Você está em ‘consumo’

Durante os 4 anos na universidade de comunicação,  eu fui levado a pensar que copiar era uma espécie de crime, só pior do que roubar e assassinar. Então, eu descobri sozinho que o plágio era um roubo e também  um assassinato — à inovação. Depois, eu fui estudar negócios e aprendi que copiar ajudava manter as empresas competitivas e eficientes. Copiar pode ser bom para a gestão, como usar, aqui no Brasil, um modelo de negócios que deu certo lá fora.

O Brasil está muito bem servido de gestores competentes e cases de sucesso. Há muitos excelentes executivos no mercado, embora em quantidade insuficiente, as empresas brasileiras estão em ótimas mãos. Mas quando falamos em e-business a coisa muda um pouco de figura. Falta gente capacitada e apaixonada pela coisa. Na minha humilde opinião, as empresas virtuais brasileiras ainda tem muito o que aprender.

Recentemente, criei uma conta no PayPal e comecei a comprar no eBay e em outros sites ao redor do mundo. É como quando você viaja pela 1ª vez aos Estados Unidos e compra tudo, porque sabe que no Brasil não vai encontrar. No meu caso, não são apenas produtos que não vou encontrar, mas o excepcional serviço do PayPal e o compromisso com o cliente do eBay.

Eu sempre tive a teoria de que se o Submarino copiasse exatamente em tudo a americana Amazon, ela estaria anos-luz a frente de seus concorrentes. No entanto, seu mecanismo de busca é falho, os preços são similares aos das outras lojas, não possui seção de usados, não oferece uma boa política de descontos pra fidelizar o cliente, não visa criar uma comunidade (maior diferencial da Amazon), e se mantém muito focada em promoções — velha tática do varejo convencional. Com o Mercado Livre é a mesma coisa. Menos grave, visto que não possui muitos (ou nenhum) concorrentes. Eu diria que a maior concorrência do Mercado Livre é a insegurança das pessoas. E o ML não fez grandes progressos para resolver esse problema.

A maior falha do Mercado Livre é não ter um contato direto e transparente com seus usuários. Faça o teste, tente achar um formulário de contato. Aposto que você irá desistir antes de encontrar. A segunda maior falha é, como uma empresa eBay, não se parecer com o eBay. O site americano é um dos maiores fenômenos da internet norte-americana e não é exagero chamar de o maior case de e-business da história. Como uma loja virtual fatura quase 10 bilhões de dólares por ano sem fabricar um único produto? Sem manter estoque, departamento de compra ou vendedores? O segredo é confiança e praticidade. E isso é mais difícil do que qualquer venda.

O PayPal é outro case que eu adoro. Impossível esconder meu encantamento pela empresa que tornou o maior obstáculo do comércio virtual em vantagem competitiva altamente rentável para os investidores e prática para os consumidores. Pra quem nunca experimentou, o PayPal é um serviço que você cadastra o seu cartão de crédito uma vez e nunca mais precisará fornecer seus dados a nenhum outro site, bastando colocar usuário/senha e finalizar a compra . Em um ou dois cliques e a transação é feita. Você não mais se pergunta se aquele site é seguro ou se está com o cartão em mãos. O PayPal toma conta disso pra você. Além disso, em outros países você pode cadastrar a sua conta do banco, pagar contas e transferir dinheiro de forma super fácil. Pode comprar e vender pra qualquer pessoa no mundo.

No Brasil, temos o PagSeguro (do UOL) e o Pagamento Digital (do Buscapé).   Nem o PagSeguro nem o Pagamento Digital parecem estar seguindo o exemplo de sucesso do PayPal. Há relatos de débitos a mais no PagSeguro e demora no recebimento. Competir nesse mercado não vale à pena, pois é crucial a adoção das empresas para alavancar o negócio e ganhar credibilidade. A concorrência pulveriza e confunde um mercado que já não fica muito à vontade pra lidar com dinheiro.

PagSeguro e Mercado Livre, bem como a maioria dos negócios virtuais, têm muito a aprender. E uma boa maneira disso acontecer, é copiando. Esse prazo está se esgotando, já que o PayPal deve passar operar com a moeda brasileira em 2010. E isso vai mudar tudo, pode acreditar.

Em algumas cidades pode-se presenciar um fenômeno muito claro de mudança de hábitos das pessoas: a sazonalidade. O inverno começa e uma série de coisas que as pessoas faziam 1 mês atrás são substituídos por outros. Seus hábitos de consumo também mudam drasticamente, o refrigerante agora divide espaço com os chás. A venda de cobertores, jaquetas, botas e  aquecedores vão às alturas. Dentro de alguns meses, as vendas desses produtos chegarão quase a zero e é preciso ter um modelo de negócios muito estruturado pra lidar com isso.

