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Os 8 mandamentos do web design

21 de novembro de 2011 • TEMAS: Digital / / /

Se eu tivesse que atribuir o fator que mais influenciou a minha decisão em seguir uma carreira criativa foi o webdesign. Isso foi há cerca de 11 anos, antes do CSS, XHTML, Flash, tableless e PHP fazerem parte da complexa programação de sites. Naquela época, eu criava alguns sites para amigos utilizando ferramentas pré-históricas como html puro e javascript para dar alguns efeitos legais, mas que hoje são super cafonas. Para imagens, usava o Fireworks (hoje da Adobe) porque o Photoshop parecia complexo demais para mim. Tudo era simples demais, feio demais e tão leves que sites enormes caberiam em um pen-drive.

Hoje, o webdesign evoluiu tanto que eu me tornei quase leigo; se não fosse pelo WordPress e designers que desenvolvem lindos temas para ele, o Pequeno Guru não seria tão bonito assim (cof cof!). Como “quase leigo”, procuro me ater aos aspectos mais universais do design como usabilidade e estética, e deixar a criação para profissionais. Mesmo que você não seja webdesigner, mas trabalha com marketing ou tem um site pessoal, deve ter algum conhecimento nessas áreas.

Desenterrei um post antigo da BusinessWeek, porém ainda atual, com os mandamentos do web design segundo 14 especialistas de diversas áreas como: presidente da Rhode Island School of Design; diretor de design do NYTimes.com; autor do livro “The Zen of CSS Design” e outros.

1. Não abusarás do Flash

Alguns sites simplesmente não precisam de Flash. Animações e efeitos são bonitos, mas podem confundir o visitante, prejudicar o acesso a informações importantes e ser exagerado. Acredito que o segredo do Flash está em responder a pergunta: ele irá agregar ou só ficará mais bonitinho?

2. Não esconderás o conteúdo

Um dos motivos pelo qual eu sou contra propaganda no Pequeno Guru é que ela geralmente atrapalha o conteúdo. Alguns sites parecem não se importar com os seus visitantes e colocam anúncios no lugar que der mais dinheiro. O AdSense do Google é o pior deles, principalmente quando estão  no meio do conteúdo, levando os visitantes a desviarem deles e, às vezes, clicando sem querer. Não há nada errado em ter anúncios no seu site, mas eles precisam estar separados do conteúdo e o mais importante de tudo: em segundo plano.

3. Serás organizado

Dependendo da quantidade de informação do seu site, estruturar bem o site é crucial. Nos 3 anos do Pequeno Guru, eu fiz algumas melhorias para tornar posts antigos mais acessíveis, mudei o sistema de busca, tirei as categorias da lateral para superior, destaquei os assuntos de cada post colocando-os logo abaixo do título e adicionei uma nuvem de temas. Categorias, posts e produtos relacionados, banners com seções especiais, mapa do site e menus em árvore são algumas das opções para ajudar o visitante a encontrar o que ele busca.

4.  Não abusarás do efeito glossy

O que já foi moderno e estiloso hoje é um clichê. Cuidado!

5.  Cultuarás o altar da tipografia

Houve a era dos jpegs, dos gifs animados, do javascript, do Flash e a mais recente delas é a da tipografia, designs compostos basicamente de texto, organizados de uma forma incrivelmente harmoniosa e requintada. Enfim, a tipografia conquistou um lugar importante no web design, que sempre possuiu em outros tipos de design. Percebeu-se que não é preciso de imagens para criar algo bonito e funcional. Sites como Mercado Livre, Craiglist e o blog ZenHabits são bons exemplos. O objetivo não é usar apenas texto, é usar menos imagens, criando um visual leve, como foco no conteúdo e agradável aos olhos.

6. Criarás uma experiência imersiva

Tão importante quanto o design de um site é o seu conteúdo. Sites não mais são como páginas amarelas virtuais onde telefone, endereço e produtos bastam. Bons sites criam experiências, são úteis para o visitante, fazendo ele voltar com frequência e não apenas quando precisa saber onde fica.

