Você está em ‘dados’

Ano passado fiz um breve levantamento sobre a taxa de crescimento das vendas das lojas virtuais e das lojas físicas. O resultado foi impressionante. Em datas comemorativas, as vendas dos sites cresciam em média 3 vezes mais do que as realizadas em lojas físicas. Uma das explicações é que o comércio como um todo atingiu um ponto equilíbrio, enquanto o online é algo recente e ainda está “fase de crescimento”. Mas claro que há outras como: a praticidade da compra pela internet, maior segurança oferecidas pelos sites e preços baixos.

O e-commerce revela oportunidades, porém quem não aproveita não apenas deixa de ganhar, mas começa a perder. Afinal, as pessoas estão comprando na internet o que poderiam estar comprando em lojas físicas. Casas Bahia, Carrefour, Renner e Sony foram algumas das grandes empresas que abriram lojas virtuais nos últimos 2 anos.

Tenho ouvido histórias de várias pessoas que realizaram sua primeira compra pela internet, e é interessante ver a rapidez com que elas fazem a segunda. Ou seja, a primeira compra é a mais difícil, mas uma vez que isso acontece, o dinheiro começa a migrar para a rede com maior frequência. Em partes impulsionado pelos sites de compra coletivas, algumas pessoas ficam encantadas com a facilidade da internet, cada uma com seu próprio hábito de consumo: tem pessoas que só compram livros ou eletrônicos; tem aquelas que só aproveitam promoções; outras que presenteiam parentes ou amigos distantes; mulheres que importam produtos de beleza; adolescentes viciados em camisetas; e tem aquele, que está se tornando cada vez mais comum, que compra de tudo.

A Forrester Research publicou uma pesquisa realizada na América Latina que mostra que o Brasil é o maior mercado online. O segundo lugar ficou para o México, mas este está muito atrás do Brasil — com apenas 1/3 da sua população tendo acesso à internet, e metade disso na sua própria residência (o que é uma barreira para o e-commerce). Tentei organizar as informações relevantes em uma espécie de infográfico meia-boca. Espero que gostem.

Edição fevereiro/2011


  1. O Google é maior no Brasil. Responsável por 92,15% de todas as buscas na internet.
  2. Brasil é o 4º país que mais vende computador. [Link]
  3. A Apple fica com 30% de toda assinatura de revista para iPad.
  4. Microsoft e Nokia se unem para disputar o mercado de smartphones.
  5. 45% dos universitários americanos não apresentam melhoria na escrita, raciocínio e pensamento crítico nos primeiros 2 anos de faculdade. Essa taxa cai para 36% após os 4 anos da graduação.
  6. Apenas 16% dos internautas produzem conteúdo em mídias sociais. [Link]
  7. Cadeiras confortáveis tornam as pessoas mais propensas a fechar negócio e pagarem mais. [Link]
  8. Empresas podem subornar clientes. [Link]
  9. Empresas com mais de 3 objetivos estratégicos têm desempenho inferior àquelas que tem até 3. [Link]
  10. China ultrapassa Japão e se torna a 2ª maior potência mundial.
  11. Classe D é maior que a B em termos de volume, representando 28% do total de transações.
  12. Pesquisa brasileira mostra que uma pessoa reclamando pode impactar outras 5000. [Link]
  13. Varejo brasileiro cresceu 7,5% em 2010. [Link]
  14. 26% dos apps são usados apenas uma vez. [Link]

(Extraído dos tweets publicados no mês de fevereiro. Ainda não segue? Clique aqui.)

Por mais que assuntos como estratégia, foco e planejamento ecoem por quase toda reunião, conferência e escola de negócios; a maioria das empresas ainda não entenderam direito. Executivos ainda se sentem confusos e desamparados no dia-a-dia das suas atividades em companhias do mundo todo. E não precisa nem analisar quantas empresas realmente cresceram em 2010 ou quais estão inovando e conquistando novos clientes. Porque são os próprios executivos que estão dizendo isso.

Está faltando coerência nas empresas. Segundo a Booz & Company –  famosa consultoria global — que realizou a pesquisa com 1.800 executivos, as empresas que mais estão crescendo hoje focam suas prioridades estratégicas em no máximo 3 objetivos. Acima disso, desvia o foco do que é importante para os clientes e dificulta o trabalho dos funcionários, que começam a se sentir perdidos e menos motivados.

