Uma ova!

Faça um favor a si mesmo e exclua essa frase da sua vida. Se você já o fez, sinto muito dizer, mas afastar-se de pessoas a usam também é necessário. Assumir que “nada se cria, tudo se copia” não só vai comprometer todo o seu trabalho para o resto da vida, como irá prejudicar a sua imagem e limitar o seu sucesso.

Você é um criador ou um copiador? Embora quem copie, dificilmente assuma, quem copia sabe que copia e o pior, aceita a condição. Existem dois tipos de copiadores: os que se acham criativos e copiam; e os que sabem que não têm talento para isso e por isso copiam. A diferença — e o problema — é que um deles costuma ser pago para criar. Quem se acha criativo, provavelmente trabalha em uma área onde criatividade é a principal ferramenta. Ou seja, uma coisa é o meu chefe que não entende nada de design copiar o layout de um PowerPoint; outra coisa é um publicitário copiar o layout ou a ideia de uma campanha.

Hoje, é muito fácil parecer gênio sendo um copiador. (Eu mesmo poderia copiar os posts de um blog da Austrália e dificilmente vocês saberiam. No entanto, cito todas as fontes que contribuíram com o material postado.) Aqui vão alguns meios: YouTube, anuários do CCSP, revistas, Ads of The World, blogs, Google,  TV à cabo, aquela campanha de outro país, aquele anúncio de outro Estado, ideia do colega, e por aí vai. E se a pessoa for realmente esperta e tiver sorte, talvez nunca será descoberta. Mas elas sabem, (nem tão) no fundo, suas habilidades se equivalem a de uma máquina Xerox.

Ser um criador, por  outro lado, é trabalhoso. Começa com querer ser diferente e rejeitar a mediocridade. Você sabe que é assim quando sente náuseas sempre que ouve a frase “nada se cria, tudo se copia”; e/ou tem ataques de fúria quando vê algo sendo copiado descaradamente. É preciso ser curioso, ler, ver, ouvir e experimentar tudo que puder. É impossível criar algo bacana e original se tudo que se absorve é o trabalho dos outros.

O que você diz para si mesmo é mais importante do que diz para os outros. Quando você diz que nada se cria, está assumindo que é incapaz de criar algo novo. Porque o mundo prova todos os dias que ainda existe muita criatividade por aí; caso contrário, de onde as pessoas iriam copiar? Produtos como o iPad, ações como a da Brastemp, virais como o da Heineken, propagandas irritantemente criativas, empresas como a Pixar, artistas como Terje Sorgjerd, revoluções como Twitter e tantas outras coisas que nos encantam, impressionam, viciam e nos fazem querer viver mais para conhecer coisas novas. A vida não é um disco furado que roda sempre a mesma música. Ou pelo menos não deveria ser, e a forma como você pensa determina a qualidade do seu trabalho.

Seja um criador. Como Seth Godin tão exaustivamente enfatiza no seu livro Poke the Box: seja alguém que começa coisas! Alguém que dá o primeiro passo rumo ao desconhecido. Tudo que é novo é desconhecido e isso talvez o assuste, mas basta dar uma lida na Exame ou em alguma outra publicação que fale de pessoas e organizações de sucesso, e você verá que não há espaço para quem simplesmente copia.

Antes da publicidade vem a comunicação. Você não pode ser um bom publicitário sem entender como as pessoas se comunicam nem um bom marqueteiro ou vendedor sem descobrir o que seus clientes querem ou gostam. É a premissa sobre o qual essas atividades estão estabelecidas. Esse é o motivo pelo qual um futuro publicitário estuda na faculdade matérias como: teorias da comunicação, filosofia, sociologia, cultura, pesquisa — e não apenas planejamento, mídia, design, criação.

Entender os processos da linguagem é vital para se comunicar eficazmente com diferentes tipos de público. Muitas pessoas acham que todo publicitário é comunicativo e criativo. Arrisco dizer que publicitário é uma das profissões menos compreendidas; nenhum pai deseja que seu filho curse a faculdade de comunicação para trabalhar em agência de propaganda. (E olha que a maioria nunca entrou em uma.) Há muita coisa por trás de planejamentos de mídia, comerciais engraçados e da criatividade per se. Ou pelo menos deveria haver.

