Quando um cliente vai até uma agência querendo “fazer propaganda”, geralmente, ele tem uma coisa em mente: vender mais. No entanto, vender mais não é a função da propaganda. O que a empresa deve ter em mente ao contratar uma agência é que mais pessoas vão considerar comprar o seu produto. Simples assim. Mas bastante difícil em um mundo com tantas opções. Propaganda nenhuma vende um produto se quando o consumidor chegar pra comprar, está em falta, é mais caro do que ele pensava, a embalagem é frágil, o atendimento é fraco, etc. A propaganda leva o consumidor até a marca, mas é ele quem passa o cartão no final das contas.
A frase favorita dos antigos publicitários é “quem não é visto, não é lembrado”. Isso vem de muito tempo atrás quando, para ser conhecida, a marca precisava anunciar e, claro, quem anunciava estava muito a frente daquelas que não investiam (ou investiam pouco) em propaganda. A frase não perdeu sua veracidade. “Lembrar” ainda é um dos principais objetivos da publicidade. O que nos leva ao famoso recall — o índice de lembrança que uma pessoa tem de uma determinada marca. É algo importantíssimo para a propaganda, mas que parece ter se perdido com o passar do tempo, quando agências de publicidade (veículos também) começaram a surgir de todos os cantos. Todo mundo pode anunciar hoje, mas poucos, muito poucos permanecem na mente.
Cerca de 60% dos comerciais vistos na década de 60 eram lembrados. Em 2007, a taxa se aproximou a zero — algo em torno de 2%. O que as empresas que investem rios de dinheiro em marketing podem fazer para evitar isso? Dan Hill, autor dos livros “Face Time” e “Emotionomics” deu as direções com base em seus estudos e anos de experiência estudando consumidores e a publicidade.
Use a simplicidade
O cérebro humano automaticamente discarta informações que ele não decodifica ou não precisa a fim de evitar a sobrecarga. O homem contemporâneo tem hoje aos 20 anos a quantidade de informação que um sexagenário possuia 2 séculos atrás. Isso significa que a quantidade de informação diária é absurda! Ficaríamos loucos se absorvêssemos tudo. A propaganda deve ser simples, mas não óbvia. E isso vale tanto para texto como para arte.
Engajamento emocional
Para aumentar a lembrança, o consumidor precisa se envolver emocionalmente, isso nada mais é que engajamento emocional. É difícil lembrar de algo que você não concorda, não gosta ou não se interessa. A palavra-chave para se conseguir isso é: relevância. Outro ponto importante é conhecer bem o seu público e com quem você está falando. Anúncios que vendem pra todo mundo costumam ser um fracasso nesse ponto.
Crie associações familiares
Estudos demonstram que a memória funciona com base na quantidade que uma informação nova é associada a informações já gravadas na mente. Isso talvez explique porque os anúncios de hoje retratam pessoas mais comuns em situações do cotidiano, ao invés de super-humanos felizes, loiros de olhos azuis em cenários paradisíacos como costumava ser antigamente.
Repetição funciona
Quando dois neurônios são ativados juntos, eles se conectam. Mas como nenhuma empresa anuncia o quanto gostaria devido ao alto custo, as agências precisam usar outros meios para criar campanhas boas e que gravem na mente sem ter que veicular 20 vezes por dia.
“Novo!”
As pessoas adoram novidades. Criar algo novo é sempre mais uma oportunidade de estimular o boca a boca. Um bom comercial, por melhor que seja, só pode ser compartilhado uma vez. Coisas novas são motivos para que elas falem mais do mesmo.
Mudanças são oportunidades
Ou problemas. De qualquer forma, elas são mais um recurso a ser explorado pela publicidade. Assim como as novidades, mudanças dão o que falar, além de ser uma chance de trazer clientes novos ou fazerem as pessoas mudarem de ideia.
[Quem se interessou, pode ler o artigo traduzido de Dan Hill em PDF aqui.]
Coloque-se no seu lugar. Se você quer criar uma relação próxima com a pessoa (e esse é o maior benefício do e-mail), é preciso deixar claro quem você é. Eu nunca tinha visto 5 peças em 1 e-mail só! Resista à tentação de fazer parte daquele super-mailing, não há nada pior do que a sensação de ser “só mais um”. Isso gera confusão, não cria o menor vínculo com a pessoa que recebe e todos saem prejudicados. Então, se você quer enviar um e-mail marketing, comece sendo você mesmo e criando seus próprios amigos.
Eu estranhei quando vi um livro sobre redação publicitária escrito por alguém que não era exatamente um publicitário. Mas o título do seu livro (ao lado) havia me fisgado totalmente, o que indicava que ele era realmente bom com as palavras.
Conheci seu trabalho no ano passado, quando tomei conta de uma cópia de Advertising Secrets of the Written Copy que peguei na biblioteca da universidade em que fazia um curso. Apesar de ser focado em textos longos, considerei seu conteúdo inestimável. Ao devolver o livro, quase pude sentir uma lágrima escorrendo… definitivamente, eu precisava ter o livro na minha estante! Mas ele era pesado, grande e não era vendido no Brasil.
Quando se trata de aprendizado, estou certo de que não há o melhor livro do mundo, mas eu acredito que exista o livro certo pra você em determinada fase da sua carreira. E, esse, é o melhor livro do mundo que você pode ler.





