Você está em ‘Apple’

A melhor de todas as frases não coloquei na imagem, “Stay Hungry, Stay Foolish”, porque não é de Jobs, mas se não fosse por ele, eu nunca teria conhecido. Para mim, é a melhor de todas as lições deixadas por Jobs:  “mantenha-se faminto, mantenha-se ignorante”.

[ Download da imagem em resolução maior ]

Outros 2 posts que publiquei aqui no blog sobre Jobs:

“10 atitudes de Steve Jobs nada convencionais nos negócios”

“O trabalho de Steve Jobs”

O futuro está na nuvem

13 de junho de 2011 • TEMAS: Digital / Negócios / / /

A primeira vez que eu ouvi falar em computação em nuvem foi quando me indicaram o livro do Marc Benioff, fundador da Salesforce.com, mas foi o título que atraiu a minha atenção: “de uma ideia a uma empresa de 1 bilhão de dólares”. Apesar do livro não ser tão bom quanto eu esperava (Benioff tinha grande capital e era amigo pessoal do todo poderoso Larry Elisson da Oracle),  serviu para me fazer entender a importância disso para os negócios do futuro.

De forma bem direta, computação em nuvem é qualquer aplicação que está em um servidor da web em vez de na rede da sua empresa ou no disco rígido do seu computador. O exemplo mais claro é o Google Docs ou o próprio Gmail. Dez anos atrás, você precisava de um software como o Outlook  ou Eudora se quisesse enviar e receber e-mails. Hoje, você nem precisa de um computador.

A nuvem já existe há anos, mas sempre foi mais limitada ao B2B. Em 2011, apostas audaciosas de mega corporações — como Google e seu Chromebook, Amazon e seu CloudDrive e Apple e seu iCloud–  deram início a uma nova era para computação em nuvem, aliás para toda a computação. Quem não sabia o que era era, agora vai precisar saber ou ficará nas nuvens (entenderam a piada?). A nuvem vai mudar a forma como eu e você usamos a informática e armazenamos arquivo. Na verdade, já mudou.

Recentemente, procurei um programa para criar mapas mentais. Após a busca, encontrei dois que me agradaram: um software que custava £300 e o outro de graça na web. Optei pela web, embora bem simples, é bem feito e me permite alterar no trabalho ou em casa . Esse é um exemplo simples de como a computação em nuvem está mudando o jogo. As pessoas não mais precisam salvar os arquivos e carregá-los em um pen-drive, basta criá-los e eles estarão em todo lugar. Nas nuvens!

A aposta da Apple

Steve Jobs saiu de sua licença médica para falar sobre o mais novo empreendimento da companhia, o iCloud. Isso mostra que a Apple está levando realmente a sério esse negócio de computação em nuvem. Na visão de Jobs, a longo prazo essa tecnologia pode levar a empresa a superar, pela primeira vez, a hegemonia do PC criado por Bill Gates. “Nós vamos rebaixar o PC e Mac… vamos mudar para o eixo digital, o centro da sua vida digital, dentro da nuvem”, disse na conferência realizada em São Francisco

No caso da Apple e seu iCloud, as coisas serão ainda mais fáceis. Uma foto tirada com o iPhone vai parar diretamente na nuvem. As músicas do iPod poderão ser ouvidas em qualquer outro dispositivo online do mundo. Da mesmo forma que os filmes que você comprou ou os documentos que criou. Dentro de alguns anos, talvez sua vida não esteja mais no seu computador, mas em todo o lugar. Esse é o plano da Apple.

A aposta do Google

Além de Steve Jobs,  Eric Schmidt e Larry Page também querem mudar o mundo (de novo!) com o seu audacioso Chromebook. Mas de um jeito diferente, apostando na velocidade e produtividade.

