Você está em ‘curiosidades’

Uma das premissas das campanhas de marketing é fazer com que os consumidores retenham a informação (que, previamente, já aceitaram como verdade) e usem essa informação na hora  de decidir uma compra ou aderir uma ideia. Sendo assim, profissionais de marketing precisam contar com uma das capacidades menos confiáveis do cérebro humano, a memória.  Este é mais um assunto que não costuma ser ensinado nas escolas de administração, no máximo em alguma disciplina de comportamento do consumidor. Mas acho que considero tão útil para a comunicação quanto para a psicologia.

Como trabalhamos como consumidores e não pacientes, irei cortar a parte complicada — como córtex pré-frontal,  sinapses, neuro-transmissores, impulsos químicos, padrões, etc– e mostrar de forma direta e objetiva o pouco que eu aprendi nos últimos tempos. As pessoas esquecem fácil, mas procure lembrar disso ao desenvolver uma campanha, um site ou um produto.

A memória recente que você não conhecia

Existe muita pesquisa sobre memória de curto e longo prazo. Mas eis um tipo de memória que eu conheci há pouquíssimo tempo: memória de trabalho. Working memory, em inglês, é a memória que você utiliza em cerca de 1 minuto. Ou seja, ouvir um telefone e anotar, conhecer uma pessoa e esquecer o nome logo em seguida e por aí vai. O que você precisa saber é que esse tipo de memória é muito frágil e necessita de muita concentração para conseguir armazená-la.

Isso acontece porque ao entrar em contato com uma informação nova, várias partes do cérebro estão ativas — a parte que armazena e a que processa um determinado tipo de informação/ação — e ele precisa decidir o que é realmente importante para ser armazenado. Imagine que o cérebro processa cerca de 40 bilhões de informações por segundo, e nos damos conta de apenas 40 delas por vez. Vamos ajudar os nossos queridos consumidores, mostrando a eles uma coisa de cada vez e dando tempo para que seu cérebro armazene, como por exemplo colocando na assinatura de um spot de rádio apenas o site, em vez de todo o Google Maps em poucos segundos.

Lembrar bem não significa que seja verdade

Muita gente lembra de momentos bons da infância como festas em família, brincadeiras com os avós ou uma viagem marcante. Mesmo que tenha acontecido há muitos anos. A explicação está no fato do hipocampo (região do cérebro responsável pela memória de longo prazo) estar próxima da amígdala (emoções). O problema é que lembrar “como se fosse ontem” não é lembrar de ontem. São basicamente memórias, e como eu costumo dizer aqui no blog, o nosso cérebro adora nos pregar peças. Fato: nenhuma memória é forte o suficiente que não possa ser alterada como tempo, como mostra a curva do esquecimento. As pessoas lembram o que aconteceu, mas não exatamente como aconteceu, a mente perde alguns detalhes, que acabam sendo substituindo por outros. Mas as pessoas vão achar que suas lembranças são 100% verdadeiras, e se eu fosse você não discutiria.

Reconhecer é mais fácil do que lembrar

Esta eu particularmente adoro. Se eu lhe mostrar 10 palavras (relacionadas a escritório) e pedir que você me diga as 10 daqui a uma hora, as chances de você me dizer todas elas são mínimas. Mas o que é interessante é que há grandes chances de você dizer palavras que não estavam entre as 10.  Isso porque o nosso cérebro funciona por contexto e associação. Mesmo que eu não tenha mencionado “escritório”, consciente ou inconscientemente o seu cérebro definiu a categoria. Isso foi testado em crianças de 5 anos e adivinhe? Elas praticamente não colocavam palavras novas.

Conclusão: não queira que os seus clientes lembrem de algo, mas que reconheçam ao ver algo parecido.

1 imagem vale mais que 1000 palavras

Se isso fosse verdade, não usaríamos livros pra estudar, mas ilustrações. Não é que uma imagem valha mais que mil palavras, as pessoas apenas se lembram mais de imagens do que de palavras.

Em pequenas doses é mais fácil

Você nunca se perguntou porque existe um hífen no meio do número de um telefone ou de um CEP ou pontos separando os números de CPF? Se já, deve ter chegado à conclusão de que assim é mais fácil de decorar. Estudos comprovam que mostrar mais de 4 informações de uma vez é pedir que as pessoas esqueçam. Se você quiser que alguém se lembre do que você diz, use no máximo 4 informações (três é melhor). Caso não seja suficiente, separe em blocos.

As duas únicas maneiras de gravar

Repita várias vezes ou conecte com algo já conhecido.

