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É comum eu ficar em casa parado em frente à minha pequena estante de livros — construída praticamente ao longo dos últimos 4 anos. Fico passeando pelos títulos e lembrando se eu deveria lembrar de algo que já esqueci. Em um desses passeios, caí em 2007 quando comprei um livro de OG Mandino, em um aeroporto, chamado  “O Maior Sucesso do Mundo”. Como a maioria dos jovens de 20 e poucos anos eu não conhecia o autor, mas achei legal o título e li quase tododurante a viagem. Provavelmente, nunca aprendi tanto dentro de um avião.

Há quem critique livros de auto-ajuda, de fato, a maioria não é muito diferente de um livro de receitas. Mas alguns valem ouro e conseguem nos  deixar um pouquinho melhor do que antes. Inclusive, na vida profissional.

OG Mandino pode não ser o pai da auto-ajuda, mas é filho direto do gênero literário que teve um boom na década de 90 e hoje movimenta bilhões de dólares no mundo todo. O escritor que faleceu em 1996, aos 73 anos, escapou de uma vida destruída e do suicídio lendo dezenas de livros sobre motivação e sucesso. Muitos anos mais tarde, ele escreveria um dos mais bem-sucedidos livros de motivação da história: “O maior vendedor do mundo”. E vários outros.

É difícil dizer quando “auto-ajuda” se tornou, de fato, um gênero literário. Mas não é de hoje que o homem busca se auto-desenvolver e inspirar os outros. Os provérbios são a prova disso — há vários séculos repassando a sabedoria dos povos. Outro indício é a bíblia da estratégia e leitura obrigatória de todo administrador, marqueteiro, vendedor e quase pra toda pessoa em busca do sucesso: “A Arte da Guerra”. Sun Tzu morreu no século 4 a.c. e até hoje inspira profissionais no mundo todo.

O objetivo de Sun Tzu era militar, mas a semelhança entre levar um exército à vitória e liderar uma equipe em busca do sucesso tornou o general um dos maiores fenômenos que a literatura já viu.

Mas talvez um dos primeiros homens a escrever algo realmente voltado para o auto-desenvolvimento profissional tenha sido Dale Carnegie ao lançar “Como ganhar amigos e influenciar pessoas”, em 1936. Carnegie dava dicas simples que até hoje, infelizmente muitas pessoas não conseguem colocar em prática. Nunca dizer “você está errado” era uma das lições sábias do escritor. Ouvir mais e falar menos foi outro ensinamento deixado por Carnegie 70 anos atrás. E hoje, nas empresas só o que se fala é em ouvir o consumidor.

Tanto Dale Carnegie como OG Mandino tiveram uma vida difícil e trabalharam com vendas. Carnegie teve uma infância muito pobre e ajudava o pai agricultor.  Foi vendedor e depois tentou ser ator, fracassou. Sem grana, convenceu um cara a dar treinamentos de como falar em público. A partir daí, não parou mais.  Seus cursos e palestras trabalhavam pontos-chave do auto-desenvolvimento como: auto-estima, fortalecimento de competências, melhorar técnicas de comunicação, desenvolver liderança, diminuir a preocupação e ser mais pró-ativo. Até hoje, a base para muitos treinamentos.

Mandino perdeu a mãe poucos dias antes da sua formatura. Na 2ª Guerra lutou contra a Alemanha e encontrou dificuldades em conseguir um novo emprego. Virou vendedor de seguros, se tornou alcoólatra e como consequência foi abandonado pela mulher e filho. Esteve prestes a cometer suicídio até se voltar para os livros, cuja maioria era sucesso, motivação e o ser-humano. Anos depois, Mandino acabou se tornando um profissional de sucesso à frente de uma revista sobre motivação até abandoná-la para se dedicar às palestras.

Essas histórias nos mostram que o fracasso e a tristeza podem ser um grande ponto-de-virada do sucesso. Parece que foi assim que a auto-ajuda surgiu.

Seja como for, motivação e força de vontade é importante para qualquer profissional em busca do sucesso. Essa motivação pode vir de pais amorosos que lhe motive todos os dias, uma namorada, namorado, amigo ou até um chefe. Mas a melhor motivação vem de dentro e os livros nos ajudam a desenvolver isso.

Os ensinamentos deixados por esses 3 sábios são muitos, não caberia neste artigo. No entanto, a partir das principais obras deOG Mandino, Sun Tzu e Dale Carnegie fiz uma lista. Tudo  junto e misturado mesmo. Muitas coisas você já pode ter lido, até por outro autor, mas é por isso que eu os considero os pais da auto-ajuda profissional.

