A melhor turma de qualquer escola é aquela em que os alunos se dedicam a absorver tudo que o professor tem para dar; e ele se esforça para repassar o máximo de conhecimento e experiência que possa ajudar no sucesso do aluno. Estamos em 2010, rodeado de tecnologia e novos paradigmas, mas ainda existem limites. E um desses limites é  saber o seu lugar e até pode ir. O cliente não tem  mais sempre razão, o professor não mais sabe tudo, mas algo que não mudou é que todos precisam se respeitar.

Hoje, lendo o jornal li em letras miúdas no alto de um anúncio de automóveis: “Anúncio conforme orientação do anunciante”. Como se não bastasse a quantidade de texto excessivo, as miudezas também não param de aumentar.

Muitos clientes têm a desastrosa ideia de que sabem como fazer um bom anúncio. Para piorar, muitas agências têm a inconsequente complacência de aceitar isso. A maioria a contra-gosto, é verdade, mas isso não basta. As agências devem se colocar no lugar de agência de publicidade. Isso envolve um bom atendimento, planejamento, mídia e criação. Não é layoutista, não é venda de mídia. Porque, se for, não há necessidade de contratar uma agência.

Em algumas agências em que trabalhei, isso era algo comum. A exceção virara regra e se gastava muito tempo refazendo, reaprovando, reenviando. Era, sem dúvida, uma relação perde-perde. A agência perdia tempo, paciência e qualquer empolgação que existia no começo daquele job. O anunciante perdia criatividade, prazo e diminuía as chances de qualquer campanha dar certo.

Embora aconteça com muita frequência, publicidade não funciona à la carte. O cliente não entra e pede:

— 2 anúncios meia-página na edição de segunda, 50 spots determinados e uma inserção no Jornal Nacional. Algo bem colorido e alegre, ok? Depois me envia por e-mail.

— Ok senhor, estou imprimindo a fatura, só um segundo.

Simplesmente não é assim que funciona. Ao contratar uma agência, o cliente compra ideias, lembrança de marca, exposição, engajamento; em outras palavras: soluções. Quer fazer um folder? Contrate um freelancer, com certeza ele cobrará menos (e não com menos qualidade). Infelizmente, muitos donos de agências se preocupam mais com sua conta bancária do que criar peças criativas e que gerem resultado para o cliente.

É certo que existem muitas agências de qualidade duvidosa no mercado. Mas isso é inevitável. Assim como sempre vai existir profissionais ruins, sempre existirá clientes ruins. Mas imagino que ninguém aqui queira fazer parte desse grupo, certo?

Os clientes podem matar uma agência de propaganda, nutrindo agências sem graça e que não aparecem. Claro, o problema também é delas que permitem ser comandada pelos clientes. As melhores agências do mundo sabem se impor; não deixando que clientes comprometam a qualidade do seu trabalho. Afinal, é o nome da agência que vai assinar aquela peça. E mesmo que não assine (como algumas agências fazem ou fazem como a imagem), todo mundo sabe. Nem um mercado tem mais “panela” que o publicitário. Todo mundo se conhece.

O mundo realmente mudou. As (boas) empresas aprenderam a dar atenção aos bons clientes e ignorar os maus. Como li uma vez no livro Experiência Starbucks: “Líderes precisam aprender a diferenciar clientes que querem ter suas preocupações resolvidas daqueles que nunca param de reclamar e nunca estão satisfeitos”. As (boas) empresas buscam ensinar seus clientes, são ativas não reativas. Agências de publicidade também são empresas — B2B, onde o relacionamento é fundamental.

Os melhores resultados são alcançados com o trabalho em equipe, se a agência e cliente não formam uma equipe, então está na hora de repensar tudo. Conversar é a melhor maneira de acertar a relação, e por incrível que pareça muitos profissionais de dentro das empresas admiram pessoas com opiniões fortes e que transmitem segurança. DR é algo chato, mas necessário. Tente conversar, se a outra parte não quiser ouvir, o melhor a fazer é partir para outra.

