Fica aí a pergunta, digam qual você acha que é a marca japonesa mais forte hoje, a gigante Sony com sua enorme extensão de marca ou Nintendo, a famosa marca de games?

**Atualizado em 20/01** E se eu lhe dissesse que o principal objetivo do marketing é dominar a categoria e que uma marca forte é a melhor maneira de garantir vida longa e saudável à companhia? Você mudaria de opinião?

A todos que disseram que a Sony é uma marca mais forte que a Nintendo, eu compreendo o que lhes fizeram pensar assim, mas vocês estão errados.

Devido a cultura japonesa ser fundamentada na disciplina e rigidez, as empresas japonesas são as melhores no aspecto de organização, qualidade e eficiência, o que fez com que o Japão “exportasse” modelos de gestão para o ocidente, como KANBAN, 5 S e Sistema Toyota de Produção, bem como toda a filosofia que originou a Gestão de Qualidade hoje aplicada em empresas do mundo todo. Resumindo, o Japão é ótimo com processos que podem ser quantificados e controlados, mas quando se trata de vender e fortalecer marca, a coisa muda.

Embora as empresas japonesas sejam admiradas no mundo todo, sua margem de lucro média é de 1%. Já a das empresas norte-americanas é de 5%. Para vocês terem uma noção, a margem de lucro do Wal-Mart é de 3,5%. Ou seja, o varejo americano mesmo com sua alta competitividade tem uma margem maior do que a média das companhias japonesas.

O guru Al Ries costuma brincar dizendo que quando uma empresa japonesa chega ao ponto de ser dirigida por um inglês, é sinal de que ela não está bem.

No começo de 2009, Howard Stringer, um britânico do País de Gales assumiu a presidência global da Sony prometendo por ordem na casa.

Por que a Nintendo é mais forte
FOCO.

Enquanto a Sony é uma grande marca guarda-chuva, produzindo de headphones a TV LCD, a Nintendo se foca em games, mantendo a liderança nesse mercado há quase 20 anos.

Na última década, o faturamento da Sony foi de $681,6 bilhões e seu lucro de $9.5 bilhões, ou seja, margem de 1,4%. Nesse mesmo período, a Nintendo faturou “apenas” $75,3 bilhões, lucrando $11,5 bilhões! Isso mesmo, a Nintendo faturou nos últimos 10 anos mais do que a Sony e seu extenso mix de produtos.

São poucas empresas globais que podem encher o peito e dizer que tem margem de lucro superior a 10%, principalmente se tratando de uma japonesa. A Nintendo tem uma margem de lucro de 15,3% e é líder absoluta em vendas e em market-share, isso faz dela uma marca muito mais forte (e saudável) do que a Sony.

Obrigado a todos que responderam!

O tiro certeiro da AmBev

15 de janeiro de 2010 • TEMAS: Marcas / Negócios / / /

Viagem de final de ano para visitar a família é sempre repleto de abraços, reencontros com velhos amigos,  muitos abraços, brincadeiras com sobrinhos, histórias, novidades, além do saboroso peru natalino, lasanha da mãe e estouro de espumante no dia 31.  Mas desta vez as férias contaram com uma novidade: Brahma Fresh.

Se você mora no sul ou sudeste, provavelmente nunca ouviu falar dessa cerveja. Ela surgiu em julho de 2007 na Bahia e nos dois anos seguintes invadiu outros 13 estados do norte e nordeste brasileiro. Segundo a AmBev, a criação da Brahma Fresh exigiu 1 ano e meio de pesquisas e o resultado foi uma cerveja leve, suave e refrescante (Fresh!).

Tendo um cunhado gerente da AmBev, foi difícil beber outra coisa, senão Brahma Fresh, entre uma ou outra Bohemia.

A cerveja foi realmente uma tacada de mestre da AmBev para competir com cervejas mais baratas como Nova Schin e Kaiser. Em junho de 2007 – antes da Brahma Fresh ser lançada –, a Nova Schin possuía cerca de 42% de mercado na Bahia, número que talvez fosse ainda maior em outros estados do norte e nordeste, onde a Nova Schin é muito forte e altamente competitiva em função do seu baixo preço.

O que pude ver na minha viagem é que, em menos de 2 anos, a Brahma Fresh dominou Belém do Pará. Onde antes era domínio absoluto da Nova Schin, a nova cerveja da AmBev deu um empurrão na concorrência e conquistou espaço considerável nas mesas de bares e em gôndolas de supermercado.