  • Antes de começar algo, planeje. Prepare-se para caso algo saia errado.
  • Seja genuinamente interessado no que as pessoas dizem.
  • Tenha bons hábitos e pratique todos os dias.
  • Se você está errado, admita rapidamente e sem cara feia.
  • Controle suas emoções para não agir por impulso e se arrepender depois.
  • Conheça seus pontos fortes tanto quanto seus pontos fracos.
  • Seja um bom ouvinte. Encoraje as pessoas a falarem de si.
  • Bons guerreiros não atacam, são atacados.
  • Apele, clame, lute e brigue por razões que valham à pena.
  • Disciplina leva à eficiência.
  • Encare as adversidades com entusiasmo, não se deixe abater. Isso só piora
  • Lembrar o nome de uma pessoa é a coisa mais agradável de se ouvir para essa pessoa em qualquer idioma.
  • Diante de uma dificuldade, mude, adapte-se. Seja flexível.
  • Saber com o que você está lidando é fundamental para o sucesso.
  • Persista até vencer.
  • Acredite.
  • Conheça seus concorrentes, mas não deixe eles conherem você.
  • Aproveite o tempo. Ele é um recurso valioso e escasso. Use-o sabiamente.

Quem acompanha o Pequeno Guru aqui e no Twitter sabe o quanto eu sou fã do Dilbert e suas situações que muito nos lembram do dia-a-dia das nossas empresas. Mas quem é o homem por trás do personagem? O que ele faz? Qual sua história? Ele é um artista ou apenas um funcionário frustrado?

Ontem, chegou a minha edição de aniversário de 20 anos de Dilbert. Um livro enorme e mais pesado que um bloco de concreto que conta toda a história desse personagem conhecido em 70 países e publicado em mais de 2000 jornais em todo o mundo. Além de milhares de tirinhas impressas e em um DVD especial, o livro conta a história do seu criador, Scott Adams, uma criança talentosa e que adorava desenhar, mas que por uma crueldade da vida, abandonou a carreira promissora de cartunista pra encarar a dura vida corporativa.

A história de Scott Adams é uma lição de talento, persistência e visão. Scott, em meados de 1990, — quando Dilbert estava “apenas” em 200 jornais — percebeu que a internet era a oportunidade que ele precisava pra fazer Dilbert deslanchar de vez. Mas peraí… antes, deixa eu contar um pouco da vida dele. [Se você não se interessa, leia só as lições.]

A pequena biografia de Scott Adams

O pequeno nova-iorquino Scott, filho de mãe artista e pai economista (ou algo do tipo) já desenhava aos 6 anos, muito bem por sinal. Mas o que mais me impressionou (pelos desenhos da época) não era o desenho em si, mas a história que ele contida

. Depois de alguns anos de desenho com direito a 2º lugar em um concurso para caixa de um cereal, Scott tentou entrar numa escola de artes, foi super bem, os desenhos impressionavam para um garoto de 11 anos, mas ele não passou. Justificativa: ele era muito novo, o curso fora desenvolvido para crianças de 12 anos pra cima. Por 1 ano de diferença, o pequeno Scott não entrou na escola de artes. Resultado: abandonou esse sonho e se dedicou ao colégio. Se formou e foi estudar economia.

Scott foi o pior aluno em artes da sua turma na faculdade, foi barrado em uma entrevista porque não estava usando terno, quase morreu de frio depois que seu carro enguiçou no meio do nada, se mudou pra Califórnia; conseguiu seu primeiro emprego em um banco, depois de ser assaltado 2 vezes em 4 meses pediu demissão; se tornou trainee após sugerir ideias impraticáveis mas que agradaram seu chefe (basicamente pelo senso de humor); virou programador; analista financeiro; agiota; analista de produto, chefe de um grupo de analistas de negócios e conseguiu um MBA. Parece que a coisa estava começando a dar certo. Exceto pelo fato de que Scott jamais conseguiria uma promoção. Motivo: as empresas precisavam diversificar, do ponto de vista racial mesmo. Tinha muito branco e as empresas se viam pressionadas para contratar “pessoas diferentes”.

Em algum momento dessa época, Scott criou o Dilbert, basicamente para ilustrar as apresentações que criava para seus chefes. Dilbert parecia mais jovem, cabeçudo e usava uma pólo em vez da tradicional camisa e gravata. Scott mudou de empresa por não ter perspectiva de crescimento, conseguiu um emprego na Pacific Bell (hoje AT&T) pouco antes de terminar seu MBA. Lá, as coisas iam razoavelmente bem até ele perceber que também não ganharia sua tão sonhada promoção. Então, Scott nos deu a nossa 1ª lição…

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eric_schmidt A revista Fortune perguntou o seguinte a 22 das pessoas mais bem-sucedidas do mundo: “qual o melhor conselho que você já recebeu?” Algumas disseram que receberam ainda muito novo, do pai ou de algum parente, outros receberam recém-formados e há ainda aqueles que receberam —o que consideram o conselho mais importante das suas vidas— já maduro e experiente. Como Eric Schmidt, há 8 anos na presidência do Google.