Quando um cliente vai até uma agência querendo “fazer propaganda”, geralmente, ele tem uma coisa em mente: vender mais. No entanto, vender mais não é a função da propaganda. O que a empresa deve ter em mente ao contratar uma agência é que mais pessoas vão considerar comprar o seu produto. Simples assim. Mas bastante difícil em um mundo com tantas opções. Propaganda nenhuma vende um produto se quando o consumidor chegar pra comprar, está em falta, é mais caro do que ele pensava, a embalagem é frágil, o atendimento é fraco, etc. A propaganda leva o consumidor  até a marca, mas é ele quem passa o cartão no final das contas.

A frase favorita dos antigos publicitários é “quem não é visto, não é lembrado”. Isso vem de muito tempo atrás quando, para ser conhecida, a marca precisava anunciar e, claro, quem anunciava estava muito a frente daquelas que não investiam (ou investiam pouco) em propaganda. A frase não perdeu sua veracidade. “Lembrar” ainda é um dos principais objetivos da publicidade. O que nos leva ao famoso recall — o índice de lembrança que uma pessoa tem de uma determinada marca. É algo importantíssimo para a propaganda, mas que parece ter se perdido com o passar do tempo, quando agências de publicidade (veículos também) começaram a surgir de todos os cantos. Todo mundo pode anunciar hoje, mas poucos, muito poucos permanecem na mente.

Cerca de 60% dos comerciais vistos na década de 60 eram lembrados. Em 2007, a taxa se aproximou a zero — algo em torno de 2%. O que as empresas que investem rios de dinheiro em marketing podem fazer para evitar isso? Dan Hill, autor dos livros “Face Time” e “Emotionomics” deu as direções com base em seus estudos e anos de experiência estudando consumidores e a publicidade.

Use a simplicidade

O cérebro humano automaticamente discarta informações que ele não decodifica ou não precisa a fim de evitar a sobrecarga. O  homem contemporâneo tem hoje aos 20 anos a quantidade de informação que um sexagenário possuia 2 séculos atrás. Isso significa que a quantidade de informação diária é absurda! Ficaríamos loucos se absorvêssemos tudo.  A propaganda deve ser simples, mas não óbvia. E isso vale tanto para texto como para arte.

Engajamento emocional

Para aumentar a lembrança, o consumidor precisa se envolver emocionalmente, isso nada mais é que engajamento emocional. É difícil lembrar de algo que você não concorda, não gosta ou não se interessa. A palavra-chave para se conseguir isso é: relevância. Outro ponto importante é conhecer bem o seu público e com quem você está falando. Anúncios que vendem pra todo mundo costumam ser um fracasso nesse ponto.

Crie  associações familiares

Estudos demonstram que a memória funciona com base na quantidade que uma informação nova é associada a informações já gravadas na mente. Isso talvez explique porque os anúncios de hoje retratam pessoas mais comuns em situações do cotidiano, ao invés de super-humanos felizes, loiros de olhos azuis em cenários paradisíacos como costumava ser antigamente.

Repetição funciona

Quando dois neurônios são ativados juntos, eles se conectam. Mas como nenhuma empresa anuncia o quanto gostaria devido ao alto custo, as agências precisam usar outros meios para criar campanhas boas e que gravem na mente sem ter que veicular 20 vezes por dia.

“Novo!”

As pessoas adoram novidades. Criar algo novo é sempre mais uma oportunidade de estimular o boca a boca. Um bom comercial, por melhor que seja, só pode ser compartilhado uma vez. Coisas novas são motivos para que elas falem mais do mesmo.

Mudanças são oportunidades

Ou problemas. De qualquer forma, elas são mais um recurso a ser explorado pela publicidade. Assim como as novidades, mudanças dão o que falar, além de ser uma chance de trazer clientes novos ou fazerem as pessoas mudarem de ideia.

[Quem se interessou, pode ler o artigo traduzido de Dan Hill em PDF aqui.]