Antes de pensar em propaganda, é preciso entender que ela existe desde muito antes dos Classificados serem inventados (onde a publicidade surgiu oficialmente); que antes do branding, senhores feudais marcavam suas mercadorias para não perdê-las no meio da concorrência; e que social networking já era algo vital para o sucesso desde a época de Benjamin Franklin. De novidade mesmo, apenas os processos e as opções, mas em teoria, tudo já existia muito antes do seu avô chutar a primeira bola.

Isso é algo que merece ainda mais atenção na era das redes sociais, que têm sido vistas como a nova galinha dos ovos de ouro da publicidade. Por estar em alta, todos falam nela, querem usá-la e descobrir a fórmula mágica da viralização. O problema é que enquanto novas métricas e metodologias surgem,  profissionais despreparados e campanhas sem sentido pipocam no mercado.

Entender de comunicação envolve saber que canal utilizar de acordo com a necessidade, o público e o objetivo. Significa saber que rede social é rede social e mídia traidicional é mídia tradicional, todas possuem pontos fortes e fracos e nenhuma faz milagre. É realmente preciso um bom planejamento, criatividade, conhecimento e execução impecável.

Os 4 tipos de comunicação

Seth Godin explicou bem os quatro tipos de comunicação utilizado pelas empresas e agências de propaganda e a conclusão que tiramos é que cada um é bem diferente do outro.

  • Você fala de si mesmo para pessoas que querem ouvi-lo e se importam com você.
  • Você paga para alguém carregar a sua mensagem de forma impessoal. (publicidade)
  • Você paga para alguém falar de você, alguém com autoridade e influência.  Costuma valer mais que propaganda, mais não gera demanda considerável. (RP)
  • Os outros falam de você espontaneamente — em blogs, twitter e redes sociais.  Ao contrário dos outros tipos, pode ser negativo e não se tem controle.

Não foi em um ou dois lugares que li sobre a falta de controle das novas mídias. Vários especialistas já destacaram a importância de se criar produtos e experiências memoráveis que mereçam ser espalhadas. Isso é tudo que você pode fazer. Isso é o principal a ser feito. Bill Bernbach já dizia que a propaganda fazia um mau produto fracassar depressa porque as pessoas saberiam que ele era ruim, mas ainda assim as pessoas precisavam comprá-lo. Hoje, basta um video no YouTube ou um post publicado em um blog de respeito (que será repassado) para as vendas caírem drasticamente. As pessoas estão falando mal de coisas que nunca compraram, sequer usaram. Comunicação é algo perigoso. E mortal quando não se sabe o que está fazendo.

Saber comunicar não é tagarelar, mas usar as palavras certas, no tom certo, com elementos visuais que reforcem ou complementem a mensagem, através do canal certo, com um objetivo em mente e sempre deixando espaço para o outro. Reveja seu conceito de comunicação e não confunda falar com comunicar.

Muita coisa tem se escrito sobre como redes sociais podem impulsionar os negócios, e muito pouco sobre tudo que já foi escrito foi dedicado ao que não fazer. Particularmente, considero o que não fazer tão ou mais importante quanto o que fazer. Em uma área onde (quase) tudo é possível como propaganda e marketing, é fundamental que haja um bom filtro. Esse filtro deve ser composto por experiência, senso crítico e alta capacidade de análise. Isso vale não apenas para redes sociais, mas para toda sua vida profissional. Reflita sobre tudo que você lê (incluindo este blog)e não assuma como uma verdade absoluta, pondere. E eu vou ilustrar isso com um exemplo.