Parecido com um netbook, mas sem sistema operacional (ao menos no conceito original); com tecnologia 3G, o aparelho inicia em apenas 8 segundos, a bateria dura 8 horas e tudo que você fizer nele, poderá ser acessado depois pelo seu celular ou qualquer outro computador. A princípio, achei algo surreal. Como um computador sem sistema operacional que precisa de internet pode dar certo? Com o 3G cada vez mais acessível, pontos de Wi-Fi gratuitos cada vez mais comuns e a computação em nuvem dominando boa parte dos programas que utilizamos… não é tão difícil ver que isso pode dar certo. Estou curioso!

Qual a importância disso para o meu negócio?

A nuvem já mudou a vida das pessoas sem elas saberem. Empresas como a Salesforce estão faturando milhões sem a maioria dos profissionais nem mesmo saber que algo assim existia.  Agora ela deve impactar os negócios, principalmente o mercado de música, filmes e softwares. De um modo geral, o principal atrativo da computação em nuvem para empresas é a economia, uma vez que é possível trocar certos programas (e suas caras licenças) por aplicações web geralmente gratuitas ou mais baratas que as convencionais. Além disso, não há necessidade de atualização de software ou mesmo de computadores. Isso sustenta outra tendência: a de que as pessoas passarão cada vez mais tempo conectadas.

Computação em nuvem já é uma realidade, mas também é uma forte tendência. Ninguém sabe se a iCloud irá deslanchar ou se o Chromebook vai vender bem. São apenas grandes apostas que, se derem certo, devem sacudir mais uma vez o mercado, mudando as regras do jogo mais uma vez.

O trabalho de Steve Jobs

31 de maio de 2011 • TEMAS: Digital / Negócios / / /

O veterano engenheiro da Apple Mike Evangelist uma vez foi encarregado de liderar a equipe de design de um programa para gravar DVDs do Mac. Seu time desenvolveu dúzias de esboços altamente sofisticados e os reuniu numa apresentação para Steve Jobs. A seguir, Mike descreve o que aconteceu: “Ele pegou uma caneta piloto e foi para o quadro branco. Desenhou um retângulo e disse ‘aqui está a nova aplicação’. Tem uma janela. Você arrasta o seu video para a janela, então clica no botão BURN. Só isso. Isso é o que vamos fazer.”

Mais:

1. Toda as segundas-feiras, Steve Jobs avalia(va) cada produto na fase de desenvolvimento.
2. Uma vez, ele pediu que uma amostra do mármore que seria usado em uma Apple Store fosse enviado primeiro para ele.

Poderíamos dizer que ele pratica o que se chama de micromanagement, ou em uma linguagem mais popular: centralização. Isso poderia ser um problema se Steve Jobs não fosse Steve Jobs. Fato é que design (leia-se: mais do que estética, usabilidade) é o que faz da Apple única, e é preciso ser bastante chato para assegurar que os consumidores tenham o que esperam –  e da Apple, todo mundo espera algo fantástico.

Quando você tira uma empresa à beira da falência e a coloca no topo dos negócios, cria empresas como NeXT e Pixar… acho que tem o direito de ser um pouco concentrador. Na verdade, esse é o seu trabalho.

Este post contém trechos do artigo: “Why Apple Is Doomed”

Pessoas no mundo todo querem ser como Steve Jobs, empresas querem ser a próxima Apple, mas quem teria a coragem de fazer o que Jobs fez? O co-fundador da Apple, ex-dono da Pixar e criador dos gadgets mais falados dos últimos 10 anos não é um semi-deus como alguns podem pregar, mas é sem dúvida uma das pessoas mais visionárias e corajosas que apareceu no mundo dos negócios nas últimas décadas. E o que mais é preciso para mudar a história além de paixão  e ação?

Há 13 anos, a Apple estava à beira da falência. Então, Steve Jobs reiventou a forma de ouvir música, depois reinventou o celular e encantou o mundo com a magia do iPad poucos anos depois. As pessoas admiram Steve Jobs, mas não agem como Steve Jobs. Aqui estão as principais atitudes — ousadas — que o tornaram o executivo mais admirado da atualidade.