Eu sempre me interessei em saber o que as pessoas de sucesso têm a dizer, o que elas fizeram que as tornaram tão importante? Em que são diferentes de mim? Vejamos agora o mais importante conselho do homem que não precisava de conselhos.

O conselho que levo comigo até hoje recebi de John Doerr [famoso investidor de empresas de tecnologia e membro do conselho do Google, Amazon e Sun], que em 2001 disse: “meu conselho pra você é ter um coach”. O coach que ele disse que eu devia ter era Bill Campbell [ex-VP de marketing da Apple e ex-CEO de 2 outras grandes empresas]. No começo, eu refutei o conselho, porque afinal de tudo, eu era presidente do Google. E tinha bastante experiência. Por que precisaria de coach? Estou fazendo algo errado? Meu argumento era: como um coach poderia me aconselhar se eu era a melhor pessoa do mundo no que eu faço? Mas não é isso que um coach faz. O coach não joga o jogo na mesma posição que você. Eles assiste e tenta tirar o melhor de você. Nos negócios, o coach [técnico, em português] não é repetitivo. O coach é alguém que olha pra algo com outros olhos —descrevendo pra você nas palavras dele— e discute como lidar com o problema.

Quando eu percebi que podia confiar nele, que ele podia me ajudar com uma outra perspectiva, eu decidi que era uma grande ideia. Quando há um conflito nos negócios, você tende a se fechar. O principal conselho de Bill tem sido dar um passo acima da outra pessoa no outro lado da mesa para ter uma visão mais ampla da situação. “Você está deixando isso incomodar você, não deixe!”, ele diz.

William “Bill” Bernbach foi para a publicidade o que Philip Kotler é para o marketing. Muito de vocês podem  não ter ouvido falar do seu nome completo, então eu lhes apresento o senhor Bernbach, o senhor “B” da agência mundialmente conhecida DDB.

“Não é o QUE você diz que estimula as pessoas, é COMO você diz”. Bernbach não inventou a publicidade, ele a recriou. Como a maioria dos grandes homens da história, Bill era um homem visionário, dono de argumentos poderosos — presunçosos para alguns — e que não se conformava com a mediocridade. Ele foi responsável pela revolução criativa da década de 60, criador da melhor campanha publicitária do século XX (Fusca)  e provavelmente o primeiro a unir redator e diretor de arte como uma dupla criativa — antes em departamentos separados .

Transcrevo abaixo um trecho do livro de Luke Sullivan sobre quem foi Bill Bernbach:

“A verdade não é verdade até que as pessoas acreditem em você e as pessoas não acreditarão em você se elas não souberem o que você está dizendo, e elas não saberão o que você está dizendo se elas não ouvirem você, e elas não ouvirão você se você não for interessante, e você não será interessante a menos que você diga coisas imaginativas, originais e frescas.”

Muita gente sabe que a década de 60 foi a década de ouro da publicidade. Mas pouca gente sabe que a década de 70 não. Marketing estratégico com suas pilhas de números foi, por um longo tempo, rival da publicidade. A chegada do conceito “posicionamento” criada por Al Ries levou a publicidade das empresas de volta a sem-graceira da década de 50. Empresas testavam campanhas antes de veicular, realizavam pesquisas e mais pesquisas na tentiva de posicionar o produto e deixaram de usar uma publicidade adequada. Os comerciais haviam perdido sua graça. Um exemplo do embate entre estratégia X publicidade é o do refrigerante 7UP: Na era das colas, ao invés dele ser posicionado como refrigerante claro com sabor de limão, ele automaticamente se tornou conhecido como “o não-cola”. Isso foi antes de Ries e seu conceito, a publicidade havia conseguido posicionar o 7UP com muito menos ou quase nenhum número. O que isso tem a ver com Bill? Uma década antes do termo posicionamento ser escrito pela 1ª vez, Bill disse: “você pode dizer a coisa certa sobre o produto e ninguém irá ouvir”. E bateu de frente contra a pesquisas e dados dizendo “quanto mais intelectual você fica, mais você perde as habilidades intuitivas que realmente tocam as pessoas”.

Bill Bernbach reiventou a publicidade, ensinou publicitários a ser mais do que meros vendedores anônimos. “A boa publicidade aumenta vendas, a grande publicidade constrói fábricas”. Bill batia de frente com a mediocridade 50 anos atrás, repudiando a publicidade meramente vendedora e sem brilho dizendo que isso era ruim para o cliente e para o mercado como um todo. Esse mal provavelmente nunca vai acabar, mas Bill parece ter deixado um legado contra a propaganda do “melhor e mais barato” e “ofertas imperdíveis”. Consumidores são espertos. Siga o exemplo deles.