Você está navegando pela internet quando cai em um blog que nunca viu  e lê um dos posts em que se sugere usar o Twitter para divulgar tudo que a empresa  faz, onde todos os funcionários estão falando, incluindo a implementação de um “Twitter interno” onde rolarão mensagens como “A Carol chegou com um carregamento de donuts. Eles estão na sala de suprimentos, enquanto durarem” ou “que as crianças não vejam isso… existe um site que captura sua própria letra e transforma em fonte”.  Então, você assume que aquilo é uma ótima coisa a se fazer só porque leu em um blog americano, teve 9 comentários e 217 reações na internet. Até ler um especialista falando que aquilo é besteira em um tom bastante indignado.

Foi exatamente isso que aconteceu. Jonathan Salem Baskin é um dos especialistas que eu mais gosto de ler na internet, um profissional com grande experiência, argumentos fortes e três livros publicados. E se ele falou que o post “Deploying Volunteer Marketing Armies with Internal Social Media” — citado no parágrafo de cima — não é marketing, então eu acredito nele. Baskin disse em seu blog que estava furioso e sentia vergonha de profissionais de marketing por serem tão crédulos; disse que não queria ofender o autor do post, mas que aquilo não é fazer negócios, não é ciência e nem mesmo racional. De fato, li post e achei muito exagerado. Fazer com que todo funcionário twitte a respeito de tudo que está acontecendo na empresa não vai tornar a empresa mais humana ou inovadora. Twitter, assim como qualquer outra rede social, é apenas uma ferramenta que não serve para nada sem uma boa estratégia.

Antes de sair usando Twitter ou Facebook feito louco para promover uma empresa, esqueça o burburinho das redes sociais e pense como um profissional de marketing. Tenha em mente os conselhos de um especialista:

Ninguém acorda querendo ouvir mais sobre marcas.

“Desculpe. Eu sei que a tecnologia torna possível, mas não significa que isso se tornou uma necessidade ou um desejo.”

“O mundo  não precisa mais de conteúdo. O seu desafio não é encontrar um jeito de produzir mais, e sim fazer o que você diz importar mais”

A massa não é exatamente confiável.

“A humanidade realmente não sabe (ou se importa) como gerir o seu negócio, então ‘a próxima grande ideia’ de que seus consumidores devem cuidar do seu design, da sua propaganda e propor novos processos, ou apenas falar de si próprio em vez dos seus produtos ou serviço… tem a ver com recompensa imediata. Não é estratégia de negócios.”

Estabelecer diálogos não é tão simples assim.

“Toda vez que alguem lhe disser ‘apenas comece a gerar conteúdo’ ou ‘crie uma conta e converse’, eles deviam ser convidados a se retirar”.

“A ideia de que você pode esquivar da responsabilidade pela sua marca é perigosamente atraente, mas é uma mentira. Respeitar os mecanismo da conversa um a um tem muito pouco a ver com lançar campanhas digitais que se espalham pela rede.”

Sua empresa tem que fazer algo de concreto para existir.

“Não confunda o meio com a mensagem e não confunda o buzz da conversa com o conteúdo do que está sendo discutido.”

“Grandes chances das mais celebradas campanhas sociais serem realmente as melhores, mais inteligentes, mais rápidas ou possuírem os produtos e serviços mais competitivos. Fazer bonito no digital geralmente significa grande realidade. Se não há nada de real ali, não passa de um grande barulho”

Eu não estaria sendo muito realista se dissesse “quanto menos dinheiro você tem para uma campanha publicitária, mais criativa ela será”, mas não se engane em pensar que o contrário é verdadeiro, que com uma grande verba publicitária, conseguirá valor de marca, engajar consumidores e manter uma base fiel de clientes. Não é assim que as coisas tem se mostrado no mundo real.

Sinceramente, eu acredito que uma pequena verba estimula mais a criatividade — de uma boa equipe — do que uma verba milionária. É realmente como se a empresa tivesse uma única tacada para encaçapar todas as bolas. Com pouco dinheiro, é preciso analisar mais, planejar mais, focar mais, criar mais, apostar mais. Quando dinheiro não é um problema, as ações acabam sendo muito pulverizadas, tenta-se diversas plataformas sem grandes adaptações e que não se complementam; porque, se não der certo, há dinheiro pra tentar de novo.