É óbvio que alguns produtos só vendem no inverno e outro só no verão. Assim como árvore de natal só vende no natal e ovos de páscoa só vendem  na… adivinhem? No entanto, estamos falando de hábitos de consumo, comportamento. Em outras palavras, de algo imprevisível. Algumas coisas são difíceis, outras são impossíveis (como vender aquecedor em janeiro). Vamos nos ater às possíveis, porém difíceis — como vender sorvete em julho.

Como vender sorvete em julho? Bem, primeiro se você está no ramo de sorvetes (ou em qualquer outro) é preciso parar de pensar em sorvete para pensar em administrar uma empresa saudável e de sucesso. Os tempos mudaram, hoje sorveterias vendem lanches, livrarias vendem videogames e agências de turismo têm aviões e navios. O difícil é navegar por outros mares sem esquecer-se do ponto de partida. É aqui que mora o perigo.

Em se tratando de sazonalidade, eu só vejo duas estratégias possíveis: 1) Ampliar portifólio; 2) Alcançar novos mercados.

Voltando ao exemplo da sorveteria –que eu particularmente adoro–, a opção mais óbvia seria vender lanches. Porém, isso a distanciaria da imagem de sorvetes. A ideia que mais me agrada é de vender sorvetes quentes e outros produtos limitados, educando os consumidores a tomarem sorvete no inverno,  misturando a frutas e biscoitos, como uma refeição leve. Segundo uma especialista do setor, o sorvete é visto como alimento em países como Estados Unidos e Argentina, sendo consumido em qualquer época do ano.

A 2ª estratégia é expandir para outras regiões, como norte e nordeste. Onde há verão 12 meses por ano. Em Belém do Pará, está a minha sorveteria favorita. Cerca de 50 sabores deixam o cliente sem saber o que pedir, felizmente é possível experimentar antes de escolher — o que não deixa a escolha mais fácil, acredite. Eu sempre me pergunto o que aquela maravilhosa sorveteria faz em um mercado tão restrito. Tive o prazer de entrevistar um dos sócios e pude perceber o por quê. Falta de visão. Soube que era possível experimentar no Rio e São Paulo, se o consumidor tivesse a sorte de encontrar um dos carrinhos da sorveteria, porque não há loja física.

A melhor forma de lidar com a sazonalidade é tendo uma mente aberta e sendo ousado. Lidar com a sazonalidade, geralmente, requer uma grande quantidade de energia. Mas é assim que a natureza lida com as dificuldades, gastando mais energia. Da mesma forma que o nosso corpo necessita de 25% mais calorias no inverno para se manter saudável, as empresas precisam se esforçar mais em mercados delicados como os sazonais.

Há tempos, a indústria e o governo se esforçam para aumentar o parco consumo per capita de vinhos no Brasil. Por “n” motivos, jamais chegará a um nível satisfatório.

No Rio Grande do Sul –sobretudo nas cidades do interior– o vinho está em todo lugar, principalmente na mesa. Portanto, consumo de vinho não é um problema por aqui. O desafio é outro: aumentar o consumo de um produto altamente sazonal, o espumante

Duas semanas atrás fui a uma festa de música eletrônica de uma marca de vinhos e espumantes. Evento grande, bonito, bons DJs e o principal: espumante liberado. Uma boa estratégia. Se você quer aumentar o consumo entre os jovens, festa é uma das melhores maneiras. Mas não é o bastante. Afinal, o investimento é alto e o risco maior ainda.

Um dos maiores desafios do marketing é criar novos hábitos de consumo. Fazer as pessoas beberem um isotônico enquanto praticam exercícios, trocarem café por chá ou responder um e-mail através do celular. Felizmente para empresas desses segmentos não é muito difícil visto que não há um substituto direto para esses produtos. Não existe um hábito de consumir esses produtos regularmente. Ou seja, ainda não é muito normal –para maioria de nós– responder e-mails usando um celular ou beber Gatorade sempre que damos uma corrida no parque.

O que o mercado de espumantes encontra é justamente o contrário. Há hábitos de consumo já enraizados, no que diz respeito bebida alcoólica. Eu bebo cerveja 90% das vezes em que saio pra uma festa. Você pode beber whisky ou vodka. Mas beber brut (versão mais forte do espumante) está longe de fazer parte dos hábitos do público noturno.