Imagine que você mudou de cidade e precisa decorar o caminho para o trabalho, você não conhece nada, mas descobriu duas opções. Um passa em frente a um parque parecido com o que você costumava ir aos domingos na sua cidade natal. O outro não tem nada mais do que prédios altos. Qual será que você vai decorar primeiro? É assim que o cérebro funciona. Quando você lembra de algo familiar, dois neurônios são ativados juntos, fortalecendo o armazenamento da informação já que utilizam parte de um caminho previamente criado. Enquanto informações novas precisam gravar um padrão novo no cérebro, que precisa ser percorrido várias e várias vezes para se tornar familiar.

[Baseado no capítulo "How People Remember" do livro de Susan Weinschenk]

Neuromarketing é o que há de mais recente no mundo das pesquisas de marketing e comportamento do consumidor. É a união entre a ciência (propriamente dita) e a pesquisa de mercado.

Faz 5 anos que eu saí da faculdade e, de lá pra cá, muita coisa mudou. Estudei na faculdade os métodos comuns de pesquisa como grupos de foco, grupos de discussão, recall e outros tipos de pesquisa que buscam descobrir o que se passa na cabeça dos consumidores e se eles comprariam determinado produto, ou porque se comportam de determinada maneira. Há uns 2 anos, ouvi falar de neuromarketing e fiquei fascinado.

O objetivo é audacioso: responder perguntas questionando o cérebro das pessoas. Nos últimos anos, ficou evidente que as pessoas não têm total domínio no que se passa no seu corpo e na sua mente. Poucas pessoas realmente se conhecem e mesmo as que se conhecem ainda estão suscetíveis à influência social, emocional e do próprio cérebro — quase sempre inconsciente. Ou seja, você acha que gostou daquele comercial, mas seu cérebro diz que ele é apenas divertido. O neuromarketing quer responder, de uma vez por todas, o “porquê”  Mas como elas são feitas?

As caríssimas pesquisas de neuromarketing usam nada mais que instrumentos médicos para sua realização. O que quer dizer que se você quer trabalhar nesse ramo, precisa de um bom neurocientista ao seu lado, ou de alguém que saiba muito mais do que a função do córtex pré-frontal ou a localização da amígdala.

Atualmente, toda pesquisa de neuromarketing utiliza um destes dois equipamentos: fMRI ou EEG, na sigla inglês.

fMRI (ressonância magnética funcional)

São aquelas máquinas gigantes caríssimas que os hospitais costumam se exibir por ter uma. Este aparelho consegue tirar uma foto do cérebro e mostrar exatamente quais partes foram ativadas durante uma determinada situação — como assistir um comercial, por exemplo. Acredito eu, com base no livro de Martin Lindstrom, que esse aparelho é o mais eficaz; mas seu alto-preço, barulho incômodo e a sensação de claustrofobia fazem do fMRI uma ferramenta de difícil aplicação no cotidiano.

EEG (Eletroencefalograma)

A outra maneira de rastrear o cérebro é através do eletroencefalograma. Eletrodos são distribuídos sobre o couro cabeludo e com a ajuda de um amplificador, as atividades cerebrais são distribuídas através de gráficos, que podem ser comparados com padrões e, assim, saber se temos algo de especial ou não. Ao contrário do fMRI, cujo resultados são mostrados em imagens, o EEG utiliza gráficos. Embora um pouco menos preciso, é mais barato e menos descofortável, o que faz do EEG a ferramenta mais usada em pesquisas de neuromarketing hoje. Mas isso está prestes a mudar.

Mynd® (wireless EEG)

Com o neuromarketing se tornando mais popular, empresas procuram uma maneira de tornar as pesquisas não apenas mais baratas, mas também menos trabalhosas. Fazer uma pessoa entrar em uma máquina de ressonância magnética e ficar imóvel por vários minutos  ou amarrá-la a um toca cheia de fios conectada a um aparelho, não é lá um trabalho muito fácil. Pois bem, a empresa Neurofocus desenvolveu um novo aparelho, o Mynd. Basicamente, é um EEG sem fio e 100 vezes mais prático. Ele se conecta através de bluetooth, é leve, prático e dispensa o uso de gel nos eletrodos.

O neuromarketing é uma ferramenta fantástica, mas deve ser usada com cautela. Requer muito dinheiro e uma enorme capacidade de análise para não interpretar errado os resultados. De tudo que eu já li, a sugestão dos especialistas é uma só: escolha a metodologia cuidadosamente e, de preferência, mais de um.