1. Parceria com o concorrente.

Pouca gente sabe, mas se não fosse pela Microsoft, talvez (enfatizo no talvez) a Apple não estivesse aqui. Em 1997, após muitos anos no vermelho, Steve Jobs precisava juntar dinheiro rápido e foi esperto o bastante para procurar Bill Gates. A Microsoft investiu $150 milhões na Apple e foi parceira da marca na Macworld Expo 97. Jobs justificou dizendo: “Isso é pela saúde da Apple, para que ela possa dar grandes contribuições à indústria e voltar a prosperar”. O que, de fato, aconteceu.

2. Colocar sexo nos produtos.

Jobs é um vendedor nato. No início, Wozniak cuidava da engenharia enquanto Jobs tratava de vender e conseguir parcerias. Eu não sei o que ele quis dizer com “sexo”, mas em 1998, Jobs convocou uma reunião e disse: “sabe o que essa empresa tem de errado? Os produtos são uma droga! Não há sexo neles.” O que eu sei é que hoje, o design dos produtos Apple levam pessoas ao orgasmo.

3. Criar soluções possíveis para problemas impossíveis.

A Apple é uma indústria, certo? Errado. É também comércio. Tudo começou quando Steve Jobs achou que as lojas de varejo não davam a atenção que os produtos Apple mereciam. Então, ele fez o que na época ninguém fazia: criou lojas próprias. Pode parecer fácil, mas atuar com algo que você não domina, como o varejo, é sempre um grande desafio.

4. Dizer aos consumidores o que eles querem em vez de perguntar.

Ele é famoso por dizer que os consumidores não sabem o que querem até verem um. Sua teoria pôs abaixo um dos maiores mitos do marketing: o de que os consumidores conhecem seus desejos. A Apple não usa grupos de foco, em vez disso diz o que as pessoas querem antes de quererem. Ano passado quando o iPad foi anunciado, as pessoas acharam o produto bobo, e não foi que ele se tornou sonho de consumo?

5. Produtos que funcionam melhor juntos.

A Apple é famosa por favorecer seus próprios produtos. iPod com iTunes, iTunes com iMacs, interação entre iPhones e iPads e iTunes store, etc. A justificativa por trás disso na opinião de Steve Jobs é:  “A Apple está sempre mostrando que a soma das partes é maior que o todo”.

6. Não contratar apenas os melhores.

Como muitos estudiosos da criatividade defendem, a empresa aposta na diversidade da sua equipe. O próprio Steve Jobs atribui parte do sucesso dos Macintosh ao fato de ter funcionários com formação em música, história, zoologia e literatura.

7. Estimular o pensamento diferente.

“Pense diferente” não é apenas o título de uma das campanhas publicitárias mais memoráveis da história, mas é também a filosofia que a empresa se sustenta.

8. Não incrementar demais.

Apenas recentemente os iPods passaram e ter rádio FM e o primeiro iPhone tinha uma câmera péssima. Essa é uma das maiores lições da Apple: você não precisa lançar o produto perfeito, apenas crie algo incrível e antes de todo mundo. “Nós somos absolutamente consumidos pela ideia de criar uma solução que seja muito simples”, disse o designer Jonathan Ive, vice-presidente de design da Apple.

9. Vende sonhos, não produtos

Foi-se o tempo em que Mac OS X era o mais seguro , o mais rápido e o mais estável, mas ficou a imagem de um super produto, uma grande reputação e o melhor design para se ter na sala de casa. As pessoas não compram iMac, iPhones e iPads pelo que eles são, mas pelo que eles representam.

10. Acreditar em si próprio

Steve Jobs disse no seu famoso discurso em Stanford: “Tenha a coragem para seguir o seu coração e sua intuição. Ele, de alguma forma, já sabe o que você quer se tornar”.

