Já faz algum tempo desde que eu publiquei meu último post com exemplos de publicidade. Com o passar dos anos, tentei direcionar o blog mais para lições do que para exemplos. Não quero dizer como você deve fazer o seu trabalho, mas fornecer conhecimento e insights que lhe ajudem neste processo. É com esta intenção que eu trago um péssimo exemplo do mercado publicitário brasileiro.

Como brinde de final de ano, uma agência de Goiânia deu caixas com pintinhos para seus principais clientes, o que gerou uma grande comoção na internet pelo absurdo da ideia.

A criatividade é um campo quase sem limites, e um dos raros limites é a ética. Dar uma vida é absurdo em qualquer situação, como desabafa o autor deste post. Não faz nem uma semana que o Brasil repudiou o ato de uma enfermeira que espancou seu yorkshire até a morte, também em Goiás. A agência tuitou que poderia dar um cachorro, mas optou pelo pintinho por fazer referência ao símbolo da propaganda, o galo. Boa ideia se não estivéssemos falando de um ser vivo. Uma vida é para ser amada, não para brincar, decorar, expor ou comer (na minha opinião, mas esse é outro assunto).

A dona da agência disse que é vegetariana. Não quero julgar, mas quem realmente compartilha dos preceitos do vegetarianismo jamais faria isso. Na verdade, isso transcede o vegetarianismo, já que é possível ver todo o tipo de pessoa condenando a ação. Ela também disse que é melhor dar um pintinho do que dar um chester de supermercado, mas se contradisse ao falar que sua intenção não era que ele virasse alimento quando adulto. Vamos ser francos, as pessoas não costumam ter galos como animais de estimação. Além disso, como esse animal poderia ter uma vida boa longe do seu habitat natural em meio a loucura do clima urbano? Resumindo: o animal não era para comer, não era para ser animal de estimação, era um simples souvenir.

Não vamos confundir criatividade com “tudo pode”, existe algo acima da inovação e avanço tecnológico ou corporativo, e isso se chama amor.

Quando eu era criança e queria pedir algo para o meu pai, ficava pensando qual seria o momento ideal que aumentaria minhas chances de sucesso. Quase sempre escolhia o momento depois da sesta, minutos antes dele voltar para o trabalho. Em qualquer negociação, timing é muito importante. Mal eu sabia que depois do almoço é quando as pessoas estão mais dispostas e abertas, e menos inclinadas a agir por impulso. Mas vale dizer que, na maioria das vezes, funcionava.

Acredito que negociar é basicamente fazer a coisa certa, na hora certa, no lugar certo. A coisa é o argumento e o produto. O lugar geralmente é o escritório ou um restaurante, mas qual a hora certa? Ela existe?

Vamos usar como base um estudo feito com juízes americanos. Como leigo assumido da área judicial, vejo o trabalho deles basicamente como tomadores de decisão, o que torna esse exemplo ainda mais valioso. O estudo separou a agenda dos juízes em 3 períodos, cada um dividido por um intervalo para almoço e lanche. Conforme os juízes julgavam os casos, a taxa de resultados positivos para o réu ia diminuindo — em uma escala de 65% a quase 0%! Após o intervalo, a taxa voltava a 65%, e isso nada tinha a ver com variáveis legais. Ou seja, quanto mais próximo do intervalo (e mais tempo trabalhando) menos chances o acusado tinha de ser absolvido.

A explicação disso está em algo chamado fadiga mental. Seja um juiz ou o seu cliente, todos são afetados por ela, até mesmo com pessoas experientes, sérias e focadas. Como explica o professor Jonathan Levav:

“Isso pode acontecer em qualquer lugar onde a decisão ocorra de forma sequencial e haja algum tipo de status quo ou padrão que permita simplificar as decisões.”

O poder de decisão de uma venda está na mão do cliente como a vida de uma pessoa está na mão do juiz, esse poder é capaz de dificultar as coisas para quem está do outro lado. Isso porque somos facilmente afetados por mal humor, repetição, cansaço e a famosa vontade de ir para casa. Comigo acontece com frequência; para “evitar a fadiga”, acabo comprando logo um produto ou deixando para depois em vez de pesquisar mais até encontrar a oferta imperdível. Ou decido rápido ou não decido nada. Mas isso depende do quão complexa é a decisão.

