Eu costumo dizer que se os marqueteiros pudessem ter um superpoder seria o de ler a mente dos consumidores. Isso porque é o que eles vem tentando fazer há 40 anos quando começaram a usar largamente pesquisas de mercado, grupos de foco e dados demográficos. E durante 30 anos, isso foi basicamente tudo que aconteceu no campo de comportamento do consumidor.

Com o aumento da competitividade e um mercado cada vez mais nocivo às empresas, as coisas precisavam evoluir. Assim com o marketing evoluiu com técnicas mais detalhadas e novas modalidades surgiram como o SEO, viral e brand equity; as pesquisas de mercado ultrapassaram as fronteiras do marketing e chegaram à ciência. Não que pesquisa não seja uma ciência, mas falo na definição comum de ciência. Principalmente a partir de 2000, a quantidade de material voltada para os negócios publicados por neurocientistas, psicólogos e professores aumentou consideravelmente. Livros e pesquisas trouxeram uma outra perspectiva para o marketing, com novos conceitos que podem ajudar às empresas a entender os consumidores, ou ao menos chegarem perto disso.

Um desses livros é o “You Are What You Choose”, escrito por dois professores de ciência política e economia da Duke University, o livro traz um conceito realmente interessante sobre como as pessoas decidem, escolhem e até mesmo vivem.

Você é o que você compra

Toda pessoa possui hábitos, e as características pessoais (personalidade, cultura, etc) estão por trás desses hábitos. Logo, conhecer  seus clientes em potencial é fundamental para obter sucesso. Mas saber quanto ele ganha, sua idade, cor, sexo já não é suficiente. É preciso conhecer além disso.  Pesquisas atuais têm utilizado além dessas informações básicas,  informações sobre hábitos — de consumo ou não. E os especialistas nunca foram tão bons em cruzar dados. Mas DeMarchi e Hamilton criaram um novo jeito de ir ainda mais fundo nesse “conhecer”, tentando “prever” o comportamento de consumidores a partir de traços da personalidade.

Hoje, as empresas que posicionam seus produtos puramente em classe social ou idade não conseguem criar vínculos fortes com os seus consumidores. As pessoas usam marcas que combinem com o seu estilo de vida, sua filosofia e conquistem sua simpatia. Por essa razão, marcas que possuem uma identidade definida (leia-se personalidade), atraem grande número de fãs.

Descobrir a personalidade de alguém pode ajudar você a saber o que a agrada e o que não. Mas como tornar um assunto complexo como personalidade, algo simples e útil para o marketing? Através de 6 traços da personalidade. Não é um Carl Jung, mas eles dão uma boa ideia de quem são seus consumidores.

  • Tempo: vive o hoje ou se preocupa com o amanhã?
  • Altruísmo: pensa no bem-estar do próximo ou é individualista?
  • Risco: evita ou enfrenta?
  • Eu-Também: É influenciado pela opinião dos outros (moda, status). Geralmente, pessoas com alto fator “eu-também” usam marcas famosas, conversam bastante e conhecem muitas pessoas.
  • Fidelidade (tradução mais próxima do original “Stickiness”): Cria vínculos facilmente ou experimenta várias opções antes de escolher?
  • Informação: É uma pessoa bem informada ou não? (não confundir com grau de instrução, e sim hábito de ler ou obter conhecimento.)

Para cada um dos 6 traços acima, existem somente duas opções: é ou não é. Não existe uma pessoa meio-altruísta, meio-fiel ou que goste mais ou menos de ler livros. Um teste na internet define como você é em cada um desses aspectos. (Achei um tanto superficial.)

Embora os professores tenham criado um teste, ele é o que menos importa. As empresas devem criar seus próprios testes para descobrir como seus consumidores pensam sobre: risco, tempo, altruísmo, eu-também, fidelidade e informação.