O marketing franco

11 de agosto de 2010 • TEMAS: Propaganda / / /

Qual a melhor maneira de provar pro consumidor que você tem o melhor produto para ele? Se cada leitor deste artigo deixasse sua opinião, estou quase certo que cada resposta seria diferente da outra e nenhuma diria para comparar com a concorrência. Esse é o jeito mais simples, mas não é o jeito que o brasileiro faz publicidade.

Por algum motivo, os brasileiros não gostam de propaganda comparativa. Ao invés disso, as campanhas brasileiras comparam sem dar nome. Isso não é uma crítica, é apenas o jeito como as coisas acontecem aqui.

Já os americanos adoram. O interessante é que nenhuma marca parece colher resultados negativos de suas campanhas provocantes, pelo contrário, são bastante divertidas. Tivemos o caso da Coca x Pepsi (que recentemente fez um remake de um comercial clássico), do McDonald’s  x Burger King e o mais recente PC x Mac. O que era pra ser apenas uma campanha, ganhou proporções épicas. A Apple bate na tecla de que o PC é antiquado e problemático;  já a Microsoft defende a praticidade do PC.

O mais novo recurso da Microsoft na guerra (saudável) contra a Apple é o hotsite PC vs Mac — nos mesmos moldes do “Why Mac?”, onde a Apple lista os motivos pra você deixar o seu PC. Cada uma fala o que pensa e o consumidor toma sua própria decisão.

Vejamos os principais argumentos de vendas das duas marcas:

As armas da Apple

  • É mais bonito e resistente
  • Excelente suporte técnico
  • Já vem com os principais softwares que você precisa
  • Possui ótima configuração
  • Menos vírus (já que a maioria é desenvolvido pra PC)

As armas do PC

  • É mais fácil de conectar a dispositivos (TV, projetores, videogame)
  • Você não precisa reaprender já que sempre usou Windows
  • Possui recurso touchscreen
  • É melhor pra se trabalhar e compartilhar arquivos
  • É compatível com tudo
  • Vem com blu-ray

Acho interessante essa estratégia de comunicação e, sem dúvida nenhuma, é útil para o consumidor. Ela também é mais sutil que a rivalidade entre Coca e Pepsi, focando-se nas características do produto. É uma estratégia agressiva, mas que pode ser considerada quando a maior parte do mercado está nsa mãos de 2 empresas (e você é  uma delas, claro), ou se tem praticamente um único concorrente direto.

Sem saber se a real origem da expressão “Mad Men” veio da série de televisão, Mad Men se tornou uma expressão comum nos Estados Unidos para designar os poderosos homens da publicidade.

A partir de 1950, a publicidade começou a ganhar um espaço vital na estratégia de vendas das empresas que desfrutavam de um cenário econômico extremamente positivo no pós-guerra. Além disso, conforme a televisão se popularizava, mais a publicidade crescia. O retorno para o cliente era certo porque todo mundo assistia e o mais importante: acreditava. Foi essa conjuntura que criou homens como David Ogilvy, Bill Bernbach e Helmut Krone; verdadeiras lendas da história da propaganda. Indo além, é possível dizer que grande parte do sucesso dos grandes grupos de comunicação se deve às agências de publicidade; que cresceram fortes devido aos massivos investimentos publicitários.

Então, dá pra ter uma noção do poder que esses caras tinham nas décadas de 60, 70 e 80. A expressão Mad Men veio de Madison Avenue — ou seja, os Homens da Madison (a mais famosa avenida de Nova York). Um trocadilho entre Madison, Mad (louco) e Ad (abreviação de advertising, também usado pra designar um anúncio impresso).  Essa é uma definição um pouco mais elaborada da mostrada no 1º episódio da série de TV.

Os Homens da Madison não eram exatamente exemplos da sociedade; bebiam muito, faziam festas, fumavam como chaminés e aproveitavam o que a vida tinha de melhor naquela época — e que podia ser comprado com status e dinheiro. Era um estilo de vida.

Nas últimas 2 décadas, com o surgimento de outras ferramentas, a publicidade perdeu um pouco o seu glamour e os Mad Men foram desaparecendo. Com certeza ainda existem uns por aí, mas certamente eles estão em extinção.