O segredo do almoço

Afinal, almoço de negócios é bom para fechar uma venda ou não? Depende.

As pessoas tendem a simplificar decisões quando estão perto do almoço ou no final do dia. Então, se o cliente estiver satisfeito com a empresa, esses momentos difíceis são bons para fazer um novo pedido ou renovar um contrato. Se a situação for mais complicada, como a mudança de contrato, preço ou você quiser oferecer um novo produto, o almoço é uma boa jogada. Não apenas bom para estreitar relacionamentos e descontrair, mas principalmente para recarregar as baterias, o que provavelmente aumentará as chances de sucesso, deixando-o mais disposto para analisar propostas e ouvir o que você tem a dizer.

A fadiga mental pode estar atribuída à exaustão do córtex pré-frontal, região que curiosamente é estimulada com a ingestão de açúcar, como explicado neste post. É difícil afirmar o que faz as pessoas tomarem piores decisões no final da manhã ou do dia, pode ser puro desgaste físico ou estresse. Fato é que isso acontece, e os profissionais de vendas devem saber como lidar com isso. Seja convidando o cliente para almoçar ou marcando uma reunião bem cedo.

Acredito que a maioria dos profissionais que trabalham com mídias sociais possuem uma visão superficial da coisa, a maioria acaba se focando em tecnologia em vez de comportamento. Não importa se usamos Facebook para compartilhar, MSN para conversar, Tumblr para blogar, Instagram para fotografar… Há alguns anos usávamos o Orkut, o mIRC, o Blogspot e o Fotolog para exatamente as mesmas coisas. O importante disso não é o que usamos, mas como usamos.

Marc Schiller, profissional e estudioso de internet há 15 anos, deu uma entrevista falando sobre as mudanças que ocorreram nos últimos anos na forma como nos relacionamos, compramos e, por que não, vendemos.

Como as coisas mudaram no marketing nos últimos 15 anos com o surgimento dessas novas tecnologias?

Eu sempre observo primeiro o comportamento e depois a tecnologia. Eu não acho que o Twitter, como empresa, cria a maneira de usar o Twitter. Isso vem do comportamento das pessoas que usam. As tecnologias vêm e vão, o que permanece é a necessidade fundamental de ser ouvido, de se expressar e encontrar uma audiência que abrace sua paixão e ponto-de-vista. A internet sempre foi uma maneira de ter as mesmas oportunidades da mídia de massa, quando não se tem acesso a ela. Para ser ouvido, basta falar.

Hoje, nós temos a mesma cultura, mas o que temos de diferente é a integração total. Antes, você tinha que ir a um website, sala de bate-papo, fórum e eles eram bastante separados. Agora eles estão todos conectados a um só. Também havia uma grande desconexão entre experiência online e offline, e tinha aquela história de ficar perdido no ciberespaço. Isso, na verdade, nunca aconteceu devido ao surgimento do celular e internet móvel. De fato, nós estamos tirando mais das nossas vidas e compartilhando online, em vez de curtir o menos o mundo real.

As ferramentas mudaram, mas o comportamento não. Eles só ficaram mais fortes e acessíveis a um número maior de pessoas.

E sobre os influenciadores? Como eles mudaram?

Certamente, há mais deles agora. Acesso a ferramentas como Twitter, Facebook e podcasts; esse novo mundo deu poder às pessoas.

A maior mudança é como consumimos mídia. Heavy users estão selecionando que tipo de informação os atinge. O que eles estão fazendo é pegando de várias fontes — família, amigos, celebridades, blogs, jornalistas, mídia tradicional, RSS — e basicamente construindo sua rede de influência. Se notícias ou informações não me atingirem, não importa. Porque eu organizei tão bem as coisas com as quais tenho contato que, se eu não ouvi sobre algo, é porque não é importante.

Esse comportamento é algo novo. Esta ideia de “the feed”, é como aparar as arestas; você adiciona coisas novas e não quer informação demais, então corta os galhos mortos. Você confere o seu feed, seja no Facebook, Twitter ou outro e mantém só as coisas que quer.

Por que as pessoas querem tanto se expressar e como marcas podem tirar proveito disso?

A maioria das pessoas não têm a segurança que eles têm no mundo real, e eu sei que isso soa dramático, mas 90% da população não tem a confirmação de que eles estão sendo ouvidos. Eu acho que o que faz as pessoas se expressarem online é a necessidade de confirmar que eles têm valor. A razão das pessoas escreverem nas paredes é para dizer: “ei, veja, eu estou aqui! Eu sou uma pessoa”.