Mesmo custando cerca de R$1,38 a lata contra R$1,17 da Nova Schin, a Brahma Fresh parece assustar a concorrente comumente conhecida como “Água Schin”. Embora a Brahma seja a 2ª cerveja mais vendida do Brasil e uma das 10 mais vendidas do mundo, vende pouco fora do eixo Rio-São Paulo. Sendo assim, a Brahma Fresh veio para preencher essa lacuna, reforçando a marca-mãe e competindo num mercado novo.

A prova mais clara de que a Brahma Fresh veio competir diretamente com a Nova Schin é a estratégia de patrocínio de festas, algo raro de ver até então com produtos da AmBev. Pude ver a Brahma Fresh, em Belém, patrocinando “festas de aparelhagem” (festas de bairro ao estilo calypso voltadas para o público C e D).

Quando parecia que a guerra das cervejas não poderia ficar mais acirrada, surge um novo competidor pra esquentar ainda mais as coisas. Eis a importância de fortalecer a marca sempre, a única maneira de garantir o seu futuro. A batalha vai ser boa:  agressividade da Schin X simpática marca da Brahma. O único problema é que para tomar uma Fresh só nas férias no norte-nordeste.

A cervejaria Heineken anunciou na segunda-feira que comprará as operações de cerveja da mexicana Femsa por 3,8 bilhões de euros (5,44 bilhões de dólares), em uma transação toda em ações que dará ao grupo holandês uma posição de liderança em mercados emergentes da América Latina.

As ações da Heineken, que abriram em baixa, rapidamente inverteram o sinal e subiam 3,6 por cento às 8h (horário de Brasília).

O acordo já era esperado depois que a SABMiller desistiu de um leilão dos ativos da Femsa.

A Femsa informou em outubro que buscava opções para suas operações com cerveja, que ocupam a segunda posição no México. A Femsa também ocupa a quarta posição no mercado brasileiro de cerveja.

Após uma série de transações, a Heineken afirmou que a Femsa será a segunda maior acionista do grupo. A companhia terá 12,5 por cento da Heineken e 14,9 por cento de participação na Heineken Holding, essas fatias compõem uma presença econômica de 20 por cento no grupo.

A Femsa também terá o direito de indicar dois membros não executivos para o conselho de administração.

“O acordo com a Femsa é estratégico para a Heineken”, escreveu a SNS Securities em relatório. Entretanto, com uma relação de 11 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), a SNS também considerou que a operação “não foi barata”.

“A Heineken está consolidando sua posição. Não haverá uma emissão de ações e somente uma pequena diluição para os acionistras.”

FONTE: AdNews e Reuters

Nada mais oportuno do que começar 2010 falando de uma das coisas mais interessantes que descobri em 2009, o método 10-10-10.

Como a maioria das pessoas que descobrem o método, eu simpatizei desde o primeiro segundo , mais especificamente em abril do ano passado, ao ler um artigo sobre o novo livro da Suzy Welch. Terminei de ler e pensei “tenho que comprar”. Mas outras prioridades – literárias e financeiras – me fizeram adiar até o natal quando descobri a versão em português. Uma semana depois voltei à livraria para comprar uma outra cópia para a minha mãe.

O 10-10-10 é um conceito tão simples quanto poderoso, que nos ajuda a tomar a melhor decisão avaliando as conseqüências em 10 horas, 10 meses e 10 anos – entenda isso como curto, médio e longo prazo. Obviamente, o tempo 10 é apenas uma simbologia didática. Pode ser 2 dias, 15 meses e 6 anos ou o que melhor se enquadrar à sua realidade.

Uma das vantagens do 10-10-10 é sua versatilidade. É possível utilizá-lo em quase qualquer processo de decisão. Seja mudar de cidade, deixar o emprego, casar, fazer um curso ou demitir um funcionário.

Provavelmente, ao terminar de ler este post você conhecerá a essência do 10-10-10 e já poderá aplicá-lo na sua vida. Porém, só lendo o livro pra conhecer todo seu poder. Suzy ilustra muito bem o 10-10-10 com histórias e lições de vida emocionantes, engraçadas e enriquecedoras. Histórias de pessoas normais, com problemas normais, que conseguiram tomar as melhores decisões e conviverem melhor com elas após utilizar o método.