Por exemplo, apenas marcas fortes e conhecidas costumam atrair pessoas com alto fator “eu-também”. Da mesma forma, não adianta prometer um mundo melhor amanhã (consciência ambiental é um caso) para pessoas que pouco valorizam o futuro. Ao invés disso, dê soluções rápidas para os problemas de hoje.

Prevendo o comportamento do consumidor

Dados demográficos, microtargeting e traits são três ferramentas que sozinhas não servem para muita coisa, mas que, quando combinadas, oferecem provas fantásticas sobre como as pessoas consomem. DeMarchi e Hamilton provaram em suas várias pesquisas que os 3 juntos tiveram uma taxa de acerto entre 70% e 90% das pessoas. Em alguns casos, demográficos + microtargeting funcionava melhor em outros TRAITS funcionavam melhor. Mas os três juntos quase sempre renderam resultados impressionantes. Quase como ter um superpoder!

A campanha presidencial deste ano será diferente das que costumamos ver. Quer dizer, ainda veremos 2 candidatos dominando quase 90% do tempo, o candidato do governo atual mostrando as ações dos últimos 4 anos e os  adversários apontando os erros. Nesse aspecto, a campanha presidencial será igual a todas as outras. Mas do ponto de vista da comunicação, não. Duas coisas parecem ter mudado tudo: a ascenção das redes sociais e a vitória de Barack Obama.

A campanha de Obama será exemplo durante muitos anos e, sem dúvida alguma, inspirou o planejamento das campanhas políticas deste ano. Contudo, o impacto não é o mesmo porque o Brasil não é os Estados Unidos. Qualquer candidato americano à presidência tem duas grandes dificuldades: 1) convencer os eleitores a votar nele;  2) convencer os eleitores a irem votar. Lá, intenção de voto e voto não são a mesma coisa. Obama foi tão bem-sucedido, que não apenas obteve mais votos que sua adversária, mas levou o maior número de americanos às urnas em toda história dos EUA, 66% (dos eleitores). Também foi o candidato que mais recebeu doações: $640 milhões.

Não é segredo pra ninguém que Obama foi um marco eleitoral nos Estados Unidos em vários aspectos. Mas será que o case Obama pode ajudar algum candidato brasileiro a se dar bem nessas eleições?

O Brasileiro é viciado em internet e o que mais usa redes sociais no mundo. Teoricamente, os candidatos brasileiros têm tudo para colher grandes resultados das redes sociais. Mas o Brasil é um país heterogêneo e o voto obrigatório torna as coisas mais difíceis. Com 135 milhões eleitores, a maior rede social do Brasil, o Orkut, tem “apenas” 26 milhões de usuários. Incluindo menores de 16 anos e contas fakes — que não são poucas. Já o Twitter, uma das mais fortes ferramentas sociais de um candidato, é acessado por 15% dos internautas brasileiros — 3,7% do eleitorado brasileiro. Número expressivo, já que nos Estados Unidos são 11%.

Os números otimistas e o hábito de consumo agressivo do internauta brasileiro levou os chefes de campanha dos 3 principais candidatos à presidência do Brasil a dedicar mais atenção (e recursos) à campanha virtual. Acompanho o uso da internet por parte dos políticos há pelo menos 4 anos, sempre achei um excelente canal de comunicação com o eleitor. Mas parece que só agora, em 2010, a coisa ficou profissional.

Internet como arma

O site do candidato deixou de ser algo obrigatório para ser algo útil. Fiquei impressionado com a beleza e os recursos oferecidos nos sites dos principais candidatos à presidência. Notícias atualizadas várias vezes por dia, newsletter, videos, fotos, propostas, biografia, redes sociais, blogs, envio kits da campanha e até um game estão sendo usados para aproximar o leitor do candidato. Algo que só costumava acontecer quando eles visitavam bairros, dando abraços e apertos de mão uma vez a cada quatro anos.

Ao todo, Dilma, Serra e Marina possuem mais de 700 mil seguidores no Twitter, mais algumas dezenas de milhares no Facebook e Orkut. Flickr e YouTube também estão sendo usados. O gráfico abaixo demonstra melhor o que cada um está usando.