O que as empresas precisam fazer é reconhecer essa necessidade, e ajudar a satisfazer essa necessidade. As marcas que conseguem se aproximar dos consumidores são aquelas que celebram a criatividade, a presença da audiência. Estamos constantemente procurando novas maneiras de fazer isso. No campo do cinema, a maioria das campanhas de marketing são uma via de mão única. Aqui estão as nossas estrelas, aqui está a nossa mensagem e nós estrearemos nesta sexta-feira. A maneira que nós fazemos digitalmente é fazer dos fãs o centro da nossa campanha. Mostrar que nós estamos aqui por causa deles, e colocar um espelho na frente de quem vai amar nossos filmes.

O objetivo não é usar as mídias sociais como canal de distribuição, mas como uma verdadeira comunidade em que as pessoas estão envolvidas e vestidas com o sucesso do nosso produto. Embora isso possa parecer meio óbvio, ainda não se tornou uma norma.

A digitalização de tudo está levando os consumidores a mudarem quem eles seguem?

Nós precisamos trabalhar mais duro agora para assegurar que eles continuem comprometidos. Ao final do dia, é escolha, e a quantidade de escolhas que você tem agora significa que precisa usar seu tempo com sabedoria. No passado, nós não podíamos ser muito arrogantes, haviam apenas três canais de TV para assistir. Agora, existem 5.000 e mais a internet. Eu não acho que a audiência esteja mais instável, eu acho que a audiência consegue discernir melhor hoje e abandonar mais facilmente o que ela não gosta.

Pequenas empresas que não podem arcar com propaganda tradicional podem contar apenas com as mídias sociais para fazer marketing?

Mais e mais, a resposta é sim. Eu penso que eles precisam de um bom produto, comprometimento e paixão. Dinheiro não pode comprar paixão, e essa é a mais poderosa arma do marketing. Eu quero criar um ambiente que gere paixão, e então amplificar essa paixão. Pequenos negócios são mais comprometidos com seus produtos e clientes do que qualquer outra, e eu acho que quanto mais eles refletirem os seus valores e cultura, mais pessoas irão responder e fazer parte disso.

Como profissionais de marketing, nós precisamos contar histórias. Se nós documentarmos a nossa jornada e as pessoas vierem juntos nessa jornada, o comprometimento que eles terão será gigantesco. A chave é criar uma narrativa e deixar as pessoas fazerem parte dela. Deixar elas realmente afetarem a narrativa. E isso é o que social media marketing é; criar uma narrativa que qualquer pessoa possa participar. Como toda grande narrativa, há tramas, reviravoltas e coisas inesperadas. E se você fizer bem feito, sua audiência virá junto e vestindo a camisa do seu sucesso.

Max Gehringer é como um Tom Peters brasileiro para mim. Cabeça branca, inteligente e dono das respostas de muitas perguntas que eu mesmo me fiz várias vezes. Em outras palavras, Max e Tom são dois dos meus maiores heróis de carreira. Mas eu nunca escrevi nada sobre o Max aqui no blog como já escrevi do Tom.

Como guru de carreira, o que poderia ser melhor do que falar dos erros que o próprio Max cometeu em sua carreira?

Erro 1: esperar nunca é bom.

Já faz um bom tempo desde que ouvi Max Gehringer dizer “esperar nunca é o bastante, quem espera é sempre atrasado”. Pense agora, quantas pessoas você conhece que fala em mudar de emprego, mas nunca muda? Eu conheço uma pessoa que fala isso há 2 anos. Temos sempre uma desculpa para esperar; a faculdade, o curso de inglês, as contas, uma oportunidade melhor. Paciência é uma qualidade, mas esperar demais é atraso.

Erro 2: atirar pra tudo que é lugar.

É comum alguém estar em um cargo querendo estar em outro. O problema é que quando mais se fica em um cargo, mais oportunidades  linkadas a esse cargo aparece, ao passo que aquele que você quer se distancia.

Max diz que a maioria de nós é bom em 1 ou 2 coisas, razoável em uma meia-dúzia e ruim em uma dúzia.

