Você está em ‘Dilbert’

Moral da história: Embora a tira use um assunto delicado como salários, essa não é a moral. A informação é. Algumas empresas constroem muros para que os funcionários não conheçam o mercado. As melhores constroem meios de manter seus funcionários o mais informado possível.  Ainda assim, vale comentar sobre o salário. As pessoas só se sentem mal-pagas em três casos: 1) acham seu salário incompatível com a qualificação profissional; 2) A sobrecarga de trabalho e acúmulo de funções não compensa; 3) A empresa é um saco.

NOTA: “Empowered” é um dos livros mais comentados de 2010, escrito por dois VPs da Forrester Research, está entre os 10 livros de negócios mais vendidos desde que foi lançado, em setembro de 2010.

Moral da história: não use “conceitos da moda” só porque todos estão falando a menos que seja compatível com o seu estilo gerencial e os valores da sua empresa. Caso contrário, soará falso e a equipe será a primeira a boicotar.

Obs.: a tradução precisou ser levemente alterada do original em função da expressão “buy-in” ser difícil de traduzir para o português.

Moral da história: e-mail é para ser lido com frequência e respondido rapidamente. Pessoas e empresas que se denominam “ocupadas demais” frequentemente deixam de responder emails achando que sua posição (superior) justifica a incompetência de responder  e-mails que necessitam de um retorno. Se até o presidente do Ritz-Carlton responde todos os emails, porque muitos não fazem?

Lições:

1) Liberdade é a palavra-chave ao marcar presença em redes sociais. Sem autonomia, não se chega muito longe em nenhuma empresa, muito menos quando se trata de relacionamento na web.

2) Não estereotipe ninguém. Saiba que o poder está na mão deles, não na sua.

3) Não coloque em 2º plano ou faça só porque todos estão fazendo. Além disso, muito cuidado com o que você fala! (E isso serve para funcionários e chefes.)

Moral da história: Se tem uma coisa que irrita qualquer um é ser “invisível”. Quando você está no meio de uma apresentação ou mesmo em uma reunião e ninguém parece estar prestando atenção. Uma mescla entre falta de respeito e arrogância, mas bem que parece que você morreu e não sabia.

Moral da história: Empresas que não dão o devido valor aos talentos acabarão cedo ou tarde. E em muitos casos, é mais cedo do que se imagina.

Quem acompanha o Pequeno Guru aqui e no Twitter sabe o quanto eu sou fã do Dilbert e suas situações que muito nos lembram do dia-a-dia das nossas empresas. Mas quem é o homem por trás do personagem? O que ele faz? Qual sua história? Ele é um artista ou apenas um funcionário frustrado?

Ontem, chegou a minha edição de aniversário de 20 anos de Dilbert. Um livro enorme e mais pesado que um bloco de concreto que conta toda a história desse personagem conhecido em 70 países e publicado em mais de 2000 jornais em todo o mundo. Além de milhares de tirinhas impressas e em um DVD especial, o livro conta a história do seu criador, Scott Adams, uma criança talentosa e que adorava desenhar, mas que por uma crueldade da vida, abandonou a carreira promissora de cartunista pra encarar a dura vida corporativa.

A história de Scott Adams é uma lição de talento, persistência e visão. Scott, em meados de 1990, — quando Dilbert estava “apenas” em 200 jornais — percebeu que a internet era a oportunidade que ele precisava pra fazer Dilbert deslanchar de vez. Mas peraí… antes, deixa eu contar um pouco da vida dele. [Se você não se interessa, leia só as lições.]

A pequena biografia de Scott Adams

O pequeno nova-iorquino Scott, filho de mãe artista e pai economista (ou algo do tipo) já desenhava aos 6 anos, muito bem por sinal. Mas o que mais me impressionou (pelos desenhos da época) não era o desenho em si, mas a história que ele contida

.Depois de alguns anos de desenho com direito a 2º lugar em um concurso para caixa de um cereal, Scott tentou entrar numa escola de artes, foi super bem, os desenhos impressionavam para um garoto de 11 anos, mas ele não passou. Justificativa: ele era muito novo, o curso fora desenvolvido para crianças de 12 anos pra cima. Por 1 ano de diferença, o pequeno Scott não entrou na escola de artes. Resultado: abandonou esse sonho e se dedicou ao colégio. Se formou e foi estudar economia.

Scott foi o pior aluno em artes da sua turma na faculdade, foi barrado em uma entrevista porque não estava usando terno, quase morreu de frio depois que seu carro enguiçou no meio do nada, se mudou pra Califórnia; conseguiu seu primeiro emprego em um banco, depois de ser assaltado 2 vezes em 4 meses pediu demissão; se tornou trainee após sugerir ideias impraticáveis mas que agradaram seu chefe (basicamente pelo senso de humor); virou programador; analista financeiro; agiota; analista de produto, chefe de um grupo de analistas de negócios e conseguiu um MBA. Parece que a coisa estava começando a dar certo. Exceto pelo fato de que Scott jamais conseguiria uma promoção. Motivo: as empresas precisavam diversificar, do ponto de vista racial mesmo. Tinha muito branco e as empresas se viam pressionadas para contratar “pessoas diferentes”.

Em algum momento dessa época, Scott criou o Dilbert, basicamente para ilustrar as apresentações que criava para seus chefes. Dilbert parecia mais jovem, cabeçudo e usava uma pólo em vez da tradicional camisa e gravata. Scott mudou de empresa por não ter perspectiva de crescimento, conseguiu um emprego na Pacific Bell (hoje AT&T) pouco antes de terminar seu MBA. Lá, as coisas iam razoavelmente bem até ele perceber que também não ganharia sua tão sonhada promoção. Então, Scott nos deu a nossa 1ª lição…

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Moral da história: Já perceberam que quanto mais alto é o cargo, menos educado é a pessoa? O comportamento mais comumé o da omissão, eles não respondem e-mails e não frequentam os mesmos lugares que os subordinados. Em casos mais extremos, são grossos e desrespeitosos. Tudo isso justificado pelo “eu não tenho tempo para isso”. Com vocês,  a Escola Dogberto de Administração do Tempo…

Moral da história: Por mais despreparado que um chefe seja, por mais que seus funcionários façam todo o seu trabalho, é a reputação dele que está em risco. É preciso passar segurança, motivar e tomar decisões difíceis. Sem isso, ninguém precisaria de chefe.