O desafio é grande e proporcional à recompensa. Como Seth Godin explicou em seu livro The Dip, o conceito do vão (ver imagem) é aplicável ao desafio que as vinícolas estão enfrentando. Requer paciência, esforço, investimento.

Está dada a largada. A primeira marca que consegui superar o vão e entrar na mente do consumidor como “bebida alcoólica” e deixar de lado “bebida chique”, “cara demais” ou para “comemoração” colherá grandes resultados. De quebra, estimula todo o mercado aumentando o consumo do outras marcas também, mas esse um assunto para outra ocasião. E as vinícolas já têm desafios demais pra se preocupar…

Quando a Asus lançou seu Eee PC (o 1º netbook do mercado), dois anos atrás, eu imagino que ela tinha um objetivo muito claro, do tipo “criar um produto para o consumidor final”. [A ASUS sempre foi uma fabricante de componentes, ou seja B2B.] Muito antes de 2007, a Asus já era uma fabricante de hardware respeitável e sinônimo de qualidade quando se falava em placas-mãe. Basta dizer que se seu computador não tivesse uma placa-mãe ASUS, ele não era tão bom assim. De fato, a Asus acertou em cheio quando lançou o Eee PC — que o mundo todo viria batizar de netbooks.

Quando uma empresa lança um produto de sucesso, não necessariamente significa que esse mercado terá sucesso. A concorrência imita, isso faz parte do jogo, mas geralmente a nº1 é quem rege a orquestra.  No entanto, todos estão abocanhando uma considerável fatia desse mercado e a ASUS está perdendo mercado.  Nos EUA, ela ocupou o melhor lugar na mente dos consumidores, a de Nº1, e como só existe mais um lugar sobrando (segundo os ensinamentos de Al Ries), as demais marcas estão numa guerra selvagem. E o pior: canibalizando as já consolidadas vendas de laptops.

Em 2007, foi vendido somente 1 milhão de unidades. Esse número aumentou 14 vezes no ano passado e tende a dobrar em 2009. No entanto, eu acredito que esse número deva chegar ao limite mais rápido do que se imagina.

Os netbooks estão em algum lugar entre um celular e um laptop. Mas peraí, esse não é o mesmo lugar dos smartphones? Os smartphones cresceram 12,7% no primeiro trimestre deste ano, os netbooks 40% e laptops 22%, mas é difícil acreditar que as pessoas tenham os três. As pessoas compram smartphones porque querem receber e-mails, navegar na internet e abrir planilhas. Compram netbooks porque querem usar mensagens instantâneas, navegar por mais tempo na internet e usar recursos básicos de multimídia — mas também querem uma tela maior. Uma tela maior não é diferencial bastante pra sustentar esse mercado. Tanto smartphones como netbooks são computadores que eu chamo de “monotarefas”, ou sejam você usa uma coisa de cada vez.

Existe laptops de 12 pol. com duas ou três vezes mais potência e capacidade que os netbooks. Mas aí você pode pensar “são muito caros”. Sim, são. Mas quem realmente precisa de tanta mobilidade assim? Executivos, empresários, produtores… esses caras são o público de smartphones e laptops ultra-compactos. Não de netbooks.

O netbook não é um produto que já nasceu morto, ele tem seu espaço, mas exceto pela Asus, eu não acho que alguma marca conseguirá se consolidar nesse mercado de nicho. Talvez focando no público de baixa-renda. Mas o desempenho fraco –similar a um celular de última geração—não substitui um PC Desktop ou laptop. Tão logo os consumidores descubram que a tela minúscula, teclado mínimo e processamento medíocre é o mesmo dos celulares modernos e que não substituem o computador convencional, o segmento morrerá. O netbook é um produto muito pequeno para um mercado tão grande e com tantos monstros tecnológicos.

*UPDATE 1 *(08/12): Conheci 3 pessoas que possuem netbooks e 2 me disseram que jamais comprariam de novo. Também perguntei a algumas pessoas se elas comprariam e a grande maioria me disse “acho que não”.

**UPDATE2* (08/12): Encontrei uma utilidade. Vi bares e restaurantes agilizando seus processos através do uso de netbooks. Como acontecia com PDAs pouco tempo atrás.

Talvez você já tenha passado por uma situação semelhante a esta. Você sai de casa para ir jantar fora naquele restaurante específico, chegando lá, bastam alguns minutos pra você perceber que não era o que você esperava. Você pensa em ir embora, mas acaba soltando a frase “já que estamos aqui mesmo” e se conformando com algo apenas mediano.