Responda 2 perguntas: 1) em que você é bom?; 2) o que você gostaria de fazer? Agora defina os possíveis cargos e vá fundo! Pode ser difícil no começo, pode mudar um pouco de direção, mas uma carreira é cheia de buracos e curvas, em vez de uma estrada lisa e reta. Saiba aonde você quer chegar, invista em seus pontos fortes em vez dos fracos e trabalhe duro. A chegada é uma questão de tempo, não de “se”.

Erro 3: não perguntar quando podia.

Eu confesso: cometo esse erro com frequência. Na tentativa de aprender por conta própria, acabo não perguntando quando posso, e pior, quando devo. Mas isso melhora se você aceitar, aí fica mais fácil puxar a própria orelha quando estiver dando uma de teimoso. Vivemos em mundo colaborativo, cercado de pessoas interessantes capazes de nos ensinar algo. Ser inteligente não é descobrir o caminho sozinho, é aprender com os outros o necessário para abrirmos o nosso próprio caminho.

Erro 4: insistir em algo que já havia sido rejeitado

Existe uma linha tênue entre ter ideias e ser chato. Porque é muito fácil insistirmos para que os outros aceitem as nossas ideias e pontos-de-vista. E, infelizmente, atrair muita atenção incomoda as pessoas. Às vezes, insistir em algo que ninguém acredita pode fazer a diferença, mas como diz Max, isso está longe de ser a regra.

Erro 5: culpar os outros

Comum principalmente no começo da carreira; quando as coisas demoram a acontecer, tendemos a imaginar complôs e que alguém está impedindo o nosso crescimento. É preciso avaliar com cuidado se estamos realmente fazendo tudo o que podemos antes de culpar os outros do nosso próprio fracasso. Em 2/3 dos casos, a culpa é  nossa — por ter deixado acontecer ou por não fazer nada para mudar. Procure ouvir a opinião dos outros para ver se confere com a sua. Se a culpa for realmente do outro, não aponte; apenas pegue suas coisas e vá em busca de um lugar onde pessoas cresçam juntas, não cada um por si.

Todos nós somos imaturos em algum ponto da carreira e, assim como na vida, uns amadurecem mais rápido do que outros. E, assim como na vida, às vezes não damos ouvidos aos mais experientes até que percebemos que é a melhor e mais rápida maneira de crescer. Faça uma auto-reflexão, veja se você não está cometendo os mesmos erros. Eu cometi vários deles. Aprenda com esses erros, porque Max demorou, como ele mesmo declara em uma poderosa frase: “eu podia dizer que aprendi com os meus erros, mas a verdade é que quando os cometi, não sabia que eram erros.”

[Baseado em podcast publicado na CBN.]

Moral da história: o que você está fazendo para chamar de seu? Fabricar é fácil, difícil é criar algo novo e único. E são esses que fazem a diferença.

O marketing de hoje

12 de dezembro de 2011 • TEMAS: Filosofando / Marketing

Quando Theodore Levitt escreveu seu famoso artigo “Miopia em Marketing”, em 1960, praticamente inventando o termo marketing, ele não fazia ideia de que se tornaria uma ferramenta complexa, versátil e o principal ingrediente de sucesso das maiores companhias do mundo. Não só isso, o termo faria parte do vocabulário das pessoas independentemente de suas profissões. Seria algo popular, no entanto, insuficiente para acabar com a miopia 50 anos depois.

Em 1960 ninguém sabia o que era marketing porque, de fato, marketing não existia como uma ferramenta. A partir de 1960, tudo mudou. Bill Bernbach revolucionou a indústria da publicidade, Kotler escreveu a bíblia do marketing e Al Ries criou o conceito – de posicionamento – que deu origem à gestão de marcas.

Embora os conceitos desses gurus tenham mudado o mundo dos negócios e grande parte deles ainda seja eficiente hoje, o mundo mudou. Principalmente, o de quem trabalha com marketing.

Hoje, as pessoas assistem menos televisão, ouvem muito menos rádio do que seus pais ouviam, outdoors são proibidos em muitas cidades, é possível comprar um produto sem sair de casa e até pular o break comercial se tiver uma TV LG Time Machine em casa. Isso significa que se você está tentando vender em 2010 da mesma forma que vendia em 1990, não vai conseguir. Irá gastar muito dinheiro para pouco resultado, em uma proporção inversa de décadas atrás quando maior investimento em publicidade significava maior o retorno.