Alguns dados:

  • 52% dos executivos acham que a atual estratégia da empresa não a levará ao sucesso;
  • 2 em cada 3 entrevistados admitem que a capacidade da empresa está aquém do que a estratégia necessita;
  • Apenas 21% acham que a empresa tem o direito de ser líder em todos os mercados que compete;
  • Para 64% dos executivos, a maior frustração é ter “muitas prioridades conflitantes”;
  • 56% diz que a maior dificuldade do seu trabalho é tomar decisões que estejam alinhadas com a estratégia;
  • Espantoso: 1458 executivos disseram que ações de crescimento levam ao desperdício, ao menos de parte do tempo;
  • Metade dos executivos acham um grande desafio definir uma estratégia clara e diferenciada.

“A raiz do problema é que muitas empresas se fixam muito rapidamente ao que parece ser a próxima chave do crescimento. Isso sem possuir um quadro sólido de oportunidades que levarão ao sucesso sustentável. Eles acabam esticando, tentando atuar em vários mercados. Por outro lado, os vencedores se dedicam a um bem articulado caminho de sucesso: Eles definem a identidade principal da empresa, ao desenvolver uma compreensão clara do que a empresa faz de melhor e como gerar valor — e concentrando os investimentos em áreas que importam. Crescimento, então, funciona como consequência de uma estratégia em vez de um conjunto de iniciativas separadas e, frequentemente, fracassadas.” (Diretor da Booz & Company)

Algumas conclusões ainda mais chocantes:

  • 43% dos executivos acham que a estratégia das suas empresas não as diferenciam no mercado;
  • Quase metade dos 1.800 entrevistados disseram que a empresa sequer tem uma lista de prioridades estratégicas;
  • Enquanto a maioria dos executivos dizem ter uma estratégia clara de criação de valor, 53% estimam que seus funcionários e clientes não a compreendem.

O principal problema parece residir no fato de que as empresas possuem  conjuntos de estratégias diferentes  ou desconectadas das habilidades da empresa. No fim, isso acaba atrapalhando a conquista de um objetivo que deve ser comum para toda empresa.

Falta coerência

Essa é a palavra.  Para se ter uma ideia de como isso é difícil: apenas 13% das empresas pesquisadas foram consideradas “coerente” pela consultoria.

Toda empresa é boa em algo, provavelmente no que ela se propôs a fazer desde o início. Essas habilidades devem ser exploradas e sustentar as estratégias da empresa. Além disso, empresas de sucesso não tem mais de 3 objetivos estratégicos amplos, todos estão cientes das suas competências e do que a empresa faz de melhor.  Em outras palavras, a empresa opera coerentemente e a velha frase “todos na mesma sintonia” é uma realidade, e não apenas uma frase bonita.

[Dados retirados deste artigo]

Nordeste, o mapa da mina brasileiro

12 de fevereiro de 2011 • TEMAS: Negócios / / /

Já era de se esperar que com o aumento do poder de compra das famílias de baixa renda no Brasil uma região em especial se tornaria terreno fértil para empresas: o nordeste brasileiro. Dona de belezas naturais e principal destino de férias dos brasileiros, o nordeste tem suas particularidades também no mundo dos negócios como aposta um estudo da Nielsen que chamou de “a região que cresce mais rápido no país”.

Nos últimos anos, muitos brasileiros romperam a barreira do impossível.  Só de 2009 pra cá, a porcentagem de pessoas de baixa-renda no nordeste diminuiu de 67% para 64%. Era impossível ter um carro novo, estudar em faculdade privada, morar em casa própria, viajar de avião era coisa de rico, cruzeiros então… só em revista. Isso tudo deixou de ser sonho e tem virado a realidade de novas famílias brasileiras.

A mídia fala em carro, casa e viagens, mas certamente não foi apenas isso que mudou nos hábitos de compra das classes mais baixas. Se elas estão comprando bens caros de vez em quando, elas estão comprando mais produtos e serviços todos os dias.  É fato que o consumo na região nordeste vem crescendo, 8% por ano, mas talvez poucos saibam que esse crescimento é maior do que no restante do Brasil (6%). O que isso significa? Novas oportunidades para empresas e empreendedores. Em uma segunda análise, também significa que empresas que já estão no mercado precisam rever suas estratégias para se adaptar aos novos hábitos de consumo dos nordestinos nos anos seguintes.

