Independentemente do que estudaram na faculdade, da área em que trabalham ou nível de extroversão, as pessoas adoram se comunicar.

Acredito que a popularização das mídias sociais trouxe novos elementos à comunicação, portanto merece uma nova discussão sobre os conceitos que já conhecemos. De uma maneira informal, podemos dizer que as pessoas se comunicam para duas coisas: expressar e dialogar.

A primeira é quando alguém transmite algo — espontâneamente ou não –  sem necessariamente esperar um retorno ou feedback; a forma de vestir, as marcas que usa, gestos e meios como livros, colunas em jornais e blogs são bons exemplos. A pessoa se expressa sem esperar uma resposta, apenas para manifestar algo.

A segunda é quando alguém requisita algo esperando um retorno ou feedback. Ir a eventos, o uso de e-mail, telefone e redes sociais quase sempre demandam uma resposta, que pode ser atender uma expectativa ou um simples “obrigado pelo e-mail, entrarei em contato com você em breve”.

Por que eu estou falando sobre algo óbvio assim? Para explicar meu ponto-de-vista, de que as pessoas adoram se comunicar, e entender como a comunicação ocorre é vital para profissionais de marketing e publicitários. Mais do que como  uma necessidade humana ou transmissão de conhecimento; as pessoas gostam de falar, compartilhar, influenciar e trocar. Elas são mais felizes assim. Tanto que estima-se que 70% da felicidade humana está relacionada diretamente a aspectos sociais.

Uma coisa que eu percebi, as pessoas usam o Twitter e Facebook para conversar apesar de existir canais próprios para isso como o e-mail, messenger e o próprio DM desses sites. Como eu tuitei certa vez:  “o e-mail é o meio formal da internet”.

Você usa o e-mail para tratar de assuntos importantes e falar com pessoas com quem você não tem muita intimidade. Twitter e Facebook são canais de expressão, você fala o que está fazendo, diz o que pensa e publica fotos dos lugares que frequenta. Mas eles se tornaram mais do que uma via de mão única, e passaram a ser o jeito mais prático de dialogar com os amigos. Por que? Porque é onde eles estão o tempo todo. É mais provável que o seu amigo veja aquele “e aí, vamos tomar um choppinho hoje?” no mural do Facebook do que na caixa de entrada do Gmail.

Entender esse comportamento é importante para a comunicação empresa-consumidor. Principalmente, porque uma parte da importante desse processo está no poder do buzz. Você pode gastar R$50 mil e falar com 10 mil pessoas de pessoas ou gastar R$50 mil e falar com 1 milhão de pessoas. Por isso, as empresas querem fazer parte dessa conversa. Mas o marketing convencional não as ensinou a fazer isso. Quando uma empresa falava, todo mundo ouvia. Hoje, empresas e consumidores falam, mas só ouve quem quer e o que quer.

Já que as pessoas amam se comunicar, e agora elas se comunicam o tempo todo para muita gente, descobriu-se que o segredo está em gerar conteúdo bom o suficiente para virar assunto. As pessoas sempre conversaram, mas agora é como se todo mundo falasse usando um megafone. Na minha época, adolescentes ficavam pendurados no telefone (às vezes no mIRC), agora eles ficam no msn. Essa paixão das pessoas pela comunicação — por se expressar e conversar — é natural, e empresas inteligentes sabem tirar proveito disso.

Vamos ser honestos, a gente sabe que isso acontece o tempo todo.  Mas não precisa ser tão escrachado assim. Talvez você nunca tenha colado na prova ou copiado o trabalho de um colega, mas mesmo assim, você sabe que deve mudar algumas coisas para o professor não perceber. O problema é que, no mercado, o professor é qualquer pessoa. É quase impossível uma cópia passar batida. E aí, meu amigo, nota zero em credibilidade para empresa.

Se você tem um pequeno negócio e uma verba pequena para a criação de um site, muito cuidado com empresas que vendem comunicação a granel. Site não é como um software que você compra exatamente o que recebe. O site acima foi criado por uma dessas empresas, do tipo que não se importa com o seu negócio. Se você se importa, fuja delas.

