Você está em ‘competências’

Algumas pessoas evitam dizer não como se fosse algo contagioso e nocivo. Reformulam as suas frases de modo que a palavra não apareça e soe mais agradável. Isso não apenas é cansativo, como é desnecessário na maioria das casos. O fato é que em um mundo onde existem mais coisas ruins do que boas, mais  erradas do que certas e a mediocridade é mais comum do que a excelência, dizer não é necessário.

Por uma questão mais de seleção do que negativismo, essa palavrinha causa um grande impacto nas pessoas. Por isso, é preciso usar com cautela quando se está lidando diretamente com alguém. Seja por um projeto recusado, um emprego não alcançado ou uma prova em que não se alcançou a média necessária. O fracasso, considerado uma das principais fontes de experiência, é um grande não que não é dito em palavras. Uma tentativa de abrir o próprio negócio que terminou de forma precoce é a resposta do mercado dizendo “você não fez o que gostaríamos que fizesse” ou “você não fez o suficiente”.

Dizer não é importante e, por incrível que pareça, a sociedade aprecia isso. Algumas  pessoas preferem inventar desculpas para recusar um pedido em vez de dizer não, pois acham que assim não vão magoar os outros. Ora, quem se magoa ao ouvir não são as crianças, se você não está preparado para ouvir, então não pergunte. O que realmente magoa é como se diz. Sabe-se que apenas 7% da comunicação é feita através de palavras, contra 38% do tom de voz. Você acha que essa palavrinha realmente importa?

No texto escrito, o não deixa de ofender ou magoar e se torna um elemento de alerta. Além de servir pra recusar ou discordar de algo, o não pode ser usado para enfatizar uma determinada coisa, chamando maior atenção para o assunto.  O exemplo mais conhecido é o dos avisos em locais públicos. Claro, você parecerá mais autoritário se começar uma frase usando não, quero apenas ressaltar que há outros usos para essa palavra tão discriminada e que é possível redigir um email ou um artigo utilizando-na sem parecer rude ou intransigente.

Assim como nem toda pessoa crítica pode ser considerada antipática,  nem todo mundo que diz não é uma pessoa negativa. Lembre-se que entre 8 e 80 existem 72. É o dinheiro da empresa que está em jogo, é o seu tempo que vai ser consumido, e o seu emprego colocado em risco se algo fracassar terrivelmente. Dizer não é uma boa habilidade a ser desenvolvida. E eu digo desenvolvida porque deve ser trabalhada até atingir um ponto de equilíbrio. Criticar faz parte do seu trabalho também, mas é preciso saber o que diz antes de abrir a boca. Eu sou um dos caras mais chatos que você pode conhecer, e o primeiro a apostar em algo que valha à pena. Geralmente, quando eu não tenho uma boa justificativa para dizer porque não gostei ou porque não acredito em uma ideia, eu não atrapalho e fico calado.

Dale Carnegie, um dos grandes especialistas em vendas e relações humanas, já alertava muitas décadas atrás para o cuidado do uso do não. Ele aconselha que sempre que possível, retire o não da frase. Eu adoro Carnegie e acho a maioria das suas lições extremamente valiosas. Eu acredito que o não deva ter um propósito para ser usado. Não deve simplesmente ser substituído para se ter uma frase mais agradável, nem usado à vontade. Não demais afeta a moral da equipe  e transmite a mensagem que você é fechado a novas opiniões, ideias e até pessoas.

Em poucas palavras, você usa o não como uma arma em um jogo: de forma estratégica e sábia para conquistar o resultado positivo para você  (e sua empresa) sem prejudicar os outros.

A elite profissional

12 de maio de 2010 • TEMAS: Carreira / /

Por Seth Godin

Em um mundo em desenvolvimento, geralmente há uma divisão bem definida entre elites e as outras pessoas. Os elites têm mais dinheiro e/ou mais educação. Não é raro encontrar países muito pobres onde uma pequena parcela da população não é nada pobre. Às vezes, isso é uma condição não merecida, herdada ou adquirida tirando vantagens sobre os outros.

Independente disso, você não pode apenas dizer que é de elite e se tornar um. Na maioria das sociedades (incluindo a minha e provavelmente a sua), eu diria que a divisão é diferente. Há uma linha entre as pessoas que ativamente se engajam em novas idéias, ativamente buscam mudança, são ativamente engajadas…  e aquelas que aceitam o que lhes é dado e se matam trabalhando.

Isso começa na escola, claro, e então a diferença se acentua conforme crescemos. Algumas pessoas se esforçam para encontrar novos desafios ou se agarram com coisas apesar de discordarem. Elas procuram novas pessoas, novas oportunidades e saboreiam o desconforto que vem com o crescimento (e desafiam outras a experimentar o mesmo).

Talvez eu esteja me vangloriando (e você), mas eu acho que quase todo mundo que lê blogs como este fazem parte da elite. Não por causa do sobrenome ou classe social, mas por causa da escolha feita, da decisão tomada de se manter atento e engajado, de desafiar o status quo da sua escolha.

O número dos que se consideram elite tem explodido. Parte disso é em função da nossa habilidade de ganhar a vida trabalhando 14 por dia em condições precárias, a outra parte vem da facilidade com que encontramos e nos relacionamos com outros elites.

O desafio do nosso tempo talvez seja construir organizações e plataformas que estimulem e direcionem elites, onde quer que eles estejam. Além do mais, é de onde produtividade e mudanças nascem.

Uma vez que você assuma isso como uma missão, você economizará tempo e frustração na sua busca. Se alguém decide não ser parte da elite, acho difícil que você possa persuadi-lo a mudar de ideia. Por outro lado, o ciclo de descoberta, engajamento e entrega dos elites tendem a acelerar com o tempo, e você tem todas as ferramentas necessárias para ser parte disso – liderar, na verdade.

Artigo traduzido do original: “Are You an Elite?”

Isso não é pra mim

17 de março de 2010 • TEMAS: Comportamento / /

Por Seth Godin

Uma disciplina que vale à pena ter: ao dar um feedback, separe “isso não é pra mim” de “isso não é pra ninguém”.

Se alguém lhe mostrar um plano de negócios de uma estação de energia que usa tração mecânica para gerar eletricidade, é justo dizer “isso nunca irá funcionar, é impossível”.

Se alguém lhe mostrar um plano de negócios de uma rede de restaurantes de cachorros-quentes de sushi, é justo dizer “que nojento! Eu nunca iria lá”, mas não é sensato assumir que isso jamais funcionaria em lugar nenhum seja qual for o cenário.

Você pode dizer que não gosta de um livro, de um filme ou de um candidato à eleição. Mas sem informações adicionais, você não tem como dizer que nunca vai ser um sucesso, que os críticos não irão elogiar ou que o candidato nunca se elegerá.

Editores brilhantes e investidores de risco têm a habilidade de se empolgar com um projeto que não tem nada a ver com o gosto deles — eles criticam com base em suas experiências não egoísmo. Essa é uma habilidade muito valiosa, requer empatia, experiência e senso crítico, não alegações óbvias.

[Traduzido do original "Not For Me"]