Apesar do futebol americano ser praticado muito pouco fora dos Estados Unidos, o mercado publicitário do mundo todo se volta para o campeonato nacional. Especificamente a final do campeonato, cujo espaço publicitário é o mais caro do mundo. Por isso, todos os anos em fevereiro, os publicitários ficam de olho nos comerciais que julga-se ser o ápice da criatividade global.

Considerando que o mercado publicitário mudou mais nos últimos 10 anos do que nos 20 anteriores e que a TV aberta vem perdendo espaço a cada dia, isso torna o Super Bowl um evento ainda mais interessante. Por isso, resolvi listar algumas curiosidades do programa/evento mais assistido na história da televisão mundial.

  1. Nos últimos 10 anos, o tempo de publicidade em cada jogo aumentou 27%
  2. Na última edição do Super Bowl foram veiculados 104 comerciais, contra 82 em 2001.
  3. Em 2001, um jogo tinha aproximadamente 40 minutos de comerciais (uma partida dura 60 minutos não-corridos). Em 2010, a final do Super Bowl  teve 47 minutos e 50 segundos de propaganda.
  4. Quem assistiu os 10 últimos Super Bowl assistiu um total de 425 minutos de comercial.
  5. Em 2001, uma inserção de 30s custava cerca de $2,2 milhões. Em 2009, o preço chegou a $3 milhões.
  6. O mercado automobilístico é o que mais anuncia. Seguido por cerveja, refrigerante e filmes.
  7. O maior anunciante é a Anheuser-Busch. Entre 2001 e 2010, a mega-companhia de cerveja já investiu $235 milhões de dólares.
  8. Os jogos também contribuem para a audiência da emissora. O episódio de Friends com maior audiência entre os 236 gravados foi “Aquele depois do Super Bowl”, exibido pela 1ª vez no dia 28 de janeiro, logo após a final do famoso campeonato.

Fonte: BrandWeek

Edição outubro

  1. A Enciclopédia Britânica tem blogs. [Link]
  2. A Coca-Cola vai repetir a estratégia da copa com “música real” em vez de jingle. Dessa vez da banda Train.
  3. Inteligência emocional é crucial para um alto desempenho profissional. [Link]
  4. Pessoas otimistas conseguem empregos mais facilmente. [Link]
  5. Freaknomics vai virar filme!
  6. Experiência anterior é o fator que mais leva as pessoas a comprarem de novo: 80% dos casos.
  7. Tablets devem canibalizar vendas de netbooks. [Link]
  8. Gap troca de logomarca e se torna um dos maiores fracassos da história. Teste neuro confirma. [Link]
  9. A melhor empresa para se trabalhar no Brasil é praticamente desconhecida: Whirlpool.
  10. Cambridge é a melhor universidade do mundo. Mas não em negócios. [Link]
  11. DDB usa ciência para tornar suas peças publicitárias mais grudentas. [Link]
  12. iBookstore é um fracasso. [Link]
  13. Chinês copia o jeito Steve Jobs de apresentação.  [Link]
  14. Brasil tem 190 milhões de celulares. 82% são pré-pagos.
  15. Renner inaugura loja virtual.
  16. Numa escala de 0-100 em eficácia de decisão. As melhores empresas do mundo marcaram 71 e a média foi 28.
  17. 2/3 das reuniões acabam antes de se chegar a uma decisão.
  18. iPad é o eletrônico com adoção mais rápida da história. 4,5 milhões em 3 meses. [Link]
  19. 1,2 milhão de brasileiros trocaram de operadora de celular nos últimos 3 meses.
  20. Desemprego é maior pra quem tem 2º grau do que para aqueles que não concluíram. [Link]

(Extraído dos meus tweets publicados no mês de outubro.  Para saber em primeira mão, siga @pequenoguru.)

Thomas Edison foi um dos caras mais incríveis que humanidade já teve. Não somente porque ele inventou o telefone, a lâmpada incandescente, patenteou milhares de invenções e abriu 6 empresas que hoje estão avaliadas em mais de $1 trilhão de dólares. Mas, principalmente, porque Edison tinha além de um talento incrível, visão de mercado. Ele entendia 150 anos atrás que algo só tem valor se for útil. E é essa utilidade que transforma uma invenção em um produto de sucesso. Talvez esse seja o motivo que tornou Edison diferente de muitos outros inventores de sua época. Suas invenções não eram apenas “bacanas”, eram do tipo que as pessoas não conseguiam viver sem.