#5 O que você diz é importante, mas como você diz é ainda mais.

O produtor musical é para a música o que uma agência de publicidade é para uma marca. Um talentoso compositor, multi-instrumentalista com bom timbre vocal pode nunca alcançar o sucesso sem um produtor experiente. Isso porque ele entende de música, não de mercado. O produtor musical sabe o que o público gosta, tem sólidos conhecimentos musicais, e é capaz de dar a um artista um estilo próprio, criar uma identidade que aumentará suas chances de dar certo.

É mais fácil um músico razoável alcançar o sucesso com um ótimo produtor, do que um talentoso artista que tenta sozinho. Na comunicação não é diferente. É bom ter conteúdo, mas é preciso saber como mostrá-lo ao público.

Tenho receio ao dizer isso em uma época em que muitas empresas estão vendendo gato por lebre. Importante: Dar atenção à forma não significa dar menos atenção ao conteúdo. É preciso que a mensagem valha realmente à pena pro consumidor, tem que ser relevante. Aí sim, uma mensagem relevante, bem feita, em um canal eficiente faz a diferença.

Contratar um bom profissional de marketing ou uma agência de publicidade competente é algo que todas as empresas precisam. São esses caras que ajudam fortalecer marcas, vender mais e a criar envolvimento com os consumidores. Eles sabem o que dizer e como dizer (se não sabe, contrate outro). Eles unem o que se tem (produto) com o que se precisa ter (mercado). É triste ver empresas com bons produtos ou atendimento acima da média fazendo uma publicidade fraca e que não corresponde à qualidade da empresa.

Uma rima, uma nota, um instrumento a mais pode tornar uma música um sucesso. Detalhes? Música e marketing são duas áreas onde os  “detalhes” são as partes mais importantes. Encantar o cliente ou o emocionar o ouvinte são as duas maiores conquistas. Saber o que dizer é crucial, mas o como é que vai determinar o sucesso.

O futuro da publicidade

23 de julho de 2010 • TEMAS: Propaganda / /

Por John Winsor, publicitário que deixou o cargo de diretor executivo da Crispin, Porter + Bogusky para abrir sua própria agência, a Victor & Spoils. Focado em estratégia e inovação de produtos, escreveu os livros “Baked In” junto com Alex Bogusky e  “Flipped”.

Ano passado, eu escrevi um artigo para a Business Week. Na época, o assunto era puramente retórico. Mas em conversas posteriores, ficou claro que a resposta era sonoro “NÃO”.

Aquilo me incentivou a deixar meu emprego como diretor executivo de estratégia e inovação na agência Crispin, Porter + Bogusky para ser co-fundador da Victors & Spoils, uma agência de publicidade baseada nos princípios de crowdsourcing. Agora, eu estou no centro da discussão sobre o futuro da publicidade, design e marketing.

Em 7 meses, nós tivemos a oportunidade de trabalhar com tudo, TV, rádio e gestão de marca, incluindo digital e social media, design de produto, design de serviço e design gráfico. Fizemos projetos para clientes como General Mills e Virgin, outros que não posso revelar do mercado financeiro, restaurantes fast-food e bens de consumo. Enquanto continuamos a explorar o desconhecido, aprendemos diariamente.

Aqui estão alguns dos mais importantes insights que adquirimos até agora:

O modelo está quebrado

Publicidade é uma questão de relacionamentos, e o coração da relação agência-cliente é confiança. Essa confiança tem se deteriorado devido à falta de transparência e, frequentemente, resistência à mudança. Nos últimos meses, passei  muito tempo com os diretores de marketing das maiores empresas dos Estados Unidos. O assunto é sério. Eles me contaram casos de agência cobrando $10.000 por segundo de edição de um vídeo que iria pro YouTube, $1.000 por uma lâmina de apresentação e $25.000 para banners de eventos; má-vontade em colaborar; e uma série de cobranças para bancar festas e viagens.