(Clique para ampliar)

Abaixo a timeline com algumas modificações (retirei os menos relevantes e acrescentei uns novos)

  • 1839 – Colar cartazes em propriedades privadas é proibido em Londres
  • 1864 – Os primeiros registros do uso do telégrafo para enviar mensagens não-solicitadas em massa
  • 1867 – São alugados os primeiros outdoors
  • 1880 – São registradas as primeiras marcas como forma de branding
  • 1905 – University of Pennsylvania abre o curso de “The Marketing of Products”
  • 1922 – Inicia propaganda no rádio
  • 1941 – Primeira propaganda na TV vai ao ar
  • 1950 – Acontece a sistematização do telemarketing
  • 1970 – O e-commerce é inventado
  • 80′s - Surgimento do CRM e database marketing
  • 1984 – Aparecimento do marketing de guerrilha
  • 1985 – Computador passa a ser usado para criar anúncios impressos
  • 1990 – CRM e Comunicação Integrada são usados massivamente nos planejamentos de marketing
  • 1991 – Comunicação Integrada entra para o currículo acadêmico
  • 1995 - AltaVista e Yahoo lançam sistemas de busca
  • 1996 – Primeiros virais são detectados
  • 1998 – Google e MSN são lançados
  • 1999 - Primeiro site de análises dos consumidores é criado
  • 2002 - Site de compartilhamento de fotos SmugMug abre espaço para sites como Flickr e Photobucket
  • 2003 - MySpace e WordPress são lançados
  • 2004 – Facebook, Orkut e Digg são lançados
  • 2005 – YouTube e Vimeo são lançados
  • 2006 – Twitter é criado
  • 2008 – Groupon é criado

Fonte: Marketing Pilgrim

Com o meio digital abocanhando uma fatia cada vez maior da verba publicitária — crescendo 30% no Brasil em 2010 — , e as novas mídias dominando os congressos e livros de marketing, um assunto especialmente importante que está no centro disso são as métricas.

Uma das principais vantagens da propaganda online é a facilidade de medir o seu sucesso ou fracasso. É impossível saber quantas pessoas compraram o seu produto porque viram o comercial na TV ou o anúncio em uma revista, mas é possível saber quantos compraram ao ver o banner na internet. No entanto, é muito superficial medir o sucesso de uma campanha online com base simplesmente em número de cliques, visitantes únicos ou pageviews. Como é um assunto relativamente novo, ainda não há uma metodologia pronta de como fazer, então cada um faz do jeito que acha mais adequado.

Provavelmente, uma das melhores propostas é a de um livro lançado esta semana chamado “Digital Impact: The Two Secrets to Online Marketing Success”. Escrito por um dos maiores especialistas em marketing digital do mundo, Geoff Ramsey (CEO do eMarketer) e o sabe-tudo da propaganda Vipin Mayar (VP executivo mundial da McCann), eles propõem o uso de apenas 7 métricas para se avaliar de forma eficaz o sucesso de ações online.  “Profissionais de marketing digital hoje estão afogados em métricas, mas eles não sabem quais são importantes ou como ligar os pontos de uma maneira que leve ao aumento de desempenho”, diz Ramsey.

Vamos conhecer um pouquinho de cada uma das 7 métricas destrinchadas no livro.

Visitantes qualificados

O que vale mais, 10.000 visitantes interagindo e comprando ou 100.000 visitantes entrando e saindo do seu site? Essa métrica é importante porque avalia tanto quantidade como qualidade. É preciso haver uma boa proporção entre os dois, ao invés de apenas números absolutos. Dependendo do canal, muda a forma de avaliação, mas o enfoque é sempre o mesmo: o comportamento do consumidor. Visitante qualificado é aquele que faz o que a empresa deseja, ou simplesmente demonstra interesse pela marca, produto ou serviço.

Número de cliques

Embora seja a mais usada hoje em dia, esta métrica deve ter menos importância na opinião dos autores do livro. É um bom jeito de avaliar as respostas diretas a uma ação, mas como qualquer avaliação quantitativa ela é superficial. Sem falar que há jeitos de burlar e manipular número de cliques. Então, use esta métrica, mas nunca faça dela a mais importante.

Aumento de percepção de marca

Segundo o Trust Barometer 2011, a maioria das pessoas precisa ter contato com uma informação de 3 a 5 vezes para acreditar nela. Isso significa que a mensagem que diz que aquele produto é o mais seguro deve ser vista no jornal, na TV e no rádio — no mínimo — para ser aceita como verdade, desta forma, melhorando a percepção da marca. O meio digital é excelente para isso, pois oferece vários canais diferentes, e com maior flexibilidade. Uma maneira de medir a percepção de marca de uma campanha digital é comparar dois grupos de consumidores, os que tiveram acesso à campanha na internet e os que não tiveram, e medir o que mudou.