Fonte: Business Insider

O marketing franco

11 de agosto de 2010 • TEMAS: Propaganda / / /

Qual a melhor maneira de provar pro consumidor que você tem o melhor produto para ele? Se cada leitor deste artigo deixasse sua opinião, estou quase certo que cada resposta seria diferente da outra e nenhuma diria para comparar com a concorrência. Esse é o jeito mais simples, mas não é o jeito que o brasileiro faz publicidade.

Por algum motivo, os brasileiros não gostam de propaganda comparativa. Ao invés disso, as campanhas brasileiras comparam sem dar nome. Isso não é uma crítica, é apenas o jeito como as coisas acontecem aqui.

Já os americanos adoram. O interessante é que nenhuma marca parece colher resultados negativos de suas campanhas provocantes, pelo contrário, são bastante divertidas. Tivemos o caso da Coca x Pepsi (que recentemente fez um remake de um comercial clássico), do McDonald’s  x Burger King e o mais recente PC x Mac. O que era pra ser apenas uma campanha, ganhou proporções épicas. A Apple bate na tecla de que o PC é antiquado e problemático;  já a Microsoft defende a praticidade do PC.

O mais novo recurso da Microsoft na guerra (saudável) contra a Apple é o hotsite PC vs Mac — nos mesmos moldes do “Why Mac?”, onde a Apple lista os motivos pra você deixar o seu PC. Cada uma fala o que pensa e o consumidor toma sua própria decisão.

Vejamos os principais argumentos de vendas das duas marcas:

As armas da Apple

  • É mais bonito e resistente
  • Excelente suporte técnico
  • Já vem com os principais softwares que você precisa
  • Possui ótima configuração
  • Menos vírus (já que a maioria é desenvolvido pra PC)

As armas do PC

  • É mais fácil de conectar a dispositivos (TV, projetores, videogame)
  • Você não precisa reaprender já que sempre usou Windows
  • Possui recurso touchscreen
  • É melhor pra se trabalhar e compartilhar arquivos
  • É compatível com tudo
  • Vem com blu-ray

Acho interessante essa estratégia de comunicação e, sem dúvida nenhuma, é útil para o consumidor. Ela também é mais sutil que a rivalidade entre Coca e Pepsi, focando-se nas características do produto. É uma estratégia agressiva, mas que pode ser considerada quando a maior parte do mercado está nsa mãos de 2 empresas (e você é  uma delas, claro), ou se tem praticamente um único concorrente direto.

O real objetivo do design

7 de julho de 2009 • TEMAS: Marcas / Marketing / / / /

000709 A logomarca do computador ao lado foi digitalmente apagada, mas tenho quase certeza que você sabe qual é. Também aposto que, uma vez que você tenha tido contato com um de seus produtos, conseguirá reconhece-los num piscar de olhos ou num tocar do mouse. O real benefício do design não é ser bonito, não é apenas ser útil, e sim melhorar a identificação do consumidor com a marca.

O melhor design é aquele que é “a cara” da marca. Em se tratando de produto, se for apenas um rosto bonito, será inútil. Se for útil, mas não for bonito, as pessoas não vão querer usar e tampouco comentar — a ideia não espalha e o produto morre.

Enxergar o design como uma ferramenta poderosa para aumento de brand equity faz com que as empresas se dediquem a criar produtos memoráveis. Os iMacs chegaram unindo o CPU e monitor numa só peça, quem iria esquecer isso? Quando a mesma empresa colocou fones brancos nos ouvidos das pessoas que só conheciam fones pretos, foi uma febre. Quem diria que a cor branca poderia comunicar tanto? A Apple disse.

Tim Manners e Martin Lindstrom — em seus últimos livros — relataram o poder das cores na comunicação. Além do branco da Apple, o amarelo da DHL se tornou extremamente forte na Europa. No Brasil, a empresa não é muito forte, mas se pensarmos nos Correios, teremos uma noção da presença da DHL no dia-a-dia dos europeus. Você vê uma van de canto de olho e sua mente já grita “DHL!”.