A internet permite que qualquer o candidato — com pouco tempo de espaço eleitoral no rádio e TV– possa mostrar seu programa de governo e falar sobre todos os assuntos que antes o tempo escasso não lhe permitia.  Marina Silva sabe disso e é a que parece estar usando melhor as chamadas mídias sociais. De aplicativos do Facebook à cartilhas práticas como “43 razões pra votar em Marina”, além de criar outros sites como o “Movimento Marina” e o game “Um Mundo”. Marina também pede doações e o suporte dos milhões de internautas brasileiros — ao famoso estilo Obama.

Nunca um candidato com pouco espaço na propaganda eleitoral conseguiu chegar ao 2º turno, porque política é comunicação em massa e engajamento; quem não era ouvido, literalmente não era lembrado e não recebia votos. Esta é a 1ª eleição em que candidatos “menores” tem alguma chance de chegar à Brasília. A briga é árdua e envolve uma série de fatores que vão além da mídia — como ideologia, carisma e confiança. Talvez as coisas continuem como sempre foram, talvez mude pra melhor. Mas assim como a internet mudou as nossas vidas, ela está mudando a vida deles.

NOTA: Este artigo não tem intenção de promover ou denegrir nenhum candidato. O objetivo é apenas de marketing e comunicação, não político. Comentários considerados “pesados” serão deletados.

A melhor turma de qualquer escola é aquela em que os alunos se dedicam a absorver tudo que o professor tem para dar; e ele se esforça para repassar o máximo de conhecimento e experiência que possa ajudar no sucesso do aluno. Estamos em 2010, rodeado de tecnologia e novos paradigmas, mas ainda existem limites. E um desses limites é  saber o seu lugar e até pode ir. O cliente não tem  mais sempre razão, o professor não mais sabe tudo, mas algo que não mudou é que todos precisam se respeitar.

Hoje, lendo o jornal li em letras miúdas no alto de um anúncio de automóveis: “Anúncio conforme orientação do anunciante”. Como se não bastasse a quantidade de texto excessivo, as miudezas também não param de aumentar.

Muitos clientes têm a desastrosa ideia de que sabem como fazer um bom anúncio. Para piorar, muitas agências têm a inconsequente complacência de aceitar isso. A maioria a contra-gosto, é verdade, mas isso não basta. As agências devem se colocar no lugar de agência de publicidade. Isso envolve um bom atendimento, planejamento, mídia e criação. Não é layoutista, não é venda de mídia. Porque, se for, não há necessidade de contratar uma agência.

Em algumas agências em que trabalhei, isso era algo comum. A exceção virara regra e se gastava muito tempo refazendo, reaprovando, reenviando. Era, sem dúvida, uma relação perde-perde. A agência perdia tempo, paciência e qualquer empolgação que existia no começo daquele job. O anunciante perdia criatividade, prazo e diminuía as chances de qualquer campanha dar certo.

Embora aconteça com muita frequência, publicidade não funciona à la carte. O cliente não entra e pede:

— 2 anúncios meia-página na edição de segunda, 50 spots determinados e uma inserção no Jornal Nacional. Algo bem colorido e alegre, ok? Depois me envia por e-mail.

— Ok senhor, estou imprimindo a fatura, só um segundo.

Simplesmente não é assim que funciona. Ao contratar uma agência, o cliente compra ideias, lembrança de marca, exposição, engajamento; em outras palavras: soluções. Quer fazer um folder? Contrate um freelancer, com certeza ele cobrará menos (e não com menos qualidade). Infelizmente, muitos donos de agências se preocupam mais com sua conta bancária do que criar peças criativas e que gerem resultado para o cliente.

É certo que existem muitas agências de qualidade duvidosa no mercado. Mas isso é inevitável. Assim como sempre vai existir profissionais ruins, sempre existirá clientes ruins. Mas imagino que ninguém aqui queira fazer parte desse grupo, certo?