Nível de engajamento

Esta métrica é especialmente importante para medir uma ação cross-media, e capturar o magnetismo que cada meio exerceu nos consumidores. O nível de engajamento (Engagement Score, em inglês) passa por  mobile, propaganda online, games, hotsite, video, blog, redes sociais e o que mais surgir daqui pra frente.

Taxa de conversão

Então, o consumidor acessou o site via QR Code que você colocou na loja, ou assistiu aquele video criado exclusivamente para a internet, e depois disso? Ele comprou o produto? Compartilhou o video? Não fez nada? A taxa de conversão é uma métrica fundamental para medir a eficiência da campanha, analisando se os objetivos da empresa foram alcançados.

Medidores de eficiência

Outra bastante usada por aí, principalmente pelos veículos  na hora de vender mídia. Custo por clique, impressões, engajamento, vendas, alcance, etc. O objetivo dessa métrica é avaliar se os resultados obtidos correspondem ao valor investido. Não adianta alavancar vendas e ter prejuízo.

Retorno sobre o investimento

O famoso ROI também deve estar presente no universo digital. É mais uma métrica financeira, mas ao contrário da de cima, ela se foca nos resultados e não qual o jeito mais eficaz (e mais barato) para se atingir o objetivo. O ROI busca assegurar que cada ação de marketing — seja ela online ou offline –  gere resultados sólidos para a empresa. Resultados esses que podem ser: retenção, lealdade, vendas, novos clientes, percepção de marca, etc. O livro oferece várias metodologias para avaliar o ROI.

Profissionais da área, todo mundo correndo comprar o livro que não deve sair no Brasil tão cedo!

Os fundadores do Google Sergey Brin e Larry Page não foram inovadores, eles foram “melhoradores” (Tweakers). Quem disse isso foi um dos caras mais influentes dos negócios hoje, Malcolm Gladwell, em sua palestra no Cannes Lions deste ano.

Quem usou o AltaVista ou Yahoo! para procurar algo na internet dos anos 2000, deve lembrar da diferença de desempenho ao comparar com o Google. Brin e Page não foram os primeiros nem os segundos a criarem um buscador de internet, mas eles criaram o melhor de todos. Algo que dificilmente teriam conseguido se os outros já não estivessem no jogo. Entre os assuntos que mais se fala em artigos, livros e palestras hoje em dia está a capacidade de melhorar algo. De pegar uma ideia que não deu certo, aprender com seus erros e tentar de novo –  e melhor. Ou algo que está dando certo, e criar algo melhor ainda e revolucionar o mercado. No entanto, ainda há um forte paradigma a ser quebrado. O de que todas as empresas precisam ser inovadoras. Aliás, eu não sei se isso é um paradigma ou um paradoxo.

Paradigma: as empresas querem ser inovadoras e criar produtos originais.

Parodoxo: as empresas resistem às mudanças e rejeitam ideias revolucionárias demais, e acabam investindo em coisas que já existem no mercado.

Poucas empresas agem como tweakers — melhorando ao extremo algo já criado. Ou as empresas criam algo 100% novo e dá errado ou elas criam algo 100% copiado e dá errado. O problema com o novo é que as chances do primeiro errar são enormes, além disso é preciso vencer o medo dos consumidores e educá-los. Quem entra no mercado depois — como Gladwell defende — se depara com um mercado já preparado, conhecendo os erros do concorrente (e daquela tecnologia ou processo) e uma demanda latente. Como um novo produto encontra muita resistência, ele geralmente é consumido pelos famosos early adopters, enquanto a “massa” dos consumidores aguardam até o mercado ganhar forma para aderir a ele.

Gladwell citou Xerox, Lycos, AltaVista, Friendster, MySpace e até Apple para sustentar a sua ideia de que “chegar atrasado” em um mercado é algo bom. Quem vem depois têm a vantagem de aprender com os erros dos outros, “você não tem que ser inovador para ser um bom empreendedor. Você pode pegar algo e fazer melhor”, disse.