Tudo começa com conhecer o mercado e aqui vai  um breve perfil da região:

  • São 54 milhões de pessoas que gastam mais do que todo o Chile
  • Vivem em famílias de cerca de 4-5 pessoas
  • 64% são considerados de baixa renda
  • São mais fiéis, e tendem a comprar nas mesmas lojas, seja varejo ou atacado
  • Marcas locais são fortes

Esse último me chamou muita atenção. Embora marcas locais tenham a vantagem de gerar maior identificação com os consumidores apropriando-se de elementos culturais e da tradição, elas costumam ser mal administradas o que abre brechas para grandes marcas nacionais abocanharem seu mercado. A questão é que no nordeste não é bem assim. Das 12 categorias pesquisadas pela Nielsen, 7 são lideradas por marcas locais.  Algumas com uma larga vantagem como leite em pó, água mineral e biscoito — que chegam a 9 vezes mais que marcas nacionais. Por exemplo, cerveja e refrigerante que são categorias ultra-competitivas e onde é difícil ganhar mercado, as marcas locais perdem por apenas 2% e 5%, respectivamente.

Vale ressaltar que  “marca regional” é algo que só existe naquele local. Não significa que seu fabricante seja da região, ele pode ser, mas também pode ser uma Unilever criando ou adaptando um produto específico para as necessidades ou preferências dos consumidores daquela região.

Não é de hoje que se fala do crescimento do mercado de lojas/produtos populares.  Algo em torno de 84% do dinheiro que circula no mercado brasileiro vem dos bolsos das classes C, D e E. O Nordeste é uma região onde essas classes predominam e eles têm cada vez mais dinheiro no bolso disposto a gastar em uma empresa que valorize a sua cultura, suas tradições, os respeite e, obviamente, ofereça algo de qualidade.

Edição dezembro/janeiro

  1. iPad brasileiro é o mais caro de 32 países. [link]
  2. Mercado de tablets deve crescer 418% em dois anos. [link]
  3. 9% das pessoas leem notícias através do meio digital.  39% mídia tradicional.  36% nos dois. [link]
  4. VISA começa a utilizar GPS para diminuir fraude na Europa. [link]
  5. Endereços IP de sites de internet podem acabar este mês. [link]
  6. Cerca de 55% da imagem de uma pessoa é atribuída à sua aparência, 37% a voz e 8% ao que ela diz.
  7. A Starbucks muda de logo e apesar de ter fechado várias lojas 3 anos atrás, o número saltou de 15000 para 17000.
  8. Nintendo DS ultrapassa Playstation 2 e é o videogame mais vendido da história.
  9. China deve superar o Japão em investimento em P&D. [link]
  10. Hotéis do Rio de Janeiro tiveram lotação de 96% no final de ano. (a menos de 4 anos da Copa)
  11. Samsung aumentará investimentos em 18% neste ano.
  12. A atual logo da IBM tem 38 anos.
  13. 2º maior executivo da Apple ganha US$52 milhões de bônus de final de ano.
  14. Segunda uma pesquisa em restaurantes, apenas 2,6% dos gerentes aparecem para resolver problema de clientes.
  15. Baixo nível de glicose no cérebro diminui concentração e foco.
  16. O brasileiro paga 61 impostos diferentes. [link]
  17. São Paulo é eleita uma das 12 cidades que mais influenciam o mundo. [link]

(Extraído dos tweets do Pequeno Guru publicados em novembro.  Saiba em primeira mão: @pequenoguru.)

Edição novembro

  1. E-mails de boas-vindas aumentam as chances de vender, principalmente se for rápido. [Link]
  2. Bons negociadores perguntam 2x mais que negociadores medianos. 21,3% contra 9,6%.
  3. O maior problema do Brasil segundo o ranking mundial de IDH: EDUCAÇÃO.
  4. Os 6 princípios da influência são reciprocidade, consistência, autoridade, validação social, escassez e atração.
  5. Groupon vale quase US$ 3 bilhões. (UPDATE: Google oferece quase US$ 6 bilhões.)
  6. O primeiro cupom de desconto da Coca-Cola (e um dos primeiros da história), em 1888. [Link]
  7. Falar muito ou falar bobagem pode fazer você perder amigos em redes sociais. [Link]
  8. Dos 678 bilionários no mundo, apenas 15 são mulheres. 1%.
  9. Jovens (15 a 29 anos) são 51 milhões no Brasil.
  10. Brasil ocupa 127º posição no ranking dos países que mais facilitam os negócios. [Link]
  11. iPads funcionam extraordinariamente bem como terminais de atendimento para clientes. [Link]
  12. E-commerce brasileiro deve crescer 40% e o varejo 14%. [Link]
  13. Foto em currículo pode ajudar homens, mas não mulheres. [Link]
  14. Eike Batista quer abrir fábrica da Apple no Brasil. [Link]

(Extraído dos tweets do Pequeno Guru publicados em novembro.  Saiba em primeira mão: @pequenoguru.)

