Você está em ‘criatividade’

Você tem tido um tremendo sucesso com grandes ideias globais, mas temos vistos você se implementando idéias locais com muito sucesso, como a campanha “Huevos” no México. Qual a sua estratégia para ter essas idéias locais?

Nós temos equipes apaixonadas no mundo todo. Eles amam esportes e eles amam os esportes que praticam. Nós temos um processo na nossa empresa no qual idéias atravessam o mundo. Na última Copa do Mundo, uma das coisas que a gente fez foi acompanhar o crescimento das redes sociais. Mas nós não pensamos nisso como redes sociais, nós vimos como um fenômeno de pessoas se conectando através desses sites. E isso começou com sites locais no Brasil e na Coréia. Nós vimos e dizemos “bem, isso é uma baita idéia”.

Ao mesmo tempo, também, muito do que você faz globalmente são vídeos virais. E diferentes mercados têm diferentes sensibilidades, então a recente campanha do Tiger Woods, por exemplo, pode não ser bem recebida em todo lugar. Como você lida com essa falta de controle.

“Controle” é uma palavra impossível. Eu não acho que podemos controlar. O interessante é o seguinte, da mesma forma que tivemos um sucesso tremendo com os vídeos, nós temos algumas coisas que não funcionaram bem. Mas você não ouve sobre elas, e isso faz parte da realidade do que fazemos. Realmente, tem coisas que às vezes são polarizadas. Sim, nós sabemos que isso pode soar provocativo, mas achamos que a voz dos atletas se perdeu. E tendo ela, sua voz, espalhada por aí foi importante para ele [Tiger Woods] e foi importante para nós.

Você trabalha com muitas agências. Como você as administra?

(Risadas) Olha, ideias falam mais alto. As ideias estão no comando. E elas vêm de pessoas de dentro da Nike e de pessoas fora da Nike. O modo como trabalhamos não é o convencional “nós brifamos e vocês fazem”. Nós gostamos de deixar o processo muito aberto para que as melhores idéias surjam. Se você senta numa com mesa com a galera da AKQA, da R/GA e da Wieden & Kennedy e mais a da Nike, você não tem ideia de quem é quem. Nós nos vemos com uma equipe só tentando ter as melhores idéias pro consumidor. O trabalho que estamos fazendo na Copa do Mundo é o exemplo disso.

Você também enxerga o ROI [retorno sobre investimento] muito diferente do que, por exemplo, a Procter & Gamble ou alguma grande empresa global de produtos. Você é muito mais relax com isso. Por quê?

Se você busca inovar e está constantemente medindo o preço da inovação, você vai viver brigando. Quando você está inovando, geralmente você está rompendo barreiras, então você não pode medir algo que está por vir. Nosso modelo foca em criar a melhor mensagem da forma mais holística possíbel. E, dentro disso, fazemos coisa que sabemos que funciona e coisas que ainda estamos tentando fazer funcionar. Mas não sentamos e tentamos medir parte por parte. Fazemos e depois vemos qual o resultado da soma das partes, e o que podemos aprender disso. Nós realmente temos orgulho da nossa inovação. Consumidores esperam que as marcas sejam inteligentes, criativas e divertidas. Se você está medindo tudo isso, talvez nunca consiga isso.

Pra você, como responsável pelo marketing global de uma empresa, o que lhe deixa mais preocupado?

Ter certeza de que nós estamos a frente de onde quer que o consumidor esteja indo. Nós estamos proporcionando às nossas equipes toda condição necessária para obter as melhores idéias? Na Nike, o valor que o marketing proporciona à empresa está presente em tudo. Passamos boa parte do nosso tempo pensando como a cena está mudando e o que precisamos fazer pra colocar a nossa marca dentro dessa cena.

Trevor Edwards é vice-presidente global da marca Nike. Tem 48 anos e nasceu em Londres. É formado em negócios com MBA em marketing internacional e finanças ambas na desconhecida faculdade americana de Baruch. Começou a carreira na Colgate-Palmolive até entrar na Nike em 1992 onde passou por diversos cargos na área de marketing na Europa e nos Estados Unidos até virar VP de marca em 2002.

Fonte: Advertising Age

Por Seth Godin

Algumas pessoas sentem medo de boas ideias. Ideias que fazem a diferença e contribuem de alguma forma. Boas ideias trazem mudança, isso é assustador!