Para estimular a inovação nos negócios, existe o Edison Awards. O prêmio homenageia produtos que estão no mercado e são sinônimos de inovação, úteis e também sucesso de vendas. Os critérios de escolha seguem os princípios e ensinamentos de Edison. Selecionei alguns das edições 2009 e 2010 que valem à pena conferir. Reparem como as ideias são simples, mas muito poderosas.

Empresa: 3M
Produto: Pocket Projector
O que faz: Como o nome já diz, o pequeno aparelho projeta imagens na TV.
Porque é inovador: Já viram o tamanho de um projetor? E o quão ruim é mostrar a tela do notebook para todos numa reunião?

Empresa: General Mills
Produto: Betty Crocker – Mixes
O que é: Linha de produtos sem glútem que incluem biscoitos, salgadinhos, bolos e produtos congelados.
Porque é inovador: Existem milhares de marcas de alimentos, nenhuma havia pensado em lançar produtos especialmente para pessoas celíacas ou com intolerância ao glúten.

Empresa: CarMD
Produto: CarMD Handheld Car Tester e Software Kit
Porque é inovador: Pela primeira vez, pessoas que não entendem nada de mecânica podem descobrir sozinhas onde está o problema ou se está na hora de fazer alguma manutenção. Basta conectar no carro e depois no computador para obter informações.

Empresa: Apple e Google (Android)
Produto: iPhone e celulares Android [o iPhone ficou em 1º e o Android em 2º]
Porque é inovador: Basta dizer que esses 2 produtos revolucionaram o mercado dos celulares e, pela primeira vez, conseguiram ameaçar a liderança do BlackBerry.

Empresa: Amazon.com
Produto: Kindle 2
Porque é inovador: Um aparelho que armazena mais de 1000 livros, cuja bateria dura semanas, baixa livros em qualquer através da rede 3G e tem apenas 1cm de espessura com 290 gramas, é ou não é inovador?

Empresa: Apple
Produto: MacBook Air
Porque é inovador: Thomas Edison acreditava que inovação residia não apenas no mundo da tecnologia, mas no mundo do design. Ele se focava em criar produtos que se encaixassem ao estilo de vida das pessoas e sem prejudicar a alta performance. O MacBook Air manteve o desempenho mesmo sendo um laptop ultra-fino e leve.

Empresa: -
“Produto”: Campanha do Obama
Porque é inovador: Edison acreditava que inovação era uma força social. Poucos políticos na história da humanidade engajou tantas pessoas como Barack Obama, o carismático líder e primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Obama foi o primeiro a usar toda a força da internet na sua campanha eleitoral. Resultado: não apenas ganhou,  mas levou o maior número de americano às urnas até hoje.

Empresa: Pulse
Produto: Livescribe Pulse SmartPen
Porque é inovador: Se no futuro as pessoas ainda usarem canetas para escrever, serão SmartPens. A caneta criada pela Pulse grava áudio (inclusive à distância), reproduz áudio; ou seja, você pode gravar e anotar o que o professor está dizendo, se ficar pra trás, é só apertar o play. Além disso, tem uma câmera infra-vermelha que promete gravar tudo que é escrito no papel. Impressionante!

Empresa: Tide (Ace no Brasil)
Produto: To Go
Porque é inovador: No seu horário de almoço você tem o azar de respingar um suculento molho de tomate na camisa. Não tem como ir em casa, o que faz? Basta tirar o Tide To Go do bolso e passar na mancha. Parece mentira, mas as opiniões de quem usou são bastante positivas. É o tipo do produto que as pessoas duvidam que funcione, mas se funcionar, ficam maravilhadas. E o Tide To Go parece cumprir sua promessa.

Empresa: Nintendo
Produto: Wii Fit
Porque é inovador: O Wii trouxe a diversão casual de volta aos games. O Wii Fit trouxe a saúde para dentro dos games pela 1ª vez. As pessoas sempre jogaram videogames sentadas num sofá, onde a única parte do corpo exercitada eram os dedos. No Wii Fit todo o corpo é usado e você pode praticar exercícios de maneira muito mais divertida. Podia ser um fracasso, mas o Wii Fit ajudou muitas pessoas a perderem peso ou ao menos tirarem a imagem de que videogames é coisa de sedentário.