Edição outubro

  1. A Enciclopédia Britânica tem blogs. [Link]
  2. A Coca-Cola vai repetir a estratégia da copa com “música real” em vez de jingle. Dessa vez da banda Train.
  3. Inteligência emocional é crucial para um alto desempenho profissional. [Link]
  4. Pessoas otimistas conseguem empregos mais facilmente. [Link]
  5. Freaknomics vai virar filme!
  6. Experiência anterior é o fator que mais leva as pessoas a comprarem de novo: 80% dos casos.
  7. Tablets devem canibalizar vendas de netbooks. [Link]
  8. Gap troca de logomarca e se torna um dos maiores fracassos da história. Teste neuro confirma. [Link]
  9. A melhor empresa para se trabalhar no Brasil é praticamente desconhecida: Whirlpool.
  10. Cambridge é a melhor universidade do mundo. Mas não em negócios. [Link]
  11. DDB usa ciência para tornar suas peças publicitárias mais grudentas. [Link]
  12. iBookstore é um fracasso. [Link]
  13. Chinês copia o jeito Steve Jobs de apresentação.  [Link]
  14. Brasil tem 190 milhões de celulares. 82% são pré-pagos.
  15. Renner inaugura loja virtual.
  16. Numa escala de 0-100 em eficácia de decisão. As melhores empresas do mundo marcaram 71 e a média foi 28.
  17. 2/3 das reuniões acabam antes de se chegar a uma decisão.
  18. iPad é o eletrônico com adoção mais rápida da história. 4,5 milhões em 3 meses. [Link]
  19. 1,2 milhão de brasileiros trocaram de operadora de celular nos últimos 3 meses.
  20. Desemprego é maior pra quem tem 2º grau do que para aqueles que não concluíram. [Link]

(Extraído dos meus tweets publicados no mês de outubro.  Para saber em primeira mão, siga @pequenoguru.)

O Google ainda é usado como exemplo de empresa que cresceu de forma impressionante, mas seria muito melhor usar o Groupon. A empresa criada em novembro de 2008 por um americano de 29 anos, deve se tornar a mais rápida empresa a faturar seu primeiro bilhão de dólares. (O Google levou 5 anos.)

Recentemente, minha chefe voltou de uma reunião na corporação onde a nossa empresa havia pensado em comprar um site que fornecia grandes descontos em produtos e serviços, desde que fosse atingido um limite mínimo de pessoas. Isso me pareceu familiar, até que eu lembrei de um artigo que havia lido sobre “a empresa com crescimento mais rápido da história”. Era o Groupon.

A ideia é uma evolução do conceito de cupom-de-desconto que voltou a fazer muito sucesso durante a crise global. Curiosamente, essa tendência não pegou no Brasil, mas isso não impediu o surgimento de sites parecidos no país. Afinal, qual é a pessoa que não gosta de um desconto?

Com o nome de Clube Urbano no Brasil, o Groupon é um pouco diferente das suas cópias e funciona brilhantemente em pequenos e médios negócios. É só uma oferta por dia (o que a torna ainda mais imperdível) e os usuários têm apenas algumas horas para fazer seus amigos comprarem e ganhar o desconto que, em média, é de 50% — chegando até 80%.

A seguir, estão alguns números da empresa. E o mais impressionante é pensar que tudo isso aconteceu em apenas 21 meses. Por que eu não tive essa ideia antes? Por que você não teve essa ideia antes?

  • A sede da empresa tem 7900m²
  • Está em 29 países com descontos em mais de 230 cidades
  • Emprega 250 vendedores e 70 redatores, a maioria de Chicago
  • Deve ultrapassar 500 milhões em faturamento este ano
  • Foi a 2ª empresa mais rápida a valer $1 bilhão. (só atrás do YouTube que até hoje não deu lucro.)
  • Possui 13 milhões de cadastrados
  • O recorde de vendas é de  19,822 ingressos para um passeio de barco em Chicago vendido com 52% de desconto
  • 98% das ofertas atingem o número mínimo de pessoas necessário
  • A empresa ganha 50% de tudo que é vendido. O cliente não ganha muito dinheiro,  mas ganha uma quantidade avassaladora de clientes!
  • O modelo de negócios do Groupon já foi copiado por mais de 200 empresas nos Estados Unidos, 500 no exterior e 100 na  China
  • São 100 ofertas por dia só nos EUA, espera-se chegar a 400 em janeiro.