Os clientes podem matar uma agência de propaganda, nutrindo agências sem graça e que não aparecem. Claro, o problema também é delas que permitem ser comandada pelos clientes. As melhores agências do mundo sabem se impor; não deixando que clientes comprometam a qualidade do seu trabalho. Afinal, é o nome da agência que vai assinar aquela peça. E mesmo que não assine (como algumas agências fazem ou fazem como a imagem), todo mundo sabe. Nem um mercado tem mais “panela” que o publicitário. Todo mundo se conhece.

O mundo realmente mudou. As (boas) empresas aprenderam a dar atenção aos bons clientes e ignorar os maus. Como li uma vez no livro Experiência Starbucks: “Líderes precisam aprender a diferenciar clientes que querem ter suas preocupações resolvidas daqueles que nunca param de reclamar e nunca estão satisfeitos”. As (boas) empresas buscam ensinar seus clientes, são ativas não reativas. Agências de publicidade também são empresas — B2B, onde o relacionamento é fundamental.

Os melhores resultados são alcançados com o trabalho em equipe, se a agência e cliente não formam uma equipe, então está na hora de repensar tudo. Conversar é a melhor maneira de acertar a relação, e por incrível que pareça muitos profissionais de dentro das empresas admiram pessoas com opiniões fortes e que transmitem segurança. DR é algo chato, mas necessário. Tente conversar, se a outra parte não quiser ouvir, o melhor a fazer é partir para outra.

Algum dia, não muito distante de hoje, você chegará no seu trabalho deixará a pasta na mesa, se servirá de um café bem quente e pegará seu jornal para ler. Não um maço de papel de 2kg, mas um dispositivo eletrônico de 1cm de espessura — provavelmente flexível — que automaticamente terá feito o download da edição mais recente do seu jornal favorito via rede 3G.

Eu nunca acreditei no fim dos jornais até ter um estalo no meio de uma reunião ao ouvir a frase “o jornal pode não existir mais em 10 ou 15 anos”. Esse não é um assunto exatamente novo, ouço isso desde antes de entrar na faculdade. Mas o estalo rapidamente inundou minha mente com imagens de pessoas lendo jornais em iPads, Kindles, Nooks e QUEs. Pela primeira vez, eu consegui enxergar o fim do jornal.

Não apenas o jornal que está ameaçado. Mas a mídia impressa e livros como um todo. No começo da semana, a loja virtual mais famosa do mundo, Amazon, anunciou que vendeu mais livros digitais do que capa-dura (formato padrão nos EUA). A proporção foi 180/100. Ou seja, pra cada 1 livro impresso, foram vendidos quase 2 em formato Kindle. E olha que o aparelho está longe de ser popular, estima-se que até 2009 tenham sido vendidos “apenas” 3 milhões. A título de comparação, o iPhone4 vendeu isso em 3 semanas.

Há exatamente três anos, ZERO era o número de readers no mercado. Eu me refiro a um bom reader, não protótipos fracassados. Os números de hoje são bem diferentes e ajudam a explicar porque só agora eu consegui ver a extinção do jornal de papel (e talvez revistas).

  • Kindle: 3 milhões vendidos em até 2009
  • Kindle DX (última versão lançada): ZERO em estoque 1 mês depois do lançamento
  • iPad: 1 milhão de unidades vendidas em 28 dias
  • Nook: 300 mil unidades é a quantidade aproximada que a livraria Barnes&Nobles deve ter vendido do seu leitor nos primeiros 4 meses de vida

Com a exceção do iPad, todos os outros leitores esgotaram seus estoques no lançamento. E só não aconteceu com o aparelho da Apple, porque a empresa de Steve Jobs sabe como se preparar para uma grande demanda .