Em algum momento, as grandes agências se tornaram estilo de vida. Mas clientes, que querem o melhor trabalho criativo, não querem mais pagar por isso. E eles estão percebendo que não precisam. Agências inteligentes precisam adaptar seu modelo de negócios e rápido! Ou eles não terão a oportunidade de reconstruir essas relações.

O mundo é o seu departamento de criação

O sistema antigo em que agências empregam alguns times de criação tendo ideias para  atender a demanda de jobs simplesmente não faz sentido na era digital, onde ideias podem e devem vir de todo lugar. As ferramentas digitais podem ser usadas para dar estimular a criatividade sem fronteiras, e isso pode ser feito com o mínimo de infra-estrutura. É um vitória pro cliente, por obter ideias diversificadas. É uma vitória para os criativos, já que não são vinculados a contas específicas.

Escolha a plataforma certa

Colaboração em massa, co-criação e crowdsourcing estão se tornando veículos muito importantes para clientes que buscam engajar consumidores com suas marcas. Nossa última contagem, contabilizou mais de 100 plataformas crowdsourcing disponíveis algum tipo de trabalho de marketing ou design. Escolher a certa é a chave. Há diversos fatores pra se levar em conta,  como quem são, como se paga o talento ou como se lida com propriedade intelectual.  Muitas vezes, o sucesso só vem quando você desmembra um grande projeto em pequenas partes e usa diversas plataformas (com diferentes tipos de pessoas). Em geral, para se obter mais ideias, é melhor combinar pequenas plataformas privadas (conhecidas como “expertsourcing”) — onde todos envolvidos no projeto assinam um contrato de sigilo— com plataformas maiores (crowdsourcing).

Mantenha o envolvimento

Em qualquer cargo de liderança, a chave é se manter envolvido. É ainda mais crítico quando se trata de gerenciar pessoas à distância. Hoje em dia, ninguém mais precisa mudar pra cidade certa ou trabalhar na empresa certa pra participar. As pessoas podem trabalhar onde quiserem e o quanto quiserem. Ao reunir pessoas para um trabalho criativo, todo participante precisa de direção e feedback. É mais fácil dizer do que fazer. Mas esse é o grande motivo pelo qual as pessoas se envolvem – e gerir tanto as expectativas como as recompensas é o único jeito desse tipo de negócio dar certo no longo-prazo.

Ajude clientes a encarar o desafio da inovação

Clientes precisam de soluções que ajudem suas marcas engajarem consumidores e obter os resultados necessários para que levem a estratégia de marketing adiante. Entretanto, plataformas crowdsourcing têm se mostrado difíceis de administrar para muitos clientes. Em um projeto recente que criamos, recebemos 3300 designs. A quantidade de soluções possíveis que o projeto originou e o esforço para se manter dentro da estratégia da marca pode ser gigante. Critérios e direção criativa são a chave para ajudar clientes a inovar.

Um ano depois do artigo, a resposta continua sendo “não”. Tantas agências continuam sem fazer parte de uma nova realidade. Com o mundo cada vez mais conectado digitalmente, devíamos celebrar o fato de que ideias de marketing e publicidade estão vindo de todos os lugares. Para mim, é inspirador ver a evolução radical que a indústria está vivendo e ver mais pessoas fazendo parte do que uma vez foi uma grande “panelinha”. O novo mundo pode ser assustador para pessoas que ainda trabalham no modelo antigo. Nós entendemos isso. Mudança assusta. Mas a realidade também.

[Artigo traduzido do original "The Future of Advertising"]

Vivemos uma época onde credibilidade é tudo nos negócios. As coisas mudaram significativamente nas últimas 2 décadas, obrigando empresas a diversificarem seus canais de comunicação. Está cada vez mais difícil ver uma campanha publicitária ser bem-sucedida utilizando apenas um meio de comunicação.

Foi essa mudança que levou a função do planejamento nas agências ao posto de “a menina dos olhos da publicidade”  (no bom sentido). O planejamento trouxe para ass agências uma visão mais holística da comunicação, criando peças publicitárias que se complementassem, abrangendo diversos meios, veículos, utilizando várias ferramentas, isso tudo sem perder o foco e da maneira mais integrada possível. A função do planejamento é um grande exemplo de que as agências de publicidade mudaram.