Se você é uma pessoa impulsiva, que toma decisões pensando somente no hoje, na qual os únicos argumentos são o “eu quero” ou o “eu acho”. Você precisa do 10-10-10 mais do que todo mundo!

A pergunta
Todo processo de decisão deve começar com uma pergunta. Como exemplo, vou fazer o que Suzy Welch chama de “10-10-10 retrospectivo” – uma decisão já tomada tempos atrás como se fosse hoje.

Dois anos atrás eu me perguntei: “devo me mudar para Rio Grande do Sul?”. Tendo em vista que eu não conhecia ninguém e tinha amigos espalhados em vários outros estados do Brasil, era realmente uma decisão difícil a tomar.

  • No primeiro 10, de 10 dias: Seria muito difícil. Muita insegurança, solidão e sensação de desamparo. Sem amigos, nem ninguém com quem contar e ter que arrumar um lugar pra morar.
  • No segundo 10, de 10 meses: Continuaria sendo difícil, mas a essa altura eu provavelmente já estaria empregado e teria conhecido algumas pessoas. Já estaria morando em um lugar melhor. A saudade ainda estaria me matando, mas a sensação de “vitória”, de que tudo estava caminhando, me confortaria.
  • No terceiro 10, o de 10 anos: Seria maravilhoso. Eu provavelmente estaria realizado pessoalmente e profissionalmente. Com uma nova vida estabilizada, além de ter minha mãe por perto, já aposentada.

Outros cenários
Uma das razões da eficácia do 10-10-10 é que ele propõe o estudo de várias situações. Você deve considerar as várias conseqüências da sua decisão. Voltando ao exemplo, eu teria que fazer o 10-10-10 para o caso de eu não me mudar para o RS e continuar na minha cidade. Em resumo, eu seria frustrado para o resto da vida e dificilmente teria a chance de crescer profissionalmente.

Apenas avaliando os diversos cenários é que é possível tomar a melhor decisão e sentir-se bem com ela. Não há nada pior do que achar que fez a coisa errada, e o 10-10-10 ajuda você nisso.

A história que mudou muitas vidas
Suzy Welch surgiu com esse conceito 10 anos atrás em um momento de esgotamento fisíco e emocional. Com 4 filhos pequenos e uma agenda entre palestras e o trabalho na revista HBR, ela sabia que tinha que mudar.

Nos 7 anos seguintes, o conceito ficou restrito a amigos e colegas de trabalho. Até que Suzy escreveu em sua coluna no site da Oprah – em 2005. Para seu espanto, uma avalanche de e-mails lotou sua caixa de entrada e a partir daí não parou mais. Suzy foi coletando histórias, entrevistando pessoas, ensinando outras e colhendo feedbacks. O resultado veio em 2009 em 220 páginas.

Resumindo tudo
Se você tem pouco tempo para ler todo o post, então aqui vai um resumo:

O 10-10-10 é um método que lhe ajuda a tomar melhores decisões avaliando suas conseqüências em 10 horas (ou dias), 10 meses e 10 anos. “Devo sair deste relacionamento estagnado há 5 anos?”, “devo abrir meu próprio negócio?”. O método lhe ajuda a tomar essas e outras difíceis decisões.

No entanto, o livro não vai muito além disso. Apenas conta ótimas histórias de pessoas que resolveram problemas e tomaram melhores decisões utilizando o 10-10-10. O livro ajuda você a assimilar o conceito e utilizá-lo de forma mais eficaz e natural no seu dia-a-dia.

Tudo que você precisa saber é que suas decisões têm conseqüências, e as mais profundas são a longo-prazo. As pessoas costumam viver focadas no hoje e no amanhã e esquecem do futuro, eu vejo isso o tempo todo. O 10-10-10 combate isso e muitos outros problemas da decisão mal tomada. Seja usando o método da Suzy Welch ou não, todos nós precisamos decidir melhor. Aprender como deve ser uma prioridade na vida de todos nós.

1 Você [ou sua equipe ou empresa] fica sem tempo (e desiste).

2 Você fica sem dinheiro (e desiste).

3 Você fica com medo (e desiste).

4 Você não leva a sério (e desiste).

5 Você perde o interesse ou o entusiasmo, ou se conforma com a mediocridade (e desiste).

6 Você se concentra no curto-prazo em vez de no longo. (e desiste quando o curto-prazo fica muito difícil).

7 Você escolhe a área errada para ser o melhor (porque não tem talento para ela).

Na maioria dos casos,  isso acontece por um dos dois motivos a seguir: 1) Você planejou mal; 2) Você desistiu precocemente. Se você achar que não é capaz de algo (lhe falta recursos, aptidão, etc) nem comece; do contrário, persevere que um dia você chegará lá.

