Seja um lutador!

19 de novembro de 2011 • TEMAS: Carreira / Filosofando

Quanto maior a luta, maior a recompensa, eu costumo dizer. Gostamos de vencer, mas não gostamos de lutar, temos medo. O que é utópico, porque grandes vitórias são proporcionais ao tamanho do desafio.

Sendo menos filosófico, você pode tornar os seus projetos pessoais realidade, vencer o isso-nunca-foi-feito-antes e conseguir ser ouvido pelo temido status quo, mas para isso é preciso lutar. Você não vai conseguir o que deseja todas as vezes, mas terá feito o seu melhor e esse é o espírito de um lutador.

Um lutador não teme a derrota, teme a impotência. E impotência é quando algo está além do seu alcance, mas como saber que algo está além do alcance sem tentar? Bem, a maioria das pessoas assume que é isso que vai acontecer e não tenta — preservando assim o seu espaço, mas jamais ganhando novos. Lutadores são mais vulneráveis que a maioria das pessoas, então costumam apanhar mais, quebrar mais a cara (não literalmente, claro). Mas, com o tempo, eles se tornam mais resilientes, espertos e corajosos que os demais. Em outras palavras, pessoas assim se tornam profissionais valiosos.

Olhe para as pessoas que conquistaram grandes coisas sozinhas e há grandes chances de você encontrar um lutador dentro delas. Elas não desistem fácil, não têm medo de comprar brigas por algo que acreditam, sempre expressam sua opinião, lutam pela sua equipe como se fossem  filhos e defendem suas ideias com vigor. Lutadores não têm medo, mas eles sabem quando perderam uma briga. Também sabem que a derrota é passageira, escondendo uma grande oportunidade de melhorar os pontos fracos.

Você não tem que ser mal-encarado, arrogante ou estúpido para conseguir o que quer, tampouco para ser respeitado. Existe um provérbio inglês que diz: “use palavras suaves, mas argumentos fortes“. A gentileza ainda é uma das mais poderosas armas da liderança, as pessoas precisam admirar e acreditar, não temer você. Acho que foi em uma aula de vendas que ouvi dizer que clientes gostam de vendedores confiantes e, até certo ponto, durões. De fato, os melhores negociadores não cedem à primeira ameaça nem caem no primeiro golpe. Os melhores vendedores não querem fechar uma venda, querem ganhar um cliente.

Seja um lutador. Acredite algo e lute para conseguir. Não baixe a cabeça para as pessoas só porque elas são maiores do que você, lembre-se de que grandes campeões um dia foram iniciantes, eles melhoraram suas habilidades, mas a força sempre esteve dentro deles.

Valeu a pena?

16 de novembro de 2011 • TEMAS: Filosofando /

Com a semana começando na quarta-feira devido ao feriadão e estando um dia atrasado para enviar a minha apresentação para o TEDx, receio não conseguir escrever novos artigos, então deixo mais um excepcional post de reflexão do guru mais comentado da internet, Seth Godin.

Essa é uma pergunta que você ouve um monte. “Valeu a pena?” Mesmo sem saber a que se refere, costumamos dizer “a chegada valeu a jornada? O esforço valeu a recompensa?”

O lance com o esforço é que o esforço já é a própria recompensa se você permitir que seja. Então, a resposta pode ser sempre “sim” se você deixar.

Para alguns, ele foi um ator; para outros o maior artista marcial de todos os tempos. Mas poucos conhecem um outro lado igualmente excepcional, o de filósofo. Confesso que fiquei surpreso quando peguei emprestado o livro “O Tao do Jeet Kune Do” e conheci um lado que não imaginava. Bruce foi um grande pai, um marido dedicado e detentor de uma disciplina marcial de dar inveja a qualquer lutador do UFC.  Ele foi um exemplo em todos os aspectos, mas acredito que o maior de todos exemplos dele é o de vida.

Abaixo estão 10 lições de vida que um dos maiores lutadores de todos os tempos deixou para nós em apenas 32 anos de vida.

1. OBJETIVO

“Um objetivo nem sempre é para ser atingido, frequentemente serve apenas como algo a ser mirado.”