Em um post recente, falei sobre como a Hyundai ofuscava a sua filha Kia Motors, culpa da imaturidade da Kia em encontrar uma estratégia própria, e acabava “repetindo” as ações da famosa coreana. Isso parece está mudando. a Kia parece ter encontrado o gancho estratégico no design. O primeiro passo foi dado com o novo Kia Soul (que será lançado no final de julho). Como o chefe de design, Peter Schreyer, da Kia falou: “Esse prêmio [o alemão "Red Dot" de design] é uma clara tradução da determinação Kia em estabelecer o design como um dos componentes chaves no DNA da corporação.”

O design poderoso mina a mente das pessoas e as faz lembrar da marca sem nem sequer ver a logo. Isso não apenas faz os consumidores lembrarem mais facilmente da marca, mas também diminuírem a lembrança dos concorrentes. Se a logo de um grande concorrente (bastante conhecido e de credibilidade) tem um quadrado vermelho de fundo, não é sábio usar um quadrado vermelho. Automaticamente, a mente dos consumidores associará o quadrado vermelho à marca mais conhecida, não importando o nome que vem na frente. O melhor caminho é, claramente, usar algo que não seja tão forte na mente das pessoas. Hoje em dia, é uma tarefa e tanto, mas como tudo no marketing, é ainda mais difícil do que parece ser.

De fevereiro pra cá, a Apple caiu de 70 para 12,4 em valor percebido entre os consumidores de 18 a 34 anos, segundo o BrandIndex. Em contrapartida, a Microsoft saltou de quase zero para 46,2 nesse mesmo período. Mágica?

Hoje, os grandes feitos da propaganda –em termos de resultado– são em cima de idéias simples, mas de grande valor pro consumidor. Foi o caso da Hyundai e agora o da Microsoft. Ambas disseram “ei, nós somos seu amigo e vamos te ajudar a comprar o que você realmente quer”. O que a Microsoft fez foi mostrar que você pode ter um excelente computador pagando cerca da metade do preço de um Macbook. Tudo bem que a campanha “laptop hunters” custou $300 milhões e foi desenvolvida pela agência mais badalada do ano, mas se não fosse a idéia simples e relevante, o Windows não teria aumentado sua preferência em 10% em apenas 2 meses.

A campanha mostrava consumidores procurando “o laptop perfeito” por até $1000 dólares e, se eles conseguissem encontrar um que se encaixasse perfeitamente ao que procuravam, sairia de graça. A “ideia genial” foi algo que faz parte do nosso cotidiano: o custo-benefício das coisas. Por que pagar tanto por um computador de qualidade semelhante? Nem mesmo o sistema operacional da Apple é tão superior como já foi um dia (sem brigas, pessoal).

Segundo Ted Marzilli, diretor do BrandIndex, a Microsoft afetou significativamente o público mais jovem — mais sensíveis a preço. “Apple fez um ótimo trabalho ao colocar a Microsoft na defensiva, fazendo parecer velho, pesado, difícil de usar e fora de moda.  Mas a Microsoft começou a se recuperar”, disse Marzilli à AdvertisingAge.

Apple VS Microsoft valor
O valor medido (ver gráfico ao lado) pelo BrandIndex mede se o consumidor acha que está pagando mais ou menos do que deveria. Se o saldo de respostas positivas for maior que o de negativas, a pontuação aumenta. Saltar de quase zero pra quase 46,2, significa que as pessoas aumentaram sua percepção de valor do (tantas vezes) injustiçado Windows. Significa que eles acham que pagaram o preço certo por um bom produto.