Empresas que investem muito dinheiro dinheiro jogam com base no erro/acerto. Com o foco em quantidade, a eficácia de cada investimento cai consideravelmente. O princípio é o mesmo de jogos de azar,  ganha-se razoavelmente, perde-se mais ainda; mas a impressão final é que compensa. E compensa, se a estratégia for volume de vendas, nada mais. Companhias que despejam dezenas, centenas de milhares de reais em propaganda possuem metas avassaladoras e precisam constantemente conquistar clientes novos e forçar mais vendas para os atuais. Elas jogam o jogo da quantidade.

Peguemos o exemplo do comercial mais memorável e envolvente do Super Bowl deste ano. Aquele com a adorável criança vestida de Darth Vader. Quanto  custou a produção daquele comercial eu não sei, mas ao que tudo indica foi muito pouco. Basicamente: 1 produtora, 3 atores, 1 fantasia, 1 cachorro (que pode ser o seu), uma casa (que também pode ser a sua) e o produto é claro. A magia do comercial está no clima, nos gestos sutis do pequeno vilão, suas frustrações comoventes e a inocência de uma criança. Uma ideia incrivelmente poderosa e barata. Tudo bem que custou milhões de dólares para levar os 60 segundos do comercial ao ar no horário mais caro da televisão mundial, mas se a ideia não fosse tão boa, ele não teria sido assistido por mais 34 milhões de pessoas ao redor do mundo e alcançado altos índices em testes de neuromarketing. Em contrapartida,  um outro comercial de automóvel, da marca Kia, que teve uma mega-produção registra apenas 1,5 milhão de visualizações no YouTube e nenhum boca-a-boca.

Provavelmente, não existe nada mais grotesco em termos de ações de marketing do que o Big Brother Brasil. Eu lembro que no BBB10, a marca Doriana desembolsou R$200 mil reais por uma ação dessas no reality show. São tantas marcas brigando por espaço e executadas de forma tão “grosseira” que é difícil acreditar que o retorno tenha compensado o investimento. Martin Lindstrom publicou em seu livro “A Lógica do Consumo” um estudo feito sobre merchandising no programa American Idol e chegou à conclusão: a menos que a marca seja realmente incorporada ao programa através de associações visuais, de maneira natural e nos pequenos detalhes, não funciona. Vestir participantes com fantasias de frango e fazê-los entrar em um forno gigante para promover uma marca de tempero não apenas é ridículo, é jogar dinheiro fora.

Por outro lado, as mais fascinantes ações de marketing são do tipo ainda pouco vistas no Brasil: ambient marketing. Quanto será que esta ação (ao lado) custou para o McDonald’s? Tinta, pintor, talvez alguma taxa para prefeitura e um par de mentes criativas. O melhor marketing é aquele que interage diretamente com o consumidor sem causar desconforto. Tem gente que odeia publicidade, eu odeio publicidade ruim, que atrapalha o meu dia, toma meu tempo e não me arranca um sozinho ou uma surpresa.

Mais do que nunca é preciso se livrar do pensamento de que mídia convencional é sinônimo de retorno. Como eu disse, o princípio é o mesmo de um jogo de azar, você pode ganhar mesmo sendo muito ruim. Mas o que faz realmente a diferença é a criatividade e a identificação do consumidor com aquilo. Sem demagogia nenhuma, listei abaixo as coisas que considero mais e menos criativas e o que se percebe é que quanto as mais caras costumam ser as menos criativas.

As mais criativas: malas-diretas, ambient marketing, marketing de guerrilha, brindes, sites especiais e cartões de visita.

As menos criativas: rádio, outdoor, banners de internet, televisão, anúncios de jornal.

Não é que a televisão e os banners de internet não podem ser criativos, eles estão saturados. São tantos anunciantes, tantas peças sem graça; que os consumidores simplesmente não estão prestando mais atenção a elas. No entanto, é sempre possível criar algo um spot de rádio memorável, um comercial com milhões de acessos no YouTube ou um banner que renda muitos cliques. Desde que se abandone a ideia de que o canal por si só é o suficiente. Como disse Gary Vaynerchuk: “nunca é o meio, é sempre a mensagem”.