Tablets (iPad) e readers (Kindle) estão prestes a entrar na vida das pessoas como mp3 players e notebooks fizeram anos atrás. É um grande mercado e empresas gigantes como Sony e Cisco estão se preparando para entrar na briga. O iPad tem se mostrado uma ótima ferramenta de trabalho e o Kindle uma verdadeira biblioteca. No entanto, eles são as estrelas do mercado, ainda são caros e possuem pouco conteúdo em português disponível. Mas isso está prestes a mudar.

Dentro de 10 ou 15 anos, todos nós teremos nossos próprios readers; cafés, consultórios e empresas disponibilizarão os aparelhos para uma leitura rápida e o papel não mais será um elemento essencial para a nossa vida. Da mesma forma que cartas viraram e-mails e documentos  saíram das pastas para dentro do computador. Isso não é o fim da indústria (embora seja o fim das bancas de revistas, sorry guys), o jornal não vai acabar, vai apenas mudar para um modelo que há muito tempo se fala, mas que nunca ninguém viu.

Por Seth Godin,

Se você está malhando em um aparelho que tem um limite – onde você vai soltando a barra até parar— há muito mais chances de você chegar ao limite do que se você mesmo tiver que decidir o quanto é o suficiente.

As pessoas gostam de chegar no máximo. Mas se não existe máximo, nenhum limite, é muito mais fácil se satisfazer e dizer que você fez o suficiente.

Se você quer que seus melhores clientes/funcionários façam mais, uma maneira de fazer isso é anunciar o máximo que eles conseguiriam fazer [algo realista]. Embora isso possa fazer com que algumas pessoas não se esforcem para ir muito além dele, isso irá, na verdade, motivar uma quantidade maior de pessoas a superar.

“O máximo de comissão que pagamos foi $10.000.”

“O máximo de tweets por dia é 30.”

[Artigo Traduzido do original "The Problem With Unlimited"]

Mercado cinza

22 de julho de 2010 • TEMAS: Filosofando / / /

Todo mundo sabe muito bem o que é o mercado negro, mas você já ouviu falar em mercado cinza — um dos maiores vilões da economia?

A primeira vez que ouvi alguém usar a expressão foi Marcos Khalil, dono da rede de loja de games UZ Games, uma das maiores do Brasil. Khalil bateu forte na tecla de que a o mercado cinza é o maior inimigo do mercado de games no Brasil, resultado de um sistema tributário mal formulado que torna a vida dessas empresas muito mais difícil, sendo o principal estímulo do  mercado informal.

Enquanto o mercado negro é a comercialização de produtos ilegais ou proibidos, o mercado cinza comercializa produtos originais e permitidos, mas pelos canais errados ou pagando pouco (às vezes nenhum) imposto. Por exemplo, pequenas lojas que vendem filmes ou jogos piratas estão no mercado negro, mas se vendem aparelhos eletrônicos —não comprados direto do distribuidor do país de origem—passam a se enquadrar no mercado cinza. O produto não é ilegal, mas é invisível para o fabricante (por não ser um distribuidor autorizado) e para o governo (não passar pela Receita). Geralmente, essas lojas ou vendedores não são cadastradas junto ao fabricante ou distribuidor e adquirem as mercadorias de fontes não confiáveis. Compras em sites internacionais também são um tipo de mercado cinza, já que não geram nenhum valor para o Brasil.

Ainda existe o chamado “mercado verde”, que é o comércio de produtos usados. Ainda não é um problema no Brasil, mas algumas empresas norte-americanas já estão criando estratégias para estimular a compra de produtos novos, em vez de usados.

Voltando ao assunto principal, o empresário disse uma coisa muito interessante: “a pirataria [mercado negro] nunca vai acabar, porque faz parte da cultura”. Porém, o mercado cinza brasileiro pode diminuir drasticamente se houver incentivos do governo. O mercado cinza também deixa de gerar empregos e diminui arrecadação, fazendo com que investidores deixem de ver no Brasil um mercado promissor em certas áreas.