Segundo uma pesquisa americana, em 1965, as pessoas lembravam 64% dos comerciais que assistiam; em 2007, apenas 2,2%. Essa dura realidade deixa claro que uma boa agência, campanhas criativas e mídia nos principais veículos não são suficientes. Ser um bom profissional de marketing começa com assumir de que marketing não é só publicidade.

Enquanto a propaganda cria desejo, fixa marca e leva o consumidor para dentro da loja, são os vendedores e o ambiente que o leva para o caixa. Estudos recentes apontam que a proporção de boca a boca negativo e positivo é cerca de 3 para 1. Em outras palavras, marketing não é só vendas, é credibilidade.

É comum ouvirmos alguém dizer “fulano está fazendo seu marketing pessoal” para se referir a “está vendendo o seu peixe”. Na verdade, marketing pessoal significa construir uma boa imagem. É exatamente esse o papel do marketing nas empresas: gerar valor.

A era de Henry Ford, Sam Walton e Ray Kroc deu lugar a uma era de Steve Jobs, Jeff Bezos e Howard Schultz. Empresas centradas na experiência do consumidor e no capital humano, onde tudo importa e o objetivo final é deixar os clientes internos e externos felizes. Há quem ache isso conversa furada, que o objetivo de toda empresa é vender. Verdade. Mas olhem as empresas dos caras acima, Apple, Amazon e Starbucks tornaram-se exemplos não apenas nos seus segmentos, mas para todo o mercado global. Elas também estão lucrando, e muito, mas também estão ajudando a construir um mundo melhor, fazendo as pessoas de dentro e de fora da empresa, felizes. Qual o segredo? Todas colocaram a experiência do consumidor como prioridade número 1. Nada contra a Ford, Walmart e McDonald’s, empresas eficientes e referência em seus mercados; elas apenas representam um modelo de negócios que tem cada vez menos espaço hoje.

O marketing de hoje é simplesmente uma questão de fazer as pessoas felizes. Não deixe uma infinidade de conceitos tornar a mais humana, e importante área de uma empresa, em algo frio e impessoal.

Artigo originalmente publicado na Revista Zunido Nº1, escrito por mim.

O idioma negócios

10 de dezembro de 2011 • TEMAS: Negócios / /

Vamos ser sinceros, o mundo corporativo está cheio de coisas sem sentido. Alguns fingem que dizem algo enquanto outros fingem que entendem e fazem cara de quem está gostando. Boa parte desse besteirol corporativo é resultado da necessidade que a área de negócios têm de usar uma linguagem rebuscada, “atualizada”, mas que muitas vezes parece ser um idioma totalmente novo.

Há mais de 3 anos, eu falei sobre o “Dicionário da Besteira Corporativa” que descreve o real significado das expressões usadas nas empresas. O livro tem tom de humor, mas dizem que toda brincadeira tem um fundo de verdade, e não é diferente aqui. Fato é que muitos profissionais acham que precisam falar difícil para impressionar o outro, mas a única “impressão” que ficará depois de um discurso que ninguém entende é “…”.

Durante vários meses, eu mantive um bloco de notas no meu desktop chamado “palavras que perderam o sentido”, incluindo termos como “premium”, “diferencial” e “valor”. Assim como o livro que eu citei, um recente artigo da HBR corrobora com a minha opinião de que muito do que se fala nos negócios não acrescenta nada, são meras palavras ao vento.

O artigo cita os 4 problemas graves desse idioma corporativo: abstracionismo, acrônimos, expressões sem sentido e “tecnologismo”. Apesar das pequenas diferenças, todos evidenciam um problema único, a falta de coerência e coesão. Ou seja, as pessoas estão falando mais e entendendo menos. Isso distancia ainda mais o discurso da prática. E esse é o maior problema com frases como “pensar fora da caixa” (você não pensar fora dela a menos que a conheça muito bem), “agregar valor” ou a minha favorita “queremos exceder as expectativas dos clientes”.

EXCEDER???

A maioria das empresas não conseguem nem satisfazer os clientes, como pretendem exceder suas expectativas? Aliás, a maioria delas nem sabem que expectativas são essas. Frases como essas soam vazias tanto para funcionários quanto para clientes. Falar não muda nada, fazer muda tudo.