Apesar da grande concorrência dos dias de hoje, empresários e empreendedores deveriam agradecer por viver em uma época onde é possível promover marcas gastando muito pouco. Pela primeira vez na história, é possível disputar com grandes empresas tendo apenas uma fração das suas verbas de marketing  delas. Quando o assunto é criatividade, Davi sempre derrota Golias. Não é porque sua empresa tem  R$1.000 pra anunciar que é preciso anunciar no rádio ou inserir um mini-selo em uma página de jornal que ninguém vê. Você tem opções! Estude-as!

O ser humano é movido a desafios.  Quanto menos se tem, mais se esforça; quanto mais se ganha, mais se quer e o que era paixão torna-se ganância. Basta os negócios começarem a dar certo que o dono já não trata os clientes tão bem como no começo, não orienta e motiva os funcionários pessoalmente, e não negocia diretamente com fornecedores por insumos de melhor qualidade. Com um pouco mais de dinheiro, as empresas tendem a divulgar em mais canais simplesmente porque ela pode e a tomar decisões baseadas nas preferências pessoais do dono ou de alguns poucos gestores. Parece que quanto mais se pode fazer pela criatividade, menos se faz. Criatividade exige tempo, inspiração e, quase sempre, um esforço gigantesco. O dinheiro existe basicamente para facilitar as nossas vidas e é justamente o que ela faz com as empresas que dão muita importância a ele: facilita até matar a criatividade.

Dinheiro é importante. É necessário se você quiser transformar as suas ideias em realidade, mas não se deixe enganar pelo pensamento de que é preciso milhões pra construir uma grande marca, um produto de sucesso e engajar pessoas. Os consumidores querem cordialidade, atenção, estabelecer um diálogo; querem uma propaganda realista — em que possam acreditar — e, pra isso, nunca foi preciso milhões.

Feliz 2011!

25 de fevereiro de 2011 • TEMAS: Propaganda /

Eu não perdi a noção do tempo e sei que estamos quase março e que, nessa altura do campeonato, as pessoas estão pensando no carnaval ninguém mais deseja feliz ano novo para as outras (acho que deveriam, ainda tem 10 meses pela frente). Mas vejam que mensagem legal criada pela agência Droga5 Austrália.

Lembra quando as pessoas costumavam descrever o nosso trabalho como ‘a melhor coisa que você pode fazer vestido’?

Longos e gloriosos almoços. Ensaios de 1 mês fora do país, bebidas de graça no bar da agência (quando isso ainda existia) e chuvas de auto-elogios o tempo todo.

Então, provavelmente você não lembra.

Porque para a última geração do pessoal de marketing, esse papo nostálgico é apenas isso; nostalgia. Na melhor hipótese, coisa de lenda. Na pior, um lembrete irritante de que “arte requintada da grande propaganda’ silenciosamente se transformou em ‘o negócio do marketing inteligente’.

E não há nada de errado com isso, nada mesmo. Isso apenas significa que, bem, sendo brutalmente honesto, nós rimos menos do que costumávamos, rimos menos do que deveríamos e nos esforçamos mais do que a medicina orienta.

Admitidamente, dentro dos infâmes blogs do nosso mercado, nós obtivemos sucesso ao criar a ferramenta perfeita para nos lembrar dos perigos do excesso criativo. Alguns dizem que prestam um serviço vital de nos manter honestos.  Mas já que as pessoas que costumam dizer isso são geralmente anônimas, ‘honestidade’ pode não ser a melhor descrição para seus talentos ocultos.

O que nós realmente precisamos, talvez, é um lugar em que possamos celebrar o que realmente fazemos: imaginar, produzir e mais do que nunca defender essas estranhas e frágeis coisinhas chamadas de ‘ideias’.

Depois de tudo, é preciso de gente com muita coragem para lutar pelas ideias.