[Extraído do livro "O Melhor do Mundo"]

Dignidade 2010

24 de dezembro de 2009 • TEMAS: Filosofando /

Caros leitores,

Estou partindo de viagem para visitar a família e só volto no começo do ano. Como este é o último post de 2009, gostaria de deixar uma mensagem positiva para o ano que está começando. Ela foi escrita por uma das mulheres que eu mais admiro, Jaqueline Novogratz, para o eBook “What Matters Now”. Eu realmente espero que vocês gostem da mensagem e reflitam sobre ela.

Dignidade é mais importante que riqueza. Vai levar um longo, longo tempo até que possamos tornar todo mundo rico, mas nós podemos encontrar dignidade este ano (se nos decidirmos fazer isso agora).

Dignidade vem da criação do nosso próprio destino e do respeito que conseguimos da nossa família, do nosso círculo de amizades e da sociedade.

Um agricultor que consegue alimentar sua família e ganhar dinheiro o suficiente pra mandar seus filhos pra escola, ganhou respeito das pessoas de sua cidade — e mais importante, uma conexão com o resto de nós.

É fácil tirar a dignidade de uma pessoa, mas muito difícil dar a elas.

Os últimos anos têm nos mostrado como o mundo inteiro está conectado — uma prostituta dos becos de Nairobi é uma figura tão importante na nossa vida quanto o carteiro de uma cidade vizinha. E num mundo onde tudo está conectado, a coisa mais importante que podemos fazer é tratar nossos irmãos com dignidade.

Dar comida ou dinheiro a uma pessoa pobre pode ajudá-la a sobreviver mais um dia… mas isso não dá dignidade a elas. Existe um jeito melhor de fazer.

Criar meios para essas pessoas resolverem seus próprios problemas não é uma oportunidade de 2010. É uma obrigação.

Jaqueline Novogratz é é fundadora da Acumen Fund, uma organização sem fins lucrativos que busca combater a pobreza do mundo através do empreendedorismo e da capacitação profissional. É a velha história de não dar o peixe, mas ensinar a pescar.

Por Seth Godin

Algumas pessoas sentem medo de boas ideias. Ideias que fazem a diferença e contribuem de alguma forma. Boas ideias trazem mudança, isso é assustador!

Mas muitas pessoas sentem pavor de más ideias. Ideias que fazem parecermos idiotas ou que é desperdício de dinheiro ou tempo ou que estamos forçando a barra.

Pintores, músicos, empreendedores, escritores, quiropráticos, contadores  — nós todos falhamos muito mais do que acertamos. Falhamos ao fechar uma venda ou tocar uma nota. Falhamos ao transformar uma ideia em uma série de pinturas ou um tema para o estande em uma feira.

Mas nós acertamos muito mais do que pessoas que não têm ideias nenhuma.

Alguém me perguntou onde eu consigo tantas boas ideias, explicando que ele leva um ou dois meses pra ter apenas uma e eu parecia ter mais do que isso. Eu perguntei a ele quantas ideias ruins ele teve em um mês. Ele parou e disse: “nenhuma”.

E aí, como você pôde ver, está o problema.

[Artigo traduzido do original "Fear of bad ideas"]

A cena se repete a cada vez que vou a um novo restaurante. Sento, peço uma cerveja cara e começo a formar as primeiras opiniões sobre o lugar. A cerveja chega e eu começo o meu árduo processo de escolha do prato. Se não fosse pelo fato de eu não comer carne vermelha, eu talvez jamais conseguisse decidir diante de tantas opções. Tenho certeza não sou o único assim. E, provavelmente, todos nós somos de  uma forma ou de outra influenciado pelo número de opções que temos ao tentar comprar algo.

Uma pesquisa realizada por acadêmicos das universidades da Califórnia, Wharton e Stanford mostrou que quando o numero de opções é grande, as pessoas tendem a tomar decisões mais “corretas” — que podem justificar facilmente.  Se pararmos pra pensar, isso tem lógica. Muitas vezes, cansado de folhear o cardápio eu acabo pedindo algo semelhante que estou acostumado a pedir em outro restaurante.