Quem quiser conhecer os outros premiados: edição 2009 / edição 2010

Walter Longo vs Seth Godin

14 de setembro de 2010 • TEMAS: Filosofando / Marketing / /

Algo estranho aconteceu e eu não sei se chamo de coincidência ou sobrenatural. Semana passada, eu escrevi sobre um assunto legal que Walter Longo apresentou em sua palestra, o conceito de “bom o suficiente”. Pois bem, Seth Godin escreveu alguns dias depois um artigo chamado “The Myth of Preparation”, que aborda praticamente a mesma coisa: Não tente ser um expert! quando você (ou seu produto) for bom o suficiente, comece e então vá melhorando.

Tudo bem, pode ser apenas uma baita coincidência. Afinal, os conceitos na administração evoluem de uma tal maneira que chega um momento que ninguém sabe quem os criou. Mas veja  o post de sábado de Seth Godin: “Why jazz is more interesting than bowling”:

“Boliche se trata apenas de um número: o resultado final. Grandes jogadores quase sempre ficam muito perto do resultado perfeito(…) Jazz é criado através de milhares, talvez milhões de dimensões. Não é linear nem previsível e, principalmente, quase nunca é perfeito.”

Godin e seus textos tão memoráveis… Mas peraí, Walter Longo também usou uma analogia muito parecida só que ao invés de Boliche x Jazz, ele usou Boliche x Fliperama (pinball).

Vale uma ressalva, Walter é um homem da comunicação, enquanto Godin é mais genérico — seus conceitos passeiam desde o marketing até carreira profissional. Walter Longo disse que o boliche (na propaganda) é o esporte do passado, uma campanha não mais é bem-sucedida com uma única ferramenta. O esporte de hoje é mais parecido com um fliperama, você não sabe no que vai dar até soltar o gatilho. Tudo que você pode fazer é jogar da melhor maneira que pode e esperar pra ver.

Coincidência, influência ou seja lá o que for; o importante é que ambos os assuntos quebram paradigmas do passado e por isso são tão importantes hoje em dia. A mudança que tanto se fala no mundo dos negócios estão, em parte, representadas por esses 2 conceitos. E não importa de quem você ouve ou no livro de quem você lê. O importante é tomar pra si e praticar.

Mercado cinza

22 de julho de 2010 • TEMAS: Filosofando / / /

Todo mundo sabe muito bem o que é o mercado negro, mas você já ouviu falar em mercado cinza — um dos maiores vilões da economia?

A primeira vez que ouvi alguém usar a expressão foi Marcos Khalil, dono da rede de loja de games UZ Games, uma das maiores do Brasil. Khalil bateu forte na tecla de que a o mercado cinza é o maior inimigo do mercado de games no Brasil, resultado de um sistema tributário mal formulado que torna a vida dessas empresas muito mais difícil, sendo o principal estímulo do  mercado informal.

Enquanto o mercado negro é a comercialização de produtos ilegais ou proibidos, o mercado cinza comercializa produtos originais e permitidos, mas pelos canais errados ou pagando pouco (às vezes nenhum) imposto. Por exemplo, pequenas lojas que vendem filmes ou jogos piratas estão no mercado negro, mas se vendem aparelhos eletrônicos —não comprados direto do distribuidor do país de origem—passam a se enquadrar no mercado cinza. O produto não é ilegal, mas é invisível para o fabricante (por não ser um distribuidor autorizado) e para o governo (não passar pela Receita). Geralmente, essas lojas ou vendedores não são cadastradas junto ao fabricante ou distribuidor e adquirem as mercadorias de fontes não confiáveis. Compras em sites internacionais também são um tipo de mercado cinza, já que não geram nenhum valor para o Brasil.

Ainda existe o chamado “mercado verde”, que é o comércio de produtos usados. Ainda não é um problema no Brasil, mas algumas empresas norte-americanas já estão criando estratégias para estimular a compra de produtos novos, em vez de usados.

Voltando ao assunto principal, o empresário disse uma coisa muito interessante: “a pirataria [mercado negro] nunca vai acabar, porque faz parte da cultura”. Porém, o mercado cinza brasileiro pode diminuir drasticamente se houver incentivos do governo. O mercado cinza também deixa de gerar empregos e diminui arrecadação, fazendo com que investidores deixem de ver no Brasil um mercado promissor em certas áreas.

As pessoas que compram no exterior ou no mercado paralelo, compram porque é barato. Eu, por exemplo, comprei cerca de 20 jogos originais nos últimos 12 meses. Desses, 4 foram comprados no Brasil, 16 no exterior e apenas 1 foi taxado pela receita. O Brasil deixou de arrecadar 75% do meu consumo com games no último ano. Eu não estou errado, compro jogos originais e não estimulo a pirataria, mas compro onde acho melhor para o meu bolso. O mercado cinza não é errado, é injusto.