Segundo uma enquete no site da HBR, “pensar fora da caixa” é o pior jargão de negócios, seguido de “sinergia”“mudança de paradigma” e agregar valor. Sem dúvida, essas expressões fazem sentido, mas elas são usadas de forma tão leviana e com tanta frequência que perderam a força. A maioria das pessoas não sabem o real significado delas, às vezes nem mesmo quem diz sabe.

E você,  o que acha dessas frases?

Paris, começo do século XX, escritores, artistas, músicos e cientistas se reúnem para discussões acaloradas sobre diversos assuntos, de ciência à democracia. Vienna, rua Berggasse Nº19, um cara chamado Freud promove todas às quartas um encontro com médicos, filósofos e cientistas para discutir uma nova área que acabara de surgir, a psicanálise. Londres, século XVIII, Benjamin Franklin realiza um encontro do seu Club of Honest Whigs na London Coffeehouse para discutir novas ideias.

Essas reuniões eram uma espécie de protótipo do que chamamos hoje de brainstorming. Será que as empresas de hoje podem aprender algo com elas?

Boas ideias surgem de ambientes férteis onde pessoas diferentes colaboram na busca de um objetivo em comum. No caso dos cafés europeus, aprender, solucionar problemas, criar coisas novas ou simplesmente debater. Naturalmente, havia muita discussão, mas elas são partes importantes do processo de inovação, quando a colisão de ideias levam a novas possibilidades, às vezes ainda mais originais. Esses lugares eram tão ricos de conhecimento que funcionaram como laboratórios para o iluminismo e modernismo.

No final da década de 90, Martin Ruef, um professor de Stanford fez uma pesquisa para descobrir qual a relação entre inovação e diversidade. Ele descobriu que pessoas que tinham um networking horizontal, mais diversificado, eram 3 vezes mais criativas do que pessoas com networking vertical (unificado). Resultado similar foi encontrado por outro professor chamado Ronald Burt, que descobriu que funcionários de uma empresa tinham mais dificuldades em encontrar soluções quando compartilhavam informações com o seu próprio departamento do que quando compartilhavam primeiramente com colegas de outros departamentos.

Diversidade e interdisciplinaridade são tão importantes para a inovação que empresas como 3M e Apple estimulam a comunicação entre departamentos; e algumas grandes agências de propaganda contratam profissionais de áreas nada a ver com publicidade, como artistas, arquitetos e cientistas.

As reuniões de brainstorming das empresas já estão condenadas antes mesmo que os participantes tomem seus lugares. O principal motivo é a falta de diversidade. São sempre as mesmas pessoas – geralmente com perfis parecidos –, no mesmo lugar, no mesmo formato… isso não mata a criatividade, mas a acorrenta no pé da cadeira.

O motivo que tornava os encontros nos cafés europeus tão produtivos era justamente a falta de amarras. Ninguém estava preso a nada (como empresa), nem devia nada a ninguém (como chefe) e não havia pré-requisitos para participar (como ser contratado, currículo, etc). Ou seja, tudo que você precisava era ter ideias novas e bons argumentos.

Brainstorming é uma boa ferramenta, e como tal, deve ser bem manipulada para gerar resultados. Não há nada de errado com o “brain” em si, mas com a forma que ele acontece. Falta loucura, ruído, liberdade; tudo que os cafés de antigamente possuíam.

Procure convidar pessoas diferentes; se você é gestor, veja se você não causa desconforto na equipe; nunca leve a opinião do outro para o lado pessoal (isso é um veneno!); diga o objetivo e um ponto de partida, mas nunca o caminho. Opiniões e ideias precisam fluir naturalmente no ar. Dessa forma, elas irão colidir, se completar ou se transformar originando novas ideias que, caso contrário, nunca existiriam.

Na próxima vez que você fizer um brainstorming, não leve apenas o café, leve um pouco de loucura!

Este post é bem básico. Há grandes chances de você já conhecer todos, mas o mercado é formado por pessoas heterogêneas (graças a Deus!) que precisam falar a mesma língua. Se você já está por dentro dos termos, tente utilizar como material de consulta na busca por oportunidades ou melhorias.

Os 25 termos foram listados pelo Social Media Today, mas enquanto o site os define dentro da esfera de mídias sociais, eu amplio o foco os aplico dentro do novo marketing — mais digital, envolvendo e humano. Vamos à aula de hoje.