7. Serás sociável

Todo website que se preze já carrega ícones de redes sociais como Twitter e Facebook. Porém, mais do que pedir seguidores e fãs é preciso ser simpático e estimular a conversa. Essas ferramentas existem para aproximar pessoas, criando relações mais humanas e menos impessoais. Use-as com esse propósito em mente.

8. Usarás tecnologias conhecidas

Eis algo interessante que os especialistas sugerem. Se for utilizar ferramentas como vídeos, apresentações e fotos; opte por ferramentas já consolidadas. YouTube, SlideShare, Flickr, Wikipédia. Familiaridade é um aspecto importante da usabilidade, utilizar ferramentas que os usuários já utilizam aumentam a chance de interação, uma vez que há maiores chances deles adicionarem aos favoritos, comentarem e utilizar outros recursos de sites que já são cadastrados.

A logo não morreu

26 de julho de 2011 • TEMAS: Marcas /

Por Thomas Dawson, diretor-sócio da PULL Brand Innovation

Ao contrário do que muitos acreditam, a logo ainda é o principal elemento para comunicar a essência de uma marca. Dentro da nossa condensada quantidade de atenção, a logo é mais importante do que nunca.

Não se engane, logos são onipresentes e seus criadores também. Em uma era de logos a R$100 e crowd sourcing, alguém pode achar que a atividade de criação de logos se reduziu a junção de fontes, símbolos, ícones e pictogramas disponíveis em gigantescos bancos de dados. Aparentemente, qualquer pessoa com afinidade por cores e organização pode “juntar” esses elementos uma logo decente.

Recentemente, muitas marcas grandes renovaram suas logos ao estilo crowd source para se conectar com os consumidores (ex: Gap). Ao que parece, donos de marcas têm reduzido a importância de suas logos ao adotar esse método online de criatividade-genérica-faça-você-mesmo-facilmente. Como resultado, sites como Logoworks da HP se tornaram negócios bem-sucedidos.

Por outro lado…

Criar uma logo que oferece valor duradouro e diferenciação para o negócio, requer um trabalho profundo e gente altamente capacitada e talentosa.

Conforme o mundo vai se tornando menor através do avanço da tecnologia dos meios de comunicação e interação, logos que são rapidamente reconhecidas e entendidas são mais importantes e mais valiosas do que nunca.

A logo deve trabalhar tão duro — principalmente hoje — ao serem comprimidas em favicons de 16 pixels, botões, links e na tela do celular. O espaço está ficando menor, e o ruído presente no abarrotado mercado maior. O verdadeiro e eficaz design de logo está sendo pressionado em novos limites, para entregar reconhecimento instantâneo em espaços cada vez menores dentro das novas mídias. Além do conceito de comunicação, essas são considerações importantes que muitos donos de marcas estão começando a perceber e evoluir suas identidades com o tempo.

E mais importante, quando uma logo consegue transcender alguma linguagem, linguística ou barreira cultural, e ainda passar uma história atraente da marca, seu valor aumenta exponencialmente.

O que Paul Rand disse — 3 décadas atrás — sobre a importância da logo ainda é uma realidade: “Se, no negócio da comunicação, a imagem é rei; a essência da imagem, a logo, é a jóia da coroa.”

Logos sempre foram uma abreviação das nossas preferências, um valor simbólico que define quem nós somos e o que nós prometemos. Durante séculos, o formato das logos funcionam como botões costurados em um tecido, que nos envolve e nos conecta. A logo e os ideais que ela representa são mais importantes do que nunca — da mesma forma que a disciplina e o processo de criação delas.

[Artigo original em inglês.]

Vamos ser honestos, a gente sabe que isso acontece o tempo todo.  Mas não precisa ser tão escrachado assim. Talvez você nunca tenha colado na prova ou copiado o trabalho de um colega, mas mesmo assim, você sabe que deve mudar algumas coisas para o professor não perceber. O problema é que, no mercado, o professor é qualquer pessoa. É quase impossível uma cópia passar batida. E aí, meu amigo, nota zero em credibilidade para empresa.