Em um ano, muita coisa pode acontecer. O mundo atingiu um dinamismo tão grande, que nem é preciso um ano para o jogo mudar de cenário. Basta um produto sair de fábrica com uma falha, um erro humano ou uma supernovidade do concorrente. No total, as 10 empresas que veremos aqui perderam cerca de $100 bilhões de dólares em valor de marca de 1º de janeiro a 30 de junho. Todas essas empresas lucraram em 2009, são exemplos no seu ramo de atuação e exemplos de gestão de marca para muitos profissionais da área, mas 2010 é um novo ano, um novo jogo, onde tudo é possível, até marcas poderosas perderem o que tem de mais valioso, a sua marca.

Mensurar valor de marca nunca foi fácil, tanto que as 2 maiores consultorias de marca do mundo — MillwardBrown e InterBrand — mostram números divergentes, já que cada uma tem sua própria metodologia. Para chegar a lista, levou-se em conta uma série de fatores: 1) os números das consultorias; 2)  valor de mercado; 3) oscilação no preço das ações na bolsa; 4) comparação de faturamento entre 2009 e 2010; 5) quantidade de notícias negativas na mídia. [Melhor explicado aqui.] Vamos à lista!

1) BRITISH PETROLEUM: -100%
Valor de marca antes: $20 bilhões
Valor de marca agora: $0

Provavelmente, nenhuma empresa prejudicou tanto o planeta como o vazamento de óleo da BP no Golfo do México que durou quase 2 meses e despejou cerca de 2,5 milhões de litros de óleo por dia. Os números são impressionantes. O prejuízo não foi só para a empresa, que gastou mais de $350 milhões pra conter o vazamento (sem contar a plataforma destruída que custa mais ou menos isso também), mas para o planeta também. O desastre ameaça várias atividades econômicas que antes movimentam $1,6 bilhão.

Apesar de ser admirada pelos britânicos pela sua responsabilidade ambiental, o desastre gerou um endividamento de $20 bilhões que colocou a empresa à beira da falência. Chineses já demonstraram interesse em comprar. Porém, se a empresa sobreviver, sua marca estará afetada por gerações.

2) DELL: -44%
Valor de marca antes: $16 bilhões
Valor de marca agora: $9 bilhões

A despeito da falta de foco estratégico, a Dell vem vendo suas vendas declinarem nos últimos anos. Fechou o ano fiscal de 2010 com $52,9 bilhões de faturamento. Em 2009: $61 bilhões. Mas esse é o menor dos problemas. Michael Dell e sua empresa estão envolvidos em vários problemas com a justiça, como a parceria ilegal com a Intel — que dava maior vantagem competitiva para a empresa –, valores não declarados e produtos enviados com problemas técnicos enquanto a empresa estava ciente do erro. A Dell abriu o ano com $100 milhões de dívidas para cobrir isso tudo. Problema estratégico ou não, a Dell parece ter perdido a cabeça.

3) ADOBE: -43%
Valor de marca antes: $7 bilhões
Valor de marca agora: $4 bilhões

O preço de uma marca tem tudo a ver com se manter longe de polêmicas. A briga entre Steve Jobs e Adobe levou à queda de ações da empresa e acendeu o alerta. Com a Apple dominando mais e mais o mercado de telefones, não fazer parte desse mercado é preocupante para um produto que revolucionou a internet e os computadores — o Flash. Mas nem tudo está perdido, aparelhos com Android (que vem ganhando  mercado)) continuam usando Flash em seus aplicativos.

4) SONY: -42%
Valor de marca antes: $12 bilhões
Valor de marca agora: $7 bilhões

Não é de hoje que as pessoas admiram os produtos da Sony. Não é de hoje também que a Sony vem tendo dificuldades financeiras com sua anoréxica margem de lucro (1,4%), menor até que a média do varejo. Só que a coisa está piorando com as queda nas vendas de câmeras digitais e TVs — seus principais produtos. Mais agravante ainda, é a perda da liderança isolada no mercado de games. O PlayStation deixou de ser líder de mercado de games, o PlayStation3e está atrás da Nintendo e Microsoft, tanto em vendas como em valor de marca.