Gordura X light
A primeira parte da pesquisa consistiu em mostrar dois tipos de sorvetes. Um normal e outro light. 20% dos participantes optaram pela opção “mais saudável”. Posteriormente, fizeram a mesma pesquisa agora com 10 tipos de sorvetes, sendo metade considerada light. Diante de 5 vezes mais opções, a quantidade de pessoas que optaram pelo sabor light quase dobrou — chegando a 37%.

Na segunda parte da pesquisa envolvendo opções saudáveis e outras nem tanto, foram oferecidos em cantos distintos de uma sala duas mesas com frutas e assados. Numa das mesas haviam apenas 2 opções de cada. Na outra, as opções eram 3x maior. Dentre elas maçãs vermelhas, pêras, tangerinas, muffins de banana, crossaints e biscoitos. O que vocês acham que aconteceu? As pessoas pegaram mais frutas das mesa com mais ou menos opções?

O caso dos sorvetes se repitiu. 76% das pessoas que tiveram mais opções acabaram pegando uma fruta. Na mesa com apenas 2 opções, esse número foi de 55%.

Vontade X necessidade
Para saber se esse comportamento se repete em outras áreas, os pesquisadores analisaram o processo de escolha entre MP3 players e impressoras. Suponhamos que você precisasse comprar uma impressora porque a sua está mais velha que a roda. Mas você também quer um iPod pra acompanhá-lo nas suas caminhadas matinais. Será que a quantidade de opções uma loja oferece pode influenciar a sua escolha por apenas um dos dois? Se sim, como?

A diferença neste caso é gritante. Os participantes que tiveram que escolher entre 2 impressoras e 2 mp3 players, acabaram escolhendo o player em 89% dos casos. Porém, quando se tinha 6 modelos diferentes de impressoras e 6 de mp3 players. A escolha pela impressora aconteceu em metade dos casos. Diante desse resultado, os pesquisadores então aumentaram o número de modelos de mp3, na esperança que esse resultado mudasse. Pasmem, mesmo com número maior de mp3 players à disposição, as pessoas preferiram ainda mais a impressora. Ou seja, a opção mais fácil de justificar.

“Escolher dentre uma variedade muito grande tende a aumentar a dificuldade da escolha e, consequentemente, pode levar o consumidor a confiar mais em justificativas aceitáveis na hora de escolher”, observam os autores no estudo publicado na edição de 2009 do Journal of Consumer Research. Jonah Berger, um dos pesquisadores e professor de marketing, complementa: “Como resultado, defendemos que escolher dentre uma variedade grande pode levar o consumidor a fazer escolhas fáceis de justificar”.

Em entrevistas posteriores, descobriu-se que aquelas pessoas que tinham feito escolhas “menos corretas” costumavam se queixar mais. Em outras palavras, as que tinham escolhido os crossaints e os mp3 players sentiam-se mais culpadas do que àquelas que optaram por frutas e impressoras.

Contudo, há outros fatores que influenciam as decisões de compra e devem ser ponderadas ao avaliar o estudo. Como os próprios pesquisadores relataram, se uma opção se destaca das demais (por exemplo uma forte preferência do consumidor ou muita publicidade), o número de opções pouco importa.

Bacana! Mas no que isso me ajudaria a administrar o meu negócio?
Recapitulando, o estudo diz que quando o número de opções é grande o suficiente pra dificultar a decisão, as mais justificáveis são as que levam vantagem.  Na formulação do portifólio de produtos, na localização de uma nova loja ou sempre que as opções forem vastas e semelhantes entre si, as socialmente, organicamente ou politicamente “corretas” levam vantagem.

O carro mais econômico, o sanduíche natural, o filme premiado…  são as melhores opções e nós sabemos disso, mas aos poucos a ciência e o marketing vão descobrindo porquê nem sempre tomamos a melhor decisão.

Fonte: Wharton

R= O que está em todo lugar, que todos acreditam ser verdade e praticam.

Isso é o que deve ser questionado. Vale dizer, que essa é a resposta para fugir da mediocridade e se destacar. E por mais inacreditável que possa parecer, nem todo mundo quer.

[Extraído do ebook "What Matters Now".]