Se você tem um pequeno negócio e uma verba pequena para a criação de um site, muito cuidado com empresas que vendem comunicação a granel. Site não é como um software que você compra exatamente o que recebe. O site acima foi criado por uma dessas empresas, do tipo que não se importa com o seu negócio. Se você se importa, fuja delas.

Psicologia das cores é um assunto familiar para a galera de marketing, design e publicidade. Afinal, essa coisa de estética é coisa de gente jovem e descolada e não tem espaço dentro da alta-gerência, certo? É assim que muitos executivos e empresários devem pensar. Com 85% dos consumidores considerando a cor como o principal fator na hora de escolher um produto, é bom estar por dentro desse assunto que deixou ser de gente descolada e virou assunto de gente competente.

Cor é um dos mais poderosos recursos estéticos utilizados e exerce um impacto enorme no processo de decisão do consumidor. Ao escolher que cor estará na logo da sua empresa, loja ou site; tente deixar de lado o gosto pessoal e analise como os cores poderão influenciar os seus consumidores ao se ver com sua marca, entrar na sua loja ou visitar o seu website. Note que o poder das cores está ligado à percepção das pessoas, portanto, varia de acordo com o sexo, idade e cultura. Por exemplo, “o paraíso” na cultura ocidental é representado pelo branco, já para os japoneses, é em amarelo. Os mesmos japoneses vêem o azul como símbolo para dinheiro, enquanto quase o mundo todo usa o amarelo ou dourado. [Veja o significado das cores em diferentes culturas.]

Designers costumam superestimar a importância da aparência de um produto ou campanha, executivos costumam subestimá-la.  Na minha opinião, é o primeiro passo e, provavelmente, o mais barato deles, então por que não caprichar? Mas se eu tivesse que colocar em uma balança, de um lado qualidade e de outro beleza. Colocaria algo como 60/40 para qualidade. Se seu produto é bom, mas feio, algumas pessoas vão deixar de comprar por puro “pré-conceito” (sim, as pessoas julgam o livro pela capa). Se seu produto é ruim, mas atraente, elas não comprarão de novo e pior, algumas irão espalhar o quão ruim ele é.

Vamos a alguns dados divulgados pela KISSmetrics:

  • 52% dos consumidores dizem não voltar a um site se ele for feio
  • 42% julgam a qualidade de um site pelo design
  • A cor certa aumenta em até 80% o reconhecimento da marca
  • 26% das pessoas consideram o laranja uma “cor barata”. Amarelo e marrom vêm em seguida
  • 57% dos homens e 37% das mulheres dizem que azul é a sua cor favorita

De uma maneira simplificada, vejamos como cada cor influencia as pessoas na hora da compra.

Amarelo: Jovial e alegre. Geralmente, usado para atrair atenção dos consumidores. Contra-indicado como pano de fundo de um site.

Vermelho: Energia. Cria urgência e aumenta o batimento cardíaco. Comum em promoções de lojas, pois dá uma sensação de urgência.

Azul: Transmite confiança e segurança. O azul escuro ou marinho pode ser associado a compra-consciente (o contrário de compra por impulso).

Verde: Associado à riqueza. É a cor mais relaxante para os olhos dentre todas as outras. Verde (ou azul) piscina pode ser usado na comunicação com públicos que possuem limite orçamentário, com por exemplo clientes de grandes lojas de departamento.

Laranja: Agressivo e excitante. Estimula a ação: assine, compre, venda.

Rosa: Feminino e romântico. Usado para comunicar com o público feminino e compradores comuns.

Preto: Poderoso e polido. Usado para comercializar produtos de luxo e estimular compra por impulso.

Roxo: Acalma e relaxa. Frequentemente, usado em produtos anti-envelhecimento. Contra-indicada para vender para o público masculino.