Esse talvez seja um dos clichês da motivação mais negligenciados.  Ter objetivo é importante, mas não é tudo. É preciso apreciar a jornada tanto quanto a chegada. De fato, estudos comprovam que o corpo humano produz mais serotonina (hormônio da felicidade) quando estamos prestes a conseguir algo do que quando conseguimos. Se você tem um objetivo, faça dele uma consequência de algo valioso, e que se não der certo, tudo bem, valeu a pena.

2. FLEXIBILIDADE

“Limpe a sua mente e seja como a água, sem forma. Você coloca a água num copo e se torna o copo, coloca água em uma garrafa, se torna a garrafa.”

Resiliência e adaptabilidade são duas das mais valiosas qualidades que uma pessoa pode ter. Não seja duro, lento e difícil de lidar. Seja flexível, rápido e fácil de conviver — adapte-se às circustâncias em vez de confrontá-las. Flexibilidade é a capacidade que algo tem de se moldar às adversidades, a água é o maior exemplo, ela não se opõe aos obstáculos, se molda a ele.

3. TEMPO

“Se você ama a vida, não desperdice tempo, é de tempo que a vida é feita.”

Você já leu isso em algum lugar, mas Bruce colocou isso de uma forma diferente. Se a vida é feita de tempo — logo é limitada — , então viver é aproveitar o tempo. Evite reclamar que você não tem tempo, evite sonhar com um dia de 30 horas, isso é perda de tempo.  Se você tem apenas 1 hora livre no final do dia, aproveite! Faça algo que realmente te deixe feliz. E se você não está feliz hoje, se algo lhe incomoda, saiba que você está perdendo tempo. Mude!

4. PROPÓSITO

“Viver de verdade é viver para os outros.”

Que graça a vida teria se não tivéssemos ninguém para compartilhar? Ninguém para cuidar, ninguém que nos esperar ao final do dia, ninguém para nos motivar…  alguém que valha a pena luta. Não é hipocrisia, não falo da boca pra fora, eu realmente acho que o propósito da vida de cada um é fazer os outros felizes. Porque se as pessoas com quem me importo forem felizes, eu também serei. Para manter isso sempre aceso dentro de mim, frequentemente me pergunto: o que você pode fazer para alegrar o dia de alguém (sem esperar nada em troca)?

Read the rest of this entry »

Eu não tenho dúvida de que o curso de publicidade das universidades é um dos com a maior taxa de gente diferente. Não sei porque, mas para passar pela faculdade de propaganda, é preciso ser meio louco. Eles costumam gostar de música alternativa, cinema europeu, têm ideias mirabolantes, alto senso estético e apreciam tudo que é novo e desconhecido. Não sei você, mas eu não vejo muita gente assim por aí. Mesmo depois da faculdade, eles continuam sendo diferentes, e isso não tem nada a ver com a faculdade ou região, conheci publicitários de todo o Brasil e nos mais diversos estágios da carreira e eles são diferentes,  são mais rebeldes, autênticos quebradores de regras. De alguma forma, essa rebeldia está associada à criatividade.

Claro, não apenas publicitários são criativos, utilizei como exemplo por ser a profissão mais associada à criatividade do mundo. Durante os últimos anos eu tenho me perguntado: como ser mais criativo? Como eu posso ter mais ideias e ideias de qualidade? Mais do que isso, como eu posso fazer para a minha equipe ter mais ideias?  Acredito que o principal caminho é o que chamo de rebeldia criativa.

Ninguém muito certinho é criativo, isso é algo que comprovei com o passar dos anos. Da mesma forma, ninguém consegue ter grandes ideias em ambientes muito normais. Alguém pode dizer que isso é relativo, eu digo que pensar assim é “certinho demais”.  Claro que exceções existem, mas não acho que alguém que queira estimular a criatividade deva contar com a relatividade. A regra número da criatividade é: faça algo, qualquer coisa!

Recentemente, me deparei com uma teoria que me deixou pensativo. Ela defende que o ambiente fértil para boas ideias nascerem (e sobreviverem) é aquele que está entre a completa ordem e o completo caos. Ou seja, não é um acampamento hippie, mas está longe de ser um quartel — que muitas empresas parecem se basear. Um ambiente criativo é democrático, onde todos podem falar, ouvir e tentar independente dos cargos que ocupam. Em um ambiente criativo, errar faz parte do processo e sabe-se que são necessárias dezenas de ideias ruins para uma boa. Aceitar isso, é aceitar o diferente, é aceitar ideias rebeldes.