Mas muitas pessoas sentem pavor de más ideias. Ideias que fazem parecermos idiotas ou que é desperdício de dinheiro ou tempo ou que estamos forçando a barra.

Pintores, músicos, empreendedores, escritores, quiropráticos, contadores  — nós todos falhamos muito mais do que acertamos. Falhamos ao fechar uma venda ou tocar uma nota. Falhamos ao transformar uma ideia em uma série de pinturas ou um tema para o estande em uma feira.

Mas nós acertamos muito mais do que pessoas que não têm ideias nenhuma.

Alguém me perguntou onde eu consigo tantas boas ideias, explicando que ele leva um ou dois meses pra ter apenas uma e eu parecia ter mais do que isso. Eu perguntei a ele quantas ideias ruins ele teve em um mês. Ele parou e disse: “nenhuma”.

E aí, como você pôde ver, está o problema.

[Artigo traduzido do original "Fear of bad ideas"]

R= O que está em todo lugar, que todos acreditam ser verdade e praticam.

Isso é o que deve ser questionado. Vale dizer, que essa é a resposta para fugir da mediocridade e se destacar. E por mais inacreditável que possa parecer, nem todo mundo quer.

[Extraído do ebook "What Matters Now".]

Aceitando uma nova ideiaTodos vocês, provavelmente, já leram pelo menos um artigo sobre resistência a novas ideias, principalmente ideias revolucionantes. Esse é um assunto quase que básico quando se trata de inovação.

O blog Sandbox extraiu uma imagem do livro “What a Great Idea 2.0 – Unlocking Your Creativity in Business and in Life” (nova edição do livro Grande Ideia!, publicado em 1993 aqui no Brasil). A imagem mostra uma analogia interessante sobre as etapas para se aceitar uma nova ideia — algo tão difícil para algumas pessoas.

A analogia é poderosamente simples. Para “destravar” uma nova ideia e, assim, poder utilizá-la, é necessário passar por 5 travas. Mesmo que você destrave 4, a ideia continuará impraticável. Pode parecer simples, bobo e fácil, mas por vezes algo tão pequeno nos toma tanto tempo, ficamos a um passo de alcançar o nosso objetivo, mas com uma parede na nossa frente. Destravar uma (ou seja, provar o contrário) não basta. É tudo ou nada quando se trata de uma ideia.

Quem nunca ouviu o ditado “nada se cria, tudo se copia” e não se irritou com ele? (Bem, eu já.) Separei um excelente trecho do livro Relevance, de Tim Manners, que nos mostra que esse imprudente ditado precisa de um pequeno ajuste. A partir de uma explicação do que é a tão cultuada inovação, o mais sensato seria dizer “talvez nada se crie, mas tudo se melhora”.

Motor a vapor (steam engine)A questão é a seguinte: assim como a criatividade, a inovação é considerada misteriosa. Algumas pessoas acreditam que se você tentar analisar a criatividade minuciosamente, você acabará destruindo-a.

Mas diferente da criatividade, inovação é uma questão de prática, resolver problemas e fazer as coisas darem certo. A criatividade só precisa ser esperta. Então, em vários casos, a inovação é vista com padrões superiores ao da criatividade, só que ela é muito mais simples e muito menos misteriosa. Mas isso não nos faz parar de ver inovação com um certo mistério, muitas vezes repetindo o mito de que os inovadores são, de alguma forma, diferentes do resto de nós — que eles são, na realidade, seres de outro planeta.

Bill Gates legendariamente largou a faculdade pra abrir a Microsoft (claro que a faculdade que ele largou foi, hum.. Harvard). Semelhante ao caso de Steve Wozniak, um excêntrico imigrante que acidentalmente mudou o mundo. Essas são realmente grandes histórias. Entretanto, o historiador David Hollinger acha que nós deveríamos parar de alimentar tais lendas. “A celebração desses mitos promove um preocupante anti-intelectualismo e apresenta uma visão distorcida do processo de inovação”, disse o pesquisador ao The New York Times.

Seu argumento é de que caras como Gates e Wozniak estão longe da realidade na qual a maioria das inovações acontecem, “resultado da rotina de grandes equipes e caminhos previsíveis”. Ele pode estar certo, mas se os mitos dominam ou não a inovação é irrelevante. O importante é entender que a inovação existe para resolver problemas e geralmente isso acontece ao velho modo do aprimoramento.