Na minha opinião, uma das melhores empresas tweaker é a Microsoft. Eu acho que ela não foi a 1ª em nada. Até mesmo o sistema que veio a se tornar o Windows, foi comprado por Bill Gates que o melhorou antes de oferecer à IBM e começar a escrever o nome da Microsoft na história. Seu videogame comeu poeira do líder PlayStation 2 até superá-lo em vendas na geração seguinte, além de criar o aparelho que vendeu mais rápido da história — que podemos considerar um Wii sem controle. Recentemente, a empresa entrou em uma nova briga de peso-pesado: smartphones.  Seu Windows Phone ainda é subestimado, mas as previsões dizem que deve quadruplicar seu market-share até 2015, superando BlackBerry e até o iPhone.

Vale ressaltar, que ser o primeiro da categoria o é uma enorme vantagem competitiva. Al Ries sempre disse isso e acho que nem mesmo Malcolm Gladwell discorda, mas ao olharmos para o passado, vemos que as empresas  líderes de mercado hoje não foram, de um modo geral, as que criaram a categoria. Mais por incompetência delas do que por mérito dos outros. Quem chega depois, sempre se esforça mais justamente por estar “atrasado”.

O mercado precisa de tweakers, profissionais e empresas com capacidade de pegar algo e melhorá-lo 100 vezes. Com sorte, uma empresa assim será percebida como a número 1, porque logo ninguém irá lembrar quem foi o primeiro. No final das contas, ninguém liga para o primeiro, as pessoas ligam para o melhor.

Pare para pensar: as empresas usam redes sociais por isso precisam de uma estratégia ou possuem uma estratégia e por isso usam redes sociais? Mídias sociais como o próprio nome diz é uma mídia; e uma mídia é um canal, um meio de comunicação que é ou não utilizado dependendo dos objetivos e da estratégia da empresa.

O Febreze é um produto que acabou de alcançar US$ 1 bilhão em vendas sem usar nada de mídias sociais. Com certeza, a Procter&Gamble tem uma estratégia para o produto ou esse marco não chegaria nem perto de ser alcançado. Nenhum produto ou marca sobrevive sem uma estratégia, mas o Febreze provou que sobrevive sem mídias sociais.

Antony Young,  CEO da Optimedia dos EUA, define mídias sociais como “um conjunto de tecnologias ou táticas que nos permitem elevar e amplificar marcas e sua comunicação de marketing”.

Mídia social não é uma estratégia, é uma avenida. Young também disse isso, e eu adorei esse termo “avenida” ou “passarela”. O objetivo de um Twitter corporativo ou uma página personalizada no Facebook ou um blog temático é levar os consumidores para algum lugar. É tático, não estratégico. O destino desses canais pode ser a página de um produto,  o comercial de uma campanha, um hotsite interativo, um caminho mais fácil de falar com a empresa, seja o que for, o destino final não é chegar ali e pronto; ganhar um seguidor ou fã. O objetivo das mídias e redes sociais é levar os consumidores para algum lugar. E esse lugar é a estratégia da empresa que irá dizer.

Seguindo a estratégia

Quando o assunto é mídia social, a maioria das empresas agem antes de pensar. Primeiro, elas criam uma conta para, só então, decidir como irão usá-la. Isso acontece por três motivos: 1) O concorrente está lá; 2) Todo mundo está falando a respeito; 3) Medo de parecer uma empresa atrasada. Essas empresas não percebem que pior do que não utilizar, é utilizar de forma errada. Tuitar ou blogar uma vez por mês, usar linguagem inadequada, criar um perfil em vez de uma página no Facebook, não gerar conteúdo relevante, não analisar os dados oriundos dessas mídias, etc.  Antes de clicar em “criar conta”, é preciso ter muito claro se ela faz sentido para a estratégia da empresa. Qual o retorno aquela mídia trará para a empresa? É isso que a empresa realmente quer? Se sim, pode clicar.

Após criar a conta, a gestão dela é igualmente importante. Tirada a dúvida se aquela tecnologia irá realmente ajudar a empresa a atingir seus objetivos, hora de assegurar que isso realmente aconteça, e aconteça de forma autêntica e obedecendo os valores e a cultura da empresa antes de tudo. A partir daí, se a empresa vai utilizar para aumentar vendas, prestar suporte técnico, lançar novo produto, divulgar informações institucionais ou seja lá o que for, é algo particular.