Ambientes e chefes certinhos não estimulam experimentação e, frequentemente, punem o diferente. Na medida certa, o caos pode render bons frutos porque libera o pensamento do “eu posso” na equipe. Esse conceito de “poder rebelde”  proporciona uma área maior para os pensamentos transitarem atrás de novas ideias.

Criei a régua acima para mostrar o que eu acho que acontece. O completo caos ou ordem são os piores cenários, mas restringir (quadradinho) também é ruim. Acredito que o segredo é vagar livremente pelo azul o que, de vez em quando lhe levará a desafiar a fronteira do completo caos ou da completa ordem. Essa liberdade de tentar e de experimentar tanto o caos como a ordem lhe levará a novas perspectivas e, consequentemente, a ideias inovadoras.

Ser um rebelde criativo é achar que tudo é possível, é ir além do que os outros falam e fazem. Os outros são os outros, você é você, e ninguém nunca ficou alcançou notoriedade fazendo o que todo mundo faz nem pensando como todo mundo pensa. O Google é uma empresa rebelde, Steve Jobs foi tão rebelde que chegou a ser demitido da própria empresa, Richard Branson criou empresas rebeldes milionárias e ninguém nunca ganhou um Leão em Cannes sem ser rebelde.

Ser rebelde não é não aceitar regras, é enxergá-las como uma margem de segurança. Você pode ultrapassar, mas terá que lidar com as consequências. Vale a pena tentar? Você tem coragem? Acredita o suficiente? Porque não é garantido que você vai conseguir. Mas e aí, você não quer ser criativo?

NOTA: quem quiser saber mais sobre como a ordem e o caos pode influenciar ideias, sugiro ler o livro “De Onde Vêm as Boas Ideias” de Steven Johnson. Ele fala o livro todo sobre essas e outras teorias pra lá de interessantes.

Querido leitores, leiam este artigo sem pré-julgamentos, fiz questão de traduzi-lo na íntegra por achar que ele merece a leitura  e reflexão de todos, independente de qual dos dois você mais admira.

Apple é sem dúvida o estandarte de ouro do mundo tecnológico de hoje. Na verdade, é provavelmente o estandarte de ouro da indústria americana no momento. Seu design inovador, interface com usuário e ecosistema a transformaram em um titã em todo segmento que ela entrou. E está claro que Steve Jobs foi a causa do renascimento da Apple. No despertar da sua morte, a Harvard Business Review atestou sua grandiosidade — algo que eu também fiz. Ele era ótimo. Steve Jobs tem sido provavelmente o mais importante líder da nossa geração dos negócios. Mas ele não é o mais importante líder dos negócios. Enquanto Jobs deve ser o modelo que MBAs e designers industriais tentam imitar, eu não estou certo de que é ele quem devemos idolatrar. Essa honra deveria ser concedida a alguém que falamos cada vez menos, Bill Gates.

Tanto Steve como Bill causaram impactos imensuráveis no mundo. A Apple liderou a era dos computadores pessoais em vários aspectos. A Microsoft tornou possível uma geração de programadores aprenderem e se desenvolverem. A Apple parece ter dominado a arte de entregar produtos fantásticos. A Microsoft tem trabalhado diligentemente para tornar a corporação mais e mais eficiente. Independente do papel de cada uma, é impossível negar a contribuição das duas empresas. Cada um dos dois fundadores respeita profundamente a contribuição do outro.

No final da sua vida, Steve Jobs estava preocupado com a Apple. Como Walter Isaacson destacou: “A HP construiu uma grande empresa, e eles pensaram que haviam deixado em boas mãos. Mas agora ela está sendo desmembrada e destruída. Eu espero ter deixado um legado forte o bastante para que isso nunca aconteça à Apple”.

Bill Gates se afastou da Microsoft em 2006 e,apesar dos problemas que a empresa vinha enfrentando com a evolução do sistema móvel, ele passou a se dedicar a resolver os problemas do mundo, mesmo isso não gerando lucro ou fama. Bill dedicou seu talento a erradicação de doenças, melhoria dos padrões atuais e combate à desigualdade.

