Querido leitores, leiam este artigo sem pré-julgamentos, fiz questão de traduzi-lo na íntegra por achar que ele merece a leitura e reflexão de todos, independente de qual dos dois você mais admira.
Apple é sem dúvida o estandarte de ouro do mundo tecnológico de hoje. Na verdade, é provavelmente o estandarte de ouro da indústria americana no momento. Seu design inovador, interface com usuário e ecosistema a transformaram em um titã em todo segmento que ela entrou. E está claro que Steve Jobs foi a causa do renascimento da Apple. No despertar da sua morte, a Harvard Business Review atestou sua grandiosidade — algo que eu também fiz. Ele era ótimo. Steve Jobs tem sido provavelmente o mais importante líder da nossa geração dos negócios. Mas ele não é o mais importante líder dos negócios. Enquanto Jobs deve ser o modelo que MBAs e designers industriais tentam imitar, eu não estou certo de que é ele quem devemos idolatrar. Essa honra deveria ser concedida a alguém que falamos cada vez menos, Bill Gates.
Tanto Steve como Bill causaram impactos imensuráveis no mundo. A Apple liderou a era dos computadores pessoais em vários aspectos. A Microsoft tornou possível uma geração de programadores aprenderem e se desenvolverem. A Apple parece ter dominado a arte de entregar produtos fantásticos. A Microsoft tem trabalhado diligentemente para tornar a corporação mais e mais eficiente. Independente do papel de cada uma, é impossível negar a contribuição das duas empresas. Cada um dos dois fundadores respeita profundamente a contribuição do outro.
No final da sua vida, Steve Jobs estava preocupado com a Apple. Como Walter Isaacson destacou: “A HP construiu uma grande empresa, e eles pensaram que haviam deixado em boas mãos. Mas agora ela está sendo desmembrada e destruída. Eu espero ter deixado um legado forte o bastante para que isso nunca aconteça à Apple”.
Bill Gates se afastou da Microsoft em 2006 e,apesar dos problemas que a empresa vinha enfrentando com a evolução do sistema móvel, ele passou a se dedicar a resolver os problemas do mundo, mesmo isso não gerando lucro ou fama. Bill dedicou seu talento a erradicação de doenças, melhoria dos padrões atuais e combate à desigualdade.
Desde 1994, a fundação Bill & Melinda Gates já acumulou fundos no valor superior a $31 bilhões de dólares para combater os maiores problemas globais. A fundação não apenas angariou fundos, ela já doou $25 bilhões. Esses números não são banais. Em 17 anos, a fundação levantou e destinou mais de 10% do valor de mercado da Apple. Enquanto desenvolver o mundo exige coisas como tratamento d’água, saúde básica e distribuição de cestas básicas, bilhões de seres humanos não têm acesso a recursos básicos.
Gandhi disse: “seja a mudança que você quer ver no mundo”, eu não duvido disso. Nos últimos anos, tanto Bill como Steve fizeram isso. Steve tornou o mundo mais bonito e fez bilhões de nós — com recursos — o amarem. Bill está construindo o mundo ideal, onde bilhões de nós — sem voz — serão impactados para sempre.
Ontem, eu li uma nota que Bill Gates escreveu para os membros de Harvard. Ela fala por si só.
Eu espero que vocês reflitam sobre o que têm feito com o talento e a energia de vocês. Eu espero que vocês avaliem a si próprio com base não apenas nas realizações profissionais, mas também como trabalham para diminuir as piores injustiças, como você trata as pessoas do outro lado do mundo que não têm nada a ver com você, exceto porque são humanos.
Essas não são palavras de um líder de negócios. Essas são palavras de um líder de pessoas. Essas são palavras de um ídolo.
Mesmo amando a Apple, eu abriria mão feliz do meu iPhone se isso fosse encher de comida os pratos de crianças famintas. Steve Jobs transformou sua empresa no líder da nova era da computação móvel; Bill Gates decidiu eliminar malária. Quem você acha que devemos colocar no pedestal para nossos filhos imitarem?
[Artigo Original escrito por Maxwell Wessel e publicado pela BusinessWeek]
Após um comentário sarcástico durante uma discussão com a sua mãe em pleno jantar, o pai do jovem Bill coloca um ponto final com um copo d’água. “Obrigado pelo banho, pai”, o garoto reclama. Essa fora uma das poucas vezes que (William) Bill Gates pai excedera sua personalidade calma.