1. Fazendo listas
2. Levando um bloco de notas pra todo lugar
3. Tentando escrever sobre qualquer coisa
4. Afastando-se do computador
5. Sendo do outro mundo
6. Parando de se torturar
7. Fazendo intervalos
8. Cantando no chuveiro
9. Bebendo café/chá
10. Conhecendo suas raízes
11. Escutando músicas novas
12. Sendo uma pessoa aberta
13. Cercando-se de pessoas criativas
14. Recebendo feedback
15. Colaborando
16. Não desistindo
17. Praticando, praticando, praticando
18. Permitindo a si cometer erros
19. Indo a algum lugar novo
20. Assistindo filmes estrangeiros
21. Contando suas bençãos
22. Descansando bastante
23. Arriscando-se
24. Quebrando as regras
25. Fazendo mais o que lhe deixa feliz
26. Não forçando
27. Lendo uma página do dicionário
28. Criando um sistema (framework)
29. Parando de tentar ser perfeito para alguém
30. Escrevendo toda ideia que vier à cabeça
31. Organizando seu espaço de trabalho
32. Curtindo a vida
33. Terminando algo

[Extraído do Twitter @DesignerDepot]

O trabalho de Steve Jobs

31 de maio de 2011 • TEMAS: Digital / Negócios / / /

O veterano engenheiro da Apple Mike Evangelist uma vez foi encarregado de liderar a equipe de design de um programa para gravar DVDs do Mac. Seu time desenvolveu dúzias de esboços altamente sofisticados e os reuniu numa apresentação para Steve Jobs. A seguir, Mike descreve o que aconteceu: “Ele pegou uma caneta piloto e foi para o quadro branco. Desenhou um retângulo e disse ‘aqui está a nova aplicação’. Tem uma janela. Você arrasta o seu video para a janela, então clica no botão BURN. Só isso. Isso é o que vamos fazer.”

Mais:

1. Toda as segundas-feiras, Steve Jobs avalia(va) cada produto na fase de desenvolvimento.
2. Uma vez, ele pediu que uma amostra do mármore que seria usado em uma Apple Store fosse enviado primeiro para ele.

Poderíamos dizer que ele pratica o que se chama de micromanagement, ou em uma linguagem mais popular: centralização. Isso poderia ser um problema se Steve Jobs não fosse Steve Jobs. Fato é que design (leia-se: mais do que estética, usabilidade) é o que faz da Apple única, e é preciso ser bastante chato para assegurar que os consumidores tenham o que esperam –  e da Apple, todo mundo espera algo fantástico.

Quando você tira uma empresa à beira da falência e a coloca no topo dos negócios, cria empresas como NeXT e Pixar… acho que tem o direito de ser um pouco concentrador. Na verdade, esse é o seu trabalho.

Este post contém trechos do artigo: “Why Apple Is Doomed”

A Gap é uma daquelas lojas que poucos assumem gostar, mas que todos compram de vez em quando. É uma loja de departamentos bastante popular nos Estados Unidos, parecida com a Renner ou Riachuelo aqui no Brasil.

Pois bem, esta semana o assunto mais discutido nas comunidades de marketing e design foi a nova logo da Gap. Uma mudança 180º  da tradicional caixa azul e um grande exemplo de como o poder está nas mãos dos consumidores, que não podem ser ignorados em nenhum processo  que envolva grande mudança. Talvez a única coisa que seja mais difícil — para o marketing — do que mudar de logo, seja mudar de nome. A diferença é que poucas empresas mudam de nome durante sua trajetória, enquanto todas precisarão mudar de logomarca em algum momento.

Quem estudou um pouco as histórias de marcas antigas como a Ford, viu que cada versão tinha praticamente uma identidade própria. Elas não herdavam elementos. Hoje,  com a massificação da internet, mudanças drásticas podem desencadear uma revolta online dos consumidores e aparecer em centenas blogs, sites e tweets em tempo recorde; consequentemente gerando assunto para mesas de bar, conversas de elevador, etc. A menos que você seja do tipo “falem mal, mas falem de mim”, isso não é algo bom.

A nova logo criada pelo escritório nova-iorquino Laird and Partners, empresa do ex-diretor criativo da Gap, provocou discussões acaloradas nunca antes vistas a respeito de uma “simples” mudança de logo.