Quando elas são jovens, hesitantes e mal formadas, elas não conseguem se defender, e depende da gente para sobreviver — um desafio crescente em uma época cada vez mais brutal.

A verdade nua e crua é que nós fazemos isso por que temos que fazer (na verdade, para ser mais exato, porque somos pagos para fazer). Mas nós também fazemos porque adoramos a ideia do que esses frágeis pensamentos podem se tornar, se apenas tiverem a chance de crescer. Nós sonhamos, embora de forma primitiva, em fazer algo brilhante, cativante e, sim, eterno.

Esse é um dos poucos prazeres culpados que nos restou.

Assumindo que você ainda esteja lendo isso, você deve fazer parte dessa coisa de viver de ideias, criar ideias, comprar ideias, então não é justo que nós façamos uma pausa depois de um longo e exaustivo ano e  demos um tapinha nas costas da nossa equipe?

Não apenas para alguns de nós, mas para todos nós.

Das grandes agências que lutaram com as pressões o ano todo para manter os grandes navios navegando; até pequenas start-ups que tiveram que rascunhar e brigar os 12 meses para subir cada degrau.

De jovens criativos a clientes senior (e todos entre eles). Calor, frio, pequeno ou grande, propaganda em 2010 não foi para os tímidos, e há poucas evidências de que será mais fácil quando retornarmos.

Então, deixe-nos conceder um único pedido para o Ano Novo: pelo amor de deus, vamos nos divertir mais.

Sim, vestidos.

Ao menos, parcialmente.

Feliz 2011

Droga5

Algumas pessoas estão na terrível área de ter que criar algo todo dia. São escritores, designers, publicitários, marqueteiros, desenhistas e outros profissionais que precisam de um combustível valioso para desempenhar as suas funções: criatividade. E depender da criatividade é um problema porque você nunca sabe se vai acordar com ela no dia seguinte.

Basta uma rápida busca pelo Google para encontrar um zilhão de artigos sobre criatividade, como estimulá-la, pensar fora da caixa e romper o temido bloqueio mental — que torna o cérebro infértil  de ideias — e faz profissionais passarem horas olhando para o teto e se sentindo um lixo.

Criatividade é um assunto que me fascina. Primeiro porque eu morro de medo de sentar em frente do computador e não conseguir escrever. Segundo, porque é um assunto ainda hoje misterioso até para a ciência. O que se sabe é que o lado-direito do cérebro é o mais importante quando o assunto é criatividade, arte e inovação; que pessoas com maior bagagem cultural são mais criativos; que é preciso ser crítico e ter a cabeça aberta. Fato é que algumas dicas de como estimular a criatividade são universais como: dormir bem, estar com a cabeça livre, trabalhar em uma sala ampla e confortável, dar tempo ao cérebro e ter muitas, muitas ideias. Até um video “How to” (“como fazer”) explica como estimular o processo criativo em 5 etapas:

  1. Durma bem
  2. Exercite-se
  3. Devaneie
  4. Aprenda algo sempre (seja curioso)
  5. Anote

O problema é que apesar de toda a literatura sobre o assunto, dicas de profissionais e estudos; você nunca conseguirá ser uma máquina de ideias 365 dias por ano, 24 horas por dia. Então o que se faz? Bom, você pode ir dar uma volta, tirar um cochilo ou pode sentar na mesa e tentar criar algo na marra. Mas a menos que você trabalhe por conta própria, a única opção que lhe resta é forçar o nascimento de ideias. Como disse o escritor Jack London — que diz a lenda escrevia 1.000 palavras todos os dias como forma de exercitar –,  “você não pode esperar pela inspiração, tem que ir atrás dela com um tacape”. Eu diria com um lápis bem afiado ou um editor de texto bem aberto.

Há tempos eu me pergunto como Scott Adams (e outros cartunistas) consegue criar uma tira nova todo o dia, de segunda a domingo há 20 anos. Ele deu uma luz em um artigo publicado no The Wall Street Journal e revelou um de seus truques de criação chamado “a versão ruim”.