Mídias sociais é uma ferramenta de marketing que tem ajudado muitas empresas a se manterem relevantes e crescerem, mas tem muita bobagem rolando por aí. Não é à toa que 73% dos CEOs acham que os profissionais de marketing falham em entregar resultados sólidos para a empresa. Isso é assustador, mas a gente sabe que marketing não se trata de números, tem muito de “ser humano” em jogo. No entanto, marketing também é negócios, e também é sobre números.

Gerar buzz não é necessariamente sucesso, marcar presença nas redes não garante a uma empresa o título de engajada. Mídias sociais são excelentes ferramentas, mas elas não são o início nem o fim, são o meio.

O futuro está na nuvem

13 de junho de 2011 • TEMAS: Digital / Negócios / / /

A primeira vez que eu ouvi falar em computação em nuvem foi quando me indicaram o livro do Marc Benioff, fundador da Salesforce.com, mas foi o título que atraiu a minha atenção: “de uma ideia a uma empresa de 1 bilhão de dólares”. Apesar do livro não ser tão bom quanto eu esperava (Benioff tinha grande capital e era amigo pessoal do todo poderoso Larry Elisson da Oracle),  serviu para me fazer entender a importância disso para os negócios do futuro.

De forma bem direta, computação em nuvem é qualquer aplicação que está em um servidor da web em vez de na rede da sua empresa ou no disco rígido do seu computador. O exemplo mais claro é o Google Docs ou o próprio Gmail. Dez anos atrás, você precisava de um software como o Outlook  ou Eudora se quisesse enviar e receber e-mails. Hoje, você nem precisa de um computador.

A nuvem já existe há anos, mas sempre foi mais limitada ao B2B. Em 2011, apostas audaciosas de mega corporações — como Google e seu Chromebook, Amazon e seu CloudDrive e Apple e seu iCloud–  deram início a uma nova era para computação em nuvem, aliás para toda a computação. Quem não sabia o que era era, agora vai precisar saber ou ficará nas nuvens (entenderam a piada?). A nuvem vai mudar a forma como eu e você usamos a informática e armazenamos arquivo. Na verdade, já mudou.

Recentemente, procurei um programa para criar mapas mentais. Após a busca, encontrei dois que me agradaram: um software que custava £300 e o outro de graça na web. Optei pela web, embora bem simples, é bem feito e me permite alterar no trabalho ou em casa . Esse é um exemplo simples de como a computação em nuvem está mudando o jogo. As pessoas não mais precisam salvar os arquivos e carregá-los em um pen-drive, basta criá-los e eles estarão em todo lugar. Nas nuvens!

A aposta da Apple

Steve Jobs saiu de sua licença médica para falar sobre o mais novo empreendimento da companhia, o iCloud. Isso mostra que a Apple está levando realmente a sério esse negócio de computação em nuvem. Na visão de Jobs, a longo prazo essa tecnologia pode levar a empresa a superar, pela primeira vez, a hegemonia do PC criado por Bill Gates. “Nós vamos rebaixar o PC e Mac… vamos mudar para o eixo digital, o centro da sua vida digital, dentro da nuvem”, disse na conferência realizada em São Francisco

No caso da Apple e seu iCloud, as coisas serão ainda mais fáceis. Uma foto tirada com o iPhone vai parar diretamente na nuvem. As músicas do iPod poderão ser ouvidas em qualquer outro dispositivo online do mundo. Da mesmo forma que os filmes que você comprou ou os documentos que criou. Dentro de alguns anos, talvez sua vida não esteja mais no seu computador, mas em todo o lugar. Esse é o plano da Apple.

A aposta do Google

Além de Steve Jobs,  Eric Schmidt e Larry Page também querem mudar o mundo (de novo!) com o seu audacioso Chromebook. Mas de um jeito diferente, apostando na velocidade e produtividade.

Parecido com um netbook, mas sem sistema operacional (ao menos no conceito original); com tecnologia 3G, o aparelho inicia em apenas 8 segundos, a bateria dura 8 horas e tudo que você fizer nele, poderá ser acessado depois pelo seu celular ou qualquer outro computador. A princípio, achei algo surreal. Como um computador sem sistema operacional que precisa de internet pode dar certo? Com o 3G cada vez mais acessível, pontos de Wi-Fi gratuitos cada vez mais comuns e a computação em nuvem dominando boa parte dos programas que utilizamos… não é tão difícil ver que isso pode dar certo. Estou curioso!

