Queria comentar a pesquisa feita pelo IPEA sobre as vendas online no Brasil, mas achei melhor criar este infográfico:

Queria comentar a pesquisa feita pelo IPEA sobre as vendas online no Brasil, mas achei melhor criar este infográfico:

Todo mundo sabe muito bem o que é o mercado negro, mas você já ouviu falar em mercado cinza — um dos maiores vilões da economia?
A primeira vez que ouvi alguém usar a expressão foi Marcos Khalil, dono da rede de loja de games UZ Games, uma das maiores do Brasil. Khalil bateu forte na tecla de que a o mercado cinza é o maior inimigo do mercado de games no Brasil, resultado de um sistema tributário mal formulado que torna a vida dessas empresas muito mais difícil, sendo o principal estímulo do mercado informal.
Enquanto o mercado negro é a comercialização de produtos ilegais ou proibidos, o mercado cinza comercializa produtos originais e permitidos, mas pelos canais errados ou pagando pouco (às vezes nenhum) imposto. Por exemplo, pequenas lojas que vendem filmes ou jogos piratas estão no mercado negro, mas se vendem aparelhos eletrônicos —não comprados direto do distribuidor do país de origem—passam a se enquadrar no mercado cinza. O produto não é ilegal, mas é invisível para o fabricante (por não ser um distribuidor autorizado) e para o governo (não passar pela Receita). Geralmente, essas lojas ou vendedores não são cadastradas junto ao fabricante ou distribuidor e adquirem as mercadorias de fontes não confiáveis. Compras em sites internacionais também são um tipo de mercado cinza, já que não geram nenhum valor para o Brasil.
Ainda existe o chamado “mercado verde”, que é o comércio de produtos usados. Ainda não é um problema no Brasil, mas algumas empresas norte-americanas já estão criando estratégias para estimular a compra de produtos novos, em vez de usados.
Voltando ao assunto principal, o empresário disse uma coisa muito interessante: “a pirataria [mercado negro] nunca vai acabar, porque faz parte da cultura”. Porém, o mercado cinza brasileiro pode diminuir drasticamente se houver incentivos do governo. O mercado cinza também deixa de gerar empregos e diminui arrecadação, fazendo com que investidores deixem de ver no Brasil um mercado promissor em certas áreas.
As pessoas que compram no exterior ou no mercado paralelo, compram porque é barato. Eu, por exemplo, comprei cerca de 20 jogos originais nos últimos 12 meses. Desses, 4 foram comprados no Brasil, 16 no exterior e apenas 1 foi taxado pela receita. O Brasil deixou de arrecadar 75% do meu consumo com games no último ano. Eu não estou errado, compro jogos originais e não estimulo a pirataria, mas compro onde acho melhor para o meu bolso. O mercado cinza não é errado, é injusto.
Todo consumidor busca fazer bons negócios, é essa busca que move boa parte da economia mundial. É bastante comum alguém ficar surpreso ao comparar o preço de um produto aqui no Brasil e lá no exterior. Milhares de brasileiros compram de sites internacionais ou voltam do exterior com a mala com muito mais do que roupas… Não seria muito mais fácil se o governo diminuíssem os impostos?
Esse é o grande impasse. O Governo acha que diminuir impostos irá diminuir a arrecadação, a indústria quer provar o contrário: a diminuição dos impostos irá aumentar o volume de negócios e, com isso, a arrecadação. Sem falar na abertura de novas empresas e milhares de novos empregos.
De forma alguma quero entrar na discussão infinita de pirataria e impostos no Brasil. Mas é importante ter esse discernimento, de que o que atrasa o país não é a pirataria, mas o mercado paralelo de produtos com os seus HiPhones, “BlackBarrys”, aparelhos de TV via satélite, importados, etc.

Depois de várias prorrogações, a isenção do IPI enfim acabou (exceto em caminhões e móveis). Ontem, aconteceu algum muito curioso no Jornal da Globo, o economista Carlos Alberto Sardenberg praticamente desmentiu, ao vivo, o especialista em mercado automotivo Marcelo Cioffi que acabara de aparecer na reportagem.
A reportagem mostrou que os mesmos carros vendidos aqui no Brasil custam muito menos em outros países da América latina como Argentina, Chile e México. Foram entrevistados a diretora do IBPT que destacou que o Brasil é um dos 5 países de maior carga tributária do planeta e o consultor automotivo.
Em outras palavras, Cioffi disse que carro é caro no Brasil porque tem quem compre. Como o Brasil é um dos países mais ricos da América Latina, as montadoras aproveitam para praticar maior margem e lucrar mais.
Sardenberg foi sutil, mas praticamente disse que não tinha fundamento esse argumento. Vou transcrever uma parte do diálogo entre William Wack e o economista, e o resto vocês veem no video. Vale à pena.
Wack: “Uma das frases ficou na minha cabeça: a de que os carros são caros no Brasil porque o brasileiro pode pagar. Será que é tão grande assim a diferença de poder aquisitivo?”
Sardenberg: “Diria dizer que nos países mais ricos, os carros ficariam mais caros, o que não é verdade. O Chile, por exemplo, tem maior renda per capita que o brasileiro e os carros são mais baratos. O próprio México tem renda equivalente. Então não é por aí. Eu acho que é basicamente o imposto.”