Eu fico bastante empolgado quando vejo ou leio alguém falar sobre algo que nunca tinha visto antes. Quando considero interessante o suficiente, é claro. Um desses casos —nada comuns— aconteceu na palestra que Walter Longo apresentou hoje em Porto Alegre no evento Mídia Show. Dentre várias coisas bacanas como seu conceito de Nexialismo, novas mídias e desafios das agências de publicidade do século XXI, Walter Longo falou uma coisa que valeu toda a palestra: a ideia de “good enough”.
Quando um produto já é bom o suficiente para que paremos de tentar melhorá-lo? Certamente, existe um ponto que não vale mais à pena investir tempo em dinheiro, seja em que projeto for. Em algum momento, ele vai estar bom o suficiente (ou vai estar uma porcaria e aí é hora de decidir: tentar melhorar ou jogar fora). Até nos negócios, a velha máxima “se melhorar, estraga” parece funcionar.
Em um mundo ágil, dinâmico e que muda constantemente como o atual, não dá para perder tempo tentando criar algo perfeito. É preciso criar o melhor produto, mas ele precisa ser lançado amanhã! Isso faz do conceito de bom o suficiente algo muito valioso para as empresas de hoje. No entanto, como o próprio Walter Longo ressaltou, isso não significa criar algo medíocre. Pelo contrário. É preciso criar algo realmente bom, atraente, funcional e relevante pro consumidor; só que sem perder muito tempo.
Perfeição não é quando você não consegue mais acrescentar nada. É quando você não consegue mais tirar nada sem prejudicar o produto.
Quantas vezes você já se deu conta de que existe um produto melhor no mercado, mas que não faz tanto sucesso? Isso porque a maioria dos produtos de grande sucesso hoje são simplesmente bons o suficiente, não são os melhores, não são perfeitos. iPods nem têm rádio FM! Talvez, se a Apple tivesse tentado melhorar ainda mais seu tocador, poderia ter perdido a oportunidade.
Veja o caso do iPhone, ele não era um telefone excelente, a máquina era ruinzinha, não tinha bluetooth nem 3G. Mesmo assim revolucionou o mundo. Walter Longo deu outros 2 exemplos: Rede Globo e McDonald’s, que eu tenho que concordar. Ambas têm feito o mesmo feijão com arroz nos últimos anos e ainda assim conseguem ser líderes de mercado e referências no segmento em que atuam. A Globo não é excelente, mas é boa o suficiente. E ela se esforça para se manter assim. Sim, é preciso um bom esforço para manter a qualidade e a relevância com o passar dos anos.
Good enough pode ajudar as empresas a diminuir custos, otimizar o tempo, manter a relevância, o foco e aproveitar melhor as oportunidades. Excesso de pesquisas, reuniões, melhorias, recursos acabam perdendo a capacidade de produzir benefícios depois de algum tempo. O melhor a se fazer — quando o produto já está bom o suficiente– é lançar no mercado. A partir daí, com o feedback dos clientes, se começa o processo de melhorias, novos recursos e avaliação de tendências. Para, quem sabe um dia, se chegar ao produto perfeito. (Mas saiba que ele deixará de ser perfeito pouco tempo depois.)

Falando em

nada, se mudou pra Califórnia; conseguiu seu primeiro emprego em um banco, depois de ser assaltado 2 vezes em 4 meses pediu demissão; se tornou trainee após sugerir ideias impraticáveis mas que agradaram seu chefe (basicamente pelo senso de humor); virou programador; analista financeiro; agiota; analista de produto, chefe de um grupo de analistas de negócios e conseguiu um MBA. Parece que a coisa estava começando a dar certo. Exceto pelo fato de que Scott jamais conseguiria uma promoção. Motivo: as empresas precisavam diversificar, do ponto de vista racial mesmo. Tinha muito branco e as empresas se viam pressionadas para contratar “pessoas diferentes”.