As agências tiveram que mudar para acompanhar o comportamento do consumidor, cada vez mais desconfiado e incrédulo. Se antes, ver o nosso ator favorito vendendo um produto nos fazia comprar, agora isso não funciona mais. Os consumidores chegaram a um nível de complexidade tão grande, que o marketing tem usado cada vez mais a ciência pra descobrir o que ele gosta e o que ele quer. Muitas empresas contruíram uma ótima reputação investindo quase nada em publicidade e muito na experiência do consumidor. Não que essas empresas não fizessem propaganda, elas fazem, mas sem pagar por isso.

Em outras palavras, eu diria que o maior desafio da publicidade hoje é aumentar a credibilidade da marca, não persuadir. Alguns executivos perceberam isso há muito tempo como o sábio Comandante Rolim, enquanto algumas agências (menores) ainda hoje não entenderam a nova regra do jogo.

“Não importa o quão habilidoso você seja, não se pode inventar uma vantagem que não existe. E se você fizer, será apenas um adereço, porque irá cair de qualquer forma.” (Bill Bernbach)

“O que o cliente vê vale mais do que o que você fala.” (Comandante Rolim, ex-presidente da TAM)

Credibilidade é tudo, e a publicidade deve ser usada parar gerar confiança — não para espalhar que a sua empresa tem um péssimo atendimento ou que seu produto não funciona como anunciado.

A publicidade é uma poderosa ferramenta, crucial para a maioria das empresas, mas muitas empresas não sabe usá-la adequadamente. Como qualquer ferramenta, ela tem a dose certa. Anunciar muito não vai resolver seu problema (ou vai, mas vai criar outro com o departamento financeiro) e anunciar muito pouco talvez não gere o resultado esperado. Então, quanto é o suficiente? Não se sabe, mas segundo a pesquisa TrustBarometer, feita pela Edelman em 2009, eis a direção:

A pesquisa que entrevistou pessoas de 25 a 64 anos em 20 países, e perguntou o seguinte: “Em geral, quantas vezes você precisa ouvir algo sobre  uma marca/empresa pra acreditar que aquilo é verdadeiro?”

A resposta, como você pode ver, é de 3 a 5 vezes. Se alguém ouve uma ou duas vezes, não leva a sério. Se ouve/vê mais de 6 vezes, começa a ficar incomodado. NOTA: de fontes diferentes! Ou seja, não é ouvir 5 vezes o mesmo spot de rádio, mas uma vez no rádio, outra alguém comentando no Twitter, outra a opinião de amigo, outra em um banner de internet, etc. NOTA 2: não é pra gerar lembrança, mas confiança.

Neste novo modelo de comunicação, as empresas não são as únicas a falar. Os comunicadores (consumidores que espalham a mensagem) são peças fundamentais para divulgar e sedimentar o que as “empresas falam”. Malcolm Gladwell chamou isso de “a cola social”. O marketing além de definir o que dizer, também deve se preocupar em estimular os consumidores a replicar essas mensagens.

Não é preciso gastar rios de dinheiro nem insistir sempre na mesma coisa, você não vai conseguir nada na base da insistência. Ao invés, ofereça uma ótima experiência pro cliente (seja no atendimento, embalagem, produto, uso) e crie mensagens relevantes e verdadeiras a respeito disso. A quantidade certa o bom-senso dirá. Não muito a ponto de irritar as pessoas nem tão pouco que a mensagem não atinja o seu público. Se for pra exagerar, que sejam os comunicadores, não a sua empresa.

Hoje, com um post minimalista. Porque propaganda não precisa ser óbvia, precisa ser inteligente.

Subaru

Peugeot 307 SW Compact:“Assistência de frenagem de emergência”

Land Rover:“Defender” / “Vá além”

Smart

Fiat Stilo:“Veja o que realmente esta lá.” (faróis de xenon)

Audi:“O mais eficiente dos Audis.”