Todo consumidor busca fazer bons negócios, é essa busca que move boa parte da economia mundial. É bastante comum alguém ficar surpreso ao comparar o preço de um produto aqui no Brasil e lá no exterior.  Milhares de brasileiros compram de sites internacionais ou voltam do exterior com a mala com muito mais do que roupas… Não seria muito mais fácil se o governo diminuíssem os impostos?

Esse é o grande impasse. O Governo acha que diminuir impostos irá diminuir a arrecadação, a indústria quer provar o contrário: a diminuição dos impostos  irá aumentar o volume de negócios e, com isso, a arrecadação. Sem falar na abertura de novas empresas e milhares de novos empregos.

De forma alguma quero entrar na discussão infinita de pirataria e  impostos no Brasil.  Mas é importante ter esse discernimento, de que o que atrasa o país não é a pirataria, mas o mercado paralelo de produtos com os seus HiPhones, “BlackBarrys”, aparelhos de TV via satélite, importados, etc.

É quase de dar nó na cabeça nomenclaturas como CEO, CFO, CMO, COO, CTO, VP, Chairman, sem falar dos já diretores, gerentes, supervisores, etc. Cada vez mais presentes no mundo corporativo, esses termos globais devem aparecer cada vez mais aqui no Brasil, então, vamos tentar entender as diferenças entre cada um, pra não fazer feio ao se deparar com esses deuses da mitologia corporativa.

Pra começar, o CEO pertence à família dos C?O que possui os maiores poderes dentro de qualquer empresa. Sendo assim, sempre que você ouvir falar em CFO, CMO e outros, trata-se do maior executivo daquela área em toda organização. Ou seja, o CMO da Unilever Keith Weed é responsável pelo marketing de todo o mundo e de todas as dezenas de marcas da companhia. Felizmente, ele conta com um time de gerentes, diretores e VPs de marketing abaixo dele.

CEO (Chief Executive Officer) é o maior de todos. Mas qual a diferença entre ele e o presidente? E entre o chairman e  ele?

Toda grande empresa de capital aberto possui algo chamado conselho de diretores ou quadro de conselheiros ou como é mais chamado: “o conselho”. Esse conselho representa os interesses dos investidores e costuma ser formado por pessoas de diversas áreas (até advogados) de dentro e de fora da empresa que são escolhidos de forma externa. O papel deles é agir como advogados dos acionistas, balancear interesses e assegurar-se de que todos estão felizes e satisfeitos. Como de costume, esse “grupo” tem um responsável, e ele é chamado de chairman.

Se existe um grupo defendendo os interesses dos acionistas, existe outro defendendo o que é melhor para a empresa que é a administração propriamente dita. É onde estão CEO, CMO, CFO, COO, VPs e toda a turma. Essa equipe é responsável pelo dia-a-dia da empresa, todas os processos cabem a esses profissionais que, por sua vez, devem entregar resultados positivos para o chairman. No meio disso tudo existe o presidente (ou não) e maior dificuldade é entender quais as atribuições de cada um.

De uma maneira simples, o CEO tem a visão e  o presidente tem a “manha”. O presidente é o responsável pelo operacional e tático da empresa, muitas vezes sendo o próprio COO (Chief Operations Officer). Enquanto o CEO está mais voltado ao planejamento e objetivos estratégicos de médio e longo prazo. É o CEO o responsável por implementar as decisões do conselho, uma vez que ele responde diretamente ao Chairman. A diferença é mais evidente quando a corporação possui várias empresas, funcionando como um conglomerado onde cada empresa tem um presidente que reportam a um único CEO.

Não raro, o CEO também é presidente e o Chairman é CEO. Quando o mesmo executivo é presidente e CEO tudo bem. Se ele for muito experiente,  tiver visão estratégica e não ficar sobrecarregado, funciona muito bem. Mas no mundo corporativo, excelência tática e estratégica não andam juntas com muita frequência. Por outro lado, especialistas não aconselham que o CEO também seja Chairman, tampouco que o conselho seja composto, em sua maioria, por membros da empresa. Não preciso explicar porquê, né?

Espero que tenha conseguido esclarecer essa confusão de termos que durante muito tempo eu também tive. Aqui no Brasil, o comum ainda é ver Presidente, VP e diretores. Mas com essa globalização toda, e penetração cada vez maior de multinacionais, a tendência é que essas palavras façam, cada vez mais, parte do nosso vocabulário.