As pessoas que compram no exterior ou no mercado paralelo, compram porque é barato. Eu, por exemplo, comprei cerca de 20 jogos originais nos últimos 12 meses. Desses, 4 foram comprados no Brasil, 16 no exterior e apenas 1 foi taxado pela receita. O Brasil deixou de arrecadar 75% do meu consumo com games no último ano. Eu não estou errado, compro jogos originais e não estimulo a pirataria, mas compro onde acho melhor para o meu bolso. O mercado cinza não é errado, é injusto.

Todo consumidor busca fazer bons negócios, é essa busca que move boa parte da economia mundial. É bastante comum alguém ficar surpreso ao comparar o preço de um produto aqui no Brasil e lá no exterior.  Milhares de brasileiros compram de sites internacionais ou voltam do exterior com a mala com muito mais do que roupas… Não seria muito mais fácil se o governo diminuíssem os impostos?

Esse é o grande impasse. O Governo acha que diminuir impostos irá diminuir a arrecadação, a indústria quer provar o contrário: a diminuição dos impostos  irá aumentar o volume de negócios e, com isso, a arrecadação. Sem falar na abertura de novas empresas e milhares de novos empregos.

De forma alguma quero entrar na discussão infinita de pirataria e  impostos no Brasil.  Mas é importante ter esse discernimento, de que o que atrasa o país não é a pirataria, mas o mercado paralelo de produtos com os seus HiPhones, “BlackBarrys”, aparelhos de TV via satélite, importados, etc.

Quando se trata de obter boas ideias, a maioria das pessoas não sabem por onde começar. Algumas pessoas são abençoadas com o dom da criatividade e conseguem ter mais ideias em 1 hora do que você tem em 1 semana. Mas elas são exceções, e mesmo assim pessoas “menos agraciadas”  precisam contribuir com insights no dia-a-dia da empresa.

Não é fácil tornar uma pessoa racional, lado-esquerdo do cérebro, uma fonte de ideias e criatividade. Mas existem algumas técnicas que podem ajudar não apenas àqueles que abrem uma noz com mais facilidade do que tem alguma ideia, mas também quem já é criativo e quer aumentar as chances de sucesso das suas crias.

Achar as melhores ideias é uma daquelas coisas da vida que são extremamente fáceis de falar e difíceis de fazer. Tão fácil que é possível obtê-las seguindo apenas as 3 leis básicas criadas pela Maddock Douglas — consultoria focada em inovação que orienta grandes empresas como Nestlé, Procter & Gamble, Häagen-Dazs e outras.

As 3 leis a seguir foram construídas com base em décadas de experiência dos fundadores da Maddock Dougas, muitas vezes, adquiridas da pior maneira possível, segundo os próprios fundadores. São orientações simples, fáceis de assimilar, mas que podem ser difíceis de aplicar dependendo da cultura da empresa e dos vícios do profissional. Elas ajudam a achar as melhores ideias para inovar, criar novos produtos, fortalecer marca e reinventar o modelo de negócios.

Lei nº1: Seja um “agnóstico criativo”

Joseph Baskin, especialista em branding, uma vez escreveu um artigo chamado “Contrate Satã para sua equipe” no qual ele defende que uma equipe pode se beneficiar tendo alguém muito crítico contra-argumentando boa parte das ideias. O objetivo não é rejeitar ideias, é desafiá-las. Geralmente, é primeiro que diz: “e se não funcionar?” ou  “mas isso o concorrente já faz”.

O marketing das empresas costumam enfrentar dificuldades para aprovar certos projetos com a diretoria porque não são críticos o suficiente com suas próprias ideias. Elas são boas, originais, seguem tendências, mas… será que dão retorno? O marketing defende que não é possível quantificar ou mensurar uma ideia nunca aplicada, o financeiro não quer saber e cobra mesmo assim. O fato é que uma hora você vai ter que provar que funciona. Mas tem — e deve — ser evitado no começo do processo. Nenhuma empresa inova pensando que não pode.