Mercedes:“Use em profundidade. Nova Sprinter com 7.3m de comprimento.”

Peugeot:“Chega de voltas. GPS a bordo.”

Volkswagen:“Fox. Pequeno por fora. Grande por dentro.”

Mercedes:“Neve em casa. 4MATIC. O 4×4 permanente da Mercedes-Benz.”

Volvo:“A Volvo apóia o Dia Mundial Sem Carro europeu.”

Os melhores slogans do mundo

3 de junho de 2010 • TEMAS: Marketing / Propaganda /

A nossa vida está cheia de marcas, slogans, jingles, VTs e outras coisas que os publicitários criam para inserir as empresas dentro do nosso cotidiano. E não é uma tarefa fácil. De milhares criados, apenas um punhado deles entram na nossa vida como se fosse qualquer coisa, menos propaganda. Como se aquele comercial fosse o nosso programa favorito, aquele produto o nosso melhor amigo ou aquele slogan o nosso lema.

Slogan é uma das coisas mais memoráveis que uma marca pode ter, você pode criar uma campanha inesquecível, mas não pode usá-la para sempre, o slogan sim. E os melhores slogans parecem levar anos até “pegar”. É o que vocês verão na lista dos melhores slogans do mundo na opinião dos diretores de marketing de empresas como HP, Kimberly-Clark, Best Buy, Xerox e mais alguns publicitários.


BMW – Antes do novo slogan “Joy”, BMW era conhecida no mundo inteiro como “The Ultimate Driving Machine”. O slogan foi criado pela agência Ammirati & Puris em 1971 antes da marca assumir a liderança e até hoje é a frase mais associada à montadora alemã.


NIKE – Não é comum ver três palavrinhas serem tão importantes para o sucesso de uma empresa, mas “Just Do It”, criada pela agência Wieden + Kennedy em 1988 é um dos slogans mais conhecidos e citados do mundo. Das quadras de basquete do Brooklyn às grandes ligas da NBA, “Just do It” reina como a frase Nº1 da motivação.


MC DONALD’S – O famoso slogan expressa a importância de uma recompensa em um dia estressante de trabalho. Criada em 1971, pela agência Needham, Harper & Steers, e levando em consideração que o McDonald’s teve inúmeros slogans de lá pra cá, “You Deserve a Break Today” é um dos mais fáceis de se lembrar mesmo depois de muitos anos.


AVIS – Às vezes se menosprezar pode levá-lo muito longe — a menos era o que pensava a Avis quando introduziu seu slogan “We Try Harder”, em 1963. Criada pela DDB, o slogan — junto com a campanha — foi uma das razões que fez a Avis fechar o primeiro ano com lucro após 30 anos.


CALIFORNIA MILK PROCESSOR – Criada pela Goodby, Silverstein & Partners em 1993, o slogan “Got Milk” atravessou o mundo, tanto que aqui no Brasil conhecemos. A ação foi criada para elevar as vendas de leite que sofreram forte na Califórnia na década de 90. Inúmeras celebridades participaram da campanha e ficaram ainda mais famosas com seu bigodinho de leite.


DE BEERS – Como o próprio diamante, esse slogan provavelmente durará pra sempre. Criada por uma agência de Philadelphia em 1944, o slogan ficou famoso em todas as camadas sociais e se tornou “pop”. Uma variação da frase deu nome a um dos filmes de James Bond, “Os Diamantes São Eternos”.


APPLE – Embora hoje a Apple seja vista como uma empresa altamente inovadora, em 1997, as coisas eram um pouco diferentes. Steve Jobs tinha acabado de voltar para a companhia e estava tentando revitalizar a empresa. A agência Chiat/Day agarrou o desafio e criou o “Pense Diferente”. Jobs gostou da ideia, e em setembro de 1997 a campanha foi ar pela primeira vez.