Enquanto o PC (e a Microsoft) comemora o alto prestígio conquistado entre os jovens, o público mais maduro e estabilizado entre 35 a 49 ano ainda prefere o Mac. Em março, quando a campanha “laptop hunters” foi ao ar e as curvas de valor se inverteram, a Microsoft ficou ligeiramente na frente. Hoje, os jovens continuam preferindo o bom e barato PC Dell, HP ou outro; enquanto quem tem mais grana, continua pagando mais pela Maçã.

Quem nunca ouviu o ditado “nada se cria, tudo se copia” e não se irritou com ele? (Bem, eu já.) Separei um excelente trecho do livro Relevance, de Tim Manners, que nos mostra que esse imprudente ditado precisa de um pequeno ajuste. A partir de uma explicação do que é a tão cultuada inovação, o mais sensato seria dizer “talvez nada se crie, mas tudo se melhora”.

Motor a vapor (steam engine)A questão é a seguinte: assim como a criatividade, a inovação é considerada misteriosa. Algumas pessoas acreditam que se você tentar analisar a criatividade minuciosamente, você acabará destruindo-a.

Mas diferente da criatividade, inovação é uma questão de prática, resolver problemas e fazer as coisas darem certo. A criatividade só precisa ser esperta. Então, em vários casos, a inovação é vista com padrões superiores ao da criatividade, só que ela é muito mais simples e muito menos misteriosa. Mas isso não nos faz parar de ver inovação com um certo mistério, muitas vezes repetindo o mito de que os inovadores são, de alguma forma, diferentes do resto de nós — que eles são, na realidade, seres de outro planeta.

Bill Gates legendariamente largou a faculdade pra abrir a Microsoft (claro que a faculdade que ele largou foi, hum.. Harvard). Semelhante ao caso de Steve Wozniak, um excêntrico imigrante que acidentalmente mudou o mundo. Essas são realmente grandes histórias. Entretanto, o historiador David Hollinger acha que nós deveríamos parar de alimentar tais lendas. “A celebração desses mitos promove um preocupante anti-intelectualismo e apresenta uma visão distorcida do processo de inovação”, disse o pesquisador ao The New York Times.

Seu argumento é de que caras como Gates e Wozniak estão longe da realidade na qual a maioria das inovações acontecem, “resultado da rotina de grandes equipes e caminhos previsíveis”. Ele pode estar certo, mas se os mitos dominam ou não a inovação é irrelevante. O importante é entender que a inovação existe para resolver problemas e geralmente isso acontece ao velho modo do aprimoramento.

Steve Wozniak precisava de um monitor, de forma que ele pudesse ver o que digitava, então ele descobriu uma maneira de acoplar a TV ao computador. Ele disse que teclados já haviam sido usados em computadores antes, e ele simplesmente achou uma maneira de fazê-los trabalhar numa escala menor, para usuários individuais. Não há nada muito misterioso no que Woz fez, e não é muito diferente de outras famosas inovações. Por exemplo, ao contrário da crença popular, James Watt não inventou o motor a vapor, Eli Whitney não inventou a máquina de processar algodão e Robert Fulton não inventou o navio a vapor. Todas as três invenções na verdade, foram incrementadas ou derivadas de tecnologias já existentes.

No seu livro, A Culture of Improvement (ao pé da letra, “A Cultura da Melhoria”), Robert Friedel notou que essas e outras invenções “foram precedidas por máquinas similares que incorporavam alguns, senão todos, os princípios das famosas invenções”. Sua principal abordagem, segundo a resenha do livro publicada no The Wall Street Journal foi a seguinte: “Muitas vezes a existência de uma patente ou o sucesso de uma empresa manufatureira desviou a atenção da longa e gradual história da criatividade”.

Essa história, diz a resenha, não se trata de “avanço da humanidade ou de uma grande e impessoal força mudando o curso da história. Se trata de ajustes e começos—segurar, empurrar pra frente ou ser desviados por contingências demográficas ou biológicas”. Por exemplo, o nome de Robert Fulton estará sempre associado ao navio a vapor não porque ele o inventou, mas porque ele “teve visão capitalista e coragem” pra descobrir como ganhar dinheiro com aquilo. Em outras palavras, ele era uma espécie de Steve Wozniak e Steve Jobs em um só. [NOTA: Steve Jobs foi fundamental para levantar recursos para a Apple enquanto Wozniak cuidava da parte mais técnica.]