Para se chegar às melhores ideias, é preciso primeiro captar o maior número de ideias possíveis. É quase unanimidade entre artistas, publicitários e especialistas em inovação que insights podem vir de qualquer lugar. De uma situação familiar, assistindo um filme ou até analisando o concorrente. A princípio, toda ideia que tem algum potencial deve ser considerada. Só então, arme-se de dados e argumentos para descobrir qual é a melhor ideia e até onde ela pode ir. Do ponto de vista dos negócios, apenas originalidade não é o bastante. É preciso provar.

Lei nº2: Lembre-se que uma boa ideia gera muitas outras

Como identificar um insight em potencial no meio do turbilhão de pensamentos que inundam nossas mentes quando tentamos ter alguma ideia? Segundo a Maddock, uma boa maneira é compartilhar o insight com o grupo e ver quantas ideias as pessoas têm a partir dele. Ótimas ideias criam dezenas de outras ideias.

Lei nº3: Organize suas ideias por ordem de fator emocional

Você obteve grandes ideias, colheu recursos suficientes para defendê-las, mas não sabe como escolher a melhor diante de tantas boas opções. Uma boa maneira é organizá-las por justificativas emocionais. Às vezes, a gente não consegue provar porque aquela ideia dará certo, mas acredita tanto que põe tudo a perder investindo nela e o resultado é um grande sucesso. A intuição é a prova que fatores emocionais têm influenciado as decisões dentro das empresas.

Claro que não dá pra defender uma ideia dizendo “porque eu sinto que vai dar certo”, é preciso agregar fatores emocionais às informações (racionais) já colhidas. No início, algumas ideias parecem não ter muitos fatores emocionais envolvidos, quando isso acontecer, tente fazer a pergunta: “porquê?”

Por exemplo, se você perguntar para algumas pessoas porquê elas praticam exercícios, a maioria irá dizer “porque quero perder uns kilinhos” ou “ficar com corpo bonito”. Respostas racionais irão predominar. Porém, é certo que você vai ouvir alguma resposta do tipo “porque é saudável, quero viver bem e ver meus filhos se formando, casando e tendo meus netos”.

Essa necessidade de inovar partindo de necessidades mais ocultas do consumidor estão sendo descobertas pelas empresas hoje em dia. É o caso da marca de fraldas Pampers, que saiu de uma estratégia de deixar o bebê sequinho para ajudar a mãe no crescimento do filho.

As melhores ideias são originais e passíveis de argumentação, mas não é só isso, elas buscam tornar a vida mais fácil, mais conveniente, mais econômica e o mais importante de tudo: mais valiosa.

Se na Bíblia existissem 10 mandamentos para o sucesso do homem, tanto pessoal como profissional, seriam mais ou menos assim:

I

Trabalharás cada dia, como se disto dependesse a sua vida.

II

Aprende que, com paciência, poderás controlar o teu destino.

III

Planeja tua rota com cuidado ou ficarás à deriva para sempre.

IV

Prepara-te para a escuridão, enquanto viajas à luz do sol.

VI

Tenhas consciência de que seu plano não é nada mais que um sonho indolente, enquanto não se puser de pé e lutar.

VII

Afastas a teia de aranha da tua mente, antes que sejas aprisionado por ela.

VIII

Suaviza a tua carga se pretendes chegar ao teu destino.

IX

Nunca esqueça que o agora é sempre mais tarde do que pensas.

X

Jamais procures ser diferente do que és.

[Extraído do livro "O Maior Sucesso do Mundo", de OG Mandino]

Li a notícia de uma ação da Sadia hoje e percebi que poderia ser uma boa lição de marketing. Na verdade, mais um lembrete que às vezes esquecemos.

A ação promocional acontecerá em Caruaru durante o mês de junho e vai distribuir cerca de 40 mil tapiocas durante as festividades de São João. Vale dizer, que as festas juninas  são muito mais fortes no nordeste do que no sul do Brasil e tapioca é uma comída típica facilmente encontrada em qualquer cidade da região norte ou nordeste (a propósito, é a minha favorita).