Steve Wozniak precisava de um monitor, de forma que ele pudesse ver o que digitava, então ele descobriu uma maneira de acoplar a TV ao computador. Ele disse que teclados já haviam sido usados em computadores antes, e ele simplesmente achou uma maneira de fazê-los trabalhar numa escala menor, para usuários individuais. Não há nada muito misterioso no que Woz fez, e não é muito diferente de outras famosas inovações. Por exemplo, ao contrário da crença popular, James Watt não inventou o motor a vapor, Eli Whitney não inventou a máquina de processar algodão e Robert Fulton não inventou o navio a vapor. Todas as três invenções na verdade, foram incrementadas ou derivadas de tecnologias já existentes.

No seu livro, A Culture of Improvement (ao pé da letra, “A Cultura da Melhoria”), Robert Friedel notou que essas e outras invenções “foram precedidas por máquinas similares que incorporavam alguns, senão todos, os princípios das famosas invenções”. Sua principal abordagem, segundo a resenha do livro publicada no The Wall Street Journal foi a seguinte: “Muitas vezes a existência de uma patente ou o sucesso de uma empresa manufatureira desviou a atenção da longa e gradual história da criatividade”.

Essa história, diz a resenha, não se trata de “avanço da humanidade ou de uma grande e impessoal força mudando o curso da história. Se trata de ajustes e começos—segurar, empurrar pra frente ou ser desviados por contingências demográficas ou biológicas”. Por exemplo, o nome de Robert Fulton estará sempre associado ao navio a vapor não porque ele o inventou, mas porque ele “teve visão capitalista e coragem” pra descobrir como ganhar dinheiro com aquilo. Em outras palavras, ele era uma espécie de Steve Wozniak e Steve Jobs em um só. [NOTA: Steve Jobs foi fundamental para levantar recursos para a Apple enquanto Wozniak cuidava da parte mais técnica.]

Você pode ler as perguntas traduzidas em português clicando abaixo.

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William “Bill” Bernbach foi para a publicidade o que Philip Kotler é para o marketing. Muito de vocês podem  não ter ouvido falar do seu nome completo, então eu lhes apresento o senhor Bernbach, o senhor “B” da agência mundialmente conhecida DDB.

“Não é o QUE você diz que estimula as pessoas, é COMO você diz”. Bernbach não inventou a publicidade, ele a recriou. Como a maioria dos grandes homens da história, Bill era um homem visionário, dono de argumentos poderosos — presunçosos para alguns — e que não se conformava com a mediocridade. Ele foi responsável pela revolução criativa da década de 60, criador da melhor campanha publicitária do século XX (Fusca)  e provavelmente o primeiro a unir redator e diretor de arte como uma dupla criativa — antes em departamentos separados .

Transcrevo abaixo um trecho do livro de Luke Sullivan sobre quem foi Bill Bernbach:

“A verdade não é verdade até que as pessoas acreditem em você e as pessoas não acreditarão em você se elas não souberem o que você está dizendo, e elas não saberão o que você está dizendo se elas não ouvirem você, e elas não ouvirão você se você não for interessante, e você não será interessante a menos que você diga coisas imaginativas, originais e frescas.”

Muita gente sabe que a década de 60 foi a década de ouro da publicidade. Mas pouca gente sabe que a década de 70 não. Marketing estratégico com suas pilhas de números foi, por um longo tempo, rival da publicidade. A chegada do conceito “posicionamento” criada por Al Ries levou a publicidade das empresas de volta a sem-graceira da década de 50. Empresas testavam campanhas antes de veicular, realizavam pesquisas e mais pesquisas na tentiva de posicionar o produto e deixaram de usar uma publicidade adequada. Os comerciais haviam perdido sua graça. Um exemplo do embate entre estratégia X publicidade é o do refrigerante 7UP: Na era das colas, ao invés dele ser posicionado como refrigerante claro com sabor de limão, ele automaticamente se tornou conhecido como “o não-cola”. Isso foi antes de Ries e seu conceito, a publicidade havia conseguido posicionar o 7UP com muito menos ou quase nenhum número. O que isso tem a ver com Bill? Uma década antes do termo posicionamento ser escrito pela 1ª vez, Bill disse: “você pode dizer a coisa certa sobre o produto e ninguém irá ouvir”. E bateu de frente contra a pesquisas e dados dizendo “quanto mais intelectual você fica, mais você perde as habilidades intuitivas que realmente tocam as pessoas”.