Quando Scott Adams trabalhava escrevendo roteiros de programas de TV, ele aprendeu essa técnica que ajudava na criação. Às vezes você sabe que a sua ideia tem grande potencial, mas não sabe como desenvolvê-la. É como ter um diamante na mão, sem ter como polir. Não vale quase nada. Para resolver esse problema, os escritores escreviam versões absurdas a partir de uma ideia central e iam melhorando depois a cada nova versão. Isso também ajudava os outros a visualizarem a ideia e contribuirem para sua melhoria. Por exemplo, se o personagem estava preso em uma ilha, a versão ruim seria escapar de lá com a ajuda de macacos que construiriam um helicóptero de folhas de palmeiras e coco. Absurdo total, mas faz sentido.

As pessoas podem não criar nada, mas elas criticam tudo. As falas da novela, o anúncio do jornal, a nova embalagem de um novo produto e juram que entendem mais de futebol do que o técnico. A premissa dessa técnica gira em torno disso. A partir de algo ruim, pode-se chegar a algo muito bom. Tente!

Enfim, o mercado de tablets começa a ficar realmente interessante. Com praticamente 17 milhões de unidades vendidas em 2010 e a expectativa de vender 50 milhões em 2011, apenas 3 milhões dos tablets vendidos no ano passado não eram Apple.

Parece incrível, mas ninguém conseguiu prever que os tablets seriam o que os americanos chamam de “the next big thing”.  A empresa de Steve Jobs conseguiu dominar o mercado com uma facilidade invejável, fez o que todo grande estrategista de marketing quer: criar uma categoria, ser o primeiro (ou pelo menos ser percebido como tal). Dell, RIM, Samsung e outras ainda estão tentando correr atrás do tempo perdido, mas para quem entende um pouco de marketing sabe o quanto isso é difícil. A primeira a entrar no jogo — e com armamento pesado — foi a Samsung com seu Galaxy Tab.

Hoje, quem visitou as principais lojas virtuais brasileiras viu alguma propaganda do tablet da Samsung.  7 polegadas e rodando Android, o tablet da Samsung –que entrou no mercado no final do ano passado–  teve um destaque impressionante (impressionante também pelo preço R$300 mais caro que o líder de mercado).

Ainda é cedo para dizer se a Samsung conseguirá uma boa fatia do mercado de tablets como fez com celulares e televisores. A estimativa é que tenham sido vendidos quase 2 milhões de unidades em 2 meses, o que elevou a presença do sistema Android de 13% para 22% em apenas um mês. Sabemos que as empresas coreanas não são de brincadeira, assim como a Hyundai, a Samsung sempre chega de mansinho e consegue se estabelecer com produtos de alta qualidade, ótimo preço e grande volume de vendas.

Em 2011 não será diferente, a coreana vai investir 18% mais do que o ano passado, e parece que já conseguimos sentir aqui no mercado brasileiro. Vejam abaixo como a marca esteve presente nas principais lojas brasileiras.

Apesar do futebol americano ser praticado muito pouco fora dos Estados Unidos, o mercado publicitário do mundo todo se volta para o campeonato nacional. Especificamente a final do campeonato, cujo espaço publicitário é o mais caro do mundo. Por isso, todos os anos em fevereiro, os publicitários ficam de olho nos comerciais que julga-se ser o ápice da criatividade global.

Considerando que o mercado publicitário mudou mais nos últimos 10 anos do que nos 20 anteriores e que a TV aberta vem perdendo espaço a cada dia, isso torna o Super Bowl um evento ainda mais interessante. Por isso, resolvi listar algumas curiosidades do programa/evento mais assistido na história da televisão mundial.