A resposta da Gap (06/10): “Nós usamos a mesma logo por mais de 20 anos, e essa é apenas uma das coisas que estamos mudando. Estamos cientes que a logo gerou um enorme buzz e nós estamos empolgados em ver todas essas discussões surgindo!  Tanto que pedimos pra você compartilhar o seu design. Nós amamos a nossa versão, mas queremos ver outras ideias. Fique ligado nos detalhes que iremos revelar nos próximos dias sobre um projeto crowd sourcing.”

Boa resposta da Gap, mas não importa o quão rápida sejaa empresa; os consumidores são ainda mais rápidos. E o pior: as pessoas adoram memes.

No Twitter, apareceu o @GapLogo que em poucos dias ganhou mais de 3000 seguidores. Na comunidade 99 designs, um concurso premiará com $500 dólares a logo mais bem votada que também será enviada para a direção da empresa como “sinal de boa vontade” da comunidade especializada em design. Outro site também publica logos criadas por outras pessoas. E talvez o mais radical de todos: “Crap Logo Yourself” (“Sua própria logo porcaria”) deixa você criar sua própria logo seguindo o novo padrão Gap.

Geralmente, empresas que ignoram a voz dos consumidores sofrem de hemorragia que levam a um fim precoce. Felizmente, empresas inteligentes agem a tempo de estancar o sangue. Foi assim com a New Coke na década de 80, que retirou o novo produto pouco tempo depois do lançamento, após protestos fervorosos. A Gap parece estar ciente do perigo  e prometeu considerar as opções oferecidas pelos consumidores, mas nada indica que ela vai mudar de ideia.

Podemos tirar algumas lições desta comoção atípica. Se você acha que mudar de logomarca é algo simples, pense de novo.

  • As pessoas criam envolvimento emocional com a sua marca e a logo é a maneira que elas exibem isso. Mudanças drásticas geram estranheza.
  • Novas logos bem-sucedidas são uma evolução ou simplificação da logo anterior . Elas mantém herança genética.
  • O poder está nas mãos dos consumidores. Saiba a opinião deles antes de mudar qualquer coisa, principalmente quando é algo que eles interagem o tempo todo.
  • Reconsidere tudo e aja rápido se os consumidores gerarem grande buzz negativo da mudança.

A embalagem armadilha

10 de agosto de 2010 • TEMAS: Marcas / Marketing / /

26 gramas de goma de mascar sabor menta, sem açúcar, em embalagem moderna estilo “carteira”, nas cores preto e azul com 14 unidades por R$5,00. Essa é a descrição do Mentos Aqua Kiss (Slabs), mas bem poderia ser do Trident Global Connections.

Ele é maior do que a versão original, o sabor refrescante dura horas na boca, o preço é um pouco alto, mas o custo-benefício talvez compense. No entanto, com tantas semelhanças entre os dois produtos, uma coisa deveria ser diferente: a embalagem.

Não conhecia a goma de mascar Mentos Aqua Kiss até pegar um na saída de um restaurante achando que era Trident. Me impressionei com a semelhança porque já conhecia o Global Connections. Alguns dias depois, comprei os 2 e distribuí aqui na empresa, a reação não foi diferente.

Para o marketing, o design tem basicamente dois objetivos: diferencial e funcional. Durante muito tempo (e até hoje tem que pense assim), o design foi visto como algo puramente estético e nunca esteve entre as prioridades das empresas. Sua função era pra dar um aspecto legal ao produto. Hoje, design vai além da estética e se tornou algo funcional. Em casos extremos, o design carrega a alma da marca (como o branco da Apple ou a sofisticação da Lacoste). Caprichar no design é a melhor maneira de diferenciar o seu produto da concorrência. Através de um bom design, é possível fazer um produto ser reconhecido com uma simples olhada ou toque. Até hoje, toda vez que vejo uma lata de 250ml, penso em Red Bull; pode ser o concorrente Burn (que nem sequer usa as mesmas cores) ou até mesmo outro tipo como a Skol. Esse é um dos melhores exemplos de como o design pode ajudar a fixar uma marca.

Quando o consumidor tem contato com um produto, antes de enxergar a marca, ele já viu o formato da embalagem, suas cores e até o material em que é feito. Você pode aumentar a logo, é verdade, mas é melhor aprimorar o design.