MASTERCARD – Com consumidores começando a escolher outros cartões, a MasterCard solicitou a McCann Erickson em outubro de 1997 que a colocasse de volta na briga. Embora tenha havido algumas modificações nas campanhas “Não tem preço”, a mensagem continua a mesma. A MasterCard pode ter colocado muito dinheiro nessa campanha e em seu slogan, mas e o resultado? Não tem preço.


AMERICAN EXPRESS – Situação: Você está no seu restaurante pronto pra pagar seu jantar e quando se dá conta que esqueceu o dinheiro. Em 1975, o lendário David Ogilvy criou a frase “Don’t Leave Home Without It” (“Não saia de casa sem ele”). A campanha usou voz de homens de credibilidade nos EUA e na Inglaterra.

Fonte

Em um mundo perfeito, um produto sempre tem demanda,  os consumidores são felizes e toda publicidade gera um aumento de vendas maior que o investimento. Em um mundo perfeito, todos os graduados são bons profissionais, as pessoas trabalham por prazer, chefes são líderes natos e os consumidores fazem o que a propaganda diz pra elas fazerem.  Embora o mundo perfeito não exista, muitos profissionais parecem viver nele.

Se hoje eu tenho alguma imaginação, em parte se deve a desenhos como O Fantástico Mundo de Bobby — o garoto que viajava por vários lugares e fazia milhares de coisas bacanas sem sequer atravessar a porta de casa em seu triciclo. Bobby via o que queria ver e lidava com as situações do seu próprio jeito e  tudo terminava bem, afinal, ele estava dentro da sua própria mente.

Todos nós temos um pouco de Bobby, quando a nossa mente interfere na nossa forma de ver o mundo. Os consumidores criam expectativas, têm anseios (que esperam que as marcas atendam), interpretam tudo que vêem (filtros) e vivem formando preconceitos. Bobby podia não se dar conta disso, mas Howie — o personagem humano do desenho — sim.

Como profissionais, precisamos ser mais Howie do que Bobby. Não importa o que sua propaganda diz, o consumidor sempre absorvirá a mensagem com base na sua experiência de vida, valores e interpretação.  Na filosofia, isso é chamado de realismo representativo.

Assim como o bom fotógrafo estuda a câmera e o processo de conversão da luz em imagem, é importante entender o básico de antropologia, sociologia e psicologia — pré-requisito do comportamento do consumidor — para se tornar um mestre em marketing.

Uma outra disciplina que pode nos ajudar a entender como isso funciona é a epistemologia — o ramo da filosofia que busca explicar como cada pessoa vê os mesmos fatos sob óticas diferentes. Isso porque ao se deparar com uma “verdade”, automaticamente nosso cérebro analisa uma série de outros fatos e acontecimentos passados. Ou seja, a realidade (vista) não é a realidade percebida (absorvida). Pode parecer filosófico demais, mas a imagem  ajuda a simplificar.

O que falta para muita gente é sair do seu próprio mundinho e perceber que as pessoas não são bobas e fáceis de manipular, e se isso antes era algo exclusivo dos mais escolarizados, agora não é mais. É importante saber como o consumidor irá perceber  seu comercial de TV, sua promoção ou o patrocínio de um determinado evento. Uma loja de grife masculina para um público mais maduro talvez não devesse veicular um comercial barato e mal feito, eles estão acostumados com coisas de qualidade. Clientes fiéis de um pequeno bistrô talvez não veja com bons olhos se, do dia para noite, ele ficar lotado e popular.

Em algum momento, o canal de comunicação se inverteu de:
Emissor > filtro > transmissor (ruído) > sensações/emoções > filtro > receptor

Para:
Emissor < filtro <  sensações/emoções < transmissor (ruído) < filtro < receptor

A realidade que importa é a de dentro da cabeça do cliente, não da agência de propaganda. Gaste um tempo mais para conhecer o seu estilo de vida, seu modo de ver as coisas e tente direcionar sua comunicação  sob essa perspectiva. Tudo seria mais fácil se vivêssemos em um mundo perfeito, mas já faz um bom tempo que o deixamos sem passagem de volta.

Baseado no artigo “How you see the world: representative realism”.