Desde 1994, a fundação Bill & Melinda Gates já acumulou fundos no valor superior a $31 bilhões de dólares para combater os maiores problemas globais. A fundação não apenas angariou fundos, ela já doou $25 bilhões. Esses números não são banais. Em 17 anos, a fundação levantou e destinou mais de 10% do valor de mercado da Apple. Enquanto desenvolver o mundo exige coisas como tratamento d’água, saúde básica e distribuição de cestas básicas, bilhões de seres humanos não têm acesso a recursos básicos.

Gandhi disse: “seja a mudança que você quer ver no mundo”, eu não duvido disso. Nos últimos anos, tanto Bill como Steve fizeram isso. Steve tornou o mundo mais bonito e fez bilhões de nós — com recursos — o amarem. Bill está construindo o mundo ideal, onde bilhões de nós — sem voz — serão impactados para sempre.

Ontem, eu li uma nota que Bill Gates escreveu para os membros de Harvard. Ela fala por si só.

Eu espero que vocês reflitam sobre o que têm feito com o talento e a energia de vocês. Eu espero que vocês avaliem a si próprio com base não apenas nas realizações profissionais, mas também como trabalham para diminuir as piores injustiças, como você trata as pessoas do outro lado do mundo que não têm nada a ver com você, exceto porque são humanos.

Essas não são palavras de um líder de negócios. Essas são palavras de um líder de pessoas. Essas são palavras de um ídolo.

Mesmo amando a Apple, eu abriria mão feliz do meu iPhone se isso fosse encher de comida os pratos de crianças famintas. Steve Jobs transformou sua empresa no líder da nova era da computação móvel; Bill Gates decidiu eliminar malária. Quem você acha que devemos colocar no pedestal para nossos filhos imitarem?

[Artigo Original escrito por Maxwell Wessel e publicado pela BusinessWeek]

Eu sou vegetariano, e quando não estou lendo sobre carreira ou marketing, estou lendo sobre saúde e a indústria da carne. Apesar dessa indústria estar crescendo no mundo inteiro, uma outra corrente vem na contra mão dessa realidade; a de não-vegetarianos cada vez mais sensíveis à causa. Essas pessoas –e organizações– percebem que do jeito que está não pode ficar. É preciso voltar ao começo, voltar a tratar os animais como animais e não meros produtos. (50 anos atrás praticamente inexistiam fábricas, hoje 90% da carne vem delas)

Empresas como a rede de restaurantes Chipotle que lançou a campanha “Back to the Start”. Chipotle é uma das poucas empresas que se importam com a origem da carne que vende (como a Starbucks é com o seu café). Pode ser jogada de marketing, pode ser que nem toda carne venha do pequeno produtor como eles afirmam; mas não podemos negar que é uma atitude admirável.

Einstein disse que nada aumentaria mais as chances de sobrevivência do homem na Terra do que uma dieta vegetariana. Eu sempre achei que ele queria dizer que: o mundo vai entrar em colapso se continuarmos comendo tanta carne. Einstein morreu antes das fábricas engolirem os pequenos produtores, então não sei se era isso que ele queria dizer; mas ele era um gênio, não?(50% da água da China é usada para a produção de carne, sendo que a falta de água já é um problema iminente no país que continua crescendo como louco.)

A indústria da carne não existe para alimentar, existe para lucrar. Eu realmente não quero entrar nessa discussão aqui, o que eu quero dizer é que a velha fazendinha que  muitos de nossos avós tinham, deu lugar a enormes fabricam que só se importam com eficiência. O impacto disso é enorme para o planeta (causa número 1 do aquecimento global), para a sociedade (polui o solo, o ar, tira empregos) e para a saúde (altas doses de antibióticos).

Além da indústria da carne

Não é só a indústria alimentícia que precisa voltar às origens, empresas em geral precisam. São muitos os especialistas que defendem mais simplicidade no mundo corporativo. O excesso de impessoalidade, falta de ética, automatização, muitos números e poucas ideias. Muitos sistemas e pouco diálogo.

Na década de 80, nenhum produto era lançado antes de se fazer inúmeras pesquisas. Elas reinavam. Então, muitos produtos falharam, muitas empresas quebraram, veio Steve Jobs e mostrou que os consumidores nem sempre sabem o que querem e  se você acredita em uma ideia, tem que ir fundo!

Até os anos 2000, acreditava-se que um contra-cheque gordo era tudo que os funcionários queriam; então Google, Starbucks, Southwest Airlines e outras viraram cases globais de como um ambiente de trabalho agradável pode impactar os resultados financeiros positivamente.  Hoje, motivação é um dos assuntos mais palestrados no mundo.

