabalho com produtos de qualidade.
— Se eu pagar, o senhor aceita ao menos expor o produto?

O homem coçou a cabeça pensativo, viu que não tinha motivo para recusar e, em troca de dinheiro vivo previamente pago, aceitou expor o aparelho na vitrine por uma semana.

Komashio ficou animado, era a primeira vez que expunha seu produto. Ficou preocupado também. Sabia que, se os rádios não vendessem, ele teria que retornar a seu país com missão fracassada.

O japonês parou numa esquina próxima e ficou observando os pedestres que passavam em frente à loja. Para sua decepção, ninguém prestava atenção nos produtos. Afinal, eram apenas rádios comuns de uma marca desconhecida. Ele ficou matutando sobre como poderia reverter aquela situação. Enfiou a mão no bolso e contou o que restava do seu pouco dinheiro. Não daria pra investir em propaganda, divulgação, nada. Nada? Pensava nisso quando avistou um grupo de estudantes que vinha conversando animadamente pela rua.

Foi então que o vendedor teve uma ideia insólita: convidou os jovens a assistirem uma demonstração sobre a qualidade e a potência dos rádios. Depois, perguntou quem havia gostado dos aparelhos. Seis rapazes ergueram as mãos. Komashio perguntou:

— Se eu pagar uma pequena quantia, vocês aceitam promovê-lo?

Ontem ou hoje, aqui ou na Europa, estudantes estão sempre iguais: duros. Por isso, aceitaram fazer o que o homem pedia. Eles deveriam entrar, um a um, na loja de pianos e dizer ao proprietário: “gostaria de ouvir aquele rádio”. Depois de experimentá-lo, deveriam tecer elogios. Algo do tipo: “além de portátil é fácil de mexer e o som é muito bom”. Finalmente, deveriam comprar o produto e entregá-lo a Komashio.

Antes que você pense que isso é absurdo, saiba que foi dessa forma que a marca Sony entrou na Europa. No final daquela semana, o gerente recebeu Komashio com um largo sorriso: “Me mande mais rádios, estão tendo boa saída”.

Moral da história:
(investir) Dinheiro só ajuda a decolar um negócio se houver uma grande ideia.  Os verdadeiros empreendedores são aqueles transformam o pouco em muito.

[Trecho retirado do livro "Oportunidades Ameaçadas".]