Sem levar em consideração algumas pequenas diferenças internas, a marca Trident leva vantagem porque tem o posicionamento mais forte. A marca preencheu este  espaço na mente de milhares de pessoas. Quando eu penso em goma de mascar, penso em Trident. O que o Mentos (marca de balas) deveria fazer era criar uma embalagem totalmente diferente. Talvez colorida e alegre como a marca-mãe ou apenas em uma única versão diferente dessa e com 18 unidades. O design é legal e original.  Disputar com a marca líder usando a mesma estratégia da líder não é muito inteligente. Seja qual for o objetivo, acho que muita gente ainda vai levar Trident por Mentos.

Com 2/3 das decisões de compra sendo decididas no ponto-de-venda e a publicidade convencional perdendo credibilidade, algumas outras áreas do marketing estão ganhando mais espaço. Como melhor atendimento, CRM, lojas mais bem pensadas e embalagem.

O livro Shopper Marketing se dedica aos 2/3 dos consumidores, abordando vários fatores que os influenciam  na hora compra, sob perspectivas de vários profissionais. Um desses profissionais é Scott Young, presidente da Perception Reasearch Services, que conduz mais de 750 pesquisas todo ano sobre embalagem e comportamento do consumidor no varejo.

Scott descreveu os 6 princípios para uma embalagem eficiente. Não se trata apenas de design, mas de resultado. Como o caso da nova embalagem Heinz, que aumentou o consumo de ketchup em 68%. Uma boa embalagem é aquela que ajuda a vender mais e solucionar a famosa dúvida “qual devo levar?”.

  • Embalagem visível. Contraste é a chave. Quando todas as marcas gritam na gôndola, simplicidade pode funcionar. DICAS: Grandes pedaços de uma cor só, logomarca grande cercada de espaço em branco. EX: Kuat.
  • Embalagem útil. A quantidade de opções é cada vez maior. Por isso, marcas inteligentes vão além da sua categoria. O que define sua posição é a utilidade, especialmente se um produto serve para várias coisas. DICAS:  layout consistente e fácil de comparar. EX: Ilhas, produtos de categorias diferentes próximos uns dos outros, produtos no caixa.
  • Embalagem com diferenciação. Não é segredo que boa parte das decisões são tomadas com base em fatores emocionais e intuitivos. Sendo assim, a embalagem precisa conter os fatores-chave da marca. DICA: o design precisa ser mais eficiente (mostrando fatos) ou mais saudável ou mais autêntico (único) ou mais moderno que a concorrência à primeira vista.
  • Embalagem com uma única mensagem. Assim como na propaganda, ou você diz uma coisa ou o consumidor não assimila nada. DICA: Mais informação, não fará o consumidor gastar mais tempo lendo, apenas diluirá a mensagem principal.
  • Embalagem para aumentar o consumo. Como a história da pasta de dente cujo o consumo aumentou depois que mudaram o tubo, fazendo sair mais pasta. Ou como a nova embalagem Heinz citada no começo do post que aumentou o consumo em 68%. Embalagem eficiente é que aumenta vendas e se aumenta vendas, aumentando consumo. DICA: Criação de embalagens “prontas pra consumo”, fáceis de estocar e que evitam desperdício. EX: Embalagem quadrada de cereal.
  • Embalagem sustentável. As pessoas querem fazer o certo. Seja por anseios próprios ou por receio do que os outros vão pensar. Em muitos casos, é uma relação ganha-ganha. A empresa economiza e o consumidor compra algo ecologicamente correto.

Calendários

Cliente: Legambiente
Objetivo: aumentar conscicência ecológica.
Solução: reaproveitar um calendário de 1982 em 2010. (Pra quem não sabe, a cada 28 anos as datas são exatamente iguais.)

Cliente: Stihl
Objetivo: Promover a linha de sopradores e pulverizadores para o outono, principalmente em orgãos municipais, uma vez que eles podem ser usados para limpar as ruas no outono.
Solução: O primeiro calendário de papel que vira a data sozinho. Através de um dispositivo, as folhas caem a cada 24 horas. Veja o vídeo.