A história nos ensina que quando algo fica grande demais, desmorona. Quando fica complexo demais, é necessário rever tudo e simplificar. Quando lucro é tudo que importa, alguém surge com uma história que mostra que valores são a coisa mais importante do mundo. E é aí que tudo começa de novo.

Obrigado por ler este post!

Não adianta

11 de outubro de 2011 • TEMAS: Filosofando / /

- Não adianta reclamar; faça-se ouvir!

- Não adiantar esperar pelos outros; faça a sua parte!

- Não adianta sonhar; acorde e aja!

- Não adianta admirar um texto ou palestra; incorpore-o na sua vida!

- Não adianta fracassar; aprenda a lição.

- Não adianta só vencer; aprenda a perder.

- Não adianta ter um currículo brilhante; ainda é preciso ser gentil e saber ouvir as pessoas.

- Não adianta ter um bom salário; é preciso gostar do que faz.

- Não adianta dizer que não tem tempo; estabeleça prioridades que você encontrará!

- Não adianta resmungar não adianta, tente resolver ou pule para outra!

O egomarketing

10 de outubro de 2011 • TEMAS: Filosofando / Marketing

O marketing é a capital das pessoas vaidosas. E por vaidade entenda como “o desejo [demasiado] de atrair a admiração das outras pessoas”, e essas “outras pessoas” não são clientes — o que até seria compreensível. São colegas de trabalho, fornecedores, superiores, subordinados, conhecidos… qualquer um que possa dizer “aquele cara é muito bom hein?”

Camarotes open bar, lugares privilegiados em shows, entrevistas, elogios e mais elogios (a maioria deles nada sinceros), brindes que nada mais são do que logomarcas decorativas e anúncios recheados de “o nosso”, “temos o melhor”, “somos”… ego, muito ego.

Ora, todo mundo quer ver seu nome mencionado em alguns círculos sociais, ser exemplo ou inspiração para alguém e obter algumas regalias, mas isso são consequências. Consequências.

Não tenho dúvida de que profissionais egocêntricos existem em todo lugar, isso é óbvio, mas acho que o marketing abriga a maior população deles. Culpa, talvez, do tal “marketing pessoal” que diz que você precisa aparecer. Ou talvez de tanto estudar imagem e persuasão ensinados nas faculdades de marketing e propaganda. Mas isso é um mal entendido, a premissa número 1 do marketing é  se colocar no lugar dos outros. É mais altruísmo do que egocentrismo.

Marketing não é vender para si, é ouvir, entender e entregar o que os consumidores querem/gostam/usam. Profissionais e empresas competentes entendem que os consumidores não precisam pensar com elas, elas é que precisam pensar como os consumidores. Bons profissionais de marketing e publicidade têm uma capacidade enorme de deixar seus gostos pessoais de lado e satisfazer as necessidades dos outros.

Se isso parece bobagem para você, talvez tudo que você precise seja o que sugeriu Seth Godin, um espelho grande e um microfone mais alto.

Algumas pessoas tem um tipo de distúrbio que as fazem ficar com as mãos em constante movimento. Principalmente em reuniões, palestras e aulas. Eu sou uma dessas pessoas.

Eu estou sempre anotando conclusões, frases marcantes, ideias, passo a passo, coisas pra fazer depois, listas, sublinhando trechos de livros, conceitos, dados, além de desenhos irreconhecíveis. Talvez eu nunca releia, mas estão lá riscados em um pedaço de celulose — para sempre. E não adianta, não tem iPad, iPhone ou Evernote que me faça aposentá-los.

Anotar é um hábito, quanto mais você tiver contato com papel e caneta, mais irá fazer. Quando criança, meu passatempo era folhear jornais e revistas criando desenhos adicionais como paisagens, colocar instrumentos nas mãos das pessoas, máscaras e bigodes em seus rostos. Meus livros da escola eram todos rabiscados. Coincidência ou não, fazer anotações se tornou um hábito tão presente na minha vida adulta como checar e-mails.