Qual a importância disso para o meu negócio?

A nuvem já mudou a vida das pessoas sem elas saberem. Empresas como a Salesforce estão faturando milhões sem a maioria dos profissionais nem mesmo saber que algo assim existia.  Agora ela deve impactar os negócios, principalmente o mercado de música, filmes e softwares. De um modo geral, o principal atrativo da computação em nuvem para empresas é a economia, uma vez que é possível trocar certos programas (e suas caras licenças) por aplicações web geralmente gratuitas ou mais baratas que as convencionais. Além disso, não há necessidade de atualização de software ou mesmo de computadores. Isso sustenta outra tendência: a de que as pessoas passarão cada vez mais tempo conectadas.

Computação em nuvem já é uma realidade, mas também é uma forte tendência. Ninguém sabe se a iCloud irá deslanchar ou se o Chromebook vai vender bem. São apenas grandes apostas que, se derem certo, devem sacudir mais uma vez o mercado, mudando as regras do jogo mais uma vez.

O trabalho de Steve Jobs

31 de maio de 2011 • TEMAS: Digital / Negócios / / /

O veterano engenheiro da Apple Mike Evangelist uma vez foi encarregado de liderar a equipe de design de um programa para gravar DVDs do Mac. Seu time desenvolveu dúzias de esboços altamente sofisticados e os reuniu numa apresentação para Steve Jobs. A seguir, Mike descreve o que aconteceu: “Ele pegou uma caneta piloto e foi para o quadro branco. Desenhou um retângulo e disse ‘aqui está a nova aplicação’. Tem uma janela. Você arrasta o seu video para a janela, então clica no botão BURN. Só isso. Isso é o que vamos fazer.”

Mais:

1. Toda as segundas-feiras, Steve Jobs avalia(va) cada produto na fase de desenvolvimento.
2. Uma vez, ele pediu que uma amostra do mármore que seria usado em uma Apple Store fosse enviado primeiro para ele.

Poderíamos dizer que ele pratica o que se chama de micromanagement, ou em uma linguagem mais popular: centralização. Isso poderia ser um problema se Steve Jobs não fosse Steve Jobs. Fato é que design (leia-se: mais do que estética, usabilidade) é o que faz da Apple única, e é preciso ser bastante chato para assegurar que os consumidores tenham o que esperam –  e da Apple, todo mundo espera algo fantástico.

Quando você tira uma empresa à beira da falência e a coloca no topo dos negócios, cria empresas como NeXT e Pixar… acho que tem o direito de ser um pouco concentrador. Na verdade, esse é o seu trabalho.

Este post contém trechos do artigo: “Why Apple Is Doomed”

Sempre que surge uma ferramenta, há um alvoroço no mercado que passa a usá-lo desenfreadamente julgando ser a solução para todos os problemas. Na sentido universal da palavra, “ferramenta” é algo que serve para um fim específico, cada uma com suas peculiaridades e limitações. O marketing dispõe de várias delas, e essa é só mais uma. Antes de decidir para onde vai o seu dinheiro, é preciso conhecer cada ou o investimento pode virar prejuízo. Quando uma empresa investe mal sua verba de marketing, ela está arriscando duas coisas: dinheiro e clientes.

Eu tenho uma opinião clara sobre sites de compras coletivas: eles são superestimados. Só este ano,  20% dos sites de compras coletivas brasileiros já fecharam as portas, mas como é um assunto que ainda está em alta (o Facebook recentemente anunciou sua entrada neste mercado), ainda tem empreendedor achando que é um bom negócio investir e empresas têm usando erroneamente em seu planejamento de marketing.

Por isso, preciso falar desse assunto mais uma vez e irei utilizar um artigo da revista INC. e ir direto ao ponto: 5 vantagens e 5 desvantagens de usar compras coletivas para promover seu negócio.

1. Atrai um monte de clientes

Não há dúvida que é uma grande maneira de atrair novos clientes, uma vez que a empresa tenha como prever e se planejar para atender a demanda. Como muitos clientes que compram já são clientes, o que acaba acontecendo é que você vende algo pela metade do preço para pessoas que costumavam pagar o preço cheio.  O professor de marketing Utpal Dholakia diz que esses sites funcionam melhor em promoções que não canibalizem vendas para seus atuais clientes.