1. Viral: qualquer coisa compartilhada na rede capaz de atravessar rapidamente diversos canais. Ex: vídeos YouTube.

2. Plataforma: Um sistema que administra conteúdo. Ex: WordPress como gestão de conteúdo de blogs e até sites.

3. Autenticidade: usado para descrever “pessoas reais” atrás posts em blogs e outros perfis sociais.

4. Influência: Os famosos “formadores de opiniões” são conhecidos, na rede, como “influenciadores”. Pessoas capazes de atingir e influenciar milhares ou milhões de pessoas que se identificam com suas opiniões.

5. B2B: Business to Business. O comprador é uma empresa.

6. B2C: Business to Consumer. O comprador é uma pessoa.

7. Hashtag: sabe aquele jogo-da-velha no Twitter? Elas ajudam a monitorar ações e assuntos, agrupando os tweets que utilizaram uma determinada hashtag.

8. Transparência: usuários esperam participar de conversas com marcas e pessoas, elas esperam que a outra parte seja honesta e confiável. Nos negócios, considere transparência como comportamento mais humano — e menos impessoal.

9. Sinergia: indivíduos e corporações trabalhando em conjunto em busca de um objetivo em comum bom para todos. Exemplo: Visa e Mastercard se unindo para criar sistema de pagamento via celular.

10. Web 2.0: A segunda geração da web onde qualquer pessoa podem blogar e interagir sem precisar de conhecimento ou treinamento.

11. Trending: usado no Twitter para algo que é popular no momento. (obs.: trending também significa tendência, e estar de olho nas tendências em um mundo dinâmico como o atual é vital para o sucesso das empresas.)

12. SEO (Search Engine Optimization): Processo de organização de um site para que ele tenha melhor chance de aparecer no topo dos sites de buscas.

13. E-book: Livro publicado em formato digital.

14. Wiki: páginas de consulta para pesquisas. São simples e todo seu conteúdo é editado por usuários.

15. Blog: esqueça diário pessoal. É um site atualizado frequentemente por uma pessoa ou grupo de indivíduos. Caracterizado pelo compartilhamento de informações e, sobretudo, opinião pessoal.

16. CGU (conteúdo Gerado pelo Usuário): qualquer coisa gerado por pessoas comuns.

17. Tweeps / Tweeple: Twitter + People. Pessoas são importante, certo?

18. Microblogging: postagens curtas em perfis sociais. Ex: Status do Facebook e Twitter.

19. Algoritmo: na linguagem da web, é o sistema (programação) que sugere as páginas de uma pesquisa.

20. Widget: são pequenas aplicações utilizadas em sites. Ex: a nuvem de temas do Pequeno Guru (lateral do blog).

21. Apps: qualquer programa utilizado em smartphones e tablets.

22. Meme: uma espécie de viral cultural geralmente compreendido dentro de um grupo restrito. Ao contrário dos “virais” que costumam ser vídeos, os memes surgem em praticamente qualquer formato.

23. Engajamento: envolver os usuários dentro de um contexto e aproveitar para criar diálogos e estreitar relações.

24. Tráfego: a métrica mais comum da internet, refere-se a quantidade de visitantes de um site. Pode levar a interpretações equivocadas, uma vez que quantidade nada tem a ver com qualidade. defina o que é mais importante para sua empresa, tráfego ou engajamento.

25. Tag: palavras-chave que classificam conteúdo, ajudando em sua organização.

Edição novembro/2011


  1. 80% das empresas fazem pesquisas de mercado, mas apenas metade monitora a opinião dos consumidores na web. [Link]
  2. Praticamente metade dos produtos do Google foram criados no tempo livre dos funcionários.
  3. Se o salário mínimo obedecesse a constituição, seria de R$ 2.329,00.
  4. 10% dos professores no Brasil têm um segundo emprego. [Link]
  5. 64% das pessoas seguem uma marca porque já são clientes, contra 48% que seguem para receber ofertas e descontos. [Link]
  6. Número de tweets por dia: 250.000.000.
  7. Starbucks quer dominar o mercado de sucos. [Link]
  8. Políticos de maior estatura tendem a receber mais votos. [Link]
  9. iPad, Kinect e garrafa com filtro ganham prêmio de inovação. [Link]
  10. O Brasil tem 137.000 milionários e 30 bilionários. [Link]

(Extraído dos tweets publicados no mês de novembro de 2011. Ainda não segue? Clique aqui.)