Os três principais benefícios do hábito de anotar:

  • Você nunca “esquece” nada
  • Escrever qualquer coisa estimula criatividade
  • Alivia a mente, ao anotar, você fica livre para pensar em outras coisas (dica do Asbel)

Alguns podem pensar “mas e o meio-ambiente?”. Acredite, poupar algumas folhas de papel não irá diminuir o desmatamento (100% do papel produzido no Brasil vem de reflorestamento) nem irá derrubar tantas árvores como se pensa (uma árvore produz cerca de 20.000 folhas). O brasileiro está muito abaixo do campeão mundial de consumo de papel (os finlandeses). Então, pegue um bloquinho e rabisque!

Jack London dizia que você não pode ficar parado esperando pela inspiração, tem que ir atrás dela com um tacape. Por outro lado, sabe-se que a criatividade depende de uma coisa chamada incubação, e às vezes é preciso relaxar e ir fazer outra coisa. E nesses momentos, o papel e a caneta são suas únicas armas. Esteja a postos e não deixe escapar por nada nesse mundo.

Se você estiver querendo fazer um curso de Excel sem gastar um tostão, uma rápida busca no Google lhe garante uma boa apostila em PDF, do mesmo nível — ou melhor — que as oferecidas  em várias escolas pagas. Você também pode pagar R$29,90 e fazer um curso online, sem professor, na Saraiva. Qual o melhor?

A maioria das pessoas diriam que é o da Saraiva. Mas será? O preço costuma aumentar a nossa percepção de qualidade de um produto ou serviço, querendo ou não, inconsciente ou não, costumamos valorizar mais algo pago do que algo gratuito. Seth Godin propôs uma valiosa (e gratuita) reflexão:

  • Você não estaria confundindo o que paga com o que recebe?
  • Você não está mais disposto a usar algo que você pagou um monte para obter?

Eu acredito que houve uma época em que preço era sinônimo de qualidade. Uma camisa de R$200 era mais resistente e moderna que uma de R$60 ou que toda faculdade cara, possuía ensino de qualidade. Naquela época, marcas fortes possuíam qualidade que  as separavam de marcas populares de forma clara e visível. Isso mudou com a expansão da mão de obra barata, difusão da tecnologia, educação mais acessível e capital abundante. Hoje, preço está mais para estratégia do que para o produto em si.

Na era dos ebooks, blogs e redes sociais é inadmissível que profissionais coloquem deixem suas carreiras exclusivamente a cargo de faculdades e empresas. Ebooks  e blogs oferecem conhecimento gratuito (e de alta qualidade), blogs também são ótimos para marketing pessoal, assim como redes sociais são para networking e relacionamento com os clientes.

Certamente, eu seria outro profissional diferente se não lesse blogs. Eu digo sem medo de exagerar que eles me ensinaram tanto quanto alguns livros e professores. Mais do que um punhado de conceitos ou notícias, os blogs me ensinaram a analisar e refletir — habilidades cruciais e raras hoje em dia.

Mas blogs são gratuitos.

Por isso, eles são menos valorizados do que uma coluna na Veja ou Exame. Ainda que hajam profissionais quase tão qualificados como eles blogando (e eu não vou nem entrar no assunto liberdade editorial).

Devemos parar de achar que se é grátis, não é bem feito. Porque, justamente, estamos na Era do Free. O melhor livro de produtividade que eu já li é grátis, o melhor serviço de e-mail da web é grátis, grandes especialistas em carreira, vendas e neuromarketing blogam de graça, e dezenas de serviços  de alta qualidade tem versões gratuitas que são tão boas como as pagas (Grooveshark, Evernote, Drop Box, Google Docs).

Em muitos casos, optamos pela versão gratuita quando não temos opção de pagar. Ou, às vezes, até pegamos algo grátis, mas não damos tanta atenção como se tivéssemos pago por aquilo (quem gosta de jogar dinheiro fora?). O que eu proponho (e acredito que é o que Seth Godin queria quando fez aquelas duas perguntas) é que devemos ter senso crítico com tudo, seja uma consultoria paga ou um artigo enviado grátis por e-mail.

Pago ou não, um mal conselho é sempre um mal conselho e irá lhe levar a decisões ruins; um bom produto é sempre um bom produto e poderá lhe render alguma economia se você analisar suas características e reputação, em vez de preço. Não estamos mais na era do “de graça até injeção na testa”, onde tudo que é de graça é ruim, estamos na era do “de graça só injeção no braço e desde que resolva meus problemas”.