Bill Bernbach reiventou a publicidade, ensinou publicitários a ser mais do que meros vendedores anônimos. “A boa publicidade aumenta vendas, a grande publicidade constrói fábricas”. Bill batia de frente com a mediocridade 50 anos atrás, repudiando a publicidade meramente vendedora e sem brilho dizendo que isso era ruim para o cliente e para o mercado como um todo. Esse mal provavelmente nunca vai acabar, mas Bill parece ter deixado um legado contra a propaganda do “melhor e mais barato” e “ofertas imperdíveis”. Consumidores são espertos. Siga o exemplo deles.

Criatividade na crise

23 de janeiro de 2009 • TEMAS: Negócios / / / /

A maioria dos gurus defendem que a melhor arma contra a crise é a criatividade (ou inovação, como preferir). Entra crise e sai crise, gurus e especialistas estão sempre dizendo isso, mas o que raios é ser criativo no mundo dos negócios? Se eu te desse uma pilha de pastas com campanhas publicitárias, você provavelmente saberia separar as criativas das “normais”. Criatividade se tornou indispensável na publicidade já faz muito tempo, é quase impossível pensar em propaganda sem que a palavra “criativo” venha à mente. Com tantos números, dados, relatórios a serem avaliados, além de demorados processos de decisão, a criatividade no mundo dos negócios nunca foi muito bem-vinda. Até que as crises se tornaram cada vez mais comuns…

Para demonstrar que criatividade faz a diferença em todas as áreas e não só na comunicação, irei dar uma definição e um exemplo.

Alguns meses atrás, eu li uma das melhores definições de criatividade — dada pelo diretor do Centre for the Mind da Universidade Nacional da Austrália —, ele disse o seguinte:

“A criatividade requer que você deixe sua zona de conforto, que você se desafie continuamente e esteja preparado para confrontar a sabedoria convencional.”

Se você não é aberto a coisas novas, então você nunca será criativo. Se você não escuta os outros ou se finge que escuta e no fim faz o que você quer, você nunca será criativo. Se você faz sempre as mesmas coisas por falta de tempo, paciência ou coragem mesmo, você também nunca será criativo.

Tom Peters deu um sensacional exemplo de criatividade em um setor onde praticamente não existe, o de automóveis. Em um país onde existe quase 1 carro por habitante, não vender carros é um problema gravíssimo, não para a empresa, mas para a economia do país como um todo. Se as empresas não conseguem vender carros, elas não tem manter suas fábricas funcionando e seus funcionários ativos.

Na crise, uma das últimas coisas que as pessoas pensam em comprar é um carro novo. Então, o que fazer? Inovar.

Nos Estados Unidos, se você comprar um Hyundai hoje e for demitido, pode devolver o veículo em até um ano. O Assurance” (“assegurado”, em português) é um dos melhores exemplos de criatividade no mundo dos negócios. A Hyundai mostrou que a criatividade é sim a melhor arma contra crise, a única arma capaz de eliminar o maior obstáculo para aquisição de um carro novo: o medo de de não conseguir pagá-lo.

Eu sou bastante convicto de que você precisa estar sozinho para criar algo realmente criativo. Opiniões e críticas foras de hora — pra não falar das sem fundamento — são um problema na publicidade e, principalmente, para a criatividade. Se todo mundo opinar no seu trabalho, ele não vai ficar melhor, acredite, vai ficar pior. O momento ideal para ouvir o que as pessoas têm a dizer é antes de começar a criar, caso contrário, sua idéia nascerá sem pé, sem cabeça, ou sem ambos. O resultado desses “pitacos” durante a formação da idéia é o que eu chamo de Frankenstein, ou “franks” para os íntimos.

Filmes têm apenas um roteirista e um diretor. Imagine o caos que seria um filme sendo escrito e dirigido por 4 ou 5 pessoas… As séries de TV possuem vários roteiristas, porém cada um escreve episódios inteiros, raramente em dupla. Uma boa receita culinária é criada a partir de experiências solitárias de um chef, escolhendo e combinando vários ingredientes.

Assim como os diretores de cinema, TV, roteiristas e chefes de cozinha, publicitários vivem de insights, intuição, desgastes e um terceiro ingrediente fundamental, a coragem. Ela é extremamente necessária para tornar os seus insights realidade. Só depois da idéia ter nascido saudável e bem formada, chega a hora de ouvir opiniões e é nessa hora que você deve rezar para alguém — com critérios — dizer “sim”, “não” ou “muda só aquela fonte ali”…