2. Promove o  negócio

Eu não sou um dos maiores fãs de compras coletivas, mas adorei conhecer uma casa de chá que, caso contrário, não teria conhecido se não fosse através desses sites. Pouca gente sabe, mas o foco de Andrew Mason ao criar o Groupon sempre foi os pequenos estabelecimentos comerciais de Chicago, uma cidade grande, cheia de oportunidades e, como toda capital, lugares desconhecidos. No Brasil, tem muita empresa relativamente grande, com bons investimentos em propaganda, usando o Groupon para promover seu negócio. Funciona perfeitamente em empresas com pouca verba publicitária, nas demais nem tanto.

3. Ajuda a escoar

Aquela coleção antiga, aquele produto de pouca aceitação, aquele dia de pouco movimento… sites de compras coletivas podem ajudar a melhorar suas baixas. Particularmente, acredito que essa é uma das melhores estratégias. Especialmente, se for uma maneira de incentivar vendas de outros produtos adicionais. Mas só de vez em quando!

4. Constrói relacionamentos

As empresas devem ter mente que levar as pessoas para dentro da loja é só começo de uma árdua relação com o cliente, em que um está sempre está agradando o outro. Cada visita do cliente tem apenas um objetivo: fazê-lo volta uma outra vez. Uma dica do professor Dholakia é conceder benefícios para futuras visitas. Agora uma percepção minha: a primeira vez, por mais marcante que seja, não cria o hábito. Faça o cliente ir uma segunda e uma terceira vez e ele provavelmente voltará outras por conta própria.

5. Aumenta o faturamento

É muito importante que antes de fazer uma promoção dessas, a empresa faça estimativas de vendas e conheça seus custos para saber se é um bom negócio. Segundo a INC., sites de compras coletivas funcionam melhor em negócios de baixo-custo ou que possuem uma estrutura de custo fixo — ou seja, o custo de atender 1 ou 10 clientes é o mesmo.

1. Atrai caçadores por descontos

Uma das principais causas da baixa retenção de clientes é que a maioria só está atrás de uma boa barganha. Diferentemente de uma transação normal, muitos compram não por desejo ou necessidade, mas por mero impulso. Como perder aquele rodízio de sushi de apenas R$20,00 ? Talvez você nem goste tanto de sushi, mas é tão barato que as pessoas não resistem. Mais do que caçadores de descontos, as pessoas se viciaram na barganha.

2.  Machuca a marca

Se baixa margem de lucro (ou prejuízo) não for suficiente, pense na marca. Infelizmente, para a maioria das empresas a marca sempre vem depois das vendas. A marca é talvez a a maior prejudicada no mal uso dos cupons de descontos. Descontos não aumentam lealdade de marca, tampouco a lembrança. Criam consumidores movidos a estímulos, muito sensíveis a preço e que afetam negativamente a imagem da marca. Uma das frases que eu cito sempre “desconto” vem à mesa é do professor de marketing da London Business School, Mark Ritson: “Quanto mais agressiva é a promoção de vendas, mais prejudicada é a marca.”

3. Não faz os clientes voltarem

Um dos maiores mitos que os empresários acreditam, é que os clientes voltarão depois. Segundo o Groupon, apenas 22% voltam. Isso pode ser menor ou maior dependendo da categoria. O segredo é criar artifícios para força-los a voltar.

4. Não é lucrativo

No Brasil, o Groupon fica com 60% do preço e o Peixe Urbano 50%.  Essa margem é tão alta que quase qualquer negócio perderá dinheiro ao anunciar em sites de compras coletivas. Isso sem levar em consideração que o preço já está incrivelmente abaixo do de tabela. O objetivo de usar os sites de compras coletivas como ferramenta de marketing é qualquer outro, menos lucro.

5. Existe outras opções

Não é porque virou febre que a empresa precisa fazer. Como já disse, há duas coisas muito valiosas em jogo: dinheiro e clientes. Se não for bom para o seu caixa e nem para a sua base de clientes, não tem motivos para fazer. É preciso definir um objetivo e atacá-lo com a melhor ferramenta (provavelmente um conjunto delas) — e o marketing dispõe de inúmeras, mas nenhuma delas fará milagre sem um bom planejamento por trás.