O que aconteceria se, duas quadras a frente, tivesse outro do mesmo nível e mais um dobrando a esquina?

A natureza da competição no mundo dos negócios nos faz pensar que ser o único no bairro é melhor. Pode até ser, mas isso é muito raro hoje em dia. Você pode ser o único no bairro, mas não na cidade. Ter concorrentes próximos pode ser muito mais vantajoso do que estar isolado.

A primeira vez que ouvi falar sobre isso pensei “como pode??” Foi um gerente (ou algo do tipo) da Starbucks que estava tendo dificuldades em entrar em certo mercado dos Estados Unidos. A Starbucks estava sendo vista como vilã, uma vez que muitas cafeterias locais preocupadas com a chegada da sereia verde. A solução foi mostrar para os empresários locais que, mesmo relativamente perto uma das outras, o mercado delas não diminuiu, pelo contrário. A Starbucks ficou com algo em torno de 53%, e nenhuma rede de cafeteria local fechou.

Duas hipóteses minhas para explicar esse “fenômeno”, digamos assim.
1) Grandes marcas atraem um modo de consumo novo e aumentam a procura pela categoria como um todo, não apenas da marca;
2) A Starbucks é uma cafeteria de luxo, seu preço é caro e tem um clima alternativo. Obviamente, seu preço e estilo não agradam a todos, sobrando espaço para concorrentes;

O caso da Starbucks me levou a prestar atenção em como as empresas podem ganhar com isso. Fiquei impressionado como isso é interessante.

Ora, quando você pensa em fazer compras em que lugar você pensa? Shopping. Mas se você precisa comprar algo realmente barato? Internet ou Centro da cidade. E pra curtir à noite? Se você mora em São Paulo Vila Olímpia é uma boa aposta, no Rio a Lapa ou em Porto Alegre Cidade Baixa. As chances de alguém lembrar de um lugar específico são pequenas diante de tantas opções que essas áreas oferecem. A pergunta é: se você fosse um restaurante ou uma casa noturna, gostaria de ser o único do bairro?

O mesmo acontece em vários segmentos, mas é menos freqüente em segmentos onde a conveniência é um fator de decisão importante, por exemplo: supermercados.

A maioria de nós acha que é melhor ser o único do bairro porque assim, ao menos em teoria, se vende mais. Maior concorrência aumenta a tensão e nos força a ser cada vez melhor, deixando-nos mais preparado para qualquer situação. O melhor aprendizado vem em grupo, é difícil aprender algo quando não tem ninguém te cobrando. Hoje, mais do que nunca, “vender mais” não é a frase-chave, e sim “vender melhor”.

Venda melhor, venda sempre. Venda mais este mês e você nunca saberá o dia de amanhã.

Inaugurando uma nova velha loja

12 de junho de 2009 • TEMAS: Negócios /

Sabemos que nomes carregam uma série de significados; crenças, valores, experiências, emoções, etc. Por isso, ele é tão importante para o sucesso do negócio e não deve ser escolhido só porque é de agrado do dono ou pior, é o seu sobrenome. Nome é um aspecto frequentemente negligenciado, como o ponto também é.

No último ano, eu conheci pelo menos três estabelecimentos que abriram as portas no mesmo lugar que empresas do mesmo segmento haviam acabado de fechar. Um mercado deu lugar a outro mercado, uma pizzaria fina deu lugar a outra pizzaria fina e um bar de rock que deu lugar a adivinhem? Outro bar de rock. Os novos proprietários do mercado e restaurante reabriram sem o mínimo de reforma e diferenciação. Imagine a frustração ao viajar e ir naquele agradável restaurante e perceber que ele mudou. Da mesma forma, jamais voltaria a esse restaurante se tivesse tido alguma experiência desagradável, mesmo que ele tivesse mudado de nome. O que eu gostaria de dizer é não escolha um ponto com base apenas na metragem, localização e preço. Em outras palavras, de forma puramente racional. Não podemos esquecer que são movidas muito mais à emoção do que a razão —preço e localização.

Você não sabe como era o atendimento da loja anterior, se os produtos eram de boa qualidade, o ambiente limpo, se o preço era adequado, etc. Mas o seu cliente sabe disso — ou o amigo do seu cliente sabe e contou a ele, e isso foi o suficiente pra ele formar uma opinião. Caso a opinião (percepção) seja negativa, você vai enfrentar uma resistência sem nem saber o porquê;  precisará convencê-lo de que você não é quem ele pensa que é, de que você mudou. E isso é como começar o jogo perdendo de 1×0 no qual o empate não é um resultado válido.