A Sadia vende o ingrediente para fazer tapioca? Não.

Mas a Sadia vende queijo, o principal recheio dessa delícia, afinal, fécula de mandioca não tem gosto de nada. A marca X-Sanduíche é patrocinadora exclusiva do Trem do Forró, marcando presença com grande visibilidade em uma das maiores festas da região.

Três lições podemos tirar — e relembrar– dessa bela jogada da Sadia:

  1. Ações regionais costumam funcionar melhor do que ações nacionais.
  2. Não tenha medo de dar seu produto de graça. 40 mil pode ser muito, mas só se você pensa pequeno.
  3. No marketing, às vezes ser coadjuvante é melhor do que o papel principal. A Sadia não pretende “aparecer” mais do que a tapioca, ao invés, criou uma associação indireta de alto impacto: “Hmm, tapioca com que esse queijo é bom! Vou usar em casa”.

Você já deve ter visto esta cena: durante uma entrevista com uma banda sai a pergunta “quem influenciou vocês?”. Nesse momento, sai de tudo, mas quase sempre os clássicos Bob Marley, Beatles, Radiohead, Rolling Stones, Vinicíus de Moraes e Tom Jobim estão presentes, dependendo do estilo, claro. Nós somos influenciados o tempo todo e isso é fundamental para o nosso aprendizado.

Quem trabalha com criatividade, como publicitários e artistas, precisam de uma coisa chamada bagagem cultural. É muito comum pegar um livro de criação publicitária e ler os autores falando da importância de se ver, fazer e conhecer coisas diferentes, em outras palavras, de aumentar essa bagagem. No inglês, isso é chamado de background – o pano de fundo da sua vida. Washington Olivetto falou uma vez que sabia muito pouco sobre muita coisa. Carregamos esse background aonde quer que vamos e ele tem papel fundamental no resultado do nosso trabalho. De forma inconsciente, altera nossa percepção de mundo e nos abre mais possibilidades (ideias). É a bagagem cultural que nos ajuda a prever tendências e criar coisas realmente atraentes  e originais.

A influência propriamente dita, para mim, é um pouco diferente. Ao contrários dos músicos que se dizem influenciados por artistas que não conseguimos perceber, ela age de forma mais direta no nosso dia-a-dia. Influências são livros, professores, amigos, escritores, gurus e empreendedores que admiramos  tanto que incorporamos um pouco dos seus feitos ou conselhos ao nosso trabalho. De todos os livros que lemos, com sorte, uns 2 ou 3 viram influências para nós. Temos a tendência de agir com base naquele livro, não nos outros 100, esses viram bagagem cultural.

Dois blogs me  influenciaram muito a criar o Pequeno Guru : Seth Godin e Advertising for Peanuts. Ambos usavam uma linguagem um tanto filosófica que me deixava pensando mesmo depois de terminar de ler o artigo. De certa forma, é o que eu tento fazer aqui no PG até hoje. Na minha vida profissional, Al Ries é o mestre, costumo dizer  que quando crescer quero ser como ele. Já na vida pessoal, eu também tenho minhas influências. Obviamente, meus pais são a maior delas, mas tenho uma ou duas outras influências que também estão presentes em quase tudo que faço.

No processo de aprendizado, é importante ter “modelos” a seguir, alguém em quem se espelhar e uma obra para funcionar como guia. Geralmente, é aquele livro que você já leu 2, 3 vezes ou uma pessoa que admira muito. Influências não são regras, mas hábitos que você adotou para sua vida e que podem ser percebidas no seu modo de agir. Certamente, essas influências acabam tendo a sua cara, já que sua bagagem cultural também entra em ação. Resumindo tudo em uma frase, faça como Tom Peters disse, “aprenda com os melhores e depois adapte”.