  1. Nos últimos 10 anos, o tempo de publicidade em cada jogo aumentou 27%
  2. Na última edição do Super Bowl foram veiculados 104 comerciais, contra 82 em 2001.
  3. Em 2001, um jogo tinha aproximadamente 40 minutos de comerciais (uma partida dura 60 minutos não-corridos). Em 2010, a final do Super Bowl  teve 47 minutos e 50 segundos de propaganda.
  4. Quem assistiu os 10 últimos Super Bowl assistiu um total de 425 minutos de comercial.
  5. Em 2001, uma inserção de 30s custava cerca de $2,2 milhões. Em 2009, o preço chegou a $3 milhões.
  6. O mercado automobilístico é o que mais anuncia. Seguido por cerveja, refrigerante e filmes.
  7. O maior anunciante é a Anheuser-Busch. Entre 2001 e 2010, a mega-companhia de cerveja já investiu $235 milhões de dólares.
  8. Os jogos também contribuem para a audiência da emissora. O episódio de Friends com maior audiência entre os 236 gravados foi “Aquele depois do Super Bowl”, exibido pela 1ª vez no dia 28 de janeiro, logo após a final do famoso campeonato.

Fonte: BrandWeek

Uma das coisas mais fascinantes de se trabalhar com marketing e comunicação é que você trabalha com um universo de possibilidades enorme e nunca uma ação é igual a outra — a menos que você queira. São tantas opções, tantas ferramentas, tantas maneiras de fazer a mesma coisa diferente e ainda assim alcançar os objetivos.

Por essa razão que o pessoal do marketing e publicitários são vistos com “esquisitos” pelo mundo corporativo, porque são os que “pensam fora da caixa” com maior frequência. Aliás, isso é um requisito para trabalhar nessa área.

Os departamentos de marketing têm à disposição dezenas (talvez algumas centenas) de ferramentas que podem utilizar para promover um produto, lançar uma marca, espalhar uma ideia ou seja lá o que for. Para ajudar a vislumbrar esse universo, selecionei 153 coisas que impactam o público — interno e externo — e causam alguma impressão. Vale ressaltar, que essa impressão pode ser tanto negativa quanto positiva (cuidado!)  e uma boa execução é tão importante quanto decidir o que fazer. A lista é um pouco caótica, mas é um bom começo para o planejamento de marketing.

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Essência

Use a essência do produto. Demonstre sua principal vantagem com palavras simples e claras. É tanto tangível como memorável.

O produto é a mensagem

Sempre que possível, use o produto como protagonista em cena, não apenas uma mercadoria. Isso se provou um método tremendamente eficiente em fazer as pessoas lembrarem dele. Porque o elemento provocante da propaganda é também o elemento que vende o seu produto. Isso é algo tão simples, e tão difícil se executar.

Unicidade

Texto e arte devem estar completamente integrados. Eles devem ser concebidos como uma coisa só, desenvolvidos como uma coisa só.

Personalidade

Propaganda deve possuir vitalidade. Essa exuberância é às vezes chamada de “personalidade”. Quando a propaganda tem uma personalidade, ela é persuasivamente diferente; e é única em comparação às outras. Você deve lutar para conseguir por “vida” na sua propaganda.

Esqueça os adornos

É um pouco menos do que inútil usar o chamadogimmickna publicidade — a não ser que o próprio gimmick conte a história [do produto].

Honestidade

Fale a verdade. Primeiro, porque é um grande gimmick. Segundo, porque você vai pro céu. Terceiro, porque gira o estoque uma vez que as pessoas irão confiar em você.

Relevância

Seja relevante. A mais linda execução criativa irá render um grande “E daí?” se não fizer sentido na vida, família, trabalho, etc. Sempre prefira um anúncio relevante a outro excitante, porém irrelevante.

Direto

Seja simples. Não bobo, mas decidido [concentre-se em uma coisa por vez]. Quem tem tempo ou desejo de ouvir/ver propaganda?

Ousadia

Ideias seguras podem lhe matar. Se já fou feito antes, seus concorrentes estarão prontos para elas. Sua única chance de ganhar a disputa é como algo que nunca foi feito antes. O que significa que nem você já viu antes. Seja corajoso!

Apareça

Projete-se. Se ninguém souber da sua campanha, tudo foi desperdiçado [dinheiro, tempo, oportunidade, etc].

Fonte: Branding Strategy Insider