5) GOLDMAN SACHS: -38%
Valor de marca antes: $16 bilhões
Valor de marca agora: $10 bilhões

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Vivemos uma época onde credibilidade é tudo nos negócios. As coisas mudaram significativamente nas últimas 2 décadas, obrigando empresas a diversificarem seus canais de comunicação. Está cada vez mais difícil ver uma campanha publicitária ser bem-sucedida utilizando apenas um meio de comunicação.

Foi essa mudança que levou a função do planejamento nas agências ao posto de “a menina dos olhos da publicidade”  (no bom sentido). O planejamento trouxe para ass agências uma visão mais holística da comunicação, criando peças publicitárias que se complementassem, abrangendo diversos meios, veículos, utilizando várias ferramentas, isso tudo sem perder o foco e da maneira mais integrada possível. A função do planejamento é um grande exemplo de que as agências de publicidade mudaram.

As agências tiveram que mudar para acompanhar o comportamento do consumidor, cada vez mais desconfiado e incrédulo. Se antes, ver o nosso ator favorito vendendo um produto nos fazia comprar, agora isso não funciona mais. Os consumidores chegaram a um nível de complexidade tão grande, que o marketing tem usado cada vez mais a ciência pra descobrir o que ele gosta e o que ele quer. Muitas empresas contruíram uma ótima reputação investindo quase nada em publicidade e muito na experiência do consumidor. Não que essas empresas não fizessem propaganda, elas fazem, mas sem pagar por isso.

Em outras palavras, eu diria que o maior desafio da publicidade hoje é aumentar a credibilidade da marca, não persuadir. Alguns executivos perceberam isso há muito tempo como o sábio Comandante Rolim, enquanto algumas agências (menores) ainda hoje não entenderam a nova regra do jogo.

“Não importa o quão habilidoso você seja, não se pode inventar uma vantagem que não existe. E se você fizer, será apenas um adereço, porque irá cair de qualquer forma.” (Bill Bernbach)

“O que o cliente vê vale mais do que o que você fala.” (Comandante Rolim, ex-presidente da TAM)

Credibilidade é tudo, e a publicidade deve ser usada parar gerar confiança — não para espalhar que a sua empresa tem um péssimo atendimento ou que seu produto não funciona como anunciado.

A publicidade é uma poderosa ferramenta, crucial para a maioria das empresas, mas muitas empresas não sabe usá-la adequadamente. Como qualquer ferramenta, ela tem a dose certa. Anunciar muito não vai resolver seu problema (ou vai, mas vai criar outro com o departamento financeiro) e anunciar muito pouco talvez não gere o resultado esperado. Então, quanto é o suficiente? Não se sabe, mas segundo a pesquisa TrustBarometer, feita pela Edelman em 2009, eis a direção:

A pesquisa que entrevistou pessoas de 25 a 64 anos em 20 países, e perguntou o seguinte: “Em geral, quantas vezes você precisa ouvir algo sobre  uma marca/empresa pra acreditar que aquilo é verdadeiro?”

A resposta, como você pode ver, é de 3 a 5 vezes. Se alguém ouve uma ou duas vezes, não leva a sério. Se ouve/vê mais de 6 vezes, começa a ficar incomodado. NOTA: de fontes diferentes! Ou seja, não é ouvir 5 vezes o mesmo spot de rádio, mas uma vez no rádio, outra alguém comentando no Twitter, outra a opinião de amigo, outra em um banner de internet, etc. NOTA 2: não é pra gerar lembrança, mas confiança.

Neste novo modelo de comunicação, as empresas não são as únicas a falar. Os comunicadores (consumidores que espalham a mensagem) são peças fundamentais para divulgar e sedimentar o que as “empresas falam”. Malcolm Gladwell chamou isso de “a cola social”. O marketing além de definir o que dizer, também deve se preocupar em estimular os consumidores a replicar essas mensagens.

Não é preciso gastar rios de dinheiro nem insistir sempre na mesma coisa, você não vai conseguir nada na base da insistência. Ao invés, ofereça uma ótima experiência pro cliente (seja no atendimento, embalagem, produto, uso) e crie mensagens relevantes e verdadeiras a respeito disso. A quantidade certa o bom-senso dirá. Não muito a ponto de irritar as pessoas nem tão pouco que a mensagem não atinja o seu público. Se for pra exagerar, que sejam os comunicadores, não a sua empresa.