Se o ponto é realmente bom e não há chances de conseguir um melhor, então cuide para apagar todos os vestígios da empresa anterior e faça uma comunicação massiva pra mostrar quem é o novo dono do pedaço, e o quão melhor você é. Quanto melhor você for nesses dois aspectos, mais rápido as pessoas esquecerão o velho e criarão uma nova imagem. Lembre-se de que as pessoas gostam de novidade e trocar uma pizzaria por outra pizzaria não é novidade para o consumidor a menos que você ofereça uma experiência totalmente diferente e ele se convença da mudança.

Que Refrigerante É Esse?Que refrigerante é esse?
Aposto como você pensou em Coca-Cola ao ver a imagem ao lado. Mas poderia ser uma garrafa de Pepsi, não poderia? Acontece que a Coca domina a nossa mente com um grande número de associações. A garrafa arredondada, a cor do líquido sob a luz, bolhas de gás, o vermelho vibrante e até a imagem de uma garrafa de vidro abandonada no deserto nos levam a pensar em Coca-Cola. Essas imagens que estacionam na nossa mente —devido a uma comunicação consistente e duradoura— são capazes de coisas incríveis, até diminuir a importância da logomarca. Essa é a premissa para entender o assunto que vem a seguir.

Mensagem subliminar funciona?
Depende. Se você considerar mensagem subliminar imagens ou textos que aparecem numa fração de segundo —durante uma música ou filme— e são capazes de influenciar o nosso comportamento, então a resposta é não. Porém, se você assumir que mensagem subliminar são imagens percebidas, porém, não associadas conscientemente a uma marca, então você está certo.

Anos atrás, quando só era um rapaz chato perdido nos primeiros meses da faculdade de comunicação, e soube da existência da tal mensagem subliminar, fiquei certo de que não passava de uma bobagem! Desde então, nunca ninguém nem nenhum livro conseguiu me convencer de que isso funciona. Lendo o capítulo sobre mensagem subliminar do livro Buyology fiquei mais convicto da minha opinião.

Em 1957, um sujeito chamado James Vicary fez um teste durante uma sessão de cinema no qual inseria um frame com as frases “beba Coca-Cola” e “coma pipoca”. Esse frame estava na ordem de 1:3000 a cada segundo. Segundo Vicary, o cinema registrou um aumento de 57% na venda de pipoca e 18% na de Coca-Cola. Foi assim que surgiu o mito da mensagem subliminar….

James_vicaryEm 1962, o presidente de uma empresa de psicologia pediu a Vicary que realizasse de novo o experimento. Adivinhem só? Não houve nenhum aumento nas vendas. Depois, em entrevista a Advertising Age, James Vicary indiretamente disse que ele havia inventado tudo. Nada havia sido verdade.

Embora seja comprovado de que o cérebro humano seja capaz de captar uma imagem (em uma velocidade determinada, nem mais nem menos) sem que nós demos conta disso, é improvável que isso influencie nossas atitudes. Em outras palavras, mensagem subliminar como nós conhecemos não funciona. Contudo, utilizar elementos visuais para “enganar” o cérebro, fazendo propaganda não parecer propaganda, provou ser muito eficaz. Inclusive, mais do que exibir logos.

Uma logomarca diz ao cérebro “oi, eu sou uma propaganda”,  isso é o suficiente para levantarmos nosso escudo contra ela (e isso acontece muitas vezes sem que percebamos). A lógica da mensagem subliminar moderna está em fazer a marca entrar no cérebro do consumidor, e isso é muito mais fácil quando não encontramos uma barreira na nossa frente.

Lindstrom cita no livro o incentivo da Philip Morris a bares que utilizem elementos visuais relacionados ao Marlboro como telas exibindo pôr-do-sol, aventura, paisagens rústicas e a cor vermelha na decoração. A regra número 1 da mensagem subliminar moderna é: “não bombardeie o consumidor com a sua logo”, a coloque em lugares estratégicos e crie inúmeras associações que leve o cérebro a linkar com a marca mesmo que de forma inconsciente. Por exemplo, no American Idol a Coca-Cola está muito mais presente do que você imagina. O vermelho vibrante está em vários lugares e o sofá tem formato que lembra uma garrafa de Coca. (Testes feitos mostraram que o cérebro das pessoas ficaram tão “lotados de Coca-Cola” que não sobrou espaço para a Ford, outro patrocinador do programa)

Todas as suas forças devem se voltar para criar um contexto para a marca, vinculá-la a imagens, situações, cheiros, sabores, cores ou símbolos para que funcionem como pontes para a sua marca, sem sequer ver a logo. É importante que se saiba que quando falamos em mensagem subliminar, falamos no subconsciente, algo inexplicável e que muitas vezes vai de contra com a razão. É por isso que eu acho neuromarketing tão interessante, não é o que a pessoa acha que é, mas o que seu cérebro afirma que é.