Muitas pessoas dizem que não há certo ou errado nos negócios. Por consequência, não existe uma estratégia certa ou errada, boa ou ruim. Uma estratégia é sempre uma estratégia, tudo que podemos fazer é especular, expor opiniões, impressões e debater antes de testá-la (dando a cara à tapa). Como decidir entre diferenciação ou custos, popular ou luxo, mercado local ou nacional, diferencial na logística, na apresentação ou atendimento? loja virtual ou apenas física ou ambas? São  muitas opções e a decisão desses e muitos outros aspectos compõem a sua estratégia, cujo objetivo é levar a sua empresa aos resultados esperados.

Quem sou eu pra dizer que algo está errado, mas eu gostaria de expor meu ponto de vista, tomando como exemplo as universidades/faculdades.

Durante décadas, no Brasil, formou-se a percepção de que educação infantil e média de qualidade é a paga e que, se você quiser obter sucesso profissional, deve obter um diploma em uma universidade pública. Curiosamente, esse é o inverso da realidade norte-americana e de muitos outros países. A missão de uma univerisade pública é ensinar, não importa sob quais condições. Lá estão os melhores professores (que por amor, aceitam receber salários baixos), as melhores oportunidades e, claro, a maior quantidade de bons e esforçados alunos. Do outro lado, estão as universidades privadas –quase sempre a 2ª opção do estudante– com seus prédios belos e bem conservados, equipamentos de última geração e uma coisa que a pública não tem: badalação.

A estratégia do ensino público é a qualidade. A do ensino privado é o status ou inclusão social. “Se todos meus amigos vão pra lá, eu também quero ir”. Convenhamos, são poucos jovens de 17, 18 anos que não pensam assim. Outro caso comum é o do desejo (ou a necessidade) pelo diploma, que faz milhares de pessoas todos os anos optarem por uma  universidade qualquer, mas que podem pagar.

Estou generalizando, mas é mais ou menos essa a nossa realidade. Faculdades viraram máquinas de fazer dinheiro. O bom ensino deu lugar ao bom atendimento, os livros deram lugar às apostilas com slides de Powerpoint, os debates deram lugares aos odiosos trabalhos em grupo (que só um faz). O aluno virou cliente e as instituições sentem-se obrigadas a não reprovar o aluno desde que ele esteja em dia com as mensalidades.

Certamente há exceções.  E nelas, uma boa estratégia por trás. Universidades de prestígio anunciam menos, porque estão mais preocupadas com o ensino do que com propaganda. Elas cobram a mais por isso, porque os professores são melhores, mais competentes e têm didática. Quem faz uma boa universidade são os professores, não a direção.

Também vejo universidades caras com ensino péssimo. Essas são as piores. Trocam infra-estrutura e tradição local por muito dinheiro. Por isso, suas verbas publicitárias são enormes. Porque não foi à base de sucesso profissional dos seus ex-alunos ou o boca a boca positivo dos stakeholders que seu nome foi construído, mas o alto investimento em infra-estrutura e em mídia.

Varejo
Mudando de segmento, vamos falar rápido de varejo. Por que 90% dos mercados têm que insistir em preços baixos quando é evidente que apenas um pode conquistar esse lugar? Essa não é uma das estratégias mais sábias, vocês hão de convir. Em se tratando de supermercados, há 2 exemplos que eu gosto de citar. O primeiro é a rede brasileira Zaffari, que segue a estratégia  premium. A outra é a americana Whole Foods (presente na Inglaterra também),  que diante das gigantes Sainsbury’s, Tesco e Walmart optou pela estratégia da alimentação saudável e tem colhido muitos frutos.

Produto
Até mesmo no ramo de agua mineral é possível usar uma estratégia diferente. Perrier é um case mundial e vende no mundo todo. Outro dia vi falar em uma água com vitaminas (mais sais mineiras e coisa do tipo), muitos podem pensar que isso é enganar o consumidor, mas não é.

Essa é uma decisão estratégica de como criar um produto de sucesso. De fato, a água Perrier é extraída de uma única fonte no sul da França, em uma região habitada pela 1ª vez pelos Romanos antes de Jesus Cristo. Certamente, a água com vitaminas possui vitaminas na sua composição. Ainda falando em água, um produto que tem crescido a cada ano vem dos Estados Unidos, ou seria melhor, do nordeste brasileiro. É a marca de água de coco Zico, uma marca criada por um norte-americano e fabricada no Brasil que cresceu 75% neste ano de 2009. Eu disse 75% !!!!

Enquanto alguns vendem água, outros vendem “pura água de coco do Brasil”. Isso prova que não há estratégia errada, há estratégia ruim. E muita!