Apple VS MicrosoftOntem, publiquei no Twitter, um ranking da Fortune com as 50 marcas mais admiradas pelos profissionais. Nela, a Apple estava em 1°lugar — o que não é nenhuma novidade para mim e acho que nem pra você. Hoje, também publiquei no Twitter, o ranking BrandPower, levantado todos os anos pela consultoria CoreBrand,

O ranking que mais uma vez trouxe Coca-Cola e Johnson&Johnson no topo da lista, é feito com base em entrevistas com 400 executivos entre 1.200 empresas e 49 segmentos e avalia aspectos como perfomance financeira, percepção de gestão e potenciais investimentos, além de reputação e reconhecimento.

Há algumas coisas interessantes nessa lista, como a Apple ocupando a posição de N°100, 45 posições atrás da Microsoft e a PepsiCo caindo 8 posições em um ano. Embora a Apple esteja subindo a cada ano na pesquisa, o problema de saúde prejudicou a posição da empresa no ranking, uma vez que o BrandPower leva em conta aspectos mais consistentes do que simplesmente “admiração”.

A pesquisa mede os índices de favorabilidade e familiaridade — conceitos bem interessante. Vejam o caso da PepsiCo (notem que é a companhia toda, não apenas o refrigerante), ela caiu no ranking porque há 2 anos vem perdendo familiaridade, embora seu grau de favorabilidade tenha se mantido o mesmo. Para o CEO da CoreBrand, familiaridade é muito mais fácil de conquistar e talvez seu novo design ajude nessa tarefa.

Veja a lista completa.

Qual marca você gostaria de sentar ao lado em um jantar?

Qual marca você gostaria de ter uma discussão?

Qual marca mais inspira você?

Se você fosse uma marca, qual você seria? Por quê?

Qual marca você não consegue viver sem? Por quê?

Qual marca vai se tornar realmente verde no futuro? Por quê?

Essas foram algumas das perguntas da pesquisa brandjunkie 2008, feita pelo Brandchannel para se medir a influência das marcas nas nossas vidas e o quanto — e como — elas orientam nossas ações. A marca n°1 em quase todas essas perguntas foi a Apple (ooooh!), seguida pela Microsoft — a marca que todos queriam ter uma discussão — e a opção “nenhuma” — quando perguntado qual marca será verde.

O importante não está em qual marca foi mais citada, não está na superfície dos resultados, o bacana é ir a fundo. Eu, que nem calvo sou, já estou careca de saber que Apple, Microsoft, Google, Coca-Cola são as marcas mais valiosas e, logo, mais importantes e comentadas. Não é de se espantar ao vê-las encabeçando quase todas as perguntas.

O bacana é ver que as pessoas conseguem viver sem Colgate, Nokia, Axe e Levi`s, mas não  sem o café da Starbucks. Bacana ver que a maioria das pessoas se sentem muito mais descoladas e independentes, como a Virgin, do que felizes e alegres como a Disney. Muito interessante em ver as pessoas dispostas a argumentarem com empresas supostamente malignas como Microsoft,  Walmart e McDonald`s.

Resumo: O que se tira de tudo isso é a profundidade do seu conteúdo. Não temos apenas respostas óbvias (Apple, Coca-Cola, blá blá blá), temos respostas com conteúdo de pessoas comuns,  isso é relevância! Percebemos, mais do que nunca, que é preciso que uma marca esteja presente na nossa vida em vários e vários momentos e não apenas no momento da compra.  Já pararam pra pensar que essas marcas estão mais presentes na nossas vidas do que a maioria de nossos amigos e familiares?