Qual marca você gostaria de sentar ao lado em um jantar?

Qual marca você gostaria de ter uma discussão?

Qual marca mais inspira você?

Se você fosse uma marca, qual você seria? Por quê?

Qual marca você não consegue viver sem? Por quê?

Qual marca vai se tornar realmente verde no futuro? Por quê?

Essas foram algumas das perguntas da pesquisa brandjunkie 2008, feita pelo Brandchannel para se medir a influência das marcas nas nossas vidas e o quanto — e como — elas orientam nossas ações. A marca n°1 em quase todas essas perguntas foi a Apple (ooooh!), seguida pela Microsoft — a marca que todos queriam ter uma discussão — e a opção “nenhuma” — quando perguntado qual marca será verde.

O importante não está em qual marca foi mais citada, não está na superfície dos resultados, o bacana é ir a fundo. Eu, que nem calvo sou, já estou careca de saber que Apple, Microsoft, Google, Coca-Cola são as marcas mais valiosas e, logo, mais importantes e comentadas. Não é de se espantar ao vê-las encabeçando quase todas as perguntas.

O bacana é ver que as pessoas conseguem viver sem Colgate, Nokia, Axe e Levi`s, mas não  sem o café da Starbucks. Bacana ver que a maioria das pessoas se sentem muito mais descoladas e independentes, como a Virgin, do que felizes e alegres como a Disney. Muito interessante em ver as pessoas dispostas a argumentarem com empresas supostamente malignas como Microsoft,  Walmart e McDonald`s.

Resumo: O que se tira de tudo isso é a profundidade do seu conteúdo. Não temos apenas respostas óbvias (Apple, Coca-Cola, blá blá blá), temos respostas com conteúdo de pessoas comuns,  isso é relevância! Percebemos, mais do que nunca, que é preciso que uma marca esteja presente na nossa vida em vários e vários momentos e não apenas no momento da compra.  Já pararam pra pensar que essas marcas estão mais presentes na nossas vidas do que a maioria de nossos amigos e familiares?

Durante anos, empreiteiras, corretores de imóveis e produtores de eventos defenderam que para se construir, vender e planejar; um lugar com teto alto é sempre melhor. Eles estão certos? Até pouco tempo atrás não havia indício algum de que teto alto influenciava ou tinham vantagem com consumidores. Porém, uma pesquisa realizada por um professor de marketing da Universidade de Minnesota, mostrou que as pessoas são realmente afetadas por ambientes de teto alto. (O estudo não abordou lugares a céu aberto.

“Quando uma pessoa está num lugar cujo o teto mede 3m, a tendência é que ela pense de forma mais livre, mais abstrata”, diz o coordenador da pesquisa. “As pessoas podem realizar mais conexões abstratas entre diferentes assuntos. Enquanto que numa sala com teto de 2,4m, as pessoas provavelmente se focarão em assuntos específicos”

A pesquisa demonstra que as variações de altura dos tetos podem evocar idéias que afetam a maneira de como os consumidores processam as informações. O estudo confirma que: tetos altam passam a idéia de liberdade e tetos baixos a sensação de confinamento. A sensação de liberdade torna sua criatividade ilimitada para ir aonde quiser. Já a sensação de confinamento o deixa “preso” a idéias específicas e, por sua vez, mais focado nos detalhes. “Tetos altos podem fazer grande diferença em como o consumidor absorve a informação apresentada”. Ao receber a explicação de um novo produto, por exemplo.

A pesquisa é de grande importância para os diversos segmentos do varejo, que pretendem influenciar processo de compra do consumidor diretamente no ponto de venda, ou mesmo na estratégia de persuasão de um vendedor. Vamos prestar atenção a esse importante “detalhe” nas lojas varejistas. As de teto alto provavelmente sairão na frente daquelas com sufocantes tetos baixos. (Ou não. É tudo uma questão de estratégia.)

Via: Science Daily

Assim é a vida de que vive para o trabalho. Sem graça.